terça-feira, 31 de maio de 2016

Em Évora: funcionário municipal detido por "peculato"


ACTUALIZAÇÃO: A CMTV refere que o trabalhador municipal em causa integrava os quadros da Câmara Municipal de Montemor-O-Novo

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, num inquérito dirigido pelo DIAP Évora, deteve um funcionário municipal pela presumível prática de um crime de peculato. 

No decurso das investigações foram colhidos elementos que apontam no sentido de o funcionário se ter apropriado de verbas de elevado montante, a que tinha acesso em razão das suas funções, cujo valor poderá ultrapassar os 300 000 euros.
O detido, a quem foram apreendidas duas viaturas e diverso material relacionado com a prática da atividade criminosa em investigação, vai ser sujeito a primeiro interrogatório judicial.

aqui: http://www.policiajudiciaria.pt/PortalWeb/page/%7B6DE55D8A-8E02-4614-B87F-9673E214E0A0%7D

BIME 2016 não se vai realizar apesar de protocolo firmado há um ano entre Câmara, Turismo e Direcção Regional de Cultura


A Bienal Internacional de Marionetas de Évora já não se realiza há 3 anos. A edição de 2015 foi suspensa por falta de verbas e, apesar do protocolo celebrado no ano passado entre a Câmara, a Entidade Regional de Turismo, a Direcção Regional de Cultura e o Cendrev, este ano também não haverá a Bienal prevista, anunciou hoje a entidade organizadora, em comunicado assinado por José Russo, director do Cendrev.

"Em Junho de 2015 decorreu no Teatro Garcia de Resende uma cerimónia pública de assinatura de um acordo de colaboração entre o Cendrev, a Câmara Municipal de Évora, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Entidade Regional de Turismo onde se assumiu que, em virtude da ausência dos fundos comunitários, a 14ª edição da BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Évora, que deveria ter decorrido na cidade Património Mundial em Junho de 2015, ficou agendada para 2016, ou seja, estaria agora a acontecer, não fora a incompreensível situação do atraso nos financiamentos para área do património e da cultura do novo quadro comunitário que já devia estar a funcionar há dois anos e meio.
Os repetidos atrasos na disponibilização dos fundos comunitários para este sector de actividade está a contribuir para o estrangulamento de muitos programas de acção cultural que têm sido precursores de práticas consequentes e regulares que foram inscrevendo eventos nacionais e internacionais nos calendários da vida das nossas cidades e regiões. Estas práticas, instaladas ao longo de anos, têm constituído experiências de reconhecido mérito na valorização e preservação do património e na criação e desenvolvimento de muitos novos projectos artísticos.
Aqui chegados, e depois dos sucessivos adiamentos da abertura dos avisos das candidaturas, o Cendrev informa que está mais uma vez a desenvolver todos os esforços junto dos novos responsáveis da CCDR Alentejo e do Governo no sentido de garantir as condições para retomar o calendário regular da BIME, cuja primeira edição aconteceu em 1987 na sequência do trabalho desenvolvido com os Bonecos de Santo Aleixo.
Enquanto não chega a Bienal, o Cendrev decidiu lançar uma nova iniciativa que designa marionetas na cidade. Esta iniciativa é uma forma de afirmar a importância desta expressão artística que instalou na cidade e na região um quadro de envolvimento dos cidadãos que tem conquistado a simpatia e a atenção de um número crescente de espectadores dos diferentes escalões etários.
Os Bonecos de Santo Aleixo são os anfitriões destas visitas à cidade Património Mundial, que vão acontecer todos os meses com diferentes companhias de marionetas, até final do ano. As visitas começam já no mês de Junho com a presença do Marionetista dinamarquês Alex Jorgensen que apresenta o seu espectáculo no dia 8 de Junho, às 10:30 horas na Praça do Giraldo e às 17:30 horas no Jardim das Canas. Os Bonecos de Santo Aleixo apresentam-se também no arranque desta iniciativa, de 6 a 10 de Junho, diariamente às 18:30 horas no Teatro Garcia de Resende e voltarão em Dezembro para participar no encerramento deste ano de marionetas na cidade.
- mensagem do Director, Encenador e Actor do Cendrev José Russo"

