sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A morte de um construtor da liberdade

A 4 de Dezembro de 1961 oito militantes do PCP evadem-se do Forte de Caxias, utilizado como estabelecimento prisional durante a ditadura fascista.
A história da fuga é por demais conhecida e teve a particularidade de ter tido como principal instrumento um carro blindado oferecido por Hitler a Salazar.
A preparação da fuga, meticulosamente planeada, passou pela atribuição da pior das tarefas que se poderia atribuir a um comunista preso. Passar-se para o lado do inimigo.
Um dos presos aceitou essa tarefa, sabendo que o preço a pagar seria elevadíssimo e que seria precisa uma enorme coragem moral e física.
Durante largo período de tempo, enquanto ganhava a confiança dos seus verdugos, foi tratado pelos seus camaradas como um “rachado”, como alguém que não era merecedor de qualquer tipo de respeito e teve de conviver com essa realidade sem poder dizer “tenham calma, é só uma tarefa”.
Não consigo imaginar como terão sido aqueles tempos para aquele homem que executava cuidadosamente o plano que levaria à liberdade outros seus companheiros de luta.
Sabemos como acabou, com a saída do carro blindado de Salazar conduzido pelo falso “traidor” com mais sete passageiros que iriam recuperar os seus lugares na luta pela liberdade, que só chegaria treze anos depois.
A resistência contra a ditadura foi feita de pequenos e grandes feitos de gente que arriscou a sua liberdade e muitas vezes a vida sem se se questionar se chegariam a usufruir dos objectivos da sua luta.
Era um tempo em que trair era um luxo que não se podia permitir a ninguém e apesar disso houve um homem que aceitou a pior das tarefas que levaria a uma das mais audaciosas fugas realizadas de uma prisão política.
Este homem, que ingressou na clandestinidade logo após a fuga e que andou por sítios como Checoslováquia e França, foi reintegrado na Carris onde trabalhou até à idade da reforma.
Nunca foi ministro, deputado, dirigente ou autarca, mas ninguém terá dúvidas que sem a abnegação e a coragem de homens como este não viveríamos em liberdade.
António Tereso, morreu no passado dia 7 de Janeiro, aos 89 anos e, tirando a nota publicada pelo seu Partido de sempre, não houve uma única referência ao seu desaparecimento.
A história é escrita assim mesmo. Os editores de serviço decidem quem tem direito a uma página inteira, quem merece uma nota de rodapé e quem nem isso merece.
Neste caso, ao apagar a memória de António Tereso, o editor de serviço apaga a memória dos heróis que construíram a liberdade.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

9 comentários:

  1. Que porcaria de blog... Vem aqui uma pessoa tentar saber um pouco do que se vai passando por cá, e só encontra é textos de opinião, de pessoas quem nem isso sabem fazer como deve ser... Epá, deixem lá de publicar isto, que ninguém quer saber o que é que estas figuras pensam, ou fingem pensar...

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  2. Os comunistas lutaram muito contra a ditadura, é verdade. E o que conseguiram? Nada! Quais foram as suas vitórias? Alguém sabe apontar alguma? Não, ninguém pode porque não existiram.
    Não fossem os militares de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, Salgueiro Maia e os outros, e ainda estaríamos a viver em ditadura. Os comunistas adoram apropriar-se do que os outros fizeram. Mas as vitórias deles nunca nos levaram a lugar nenhum, nunca mudaram a realidade.
    Foram os Capitães de Abril que nos deram a liberdade.
    E este cronista da treta melhor faria em meter a viola no saco e ir chatear o Camões com a sua conversa. Não engana ninguém. E estamos todos muuuuuito fartos de o aturar.
    jmc

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  3. Eu quero lá saber do Sr Tereso.
    Em que é que a fuga que perpetrou beneficiou Portugal?

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  4. O Eduardo é um saudosista da ditadura. Um velho xé-xé.
    Porque non te callas?

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    1. Por mim mandava-o pra Sibéria

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  5. Nesta terra de cegos, quem tem um olho, é condenado pelo excesso.

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  6. Belos tempos os do extinto "Manoelinho". Lá havia má língua, notícias, parvoíces... Isto no cinco tons está semi-morto, com tanta croniqueta amorfa.

    MJ

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  7. Ao escrever este texto, a dar alfinetadas ao protagonismo nos media (completamente merecido), acerca da morte de Mário Soares só revela o mau carácter deste impoluto advogado e agora vereador.

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