quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O senhor alemão, as regras e a ingerência

O senhor Schäuble é, como se sabe, ministro das finanças de um estado independente. O senhor Schäuble tem direito a ter as suas preferências políticas, ainda que se trate da política de outros estados independentes.
O senhor Schäuble, pode fazer coro com outros políticos de estados independentes e anunciar a vinda dos diabos que entender, se não se renderem às suas inevitabilidades.
O senhor Schäuble, pode achar que o sucesso de um governo se mede pela sua capacidade de empobrecer os seus concidadãos e, por isso, pode elogiar o governo que não está em funções em qualquer estado independente.
O senhor Schäuble, pode lançar avisos a um ministro das finanças de outro estado independente e tornar públicos esses ralhetes ditos em privado.
Admitindo que tudo isto pode o senhor Schäuble, teremos que admitir que outro senhor qualquer pode fazer o mesmo ao senhor Schäuble, se não se colocar de cócoras e abdicar da sua condição de ministro de um estado independente.
Apesar do demo ainda não ter decidido aparecer e levar para as profundezas do inferno o governo de que o senhor Schäuble não gosta, estas opiniões ditas em fóruns internacionais, amplificadas pela magnífica, isenta e independente comunicação social, tem consequências para o tal estado independente e o senhor Schäuble sabe disso.
Só há uma forma de nos vermos livres do senhor Schäuble e dos seus discípulos, mas para isso é urgente e necessário que nos preparemos para sair do seu jugo. É necessário que se discuta abertamente para que serve e a quem serve este projecto de integração capitalista que é a União Europeia e se é esse caminho que queremos seguir.
É preciso dizer ao senhor Schäuble que não tem, literalmente, voto nesta matéria e que é o povo desse tal estado independente que decide do seu destino, quer seja ou não do agrado da sinistra figura.
Como alguém costuma dizer, vergarmo-nos aos ditames do senhor Schäuble e prosseguir um caminho de progresso é uma contradição insanável. Chegará o momento clarificador em que a opção terá que ser entre estes dois caminhos e aí não será mais possível conciliar o inconciliável.
Até lá teremos o senhor Schäuble a ditar qual é medida do sucesso de uma política. A dizer que gosta mais deste ou daquele governo, que prefere que se ataquem rendimentos do trabalho e direitos sociais porque esse é o caminho do reino dos céus.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Não me estou nas tintas para as passadeiras!

As juntas de freguesias têm um papel determinante e insubstituível na defesa dos interesses das populações e dos seus fregueses. Os elementos que integram os seus órgãos são os que, em primeira linha, e, em nome do Estado quem dão a cara e contactam diretamente com os cidadãos.
Nunca ocupei este espaço de escrita para dizer aquilo que fiz ou que irei fazer. Mas hoje quero abrir uma exceção. Sou membro da Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Évora e na última Assembleia de Freguesia realizada no passado mês de Setembro a minha bancada insurgiu-se contra vários aspetos da atual governação camarária, designadamente, a deficiente recolha do lixo e a inexplicável falta de tinta na delimitação das passadeiras de peões da nossa cidade.
Uma das muitas passadeiras para peões existentes no nosso concelho que necessitava de ser pintada para ser avistada corretamente pelos condutores, é a que se encontra no topo da rampa do seminário quem vira para o lado esquerdo em direção à Igreja do Espirito do Santo. Pese embora a sua deficiente localização devido à sua proximidade com a mudança de direção e à pouca visibilidade que oferece para quem sobe a dita rampa e vira para o lado esquerdo, finalmente, está a ser requalificada.
A decisão que a Câmara Municipal tomou em requalificar esta passadeira em concreto, não podendo afirmar com toda a certeza, estou em querer que se deveu à preocupação levantada pela bancada do PSD na última Assembleia de Freguesia, e, se houver quaisquer dúvidas daquilo que acabo de escrever, a ata dessa reunião dissipá-las-ia.
Por estas e outras razões, sempre defenderei a importância do papel insubstituível das Juntas de Freguesia na denuncia e na resolução dos problemas que, no dia-a-dia, afetam as populações. E, a defesa dos interesses das populações, tanto poderá ser realizada no executivo, como na oposição. Naquilo que me compete enquanto eleito pelo Partido Social Democrata na Assembleia de Freguesia, procurarei sempre exercer o meu mandato de acordo com estes valores e princípios.

José Policarpo (cronica na radio diana)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Orçamento de Estado

Foi apresentado o Orçamento de Estado para 2017. Na especialidade surgirão algumas alterações, mas sabemos já que a discussão à esquerda permitiu a continuação da devolução de rendimentos para quem trabalha ou trabalhou toda a vida.
Em 2017, após anos de pântano social para os mais velhos, as pensões serão aumentadas. Serão, também, aumentadas algumas prestações sociais, como o abono de família. Assistiremos, ainda, ao fim da sobretaxa sobre o IRS. Somam-se muitas outras medidas, das quais destaco a automatização da tarifa social da água, depois deste ano o mesmo já ter acontecido com a eletricidade, assim como a gratuitidade dos manuais escolares no 1.º ciclo.
A direita apressou-se a falar num aumento de impostos. O desespero leva-os a um estado de extremo ridículo. A verdade é que em 2017 irá existir reposição de rendimentos do trabalho no total de 953 milhões de euros, enquanto que o aumento de impostos permitirá arrecadar mais 262 milhões de euros. Deste aumento a maior parte - 160 milhões de euros - estão concentrados no património de luxo.
Muitas têm sido as conquistas, mas muito há a fazer. E torna-se cada vez mais claro que apenas haverá real crescimento quando Portugal romper com as imposições irrealistas do Tratado Orçamental e avançar para uma renegociação da dívida. Sobre este aspecto, importa realçar que, enquanto enfrentarmos uma carga de juros da dívida como enfrentamos, será impossível haver crescimento e investimento público. Para que tenhamos bem noção do que a carga dos juros da dívida representa, basta compará-la ao que o Estado gasta no Serviço Nacional de Saúde ou na Educação. O Estado Português está obrigado a pagar anualmente mais de 8 mil milhões de euros de juros, valor bem superior ao que gastamos em Educação e quase tanto quanto gastamos em Saúde.
Caminhamos em frente, mas quem vive em Portugal sabe bem que muito falta percorrer…
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Ciclo Cidades Invisíveis