Deputados do PSD querem saber a razão do atraso na inauguração da "Pista de Atletismo e Campo de Rugby de Évora"

Inscrição no muro das novas instalações desportivas. Foto de Carlos Neves
Assunto: Esclarecimentos sobre quais os impedimentos que têm inviabilizado a inauguração da Pista de Atletismo e Campo de Rugby de Évora
Destinatários: Ministro da Educação e Secretário de Estado da Juventude e Desporto
Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,
A Construção da Pista de Atletismo e Campo de Rugby de Évora foi lançada no dia 8 de Julho de 2015.
A construção da Pista de Atletismo e Campo de Rugby em Relva Sintética e espaço para desporto de lazer, é um projecto promovido pelo Instituto Português da Juventude, o qual contou com a colaboração da Câmara Municipal de Évora na elaboração dos projectos técnicos e obteve financiamento do INALENTEJO – Programa Operacional Regional do Alentejo 2007-2013. O investimento aprovado é de 1,5 milhões de euros e o apoio do INALENTEJO é de 1,2 milhões de euros.
Este é um equipamento fundamental para a cidade de Évora, o qual conta com o interesse e forte entusiamo das associações desportivas locais. Pode afirmar-se que existe uma grande expectativa da população para que este importante equipamento seja rapidamente concluído e possa ser devidamente utilizado.
O projecto permite requalificar o terreno do hipódromo de Évora, numa perspectiva de reaproveitamento e redefinição do espaço, e desenvolver localmente as modalidades de atletismo, rugby e o desporto de lazer.
O projecto compreende a construção de Pista de Atletismo de 6 corredores, pista de salto em comprimento / triplo salto e salto com vara.
Pela informação existente, já se encontra construído o campo com relva sintética destinado à prática de rugby e as instalações de apoio para atletas, técnicos e público, incluindo bancada para 180 lugares.
As instalações de apoio comportam vestiários/balneários, incluindo unidades para atletas com mobilidade condicionada, ginásio / sala de musculação para preparação física, arrecadações de material desportivo, sala técnica, posto médico, instalações sanitárias e sala de forças de segurança.
A pista de atletismo e o campo de rugby têm capacidade para acolher eventos nacionais e internacionais, bem como estágios de equipas e selecções nacionais.
O espaço de desporto de lazer será um espaço aberto a todos, fomentando a prática desportiva e o convívio.
Segundo informações recolhidas, este equipamento está apto para ser utilizado já há algum tempo. No entanto, existem um conjunto de condicionalismos (aparentemente técnicos e burocráticos) que têm impossibilitado a respectiva inauguração e consequentemente o uso do referido equipamento.
É nessa perspetiva que um conjunto de deputados do PSD entende procurar obter esclarecimentos do Governo sobre esta matéria.
Assim, ao abrigo, das normas constitucionais e regimentais, solicita-se a V. Exa., que se digne a obter junto do Sr. Ministro da Educação e do Sr. Secretário de Estado da Juventude e Desporto, resposta às seguintes questões:
1 – Quais os impedimentos que têm inviabilizado a inauguração da Pista de Atletismo e Campo de Rugby de Évora?
2 – Qual o modelo de governação previsto para a gestão do referido equipamento?
3 – Se existe data prevista para a inauguração e utilização da Pista de Atletismo e Campo de Rugby de Évora?

Palácio de São Bento, quarta-feira, 31 de maio de 2016
António Costa da Silva e 11 outros deputados do PSD

