quinta-feira, 30 de junho de 2016

Évora: houve ou não propostas para a compra dos terrenos nas Portas de Avis?


Afinal ficou ou não deserto o concurso para a venda dos terrenos para a construção de um centro comercial nas Portas de Avis? Pelo menos é este o rumor que corre pela cidade. O edital do concurso foi publicado no passado dia 24 de Fevereiro e o prazo esgotava-se 90 dias depois - o que já aconteceu. Hoje reúne a Câmara e a Assembleia Municipal. Aguardam-se os devidos esclarecimentos, em nome da transparência que deve reger a actividade autárquica.

Fotógrafo alentejano Nuno Veiga com fotografias de campos de refugiados espalhadas por Lisboa


12 cartazes com fotografias do jornalista alentejano Nuno Veiga estão expostos em 30 mupis espalhados pelas ruas de Lisboa. São fotos de crianças refugiadas com os sorrisos possíveis, feitas em curtas visitas por este repórter fotográfico a dois campos de acolhimento a refugiados no Líbano, ao serviço da Agência Lusa. Esta mostra é organizada pela Plataforma de Apoio aos Refugiados. (http://www.refugiados.pt/)
Parabéns Nuno, e que as fotos possam ajudar a causa dos refugiados!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

PARA REFLECTIR


António Gala, ex-toureiro, nascido em 1937, escreveu, na crónica dominical do Jornal "El País", a 30 de Julho de 1995 um artigo, no qual confessava a sua "Conversão" ao anti-taurismo: " E de repente (o touro) olhou para mim. Com a inocência reflectida nos olhos, mas também implorando. Era a revolta contra a injustiça inexplicável, a súplica face à crueldade desnecessária..."

"A comiseração com os animais está intimamente unida com a bondade de carácter, que se pode afirmar que quem é cruel com os animais não pode ser boa pessoa" - Schopenhauer.
Só os psicopatas gozam com os sofrimento dos outros, quer animais quer pessoas...
Tu és um deles? Reflecte!
O toureio é uma tradição degradante, que como qualquer outra semelhante teve e terá o seu tempo e como tal não deve continuar...
O povo culto e mais instruído acabará com ela.
A corrida de touros é matar por diversão...
A festa taurina não é uma arte, como se diz, é a ciência da tortura.
E nada na festa brava é genuíno excepto a dor...

A. Gomes

Diz-me com quem andas…

O resultado das eleições gerais em Espanha deste domingo, não veio por fim às dificuldades existentes para a constituição de um governo com o apoio maioritário no parlamento.
O partido popular embora tenha ganho e reforçado o resultado face às eleições de Dezembro de 2015, continuará a necessitar do apoio do partido socialista operário espanhol, para formar governo. Deste modo, podemos afirmar, que, neste particular, as coisas pouco ou nada mudaram do ponto de vista formal.
Porém, a situação politica em Espanha mudou consideravelmente com o reforço do número de deputados obtido pelo Partido Popular, mais catorze do que aqueles que teve em Dezembro último. E, por isso, do meu ponto de vista, este facto contribui para alterar o panorama político em Espanha. Por outro lado, o resultado obtido pelo podemos e a esquerda unida, que, juntos mantiveram o resultado tido em Dezembro, também, coloca o partido popular numa posição mais favorável nas negociações para a formação do futuro governo espanhol
Assim, pela leitura que faço das declarações do líder do PSOE proferidas no rescaldo do acto eleitoral afirmando que o reforço politico do PP deveu-se à forma inadequada e populista como o líder do podemos terá conduzido as negociações para a formação de um governo com base nos resultados das últimas eleições. Estou, com efeito, em crer que o podemos ficará totalmente de fora de qualquer entendimento para uma solução de governo. O sectarismo e o populismo são, portanto, os grandes derrotados nestas eleições. Não há outra leitura, pelo menos séria, a fazer.
Neste contexto, há outra leitura que é possível fazer. O eleitorado espanhol derrotou o populismo demonstrando uma grande maturidade política. Se quisermos fazer um paralelismo com a realidade politica portuguesa, impõe-se fazer a seguinte pergunta: Sendo o bloco de esquerda muito próximo do podemos e apoiante da solução governativa portuguesa, quanto tempo demorará o partido socialista a perceber que não está bem acompanhado? A última convenção do bloco de esquerda, no passado fim-de-semana, demonstrou à saciedade que não quer o Euro, que não quer a união europeia. Por isto tudo, duvido, até, que, saiba o que pretende, para o nosso país.

José Policarpo (crónica na radio diana)

