quinta-feira, 13 de abril de 2017

AINDA VAMOS A TEMPO. MAS NÃO TEMOS MUITO MAIS!

O país vive duas realidades antagónicas e distintas nos seus pressupostos. Uma é a que é propalada pelo António Costa e os seus sequazes, que tudo corre sobre rodas. O défice é o mais baixo conseguido em democracia, que o desemprego irá baixar para um dígito.
Neste particular, encontram-se o Governo e os que dele dependem direta ou indiretamente. Somam-se, porém, muitos grupos empresariais, basta olhar para sua atividade, que, facilmente, podemos verificar que têm como clientes o Estado ou a quem este financia ou paga. As grandes distribuidoras que operam no nosso país também vivem indiretamente das políticas públicas.
A outra a realidade é a que é vivida pelos empresários e os seus respetivos funcionários cuja relação direta com o Estado só ocorre quando têm que proceder ao pagamento dos impostos.
Aqui, com efeito, também podemos englobar todos aqueles que não têm trabalho, nem têm expetativas. Para este conjunto de pessoas a realidade é bem diferente, porque os sinais são preocupantes. O Estado gasta mais do que pode em função daquilo que a economia gera. A riqueza produzida é insuficiente para assegurar a despesa pública, disso são exemplo os défices sucessivos.
Em suma, ou invertemos esta forma de estar como comunidade politicamente organizada e levamos a cabo uma verdadeira discussão no sentido de encontrarmos uma base de entendimento comum, no sentido de sabermos que Estado podemos ter. Qual o papel do Estado na sociedade. Quais são as funções sociais a realizar. De contrário, e, não estou a falar da vinda do diabo, é a realidade que mais uma vez nos assolará e nos pedirá contas. Será que não conseguimos ver para além do nosso umbigo?

José Policarpo (crónica na rádio diana)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Como esperado, Carlos Pinto Sá volta a ser candidato da CDU a Évora


Com o anúncio já esperado (que será formalizado em sessão pública no dia 18 de Abril no Pátio do Inatel, com a presença de Jerónimo de Sousa) da candidatura de Carlos Pinto Sá a mais um mandato, pela CDU, à frente da Câmara Municipal de Évora, são já conhecidos os concorrentes, dos principais partidos, às eleições de 1 de Outubro de 2017. E se há algo que todos têm (quase) em comum é a idade. Talvez porque o Alentejo é uma região envelhecida todos estes candidatos já são seniores entre os 49 e os 62 anos: Costa da Silva (PSD) e Pedro d'Orey (CDS) têm 49 anos, Elsa Teigão (PS), 50 anos, Pinto Sá (CDU), 59 anos e Maria Helena Figueiredo (BE), 62 anos. Políticas novas?

