segunda-feira, 27 de março de 2017

PROTEGER A DEMOCRACIA

Estará a democracia em perigo? Considero que sim. Os elevados níveis de abstenção, as frequentes expressões “os políticos são todos iguais”, “votar num ou noutro dará no mesmo” ou “para mim não há diferença entre esquerda e direita” são indicadores que algo corre muito mal na nossa democracia.
Não, não acho que os políticos (não seremos todos nós políticos?) e os partidos são todos iguais, mas alguns partidos e alguns políticos e eleitos têm contribuído, em grande medida, para este perigoso afastamento entre os cidadãos e as governações nacionais e locais. Cada vez que se desrespeitam os programas que foram sufragados ou as promessas feitas dá-se um importante contributo para uma morte lenta da democracia.
Vejamos o exemplo da governação autárquica em Évora. Em 2013, a CDU ganhou a Câmara Municipal de Évora com maioria absoluta pondo fim a uma gestão calamitosa do PS. Muita era a esperança dos eborenses depositada neste novo ciclo. Os eleitos da CDU apresentavam-se com um programa arrojado e próximo da população. Passaram quase quatro anos e, infelizmente, as promessas ficaram na gaveta e a governação próxima tornou-se numa governação opaca e distante que se traduz, naturalmente, em critérios de gestão muitas vezes duvidosos.
Atentemos o caso da política para a cultura. A CDU dizia fazer falta uma “nova gestão que redefinisse a cultura e a educação como vectores estratégicos para a cidadania, para o desenvolvimento local, para a afirmação da nossa identidade e para a diferenciação de Évora”, e tanta razão tinham. Materializavam esta ideia em torno de um grande objectivo: a elaboração e concretização de um Plano Estratégico Cultural que envolvesse a população e todos os agentes culturais do concelho. Passados quase 4 anos, o que fica? Nada, ou melhor fica alguma coisa, mas muito distante do prometido.
As reuniões tidas no início do mandato com todos os agentes culturais rapidamente se esfumaram (há mais de dois anos que os agentes culturais não reúnem com o município) e o plano estratégico ficou na gaveta. Parece não ter sido feito nada, não é? Errado. Foi feito trabalho, trabalho opaco e sempre com os mesmos agentes culturais. Foi sempre dito que não havia possibilidade de apoio directo aos agentes culturais, dados os constrangimentos financeiros, mas era prometida uma nova era, de trabalho conjunto e participado. O trabalho nunca chegou a ser conjunto, nunca chegou a ser participado, e passados quase 4 anos fica a clara ideia que a cultura funcionou sempre em torno de alguns, deixando muitos outros de fora.
O caso do relacionamento financeiro entre o Município de Évora e o CENDREV é paradigmático. E quero, antes de continuar, reconhecer total mérito ao CENDREV pelo trabalho que tem desenvolvido no Concelho ao longo de décadas. Mas o CENDREV não é estrutura única, como não são únicos outros agentes culturais. Aliás, se atentarmos à maior parte dos agentes culturais do Concelho veremos que a maior parte vive com a corda no pescoço, sem qualquer apoio nacional ou local. E enquanto muitos tentam sobreviver, o município de Évora, no espaço de dois anos, e tendo em conta apenas a informação pública, adjudicou mais 160 mil euros em serviços ao CENDREV, ao mesmo tempo que dizia a outros agentes culturais que lhes era impossível apoiá-los.
A política para a cultura, aliás, como a política em geral, não pode ser a que favorece só alguns, que olha a cores ou amiguismos, que deita fora promessas e programas de governação. Sim, sei da dureza destas palavras, mas não chegam a ser tão duras quanto as acções que destroem, diariamente, os valores da democracia.
Merecemos mais! Sem medo, de cabeça levantada, exijamos isso a cada dia!
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

30 comentários:

  1. Não passa pela cabeça do autor desta crónica que a Câmara Comunista de Évora desse apoios financeiros a um grupo de teatro dirigido por militantes do PSD ou CDS, pois não?
    Independentemente do valor do CENDREV (que o tem, inegavelmente) este grupo de teatro recebe apoios porque é da cor certa, a mesma da Câmara.
    É isto que é triste, os critérios serem apenas partidários e não terem sombra de independência.
    Se o Bruno-Bloco-de-Esquerda presidisse à Câmara de Évora seria diferente? Não acredito nisso; tenho a certeza que os subsídios iriam para os amigos e correlegionários; o Bruno não atribuíria 160 mil euros a um grupo de teatro de direita, porque pensaria que estava a subsidiar a propaganda fascista que ele abomina. Independentemente da qualidade do grupo em causa.
    É por isso que eu não voto no Bruno.
    Como não votei nos actuais dirigentes camarários.
    Como não votarei em NENHUM militante, seja de que partido for.
    Só merece o meu voto -- e o dos outros cidadãos -- um candidato puro, independente e bem intencionado, livre das nojentas influências partidárias que lhe deturpam a visão do mundo e da vida.
    A Política é muito necessária. O Partidarismo à portuguesa é a traição das boas ideias políticas.
    Nenhum partido merece o voto dos cidadãos esclarecidos.
    É pena que eu e cada vez mais portugueses tenhamos chegado ao ponto de assumir que não votamos nesta gente. Mas foram eles, corruptos e mentirosos, que nos levaram a este ponto.
    jmc