A vergonha continua igual aos anos anteriores


A vergonha continua, igual aos anos anteriores. Refiro-me às festas dos estudantes da Universidade de Évora. 
Os estudantes têm todo o direito a festejar, não têm é o direito a incomodar as outras pessoas. Tal como eu, quando se proporciona festejar alguma coisa, não os incomodo a eles. 
A Câmara desta triste cidade deve encontrar uma alternativa que permita aos estudantes festejar e embebedar-se o quanto lhes apetecer sem incomodar as restantes pessoas.
Ontem, segunda-feira, comecei a dar aulas numa secundária desta cidade, às 8h15. No final das aulas, à tarde, dado que se aproxima o momento das avaliações finais, estive a classificar testes até cerca da meia-noite. A seguir, não tive o direito a dormir porque os estudantes festejaram, em altos decibeis, pela noite dentro, sem respeito por ninguém. Isto é indigno de um país civilizado. Isto é indigno de uma sociedade com valores.
Antigamente, quando a Câmara era gerida pelo PS, o Mais Évora (órgão oficioso do PCP) fazia uma enorme campanha contra a incompetência do PS que tais desmandos permitia. Que, se fossem eles (PCP) jamais tal coisa aconteceria. Porque eles (PCP) respeitam as pessoas e protegem os interesses dos cidadãos. Diziam eles, que sabem dizer muitas coisas. Fazer é que não sabem.
O que se passa, na actualidade, é precisamente a mesma vergonha que se passava antes. Mudou a cor da camisola de quem gere a Câmara desta triste cidade, a hipocrisia e a incompetência mantêm-se.
É por estas e por outras que garanto que jamais votarei numas eleições autárquicas, seja em quem for, até que o problema seja resolvido. Quem não respeita os cidadãos não merece o meu voto!


José Chorão (Professor numa cidade onde não se pode dormir) - recebido por email

sábado, 28 de maio de 2016

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Este sábado 2ª Festa Alternativa Infantil

Hoje em Évora no Armazém 8



As escolhas e as consequências

Parece que o Governo assumiu que o erário público não deve financiar um legítimo negócio privado.
Tal decisão provocou, nos beneficiários da transferência de dinheiros públicos para as instituições que dirigem, uma reacção que tocou as raias do inconcebível.
Falo obviamente do fim dos contratos de associação estabelecidos entre o Estado e algumas instituições privadas de ensino, onde haja oferta suficiente de escola pública.
Falou-se em direito de escolha, como se este estivesse em causa. Gente que odeia manifestantes veio para a rua manifestar-se, exigindo que os seus filhos possam escolher o ensino privado, ainda que pago por aqueles que não se podem dar a esse luxo.
Não ouvi nenhum responsável governamental afirmar-se contra a possibilidade de cada um escolher que estabelecimento quer que o seu filho frequente e, no entanto, a berraria demagógica vestida de amarelo insistia no fim de uma suposta liberdade de escolha.
Todos os recursos financeiros disponíveis, na área da educação, devem estar ao serviço do desígnio constitucional de garantir uma escola pública, de qualidade e gratuita para todos. É o cumprimento desta premissa que garante a universalidade do acesso ao conhecimento por via da frequência da escola.
Desviar recursos públicos para garantir negócios privados que concorrem com este desígnio é um atentado ao cumprimento das funções sociais do Estado.
É admissível que em zonas do país onde a oferta pública seja escassa ou inexistente, a figura do contrato de associação possa ser utilizada para garantir uma resposta eficaz às necessidades das populações. Mas tal solução deverá ser abandonada quando se trata de pagar oferta privada rodeada de oferta pública em quantidade e qualidade suficientes para suprir essas necessidades.
Percebo que os donos das instituições privadas queiram aquilo que todos os empresários ambicionam. Um negócio sem riscos onde, aconteça o que acontecer, o Estado garante o envelope financeiro que acerta as contas no final de cada ano.
Ninguém quer colocar em causa a liberdade de escolha. Nenhuma decisão governamental impedirá qualquer aluno de optar entre o público e o privado, assumindo as consequências dessa escolha.
As manifestações de pais e donos de colégios privados, arrastando consigo os alunos, fazem-me lembrar as manifestações a favor da destituição da Dilma, no Brasil. Até a vergonhosa cobertura da comunicação social dominante é em tudo idêntica às campanhas orquestradas no Brasil ou na Venezuela.
Isto é uma pequena amostra do que iremos ter pela frente quando se aprofundar o caminho da recuperação de direitos e da conquista de novos avanços civilizacionais.
Áspero caminho este que teremos de percorrer. Mas como dizia o outro… vires-te para onde te virares o caminho é sempre em frente.
Até para a semana.

