quinta-feira, 13 de abril de 2017

AINDA VAMOS A TEMPO. MAS NÃO TEMOS MUITO MAIS!

O país vive duas realidades antagónicas e distintas nos seus pressupostos. Uma é a que é propalada pelo António Costa e os seus sequazes, que tudo corre sobre rodas. O défice é o mais baixo conseguido em democracia, que o desemprego irá baixar para um dígito.
Neste particular, encontram-se o Governo e os que dele dependem direta ou indiretamente. Somam-se, porém, muitos grupos empresariais, basta olhar para sua atividade, que, facilmente, podemos verificar que têm como clientes o Estado ou a quem este financia ou paga. As grandes distribuidoras que operam no nosso país também vivem indiretamente das políticas públicas.
A outra a realidade é a que é vivida pelos empresários e os seus respetivos funcionários cuja relação direta com o Estado só ocorre quando têm que proceder ao pagamento dos impostos.
Aqui, com efeito, também podemos englobar todos aqueles que não têm trabalho, nem têm expetativas. Para este conjunto de pessoas a realidade é bem diferente, porque os sinais são preocupantes. O Estado gasta mais do que pode em função daquilo que a economia gera. A riqueza produzida é insuficiente para assegurar a despesa pública, disso são exemplo os défices sucessivos.
Em suma, ou invertemos esta forma de estar como comunidade politicamente organizada e levamos a cabo uma verdadeira discussão no sentido de encontrarmos uma base de entendimento comum, no sentido de sabermos que Estado podemos ter. Qual o papel do Estado na sociedade. Quais são as funções sociais a realizar. De contrário, e, não estou a falar da vinda do diabo, é a realidade que mais uma vez nos assolará e nos pedirá contas. Será que não conseguimos ver para além do nosso umbigo?

José Policarpo (crónica na rádio diana)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Como esperado, Carlos Pinto Sá volta a ser candidato da CDU a Évora


Com o anúncio já esperado (que será formalizado em sessão pública no dia 18 de Abril no Pátio do Inatel, com a presença de Jerónimo de Sousa) da candidatura de Carlos Pinto Sá a mais um mandato, pela CDU, à frente da Câmara Municipal de Évora, são já conhecidos os concorrentes, dos principais partidos, às eleições de 1 de Outubro de 2017. E se há algo que todos têm (quase) em comum é a idade. Talvez porque o Alentejo é uma região envelhecida todos estes candidatos já são seniores entre os 49 e os 62 anos: Costa da Silva (PSD) e Pedro d'Orey (CDS) têm 49 anos, Elsa Teigão (PS), 50 anos, Pinto Sá (CDU), 59 anos e Maria Helena Figueiredo (BE), 62 anos. Políticas novas?

O BOM E O MAU LADRÃO

Começo com um aviso aos ouvintes e leitores desta crónica: se o recurso à ironia perpassa muitos textos de forma mais ou menos velada, com intenção até de criar equívocos que podem ser sempre desculpados com a coincidência, embora eu prefira chamar-lhe habilidade em aproveitar beneficamente as circunstâncias, esta crónica é quase toda ela declaradamente irónica. Inspira-se no regresso de Isaltino à vida política institucionalizada e imbui-se do espírito pascal da semana, evocando a parábola dos bom e mau ladrões que, dizem, acompanharam Jesus Cristo na mesma sorte de sentença pela crucificação.
Não tenho grandes dúvidas de que há por esse país fora muitos autarcas (mas não só) que tendo exercido a tempo inteiro, de alma e coração, suor e lágrimas, funções políticas por definição nobres e imprescindíveis, estejam profundamente saudosos das mesmas. O ritmo alucinante que as responsabilidades de tais funções exigem, à partida, deixa uma espécie de síndrome de abstinência. Alguns conseguem ultrapassá-la, outros contorná-la procurando formas de exercerem o mesmo cargo após hiato ou alteração geográfica legalmente possíveis. A Isaltino Morais não terão sido alheios alguns destes sintomas, sobretudo quando amparados por uma legitimação popular expressa no voto, felizmente democrático.
Mas, quer queiramos quer não, e pese embora muitas vezes o valor do conjunto não ser qualitativamente o mesmo que a aritmética soma das partes, a eleição política, em diversos âmbitos institucionais, diz-me muito mais sobre os eleitores do que sobre a pessoa eleita. Até porque, naturalmente, sobre o eleito e enquanto convicta adepta e praticante do voto, tenho por hábito formar a minha opinião enquanto ela ou ele é ainda elegível, independentemente dos resultados que obtenham e que, natural e democraticamente, aceito mesmo quando não gosto. O aceitar é um gesto orgânico por isso dinâmico que, nalguns casos, faz sobre-valer a atitude pontual de bom senso à má impressão do resto da atitude e do comportamento assumidos.
Nesta Semana Santa de uma tradição que distingue o culpado que se arrepende do culpado que tenta o tráfico de influência com Jesus para escaparem todos, solidariamente, da pena, através de uma parábola que na arte de bem contar ganharam os nomes de respectivamente Dimas e Gestas, revejo a atitude esquizofrénica da opinião pública considerada na sua massa informe e indistinta, aquela que, para além do sistema democrático, também permite à ciência e à técnica evoluírem, isolando apenas pontual e excepcionalmente os que são dissonantes desse comportamento do colectivo: os primeiros que, antes de ser provada a culpa ou comprovada a inocência, já estão a crucificar uns proactivamente à aplicação da Justiça, são os mesmo que, depois da Justiça condenar por provas dadas de crime e, cumprida a pena ou parte dela, reintegram na sociedade os que se viram privados de nela participarem durante o cumprimento da sentença. E isto, cristãos ou nãos, só pode deixar uma alma descansada, certo? Embora talvez um pouco baralhada e quase tentada a querer crer que num outro tempo para além da vida, onde nada se passará assim, será um amanhã que canta, num reino que não é deste mundo. Eu cá prefiro aproveitar a Páscoa para interromper por breves horas alguma rotina e provar um bom docinho feito de ovos, do que acreditar que o anjinho ou o diabinho que se sentam um em cada ombro de uma alma que dê ouvidos a esses serzinhos, algum dia se vão derrotar um ou outro e deixar a alminha em paz. Bom mesmo, é poder não dar ouvidos a essas vozes e encontrar a conduta que, mesmo solitária e pesada, nos traça um caminho duro mas sem penas. E que é o que desejo a todos os meus amigos, sempre. A todos os ouvintes e leitores, os meus votos de uma boa e santa Páscoa!

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

DEFENDER A PEDIATRIA EM ÉVORA

O desinvestimento no serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo em Évora nos últimos anos coloca em risco o seu bom funcionamento e põe em causa as Unidades de Urgência Pediátrica e Neonatologia.
Nos últimos 6 anos, dos dois concursos abertos, apenas um pediatra se mantém ao serviço e, apesar da equipa ter vindo a ser diminuída (via rescisão de contratos, situação de doença, …), o Serviço de Pediatria não foi considerado “carenciado”, o que permitiria a abertura de novo concurso.
A falta de médicos pediatras começa a atingir uma situação insustentável e nem a Administração do Hospital nem a ARS têm respondido de forma a que seja garantido que os recém-nascidos e as crianças e jovens do Alentejo continuem a ter um efectivo acesso aos cuidados de saúde em condições idênticas às do resto do país.
É graças ao empenhamento da equipa de pediatras do Hospital, que desenvolve um trabalho meritório e de qualidade, que têm sido colmatadas as inúmeras falhas nas escalas, o que leva a um aumento brutal das horas extraordinárias realizadas. A situação é de tal forma crítica, que se prevê que no final deste mês todos os médicos tenham atingido o limite máximo previsto por lei para o exercício de horas extraordinárias.
O Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo em Évora que engloba o internamento de Pediatria, as Consultas Externas de Pediatria, a Urgência Pediátrica e a Unidade de Neonatologia foi reconhecido em Dezembro de 2015 como um Serviço Líder na Qualidade, na sequência da acreditação pela Direção Geral de Saúde (DGS), de acordo com o Programa Nacional de Acreditação em Saúde (PNAS).
Este reconhecimento é também o espelho da satisfação das famílias e crianças que recorrem a este serviço público de qualidade e por isso é agora ainda mais importante que todos e todas apoiem e se solidarizem com a equipa médica do Serviço de Pediatria no esforço que está a fazer.
Os alentejanos não podem admitir que se ponha em risco desta forma o Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo, a sua Urgência Pediátrica e especialmente a Neonatologia – única no Alentejo e que tem permitido salvar centenas de vidas.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sábado, 8 de abril de 2017

'Diário do Alentejo' desta semana


CLARO QUE HÁ ESPERANÇA!

