terça-feira, 14 de março de 2017

(DES)CULPA E (IN)JUSTIÇA

Até provas em contrário, em caso de asneira ou crime, o indivíduo é considerado inocente. Funciona assim a regra dos sistemas de justiça das sociedades evoluídas. Daqui se depreende que julgamentos prévios e precipitados são antissistema. O antissistema da praça pública, das redes sociais, virtuais ou concretas, é prolífero em julgamentos baseados no saber popular do “onde há fumo, há fogo” e assentes em preconceitos de vária ordem. Do rumor à absolvição há tantas vezes um percurso que fica a meio que, mesmo chegando-se à última etapa no sistema legal das regras para uma sociedade que se deseja mais segura, a condenação que fica pelo caminho é quase tão definitiva como aplicada, tal qual uma sentença com pena paga por conta. Julgar é, também, penalizar alguém que se considera culpado de situações criadas, coisa que podem fazer os eleitores quando julgam as actuações de governo e oposições nos momentos eleitorais.
Temos a decorrer no nosso país vários casos de justiça e, curiosamente, os que são maiores em número de envolvidos e impacto público até têm nomes que utilizam expressões muito criativas e próximas do sistema da metáfora. Também temos as comissões de inquérito parlamentares na ordem do dia, aparentemente também com um tipo de processo similar ao da Justiça, no sentido de se apurar a culpa. Curiosamente, destes tribunais especiais que se formam com quem representa os eleitores portugueses na Assembleia que legisla o sistema em que vivemos, o caminho ou processo de averiguações assume uma preponderância especial, com muito mais relevância dada ao discurso do que ao facto. São excelentes oportunidades para exercícios de retórica e dialéctica, que comportamentos na restante vida parlamentar poderiam emular. Mas o nível de argumentação e discurso de quem tenta procurar, por definição do que é ser oposição, a culpa de uma determinada falha (uma versão de crime), tem-se revelado tão estranho quanto baixo, por assumir estilos a que nos habituámos serem mais usados por quem nunca teve responsabilidades governativas e se especializou, a nível nacional, em ser oposição que, mais do que fiscalizar a acção dos governos, se reclama ser a voz dos mais imediatamente prejudicados por determinadas opções, nem que estas sejam em nome de projecções que, mais cedo ou mais tarde, os poderão vir a beneficiar. Aliás, esse estilo de protesto, de contestação e reivindicação, terá dado origem a várias estruturas corporativas que se integram no sistema e, até certo ponto, o ajudam a manter o equilíbrio necessário
Encontramo-nos politicamente a nível nacional numa situação inédita de governação à esquerda, mas o Alentejo é a região em que a nível local a situação já tem a idade da Democracia portuguesa. Talvez fosse interessante os demais Portugueses – e porque não os Alentejanos mais distraídos – pensarem um pouco nas semelhanças das formas de governo, decisão e aplicação de princípios ideológicos (que qualquer político por mais independente que seja deverá ter, sob pena de não ser então um político) dos Executivos das várias “cores”. Das mais habituais no poder central, às mais distantes e ainda assim relevantes no poder local. Talvez este exercício – que requer muita atenção a programas eleitorais, editais e decisões aplicadas – nos faça reequacionar socialmente os processos de decisões precipitadas de culpa, na descoberta da desculpa fácil e no cuidado em distinguir a aplicação do que se faz em nome da justiça ou do que se recusa por se considerar injustiça. A quase seis meses das próximas eleições, os Portugueses em geral e os Alentejanos em particular vão ter oportunidade de se pronunciar sobre quem mais próximo os governa. E aqui o Alentejanos, face à novidade da situação nacional, podem dizer que conhecem (se procurarem conhecer mesmo) a governação à esquerda, e estão 40 anos adiantados. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

15 comentários:

  1. Um grupo de militantes socialistas prepara-se para lançar uma candidatura independente a autarquia de Évora,figuras de várias sensibilidades politicas parecem apostadas neste movimento,será desta ?

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    1. O problema é que, em Évora, as candidaturas independentes dependem de muita coisa... Ninguém avança sem ter o aval de alguém.

