segunda-feira, 4 de julho de 2016

Évora S.A.

No passado dia 24 de Junho, o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Évora afirmou em entrevista à Rádio Campanário que a conclusão do Évora Shopping, centro comercial que está em construção na zona industrial, não é incompatível com a existência de um Centro Comercial às Portas de Avis, dado que são projectos com dimensões diferentes.
Um executivo que sempre disse que não promovia centros comerciais, que sustentou a decisão de venda de terrenos municipais para a construção de um grande empreendimento comercial num estudo que diz claramente que apenas um centro comercial é viável, vem agora defender claramente e publicamente a existência de dois centros comerciais.
Esta foi uma das razões que me levou a questionar o Sr. Presidente da Câmara na última reunião da Assembleia Municipal. Não me faz qualquer sentido que depois de apoiar a decisão de venda de terrenos municipais à porta do Centro Histórico num estudo que diz que apenas é viável uma grande superfície comercial em Évora, estando esta viabilidade condicionada a várias condições, o executivo municipal venha agora defender a existência de duas superfícies comerciais de grandes dimensões. Triste figura que foi feita pelo Sr. Presidente, que traiu a palavra dada aos munícipes, e que na mesma entrevista surge a afirmar que espera que os terrenos sejam vendidos. Utilizar uma entrevista para tentar vender terrenos é estranho. Muito mais estranho é promover a venda depois de ter afirmado uns meses antes que apenas um centro comercial é viável.
Aproveitei, ainda, para questionar Carlos Pinto Sá sobre a entrevista que deu ao jornal Expresso a 2 de Abril deste ano onde afirmou de forma categórica que a venda de terrenos para este fim só avançou porque após discussão pública apurou-se que a população preferia ter um centro comercial junto ao centro histórico. Para quem esteve em todas as sessões públicas promovidas pela Câmara Municipal e pelo grupo Pro Évora, a única conclusão possível a retirar é exactamente a oposta. É, realmente, incrível como conseguiu o executivo chegar a esta conclusão e fazer tal extrapolação!
Era de esperar que todo este filme desse para o torto. A decisão de viabilizar, pela venda de terrenos, um centro comercial às portas do centro histórico era questionável. Decisão tanto mais questionável quando a licença de construção de um outro Centro Comercial no Parque Industrial da cidade se encontrava válida e, apesar da obra se encontrar parada, já circulavam rumores de que haveria interessados no seu relançamento.
Perante estas e outras perguntas, o Sr. Presidente foi prepotente e recusou-se a responder à maioria delas. Apenas afirmou que a Assembleia Municipal já tinha aprovado a venda de terrenos e que o assunto estava encerrado. Lamento imenso esta atitude e esta irresponsabilidade. Lamento porque ainda iríamos a tempo de evitar o descalabro para a cidade, para o seu ordenamento, comércio local e dinâmicas do Centro Histórico. Lamento que esta atitude possa levar a que um grupo grande de cidadãos e cidadãs possa vir a ter razão tarde de mais.
É tudo demasiado incompreensível à luz de uma governação local de esquerda.
Até para a semana, esperando sinceramente que para a semana já não sejam três os centros comerciais que o executivo acha viáveis.

Bruno Martins (cronica na radio diana)

6 comentários:

  1. Isto de se ser do contra, só porque se tem que ser mais teimoso que o próximo, é a melhor e mais rápida forma de se cair em descrédito. Então mas afinal, porque não havemos nós (eborenses) de ter dois centros comerciais? Se apenas existir um, este, porque é o único e detém o monopólio na sua zona, pode praticar os preços que quiser, e sentar-se à sombra do chaparro, pois sabe que, quem quiser ou tiver a necessidade, terá obrigatoriamente de ir comprar ali. Se existirem dois, passaremos a ter opção de escolha, o que os obrigará a uma constante tentativa de se tornarem mais atractivos que o concorrente, trazendo assim claros benefícios para quem é cliente. Quem não percebe isso?
    Por isso, parem de ser mesquinhos, e deixem lá isto avançar, se faz favor. Os eborenses agradecem...

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  2. Segundo a Plataforma transgénicos FOra(altamente cancerígenos) só o hipermercado. Minipreço está isento de produtos geneticamente modificados, vamos boicotar as grandes superfícies que nos ajudam a contrair cancro, modelo
    , Pingo doce e lidl vendem esse veneno a rodos

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  3. é "in" ser do contra. viva o bloco

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  4. «Não me faz qualquer sentido que depois de apoiar a decisão de venda de terrenos municipais à porta do Centro Histórico num estudo que diz que apenas é viável uma grande superfície comercial em Évora, estando esta viabilidade condicionada a várias condições, o executivo municipal venha agora defender a existência de duas superfícies comerciais de grandes dimensões.»

    Triste figura faz o Bruno e o Bloco de Esquerda, pois teimam em não perceber que o que regula e define o que se pode fazer na cidade de Évora é o Plano de Urbanização, aprovado e publicado em Diário da República. E o referido Plano, prevê a construção de um CC nas portas de Aviz.
    Ora não me consta que o BE tenha votado contra o Plano de Urbanização por esse motivo, nem me consta que reclame a alteração do PU para propor um novo uso para esse espaço. Donde, concluo, limita-se a entrar no jogo da politiquice barata.

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  5. Tenho pena que não lhe possa responder utilizando o seu nome. Não sei se o hei-de tratar por senhor ou senhora, ou por senhor ou senhora funionária partidária.
    Depreendo que tenha alguma informação sobre os assuntos, pena que a utilize de forma tão baixa e falaciosa.
    O Bloco de Esquerda votou contra as últimas alterações do PU, como pode consultar na acta: http://www.evora.net/ame/actas/a2011/a20110429.pdf
    Imagine que até alertámos para o perigo de transformar espaços rurais à volta de centro histórico para espaços urbanos que permitam a construção desenfreada. Votámos contra, tal como a CDU o fez. Mantemo-nos firmes nas nossas exigências, e infelizmente termos apenas um eleito na AME não nos permite lançar a possibilidade de alterar estes Planos. Mas lançámos e lançamos esse desafio ao executivo.
    Não costumo responder a anónimos, mas como o perfil destes "anónimos" começa a ser fácil de desvendar, decidi responder-lhe.
    Um abraço. Gosto que me desafiem, que contestem as minhas ideias. Gosto do debate. O que não gosto é de mentiras e que atirem areia para os olhos do povo
    Bruno Martins

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  6. O problema de Portugal é ter a mesma quantidade de população de Paris , mas tem mais políticos e aspirantes a políticos do que a França toda contempla , grande negócio a política em Portugal , rabisca-se um acordo nas casernas entre partidos e depois cá fora andam constantemente à catanada uns aos outros ... o que interessa é irem todos comendo da mesma panela da Função Pública ... o Estado Português é uma grande mãe não filha da mãe !

    Jorge

    ( ciclista )

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