No fim-de-semana passado no âmbito de uma ação de pré campanha do partido ao qual pertenço, tive a oportunidade de constatar que no nosso concelho há pessoas que não se conformam com o que o Estado lhes possa dar e, arriscam o património de que são titulares, na criação de empresas. A visita que estou a falar foi realizada à Azaruja, freguesia de São Bento do Mato.
Os exemplos que encontrei na visita que fizemos à Azaruja, e, haverá outros, seguramente, foram na área social, na destilação de álcool para o fabrico do Gin, e, por fim, na transformação da cortiça. Estes três ramos da economia são muito importantes para a criação de riqueza no concelho de Évora e consequentemente para a criação de emprego. Não conseguiremos inverter a inclinação demográfica, motivada pelo fenómeno da litoralização, se não conseguirmos criar riqueza no nosso território. Penso, todavia, que esta posição será consensual.
Ora, cabe aos órgãos políticos autárquicos pugnarem pela criação de riqueza ajudando os empreendedores através do cumprimento material e substantivo das suas atribuições e competências. Na minha modesta opinião, cabe ao executivo camarário junto dos respetivos departamentos exigir que as respostas sejam dadas em tempo útil, para que os investimentos possam ser uma realidade efetiva. Porque nem sempre esta é a regra. Não são raras as vezes que ouvimos queixas de promotores de investimentos a referirem que as Câmaras são um empecilho ao desenvolvimento.
Por isso, a câmara municipal deverá estar sempre ao serviço dos seus munícipes, empresários e empresas, criando para esse efeito, as condições necessárias para que a produção de riqueza seja uma realidade. E, com isto, possa ser garantido um futuro digno para todos quantos queiram fazer aqui as suas vidas. Quer ao nível familiar, quer ao nível profissional.

José Policarpo (crónica na radio diana)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Este sábado, Samuel no Teatro Garcia de Resende


O AEROPORTO, O BUSTO E O ZEITGEIST

O busto não é o tipo de peça de arte que mais me agrada. A imobilidade da expressão em 3D, mesmo quando colorida por tons ditos naturais, lembra-me uma mortalidade que não se aceita. Deve haver muitas técnicas que evoluíram e distinguem, nas características das obras, as épocas de criação e o estilo dos seus criadores. Essa é, aliás, a opinião que mais conta quando alguém, perito, ajuda um leigo interessado a apreciar o que quer que seja. A outra opinião, uma questão de gosto, fica-se pela emoção, necessária mas volúvel, sempre mais sujeita a declarações sem argumento.
Dos bustos que conheço, os que fogem ao chamado “clássico” são sempre objectos criativos e estéticos mais suculentos enquanto tema para discussão, do que as figuras que retratam para uma posteridade sempre efémera. São como os prémios, títulos e galardões: há os que enaltecem a quem são atribuídos, há os que promovem quem os atribui. No fundo, bustos, prémios, títulos e galardões são metáforas de qualidades fragmentárias de um indivíduo ou uma instituição. Vivemos aliás numa época em que até as más qualidades têm direito a prémios com nome e cerimónia própria, como os Razzies, em português Framboesa de Ouro.
É neste espírito de época, o tal zeitgeist, que um baptismo de aeroporto e um busto como legenda desse mesmo acto, podem ser criticados. Eles são uma parte, incontestavelmente coerente, do que se quer dessa época e desse espírito que fique para a dita posteridade. Eles revelam a forma como as instituições se comportam, seja num rectângulo ao fundo de um continente ou numa pérola no meio do oceano. Eles revelam os destinatários previstos da esmagadora maioria dos actos públicos, sejam de que espécie forem. Eles revelam o poder ou a incapacidade de fazer valer argumentos. Eles revelam que aquilo a que chamamos Povo, depois de todo um século que foi o anterior lhe ter sido dedicado, não é uma massa uniforme, mas um caleidoscópio desconcertante, por vezes desconcertado, cuja identidade múltipla é usada, como sempre o foram os grupos, por quem lidera e se constitui como uma elite, mesmo quando saída, por sufrágio, da vontade e da própria matéria que é o dito Povo.
Posto isto, depois da ironia, do ensimesmamento, da autoparódia definitivamente instalados no pós-modernismo popular, e a que podemos chamar também cultura no seu sentido de ciência do costume, tudo o que se passou, para ficar durante um tempo dito para sempre numa gare aonde aterram meios de transportes aéreos, é de uma louvável coerência. Nem que para muitos seja só e apenas isso. Uma coerência consonante com o ano da graça de 2017.
Se fosse noutra época, e fazendo um exercício de equivalências empíricas e sensíveis, estaríamos talvez a falar do baptismo de um bonito apeadeiro de comboio numa bela paisagem que abre, e bem, os braços para receber visitantes; estaríamos a assistir ao apadrinhamento por parte de um defunto monarca, nobre, militar, político, artista (talvez ainda nenhum actor ou nenhuma actriz), engenheiro, médico ou professor, a quem os que governam decidiram (sempre eles, claro, que é para isso que existem, pese embora as diferentes formas de o fazerem), para além do nome, contratar ao abrigo da velha prática do mecenato, quem de renome retratasse o morto em vivo de pedra ou bronze. No século XXI, em Portugal (mas não só), onde o futebol é a prática que mais espectadores indiferenciados reúne pontualmente para entoar uníssonos, onde nasceu um dos melhores exemplos que proporciona essas reacções, onde os aeroportos são territórios de passagem de multidões, onde o simultaneamente retratado e padrinho está literalmente alive and kicking e tem uma palavra a dizer, e um artista autodidacta, a quem a sociedade inteira disse que lhe era permitido realizar tudo o que sonhasse, o que se passou na Madeira não me levanta dúvidas. E devo acrescentar que não me desagrada, embora tenha tido em mim o tal efeito Coca-Cola e, primeiro, estranhei. O resto? O resto é só efeito de um zeitgeist que teima em ficar, contraditoriamente, para a posteridade.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

terça-feira, 4 de abril de 2017

Juventude

A Câmara Municipal de Évora dinamizou, na semana passada, uma sessão com vista à elaboração de um Plano Municipal da Juventude. Passados 3 anos e meio parece que acordaram para uma promessa eleitoral. Pouco se sabe sobre o que saiu da sessão e qual o plano futuro, mas o facto deste Concelho precisar de uma aposta séria nas políticas para a juventude não merece qualquer dúvida.
Os jovens portugueses atravessam, há muitos anos, um momento crítico. Às dificuldades financeiras em casa, acresceu uma crise económica que promoveu desemprego e emigração. Uma região como a nossa, em contração demográfica, não pode dar-se ao luxo de não aproveitar os seus jovens e, como tal, tem de criar condições para que estes encontrem um futuro digno na região.
Espero que a sessão da passada semana tenha sido apenas o arranque de um debate amplo e plural e que adivinhe algo bem mais produtivo do que o trabalho realizado ao nível do Conselho Municipal da Juventude de Évora. Não me atreverei, por agora, a lançar propostas, porque sei onde estão as soluções: nas dezenas de associações juvenis do nosso Concelho que há anos desenvolvem um trabalho meritório e que tenho a certeza que têm em sua posse os diagnósticos e propostas necessárias. Saibamos ouvi-los, ouvi-los efectivamente, para além de sessões para a fotografia.
Muitas são as expectativas e propostas, algumas delas, aliás, já explanadas em reuniões do Conselho Municipal da Juventude. Mas… Que espaço há para ouvir? Que espaço há para apresentar proposta? Qual o papel dos jovens nas dinâmicas do Concelho? Acima de tudo: Qual a verdadeira estratégia para o nosso Concelho? A resposta está para além de sessões de propaganda e de políticas centradas nos próprios umbigos.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sexta-feira, 31 de março de 2017

