sexta-feira, 31 de março de 2017

PREOCUPAÇÕES IBÉRICAS

Esta é uma crónica feita a partir da Galiza e no intervalo do VI Encontro Ibérico de Gestores de Património Mundial.
O tema do encontro é aliciante e actual revelando as preocupações da generalidade dos gestores dos sítios classificados, com a massificação da presença de cidadãos de passagem e os resultados perniciosos que tal presença pode constituir para a protecção dos valores patrimoniais em causa.
Das intervenções que pudemos observar há um conjunto de preocupações comuns e que têm a ver com o comprometimento da identidade dos sítios.
Esse comprometimento advém essencialmente da pressão com a criação do maior número possível de alojamentos, expulsando para fora dos Centros Históricos os cidadãos que a habitariam, durante todo o ano.
A discussão em torno destes temas revela uma enorme capacidade para detectar problemas, diagnosticar patologias, encontrar causas e prever consequências.
Afirma-se que a opção central é viajar barato ou manter as cidades vivas, para logo de seguida se questionar se o encarecimento do exercício do turismo não é uma forma de o tornar apenas acessível a uma pequena minoria que se passearia pelo património sem grandes efeitos nocivos.
Afirma-se que a gentrificação é o mal maior da presença massiva da actividade turística, para de seguida nos questionarmos sobre se foi de facto o turismo que alterou as dinâmicas de ocupação do espaço, sabendo que, na maior parte dos casos, o alojamento turístico veio ocupar o vazio, porque as dinâmicas sociais locais já lá não estavam e o edificado se encontrava devoluto.
Concluímos que a divisão dos proveitos da actividade turística é injusta e concluímos que provoca um aumento do emprego, ainda que sem qualidade para os trabalhadores.
Entendemos que este caminho acabará por matar os destinos turísticos na medida em que perdem a sua identidade, transformando-se em parques temáticos compostos por pedras antigas e representações das pedras antigas, vendidas em lojas de souvenires, para logo de seguida alguém falar no valor total do negócio para uma cidade ou região.
É preciso proteger o património e a vida das cidades, que se vão transformando em espaços onde os autóctones perdem o direito à cidade, sem espaço público para usufruir, dizemos quase em uníssono, para logo de seguida tentar encontrar um equilíbrio que evite uma decisão, provavelmente errada.
Ouvimos dizer com amargura que não há um barcelonês nas Ramblas, que eram o sítio por excelência de apropriação do espaço público pelos habitantes de Barcelona.
Ouvimos dizer que durante 300 dias por ano, há um milhão de habitações vazias na Andaluzia, construídas apenas para os cidadãos de passagem.
Ouvimos muita gente a questionar se o turismo, pode ser sustentável ou meramente compassivo.
Todos afirmámos que deve ser dada prioridade à função habitacional, mas ninguém sabe como evitar a proliferação dos alojamentos locais que têm como efeito a diminuição do peso do factor trabalho no custo do alojamento a pagar.
Em dinâmicas e volumes diferentes, os gestores dos sítios apresentam muitas preocupações com o impacto desta actividade na preservação do património e na manutenção de cidades vivas.
No meio de toda esta discussão um geógrafo e economista espanhol, Juan Liberal, fez uma intervenção que nos pôs a pensar, apontando objectivos e princípios mas, ainda assim, reconhecendo não saber qual o caminho.
Afirmou ele que o problema base esteve na busca incessante de rentabilidade da existência de património histórico, quando se começou a pensar que este servia para os desígnios da rentabilidade.
Estou a citar de cor mas não andarei longe traduzindo a sua afirmação final. “O património serve para nos fazer melhorar, a rentabilidade é uma feliz coincidência”.
Por cá, estamos ainda longe dos dramas que ouvimos descrever neste encontro mas não nos faz mal nenhum começar a reflectir sobre caminhos que os possam evitar.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

15 comentários:

  1. Um dos exemplos do desnorte desta Câmara é o estado em que estão os parques de estacionamento, sejam pagos (Garcia de Resende) ou à borla (junto à escola Gabriel Pereira ou no Rossio). Qualquer um deles parece uma paisagem lunar, cheia de crateras onde qualquer carro só consegue transitar muito a custo. Para uma cidade em que devia ser incentivado o estacionamento fora das muralhas o estado em que se encontra o piso destes parques não lembra a ninguém. Só ao executivo autárquico que não pára de falar do turismo e blá, blá, mas que para receber os turistas apresenta o que pior há: o facilitismo a incompetência e o deixa andar. E se falo do turismo é porque nós já sabemos que a atenção e o respeito por quem aqui vive é pouco mais de nulo. Para festas e festarolas nunca falta o dinheiro. Para o que é essencial, não pode ser, porque a culpa é do PAEL... E se fossem brincar com o das Caldas quando obrigam os cidadãos a pagar para estacionar num parque no estado calamitoso em que está o do Garcia de Resende?

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    1. Com o aproximar das eleições autárquicas, um pouco por esses municípios fora, vão sendo feitas algumas obras, piscando o olho a possíveis reeleições. Há excepções? Sim, há... Em Évora, nem por ser ano de eleições, se vêm obras. A menos que consideremos a reparação do muro do cemitério, que passados vários meses, ainda não viu o seu fim, apesar dos esforços do grande grupo de funcionários que a ele se tem dedicado... De resto, as estradas continuam esburacadas, o lixo continua a acumular-se junto aos contentores (valeu-nos o Marcelo, para que o centro histórico visse a cara lavada, mesmo que só durante uns dias...), o parque infantil continua uma lástima... Querem o meu voto? Eu dou-lho, se me garantirem que o enfiam no sitio certo...

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  2. Que maravilha! Ele está na Galiza. Boa!
    O mal é se volta cá...
    jmc

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  3. Lá anda o viajante a dar os seus passeios...

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  4. Este rapaz só faz é passear! Não lhe podem dar um trabalho? Eu cá por mim deixava-o ficar na Galiza ! Alguém tem alguma coisa contra ?

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  5. Apelo:

    A assoc. de moradores do Bacêlo pode organizar festas (todos os fins de semana),não têm é o direito de Sujar toda a area envolvente.

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  6. Tanta viagem versus ausência das suas funções,o resultado esta a vista, proliferação de barracas por o espaços públicos.VAI ACABAR MAL ESTE VEREADOR VIAJANTE!

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  7. Memória curta?

    Lusitano não pode continuar no campo Estrela,Silveirinha está em ruinas,o grande clube do Alentejo não tem onde jogar.

    Mais uma grande Obra dos dirigentes da altura do Lusitano,AFE e da gestão socialista da CME.

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  8. Praça de Touros........entrega da água..........Lusitano..........situações que mereciam uma grande investigação,mas tudo foi abafado,por decisão do bloco central dos interesses

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  9. O Lusitano foi destruído por vários grupos,que tinham interesses em projectos imobiliários.

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  10. A candidata do PS a cãmara deve ser confrontada com este caso,o seu partido deu um grande contributo para a derrocada do Lusitano.

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    1. A candidata do PS não conta para nada....

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  11. Então o descarado deste vereador viajante anunciou na sua página que vai outra vez viajar esta semana? O PCP que se cuide, com um gajo destes nas listas é certo que não ganham as próximas eleições

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  12. Olha o vereador mais viajado lá foi outra vez de viagem ? Desta vez para Malta? Pelo menos há uma vantagem: o tipo está longe de Évora. O que fica do mandato deste homem é um sem número de viagens , de resto nada fica para contar, os agentes culturais que o digam e a cidade que o confirme. Espero bem que o PCP não candidate este homem porque não votarei numa lista onde ele esteja.

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  13. O problema não é que o rapaz viaja muito. O problema é que o sacana volta sempre. Raisopartam!...

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