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)

De equívoco, em equívoco

A actual governação liderada pelo partido Socialista comprometeu-se em repor as trinta cinco horas semanais na função pública.
Não tenho nada contra os funcionários públicos, até porque há funções nos regimes democráticos que só deverão ser asseguradas pelo Estado. Refiro-me, nomeadamente, às funções de soberania; Justiça, defesa, segurança e representação do Estado.
Porém, determinar a reposição do número de horas semanais significando esta situação a diminuição da carga horária para os funcionários públicos, sem um estudo que indique e sustente o que representa na despesa do orçamento de Estado esta medida. No mínimo, seria negligente. Será que os nossos governantes não veem isso? Ou, será, então, que nos querem tomar por parvos?
Na verdade, em minha opinião, a questão não deverá ser analisada do ponto de vista da justiça. Se é justo ou não a reposição daquilo que foi retirado. Claro que, o justo, é dar aquilo que é devido a cada um, sendo esta a definição de Justiça. O problema, no entanto, não reside no que é devido, mas no que pode ser realizado e executado. O certo é que o país está falido e não pode gastar o que gasta. Por outro lado, as instituições financeiras não emprestam dinheiro a juros comportáveis aos países que não têm as contas equilibradas.
Dito isto, as esquerdas radicais a quem o actual partido socialista se juntou, proclamam e clamam mais direitos e só direitos. Todavia, não conseguem explicar aos portugueses, pelo menos aos conscientes e responsáveis, como e onde, encontrarão o dinheiro para realizarem um aumento significativo da despesa pública. Porque diminuir a carga horária, representa, na generalidade das situações, a contratação de mais pessoal para assegurar as horas dispensadas. E, mais pessoal, significa mais dinheiro. Ou, estarei equivocado?

José Policarpo (crónica na radio diana)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Humanidades

O ano letivo na Universidade está a terminar. Começam os exames. Alguns terão três longos meses e meio de férias pela frente.
São os que fizeram as frequências, seguindo a avaliação contínua, vendo-se recompensados por um esforço que distribuíram ao longo do semestre. Outros lá tropeçaram aqui ou ali e terão que tentar, mais uma vez, esta ou aquela matéria menos estudada, entendida, apreciada, pior transmitida. Porque já se sabe, dos dois lados da sala, frente a frente, estão sempre seres humanos. Falíveis, instáveis, por muito competentes e esforçados que se revelem ou os declarem. Há que melhorar, sempre, e a Universidade, como o Mundo, tem esse percurso como destino a alcançar.
Na área das Humanidades e das Ciências Sociais estamos à espera de encontrar quem se ocupe e preocupe mais com metafísicas do que com físicas, mais com comportamentos, formas e métodos de interagir entre indivíduos, entre si e em grupo mais ou menos alargado. É aqui que podemos tentar iludir e ultrapassar o que é físico, químico, comandado por reações quase predestinadas, e usar o pensamento para além do técnico que, vamos lá ver, sempre é o que nos salva a vida e nos dá, em princípio e se tudo correr pelo melhor, o conforto material da evolução civilizacional. E até nessas áreas haverá momentos em que as certezas que se conquistaram contêm em si histórias que parecem do domínio da ficção e que, por isso mesmo talvez, contribuem para a evolução e para o progresso da Humanidade. O saber, o conhecimento, a técnica, tudo nas mãos de seres humanos a investigar, a ensinar, a aplicar.
O que é também interessante na instituição Universidade, que é uma Escola onde cada um, e cada vez mais felizmente, deveriam poder encontrar a totalidade, a universalidade, reflectida nos percursos possíveis do conhecimento, e fazer nela o seu caminho aprendendo, onde já ninguém se não o próprio se encarregará da sua Educação, é precisamente a sua semelhança com o resto do Mundo. Mas é lá também onde se espera que estejam os que, pela primeira vez, modelam adultos, sem a intervenção protectora de pais ou tutores, servindo de exemplo numa outra fase de maturação aos que por lá passam e continuam depois o seu percurso pela vida, desejavelmente ganhando uma autonomia libertadora. É assim, pelo menos em teoria.
Tenho para mim que numa sociedade em que as dinâmicas políticas e sistémicas permitem uma muito maior mobilidade social, com o acesso a instituições que antes só serviam elites, o quão mais trabalhoso e responsabilizador é para quem nelas trabalha: colaborar ensinando, e portanto dando o exemplo, a serem bons usuários dessas instituições. Enriquecendo-as até, com a sua participação que deve ser sempre bem vinda quando é esse o seu fim.
O Vergílio Ferreira que há 70 anos estava a terminar o seu primeiro ano letivo neste espaço que agora é Universidade e então foi Liceu, apesar da figura enigmática e do feitio a adivinhar-se mais para o taciturno, inspirou e motivou muitos dos seus alunos. Ele já tinha percebido que para além de ensinar com rigor esta ou aquela matéria, necessária, útil, trabalhosa, a que daremos muito valor num contributo determinado para a sociedade, outras capacidades aparentemente inatas ao ser humano tinham muito para ser trabalhadas por quem e para quem ensinar é mais do que isso. E onde o termo e o conceito de Cultura devem ultrapassar as paredes de uma sala de aulas numa Universidade e…entrar nela, aperfeiçoando-se e aperfeiçoando-a. Ele escreveu: «A cultura é o modo avançado de se estar no Mundo, ou seja a capacidade de se dialogar com ele.» E isto também se deve aprender lá dentro. E praticar.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