PREOCUPAÇÕES IBÉRICAS

Esta é uma crónica feita a partir da Galiza e no intervalo do VI Encontro Ibérico de Gestores de Património Mundial.
O tema do encontro é aliciante e actual revelando as preocupações da generalidade dos gestores dos sítios classificados, com a massificação da presença de cidadãos de passagem e os resultados perniciosos que tal presença pode constituir para a protecção dos valores patrimoniais em causa.
Das intervenções que pudemos observar há um conjunto de preocupações comuns e que têm a ver com o comprometimento da identidade dos sítios.
Esse comprometimento advém essencialmente da pressão com a criação do maior número possível de alojamentos, expulsando para fora dos Centros Históricos os cidadãos que a habitariam, durante todo o ano.
A discussão em torno destes temas revela uma enorme capacidade para detectar problemas, diagnosticar patologias, encontrar causas e prever consequências.
Afirma-se que a opção central é viajar barato ou manter as cidades vivas, para logo de seguida se questionar se o encarecimento do exercício do turismo não é uma forma de o tornar apenas acessível a uma pequena minoria que se passearia pelo património sem grandes efeitos nocivos.
Afirma-se que a gentrificação é o mal maior da presença massiva da actividade turística, para de seguida nos questionarmos sobre se foi de facto o turismo que alterou as dinâmicas de ocupação do espaço, sabendo que, na maior parte dos casos, o alojamento turístico veio ocupar o vazio, porque as dinâmicas sociais locais já lá não estavam e o edificado se encontrava devoluto.
Concluímos que a divisão dos proveitos da actividade turística é injusta e concluímos que provoca um aumento do emprego, ainda que sem qualidade para os trabalhadores.
Entendemos que este caminho acabará por matar os destinos turísticos na medida em que perdem a sua identidade, transformando-se em parques temáticos compostos por pedras antigas e representações das pedras antigas, vendidas em lojas de souvenires, para logo de seguida alguém falar no valor total do negócio para uma cidade ou região.
É preciso proteger o património e a vida das cidades, que se vão transformando em espaços onde os autóctones perdem o direito à cidade, sem espaço público para usufruir, dizemos quase em uníssono, para logo de seguida tentar encontrar um equilíbrio que evite uma decisão, provavelmente errada.
Ouvimos dizer com amargura que não há um barcelonês nas Ramblas, que eram o sítio por excelência de apropriação do espaço público pelos habitantes de Barcelona.
Ouvimos dizer que durante 300 dias por ano, há um milhão de habitações vazias na Andaluzia, construídas apenas para os cidadãos de passagem.
Ouvimos muita gente a questionar se o turismo, pode ser sustentável ou meramente compassivo.
Todos afirmámos que deve ser dada prioridade à função habitacional, mas ninguém sabe como evitar a proliferação dos alojamentos locais que têm como efeito a diminuição do peso do factor trabalho no custo do alojamento a pagar.
Em dinâmicas e volumes diferentes, os gestores dos sítios apresentam muitas preocupações com o impacto desta actividade na preservação do património e na manutenção de cidades vivas.
No meio de toda esta discussão um geógrafo e economista espanhol, Juan Liberal, fez uma intervenção que nos pôs a pensar, apontando objectivos e princípios mas, ainda assim, reconhecendo não saber qual o caminho.
Afirmou ele que o problema base esteve na busca incessante de rentabilidade da existência de património histórico, quando se começou a pensar que este servia para os desígnios da rentabilidade.
Estou a citar de cor mas não andarei longe traduzindo a sua afirmação final. “O património serve para nos fazer melhorar, a rentabilidade é uma feliz coincidência”.
Por cá, estamos ainda longe dos dramas que ouvimos descrever neste encontro mas não nos faz mal nenhum começar a reflectir sobre caminhos que os possam evitar.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

O que falta na Europa


Talvez que se tivéssemos uma Europa que assentasse numa perspectiva social e solidária, como era a ideia dos seus fundadores, esta questão não se pusesse. Agora com uma Europa que tem apostado na desregulamentação da economia, no desrespeito pelas leis do trabalho e desvalorização do mesmo quando este é que é o grande gerador de riqueza, privilegiado a concentração de riqueza nos grandes grupos financeiros com um consequente aumento generalizado dos índices de pobreza, ao ponto de nem um trabalhador com o seu emprego conseguir prover o sustento da sua família.Uma Europa que tem esvaziado o poder económico dos estados vedando-lhes a possibilidade de seguirem políticas próprias, criando oligarquias que apenas têm que obedecer cegamente à voz do dono numa destruição completa da democracia expressa pelos votos dos cidadãos. A esta Europa só se pode dizer não. Já fui euro optimista, já tive um sonho de uma Europa social onde não existissem pobres, nem guerras. Onde a livre circulação de pessoas e bens fosse efectiva. Onde pudesse jurar a cidadania europeia em par com a nacional. Hoje sou forçado a lutar contra o imperialismo de Bruxelas. Quem foi que destruiu a Europa que sonhei? O Partido Popular Europeu e o grupo de Socialistas & Democratas, que seguem o mesmo caminho. O que falta na Europa? Que o caminho volte a ser o do verdadeiro socialismo democrático, mas parece já tarde para remendar um barco que já mete água por todos os lados.


quinta-feira, 30 de março de 2017

A QUADRATURA DO CIRCO

A líder do bloco de esquerda um dia após a evocação da celebração dos sessenta anos sobre o Tratado de Roma, veio dizer que o país devia preparar-se para a saída do euro. Vivemos num regime que consagra na sua fundação a liberdade de expressão, por isso, somo livres de dizer o que nos apetece. Mas também devemos ser responsabilizados pelo que dizemos, sobretudo, quando aquilo que afirmamos é uma incoerência.
Com efeito, não consigo entender, nem perceber a posição do bloco de esquerda no que toca às matérias que dizem respeito à união europeia. Às segundas, quartas e sextas, são a favor dos direitos consagrados nos tratados que regulam as relações entre os países que integram a União Europeia. Nos restantes dias são contra os deveres. São, portanto, a favor dos fundos de coesão que nos são atribuídos e são contra as regras comunitárias que impõem a disciplina orçamental.
Na verdade, esta posição é reveladora de grande incoerência e de oportunismo politico por parte das forças partidárias que apoiam o governo. O PCP também não está isento de culpas nesta forma de fazer política. O pior é que estes partidos defendem a saída do euro e no limite da união europeia, todavia, não explicam aos portugueses quais são as consequências desta decisão no rendimento das famílias e das empresas. No mínimo, segundo alguns estudos, a previsão andaria na ordem dos cinquenta por cento de perda de rendimento. E, sobre isto, quedam-se muito caladinhos, porque a ignorância sempre deu alguns votos no nosso país.
Ora, de duas, uma: ou estes partidos nos estão a falar de forma séria, e, a questão é grave para a generalidades das famílias e das empresas portuguesas. Ou, o populismo vai tão longe, que, recorrem as estas matérias, só para apanhar uns votos dos mais distraídos.
Mas uma coisa é absolutamente incontornável: como é que um governo que se diz pró Europa e euro, consegue governar com o apoio parlamentar destas forças radicais de esquerda? Se isto não é um circo, é, seguramente, puro oportunismo político.