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    1. subscrevo a 100%.Finalmente alguém com coragem para dizer que o rei vai nu..
      Levamos o tempo a utilizar o politicamente correcto, quando todos nós sabemos muito bem que os partidos actualmente funcionam como sindicatos corporativistas e estão cheios e oportunistas (para não lhe dar um nome um pouco menos correcto).
      MdM

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    2. Muito cuidado com os "puros" e "independentes".
      O último que por cá passou, esteve sentado na cadeira do poder durante 48 anos, até cair dela e morrer, deixando um rasto de vítimas e tropelias de má memória, onde se incluem as policias politicas, a censura, a tortura e o assassinato de quem não era considerao "puro".
      Muito cuidado com os puros!...

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    3. MdM, quando usamos o 'politicamente correcto', como lhe chama, estamos a pactuar com os partidos de oportunistas e corruptos. A ser co-responsáveis.
      Há que denunciar estes chulos, oportunistas que, quando vão para a política, querem é viver à custa do trabalhador-contribuinte e sem fazer nada de útil a ninguém (além deles próprios).
      Évora e Portugal merecem gente independente, gente com ideias limpas, gente que faça alguma coisa pela cidade e não pelo seu próprio partido e interesses pessoais.
      Todos sabemos que os partidos são feitos de gente parcial e oportunista e corrupta. Mas continuam a votar neles? Então a culpa também é de quem assim continua a votar sempre nos mesmos. Não seremos capazes de melhor?
      jmc

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  2. O centre nada fez pela cultura fez sim pela sua cultura ou seja em prol exclusivamente da sua ideologia o que não é o mesmo

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  3. QUE SE DÊ A NOTICIA NA ÍNTEGRA:
    LUÍS MOURINHA, PRESIDENTE DA CÂMARA DE ESTREMOZ, O AUTARCA, PRESIDENTE DE CÂMARA MAIS CORRUPTO DO ALENTEJO, VÊ CONFIRMADA PELO TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE ÉVORA A PERDA DE MANDATO.
    AFINAL A JUSTIÇA DOS HOMENS É JUSTIÇA DE DEUS.
    CÁ O FIZESTE, CÁ O PAGARÁS...

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  4. jmc esse discurso é muito conveniente para manter tudo na mesma.

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    1. Manter tudo na mesma é continuar a votar nos mesmos partidos corruptos de sempre, não lhe parece?
      Eu defendo que sejam cidadãos independentes de partidarismos, pessoas honestas e bem-intencionadas que dirijam a nossa cidade, sem interesses partidários ocultos. Acha que não existe ninguém assim? Estamos condenados a aturar corruptos e oportunistas para o resto das nossas vidas?
      jmc

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    2. Parece que aquele Mourinha concorreu como INDEPENDENTE…
      COISA.

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  5. Ora aqui está, com esta crónica, a prova de que os políticos são todos iguais: em tempo de eleições vale tudo e o pior deles todos tem sido mesmo o Bruno Martins. Não votarei Bloco de Esquerda, isso é certo. Entre o Be e a CDU prefiro de longe a CDU. O que o Bruno M. consegue com estas crónicas é fazer aumentar a abstenção porque lança dúvidas, algumas até me parecem infundadas, sem explicar as razões do «inconseguimento» do actual executivo. Ora eu acho, eu mero cidadão eleitor que, ao Bruno, que há anos recebe subvenção como deputado municipal, não lhe fica bem tanta insinuação de incompetência quando ele conhece, de certeza, as razões que se prendem com o grande endividamento da cme e as restrições impostas pelo pael, sim isto tudo ainda existe apesar de muita gente não gostar que se fale no assunto, os eleitos na cme estão de pés e mãos atados por este garrote financeiro e pelos mecanismos restritivos do pael. Eu não votei na cdu em 2013 mas em 2017 conquistaram o meu voto, sim ! Foram de longe o executivo que mais dificuldades enfrentou e fizeram-no, pelo menos a maioria deles, com grande dignidade. Évora já precisava de um executivo assim.

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    1. ahahahahah.... adoro os funcionários do PCP! Vocês são um fartote de rir...

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    2. Mas fizeram exactamente o quê pela cidade? Importa-se de me esclarecer? Diga-me coisas concretas. Mas verdadeiras. Não se lembra de nenhuma? Nem eu. Nem ninguém.
      É que eu só vejo a cidade parada no tempo e as promessas a ficarem pelo papel. O que eles fazem é muita propaganda partidária, isso sim.
      jmc

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  6. Já que falamos de favorecimentos digam-me se é mesmo verdade que a filha do André Espenica foi contratada para a câmara de Évora? Não posso acreditar que depois de se acabarem os lugares para os filhos e amigos nas juntas de freguesia agora ataquem a câmara.