terça-feira, 28 de junho de 2016

Vergilio e a Feira

O calor a aquecer-nos desta maneira e o final de um ano antes das regulamentares férias, para alguns, parece que nos tornam mais preguiçosos… É por estas alturas que quem visita o Alentejo percebe alguns dos seus ritmos, injustamente caracterizados em caricaturas que, com um pouco mais de atenção ao que por cá se passa, bem podiam ser mais perspicazes a apontar outras características. Porque as há, naturalmente.
Esta “preguicite” não nos entope o pensar e o ler, o sentir e o lembrar. E foi por isso que me socorrendo de um precioso documento que uma Amiga, precocemente desaparecida, elaborou entre Dezembro de 2012 e Julho de 2013 ao serviço da Câmara Municipal de Évora, e intitulou “Évora na literatura: contribuições para uma antologia”, mais uma vez me encosto à pena de Vergílio Ferreira, tornando-o, mais do que inspiração, quase co-autor da crónica de hoje. Aliás convém dizer que, em vários “lugares e plataformas” da Cidade e da estratosfera, algumas palavras de Vergílio – as que estão no capítulo 25 de Aparição, foram lidas e dadas a ler no passado dia 23, dia da Noite de São João e da inauguração, também este ano, da Feira com o nome do santo.
Das contribuições compiladas por Maria Ludovina Grilo, chega-me o Verão de Évora que diz assim, tão parecido com o deste ano: «O Verão chegou à cidade como uma explosão. Maio viera sereno, com alguns dias de chuva, continuando quase o Inverno. A chuva desapareceu, o tempo estabeleceu-se em acalmia. No pátio do Liceu as quatro árvores reverdeceram. (…) Ao fim das aulas divago pelo jardim público para ouvir os pássaros. Pelos túneis de sombra os mióporos espargem florezinhas brancas como numa apoteose. (…) Sento-me, reconciliado, nos bancos de azulejos, fechados em recantos clandestinos, vou visitar Florbela, olho-a de um banco de madeira que lhe fica em frente, medito com ela.»
Da fonte directa, o romance Aparição, não voltarei a citar os excertos do dito capítulo que o narrador, alter-ego de Vergílio já longe ficcionalmente no espaço e no tempo em que esteve em Évora, recorda a Feira de São João, que descreve muito expressivamente, mostrando o quão bem conheceu Évora e os Eborenses. Retiro só o que disse do dia de outro santo, esse que marca o feriado municipal e dá o Dia da Cidade a Évora, e já serviu, em tempos mais recentes, para que os que gerem a Cidade e o Concelho homenageassem com magnanimidade os cidadãos que fizeram de alguma forma a diferença na Cidade, reconciliando até entre si os que, em nome da Cidade, aceitam, magnanimamente também, ultrapassar diferenças. E diz assim, o romance: «É dia de S. Pedro?, o dia “chique”? Já não sei. A multidão ferve rodando em torno de si, como se toda a feira fosse um enorme carrocel.»
Pois é, digo eu, de repente já tudo é um carrocel que parece fazer alguns, um pouco tontos, esquecerem-se de que há momentos em que se pode parar e marcar diferenças com gestos magnânimos. Não negativamente, suspendendo a festa, até porque fazê-lo é uma desconsideração para com os que antes foram considerados mulheres e homens de valor para a Cidade.
Estas linhas de literatura e pensamento estão ali, fechadas num volume das muitas edições de Aparição, a lembrar-nos do que é uma feira, do que é Évora, do que é a Feira de São João em Évora. Está ali durante o ano todo, ano após ano. E cada leitura é celebrar o autor, mas também os lugares de que fala. Fora das páginas do livro, há quem queira e possa também lembrar todo o ano a Feira de São João deixando o seu estaleiro montado o ano inteirinho, ali a um cantinho da muralha património, em frente a uma Escola como se de umas traseiras quaisquer se tratasse, esperando – e conseguindo, às tantas! – que ninguém repare nele, já que se disfarça quando se cerca o Rossio, para receber os mercados, ou se o engalana, para receber a Feira.
Votos de que se divirtam nesta Feira de São João 2016, que eu tento fazer o mesmo… o ano inteiro.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Estranho Negócio em Estremoz

Gostaria hoje de vos falar sobre um negócio vergonhoso que está a decorrer em Estremoz. A Câmara Municipal de Estremoz decidiu alienar um Monumento Nacional – a Antiga Casa do Alcaide Mor do Castelo de Estremoz – através de venda em hasta pública.
Infelizmente, este edifício, de elevado valor cultural, histórico e arquitectónico, está num estado lastimável, por falta de intervenções de recuperação que já deveriam ter sido efectuadas por este município.
Em vez de procurar defender este Monumento Nacional, a Câmara Municipal de Estremoz decidiu vendê-lo. A arrematante, a Iris Holding Group, Realizou um pagamento inicial de €29.700, correspondente a 10% do valor total, com um cheque sem provisão, facto relevado pela Câmara que concedeu um novo prazo para que o cheque tivesse provimento. No entanto, apesar de não ter sido respeitado o novo prazo por parte do arrematante, a CM Estremoz não anulou a venda, que se mantém efetiva.
Tudo isto já seria chocante, mas esta é uma empresa de fachada, com sede numa caixa postal de paraíso fiscal e sucursal em Estremoz, num prédio devoluto! Ou seja, estamos perante a venda de um Monumento Nacional a uma empresa cuja actividade nada se sabe, cuja sucursal em Estremoz é uma farsa e que efectuou um pagamento com um cheque sem provisão.
Parece que estes factos não chegam ao Município para anular o negócio. Felizmente, e confrontado com a estranheza do negócio, o Bloco de Esquerda questionou o Ministro da Cultura, sobre o entendimento do Governo relativamente à venda de um Monumento Nacional, sobre a forma como avalia as circunstâncias da realização do negócio e se pretende interceder, junto da Câmara Municipal de Estremoz, no sentido da sua anulação.
Espero que este negócio seja rapidamente anulado e que este Monumento se possa manter sob o domínio público, havendo uma recuperação do mesmo.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Évora: Comunicado do BE e do Cantinho dos Animais sobre o regulamento da Feira de São João


O futebol e o país (22 de Junho)

O país futebolístico anda desanimado com o desempenho da seleção Lusa em terras gaulesas. Ronaldo e os seus companheiros de seleção demoram no acerto, mas estou certo, que, o jogo de hoje trará um novo alento à nação Lusa. Logo teremos a melhora seleção do mundo. Logo, afinal, somos os melhores do mundo e mesmo aqueles que até ao momento dizem mal de tudo e de todos, juntar-se-ão à turba orgulhosa.
Acontece que o país será o mesmo independentemente do resultado. Percamos ou ganhemos um lugar na fase seguinte do campeonato europeu, a geringonça será governo, o desemprego continuará a aumentar, as exportações continuarão a diminuir, o investimento estrangeiro não descolará, a caixa precisará de uma capitalização superior a 6 mil milhões de euros. Em suma, continuaremos a ter os índices que avaliam o bem-estar das populações no vermelho.
Isto tudo vem a propósito da polémica que envolve a situação financeira do banco público, caixa geral de depósitos. Segundo os administradores do banco, os que estão de saída, como, sobretudo, os que entretanto chegarão, defendem que o banco necessita, quanto antes, de injeção de capital, sob pena de perder a confiança, tanto dos credores, como dos seus clientes.
Aqui chegados, estou convencido que, pelo menos, as pessoas que estão de boa-fé, querem conhecer e compreender as causas que conduziram a Caixa Geral de Depósitos a precisar deste volume de dinheiro. Estamos a falar de quase 10% da despesa do Estado num ano. Por isso, não vejo outro caminho que não passe pela comissão de inquérito levada a cabo pelos nossos representantes, que são os deputados.
Pelo que, defender e obstaculizar que esse escrutínio e sindicância não passem pela comissão de inquérito parlamentar, não só é permitir que o problema continue dentro do banco público, como, fomentar ainda mais, a suspeição. Eu sei, ou acho que sei, que a indefinição aproveita muito boa gente, mas o caminho da indefinição e/ou da omissão tem-nos conduzido ao país que somos hoje. Impõe-se, no entanto, a seguinte pergunta: queremos continuar a ser um país como somos hoje, com variadíssimos problemas de ordem estrutural? Se não queremos, então, só poderemos trilhar o caminho da verdade e da clarificação.