José Policarpo (crónica na rádio diana)


terça-feira, 28 de março de 2017

METÁFORAS

Não podia deixar de falar sobre as indefensáveis declarações do ainda Ministro das Finanças holandês e Presidente do Eurogrupo, bem como das reacções, talvez agora já menos exaltadas, que geraram. A polémica é, para quem ainda tivesse dúvidas, mais uma prova da importância das metáforas, e do seu uso, na vida de todos nós. E também, está visto, uma maneira de deleitar jornalistas e políticos ávidos de desviar atenções de índole necrófaga destes mesmos profissionais.
Arrumemos já a questão estilística: a metáfora usada não é bonita. Como não tinha sido aqui há uns tempos a que aproximava a concertação social com uma feira de gado, por muito que quem o tenha dito tivesse pedido as óbvias desculpas e respeitasse, efectivamente, uma e outras. O discurso político, em várias épocas de que há registo, nunca se pautou sempre e só pelo uso rebuscado e elegante das palavras. Aqui, também não há novidade.
A crítica à imagem das “mulheres e vinho” faço-a pela desigualdade de género, completamente desfasada dos tempos contemporâneos. Se tivesse usado “prostituição”, que até está, e eu concordo, a ser matéria de discussão, regulamentação e despenalização em Portugal, estaria a ser igualmente moralista mas não sexista. Acrescento que a metáfora, assim corrigida e polida para “safe sex e bom vinho”, pode até ser um bom slogan para atrair investimento na região mediterrânica onde as safras são normalmente de excelência e as relações humanas calorosas. Tudo qualidades, portanto, e que podemos devolver ao senhor holandês. Ele sabe do que fala, também nesta área, porque tem lá na terra dele um Red District que é atracção turística, bem como umas coffee-shops que lhe dão algum nacional reconhecimento identitário e económico.
Relativamente ao essencial da questão – o mau uso de dinheiros públicos europeus por determinados países – o Ministro e Presidente de um Eurogrupo, em vésperas de sair dos seus cargos, a bem ou a mal, sabe do que fala, mas escolhe só falar do que lhe interessa. Qualquer pessoa desentendida em políticas públicas perceberá muito bem a metáfora e, se calhar, até já a usou caso tenha a felicidade de ter tido para emprestar e a infelicidade de ter amigos mais avessos às economias domésticas.
A indignação dos políticos responsáveis de cada nação ofendida é compreensível, e pode sê-lo realmente, se comprovarem que os fundos europeus foram bem geridos e aplicados e, portanto, a metáfora não se lhes aplica. Parece-me que é coisa que deve ser possível fazer, com tantos formulários e relatórios a que estas medidas obrigam. Força! Estou convosco nessa luta! Acho até que o senhor holandês, e para vermos o lado positivo da coisa, pode contribuir para o incremento (ou talvez seja mesmo implementação) da prática assídua e generalizada da prestação pública de contas, que tem em inglês a bonita palavra accountability. Não fazia mal nenhum a muita gente e instituições…
Ah, claro! Depois há a questão da solidariedade, valor em que assenta a União Europeia e que, essa de facto, tem estado muito maltratada, não só em discursos de palanque ou púlpito, mas em atitudes expressas em documentos oficiais. Mas também devo dizer que, para quem já ouviu um Presidente de Câmara comunista afirmar que não lhe parecia justo que Câmaras bem geridas contribuíssem para um fundo financeiro de socorro a autarquias endividadas, nada disto é novidade. E usando a expressão que alguns políticos costumam utilizar para acabar com conversas: quanto a este assunto estamos conversados! Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

segunda-feira, 27 de março de 2017

PROTEGER A DEMOCRACIA

Estará a democracia em perigo? Considero que sim. Os elevados níveis de abstenção, as frequentes expressões “os políticos são todos iguais”, “votar num ou noutro dará no mesmo” ou “para mim não há diferença entre esquerda e direita” são indicadores que algo corre muito mal na nossa democracia.
Não, não acho que os políticos (não seremos todos nós políticos?) e os partidos são todos iguais, mas alguns partidos e alguns políticos e eleitos têm contribuído, em grande medida, para este perigoso afastamento entre os cidadãos e as governações nacionais e locais. Cada vez que se desrespeitam os programas que foram sufragados ou as promessas feitas dá-se um importante contributo para uma morte lenta da democracia.
Vejamos o exemplo da governação autárquica em Évora. Em 2013, a CDU ganhou a Câmara Municipal de Évora com maioria absoluta pondo fim a uma gestão calamitosa do PS. Muita era a esperança dos eborenses depositada neste novo ciclo. Os eleitos da CDU apresentavam-se com um programa arrojado e próximo da população. Passaram quase quatro anos e, infelizmente, as promessas ficaram na gaveta e a governação próxima tornou-se numa governação opaca e distante que se traduz, naturalmente, em critérios de gestão muitas vezes duvidosos.
Atentemos o caso da política para a cultura. A CDU dizia fazer falta uma “nova gestão que redefinisse a cultura e a educação como vectores estratégicos para a cidadania, para o desenvolvimento local, para a afirmação da nossa identidade e para a diferenciação de Évora”, e tanta razão tinham. Materializavam esta ideia em torno de um grande objectivo: a elaboração e concretização de um Plano Estratégico Cultural que envolvesse a população e todos os agentes culturais do concelho. Passados quase 4 anos, o que fica? Nada, ou melhor fica alguma coisa, mas muito distante do prometido.
As reuniões tidas no início do mandato com todos os agentes culturais rapidamente se esfumaram (há mais de dois anos que os agentes culturais não reúnem com o município) e o plano estratégico ficou na gaveta. Parece não ter sido feito nada, não é? Errado. Foi feito trabalho, trabalho opaco e sempre com os mesmos agentes culturais. Foi sempre dito que não havia possibilidade de apoio directo aos agentes culturais, dados os constrangimentos financeiros, mas era prometida uma nova era, de trabalho conjunto e participado. O trabalho nunca chegou a ser conjunto, nunca chegou a ser participado, e passados quase 4 anos fica a clara ideia que a cultura funcionou sempre em torno de alguns, deixando muitos outros de fora.
O caso do relacionamento financeiro entre o Município de Évora e o CENDREV é paradigmático. E quero, antes de continuar, reconhecer total mérito ao CENDREV pelo trabalho que tem desenvolvido no Concelho ao longo de décadas. Mas o CENDREV não é estrutura única, como não são únicos outros agentes culturais. Aliás, se atentarmos à maior parte dos agentes culturais do Concelho veremos que a maior parte vive com a corda no pescoço, sem qualquer apoio nacional ou local. E enquanto muitos tentam sobreviver, o município de Évora, no espaço de dois anos, e tendo em conta apenas a informação pública, adjudicou mais 160 mil euros em serviços ao CENDREV, ao mesmo tempo que dizia a outros agentes culturais que lhes era impossível apoiá-los.
A política para a cultura, aliás, como a política em geral, não pode ser a que favorece só alguns, que olha a cores ou amiguismos, que deita fora promessas e programas de governação. Sim, sei da dureza destas palavras, mas não chegam a ser tão duras quanto as acções que destroem, diariamente, os valores da democracia.
Merecemos mais! Sem medo, de cabeça levantada, exijamos isso a cada dia!
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Este sábado: Pablo Vidal no armazém 8


Évora: este sábado na Igreja de São Vicente, às 11 horas


O programa EdEn - Escola do Espectador (novo) começa amanhã, com Ana Mota Ferreira e a sua companhia de Teatro COM Marionetas! Uma proposta dirigida ao público familiar eborense: um espectáculo + oficina, para ver e fazer, para brincar e levar para casa!
É na Igreja de São Vicente, às 11:00.
EDEN é um programa educativo da Colecção B a realizar numa manhã de sábado em cada mês. Conta com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, Fundação Eugénio de Almeida e Câmara Municipal de Évora. E conta convosco!
Informações e reservas: 
jaf@escritanapaisagem.net
931 763 350

