terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ALTERNATIVA

Poderia voltar a falar de Trump e das eleições americanas para tratar a “alternativa” como um conceito que tantos procuram agora esvaziar do seu sentido próprio e dar-lhe um sentido que a inclui na postura da não-verdade, versão adocicada de mentira, outra palavra infelizmente já tão banalizada e gasta. Mas o que vou dizer aplica-se também, como uma luva, a situações de pré-eleições, e pode acontecer num concelho perto de si. Não é uma denúncia de situações largamente acompanhadas por gente “batida” nestes assuntos, longe de mim imiscuir-me em festas para as quais não fui convidada. E como todos sabemos, há ausências de que se faz parte previsivelmente desde o princípio em que as festas se organizam e que, inegavelmente de forma coerente, se mantêm até ao arrumar das cadeiras em cima das mesas. Não vale a pena recontar versões de uma história curta em que os intervenientes estejam por aí, e não tenham sido mortos e enterrados, nem que seja com uma “sentida homenagem” como soe dizer-se. E tudo sem tristezas, pois claro, porque como também diz o Povo deste país à beira-mar plantado: “há mais marés do que marinheiros”!
É tão somente minha intenção, aqui e agora, lançar, a quem queira ouvir-me, um alerta. É acima de tudo uma palavrinha que sendo breve tem muito a dizer, palavra da autora, para aqueles que, ainda sempre convencidos de que quem vive activamente no meio dos partidos políticos é “farinha do mesmo saco” (que só entendo e confirmo se a farinha forem os indivíduos da espécie humana, e o saco o caldo da cultura local em que estão metidos e de onde não querem sair). É um tentar fazê-los entender de que o todo pode ser melhor do que as partes, e que temos o direito de, consciente e criticamente, recusar o todo que começa a parecer-se demasiado com as partes com que menos nos identificamos e que não temos de “engolir” a qualquer preço. Falo evidentemente de preço como valor, ou melhor, valores pelos quais aceitamos conviver, discutir, trabalhar e produzir numa determinada equipa para um objectivo que até podem dizer que é comum mas que, nos casos para que alerto, são só individuais, próprios e, até admitindo que qualquer um de nós deva retirar de situações em que nos empenhamos vantagem, nem que seja no gosto e prazer na actividade em si-mesma, normalmente gente como esta usa para disfarçar vantagem de sacrifício.
Ora a palavra “alternativa”, mesmo quando usada na anglo-saxónica expressão TINA – there is no alternative – vem do latim alternativus, e significa, etimologicamente, “escolha entre duas opções”. Se, por um lado, a análise da palavra mostra que nela já existe um radical (alter) que, em latim, significa “outro”, podemos considerar que a expressão “outra alternativa” é uma redundância ou um pleonasmo. Não podemos, no entanto, esquecer que, quando se fala em alternativa, não se tem necessariamente uma dualidade, e se pode abrir um leque para uma multiplicidade delas. Ou seja, quando se fala em alternativas, pode não se estar em face de apenas duas, mas até mesmo de várias para escolher. É até, em democracia, sinal de vitalidade dos cidadãos na vida das instituições.
Já na tauromaquia, a alternativa é a profissionalização do praticante desta arte, o que me leva a perceber que há quem tenha como única opção de vida tomar a alternativa e tornar-se na única opção de alternativas com quem nunca disputou o lugar. Obviamente, por falta de comparência de outros ou de capacidade de evitar previamente a ascensão ao lugar de quem nunca percebeu, nem quis perceber de forma escorreita, da arte que se propõe a exercer. Felizmente, lá para outubro, poderemos exercer em liberdade a democracia, o que significa que há sempre a tal outra alternativa. 
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

13 comentários:

  1. Esta crónica não deixa dúvidas o PS/Évora está desfeito,os vários grupinhos,as traições,a falta de principios,e agora o que fazer?

    Onde vão votar as largas centenas de socialistas que não pactuam com o que se passa na trav.da Alegria?

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  2. Cláudia vais votar na CDU ou no Bloco?

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  3. Vamos ter eleições no feminino,Elia Mira da cdu Elsa Teigão do ps e Maria figueireido do bloco de esquerda.
    Realmente autarquia chegou a um ponto que só uma mulher consegue arrumar a casa e pagar as despesas.

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  4. Mudanças no grupo do PS na assembleia municipal?

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  5. Duríssimas palavras senhora doutora. Não se esqueça que a tralha que agora quer mandar apenas precede a tralha do sistema. A tralha vitalícia não agiu democraticamente e originou o caos actual.

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  6. A crónica da Senhora Professora é clarissima,pela primeira vez existe Coragem de confrontar o que tem sido e é o PS/Évora,não passa de vários grupos de interesse,que se vão traindo uns aos outro para conseguir os seus objetivos,o Poder tem dilacerado este PS.A Alternativa deixou de passar por estes grupos da trav.da Alegria.Urge construir uma plataforma onde a politica seja construida de Valores e Ética,muitos socialistas certamente estarão disponiveis para contribuir para um grande Espaço de Esquerda Plural,Solidário e Fraterno em Évora.

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  7. O PS Évora sempre foi propriedade da Fernanda, do Zorro, do Capoulas e do trio da Giesteira. Valia tudo, coitados dos que quiseram um partido democrático, plural e de esquerda em Évora. Foram cilindrados pelos caciques.

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  8. Esta senhora que nunca fez nada pelo partido a não ser exercer mal um cargo político para o qual foi bem remunerada, que foi coresponsável pela maior derrota de sempre do partido em Évora, que neste 4 anos de oposição nada fez, que nunca teve o reconhecimento dos trabalhadores do município, está a falar do quê? Quer dar lições de poder local a quem? Uma coisa é certa na sua breve passagem pela política local deixou o PS com menos 4000 votos. Mas enfim, encontrou o amor, já não é mau. Quando se está toldada pela inveja e pelo fel dá nisto... E adoro ver aqueles que já tiveram o seu tacho referirem-se à vontade de outros por exercer um lugar político de forma depreciativa como se só eles tivessem a nobreza para isso, todos os outros, esses, é só porque querem tacho... lembra-me aquela máxima, deve ser por amor, porque interesse nela não tenho nenhum... pois foi amor de segway mas foi amor...

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    1. Ó Dona Flor, existe alguma coisa mais Bela do que o amor? Tenha vergonha e trabalhe que é para isso que está em mais um tachinho.

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  9. O PS foi a maior desilusão que já apanhei. Era necessário tirar a cdu da câmara em 2001. Afinal para quê? Nunca Évora esteve tão mal como no periodo da governação do PS na câmara de Évora. Pior do que o PS só o PS coligado com o BE, aí é a palhaçada que se verifica a nível nacional.

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  10. Cláudia Sousa Pereira afasta-se do PS ?

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  11. A senhora vereadora está muito amargurada e desiludida com a democracia que finalmente chegou ao PS Évora. Desconhecia-lhe essa característica e fico muito entristecida, afinal é mais uma conservadora a querer guardar os tachos da D. Ramos e comandita.

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  12. Que belo exemplo de entendimento democrático senhora vereadora do PS (independente). Agora que não lhe agradou a escolha os candidatos já não prestam e já não vota no partido. O PS tem de aprender que não é com estes independentes que se faz o caminho.

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