José Policarpo - crónica na rádio diana

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Évora: começa hoje a Feira de São João 2016


Está marcada para as 19 horas de hoje a inauguração da edição de 2016 da Feira de São João, em Évora. Uma feira antiga, com uma grande tradição, que conseguiu sobreviver aos tempos e aos homens que a foram vivendo, e cujo programa pode ser consultado aqui. No romance "Aparição", centrado em Évora, Vergilio Ferreira - cujo 1º centenário de nascimento se comemora este ano sem que a CME quase se tivesse apercebido da data (a não ser apoiando um Congresso organizado pela Universidade de Évora) -, retrata assim a velhinha feira de São João (através de Rui Arimateia)


A FEIRA DE SÃO JOÃO NA «APARIÇÃO» DE VERGÍLIO FERREIRA
"A feira abriu com grande excitação. Todo o Rossio se iluminou de festa com fieiras de barracas, carrocéis, circos, stands de carros e máquinas agrícolas, botequins, tendas de doçaria, de fotocómico, tômbolas, jogos de argolinha, aparelhos de buena-dicha com variantes de passarinhos que tiram o papel da sorte, tiro ao alvo, aparelhos para demonstração de forças, solitários vendedores de água com uma bilha e um copo ao lado, vendedores de mantas, de escadas, de cestos – sob um céu duro de alto-falantes e poeira e vibrações luminosas. Noite de S. João, noite cálida de bruxas e de sonhos. Para lá da mesa em que escrevo, para lá da janela aberta, clarões de fogueiras abrem-se de descantes que irradiam pelos céus. Há danças, entre as estrelas, de gente que se dá as mãos… A montanha arfa pesadamente dos grandes calores do dia. Eu ouço e comovo-me. De vez em quando o homem lembra-se de clamar a sua vida contra a noite, contra as sombras. As fogueiras são os fachos dessa vitória efémera. Mas é belo que se discuta até ao fim o derradeiro triunfo do silêncio. Eis Évora discutindo-o também aos meus olhos erradios e doridos. Nesta praça de loucura ignoro a loucura. O que enfrenta o meu cansaço, o que afoga a minha interrogação é esta fácil desautorização da morte. Nós, os homens das contas complexas de quem aprendeu mais do que as quatro operações, das bibliotecas de catacumbas de quem ousou mais do que o a b c, de quem arriscou as ideias e as não gastou em palavras, sabemos que a discussão se não esgota num simples voltar de costas, numa troça de desprezo, embora soberana e eficaz como a das crianças. Mas esta gente pareceu-me hoje, neste breve instante, que é viva e natural, que tem a força bravia das ervas dos baldios. E uma opressão esmaga-me como diante de uma audácia a que só nós emprestamos consciência para a tornar audaz. (…). É dia de S. Pedro?, o dia «chique»? Já não sei. A multidão ferve rodando em torno de si, como se toda a feira fosse um enorme carrocel. Mas a noite recua um pouco, as sombras começam onde já ali se não lembram.
(…) Vou no rasto desta massa de gente que alastra por toda a feira. É uma gente que sabe como a fraternidade da pele encoraja o que é da pele, os músculos, a garganta, amplia a parte mecânica de um homem: a alegria, a que é da rua, fortifica-se messe encorajamento. Um ou outro afirma-a a altos berros para que ele próprio a ouça, experimenta-a para a saber, como se experimenta um risco, atira-se a ela para que os outros verifiquem que afinal ela existe. Passo junto dos circos, há bichas de gente
a procura de bilhetes. Hei-de lá ir também. Gosto dos palhaços como de quem me põe à prova a urgência do que sinto: os palhaços recusam-me o que eu devo recusar talvez… Gosto dos trapezistas como de quem se liberta, das lantejoulas, dos dourados, como das tréguas da ilusão que não quer ser mais do que isso.
(…).

Vergílio Ferreira, APARIÇÃO, Colecção ‘Contemporânea’, Portugália Editora, 2.ª Edição, Lisboa, 1960. 