A METÁFORA IDIOTA E A RENDIÇÃO DA SOCIAL-DEMOCRACIA

O presidente do “eurogrupo” disse uma gracinha e conseguiu ofender os habitantes de uma parte significativa do continente europeu.
Utilizando uma metáfora de mau gosto, o senhor de nome impronunciável conseguiu ofender os homens e as mulheres do sul da europa, demonstrar o seu preconceito para com a diferença e armar-se em moralista da treta. Dizem alguns que conseguiu mesmo ser racista e xenófobo, pincelando a sua atitude com uns laivos de supremacia racial que deve ter ido buscar aos primos nazis.
O presidente do “eurogrupo”, até poderia ser líder do partido de extrema-direita holandês e todos compreenderíamos o enquadramento das suas palavras.
Mas o senhor ainda é ministro das finanças do governo holandês e pertence a um partido que se reclama da social-democracia, que quase desapareceu do espectro político depois das últimas eleições, provando que a rendição aos ideais neo lilberais não trouxe nenhuma vantagem aritmética aos partidos que ajoelharam perante o novo deus.
O Banco Central Europeu vem agora ameaçar o governo português, sugerindo sanções por desequilíbrio excessivo, já que não podem sancionar o deficit excessivo, numa atitude que vem demonstrar (como se tal fosse necessário) que a velha máxima de que não nos devemos baixar para que não mostramos as intimidades, continua válida.
O vice-presidente do BCE é português e foi secretário-geral de um partido que se reclama dos princípios da social-democracia e aceita tranquilamente esta posição. Perguntam-se alguns sobre o que é que o homem está lá a fazer, sabendo muito bem a resposta.
Depois de muitos foguetes e elogios à eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU, que motivou o inchar de alguns peitos lusos, eis que na primeira oportunidade o novo secretário-geral demonstra as razões pelas quais foi eleito.
Foi elaborado um relatório, intitulado “Práticas Israelitas em Relação ao Povo Palestiniano e a Questão do Apartheid”, que acusa Israel de praticar o apartheid “tal como definido em instrumentos da lei internacional”.
Os Estados Unidos reagiram e o secretário-geral da ONU demarcou-se das posições assumidas no relatório e exigiu a sua retirada da internet, provocando a demissão da diplomata jordana, secretária executiva da comissão, perante os aplausos de Israel.
O secretário-geral das Nações Unidas é português e foi secretário-geral do mesmo partido a que pertence ou pertenceu o vice presidente do BCE, e não teve dúvidas em mandar apagar um relatório que denunciava crimes contra a humanidade.
Depois queixem-se que a extrema-direita cresce, que as vagas populistas são surfadas por cada vez mais gente e que o cidadão ceda à tentação de meter tudo dentro mesmo saco.
Lembrem-se sempre da velha máxima… quanto mais se baixam… pior é a visão do que exibem.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quinta-feira, 23 de março de 2017

NÃO NOS DISTRAIAMOS COM O ACESSÓRIO!

A quem aproveitam as regras pouco claras e as táticas políticas desonestas? Aos pobres de espírito, digo eu.
A escolha da candidata do PPD/PSD à câmara municipal de Lisboa, não pode nem deve distrair os militantes e os simpatizantes do maior partido politico do nosso país. Independentemente de não ter sido uma primeira escolha, estou certo, no entanto, que, a Dra Teresa Leal Coelho, tudo fará para ganhar a Câmara da capital ao partido socialista.
Ora, a polémica criada à volta da escolha de Teresa Leal Coelho para cabeça de lista, pelo PPD/PSD, ao município de Lisboa, na minha opinião, tem como único objetivo descredibilizar a liderança de Pedro Passos Coelho. As críticas têm, por isso, uma origem evidente: todos aqueles que receiam que o líder do partido que ganhou as últimas eleições legislativas as possa vencer novamente. Uma parte vem da oposição interna, a outra parte, é constituída pela atual liderança governativa e os seus indefectíveis apoiantes. Isto significa que este considerável grupo, não quer mais do que o regresso do país aos anos dourados do governo Sócrates. Não vislumbro outra motivação.
Na verdade, o partido social democrata, apresentar-se-á às próximas eleições autárquicas, fortemente empenhado, para as vencer na maioria dos 308 municípios do nosso país. Disso ninguém tenha a menor réstia de dúvida. Para dar corpo ao que aqui afirmo, vejam-se as candidaturas às capitais de distrito, como, também, aos concelhos de maior peso na economia do país.
Dito isto, deverá o partido social democrata e todos os seus órgãos, sejam concelhios, sejam distritais, sejam nacionais, concentrarem-se e mobilizarem-se, num único objetivo: Vencer as eleições no maior número de concelhos. E, para que esta meta seja alcançável, o partido deverá apresentar-se ao sufrágio autárquico, com as melhores propostas de programa, a bem dos concelhos e do país. O PSD é indispensável à democracia e ao desenvolvimento do nosso país.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Extremos

A Europa respirou de alívio na passada quarta-feira. O teste do populismo ficou adiado até novas eleições, desta feita em França, daqui a dois meses. Populismo arrisca-se aliás a ser a palavra do ano, tal não é a força com que opinion makers e académicos dentro e fora do seu habitat têm discursado, palestrado, debatido o assunto. Do primeiro trimestre do ano, há nesta discussão em torno do ou dos populismos uma linha que me interessa particularmente: a que coloca as leituras que são dadas em discursos aos cidadãos, o Povo portanto, sobre uma certa utopia da igualdade.
Quando estamos atentos aos discursos – e é bem importante que o façamos, pois é a partir deles que podemos pedir contas, no sentido de averiguar se “bate a bota com a perdigota”, isto é, se o que se diz é o que se faz – teremos todos muita dificuldade em duvidar das boas intenções dos que se propõem governar. Entre o “tudo a toda a gente” e o rigor e excelência que todos os cidadãos e todos os lugares merecem, é difícil, mas não impossível, ler nas entrelinhas dos discursos. Isto resulta também, desde logo, na recusa, pelo gozo ou pelo alarmismo, dos discursos assumidamente extremados.
Não querendo fazer a defesa do politicamente incorrecto que reage ao vazio em que caiu a expressão contrária, e porque normalmente me tenho esforçado por ceder à tentação de atitudes e opiniões menos moderadas – a não ser que sejam reacções inevitáveis a provocações, conscientes ou não, e normalmente em defesa própria o que, como tal, só fica mal a mim mesma – julgo que esta atitude “morna” pode estar a levar os mais atentos a extremar posições e a alinhar com quem, os que se habituaram a boiar na moderação artificial, ou goza ou acusa de terrorismo em versão menos bélica, rotulando uns e outros de populistas. Esta colagem do populismo ao extremismo obrigou-me a arrumar os extremos de várias áreas, assumindo, pelo menos nestes que vou enumerar, os que tolero e os que rejeito, sem no entanto me identificar nem com um, nem com outro. Talvez a negociação, palavra que prezo e tento praticar, seja a maneira de estar numa sociedade que acumula democracia com capitalismo, incontornavelmente. Sem aldrabices nem burlas, bem entendido.
Assim: de entre aquele que trata um animal com direitos de ser humano e o que o maltrata insistindo em ser seu dono, prefiro o primeiro; de entre o que defende contra tudo e todos o indivíduo, ou comunidade, cultural e socialmente desadaptado e o que exige a sua expulsão imediata do território a que não se adapta, prefiro o primeiro; de entre quem prega insistentemente a palavra de um qualquer profeta e o que maldiz o profeta de que não bebe as palavras, prefiro o primeiro; de entre quem só larga piropos, ainda que de gosto muitíssimo duvidoso, e o que quer proibir o piropo, prefiro o primeiro; de entre quem ensina que não se pode ser “mole” e deve saber defender-se da agressão com agressão, e o que ao menor sinal abre um processo de averiguação por bullying, prefiro o segundo; de entre quem intervenha persistentemente no lugar em que vive, sempre que se sente ou é chamado a contribuir para tal, e quem ou tente passar despercebido ou insista em esperar para ver e depois criticar, prefiro o primeiro; mas de entre o que não se importa de alinhar com quem não se identifica, porque pode vir a extrair daí alguns dividendos, ao que prefere ser acusado de não colaboração, para que não se lhe encontrem semelhanças, prefiro o segundo.
E haverá seguramente muitos mais extremos. Que não se tocam. E por isso, não, nem os aparentemente moderados são todos iguais, nem os escancaradamente extremistas estão todos abrangidos pelo direito à opinião. É que uma coisa é a formulação de opinião, outra a formação do carácter. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