A primeira conferência é já na próxima quarta feira, na Direcção Regional de Cultura do Alentejo - RUA DE BURGOS 5 

domingo, 23 de outubro de 2016

Homenagem às Vítimas da Inquisição em Évora



Na Praça Grande uma pedra nova e branca,
Redonda como a roda da tortura
Em que sofreram os que depois queimados
Expiaram a culpa, de não ter culpa
De não ter medo!
Uma roda branca, de mármore
Gravado de palavras mudas
Que escurecem os céus
Da nossa memória
Gritadas agora no passar dos séculos
Em homenagem aos torturados
Massacrados, queimados vivos
Em labaredas acesas de ódio e intolerância
Que morreram gritando a sua culpa
De não ter medo!

Rasa no chão, como um túmulo,
Cercada de granito como árvore
Pronta a florescer,
No lugar da fogueira que antes foi!
Ostenta calada, num silêncio ensurdecedor
Um tempo que a memória não apaga
Mas que hoje naquela pedra molhada
Pede perdão, com símbolos gravados
Sem cor, entalados entre círculos
Inclusivos e concêntricos.
É uma pedra rasa num mármore
Mais antigo do que o homem,
Feita de memória, tolerância, perdão e paz,
Por isso é branca.

Évora, 22 de Outubro de 2016

Poema: Maria Barradas
Foto: Ana Beatriz Cardoso
Escultura. João Sotero

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Encontro no bairro da Malagueira na Associação Santa Maria Fontanas. Brilhante exemplo de INCOMPETÊNCIA!


Que bela imagem vão servir aos convidados?! Que tal tirarem uma selfie no local o presidente Pinto de Sá e vereador Eduardo Luciano com o lema gestão participada e de proximidade no caminho da excelência! O local até teve maquete com um jardim e estacionamento para a dita associação e jardim de infância da Cruz da Picada, hoje é uma lixeira cheia de ratos lixo ervas escombros!

Joaquim Teigão (por email)

Nobel, orçamento e inquisição

Em Outubro de 1536 institui-se oficialmente em Évora a Inquisição portuguesa. Época terrível de intolerância, perseguições religiosas, tortura, autos de fé e outros mimos aplicados a todos os que fossem denunciados como não cumprindo os preceitos morais pregados pela Igreja Católica.
Passados estes 480 anos ficou entre nós o gostinho pela denúncia, pela delação anónima ou assumida que se reflecte no correio electrónico enviado às autoridades competentes, para denunciar a marquise ilegal do vizinho, o muro com mais vinte centímetros ou a suspeita de que qualquer coisa de errado se passa por causa de “um certo ar suspeito”.
Esta herança de delação é hoje assumida como “acto de cidadania”, legitimada, tal como naqueles tempos sombrios, pelo conforto de estar a fazer o que é certo e a ténue esperança de uma qualquer redenção terrena ou celeste.
Hoje, as fogueiras onde ardem os ímpios e heréticos são fisicamente mais suportáveis mas não deixam de ser, simbolicamente, formas de execução. Homicídios de carácter perpetrados por uma turba entusiasmada que segue acriticamente um título de jornal, uma frase, um qualquer gesto comunicacional que se torna viral em poucos segundos.
Diz-se, com a mesma intenção, “vou para a televisão denunciar-te”, como se da Mesa do Santo Ofício se tratasse.
É neste contexto que tivemos nos últimos dias um desfilar de inquisidores, defensores da cartilha neoliberal, pelas rádios e televisões pregando o seu evangelho contra a proposta de Orçamento de Estado, apresentada na Assembleia da República.
Baralhando, confundindo, manipulando, apagando da memória medidas de outros Orçamentos.
Escondem, no essencial, tudo o que possa ter de positivo, de recuperação de rendimentos do trabalho. Por vontade deles, e apesar desta proposta de Orçamento ficar muito aquém do que seria possível e desejável, não haveria qualquer dúvida que o seu fim seria o cadafalso ou a fogueira no final destas verdadeiras sessões de tortura, que pretendem que o pobre documento confesse todos os seus crimes.
Vale tudo, incluindo um senhor apresentado como “fiscalista” a confundir impostos com taxas e tarifas, muito indignado porque a carga fiscal não diminui “apenas” se deslocou e é isso que o incomoda.
Como já disse este é um orçamento que poderia e deveria ir mais longe se libertado dos constrangimentos impostos pela presença de Portugal nesta União Europeia de voz única e em desagregação.
O que se exigia era um debate sério em torno das medidas mais significativas, com o contraditório a substituir o coro dos inquisidores destes tempos em que, parafraseando o poeta, o fogo arde sem se ver.
Por falar em poetas e escritores deixem-me assumir aqui que gostei que um poeta que escreve canções fosse nomeado para um prémio de prestígio, fugindo do coro dos que acham que um poema dito a cantar não merece entrar no palácio real da poesia.
E mesmo correndo o risco de ser denunciado por esta heresia, estou a gostar muito da ideia de que neste mundo em que todos sabem tudo sobre todos, incluindo a sua localização, a Academia Sueca não consiga dar uma palavrinha ao senhor Zimmerman.