terça-feira, 24 de maio de 2016

Limpeza em Évora



Venho enviar com pedido de publicação o texto seguinte:
Assim vai na Rua dos Poiais - Bairro da Malagueira, a limpeza de Pinto Sá (O que veio de Montemor-o-Novo) por não saber fazer mais nada a não ser política.
As imagens falam por si donde logo pois portanto não faço mais comentários.

AJPM em EVO (por email)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Uma Questão de Saúde Pública e Política

Na passada semana PSD, CDS e PCP chumbaram o Projecto de Lei do Bloco de Esquerda que visava proibir a aplicação de produtos contendo glifosato em zonas urbanas, zonas de lazer e vias de comunicação.
O glifosato é um herbicida classificado pela Organização Mundial de Saúde como comprovadamente cancerígeno em animais e provavelmente cancerígeno em humanos. É o herbicida mais vendido no país. O risco que a sua utilização implica para a saúde pública é imenso.
Várias são as organizações que alertam para os perigos deste herbicida, incluindo a Ordem dos Médicos Portuguesa ou a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro que já identificou a relação entre a exposição ao herbicida e o Linfoma não-Hodgkin e declarou - em março de 2015 - o glifosato como “carcinogéneo provável para o ser humano”. Este tipo de cancro de sangue é dos cancros que mais se regista em Portugal, país onde o último estudo efectuado revelou que o glifosato foi detectado em 100% das análises efectuadas à urina dos participantes, sendo estes números muito superiores aos de outros países europeus.
Os dados são, de facto, alarmantes, mas a Direita e o PCP decidiram votar contra esta resolução, invocando a necessidade de haver mais estudos. Ora, em matérias de saúde pública dever-se-á sempre seguir o princípio da precaução.
Mas porque não estão PSD, CDS e PCP preocupados com a saúde pública? Podemos induzir que preferem defender os interesses da Monsanto (que graças a este componente lucra, anualmente, mais de 5 mil milhões de dólares)? Ou por qualquer outra razão?
A verdade é que, em Portugal, para além do uso generalizado na agricultura, também várias autarquias o aplicam em praças, jardins, passeios, estradas e cemitérios.
Analisemos, então, o “panorama autárquico” permitindo-nos, talvez, perceber em parte a posição da Direita e do PCP. O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questionou todas as autarquias acerca da eventual utilização do glifosato em espaços públicos municipais. Pouco mais de um terço dos municípios responderam. Em relação a estes partidos que votaram contra, e tendo em conta os municípios que dirigem, as respostas foram as seguintes:
* Dos 28 municípios que responderam e que são dirigidos pelo PSD, 23 afirmam utilizar este herbicida;
* Dos 6 municípios que responderam e que são dirigidos por uma coligação PSD/CDS, 4 afirmam utilizar este herbicida;
* Os 2 municípios do CDS que responderam utilizam glifosato;
* E a totalidade dos municípios dirigidos pela CDU (coligação que integra o PCP) que responderam – 16 municípios! – afirmaram utilizar este herbicida.
De todos estes municípios, apenas é conhecida a posição do município de Évora, que já anunciou publicamente ter suspendido a utilização de glifosato.
Talvez este números ajudem a explicar a pouca vergonha que se passou, na semana passada, na Assembleia da República.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sábado, 21 de maio de 2016

