segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Audição Pública sobre a travessia da cidade de Évora pela linha Sines-Caia



A Assembleia Municipal de Évora (AME) esteve reunida no passado sábado à tarde (12/11), no Palácio D. Manuel, em audição, com o objetivo de analisar o projeto de passagem da linha férrea Sines – Elvas/Caia, por Évora.
Para o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, o primeiro orador da tarde, não está em causa a importância do troço ferroviário, mas sim o impacto negativo que o mesmo poderá ter se se confirmar o traçado apresentado.
“É um projeto estruturante para a cidade, para região e para o país, mas a sua implementação não pode significar o total desrespeito pelo direito à qualidade de vida das populações. Esta proposta não corresponde minimamente e por isso já manifestámos o nosso descontentamento junto do Ministério”, disse.
Para o autarca de Évora, que durante a manhã, na companhia de outros membros da Assembleia Municipal, percorreu os 1700 metros de troço urbano desta linha ferroviária, “a concretizar-se este projeto tal significaria o isolamento de boa parte da população de Évora, congestionamento de tráfego no acesso a Évora, através da estrada de Redondo, para além do risco inerente ao transporte de mercadorias perigosas provenientes de Sines”.
Nesta audição, que contou com a presença de um representante do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, coube as Infraestruturas de Portugal (I.P.), através de Cândida Castro, rebater algumas das questões levantadas pelo autarca de Évora.
Durante a sua intervenção, esta técnica garantiu que as I.P. está sensível ao diálogo para que este projeto “chegue a bom porto. Lembro, contudo que depois de conhecermos as preocupações da edilidade fizemos já algumas alterações”.
“Haverá velocidade controlada no atravessamento da cidade pelo comboio, nenhum bairro ficará isolado, as passagens serão niveladas eletronicamente e o ruído será mitigado com o recurso a uma manta resiliente. Por outro lado, as locomotivas serão elétricas”, esclareceu.
Na intervenção de Cândida Castro ficou-se a saber que está prevista a passagem de 14 comboios por dia, sete em cada sentido, e que eventualmente a linha ferroviária Sines/Caia poderá ser ainda utilizada no transporte de passageiros. “Se agora o intercidades chega a Évora porque que não estender este serviço até Caia ou Badajoz”.
O eventual transporte de mercadorias potencialmente perigosas foi uma das questões que mereceu muita atenção, com o representante do Movimento Évora Unida, José Caetano, a lembrar que ninguém pode “garantir que isso não irá acontecer”. Este cidadão realçou ainda a importância de não colocar as questões economicistas à frente das pessoas.
Quanto a esta questão, e por oposição, Cândida Castro das I.P., afirmou que todas as mercadorias “serão contentorizadas ou, na pior das hipóteses, a granel, e que nenhuma delas será perigosa”.
O Movimento Eborenses em Defesa da Sua Cidade, através de Carlos Reforço, fez um apelo ao Ministério do Planeamento para que se “proceda a um aprofundado estudo que encontre alternativas à atual proposta. Nós defendemos um traçado novo”, frisou.
Sobre o tema do dia, o Bloco de Esquerda convidou o deputado Heitor de Sousa, a usar da palavra, o Partido Social Democrata foi representado por José Policarpo, o Partido Socialista por Elsa Teigão e a Coligação Democrática Unitária/Partido Ecologista “Os Verdes” por Manuela Cunha. De seguida, diversos representantes das “forças vivas” da região intervieram. (Nota de Imprensa da CME)

13 comentários:

  1. Uma boa sessão de esclarecimento público e de participação dos interessados, promovida em boa hora por um órgão autárquico.

    Destaque para a discrepância evidente entre o que têm sido as declarações públicas, sensatas e flexíveis, dos governantes (ministro e secretário de estado) e a posição irredutível das "Infraestruturas de Portugal" que não admite estudar outro corredor.
    Alguma coisa não está a correr bem, pois não parece aceitável que haja um Estado (IP) dentro do Estado (Governo), com poder para recusar as orientações do ministro da tutela.

    Da sessão ficou claro que, com excepção da IP, há unanimidade dos partidos e da sociedade civil eborense, para a necessidade de se estudarem percursos alternativos fora da cidade e de se prever desde já, plataformas regionais de trasfega de mercadorias.
    Face à posição irredutível da IP, vamos a ver no que isto dá...

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    1. Em Moscouço não há comboios?

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  2. 11/03/2011 - Projecto Prioritário nº 16 - Eixo ferroviário de mercadorias ... Caia. Porto de Sines. Casa Branca. Vendas. Novas. Nova Linha. Sines-Elvas/Caia.Chegaram tarde vão ter os comboios a porta!

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  3. Quando autorizaram a ponte e estação requalificada já sabiam que os comboios iam sempre passar ali,da estação qualquer desvio de linha colide com imóveis com quintas e com estradas uma valente dor de cabeça,deviam ter pensado nisso antes da obra agora estão bem tramados!

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  4. Foi assim com a mina de ouro do Escoural.
    É agora o mesmo com a linha férrea.
    Os comunistas boicotam tudo o que é desenvolvimento.
    Desconhecem que as minas laboram debaixo da terra e que os comboios vão à velocidade a que o maquinista tiver de obedecer?
    Não desconhecem, querem o subdesenvolvimento.

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  5. O poder local democrático que nos oferecem é o do Pinto de Sá, do Zé Ernesto ou do Abílio Fernandes.
    Fosca-se!

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  6. Até parece que os comboios vão atravessar a Praça do Geraldo... Olhem para qualquer grande cidade europeia, e digam-me o nome de uma que não tenha comboios de passageiros e mercadorias a passarem a toda a hora nas suas malhas urbanas. Será que ainda não entrou nessas cabecinhas de séc. XIX, que já não há locomotivas a vapor? Que uma locomotiva elétrica, é mais silenciosa que um normal camião? Que as novas linhas são construídas de forma a limitar ao mínimo o ruído de rolamento?
    Caramba, saiam desta parvónia, e vão ver o mundo! Vão ver o progresso lá fora! Vivem aqui, enclausurados nas vossas vidinhas mesquinhas, onde a má-língua e a inveja domina as conversas de café, e nem se apercebem que há vida para além das muralhas da cidade...

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  7. Respondendo ao anónimo das 21.25 realmente a linha não passa na Praça do Giraldo, mas saiba que o passar por este troço e no caso de existir um acidente com um comboio de produtos perigosos, diz o estudo que o impacto é ate à Praça do Giraldo...não é um problema só dos bairros que a linha atravessa é sim um problema de toda a cidade.

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    1. Eu diria mais. É um problema do Mundo todo.

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    2. De acordo com o Anonimo das 21,25.
      Por toda a Europa há comboios a atravessar as cidades.
      Não se entende a aparente teimosia da Câmara e de meia dúzia de militantes do silêncio profundo em que se vive nesta cidade,cada vez mais retrograda.

      Que venha o progresso e o desenvolvimento e que se calem as vozes que contribuem para este marasmo.

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  8. Acidente com um comboio de produtos perigosos,não vai existir,pura fantasia!

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  9. O pessoal quer é agua no nabal e sol na eira...

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  10. Construam um tunel da casa branca a badajoz e está o problema resolvido...

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