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

Esta sexta-feira: Encontro no Bairro da Malagueira à volta do projeto de Álvaro Siza Vieira




Sexta-Feira, 21 outubro, na Associação Santa Maria e Fontanas

Termina em Évora, na Malagueira, o ciclo de encontros em três bairros sociais projetados por Álvaro Siza. Depois do Porto e de Vila do Conde, é a vez do Bairro da Malagueira receber na próxima sexta-feira (21), às 18h, na Associação Santa Maria e Fontanas, uma conversa à volta do projeto de Álvaro Siza e do filme “Bonjour Tristesse, Berlim” de Cândida Pinto (SIC).
Numa organização da DGArtes, Ordem dos Arquitectos e SIC, a iniciativa integra o programa paralelo à representação portuguesa na Bienal de Arquitetura de Veneza 2016 e tem como objetivo dar “a conhecer os projetos, os processos participativos, os lugares e as suas diferentes vivências, sobretudo a partir da experiência dos residentes.” Os promotores adiantam que “em cada bairro, as conversas serão também estimuladas pela amostragem dos exemplos retratados na série, cruzando diferentes culturas e geografias, e pelo debate sobre o modo como se vivem hoje as relações de «vizinhança» numa Europa e num Portugal desejavelmente multiculturais.”
A sessão contará com a presença de Brigitte Fleck, autora do livro Malagueira, Alvaro Siza’s Legacy, de José Russo, presidente da União de Freguesias da Malagueira e Horta das Figueiras, Cândida Pinto, Autora da Série Vizinhos, Nuno Grande e Roberto Cremascoli, Curadores do Pavilhão de Portugal na Bienal de Veneza e, como moderador, Nuno Ribeiro Lopes, Arquiteto e gestor do plano da Malagueira. Em representação da Câmara Municipal estará o Presidente Carlos Pinto de Sá.
Recorde-se que o Bairro da Malagueira está incluído no conjunto de obras portuguesas do arquiteto Siza Vieira que estão indicadas para Património Mundial da UNESCO. A sua construção iniciou-se em finais da década de 70 do século passado e conta, como imagens de marca, com um lago e um “aqueduto” que personificam a identidade de um bairro que conta com mais de mil casas de habitação.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Évora homenageia as vítimas da Inquisição nos 480 anos do "Santo Ofício"


A Câmara Municipal de Évora homenageia no próximo sábado, 22 de Outubro, as vítimas da Inquisição portuguesa, através da inauguração na Praça do Giraldo, pelas 18h, de um memorial que as recorda e lhes presta homenagem.
O ato simbólico realiza-se precisamente no dia em que se assinalam 480 anos sobre o dia 22 de Outubro de 1536, data em que foi lida na Sé de Évora perante o rei D. João III, o alto clero e muito povo, a bula papal que autorizava a instalação e funcionamento em Portugal do Tribunal do Santo Ofício.
O programa deste dia inicia-se às 17h com uma sessão solene nos Paços do Concelho, com intervenções previstas por parte de Carlos Pinto de Sá, Presidente da Câmara, e dos Professores António Borges Coelho, autor da mais completa história da Inquisição de Évora, e Fernanda Olival, responsável do centro de investigação da Universidade de Évora que se tem dedicado nos últimos anos ao estudo da Inquisição.
Após a sessão será descerrado na Praça de Giraldo o memorial que será implantado entre a Judiaria e a Igreja de Santo Antão, no local em que no século XVI a Inquisição ateou as suas primeiras fogueiras.
No programa evocativo desta data estão ainda incluídas outras iniciativas: na tarde de Quinta-feira, dia 20, é inaugurada no Museu de Évora uma exposição iconográfica, efetuada em parceria com a Biblioteca Pública, em que algumas dezenas de objetos, livros e gravuras, incluindo cartazes com o anúncio de Autos de Fé, nos permitirão um contacto com o ambiente que envolvia a atividade da Inquisição de Évora.
Aos domingos, de 23 de outubro a 4 de dezembro, decorre o ciclo de cinema vítimas de intolerância religiosa no Auditório Soror Mariana. Em cada dia é exibido um filme diferente relacionado com a temática.
Finalmente, a 16 de Novembro, terá lugar no antigo Palácio da Inquisição, sede da Fundação Eugénio de Almeida, o Seminário “Inquisição: Cultura material e quotidiano (Évora e Portugal)”, organizado pelo CIDEHUS, centro de investigação da Universidade de Évora, em que serão apresentadas e discutidas comunicações originais sobre a Inquisição de Évora. De entre estas, refira-se a relativa ao estudo dos restos mortais recentemente descobertos numa antiga lixeira do Palácio da Inquisição. (nota de imprensa da CME)

Uma questão de calçado

Esta crónica é sobre a questão táxis vs Uber e companhia, um assunto que aquece aqui agora, que já pôs outras capitais de pernas para o ar e que revela vários problemas da contemporaneidade, por um lado, e da fragilidade intergeracional de algumas mentalidades, inclusivamente colectivas.
Formar opinião sobre este assunto, como de resto com outros que nos dizem tangencialmente respeito, implica “calçarmos os sapatos do outro”, uma metáfora comum, por vezes até poética, sem deixar de ser política.
O que assistimos numa suposta marcha-lenta de taxistas da passada semana foi a uma dupla sabotagem. Uma sabotagem ao trabalho de uma empresa exclusivamente privada, com fins lucrativos e sem benefícios próprios das que prestam serviço público, e que ao contrário dos táxis segue as regras do mercado, tão desregrado. Foi uma sabotagem com agressões reais a funcionários das empresas Uber ou Cabify no aeroporto Humberto Delgado. A outra sabotagem foi uma auto-sabotagem. Uma marcha que tinha um determinado percurso preparado dentro das regras, viu-se sabotada pelos marchantes que revelaram, no mínimo e para não repetir o que não devia ter nunca saído da boca de gente que lida com público, uma profunda ignorância sobre as regras básicas da cidadania, quer estas se refiram a comportamentos em sociedade quer da forma como actuam as corporações, os seus representantes e defensores nos órgãos próprios, em regimes não ditatoriais nem monopolistas.
Pareceu-me que mais do que a marcha-lenta, simbólica em várias formas de contestação que pretendam reunir simpatizantes com as causas, ficará para o futuro o efeito desta auto-sabotagem. Talvez até leve a alterações no relacionamento dos que, por várias razões e com interesses diferentes, se puseram à partida e de forma irredutível do lado dos que, afinal, só conseguiram passar a ideia de quererem continuar a ser um monopólio. E sim falo de um partido político que oscila entre princípios que umas vezes, sobretudo quando está no poder, flexibiliza e, noutros, quando representa uma espécie de acionista de quem interessa manter a quota, se mostra tão firme. Uma bota que vou querer ver como vai descalçar.
De volta ao calçado, então, importa recordar que a palavra sabotagem vem precisamente de um movimento de contestação que, para lá de todo o direito que num estado livre e democrático é até saudável que se possa manifestar, revela uma desadequação ao que, no fundo, é mesmo o interesse geral de acompanhar o progresso da humanidade, em nome de uma instalada posição conquistada. Sabotagem vem da palavra francesa sabot que designa precisamente um tipo de calçado, as socas de madeira. Os episódios que lhe deram origem têm uma interessante semelhança, com a relativa distância do tempo, com os desta marcha-lenta. É que na Europa Central da revolução industrial os trabalhadores oriundos das zonas rurais que foram trabalhar para as fábricas e se aperceberam de que a máquina iria substituir o trabalho braçal para que estavam preparados e onde ganhavam em competência usavam as suas socas de madeira para encravar as máquinas e parar a produção. Assuntos assim tratados com os pés normalmente não têm grande efeito para os que os praticam. A não ser no futebol, claro, mas até aí é preciso usar bem a cabeça.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Amanhã, sábado, no Palácio D. Manuel: Percorrer o Universo a partir de Évora


Investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço estão a percorrer o país e a levar o Universo a locais com menos acesso à divulgação de ciência.
 Chama-se Ignite IAstro e estará em Évora no próximo sábado, dia 15 deste mês. Oito investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) vão falar sobre a sua investigação no Palácio de D. Manuel, com início às 21:30 e entrada gratuita, naquele que será o nono evento de uma digressão inédita em Portugal.
Na Digressão Ignite IAstro, os investigadores do IA estão dar a conhecer, todos os meses e ao longo deste ano, os temas da investigação que se faz neste instituto. O objetivo da iniciativa é levar o conhecimento sobre Astrofísica e Ciências do Espaço a vilas e cidades com menos acesso à comunicação de ciência nestas áreas.
Para o coordenador do IA, José Afonso (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa): “O gosto pela Ciência está em todos, mas infelizmente a Ciência não chega a todos os locais com a mesma facilidade. No IA assumimos o dever, e o prazer, em comunicar a ciência que fazemos, e com a Digressão Ignite IAstro pretendemos levar um pouco da Astrofísica e das Ciências do Espaço nacionais a todos os portugueses - muito em particular, aos que estão mais longe dos grandes centros urbanos.” (nota de imprensa)

CD EM CANTE: música do Alentejo apresentado hoje em Évora


Amílcar Vasques-Dias, compositor-pianista, Joaquim Soares e Pedro Calado, cantadores do Grupo Cantares de Évora, apresentam em Évora – em estreia absoluta – o CD EM CANTE: música do Alentejo, gravado nos estúdios da Musibéria, em Serpa. O lançamento está agendado para hoje, 14 de Outubro, às 17h30, na Sala Dos Leões (Paços do Concelho).
Este trabalho é, segundo os artistas, o fruto da “interpretação de uma série de modas do cancioneiro tradicional alentejano e uma canção original” em que “o piano não é um instrumento acompanhador. É uma terceira voz, é um berço de harmonias, timbres, gestos e ornamentos que enlaça o devir das duas vozes no caminho da expressividade.”
Composto por 10 temas que aqui surgem reinventados, o CD revela a consciência que os dois cantadores e o pianista possuem sobre a “enorme riqueza e diversidade de sentimentos presentes nos poemas das canções”, bem como sobre a “espiritualidade e respeito que impregnam o cante alentejano.” Os autores propõem também “realçar a ornamentação da palavra-melodia que julgam ser a essência do cante na procura da emoção.”
Na base deste projeto estão os concertos “Cante e Piano” que, nos últimos anos, tem juntado os três artistas em palco para dar uma nova roupagem ao Cante Alentejano, entretanto classificado como Património Imaterial da Humanidade.

Crónica difícil

Vamos lá acertar contas acerca da guerra civil que rebentou na cidade grande, durante esta semana.
Não gosto de gente que tem como único motivo de conversa os títulos do Correio da Manhã. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de gente que olha pela janela do carro e a propósito de qualquer coisa que julga fora do sítio, desata a desejar que o Salazar ressuscite e que devia era ser tudo posto na ordem, de preferência à paulada ou a tiro. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de gente que tem outra gente a trabalhar para si, sem salário, à peça, a receber uma percentagem do que consegue angariar dos clientes, utilizando mão-de-obra em desespero para compor salários de miséria ou prestações de desemprego indignas. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de gente que acha que os outros, sejam eles quem forem, são todos uns malandros e preguiçosos e que a única força que faz avançar o mundo é a sua própria existência. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de gente que afirma que as virgens e as leis existem para serem violadas. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de gente racista, xenófoba, que faz intriga enquanto trabalha e que se julga guardiã do templo supremo da moral e bons costumes. Sejam advogados, médicos, engenheiros, sapateiros ou motoristas de táxi.
Não gosto de muito mais coisas e comportamentos, mas o que é que isso tem a ver com o facto de que quem exerce uma actividade, no caso o transporte individual de passageiros, dever estar sujeita às mesmas regras?
Não se trata de uma luta “entre carteiros e serviço de e-mail”. Não se trata de um combate entre a modernidade e os resquícios do passado. O serviço de táxi pode (e deve, digo eu) usar plataformas tecnológicas idênticas às Uber’s deste mundo. Se o fizer não deixará de estar sujeito às regras que conformam a actividade do serviço de transporte individual de passageiros. Logo, a questão é a de tratamento igual perante a lei no exercício diverso da mesma profissão.
Independentemente da opinião negativa que todos nós possamos ter sobre o estereótipo do “motorista de táxi”, julgo ser da mais elementar justiça a exigência de regras iguais para todos os que exercem a mesma actividade, quer do ponto de vista fiscal, quer do ponto de vista regulamentar.
Já agora, deixem que vos diga, que isto não significa que esteja do lado de gente que agride outros trabalhadores (tão explorados como eles), de gente que manda os motoristas da UBER para a terra deles (não sabia que existia uma terra de motoristas dessa multinacional) ou dos que sem saberem muito bem o que estavam a ali a fazer foram dizendo e fazendo coisas que iam retirando base de apoio ao que era essencial no protesto.
Não gostei mesmo nada de muita coisa que vi e ouvi durante aquela manifestação e, confesso, quase me apeteceu dizer “é bem feito, têm o que merecem”. Depois lembrei-me que apesar de não gostar do que via e ouvia isso não era o suficiente para defender que uma qualquer multinacional beneficiasse de regras diferentes para o exercício da mesma actividade.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