Deputado Costa da Silva é o candidato do PSD à Câmara de Évora


A Comissão Política Nacional do PSD aprovou ontem a candidatura do deputado António Costa da Silva à Câmara de Évora.
O nome do parlamentar social-democrata já tinha recebido “luz verde” da Concelhia e da Distrital de Évora do partido.
António Francisco Costa da Silva, 48 anos, é licenciado em economia e pós-graduado em Administração e Desenvolvimento Regional na Perspetiva das Comunidades Europeias.
Antes de ser eleito deputado do PSD pelo círculo de Évora nas legislativas de 2015, Costa da Silva foi vogal executivo da comissões diretivas dos programas operacionais Alentejo 2020 e InAlentejo e vice-presidente da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, entre outros cargos.

terça-feira, 21 de março de 2017

ROTEIRO CONTRA A PRECARIEDADE

A CGTP encontra-se a promover um “Roteiro Contra a Precariedade”, iniciativa que tem percorrido todo o país e que visa alertar para o abuso existente em várias instituições públicas e privadas que recorrem constantemente a vínculos precários para preencher postos de trabalho permanentes.
Que bom ver a CGTP empenhada nesta luta e a exigir que a cada posto de trabalho permanente corresponda um contrato de trabalho efectivo, além de alertarem para a necessidade de um reforço efectivo da ACT – para permitir uma fiscalização mais eficaz – e um melhor e mais célere funcionamento dos tribunais de trabalho.
Diz a CGTP, e bem, no seu folheto distribuído neste roteiro, que a precariedade laboral é uma forma violenta de exploração utilizada para chantagear e oprimir os trabalhadores que vivem, desta forma, entre o despedimento fácil e a não renovação do contrato de trabalho, trabalhando e vivendo com medo.
O “Roteiro Contra a Precariedade” da CGTP passou a semana passada por Évora. Foi realçado pela União de Sindicatos do Distrito de Évora que quase metade dos trabalhadores de cinco grandes empresas sediadas em Évora têm contrato precário.
Aliás, podemos ver na cidade vários cartazes que alertam para o facto da Embraer, Kemet, Tyco, Fundição de Évora e o Call Centre da Fidelidade recorrerem frequentemente a trabalho precário para funções que deveriam corresponder a contratos de trabalho efectivos.
Uma excelente iniciativa da CGTP e da União de Sindicatos do Distrito de Évora, mas que peca por escassa. Fazem um bom panorama da vergonha que se passa no sector privado mas ignoraram o abuso no sector público. Esperava, sinceramente, ver um cartaz à porta da Câmara Municipal de Évora a denunciar o abuso que tem sido cometido por esta autarquia ao nível da precariedade. Os dados são claros e demonstram que a Câmara Municipal de Évora é a Câmara do Distrito que mais tem recorrido a trabalho precário, e tal como a CGTP diz: é inaceitável esta forma de chantagear e oprimir trabalhadores e promover a cultura do medo e da indignidade.
Recorrer a trabalho precário não pode ter justificação, seja ela qual for, porque desculpas todos têm, seja no sector privado, seja no sector público.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

terça-feira, 14 de março de 2017

(DES)CULPA E (IN)JUSTIÇA

Até provas em contrário, em caso de asneira ou crime, o indivíduo é considerado inocente. Funciona assim a regra dos sistemas de justiça das sociedades evoluídas. Daqui se depreende que julgamentos prévios e precipitados são antissistema. O antissistema da praça pública, das redes sociais, virtuais ou concretas, é prolífero em julgamentos baseados no saber popular do “onde há fumo, há fogo” e assentes em preconceitos de vária ordem. Do rumor à absolvição há tantas vezes um percurso que fica a meio que, mesmo chegando-se à última etapa no sistema legal das regras para uma sociedade que se deseja mais segura, a condenação que fica pelo caminho é quase tão definitiva como aplicada, tal qual uma sentença com pena paga por conta. Julgar é, também, penalizar alguém que se considera culpado de situações criadas, coisa que podem fazer os eleitores quando julgam as actuações de governo e oposições nos momentos eleitorais.
Temos a decorrer no nosso país vários casos de justiça e, curiosamente, os que são maiores em número de envolvidos e impacto público até têm nomes que utilizam expressões muito criativas e próximas do sistema da metáfora. Também temos as comissões de inquérito parlamentares na ordem do dia, aparentemente também com um tipo de processo similar ao da Justiça, no sentido de se apurar a culpa. Curiosamente, destes tribunais especiais que se formam com quem representa os eleitores portugueses na Assembleia que legisla o sistema em que vivemos, o caminho ou processo de averiguações assume uma preponderância especial, com muito mais relevância dada ao discurso do que ao facto. São excelentes oportunidades para exercícios de retórica e dialéctica, que comportamentos na restante vida parlamentar poderiam emular. Mas o nível de argumentação e discurso de quem tenta procurar, por definição do que é ser oposição, a culpa de uma determinada falha (uma versão de crime), tem-se revelado tão estranho quanto baixo, por assumir estilos a que nos habituámos serem mais usados por quem nunca teve responsabilidades governativas e se especializou, a nível nacional, em ser oposição que, mais do que fiscalizar a acção dos governos, se reclama ser a voz dos mais imediatamente prejudicados por determinadas opções, nem que estas sejam em nome de projecções que, mais cedo ou mais tarde, os poderão vir a beneficiar. Aliás, esse estilo de protesto, de contestação e reivindicação, terá dado origem a várias estruturas corporativas que se integram no sistema e, até certo ponto, o ajudam a manter o equilíbrio necessário
Encontramo-nos politicamente a nível nacional numa situação inédita de governação à esquerda, mas o Alentejo é a região em que a nível local a situação já tem a idade da Democracia portuguesa. Talvez fosse interessante os demais Portugueses – e porque não os Alentejanos mais distraídos – pensarem um pouco nas semelhanças das formas de governo, decisão e aplicação de princípios ideológicos (que qualquer político por mais independente que seja deverá ter, sob pena de não ser então um político) dos Executivos das várias “cores”. Das mais habituais no poder central, às mais distantes e ainda assim relevantes no poder local. Talvez este exercício – que requer muita atenção a programas eleitorais, editais e decisões aplicadas – nos faça reequacionar socialmente os processos de decisões precipitadas de culpa, na descoberta da desculpa fácil e no cuidado em distinguir a aplicação do que se faz em nome da justiça ou do que se recusa por se considerar injustiça. A quase seis meses das próximas eleições, os Portugueses em geral e os Alentejanos em particular vão ter oportunidade de se pronunciar sobre quem mais próximo os governa. E aqui o Alentejanos, face à novidade da situação nacional, podem dizer que conhecem (se procurarem conhecer mesmo) a governação à esquerda, e estão 40 anos adiantados. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

segunda-feira, 13 de março de 2017

Associação 100% Aventura inicia Projecto Europeu de Desporto


Na passada semana em Salerno, Itália, a 100% Aventura – Associação de Desporto e Natureza esteve representada, no arranque do Projecto Europeu de Desporto, intitulado “Sport for Intercultural Dialogue”. Este projecto enquadrado no âmbito do Programa Erasmus+, dedicado à área do desporto, é uma parceria de colaboração financiada directamente pela Comissão Europeia, incluindo na totalidade 9 parceiros, sendo o coordenador italiano e incluindo parceiros de Chipre, Reino Unido, Bélgica, Bulgária, Espanha e Portugal.
Os objectivos principais deste projecto passam por explorar as boas práticas desportivas para o diálogo intercultural e inclusivamente contra o racismo, apoiando a inclusão social e a cidadania activa. As actividades deste projecto visam envolver instrutores, treinadores, voluntários e educadores que trabalhem no âmbito específico do desporto aliado à solidariedade, inclusão social e acolhimento de migrantes, refugiados e outros que procurem asilo.
Na prática, este projecto terá disponível um curso de formação dedicado a educadores, voluntários, trabalhadores sociais, de forma a capacitá-los para lutar contra o racismo e incluir minorias na comunidade envolvente, utilizando como ferramenta o desporto. A partilha de boas práticas será também apresentada num evento desportivo nacional, no qual iremos envolver o máximo de parceiros locais, voluntários, colaboradores, jovens, entre outros.
Será certamente um projecto carregado de mais-valias que decorrerá entre 2017 e 2019, que permitirá sensibilizar a comunidade local eborense para as questões relacionadas com a inclusão social de migrantes e refugiados e que tipo de iniciativas se tornam possíveis para promover uma cidadania mais activa e solidária.
Maria de Jesus Florindo
(nota de imprensa)

