sexta-feira, 6 de maio de 2016

Carta aberta ao presidente da Câmara de Beja (por Lopes Guerreiro)

Ex.mo Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Beja

Caro João Rocha
Escrevo-te esta carta aberta, neste Feriado Municipal, na tentativa de te sensibilizar para que não cometas um acto, que, para além de poder-te custar a reeleição, te colocará na História da Cidade de Beja pelas piores razões.
Demolir o Depósito de Água da Praça da República, sem promover um sério debate público, sem dares a cara em defesa da iniciativa que é tua e divulgando em sua defesa opiniões de especialistas que, do seu ponto de vista técnico, não poderiam dizer o contrário, poderá sair - a ti e, principalmente, à Cidade -, bastante caro.
Porque não promoveste um debate público sobre um assunto que sabes polémico e que divide a população, quando a CDU defende a gestão participada nas autarquias? 
Porque não foste tu e foi o teu vice-presidente a assumir o ónus da defesa dessa decisão? 
O que poderiam dizer os arqueólogos senão que preferem que o Depósito de Água seja retirado da área da estação arqueológica? Porque não lhes perguntaste se eles gostavam que as casas em volta também fossem demolidas? Se a respostas fossem positivas, como é normal que fossem, também as mandavas demolir?
Para quando é que prevês que as escavações arqueológicas estejam concluídas e o sítio visitável, constituindo uma atração turística da Cidade? Daqui a três ou quatro anos ou daqui a 30 ou 40 anos?

Caro João Rocha
Ainda estás a tempo de ponderar melhor a decisão e arrepiar caminho. Ouve as pessoas, principalmente as que são, por nascimento ou opção, de Beja. A opção não é meramente técnica, é também e principalmente política e mexe com os sentimentos das pessoas. Mesmo muitas que poderiam concordar com a demolição do Depósito de Água se tivessem tido oportunidade de participar num debate público alargado, ouvindo os prós e contras, não aceitarão a sua demolição. Estou convicto de que serão muitas mais as pessoas que se manifestarão contra a demolição, se ela for por diante, do que as que agora o fazem.

Caro João Rocha
Decidi escrever-te esta carta aberta hoje, porque, não sendo o Feriado Municipal comemorado como tem sido, talvez tenhas oportunidade de dedicar algum tempo a reflectir sobre a tua polémica decisão e as consequências que terá. E também porque fui instigado a usar este espaço de liberdade e intervenção cívica, que é o Alvitrando, para tentar evitar que vá por diante uma decisão de que os bejenses se virão a lamentar. E ainda porque não me parece correcto que em nome do património se destrua património. Sim, porque o património da Cidade não é apenas o arqueológico e de uma determinada época histórica. E, finalmente, porque as pessoas têm o direito de se pronunciar sobre decisões de consequências irreversíveis para o futuro da Cidade.
Espero que acolhas melhor esta minha sugestão, do que tens acolhido outras apresentadas com espírito de participação e colaboração pelo movimento independente e plural Por Beja com Todos. Beja merece!

Um abraço
Lopes Guerreiro

5 comentários:

  1. não faz falta, demolição, e o de Evora devia levar o mesmo caminho

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    1. 1. "não faz falta"
      Mas ao que se percebe do texto de Carlos Pereira vai demolir-se uma estrutura do século XX (que já está inativa) para em seu lugar ficar em exposição, se se encontrar - porque pode não se encontrar nada - , um troço de calçada romana, por exemplo, do século I ou II d.C. ; troço, esse, que obviamente já está inactivo…
      2. "e o de Evora devia levar o mesmo caminho"
      E se se abrir uma discussão pública em Évora e se houver argumentos como: (1) Aquele depósito, de c. 1931, foi o primeiro ou dos primeiros do país daquele modelo; (2) Faz parte de um conjunto, como você saberá com os depósitos situados um pouco mais abaixo, na colina, junto à Rua do Menino Jesus;(3) Permitiu a distribuição domiciliária de água na cidade e, na sua sequência, permitiu a rede de esgotos domiciliários, assim elevando muito a qualidade de vida da população; (4) Tem a curiosidade de ter sido construído no exacto local em que, muito provavelmente terminava o velho aqueduto romano; (5) Na verdade, onde está não faz mal a ninguém; (6) A sua demolição iria alterar o perfil da cidade, que passaria a ser completamente dominado pela catedral dos séculos XIII-XIV, mas perderia uma marca do século XX.
      Claro que depois do tal debate - ao qual a sua radical posição parece não se acomodar - cada um de nós havia de continuar a ter a sua opinião e é muito provável que não tivéssemos todos a mesma.
      E a coisa poderia ficar como está ou a câmara lá gastaria uns milhares de euros na demolição da coisa, sem grande proveito (diriam os opositores…), ficando o dinheiro a fazer falta para outras "urgências".
      Manuel J. C. Branco

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  2. Alerta

    está intransitável (peões) o troço Porta de Avis/Bacêlo.

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  3. Oh anónimo anódino, analfabeto, analfaburro e outros epítetos
    que mereces e que se devem colar a tão infima infima molécula humana que deves ser, porque te metes sapateiro a tocar rebecão?

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    1. E tu, fanático comunista?
      Porque non te callas?

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