sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Os bons, não serão assim tantos!

Quando esta crónica for para o ar, em principio, já se saberá quem será o próximo ou a próxima presidente do Estados Unidos da América. Estas eleições decorreram debaixo de uma grande acrimónia, andaram mesmo no limiar da ofensa pessoal por parte das duas candidaturas.
Por isso, pelo menos quanto julgo saber, temas como o ambiente, a posse de armas, o estado social, o terrorismo e a relações externas, sobretudo com a Europa, não foram discutidos e debatidos com a clareza necessária com que estas matérias o exigem.
Por outro lado, na sua maioria, a opinião pública e publicada, tem tomado partido pela candidata Hillary Cliton, atribuindo, se calhar com alguma razão, poucas competências e um perfil totalmente desadequado ao candidato Donald Trump para despenhar o cargo de presidente da nação mais influente do mundo. Porém, a candidata tem um percurso politico enquanto Secretária da presidência Obama muito pouco recomendável. Referi-mo exatamente ao facto de ter tratado de assuntos de Estado através de uma conta de e-mail privada.
Na verdade, há muita boa gente que se manifesta muito preocupada com a possível eleição de Trump, perspetivando que ele possa ser uma fator de grande instabilidade, quer internamente, quer, sobretudo, nas relações dos Estados Unidos com as ditas nações civilizadas. Com a União europeia, sobretudo.
Porém, há uma pergunta que deverá ser colocada. Por que razão um candidato alegadamente, tão ignóbil e pernicioso, ganhou as eleições internas do partido republicano, perfilando-se para poder ser o próximo presidente da mais importante nação do mundo? Eu, muito modestamente, posso alvitrar uma razão maior do que todas as outras. O regime democrático tal qual o conhecemos está em grande crise.
Ora, não basta às nações civilizadas garantirem eleições livres aos seus compatriotas, se não assegurarem dignidade a uma larga maioria dos seus cidadãos. Porque havendo um grande número de desempregados, jovens sem quaisquer perspetiva de futuro e até mesmo cidadãos totalmente excluídos, estaremos a criar o terreno propício para preocupantes disfunções sociais. E, estou certo, que qualquer coisa de muito errado poderá estar aí a aparecer.

José Policarpo (crónica na radio diana)

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