No turismo, Évora continua na Idade da Pedra

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"Quando os Agentes não têm juízo o Posto de Turismo é que paga!

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Começa a época denominada de alta e um turista «cultural» ou mesmo visitante do dia de passagem quer ser bem saciado em termos de experiência.
No entanto a idade da pedra continua, até quando? Pergunto eu:

- Caro amigo são 17 horas, quero visitar a Catedral, a Igreja de São Francisco e a Capela dos Ossos, como é?
- Estão fechadas, não nos cabe a nós a gestão desses espaços!
- Mas vocês é que cá estão para responder!
- A quem o diz, já estamos preparados a acarretar com a culpa, as costas também se vão habituando a arcar com o peso, sabe!
- Caro amigo, dê-me o livro de reclamações, que Disneylândia é aquela num monumento com 2000 anos de história?
- Tem de perguntar a quem deu autorização a tal coisa, nós aqui fizemos algo de que se possa queixar?
- Sinceramente não!
- Então e estando até de acordo consigo, não nos faça acarretar algo de que não somos culpados!
- Que sinalização turística é esta numa cidade Património da Humanidade desde 1986?
- É a que temos, lamento muito!
- Você nem imagina há quanto tempo que ando perdido nesta cidade!
- Caro amigo fui aos serviços públicos de casa de banho e não pode ser, como é possível isto numa cidade destas?
- Não sei que lhe diga!
- Então os monumentos não têm história ou nenhuma interpretação, viemos olhar para as pedras só?
- Olhe este é deste século...blá...blá...blá, não sou historiador, mas espero que tenha ficado melhor informado!
- Agradeço a sua gentileza!
....
Poderia continuar com a lista de velhas experiências e memórias guardadas, que é grande e não muito favorável.
O Posto de Turismo é um serviço perfeito? Não.
O Posto de Turismo faz um atendimento perfeito? Também não, nenhum serviço o faz.
O Posto de Turismo tem reclamações? Por vezes tem.
O Posto de Turismo tem cartas de agradecimentos? Embora se dê menor relevância, também as tem.
O Posto de Turismo funciona até que horas? Começa às 9 e mesmo com quase já tudo fechado encerra às 19.
Como entra o espírito de um turista que vive no século XXI no Posto de Turismo em Évora? Sendo culto, exigente, informado, conhecedor de outros locais...Entra, por vezes, de tal forma defraudado, que depois mal ou bem a carga sobra para quem está no posto de turismo, este em última instância é o que não presta um bom serviço!
PS - O que vale é que os calos aparecem, e as costas começam a ficar mais largas!"

Muito pertinente.

(Comentário no facebook de um funcionário do Posto de Turismo de Évora)

Anónimo


20 maio, 2016 18:58

Este sábado em Évora



21 de Maio de 2016, pelas 11:30

Com quantos pontos se conta um conto?