É óbvio, mas não queremos ver

Vivemos um tempo muito conturbado e qualquer previsão que façamos, irremediavelmente, seremos remetidos para um resultado nada auspicioso. No nosso caso é a dívida pública e privada que teimam em não descer. O emprego e o desemprego mantêm-se em níveis preocupantes em resultado de uma economia que cresce anemicamente, em média nos últimos quinze anos abaixo de 1% ao ano.
Todavia, mais de metade da população portuguesa não prescinde de invocar os direitos até aqui conquistados. Não estou contra isso, e, muito menos me coloco numa posição de julgar a legitimidade das suas reivindicações. Faço, no entanto, uma pergunta: Se o dinheiro é cada vez menos e custa mais caro, como é que o Estado poderá ir ao encontro destas pretensões sem deixar de contribuir para uma sociedade cada vez mais desigual.
Com efeito, vivem em Portugal mais de dois milhões de pessoas no limiar da pobreza. Têm acesso ao mínimo. Por isso, o mal não reside nos ricos como defendem o Bloco de Esquerda e o PCP. Para termos uma sociedade menos injusta e menos desigual, os ricos devem ser muitos e os pobres cada vez em menor número. Deste modo, a equação certa e acertada é aquela gera mais riqueza e consequentemente mais pessoas a viver melhor. O oposto a isto, é a nivelação por baixo das sociedades. Todos pobres.
Pelo que o orçamento de Estado irá num de dois caminhos. O da pobreza que através do aumento da carga fiscal, sobretudo, dos impostos indiretos; IVA, Tabaco, Combustíveis e Vinho, o Estado recadará mais receitas para distribuir pelas corporações que têm força na sociedade e fazem-se ouvir. Ou então, um orçamento que seja facilitador do investimento, com uma visão de médio e longo prazo, que defenda a estabilidade fiscal.
Penso, contudo, que, a solução governativa no ativo, irá pela primeira solução em nome da sua sobrevivência politica e da obtenção de um resultado eleitoral favorável nas próximas eleições legislativas. Só que esta forma de fazer política levar-nos-á para uma vida que todos, malogradamente, bem conhecemos. A crise financeira e a TROIKA. Será que a memória coletiva é demasiado seletiva que a impede de ver o óbvio.

José Policarpo (na radio diana)

Espectáculo na Feira de Castro junta Vitorino, Janita, Pedro Mestre, Ganhões e o Grupo de Violas Campaniças


Na sexta-feira à noite, 14 de outubro, o Espetáculo Comemorativo da Feira de Castro 2016 junta, no Cineteatro Municipal de Castro Verde, a partir das 21h30, 3 Vozes à Campaniça – Vitorino, Janita Salomé e Pedro Mestre.
A Vitorino e Janita Salomé, cantadores que, desde muito cedo, contribuíram, através do seu canto e da sua música para a divulgação do Alentejo, junta-se Pedro Mestre e a sua viola campaniça, instrumento de eleição do Baixo Alentejo, para um momento musical onde se ouvirão temas do repertório dos três músicos com base em recolhas do Cancioneiro Tradicional, do Campo Branco à Serra D’Ossa, das modas de baile, ao cante da margem esquerda e saias do Alto Alentejo.
Para além destes nomes incontornáveis da música tradicional portuguesa, o espetáculo traz ainda a palco os Ganhões de Castro Verde, o Grupo de Violas Campaniças, a fadista Mafalda Vasques, e contará com alguns momentos de poesia popular e tocadores de harmónica.
O espetáculo acontece pelas 21h30 e tem entrada livre. A organização é da Câmara Municipal de Castro Verde, em colaboração com as Associações de Cante Alentejano “Os Ganhões” de Castro Verde e “Os Cardadores” da Sete. (nota de imprensa)

À atenção da Câmara Municipal de Évora: não se consegue comunicar a leitura de água no v/site!

para:balcaounico@cm-evora.pt
cc:cmevora@mail.evora.net,
cmevora@cm-evora.pt,
presidencia@mail.evora.net,
cincotonalidades@gmail.com
data:11 de outubro de 2016 às 20:19
assunto:Comunicação da leitura de água

Ex.mos Senhores

Afinal o que se passa com o v/site para a comunicação da leitura da água:
É que clicar na opção (Comunicação de Leituras)














Ainda que surja em rodapé o link:
balcaounico.cm-evora.pt/form_leitutras.htm      (tutras???)
  





E de imediato apareça o ecrã para a comunicação das leituras de água, o certo é que nem 2 segundos passaram e este é substituído pelo ecrã seguinte
















Ora como eu não quero de forma alguma adicionar nenhum pedido à CME, mas somente comunicar a leitura do meu consumo de água,
e já lá vão quase alguns dias que alertei, via e-mail para a anomalia (um pouco diferente desta, diga-se de passagem), a verdade é que o problema subsiste.
Pergunto, para quando a regularização deste pequeno/grande problema.
Será assim tão difícil retirar a linha de programação que está a redireccionar a página das leituras para a página das reclamações?
Ou trata-se de pura e simplesmente de incompetência dos v/serviços de Informática, ou pelo contrário, não haverá interesse que os Munícipes possam
inserir as leituras do seu consumo de água, é que se assim for, melhor seria que retirassem essa opção do v/site.
Informo que irei dar conhecimento deste e-mail aos blogues cá do burgo.

