sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O valor do trabalho e a desvalorização dos trabalhadores

Lá fora estão sete graus negativos. Lá dentro estão milhares de trabalhadores a trabalhar debaixo de uma intensa pressão, condicionados a ritmos e horários de trabalho quase desumanos.
Estamos em Dunfermline, na Escócia, e alguns dos trabalhadores, quando sairem do local de trabalho irão descansar em tendas instaladas na floresta que rodeia as instalações da empresa.
A razão é simples, com o salário que a empresa paga aos seus trabalhadores semanalmente, não compensa pagar o transporte diário para casa, que é fornecido pela própria empresa.
A notícia, divulgada pelo jornal britânico The Courier, revela um mundo de relações laborais cada vez mais desequilibradas e desreguladas, onde a intensificação da exploração dos trabalhadores é a regra, em função da obtenção do máximo lucro.
A empresa em questão, um gigante mundial do comércio electrónico, emprega naquela unidade cerca de 1400 trabalhadores de forma permanente e 4000 trabalhadores temporários, contratados para estas últimas semanas do ano.
Para os trabalhadores que aceitaram, sob anonimato, prestar declarações ao jornal britânico, as condições de trabalho são miseráveis e os salários indignos. Para o representante da empresa os salários dos “colaboradores” são competitivos.
Os horários de trabalho, que chegam a atingir as 60 horas semanais, por pouco mais que o salário mínimo, não permitem aos trabalhadores ter vida para além da mera sobrevivência.
É assim na Amazon, na Escócia, mas também é assim nalgumas empresas em Portugal, onde a normalidade é pagar o salário mínimo, contratar a meio tempo, exigir horários de tempo inteiro e atirar o pagamento do diferencial para um banco de horas que raramente é usado.
A exploração como normalidade, a competividade assente em salários de miséria e horários de trabalho elásticos em função das necessidades de lucro das empresas, a precariedade como instrumento de pressão, é um caminho que alguns assumem ser um mero sinal dos tempos.
Não há sinais nem marcas dos tempos. Os ganhos nesta desequilibrada contenda conquistam-se através da luta diária, sem concessões a taticismos de ocasião.
Só assim, os tempos mudarão de sinais e de marcas.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. é o resultado da globalização, o trabalho e os ordenados tem de ser equiparados com os de outros paises, como por exemplo a china, que por acaso até é um paraíso comunista

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  2. VERGONHA

    Dois trabalhadores morreram na Universidade e nada aconteceu.

    Senhores da ACT façam qualquer coisa......

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  3. A China é um dos países mais capitalistas do mundo. Enquanto encaramos o desenvolvimento como um meio para atingir riqueza não podemos esperar nada de bom.

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  4. Investiguem as mortes na Universidade.

    Que os responsaveis sejam julgados.

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  5. Gostei da crónica.
    Começa por contar um caso da dita Europa “Democrática”, de uma multinacional, mas até poderia ser um caso de uma qualquer micro/média empresa em Portugal. A grande diferença é existirem Meios de Comunicação que se atreveram a denunciar. Sim, pois lá como cá, na nossa terra existem “ trabalhadores que só aceitaram, sob anonimato, prestar declarações, as condições de trabalho são miseráveis e os salários indignos”.
    Como podem denunciar ou desistir, se a sua sobrevivência e a dos seus está em causa?
    Diz ainda “Não há sinais nem marcas dos tempos. Os ganhos nesta desequilibrada contenda conquistam-se através da luta diária, sem concessões a taticismos de ocasião.”
    Como dizem alguns, por onde andam os que deveriam defender os trabalhadores? ACT e Sindicatos… Hoje, mesmo sem tecnologias ultra modernas, vivemos “no regresso ao passado”, é cada um por si e ainda “olhando” por cima do ombro.
    Também eu questiono, por onde anda o ACT?
    E já agora para quando a nossa C.Social a fazer o mesmo? Sem oportunismos de captar audiência.

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  6. Cronica de advogado reles

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  7. O Sr Eduardo Luciano fala de trabalho e trabalhadores mas ele não é trabalhador. É um político da conversa fiada que não trabalha nem cria postos de trabalho.

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