Três tiros, sete facadas, dois lobos e um referendo

Esta crónica vai para o ar a dois dias da consulta à Grã-Bretanha sobre a permanência na União Europeia, e depois de 53 americanos e uma deputada inglesa terem sido assassinados por quem se convencionou chamar “lobos solitários”.
Matar parece ser mais fácil do que morrer. Não é de agora, é de sempre. Só parece mais fácil morrer se for para se matar, num ajuste de contas macabro. E sob a égide de ideologias, logo praticado por quem pensa, ainda que mal, sobre o que é o sentido da vida em sociedade. Nada, pois, mais impróprio do que chamar lobo a gente como esta. Compreensível apenas na perpetuação do conto do Capuchinho Vermelho, quer nas versões que acentuam a sua voracidade resultante da fome, quer na branqueada e misógina versão que o faz ser quase-vítima da sedução feminina, o que era bom que fosse assunto revisto para não permitir certos disparates quando se ouve por aí sobre violência doméstica e crimes sexuais. Confesso-vos que, depois de tantas leituras, já tenho para mim que este conto serve apenas e só para ensinar às crianças a obediência perante quem se encarrega da sua educação. Mas enfim, sendo a literatura e a ficção o lugar próprio das muitas possibilidades de leitura, só há que discuti-las não as fechando.
Os que chamaram lobos, mas são só mesmo é assassinos, representam como nesses lugares de ficção o medo que vence. Eles representam o poder descontrolado do indivíduo sobre o colectivo. Eles representam a culpa que não se apura mas que se procura sempre para explicar o que não se entende, seja uma diferente orientação sexual ou uma militância política. Eles representam o pior da Humanidade, a sua parte doente que tantas vezes se alastrou a colectivos em regimes totalitaristas. Eles são a ameaça em estado puro porque se parecem e se misturam com os restantes mortais e fazem-nos desconfiar uns dos outros. Eles representam a maçã podre de um lado e rosadinha do outro, como a de outra história. Os lobos não se matam uns aos outros, matam para comer. E se sim, simbolicamente, o lobo tem sentidos antagónicos, porque representa o mal, a crueldade, a luxúria e a ambição, é no que ele simboliza do bem, com a astúcia, a inteligência, a sociabilidade e a compaixão que percebemos que lhe queira vestir a pele, para se disfarçar de bicho, o homem que se transforma num assassino.
Destes crimes recentes, que chocam tanto mais porque se deram em cenários que não são de conflitos mas lugares onde qualquer um de nós poderia ser apanhado, podemos dizer que são terrorismo. Os crimes terroristas misturam dois lugares-comuns únicos à espécie humana de qualquer cultura ou latitude – o Amor e o Medo – manipulados por quem queira espalhar ideologias de forma programática e sistemática, sejam religiosas, políticas ou financeiras.
Voltando ao contexto político de hoje, tratando-se a União Europeia de uma forma de organização que lida precisamente com as diferenças nestas áreas, e com a decorrente dificuldade de as compatibilizar em nome de uma união, já só a hipótese de pôr em causa, dividindo um dos seus membros interinamente, muito diz da pouca saúde dessa relação. Como afirmava o Vergílio Ferreira sobre estas dúvidas no indivíduo: «Perguntar se se é feliz é começar a ser infeliz, como perguntar se Deus existe é começar a ser ateu.».
Ora, na organização das sociedades, a democracia permite-nos discordar entre nós e resolver conflitos e discordâncias, com instrumentos equivalentes e equidistantes, encontrando soluções não bélicas. Estes actos criminosos em nome de causas sociais e políticas são os eternos resquícios de uma Humanidade que prioriza a resolução do conflito com a guerra armada e não segundo as leis do civismo. E isso já não se usa, embora ainda os usem. E também o fazem porque não suportam perceber que, depois de partirem, a vida continua. Como continuará a Europa, com ou sem Grã-Bretanha, com ou sem União. Pode é ser pior, pois pode. O Tempo, e o que as mulheres e os homens fizerem com ele, se encarregará de o demonstrar.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádiodiana)

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ainda a limpeza em Évora



(conforme aqui denunciado terça-feira, 24 de maio de 2016)
Há cerca de um mês (dia 24 de Maio, portanto faltam dois dias) publiquei aqui uma denúncia da porcaria e desmazelo na Rua dos Poiais, no Bairro da Malagueira em Évora.
O Porco responsável pela porcaria, no dia 25, mandou um homem raspar parte da javardice, mas no dia seguinte o homem desapareceu e nunca mais ninguém o viu.
Esta é a limpeza de Pinto Sá (O que veio de Montemor-o-Novo) por não saber fazer mais nada a não ser política.
As imagens continuam a falar por si donde logo pois portanto não faço mais comentários.
AJPM em EVO (enviado por email)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

(Vidigueira) Alterações na Praça Vasco da Gama motivam protestos e podem levar à apresentação duma providência cautelar


A Câmara da Vidigueira começou há alguns dias a remodelação da Praça Vasco da Gama, junto ao Museu Municipal. As vozes contra têm sido muitas. Desta vez juntou-se a elas a de um arquitecto co-responsável pelo desenho urbanístico da actual Praça, Jorge Cruz Pinto. E que exige que o seu trabalho seja respeitado.




clique na imagem para aumentar

(enviado por email)


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Comunicado do Ministério da Saúde: governo vai manter cirurgia pediátrica e neonatologia no Hospital de Évora


A proposta da Rede de Referenciação Hospitalar Materna, da Criança e do Adolescente entregue oficialmente em maio pelo Grupo de trabalho nomeado em 2014, e apresentada para discussão pública durante o mês de Junho, pretende pautar-se por um elevado nível de transparência e envolvimento dos profissionais de saúde e da sociedade em geral.
No final deste período será feita a avaliação política, tendo em consideração as propostas do grupo técnico e as sugestões resultantes da discussão pública, ponderando o interesse público e das populações.
Tendo em consideração as diversas tomadas de posição pública sobre este assunto por entidades políticas e da saúde, salienta-se o seguinte:
  • Os indicadores de qualidade do Alentejo mostram claramente a utilidade da diferenciação do Hospital de Évora na área da neonatologia.
  • O Alentejo apresenta excelentes indicadores, sobretudo na mortalidade infantil e neonatal.
  • Esta Unidade tem instalações adequadas, equipamentos, recursos humanos especializados e bons indicadores assistenciais.
  • Considera-se determinante, também, o fator geográfico, com cobertura de uma vasta área territorial, muito relevante para conseguir assegurar a coesão territorial.
  • Pretende-se manter a equidade de acesso das populações aos cuidados de saúde, pugnando pela proximidade e integração das políticas, assim como pela qualidade dos resultados.

Desta forma, o Ministério da Saúde pretende de forma tranquila aguardar pelo fim do período de discussão pública do documento técnico, para avaliar e integrar as propostas que sejam pertinentes, na defesa do interesse público, manifestando desde já uma clara intenção política de não retirar a Cirurgia Pediátrica, nem a Neonatologia do Hospital de Évora.
Lisboa, 16 de Junho de 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SOBRE O POSSÍVEL ENCERRAMENTO DA UNIDADE DE NEONATOLOGIA E DA CIRURGIA PEDIÁTRICA EM ÉVORA


