quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MÁS ESCOLHAS PAGAM-SE CARO

Ainda a propósito dos desentendimentos políticos originados pelo aumento do salário mínimo condicionado ao abaixamento da Taxa Social Única, proposto pelo governo em sede de concertação social. Vivemos um tempo muito curioso. E, a política pela sua própria natureza, não foge a esta complexa curiosidade. Procuram-se respostas aos problemas, pelo menos uma parte significativa da população, em soluções políticas cujas respostas apresentadas têm como consequência o aumento da despesa pública.
Na verdade, ninguém bem formado e que entenda o verdadeiro alcance do conceito de coisa pública, poderá no seu perfeito juízo, defender baixos salários, pensões e reformas, baixas. Isto seria uma perfeita tontaria. Porém, a extrema-esquerda que suporta o atual governo acusa o centro-direita disso mesmo. Um verdadeiro e total disparate. O que porventura o centro direita será, isso sim, é mais pragmático e mais realista. Se o país produz 100, não deverá gastar 230. A dívida pública portuguesa representa 133% do produto interno bruto.
Isto para dizer que o salario minino deverá estar indexado ao aumento da produtividade das empresas e à inflação, só excecionalmente à custa dos impostos pagos pelas famílias e empresas. No entanto, o atual governo para agradar a todos, empresas, sindicatos e bloco de esquerda, colocou-se numa “camisa de sete varas” e vai ver a proposta do aumento do salário mínimo chumbada no parlamento. O mesmo parlamento que permitira o partido socialista formar governo, mesmo tendo perdido as últimas eleições legislativas.
Ora, a atual solução politica que assenta numa coligação parlamentar e não numa coligação de governo, tem estas dificuldades, que, não raras vezes, são bloqueadoras do próprio sistema. Um sistema que assenta na representatividade parlamentar e no semipresidencialismo, de per si, não é gerador de soluções estáveis e duradouras. Todavia, esta realidade não se coloca só agora. Aquando da constituição da atual solução governativa, já todos tinham esta perceção de eventual bloqueio politico. Por isso, aqui não há inocentes. Confederações patronais, sindicatos, partidos políticos e instituições, sabiam-no muito bem. Mais uma vez erradamente imperou o interesse individual, em detrimento do interesse geral.

José Policarpo (crónica na radio diana)

5 comentários:

  1. 1991 – LEI DO MURO NOS EUA https://is.gd/cH90Ep

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  2. Se o SM estivesse indexado à inflação e à produtividade seria de 900 euros agora.

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  3. Este senhor vem para aqui arrotar postas de pescada, nomeadamente quanto à estabilidade governativa, quando toda a gente está muito bem lembrada da irrevogabilidade do seu parceiro de coligação, e algumas birras que o mesmo teve em determinados momentos.
    Por outro lado vem dizer que os trabalhadores Portugueses devem ser pagos de acordo com o que produzem, mas depois vem logo dizer que ái a divida pública e coisas do género, pois sim senhor, e o que têm os trabalhadores a ver com a divida pública, se calhar seria melhor explicar para onde foram milhões e milhões de euros, se ele não quiser responder eu faço por ele, para os bolsos dos banqueiro, e para um conjunto de vigaristas ligados ao se partido e em particular ao chefe máximo Cavaco.
    Bom seria que este senhor dissesse qual o seu vencimento e qual a sua produtividade para a economia portuguesa, e ai sim, seria uma pessoa com hombridade e poder falar com toda a probidade e não apenas estar a fazer fretes ao seu partido.
    MdM

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    1. Ainda vais ver o Passos Coelho eleito com maioria absoluta!

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  4. Podem dizer aqui o que quiserem do rapaz, mas não restam dúvidas de que ele tem muito valor.
    Basta ver as últimas notícias de que o PS se reuniu ontem em assembleia federativa distrital e decidiu aprovar a proposta de secretariado de Évora de não apresentarem candidato à Camara de Evora pois já dão as elições perdidas para este rapaz do PSD, que é considerado um candidato imbatível.
    Por isso, ladrem ladrem, mas vamos ter o lixo recolhido a tempo e horas e as passadeiras todas pintadinhas com tinta reflectora e tudo o mais.
    Viva o Presidente...

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