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    1. E está surpreendido? Você um dia destes surpreende-se por o Papa ser católico, não? Ou por o Jorge Jesus ser parvo?
      jmc

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    2. Não diga asneiras, informe-se antes de falar.

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  7. O amigo Bruno parece estar ao ataque. No seu facebook (www.facebook.com/brunomsmartins)denuncia também a promiscuidade das três uniões das freguesias urbanas do concelho de Évora geridas pela CDU dando como exemplo o grafismo usado nos sites e nas newsleters. Fala da Mimir, empresa de Setúbal mas com representação em Évora na Rua da Corredoura através da filha da senhora presidente de uma das uniões de freguesias. Até aqui tudo bem e só não vê quem não quiser.
    Mas há limites. Insinuar que não existem contratos é mentira. Basta procurar nas atas da junta do centro histórico (http://uniaodasfreguesiasdeevora.pt/images/actas/uni%C3%A3o_de_freguesias_de_%C3%89vora_-_reuni%C3%A3o_de_junta_-_20140429_-_ata_16.pdf).
    Verá até que o seu camarada Elizeu Pinto aprovou pelo que esse tipo de insinuações só mancham a sua coragem e firmeza.
    A não ser que aja mais qualquer coisa que você saiba e aí não digo mais nada.

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    1. uma ata não é o contrato ó secretário

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    2. Simples http://simp.pgr.pt/dciap/denuncias/

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  8. se fosse para o PIM estava bem.
    se fosses mais honesto talvez tivesses meia duzia de votos

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  9. se o CDS chegar à Câmara, vai encher os bolsos ao CENDREV como encheu à TRILHO!

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  10. A Élia Mira, também foi contratada e perdeu pelo menos Cinquenta Quilos. Ser contratado pela Câmara faz bem à saúde, perde-se peso e, ganha-se vergonha de aparecer em público "gordo" em público, no apoio aos pobres subnutridos.

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    1. Este comentário é abjecto porque não sabemos se por detrás desta perda de peso estão questões de saúde . É abjecto porque só as mulheres são vitimas destes comentários. É reprovável a todos os níveis

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    2. Este é o tipico comentário de anónimos. Eu não acho que a vereadora tivesse alguma vergonha de aparecer em público, cruzei-me com ela diversas vezes e sempre a achei uma mulher muito bem resolvida e de bem com a vida. Se quis perder peso esse é um assunto da sua vida pessoal que não devia ser objecto deste tipo de comentários . Vergonha deve ter quem escreve estas coisas sobre uma pessoa, porque em primeiro lugar trata-se de uma pessoa que, apesar de ter um cargo público, também tem direito à reserva da sua vida pessoal e da sua saúde. Enfim, esta é uma amostra da falta de cultura cívica e já agora, para esclarecimento do(a) ignorante que escreveu este comentário convém dizer que os pobres subnutridos também são, muitas vezes, obesos devido a um regime alimentar pobre em proteínas e rico em hidratos de carbono.

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  11. Ò Bruno pá! chatice, na há tachos pra ti porque com o teu camarada gerónimo, passa tudo pela CRESAP e tu na tens curriculum pra nada!

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  12. Falamos de dinheiro público que é entregue por filiação partidária excluindo outras comunidades culturais.Deviam de se sentar no banco da justiça no mínimo falámos de dinheiro dos contribuintes!

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  13. Só não vê o que se passa quem não quer ou quem tem interesses.
    Ficam nervosos quando alguém diz as verdades!

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  14. CREA É UMA MENTIRA ! Só para atirar areia para os olhos do povinho. Vejamos a Administração do Hospital, também passaram pelo crivo da Cresap e pelos menos os dois (homens ) são dois imcompetente conhecidos, e que não conhecer veja o seu passado profissional e os resultados da sua gestão. Não nos enganem por favor! CRESAP E UM EMBUSTE

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  15. Os partidos políticos são escolas de oportunismo, corrupção e desonestidade!
    Só lhes interessa aquilo que der jeito e vantagem eleitoral, o resto é para queimar.
    Não existe democracia na vida partidária.
    E são todos a mesma porcaria, desde os beatos da direita, aos chamados democratas do centro, até aos auto-denominados defensores do povo e das conquistas de Abril. É tudo a mesma porcaria.
    Eu sei, já estive num deles, tinha amigos em todos os outros e saí de lá enojado pelos jogos, traições, compadrios e corrupção. Aquilo é um verdadeiro nojo.
    Só pessoas independentes desse cancro que são os partidos (não todas as pessoas, obviamente, também há independentes desonestos), que amem de facto as suas terras,poderão ser honestos presidentes de Câmara.
    Os outros estão-se a borrifar para as pessoas e as cidades, transitam de umas para as outras como prostitutas que vão onde lhes pagam, Montemor, Évora, tanto lhes faz. Só lhes interessa o poder, mais nada.
    jmc

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  16. As camaradas do Armazém 8 conhecem bem os podres. Pergunta-lhes a elas que elas explicam-te para onde foi o dinheiro do Cenas ao Sul de 2015. Ou se calhar também sabes e fazes-te de parvo.

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  17. eu gostava de saber. Diga lá sff.

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