1. Obviamente que estou contra o possível encerramento. Bem sei, porque conheço, por via profissional, dezenas de crianças que foram salvas graças a estes serviços, que é inadmissível assistir ao seu encerramento.
2. Irei estar na linha da frente contra a possibilidade de encerramento, e recomendo a todos que se pronunciem na consulta pública que está a decorrer (aqui: https://estudo.min-saude.pt/…/…/sid/868161/newtest/Y/lang/pt)
3. Mas não posso de deixar de contestar a enorme lata (para ser contido) dos deputados do PSD que decidiram questionar o actual governo sobre a possibilidade de encerramento destes serviços. Dizem não compreender. Ou são ignorantes ou agem de má fé. 
4. Ora, o possível encerramento surge contemplado na proposta de Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação Materna, da Criança e do Adolescente que agora está em consulta pública.
5. Esta proposta de Rede Nacional foi elaborada pela Comissão Nacional de Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, que foi nomeada pelo Governo PSD/CDS em 2012 (Despacho n.º 8338/2012 de 4 Junho) e cujo mandato foi renovado pelo mesmo governo em 2014. Ainda neste ano, o Governo PSD/CDS torna claro que esta Comissão é responsável pela elaboração desta Rede (Despacho n.º 10871/2014 de 25 de Agosto). 
6. Toda esta embrulhada advém de uma decisão tomada em 2014, pelo então governo de Coelho e Portas, que definiu a obrigatoriedade de implantação das Redes de Referenciação Hospitalar. E lá está nesta Portaria – que estas Redes devem, entre outros objectivos, combater eventuais subutilizações de meios humanos e técnicos (todos nós sabemos o que eles normalmente querem dizer com isto, não sabemos?!)
7. Portanto, se os deputados do PSD, nomeadamente o sr. Deputado do PSD eleito pelo círculo de Évora, querem explicações, sugiro que questionem o anterior executivo, nomeadamente sobre os critérios que queriam utilizar nas Redes de Referenciação Hospitalar, e que questionem também a Comissão, nomeada pelo governo PSD/CDS, que redigiu a proposta que agora se encontra em consulta pública.
8. Dito isto, considero que tod@s nos devemos mobilizar para nos manifestarmos nesta fase de consulta pública, assim como, posteriormente, junto do Governo, exigindo a reprovação desta Rede.

Bruno Martins (BE) - aqui

Esta é uma crónica pessoal e em defesa de um serviço público

Esta poderia ser uma crónica baseada em números, estatísticas, demonstrações de eficácia e eficiência. Poderia também ser um exercício político em defesa do Serviço Nacional de Saúde, público, de acesso universal e gratuito.
Poderia ser tudo isso se não fosse pessoal, esperando ainda assim que possa ser tudo isso.
Parece que está em discussão pública uma proposta para a nova rede nacional de referenciação materna e da criança que, a ser aprovada tal como se encontra, implicaria o encerramento da unidade de neonatologia do Hospital de Évora.
Tenho quatro filhos (cinco se alargar o conceito de filiação para lá da biologia), três nasceram em Évora e os dois mais novos começaram a sua luta pela sobrevivência na unidade de neonatologia do Hospital de Évora.
Para quem está num qualquer gabinete a fazer contas de número de nascimentos e quilómetros de distância em boas estradas, para concluir da racionalidade do encerramento da neonatologia, não faz seguramente a mais pálida ideia do serviço que é prestado.
Olha e vê, incubadoras, tecnologia, medicamentos, instrumentos médicos, camas e chama-lhe recursos. Aos profissionais que todos os dias dão o seu melhor para fazer sobreviver crianças a lutarem contra probabilidades estatísticas, chama-lhe recursos humanos.
Aos pais e mães divididos entre a ansiedade, a esperança e o desespero chama-lhes utentes ou clientes conforme a sua orientação ideológica está mais para cá ou para lá.
Apesar de ver e contabilizar isto tudo, não vê nada do que é importante, porque nunca sentiu uma mão sobre o ombro que, sem palavras, lhe diz “está tudo bem”. Nunca ouviu um pediatra de sorriso bonacheirão, perante o ar preocupado e cansado de um pai, afirmar “oh homem já cá está outra vez? Temos que fazer um workshop para apender a fazer filhos que não sejam apressados”.
Não faz ideia do conforto que é saber que o nosso filho ou filha está entregue a cuidados de excelência, próxima dos meios onde vivemos que lhes permite, para além dos cuidados de saúde dos nossos “pacotes de açúcar”, uma eficaz gestão emocional da relação com os pais e mães.
Colocar em discussão pública o encerramento de um serviço como a neonatologia ou a cirurgia pediátrica, em Évora, é como colocar em discussão pública se um prematuro deve ter menos possibilidades de sobreviver na região Alentejo, em comparação com o litoral, apenas porque no litoral nascem mais crianças.
Seguramente que esta ameaça não irá ser cumprida porque, ainda acredito, que à racionalidade fria dos números, se sobreporá o bom senso e a capacidade de perceber o que apenas pode vislumbrar quem nunca teve o privilégio de se saber protegido em serviços como a neonatologia ou a cirurgia pediátrica do Hospital de Évora.
Dir-me-ão, mas nos hospitais centrais também. Acredito que sim, se tivermos tempo de lá chegar.
Esta é uma crónica pessoal porque convivi de perto com os serviços que agora se pretendem transferir, Mas, mesmo que assim não fosse, estaria aqui a defender a existência destas valências que prestam um serviço essencial à região Alentejo. O que não seria capaz, era de sentir o que sinto enquanto digo estas palavras e isso faz toda a diferença.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádiodiana)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Começa esta quinta-feira, em Évora, Festival "Lá Fora"

Évora: PSD questiona Governo sobre unidade de neonatologia


O PSD questionou o Governo sobre o eventual encerramento da unidade de neonatologia com cuidados intensivos neonatais do Hospital do Espírito Santo de Évora.
A medida está prevista na nova Rede de Referenciação Hospitalar em Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, cujo processo de consulta pública decorre até ao dia 30 deste mês.
"Se vier a ser aprovada a referida rede, a consequência direta que tem na nossa região é que deixaremos de ter a unidade de neonatologia com cuidados intensivos neonatais", alerta o deputado do PSD eleito por Évora António Costa da Silva.
O parlamentar social-democrata diz que, se a medida avançar, os bébes prematuros passam a "ir imediatamente" para unidades hospitalares de Lisboa, assim como "crianças que necessitem de cuidados cirúrgicos".
Na pergunta, o PSD questiona o Governo do PS se admite aprovar uma Rede de Referenciação Hospitalar em Saúde Materna, da Criança e do Adolescente que deixe de prever uma unidade de neonatologia com cuidados intensivos neonatais no HESE e em todo o Alentejo.
"Existe algum fundamento para o encerramento" desta unidade do HESE? E se considera que todas as crianças que necessitem de cuidados cirúrgicos "tenham de ser transferidas dos locais da sua residência no Alentejo para a cidade de Lisboa?", são as outras perguntas feitas pelos social-democratas ao Governo.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Oposição em três tempos - Terceiro tempo

