quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Dedo-duro

Saiu na semana passada um estudo que revela a corrupção como o terceiro maior problema de Portugal para os portugueses, apenas superada pelos problemas no emprego e na economia.
Confesso que estranhei só um pouco, sobretudo por aparecer acima das sempre estridentes notícias em torno das falhas na saúde, na educação, nos salários e pensões. Desconhecendo as ferramentas e metodologias usadas no estudo e presumindo que, tendo sido dados do barómetro da associação cívica «Transparência e Integridade», o termo corrupção e as suas diferentes percepções tivessem sido uma constante em todos os tipos de questões colocadas, a minha opinião arrisca a ser apenas e só isso mesmo. Uma opinião a partir dos dados que, na transparência com que foram divulgados na comunicação social, terão na opinião pública um efeito que, muito sinceramente, me parece ser zero para ajudar a resolver o problema. Sem menosprezar o facto de, bem entendido, se falar no assunto para além dos sketches humorísticos, que existem um pouco por todo o mundo sobre o assunto, ser importante.
Diz que mais de 80% dos portugueses crê que no Estado e os que detêm cargos políticos são corrompidos por poderes económicos, uma corrupção por isso sistémica em que os mecanismos das instituições, que deviam estar ao serviço do chamado interesse público, estão distorcidos para favorecer interesses privados. Pensa-se sobretudo nos milhões de euros que, todos os anos, os governos investem em criação e melhoramento de estruturas públicas, das estradas às escolas, dos hospitais à distribuição de energia, criando a ocasião para…a corrupção.
Esta associação cívica, que integra uma rede internacional, propõe algumas ferramentas para corrigir ou prevenir esta corrupção que aflige os portugueses. Essas ferramentas são então os chamados “pactos de integridade”. Estes constituem-se como acordos entre uma agência governamental que abre concursos para um contrato e as empresas licitantes, em que se comprometem a abster-se da prática de, por exemplo, suborno e conluio, para que o contrato vá para a frente. Os “pactos de integridade”, visando garantir a prestação de contas, também incluem um sistema de monitorização normalmente liderado por grupos da sociedade civil.
A mim parece-me tudo muito bem, inclusivamente até a preocupação da secção portuguesa em proteger quem denuncie estas práticas sem ter de correr riscos de vida, ou até só passar por “bufo” ou traidor. Mas nos pequeninos momentos em que, na vida de todos nós, vamos podendo assistir à incubação destas práticas em atitudes que, a vários níveis, simulam comportamentos regulares não o sendo, ou que fecham os olhos a irregularidades sem justificação legalmente aceite, parece-me que quem os denuncie recebe em ricochete o “elogio” de dedo-duro e não é considerado como o cidadão activo no combate à corrupção e em defesa da integridade com a qual, neste estudo, todos parecem tão preocupados. É que, ao fim e ao cabo, fechar os olhos dá muito menos trabalho do que levantar um dedo. Parece.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

6 comentários:

  1. BOAS NOTÍCIAS:

    «Quase 15 milhões de euros vão ser investidos na requalificação urbana, em Évora, até 2020, com apoio de fundos comunitários.

    Os projetos do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) foram ontem apresentados nos Paços do concelho. O plano abrange projetos do município (9,3 milhões de euros) e de entidades parceiras (cinco milhões de euros).

    As obras de requalificação do Teatro Garcia de Resende (1,5 ME), do edifício da antiga Rodoviária (1,2 ME) e do Salão Central Eborense (2,5 ME) são os projetos que envolvem maior investimento.

    A câmara pretende instalar no edifício da antiga Rodoviária todos os serviços de atendimento ao público, que estão espalhados por vários locais da cidade, e a Habévora.

    O Salão Central Eborense vai ser recuperado e transformado num espaço cultural multiusos, estando também previstas obras no Palácio D. Manuel, que vai acolher um centro interpretativo... O mercado do peixe, situado na Praça 1.º de Maio, vai dar lugar a um centro de acolhimento a turistas.

    A ligação pedonal e ciclável entre o centro histórico e o Bacelo e a requalificação do parque de estacionamento junto ao Teatro Garcia de Resende são outros dos projetos previstos.
    ...»

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    1. TRETAS E PROMESSAS DE MAL PAGADOR NOS SERVIÇOS ACTUAIS.

      Bem prega frei Tomás o que ele próprio não faz.

      “Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço”.

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    2. acaba o mercado do peixe ou é no edificio principal do mercado?

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    3. 10:26
      Lê outras vez, se não te importas.
      ...
      Se ainda assim não compreendeste, é sinal de que precisas de apoio de um especialista da língua portuguesa.

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  2. OK, deixa de existir venda de peixe no "Mercado" que cada vez é menos um mercado. Porreiro pá

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    1. Onde está escrito que deixa de haver venda de peixe no Mercado?
      Cuidado com a iliteracia... ou como dizia o outro: a iliteratícia...

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