Com os melhores cumprimentos
(Manuel P. Garcia)

recebido por email

Os ninhos de vespas

A proposta e incentivo de nomeação directa de António Guterres para o mais alto cargo da ONU foi uma boa notícia para Portugal e para o Mundo.
Foi um caminho longo bem trilhado, avaliando as próprias competências e disposição para exercer os cargos a que se propôs, mesmo no passado. Jogando o jogo pelas regras certas e claras de servir na política até onde lhe fosse possível, sem atingir a incompetência com dano para aqueles a quem sempre teve como princípio isso mesmo, servir. Está de parabéns e, na minha opinião pessoal, terá condições para desempenhar muito bem um papel que, podendo trazer diferenças, poucas mudanças poderá fazer ao rumo da Humanidade. Se sendo poucas forem importantes, já a Humanidade terá também ganho com a sua eleição, ou melhor nomeação.
Ao longo do processo incomodou-me, mas ainda assim não ao ponto de me encanitar, a conversa à volta de “ser a vez de uma mulher”. Primeiro, porque até podia ser verdade, se as qualidades daquelas mulheres equivalessem às dos seus concorrentes homens. Não que eu seja contra as quotas de género, que poderão até dar para um e outro lado, em lugares de gestão. Até por uma questão de representação da comunidade que se gere. Mas depois, e sobretudo, porque isso deu logo oportunidade a uma tentativa de golpada, estava bom de ver, por quem achava que uma questão de género se resolve assim, só porque sim. Foi bem reveladora de uma forma atabalhoada de lidar com coisas sérias da política maior, e ainda mais de uma manipulação, ou tentativa de, em nome de uma espécie de populismo que embarca, lá está, nisto de “ser a vez de uma mulher”. E ter havido uma mulher a prestar-se a isso foi, em meu entender, degradante e sinal de um retrocesso num caminho progressista em que a igualdade de género integrasse as rotinas dos povos.
Não sendo eu, por exemplo, particularmente apreciadora da personalidade de Hillary Clinton, teria preferido Bernie Sanders do lado dos Democratas, não se pode dizer que, com mais ou menos rasteiras que possam ter sido cometidas pelo seu aparelho, não esteja a levar o seu trilho com todas as etapas normais de um candidato, sendo uma candidata. Há referências ao género, claro, como aos seus assuntos privados que se tornaram públicos. Como houve à cor da pele e origens muçulmanas de Obama. Como há a de mulherengo-misógino e espalhafatoso novo-riquismo de Trump. Para alguns, estes detalhes serão condicionantes para não merecerem o cargo e, apesar dos epítetos que atribuí a Donald, usá-los é tão mau como dizer que só por ser mulher terá de ser Clinton a suceder a Obama.
Passes como este de Kristalina Georgieva, a que Merkel também não é alheia, põem-me logo a imaginar um ambiente em que uma espécie de vespa-rainha se predispõe, põe e dispõe, a usar todos os seus recursos, inclusive os intelectuais e que parecem passar a ser definidores de género, ao serviço de um enxame, até misto, da mesma espécie e com uma empolada e inegável ambição. A ambição que é, também, uma característica óbvia e não forçosamente condenável, a alguém que pretenda exercer um cargo que, mais do que direitos, traz sobretudo enormes responsabilidades para as quais se tem de ter mais competências dos que as definidas pelo número de cromossomas X ou Y. Gente assim não presta um bom serviço ao género e, muito menos, à espécie humana. Podem bem construir o seu ninho de vespas e manter à distância os que não se querem picar.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Respeitar Quem Mais Trabalhou

O debate, a discussão e a preparação do Orçamento de Estado para 2017 está na ordem do dia.
A construção de um Orçamento de Estado implica escolhas políticas e ideológicas. Sabemos bem quais foram as escolhas da direita: destruição do Estado Social, desvalorização do valor do trabalho e desrespeito por quem trabalhou toda uma vida. 2016 foi um ano de reposição de alguns dos direitos: reposição de feriados, fim da sobretaxa do IRS, descida do IVA da restauração, aumento do salário mínimo, reposição dos salários na função pública, reforço do Complemento Solidário para Idosos, Rendimento Social de Inserção e Abono de Família, ...
Mas depois de tanta destruição, sabemos que o que foi alcançado em 2016 é, ainda, curto. Assim, 2017 deverá ser não só um ano de continuação de retoma de direitos cortados, mas de aumento real do rendimento de quem menos tem.
Um país digno é um país que sabe respeitar quem trabalhou toda uma vida. É, portanto, essencial que se aumente o rendimento a tantos pensionistas que vivem abaixo do limiar da pobreza.
É tempo de escolhas... É tempo de definir o que entendemos por justiça... Eu sei de que lado estou, e entendo da mais elementar justiça pedir aos 1% mais ricos que participem no esforço de aumentar o rendimento a um milhão de pensionistas pobres.
Basta de apoiar quem mais tem e reforçar os privilégios abusivos das empresas privadas na área da saúde e energia. É mais do que tempo de inverter o caminho da destruição e apoiar quem mais precisa e reforçar o Estado Social. Este deve ser o lema do próximo Orçamento de Estado.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Assembleia Municipal: bancada da CDU faz "recomendações" à CME para a limpeza e higiene da cidade....