Chego ao fim deste trio de crónicas sobre a oposição e socorro-me mais uma vez do irónico raciocínio do Vergílio Ferreira: «Não se tem simpatia se não houver seja o que for de admiração: tem-se apenas tolerância ou piedade».
Quer queiramos quer não, a sociedade em geral só valoriza os vencedores. E sobre os que ficam em segundo lugar chega a considerar-se que são só os primeiros de uma longa lista de perdedores.
Se, em determinados casos, este espírito mais competitivo que construtivo transforma os “segundos” em pessoas resilientes e portanto há, seguramente, uma vitória de construção do seu próprio carácter; por outro, e quando se percebe que quem concorre não o faz pelo percurso, tantas vezes em si mesmo já uma finalidade, mas única e exclusivamente com uma ambição até legitimada pelo contexto da competição de nada servir senão a vitória, não ficar em primeiro é motivo de enorme frustração e, por vezes, motivo de comportamentos distorcidos de carácter. Em alguns tristes casos a tendência é a desistência, não de uma carreira no mesmo domínio o que seria compreensível, mas do persistir em percorrer um caminho de construção e optar por enviesar para caminho paralelo que estraga verdadeiramente o espírito inicial, e essencial, da competição em causa.
Podendo parecer que me estou a afastar da Política, da Democracia e do papel da oposição, garanto-vos que não. Uma oposição eleita deve comportar-se ao nível dos seus eleitores, não à espera de vencer a qualquer custo, mas de tentar corrigir eventuais rumos que, claramente inversos aos que propunham para a governação, merecem que se lhes oponham. Por vezes o ambiente causado por uma oposição pouco construtiva, destrutiva mesmo, acaba por contaminar o ambiente em que se vive. E como o destino tem das suas ironias, poderão vir a ter de ser esses mesmos, caso lhes caiba voltar a governar, a recolher os resultados do mau ambiente que criaram.
Comprova-se isto mesmo, a nível nacional, nas ligações entre Partidos que deitaram abaixo um governo socialista em 2011 e que se rearrumaram novamente para permitir que em 2015 um governo socialista voltasse ao poder. A nível local confesso que o que sinto mesmo, no quotidiano que retomei após quatro anos de experiência governativa, é que o clima de contestação pela contestação, que vigorou durante 12 anos, está a ser difícil de levantar. Mesmo com uma aposta feita numa comunicação eficiente, leia-se propaganda, que tenta ser multiplicadora de efeitos de feitos que há décadas se repetem e, em alguns casos, até com melhores resultados antes do que agora, por vicissitudes várias.
Para lá do incontestável facto de que quem ganha o poder é que o tem para mudar o que tem de ser mudado, para melhor em princípio, parece-me que o caminho mais saudável para exercer a oposição é perceber se seria, e como seria, possível fazer melhor do que a proposta governativa. Mais: em nome de que é que se tomam determinadas posições e decisões, normalmente bem identificadas com determinadas ideologias que estão precisamente na base da constituição dos Partidos. E é aqui que entre a esquerda e a direita e tendo eu sempre defendido, no adolescer da Democracia portuguesa a que tenho tido o privilégio de assistir, mais os princípios do que as tácticas da esquerda, me convenço que há que estarmos atentos a outras diferenças, que também se percebem nas estratégias: as dos radicais e as dos moderados.
Enfim, é por isso que para mim também em Política, e ao contrário do que as regras do mundo competitivo da comunicação pela imagem nos querem fazer crer, e conseguem, não me parece que sejam a simpatia ou o seu contrário o mais importante. E muito menos a admiração. Isso fica para os amigos e aqueles com quem efectivamente privamos. Assim, excluir-se-iam também a piedade e a tolerância que, banalizadas desta forma, roçam tantas vezes a arrogância. A mim chegava-me muito bem o civismo e a competência. Na governação, como na oposição a Democracia, com uma real igualdade de oportunidades, deveria tender a crescer no domínio da Meritocracia, sem dó nem piedade, sem idolatrias nem factos tornados consumados. Talvez se lá chegue.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fechar Almaraz!

Decorreu este Sábado uma manifestação ibérica para exigir o encerramento da Central Nuclear de Almaraz, situada junto a Cáceres em Espanha. A manifestação contou com números históricos: mais de 600 portugueses e portuguesas deslocaram-se até esta cidade espanhola.
Representando um risco constante para o território português, por estar a menos de 100km da fronteira e à beira do Rio Tejo, a Central Nuclear de Almaraz, em funcionamento desde a década de 80, já ultrapassou em mais de 5 anos o seu período de vida útil. Infelizmente, o Estado Espanhol concedeu uma prorrogação do prazo da sua licença de funcionamento, estando em cima da mesa um novo pedido para nova prorrogação de 10 anos. Claro que os accionistas prinicipais (Endesa, Iberdrola e União Fenosa) querem manter a central o máximo período de tempo possível, dado o lucro de 161 milhões de euros anuais, mas o perigo que esta representa não está contabilizado e é astronómico.
Almaraz tem registados 54 acidentes desde a sua inauguração, o seu desenho já sofreu 4000 modificações. Além disso, a Central já parou de emergência 32 vezes e 3 vezes para manutenção. Um risco enorme junto ao Rio Tejo no qual é refrigerado o reactor da Central e onde são feitas descargas nucleares.
Almaraz reprovou nos testes de resistência feitos pela Greenpeace, e em Janeiro de 2016, cinco inspectores do Conselho de Segurança Nuclear espanhol afirmaram que as repetidas falhas no sistema de refrigeração colocam um sério risco de segurança. Depois do relato dos inspetores, já se registou em fevereiro nova avaria e um incêndio.
Um acidente grave em Almaraz teria implicações profundas na vida e na saúde de gerações, com contaminação em larga escala, levando mesmo ao êxodo de povoações. Portugal seria afectado em grande escala, seja por via aérea (de recordar que os ventos predominantes empurrariam resíduos para o nosso território) seja por via aquática (o Tejo e sua bacia hidrográfica ficariam irremediavelmente contaminados).
Poderá estar a perguntar-se se corremos este risco porque a energia produzida nesta central é essencial para as populações. Não, a verdade é que a energia produzida por Almaraz é irrelevante para o sistema energético espanhol atual e nulo para o português.
De que estamos à espera? De mais um acidente nuclear? É tempo de nos unirmos e dizermos basta!
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Manifestação em Cáceres este sábado pelo fecho da Central Nuclear de Almaraz