DIREITO DE RESPOSTA

Reservo-me ao direito de resposta ao que foi dito no programa “Praça do Município” da semana passada emitido pela DianaFm. Um dos temas de análise foi a candidatura do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos em Évora. Dado que não existe uma única personalidade que pudesse contestar as afirmações caluniosas e defender o trabalho autárquico realizado, pelo Bloco, nestes últimos anos e a candidatura do Bloco anunciada este mês, venho por este meio esclarecer os ouvintes desta rádio.
Queria, além de responder a João Simas (deputado municipal da CDU) e a Nuno Alas (deputado municipal do PSD), responder particularmente à Elsa Teigão (que tem sido deputada municipal do PS em substituição e que se apresenta como candidata à Câmara Municipal de Évora). Tentaram passar a ideia de que o Bloco tem pautado a sua acção por um conjunto de propostas inconsequentes e por um vazio total. Pois bem, caros João, Nuno e Elsa, aqui vão umas notas (pensava que estavam mais atentos nas reuniões):
1) Quem tomou a dianteira para a revisão do Regimento da Assembleia Municipal de Évora, propondo que os munícipes pudessem intervir no início das reuniões e que os processos peticionários ficassem mais ágeis e de inscrição obrigatória na ordem de trabalhos das reuniões da Assembleia Municipal? Não se lembram? Eu digo-vos: Foi o Bloco de Esquerda.
2) Qual foi o único partido a fazer propostas de alteração à proposta de IMI apresentada pelo executivo? Apresentou a CDU, o PSD ou o PS alguma proposta? Não! Lembram-se? Logo no primeiro ano? Lembram-se que o Bloco forçou que fosse votada a proposta de minorar o IMI para as freguesias rurais e majorar o IMI para os prédios devolutos/degradados? Lembram-se que, a partir daí, este pequeno grande pormenor passou a constar da proposta da Câmara? Se não fosse o Bloco? Eram vocês a propor? Nada! Não propuseram nada sobre a matéria!
3) E sobre a Derrama? Algum dos partidos que Vossas Excelências representam apresentou alguma proposta? Estão esquecidos? Eu relembro-vos: não apresentaram uma única proposta. Foi o Bloco o único partido a apresentar a proposta do lançamento de derrama reduzido de 0,1% para as micro, pequenas e médias empresas.
4) Apresentaram Vossas Excelências alguma proposta contra a precariedade? Preocuparam-se Vossas Excelências com o assunto? Levantaram, por vossa iniciativa, o assunto ou o debate sobre a matéria? Não, não o fizeram. Foi o Bloco, desde a primeira hora, a questionar e a propor. Lembram-se de terem votado a recomendação do Bloco a impedir a utilização abusiva de contratos emprego-inserção por parte da Câmara?
5) E sobre as pessoas com deficiência? Falaram algumas vez Vossas Excelências sobre estes cidadãos e cidadãs? Relembro-vos mais uma vez: nunca! Foi o Bloco que propôs, entre outras coisas, a adaptação dos parques infantis para crianças com deficiência. Lembram-se de ter votado a recomendação? Eu lembro-me bem.
6) E sobre os problemas da Taxa de Ocupação do Subsolo e as consequentes cobranças das empresas que, na altura, preocupavam grande parte da população? Quem propôs a realização de uma Assembleia Extraordinária sobre o assunto?
7) E sobre a questão do Centro Comercial às portas de Aviz? Muita conversa por parte de Vossas Excelências, muitas ideias e opiniões, mas quem foi o único partido a exigir que, antes de qualquer decisão, se realizasse um estudo exaustivo sobre os impactos que este empreendimento poderia trazer ao Concelho? Foi o Bloco, não foi?
8) E falemos da automatização da tarifa social da água prevista em Orçamento de Estado? Enquanto Vossas Excelências andavam a fazer sabe-se lá o quê, já o Bloco estava a propor na Assembleia Municipal que Évora aderisse ao sistema de automatização da atribuição deste apoio.
9) E sobre a exploração mineira na Boa Fé? Sejam sinceros: quem foi o partido a levantar a questão na Assembleia Municipal? Quem foi? Quem foi o partido, que ao levantar a questão, permitiu um amplo debate que culminou na recusa da declaração de interesse municipal de tal projecto?
10) E sobre a isenção de IMI no Centro Histórico. Apresentaram Vossas Excelências alguma tomada de posição na Assembleia? O Bloco apresentou uma tomada de posição, fundamentada e escrita. E vocês?
11) Quantos documentos escritos enviaram Vossas Excelências à Câmara com propostas para o Plano de Actividades? São capazes de me dizer?
Querem mesmo que continue? Posso continuar…
Meus caros e minha cara, podem dizer que não concordam com nada disto. Agora, dizer que o Bloco não apresentou propostas consequentes e responsáveis é uma afronta e uma mentira colossal. Desafio-vos aqui, publicamente, a que apresentem, tal como o Bloco fez, o balanço da vossa actividade na Assembleia Municipal e na Câmara Municipal. Não o farão com certeza. Vocês sabem bem porquê… O vazio foi total e Évora merecia bem melhor.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sexta-feira, 10 de março de 2017

Évora: Sessão Pública sobre morte assistida


Hoje, 10 de Março | 21 horas | Sala dos Leões da Câmara Municipal de Évora
Sessão Pública: “Pelo Direito a Morrer com Dignidade”
Com: João Semedo, José Manuel Pureza e João Barreto.

Estará em discussão o anteprojecto de lei sobre a morte assistida.
Participa e divulga!

quinta-feira, 9 de março de 2017

Câmaras de Évora e Estremoz com mais precários no distrito


As câmaras municipais do distrito de Évora têm, ao todo, mais de 600 trabalhadores com contrato precário.
São quase 20% do número de trabalhadores que constam nos mapas de pessoal, segundo o STAL.
“Estamos em condições de afirmar que, ao nível do distrito, nos municípios, estamos a excluir as freguesias, há mais de 600 trabalhadores em regime de precariedade entre os vários programas existentes, recibos verdes, contratos de emprego inserção e estágios”, afirma à DianaFM Vítor Carrasco, coordenador da direcção regional do STAL.
O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL)realça que a precariedade varia de município para município.
“Há câmaras onde há mais e outras onde há menos precariedade”, refere, indicando que “Mora não tem precariedade”, enquanto Estremoz e Évora “têm mais” contratos precários.
Vítor Carrasco adianta que o STAL vai solicitar reuniões aos executivos municipais das câmaras onde as situações são mais preocupantes.
O STAL lembra que as restrições à admissão de pessoal para as autarquias foram revogadas, com a lei do Orçamento do Estado para 2017, a qual inscreve um aumento de 2,3 milhões de euros para os municípios do distrito de Évora.