O BOM E O MAU LADRÃO

Começo com um aviso aos ouvintes e leitores desta crónica: se o recurso à ironia perpassa muitos textos de forma mais ou menos velada, com intenção até de criar equívocos que podem ser sempre desculpados com a coincidência, embora eu prefira chamar-lhe habilidade em aproveitar beneficamente as circunstâncias, esta crónica é quase toda ela declaradamente irónica. Inspira-se no regresso de Isaltino à vida política institucionalizada e imbui-se do espírito pascal da semana, evocando a parábola dos bom e mau ladrões que, dizem, acompanharam Jesus Cristo na mesma sorte de sentença pela crucificação.
Não tenho grandes dúvidas de que há por esse país fora muitos autarcas (mas não só) que tendo exercido a tempo inteiro, de alma e coração, suor e lágrimas, funções políticas por definição nobres e imprescindíveis, estejam profundamente saudosos das mesmas. O ritmo alucinante que as responsabilidades de tais funções exigem, à partida, deixa uma espécie de síndrome de abstinência. Alguns conseguem ultrapassá-la, outros contorná-la procurando formas de exercerem o mesmo cargo após hiato ou alteração geográfica legalmente possíveis. A Isaltino Morais não terão sido alheios alguns destes sintomas, sobretudo quando amparados por uma legitimação popular expressa no voto, felizmente democrático.
Mas, quer queiramos quer não, e pese embora muitas vezes o valor do conjunto não ser qualitativamente o mesmo que a aritmética soma das partes, a eleição política, em diversos âmbitos institucionais, diz-me muito mais sobre os eleitores do que sobre a pessoa eleita. Até porque, naturalmente, sobre o eleito e enquanto convicta adepta e praticante do voto, tenho por hábito formar a minha opinião enquanto ela ou ele é ainda elegível, independentemente dos resultados que obtenham e que, natural e democraticamente, aceito mesmo quando não gosto. O aceitar é um gesto orgânico por isso dinâmico que, nalguns casos, faz sobre-valer a atitude pontual de bom senso à má impressão do resto da atitude e do comportamento assumidos.
Nesta Semana Santa de uma tradição que distingue o culpado que se arrepende do culpado que tenta o tráfico de influência com Jesus para escaparem todos, solidariamente, da pena, através de uma parábola que na arte de bem contar ganharam os nomes de respectivamente Dimas e Gestas, revejo a atitude esquizofrénica da opinião pública considerada na sua massa informe e indistinta, aquela que, para além do sistema democrático, também permite à ciência e à técnica evoluírem, isolando apenas pontual e excepcionalmente os que são dissonantes desse comportamento do colectivo: os primeiros que, antes de ser provada a culpa ou comprovada a inocência, já estão a crucificar uns proactivamente à aplicação da Justiça, são os mesmo que, depois da Justiça condenar por provas dadas de crime e, cumprida a pena ou parte dela, reintegram na sociedade os que se viram privados de nela participarem durante o cumprimento da sentença. E isto, cristãos ou nãos, só pode deixar uma alma descansada, certo? Embora talvez um pouco baralhada e quase tentada a querer crer que num outro tempo para além da vida, onde nada se passará assim, será um amanhã que canta, num reino que não é deste mundo. Eu cá prefiro aproveitar a Páscoa para interromper por breves horas alguma rotina e provar um bom docinho feito de ovos, do que acreditar que o anjinho ou o diabinho que se sentam um em cada ombro de uma alma que dê ouvidos a esses serzinhos, algum dia se vão derrotar um ou outro e deixar a alminha em paz. Bom mesmo, é poder não dar ouvidos a essas vozes e encontrar a conduta que, mesmo solitária e pesada, nos traça um caminho duro mas sem penas. E que é o que desejo a todos os meus amigos, sempre. A todos os ouvintes e leitores, os meus votos de uma boa e santa Páscoa!

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

DEFENDER A PEDIATRIA EM ÉVORA

O desinvestimento no serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo em Évora nos últimos anos coloca em risco o seu bom funcionamento e põe em causa as Unidades de Urgência Pediátrica e Neonatologia.
Nos últimos 6 anos, dos dois concursos abertos, apenas um pediatra se mantém ao serviço e, apesar da equipa ter vindo a ser diminuída (via rescisão de contratos, situação de doença, …), o Serviço de Pediatria não foi considerado “carenciado”, o que permitiria a abertura de novo concurso.
A falta de médicos pediatras começa a atingir uma situação insustentável e nem a Administração do Hospital nem a ARS têm respondido de forma a que seja garantido que os recém-nascidos e as crianças e jovens do Alentejo continuem a ter um efectivo acesso aos cuidados de saúde em condições idênticas às do resto do país.
É graças ao empenhamento da equipa de pediatras do Hospital, que desenvolve um trabalho meritório e de qualidade, que têm sido colmatadas as inúmeras falhas nas escalas, o que leva a um aumento brutal das horas extraordinárias realizadas. A situação é de tal forma crítica, que se prevê que no final deste mês todos os médicos tenham atingido o limite máximo previsto por lei para o exercício de horas extraordinárias.
O Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo em Évora que engloba o internamento de Pediatria, as Consultas Externas de Pediatria, a Urgência Pediátrica e a Unidade de Neonatologia foi reconhecido em Dezembro de 2015 como um Serviço Líder na Qualidade, na sequência da acreditação pela Direção Geral de Saúde (DGS), de acordo com o Programa Nacional de Acreditação em Saúde (PNAS).
Este reconhecimento é também o espelho da satisfação das famílias e crianças que recorrem a este serviço público de qualidade e por isso é agora ainda mais importante que todos e todas apoiem e se solidarizem com a equipa médica do Serviço de Pediatria no esforço que está a fazer.
Os alentejanos não podem admitir que se ponha em risco desta forma o Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, a sua Urgência Pediátrica e especialmente a Neonatologia – única no Alentejo e que tem permitido salvar centenas de vidas.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sábado, 8 de abril de 2017

'Diário do Alentejo' desta semana


CLARO QUE HÁ ESPERANÇA!