A Manifestação terá lugar em Cáceres, no dia 11 de Junho. Estão a ser organizados autocarros de vários pontos do país, para engrossar uma mobilização que se exige ampla e forte e que conte com o máximo de pessoas possível. Quanto mais gente se inscrever em cada região, mais provável será haver um autocarro que parta da mesma.
preço da viagem é: 5€ (Normal); 10€ (Apoio)

DA desta semana


Ateliers de Verão no Armazém 8


Terminamos a 3ª temporada de espectáculos do Armazém 8, mas as actividades regulares continuam.
E como estamos em tempo de Ferias iniciamos outras, os ateliês de arte tem inicio em Julho.
Ateliê para miúdos e graúdos! 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Pensar com os pés

Tenho acompanhado com grande preocupação a polémica que envolve a demora da inauguração do complexo desportivo de Évora (campo de rugby e pista de atletismo).
Os desportistas da nossa cidade, conjuntamente, com os grupos desportivos não entendem, nem aceitam o atraso da inauguração de uma infraestrutura, que, tanto quanto julgo saber, estará pronta para ser utilizada e que as entidades públicas, governo e câmara municipal, não conseguem chegar a um entendimento quanto à gestão da sua utilização.
Na verdade, há muito que a cidade e os praticantes de desporto, e, aqui, tenho que relevar a importância do Clube de Rugby de Évora, reivindicam um complexo desta natureza. Porém, só há cerca de dois anos é que fora tomada a decisão que obviou tal pretensão. Por isso, não se compreende e muito menos se aceita, que o complexo desportivo de Évora não esteja já à disposição dos seus potenciais utilizadores. O Governo e a Câmara municipal de Évora sairão muito mal deste impasse.
Tive conhecimento que a região do Alentejo deixará de ter a unidade de neonatologia com a valência dos cuidados intensivos neonatais. “Até agora referenciação é feita para o hospital Espírito Santo de Évora, que possui o título de hospital de apoio perinatal diferenciado, ou seja, trata de recém nascidos a partir das 24 semanas de gestação”. A proposta da actual tutela, todos os recém-nascidos com idade inferior a 32 semanas, deverão ser transferidos para Lisboa. Assim, o Alentejo será a única região do país, a ficar sem uma unidade de apoio perinatal diferenciado.
Por conseguinte, só me apraz recorrer ao provérbio popular: “ Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz”. A “Geringonça” que nos governa apregoa aos sete ventos, que a descentralização e a desconcentração são fundamentais para assegurar a coesão e a justiça social. Porém, decidem o oposto. Só espero que os Alentejanos saibam fazer justiça nas próximas eleições.

José Policarpo (crónica na radio diana)

DE 16 a 18 de Junho


terça-feira, 7 de junho de 2016

Oposição em três tempos - Segundo tempo

Na sequência da última crónica, nesta semana continuarei a tratar o tema da oposição e peço emprestada ao Vergílio Ferreira a frase em que o filósofo constata «A pátria, como tudo, és tu. Se for também a do teu adversário político, é já problemático haver pátria que chegue para os dois».
A visão é tudo menos optimista sobre os destinos de um País em que a Democracia é representativa e assumida por Partidos. E, no entanto, é proferida por quem em épocas conturbadas do período pós-25 de Abril assumiu posições políticas e preferências ou, até talvez melhor, antipatias por certos Partidos políticos. Estou inclusivamente convencida de que anda para aí uma gente, que julga a Cultura uma coutada em que é reservado o direito à admissão por questões para além da própria Cultura e se prenderão com outros monopólios, e que menospreza um homem como Vergílio Ferreira e a sua grande importância cultural no nosso País, não porque ouse contestá-lo mas por saberem e apenas lhe reconhecerem, facciosamente, o, pelo próprio reconhecido e assumido, anti-Comunismo. Mas adiante, ou avante, que as palavras também podem ser usadas por todos quando significam o que querem mesmo significar.
O silogismo de Vergílio leva também à questão dos consensos que parece ter vindo a ser apanágio de um discurso de governação rapidamente esquecido pelos mesmos que passam depois à oposição, ou vice-versa. Dá mesmo vontade de exclamar: quem os viu e quem os vê?! Os adversários são, até etimologicamente, sempre oponentes e isso leva-nos muitas vezes a pensar e agir em muitas situações de acordo com o princípio de que se não se está a favor, se está contra. Mas esta posição, em Política mas não só, não pode ser absoluta. Sobretudo quando se joga este jogo em nome de outros e não por si próprio. Ou seja, quando se governa e não quando se governam.
Ora acontece que, se partirmos da base que temos para falar em governação e oposição no sistema democrático teremos de, obviamente, ir à raíz deste sistema político: a Democracia. A directa, muito rara, em que o povo, através de consultas populares, pode decidir directamente sobre assuntos políticos ou administrativos da cidade ou país, e a que chamamos por isso Democracia participativa, sem intermediários conhecidos (deputados ou vereadores, e noutros países senadores) mas com lobbies que se constituem mais ou menos formalmente; e a indireta, ou representativa, em que o povo também participa mas através do voto, elegendo os seus representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram. E é assim que chegamos à impossibilidade, a meu ver saudável, de haver uma Pátria única com esse sentido que se põe a jeito para que uma maioria pense e decida por todos. Atenção que a questão das maiorias absolutas também não me chocam, a partir do momento em que reconhecemos que os representantes nessas maiorias não respondem, nem correspondem a ideologias totalitaristas, sendo muitas vezes os Partidos que mais conflitos internos assumem que me deixam, apesar de tudo, mais descansada. Conflitos internos que, parece-me claro, se dirimem e resolvem internamente e com transparência.
Tudo isto é, como está bom de ver, trabalhoso e difícil. Ganha-se competências nesta área, não porque se queira muito, mas quando se assumem projectos de equipa e se é avaliado pelos membros dessa equipa antes de se ser avaliado pelos de fora que, tantas vezes, só depositam nessa equipa a sua esperança. E quando se consegue perceber o todo e optar com base em princípios flexíveis e em consonância com mais benefícios do que prejuízos, mas com limites de razoabilidade que, por vezes, nem sempre parecem logo benéficos e, sobretudo, quando incomodam poucos mas muito poderosos por outras razões para além da Democracia que é governar e fazer governar pelo Povo e para o Povo. Mesmo quando parece que o Povo, como diziam os outros, o que “quer é dinheiro para comprar um carro novo”. Um desabafo humorístico que não abona nada em favor de uma Democracia saudável e equivale ao outro lado que diz que “o que eles querem todos é tacho”.
E parece que chegámos à definição de Pátria que Vergílio Ferreira punha em causa: a do osso para que correm sete cães, ou o poleiro para pavões. Entre um e outro, parece haver ainda muito que aprender e ensinar sobre o que é e como se exerce o Poder. E a oposição, claro! E é por isso que nestas coisas do aprender e do ensinar, na Educação portanto, o investimento é prioritário e não se deve confundir nem com despesa, nem com negócio.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Apresentado hoje em Évora