O tema da limpeza de Évora dominou grande parte da sessão da Assembleia Municipal de Évora de 30 de Setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, com a CDU e o PS a apresentarem moções a ele referentes.
Mereceu aprovação unânime a recomendação que teve como primeiro subscritor Nuno Cabrita (CDU). Nesta, a Assembleia deliberou através de um conjunto de 11 pontos “O incremento urgente dos padrões de limpeza e higienização; o reforço dos meios materiais e humanos; das ações de higienização junto aos contentores e depósitos de resíduos urbanos; do número de depósitos de recolha de resíduos, sua lavagem e higienização; da lavagem dos veículos de recolha de resíduos domésticos; e de ações de controlo de pragas em meio urbano e de herbáceas”.
Recomendou igualmente “o reforço de campanhas de sensibilização; da fiscalização; da capacidade e qualidade de recolha dos resíduos dos estabelecimentos comerciais; da quantidade e qualidade das casas de banho públicas; da quantidade e qualidade da informação disponível sobre a matéria; e da sensibilização e fiscalização sobre proprietários de canídeos e gatídeos”.
Uma moção sobre a limpeza de Évora, cujo primeiro subscritor foi Bernardino Páscoa (PS) obteve 31 votos a favor (PS, CDU, PSD e BE) e 1 abstenção (CDU). Nesta moção defendeu-se que “compete ao município promover o debate sobre a temática e garantir uma política ambiental para a cidade que não pode esquecer três áreas: o debate e a investigação, a educação para a cidadania e a definição concreta dos limites da responsabilidade municipal e particular sobre a matéria” Esta política ambiental “passa não só pela higiene e limpeza, mas também pela gestão do trânsito e da política local de requalificação urbana”.
Uma moção sobre a necessidade de parques infantis adaptados para crianças com deficiência, apresentada por Bruno Martins (BE), foi aprovada por unanimidade. Assim, a Assembleia delibera “recomendar à Câmara de Évora a realização de uma avaliação às condições de funcionamento, acessibilidade e manutenção dos equipamentos dos parques infantis que se encontram sobre a responsabilidade desta; exortar a Câmara a proceder a uma calendarização tendo em vista a adaptação dos parques infantis a crianças com deficiência; e recomendar à Câmara que a zona circundante dos parques infantis seja adaptada a pessoas com deficiência (estacionamento, piso rebaixado, pavimento adequado…)”.
A deliberação acerca da Alteração ao Mapa de Pessoal, aprovado para o ano de 2016, foi aprovada por unanimidade. Decorre das possibilidades abertas pelo Governo para contratação de algum pessoal no próximo ano civil e lectivo. Centra-se na criação de lugares para auxiliares de ação educativa, cantoneiros de limpeza, jardineiros e ainda para alguns assistentes operacionais da Divisão de Cultura e Património, que já exerciam funções em contrato precário e agora passam a permanentes.
Foi aprovada com 19 votos a favor (CDU, PSD e BE) e 13 abstenções (PS) a deliberação sobre o Projeto de Alteração da Tabela de Taxas e Outras Receitas do Município de Évora.
O Presidente da Câmara de Évora deu conhecimento da atividade do Município nos meses de Junho, Julho e Agosto, bem como da situação financeira. Informou da aprovação do Plano de Saneamento Financeiro e das suas vantagens para o Município e da dívida exigida pela Autoridade Tributária pela forma de cálculo do IVA das faturas da água no período entre 2005 e 2011. A câmara já negociou o valor da multa e o prazo de pagamento, que será a feito em prestações e faseado, o que contabilizando multa e juros ascende a cerca de dois milhões de euros.
Outros temas alvo que deu conhecimento foram a limpeza pública, a visita a Évora de empresários franceses da aeronáutica e a entrada em funcionamento do Complexo Desportivo. Diversos membros da Assembleia colocaram ainda questões que foram respondidas pelo Presidente. (nota de imprensa da CME)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Eufemismos

Recentemente um dos muitos especialistas em economia (daqueles que sabem exactamente como resolver uma crise, embora nunca tenham resolvido nenhuma) afirmou, perante a indignação geral, que “500 mil euros não é uma fortuna. É o mínimo que um casal responsável da classe média tem de ter acumulado para complementar a parca reforma que vai receber na velhice.”
Muita da indignação suscitada tem a ver o facto de muita gente que ganha mil euros por mês se considerar da “classe média”, fugindo do estigma da palavra pobreza, que se colará aos que ganham quinhentos euros.
Por sua vez, os que ganham quinhentos euros também se reclamam da classe média fugindo dos parâmetros dos que sobrevivem com salário de part-time, com rendimentos sociais de inserção, pensões de sobrevivência e outras prestações sociais.
Claro que para todos estes é, no mínimo, insultuoso dizer que “um casal responsável” da “classe média” poderá acumular durante uma vida de trabalho qualquer coisa como meio milhão de euros, tendo pago a educação dos filhos, a casa, a alimentação, a cultura, o desporto e todas as despesas que lhes batem à porta todos os dias.
O homem disse várias alarvidades ao longo do texto, mas a que incomodou mais a “classe média” foi aquela que a fez olhar ao espelho e perceber que, afinal, são todos da “classe baixa” com diferentes graus de proximidade com a indigência.
Foi um mau serviço que o consultor financeiro prestou aos que lhe pagam. Se há coisa que o sistema precisa de garantir, para que não haja convulsões, é a existência dessa maioria de pessoas que se sentem no meio de uma inventada escala social, culpando os que estão abaixo pela sua condição de pobreza. Não é por acaso que os mais acérrimos detractores da existência de prestações sociais do género do Rendimento Social de Inserção, são os que se julgam num qualquer ponto de equilíbrio entre os ricos e pobres.
Nada disto é novo e os que se lembram dos tempos do fascismo têm seguramente presente que, apesar da imensa pobreza, toda a gente se dizia remediada.
O anterior governo, com as suas políticas de empobrecimento de quem vive do rendimento do trabalho, acabou por trazer à evidência que a denominada “classe média” não passa de uma ficção, de um certo conforto moral, para aqueles cujo rendimento lhes permite viver acima da indigência. Temos por isso hoje coisas estranhíssimas, como protestos contra a possibilidade de impostos agravados sobre quem tem património imobiliário acima do meio milhão de euros, porque é um ataque à classe média, e temos protestos contra a recuperação de rendimento do trabalho dos que têm salários mais altos, porque se irá favorecer os que menos precisam.
A “classe média” é isto e dá para tudo. Até para que se consigam obter resultados de referendos como na Hungria ou na Colômbia.