No fim-de-semana passado no âmbito de uma ação de pré campanha do partido ao qual pertenço, tive a oportunidade de constatar que no nosso concelho há pessoas que não se conformam com o que o Estado lhes possa dar e, arriscam o património de que são titulares, na criação de empresas. A visita que estou a falar foi realizada à Azaruja, freguesia de São Bento do Mato.
Os exemplos que encontrei na visita que fizemos à Azaruja, e, haverá outros, seguramente, foram na área social, na destilação de álcool para o fabrico do Gin, e, por fim, na transformação da cortiça. Estes três ramos da economia são muito importantes para a criação de riqueza no concelho de Évora e consequentemente para a criação de emprego. Não conseguiremos inverter a inclinação demográfica, motivada pelo fenómeno da litoralização, se não conseguirmos criar riqueza no nosso território. Penso, todavia, que esta posição será consensual.
Ora, cabe aos órgãos políticos autárquicos pugnarem pela criação de riqueza ajudando os empreendedores através do cumprimento material e substantivo das suas atribuições e competências. Na minha modesta opinião, cabe ao executivo camarário junto dos respetivos departamentos exigir que as respostas sejam dadas em tempo útil, para que os investimentos possam ser uma realidade efetiva. Porque nem sempre esta é a regra. Não são raras as vezes que ouvimos queixas de promotores de investimentos a referirem que as Câmaras são um empecilho ao desenvolvimento.
Por isso, a câmara municipal deverá estar sempre ao serviço dos seus munícipes, empresários e empresas, criando para esse efeito, as condições necessárias para que a produção de riqueza seja uma realidade. E, com isto, possa ser garantido um futuro digno para todos quantos queiram fazer aqui as suas vidas. Quer ao nível familiar, quer ao nível profissional.

José Policarpo (crónica na radio diana)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Este sábado, Samuel no Teatro Garcia de Resende