Reabilitação urbana: 26 concelhos dividem 124 milhões de euros


Foram assinados no dia 31 de Maio, no Europarque em Santa Maria da Feira, os Contratos dos Planos Estratégicos de Desenvolvimento Urbano – PEDU, em sessão presidida pelo Ministro do Planeamento e das Infraestuturas, Pedro Marques, e que contou também com a presença do Ministro do Ambiente, João Pedro Matos, e do Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, no valor total de 784 milhões de euros de fundos da União Europeia.
No âmbito do Alentejo 2020, foram celebrados 26 contratos com os Municípios dos centros urbanos de nível superior, no valor total de investimento de 146 milhões de euros, que envolve um montante global de 124 milhões de euros de fundos da União Europeia e o restante do Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas, criado no âmbito do Portugal 2020, e associado ao financiamento pelos Programas Operacionais Regionais.
Os Municípios dos Centros Urbanos de Nível Superior do Alentejo que celebraram os referidos contratos são: Alcácer do Sal, Aljustrel, Almeirim, Beja, Benavente, Campo Maior, Cartaxo, Castro Verde, Coruche, Elvas, Estremoz, Évora, Grândola, Montemor-o-Novo, Moura, Nisa, Odemira, Ponte de Sor, Portalegre, Reguengos de Monsaraz, Rio Maior, Santarém, Santiago do Cacém, Serpa, Sines e Vendas Novas.
Esta sessão de assinatura de contratos dos PEDU constituiu a base para que os Municípios mencionados possam apresentar as suas candidaturas aos avisos de concurso abertos no dia 1 de Junho, para promoção de estratégias de baixo teor de carbono, adoção de medidas destinadas a melhorar o ambiente urbano, a revitalizar as cidades e para a concessão de apoio à regeneração física, económica e social das comunidades desfavorecidas em zonas urbanas e rurais. (nota de imprensa da CCDRA)

Hoje na sede do Bloco de Esquerda: sessão pelo fecho da Central Nuclear de Almaraz

domingo, 5 de junho de 2016

Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 18 de agosto de 1936)


Verde que te quiero verde. 
Verde viento. Verdes ramas. 
El barco sobre la mar 
y el caballo en la montaña. 
Con la sombra en la cintura 
ella sueña en su baranda, 
verde carne, pelo verde, 
con ojos de fría plata. 
Verde que te quiero verde. 
Bajo la luna gitana, 
las cosas le están mirando 
y ella no puede mirarlas. 

* 

Verde que te quiero verde. 
Grandes estrellas de escarcha, 
vienen con el pez de sombra 
que abre el camino del alba. 
La higuera frota su viento 
con la lija de sus ramas, 
y el monte, gato garduño, 
eriza sus pitas agrias. 
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde...? 
Ella sigue en su baranda, 
verde carne, pelo verde, 
soñando en la mar amarga. 

* 

Compadre, quiero cambiar 
mi caballo por su casa, 
mi montura por su espejo, 
mi cuchillo por su manta. 
Compadre, vengo sangrando, 
desde los montes de Cabra. 
Si yo pudiera, mocito, 
ese trato se cerraba. 
Pero yo ya no soy yo, 
ni mi casa es ya mi casa. 
Compadre, quiero morir 
decentemente en mi cama. 
De acero, si puede ser, 
con las sábanas de holanda. 
¿No ves la herida que tengo 
desde el pecho a la garganta? 
Trescientas rosas morenas 
lleva tu pechera blanca. 
Tu sangre rezuma y huele 
alrededor de tu faja. 
Pero yo ya no soy yo, 
ni mi casa es ya mi casa. 
Dejadme subir al menos 
hasta las altas barandas, 
dejadme subir, dejadme, 
hasta las verdes barandas. 
Barandales de la luna 
por donde retumba el agua. 

* 

Ya suben los dos compadres 
hacia las altas barandas. 
Dejando un rastro de sangre. 
Dejando un rastro de lágrimas. 
Temblaban en los tejados 
farolillos de hojalata. 
Mil panderos de cristal, 
herían la madrugada. 

* 

Verde que te quiero verde, 
verde viento, verdes ramas. 
Los dos compadres subieron. 
El largo viento, dejaba 
en la boca un raro gusto 
de hiel, de menta y de albahaca. 
¡Compadre! ¿Dónde está, dime? 
¿Dónde está mi niña amarga? 
¡Cuántas veces te esperó! 
¡Cuántas veces te esperara, 
cara fresca, negro pelo, 
en esta verde baranda! 

* 

Sobre el rostro del aljibe 
se mecía la gitana. 
Verde carne, pelo verde, 
con ojos de fría plata. 
Un carámbano de luna 
la sostiene sobre el agua. 
La noche su puso íntima 
como una pequeña plaza. 
Guardias civiles borrachos, 
en la puerta golpeaban. 
Verde que te quiero verde. 
Verde viento. Verdes ramas. 
El barco sobre la mar. 
Y el caballo en la montaña.