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

Estreia hoje em Évora, no Teatro Garcia de Resende


Projetar o futuro em nome do passado!

No próximo dia 26 de Novembro comemora-se o trigésimo aniversário da classificação de património da humanidade, atribuída ao centro histórico da nossa cidade. Não restam dúvidas, para mim tão pouco, que este acontecimento foi aquele que mais impacto teve na cidade de Évora, sobretudo ao nível económico e com os resultados financeiros conhecidos.
Na verdade, nos últimos trinta anos o património da cidade Évora fora dado a conhecer aos “quatros cantos” do mundo. Por isso, o setor do turismo ganhou uma preponderância muito significativa na economia local. Évora deixou de ser conhecida exclusivamente pelo Templo “Diana”, pela capela dos ossos e pelos seus bons restaurantes. Passou, também, a ser conhecida pela oferta hoteleira e pela sua indústria. Ambas de grande qualidade. Mas ainda é pouco.
Ora, devemos todos contribuir para potencialização económica da nossa cidade e do nosso concelho. A quem nos visita temos de lhes oferecer mais coisas, para que possam ficar cá mais tempo e com isso gastarem mais dinheiro. A classificação de património da humanidade deverá ser o mote da internacionalização real da nossa cidade. Deste modo, na minha opinião, estamos todos convocados para a concretização deste objetivo.
Relativamente ao papel da Câmara municipal na sua concretização, ele deverá ser instrumental. Um meio, portanto. Significando isto, que os vários departamentos que constituem o Município deverão estar mobilizados para a realização das suas atribuições e competências no interesse dos cidadãos e das empresas. Só assim se justificará a sua existência.
Dito isto, não me parece razoável aceitar que a Câmara municipal de Évora não consiga manter a cidade num estado aceitável de asseio. A limpeza para além de constituir um pressuposto para o bem-estar e saúde de uma qualquer comunidade, na nossa cidade, a falta ou a deficiente limpeza, significa um dano absolutamente irreparável na sua imagem.
Em conclusão, devemos, portanto, neste caso em particular, exigir à Câmara Municipal de Évora que cumpra a sua função e que planei a sua atuação no sentido de precaver as situações e não refugiar-se em argumentos gastos e incompreensíveis como o aumento de pessoas que visitam a nossa cidade, avaria de carros e as férias dos funcionários.

José Policarpo (crónica na radio diana)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Correio da Manhã noticia que alunos de Escola da Malagueira foram transportados para o Hospital de Évora com "sintomas de indisposição"


Dez alunos da escola Básica Manuel Ferreira Patrício, em Évora, foram esta manhã hospitalizados devido a sintomas de indisposição. As causas, segundo as autoridades locais, são ainda desconhecidas. Sabe-se que seis das crianças são da mesma sala do sexto ano. O alerta foi dado pelas 12h30, ainda antes do almoço, altura em que os alunos se queixaram de vómitos. Foram assistidos pelos bombeiros e pela equipa da VMER de Évora e transportados para o hospital desta cidade. No socorro às vítimas participaram 12 operacionais, apoiados por sete viaturas.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Parques infantis adaptados para crianças com deficiência

Em setembro de 1990, Portugal ratificou a Convenção Sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas em novembro de 1989.
De acordo com a Convenção uma criança é “todo o ser humano menor de 18 anos, salvo se, nos termos da lei que lhe for aplicável, atingir a maioridade mais cedo”.
A todas as crianças é reconhecido o direito ao repouso, aos tempos livres e a participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade, devendo os estados respeitar e promover estes direitos bem como o acesso em condições de igualdade (Artigo 31.º).
Às crianças com deficiência é assegurado o direito a uma vida plena e decente em condições que garantam a sua dignidade, favoreçam a sua autonomia e facilitem a sua participação ativa na vida da comunidade.
Uma parte essencial do desenvolvimento da criança passa pelo direito a brincar, como a própria Convenção reconhece. Para que tal direito se possa concretizar, o Estado deve promover condições que permitam a efetivação desse direito, seja em parques infantis, jardins, parques recreativos ou outras infraestruturas de apoio à infância.
Sendo certo que muito se tem progredido no que concerne à disponibilização de parques infantis com condições adequadas para as crianças e que garantam a sua segurança, há ainda muito a fazer para assegurar a existência de parques infantis que permitam que todas as crianças possam lá brincar.
De facto, são ainda muito poucos os parques infantis inclusivos, permitindo a sua utilização por crianças com deficiência o que conduz a uma evidente discriminação: crianças com deficiência é-lhes coartado o direito a brincar nos parques infantis, condenando-as a ver outras crianças brincar.
É necessário encarar esta realidade de frente e fazer o caminho que é premente de garantir, desde a infância, a inclusão das crianças com deficiência. E não se inclui excluindo estas crianças de contextos recreativos e lúdicos, como são os parques infantis.
As Câmaras Municipais têm aqui um papel determinante devendo ser promotoras de inclusão e não agentes que fomentam a exclusão; garantir a existência de parques infantis acessíveis é um passo fundamental no longo caminho da inclusão que tem que ser feito.
Neste sentido, o Bloco de Esquerda exortou, na última Assembleia Municipal, a Câmara Municipal de Évora a proceder a uma avaliação dos parques infantis da sua responsabilidade, identificando condições de acessibilidade e procedendo a uma calendarização tendo em vista a adaptação dos parques e equipamentos de modo a que sejam adaptados a crianças com deficiência.
Felizmente a recomendação foi aprovada por unanimidade. Mais um passo em frente no longo caminho da inclusão.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)