Festival Internacional de Teatro do Alentejo começa amanhã


FITA MARCA AGENDA NACIONAL DE TEATRO

A marcar a agenda dos espectadores, o Festival Internacional de Teatro do Alentejo é já considerado um evento de referência para as estruturas nacionais e internacionais a avaliar pelas 150 candidaturas apresentadas, das quais cerca de 30 foram aprovadas e incluem a programação do FITA 2017, cuja quarta edição decorre entre os dias 10 e 25 de Março.
Uma quinzena de teatro para o Baixo Alentejo (distrito de Beja), Alto Alentejo (distrito de Portalegre) e Alentejo Litoral (distrito de Setúbal) num total de oito concelhos abrangidos. "É a nossa marca distintiva, assumimos uma programação descentralizada desde a primeira edição", afirma António Revez, director artístico do Festival.
A prová-lo estão os cerca de 30 espectáculos agendados, representados por 13 companhias, das quais sete estrangeiras e oito nacionais, nesta quarta edição.
Logo a 10 e 11 de Março, decorrem cinco apresentações em Beja, Elvas e Grândola.
Sexta-feira, 10 de Março, é dia de "A MORDAÇA", em Beja, no Cine-Teatro Pax-Júlia, uma encenação da companhia Culturproject; da peça "UM CLÁSSICO", pela companhia ASTA, em Elvas, no Auditório Municipal; e da peça "EL ÚLTIMO CAFÉ", levado a palco pelo colectivo cubano Teatro D' Dos, em Grândola, no Auditório da cidade, sempre pelas 21h30m.
"FADA ORIANA", a peça infantil encenada pelo grupo Varazim Teatro, apresenta-se em Beja, no Cine-Teatro Pax-Júlia, pelas 16 horas, e "EU, LEILA", da responsabilidade do grupo brasileiro Cia Teatro da Cidade, que terá lugar no Auditório de Elvas, pelas 21h30m, são os espectáculos agendados para sábado, 11 de Março.
Também Aljustrel recebe nos dias 14, 16 e 23 de Março, a companhia Al Teatro com a peça "OS 3 ÉRRES", o actor moçambicano Klemente Tsamba com a peça "NOS TEMPOS DE GUNGUNHANA", e o projecto 43-2 com a peça espanhola "LA MIRADA DEL OTRO", respectivamente. 
Os espectáculos têm sempre lugar no Auditório Municipal, pelas 21h30m. 

DOIS MUNDOS

Deve ser da idade, mas cada vez mais olho para o que me rodeia como duas semiesferas antagónicas. De um lado os que deixam escapar milhares de milhões de uma moeda qualquer para um paraíso fiscal e os que se indignam com a possibilidade de tal migração financeira poder resultar numa gigantesca fuga ao pagamento de impostos, sem se atreverem a questionar o essencial: como é possível que toda essa riqueza criada esteja nas mãos de uma ínfima minoria à custa do trabalho de uma imensa maioria?
Curiosa e aparentemente parecem estar em lados antagónicos mas, de facto, não estão. Aqueles que se indignam com a possibilidade da existência de uma fuga ao pagamento de impostos e não conseguem ir mais além e levar a sua indignação ao essencial, porque questionar a possibilidade de meia dúzia acumularem uma tal riqueza, seria questionar a liberdade que lhes é mais querida, estão de facto no mesmo lado.
Apesar das diferenças de linguagem, de maior ou menor exaltação, formalmente estão de acordo quanto à ilegalidade da fuga aos impostos. Concordam ainda que devem ser encontrados mecanismos de controlo mais apertados, embora divirjam sobre o seu alcance. Nenhum questiona a existência da possibilidade de alguns conseguirem acumular milhares de milhões, de uma qualquer moeda, num país onde o salário mínimo é de pouco mais de quinhentos euros e a esmagadora maioria do tecido empresarial é composto por pequenas e médias empresas, que sobrevivem com as dificuldades inerentes a quem vive num país onde a maioria dos que vivem do trabalho vive em modo de sobrevivência.
No outro hemisfério estão os que entendem que com uma outra distribuição da riqueza produzida, os milhares de milhões não emigravam e a maioria vivia muito melhor. Os que acham que é urgente um outro paradigma de sociedade, onde os interesses públicos e privados não coabitassem, numa promiscuidade de que temos exemplos diários.
Neste hemisfério não há meias tintas nem panaceias, que fingem controlar sem questionar o essencial, como se bastasse a via fiscal para o exercício da redistribuição da riqueza. Como se, em valores relativos, dez por cento de mil não fosse mais que cinquenta porcento de um milhão.
Alguns que ainda me estão a ouvir pensarão que hoje me está a dar para o radicalismo. É exactamente o contrário. Hoje está a dar-me para o bom senso. Radicalismo é defender que toda a origem da riqueza fica legitimada, desde que se paguem impostos.
Há radicalismo mais duro que conseguir defender a desigualdade aberrante em que vivemos como uma inevitabilidade inerente à condição humana?
Perguntarão alguns, mas então e a tal mão invisível que tudo modera e redistribui? Não faço ideia por onde anda, mas suspeito que anda a tratar dos interesses de quem a inventou.
Dois hemisférios antagónicos. E quem pensa que consegue mudar o primeiro por dentro tornando-o mais “humano” ou com um “rosto mais humano”, como dizia a social-democracia antes de se render às virtudes do liberalismo, só pode padecer de ingenuidade galopante.
Já sei, e os que estão no outro hemisfério acreditam em amanhãs que cantam e num homem novo e tudo isso não passa de uma utópica ilusão.
Prefiro correr atrás da utopia de hoje, que poderá ser a realidade de amanhã, do que aceitar ingenuamente que quem acumulou dez mil milhões de qualquer coisa, desista de acumular riqueza para a distribuir voluntariamente por quem a produziu, apenas para dar um “rosto mais humano” à coisa.
Significa isto que a luta é de tudo ou nada? Nem pensar. Todas as oportunidades devem ser consideradas, todas as pequenas batalhas devem ser travadas.
Desculpem lá a minha falta de independência, mas é isso que o Partido que comemorou no passado dia 6 de Março noventa e seis anos, anda a fazer desde que foi fundado.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 8 de março de 2017

DIREITOS E DEVERES!

Na última segunda – feira estive no salão nobre dos paços do concelho para ouvir uma conferência/debate sobre a isenção do IMI no centro histórico da nossa cidade.
Para além da grande complexidade que as questões jurídicas envolvem em matéria de isenção fiscal, há, todavia, um aspeto que para mim é bastante evidente. Vivemos num Estado de direito e se a Lei determina e estabelece a isenção do IMI para os monumentos classificados de nacionais, por maioria de razão, o centro histórico de Évora, tendo sido classificado património da humanidade, está, evidentemente, isento do aludido imposto.
Ora, a questão de saber se o centro histórico de Évora é um todo, ou deverá ser avaliado prédio a prédio, é uma velha questão. E, tanto quanto julgo saber, dura há mais de oito anos e entretanto já houve três governos que não a clarificaram e nem a resolveram. Por isso, do meu ponto de vista, a resolução para este problema passará pela vontade política de fixar em que sentido, devem proceder os serviços de finanças.
Outra coisa bem diferente e que pretendo trazer à discussão pública, porque não vejo que seja devidamente debatida é a degradação assustadora da maior parte do edificado do centro histórico da nossa cidade. Por isso a lei fiscal deverá prever sanções para os proprietários que descurassem a manutenção dos prédios de que são titulares. Entre outras penalidades, a isenção do imposto municipal sobre os imóveis, não deverá operar.
Dito isto, a isenção do IMI no centro histórico de Évora devia ser um pretexto para alargarmos a discussão a matérias como a preservação da imagem à sua divulgação. Porque se não formos nós, munícipes e autarquia, a cuidar da imagem e da divulgação, não será por si só a classificação de património da humanidade, que zelará pelos nossos interesses. Tenham eles, a natureza, que, tiverem. Poderão ser culturais, económicos ou sociais.

José Policarpo (crónica na radio diana)