O AEROPORTO, O BUSTO E O ZEITGEIST

O busto não é o tipo de peça de arte que mais me agrada. A imobilidade da expressão em 3D, mesmo quando colorida por tons ditos naturais, lembra-me uma mortalidade que não se aceita. Deve haver muitas técnicas que evoluíram e distinguem, nas características das obras, as épocas de criação e o estilo dos seus criadores. Essa é, aliás, a opinião que mais conta quando alguém, perito, ajuda um leigo interessado a apreciar o que quer que seja. A outra opinião, uma questão de gosto, fica-se pela emoção, necessária mas volúvel, sempre mais sujeita a declarações sem argumento.
Dos bustos que conheço, os que fogem ao chamado “clássico” são sempre objectos criativos e estéticos mais suculentos enquanto tema para discussão, do que as figuras que retratam para uma posteridade sempre efémera. São como os prémios, títulos e galardões: há os que enaltecem a quem são atribuídos, há os que promovem quem os atribui. No fundo, bustos, prémios, títulos e galardões são metáforas de qualidades fragmentárias de um indivíduo ou uma instituição. Vivemos aliás numa época em que até as más qualidades têm direito a prémios com nome e cerimónia própria, como os Razzies, em português Framboesa de Ouro.
É neste espírito de época, o tal zeitgeist, que um baptismo de aeroporto e um busto como legenda desse mesmo acto, podem ser criticados. Eles são uma parte, incontestavelmente coerente, do que se quer dessa época e desse espírito que fique para a dita posteridade. Eles revelam a forma como as instituições se comportam, seja num rectângulo ao fundo de um continente ou numa pérola no meio do oceano. Eles revelam os destinatários previstos da esmagadora maioria dos actos públicos, sejam de que espécie forem. Eles revelam o poder ou a incapacidade de fazer valer argumentos. Eles revelam que aquilo a que chamamos Povo, depois de todo um século que foi o anterior lhe ter sido dedicado, não é uma massa uniforme, mas um caleidoscópio desconcertante, por vezes desconcertado, cuja identidade múltipla é usada, como sempre o foram os grupos, por quem lidera e se constitui como uma elite, mesmo quando saída, por sufrágio, da vontade e da própria matéria que é o dito Povo.
Posto isto, depois da ironia, do ensimesmamento, da autoparódia definitivamente instalados no pós-modernismo popular, e a que podemos chamar também cultura no seu sentido de ciência do costume, tudo o que se passou, para ficar durante um tempo dito para sempre numa gare aonde aterram meios de transportes aéreos, é de uma louvável coerência. Nem que para muitos seja só e apenas isso. Uma coerência consonante com o ano da graça de 2017.
Se fosse noutra época, e fazendo um exercício de equivalências empíricas e sensíveis, estaríamos talvez a falar do baptismo de um bonito apeadeiro de comboio numa bela paisagem que abre, e bem, os braços para receber visitantes; estaríamos a assistir ao apadrinhamento por parte de um defunto monarca, nobre, militar, político, artista (talvez ainda nenhum actor ou nenhuma actriz), engenheiro, médico ou professor, a quem os que governam decidiram (sempre eles, claro, que é para isso que existem, pese embora as diferentes formas de o fazerem), para além do nome, contratar ao abrigo da velha prática do mecenato, quem de renome retratasse o morto em vivo de pedra ou bronze. No século XXI, em Portugal (mas não só), onde o futebol é a prática que mais espectadores indiferenciados reúne pontualmente para entoar uníssonos, onde nasceu um dos melhores exemplos que proporciona essas reacções, onde os aeroportos são territórios de passagem de multidões, onde o simultaneamente retratado e padrinho está literalmente alive and kicking e tem uma palavra a dizer, e um artista autodidacta, a quem a sociedade inteira disse que lhe era permitido realizar tudo o que sonhasse, o que se passou na Madeira não me levanta dúvidas. E devo acrescentar que não me desagrada, embora tenha tido em mim o tal efeito Coca-Cola e, primeiro, estranhei. O resto? O resto é só efeito de um zeitgeist que teima em ficar, contraditoriamente, para a posteridade.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Juventude

A Câmara Municipal de Évora dinamizou, na semana passada, uma sessão com vista à elaboração de um Plano Municipal da Juventude. Passados 3 anos e meio parece que acordaram para uma promessa eleitoral. Pouco se sabe sobre o que saiu da sessão e qual o plano futuro, mas o facto deste Concelho precisar de uma aposta séria nas políticas para a juventude não merece qualquer dúvida.
Os jovens portugueses atravessam, há muitos anos, um momento crítico. Às dificuldades financeiras em casa, acresceu uma crise económica que promoveu desemprego e emigração. Uma região como a nossa, em contração demográfica, não pode dar-se ao luxo de não aproveitar os seus jovens e, como tal, tem de criar condições para que estes encontrem um futuro digno na região.
Espero que a sessão da passada semana tenha sido apenas o arranque de um debate amplo e plural e que adivinhe algo bem mais produtivo do que o trabalho realizado ao nível do Conselho Municipal da Juventude de Évora. Não me atreverei, por agora, a lançar propostas, porque sei onde estão as soluções: nas dezenas de associações juvenis do nosso Concelho que há anos desenvolvem um trabalho meritório e que tenho a certeza que têm em sua posse os diagnósticos e propostas necessárias. Saibamos ouvi-los, ouvi-los efectivamente, para além de sessões para a fotografia.
Muitas são as expectativas e propostas, algumas delas, aliás, já explanadas em reuniões do Conselho Municipal da Juventude. Mas… Que espaço há para ouvir? Que espaço há para apresentar proposta? Qual o papel dos jovens nas dinâmicas do Concelho? Acima de tudo: Qual a verdadeira estratégia para o nosso Concelho? A resposta está para além de sessões de propaganda e de políticas centradas nos próprios umbigos.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)