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  2. A seis meses das Autárquicas ,o vazio de propostas por parte dos partidos ,o debate sobre os problemas do concelho é elucidativo da falta de iniciativa por parte da maioria dos dirigentes politicos,autarcas,dirigentes associativos.A Divida enorme da Autarquia não pode ser motivo (pelo contrário)para o não envolvimento de todos num debate sobre o que queremos para Èvora.Afirmar que os socialistas deixaram a autaruia na bancarrota não basta,todos sabemos dos desvarios e negociatas feitas pela gestão socialista.Mas mesmo por isso Évora merece que se discutam propostas,que se envolva os cidadãos para os desafios que se colocam a Évora para reduzir a divida e reconstruir um concelho com Futuro.

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  3. Os candidatos já conhecidos(CDS,PS/Bloco) são muito fraquinhos para os desafios com que Évora se debate,se não aparecer uma candidatura Forte e determinada a resolver os problemas do concelho,a grande vencedora vai ser Abstenção.

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  4. A estimada senhora vereadora do PS está com saudades do PS liberal e de terceira via do Sócrates?

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  5. O que se passa?

    A sensação que se fica,é de não haver muito interesse ser poder em Èvora,o silêncio,a apatia ,o distanciamento da classe politica Eborense ,os erros cometidos,a divida,os negócios feitos deixaram o municipio em ruinas.O pacto de não agressão parece existir,os partidos apresentam-se a eleições mas parecem estar interessados que o actual poder continue a carregar o "fardo" do caos criado ao longo de muitos anos.

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  6. Por Évora ir adiantada 40 anos com Governos de Esquerda na Câmara Municipal é que tem as dívidas que tem, a limpeza que tem e o nível económico e cultural que tem.
    Não fossem os capitalistas da Tyco, Kemets e Embraier, Évora era hoje uma cidade fantasma, como são as terras alentejanas em geral, com populações reduzidas a 1/3 do que tinham no tempo da outra senhora.

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  7. Câmara de Évora contrata reforço da equipa de esperanças do partido. Os meus parabéns à Mariana Espenica, formada em vídeo, que irá trabalhar na área gráfica, resolvendo os problemas, segundo fonte próxima, da falta de um profissional à altura neste setor. Tenho para mim que Mariana, filha do senhor Arquiteto André Espenica, administrador da Associação dos Municípios, promete. E com nota artística, pelo menos até Outubro.

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  8. 20:30,em Portalegre onde a direita tem governado a autarquia,é a região com menos população em todo o Alentejo.

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    1. Mentira! A Direita não governa nem tem governado a autarquia de Portalegre.
      Está à vista o despovoamento de Móra e Avis, só para dar dois exemplos, e onde os comunistas têm estado sempre instalados desde o 25 de Abril de 1974.
      É obra.

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  9. A senhora vereadora do PS parece uma pregadora de moral. O que é que ela acha disto?
    https://sol.sapo.pt/artigo/553933/quem-sao-os-deputados-socios-em-empresas-com-contratos-p-blicos-
    ... a empresa Costa, Calado e Pina de que se fala é a proprietária do jornal online Tribuna do Alentejo. Foi feita por um grupo de jovens boys das juventudes do PS para controlarem a informação e comunicação do Alentejo. É uma empresa curiosa, no ano passado foi acusada de "reter" o dinheiro dos estagiários do IEFP.
    E é curioso que o ajuste directo foi feito pela Câmara de Portel de onde saiu um outro deputado.

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    1. A mulher do deputado Testa "fez" um negócio na terra do deputado Patinho. Intermediado pelo sócio Brilhantina. É bonito sim senhor...

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  10. Deve ser para fazer o trabalho do imprestável, fútil e incompetente que lá está e que desde que é dôtor só ele é que presta. Acho que até o seu querido PSD já percebeu isso.

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  11. 23:25,meu caro Portalegre é a capital de Distrito que tem perdido Mais população,Èvora cidade tem 46000 habitantes,Portalegre tem pouco mais que 15000,sempre governada por PSD ou independentes da area do PSD e PS

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    1. É isso é. E Évora escreve-se com assento agudo. E viva o PCP que é o nosso parrrrtido.

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