ABRAPALAVRA

A sessão acontece na nossa Associação:
Rua da Corredoura nº8, Évora

Contamos convosco!
É neste país!
*


*



quinta-feira, 19 de maio de 2016

CATARINA EUFÉMIA (1928-1954)


O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Hoje Vozes da Cidade na Igreja de São Vicente

Inaugurado hoje em Évora Núcleo Museológico do Megalitismo, no Convento dos Remédios


Assinalando a comemoração do Dia Internacional dos Museus, a Câmara Municipal de Évora está a preparar um conjunto de iniciativas para o próximo dia 18 de Maio, em que se inclui a abertura do novo Núcleo Museológico do Megalitismo no Convento dos Remédios.
Assim, durante a manhã e início da tarde, a Unidade Museológica CEA irá realizar um peddy paper com a temática A Descoberta do Património da Água cujo objetivo é dar a conhecer, às crianças de idade pré-escolar, a rede de antigos imóveis hidráulicos responsáveis pelo abastecimento de água na zona do Centro Histórico.
Pelas 18h30, será inaugurado o novo Núcleo Museológico do Megalitismo sedeado no Convento dos Remédios. 
O território dos arredores da cidade de Évora integra um conjunto de monumentos megalíticos excecionais, constituindo, no âmbito do património arqueológico rural, o tema mais relevante em termos de turismo cultural. Monumentos como o recinto megalítico dos Almendres ou a Anta Grande do Zambujeiro, por exemplo, dos mais visitados, destacam-se no panorama megalítico da Península Ibérica e colocam a região de Évora entre as mais importantes paisagens megalíticas europeias.
Finalmente será ainda apresentado o trabalho em curso de incorporação, na Câmara Municipal de Évora, da coleção antiga da Tipografia Nova doada por José Luís Correia Louro, bem como do projeto Diário Tipográfico que visa o estudo, investigação e contextualização das Artes Tipográficas em Évora nos séculos XIX-XXI, cuja conclusão se aponta para o próximo ano de 2017. (Nota de Imprensa da CME)

terça-feira, 17 de maio de 2016

In and Out, Público e Privado, les Uns et les Autres

Hoje apeteceu-me mesmo escrever uma crónica sobre as virtudes dos outsiders. Os outsiders são aqueles que vindos de fora entram num sistema remexendo-o com impacto.
Os outsiders deixam de ser bem vistos por aqueles que se deslumbram com o que vem de fora mas que, depois, do que afinal gostam mesmo é que tudo fique na mesma. O que é impossível com essa espécie de ser humano mais cosmopolita, o outsider, que viu mundo e se dispôs a trazer o mundo para dentro de um quintalinho. Ele até cabia, mas era preciso que tudo se re-arrumasse em novos moldes e não ao jeitinho deste ou daquele, dos que já estão habituados a viver assim há upa, upa… O outsider pode, pois, ir e vir, de onde menos se espere, e leva ou traz consigo o que de melhor cá ou lá aprendeu.

Outsider que é outsider pensa fora da caixa, que é também como quem diz que pensa fora da panelinha, do circulozinho, da quintinha. E quando pensa assim, fora da caixa, e consegue transpor para a acção esse pensamento, outros beneficiarão da mudança ou, ainda melhor, aprenderão também a pensar fora da caixa. Pensar fora da caixa não é pensar mais ou maior, é pensar livre de palas e jugos, em função de valores que se adequem, até institucionalmente, às funções que se exercem, aos papéis que se desempenham, aos compromissos que se assumem.

E que feliz será o sistema que acolha um outsider assim e aprenda com ele. É que ele permite que quem se sinta fora desse sistema possa encontrar o seu lugar. O autor de Aparição, a que vou dedicando a série deste ano das crónicas, disse, e ficou escrito, que: «O prazer que nos dá uma ideia de outrem, com que concordamos, vem-nos da ilusão de que fomos nós que a inventámos. Até porque fomos. Mas só agora o soubemos.» É assim, digo eu, que criamos uma identificação, é assim que descobrimos que não estávamos errados e nos sentimos estimulados a lutar contra uma corrente, se a corrente não nos levar por caminhos rectos e de bom destino.
Hoje apetecia-me fazer uma crónica sobre um ministro que entrou a lutar em nome do bem público e do interesse geral, que é o que um ministro em democracia tem mesmo de fazer. Sobre uma equipa que, afinal, vai só fazer cumprir com o seu trabalho, nada fácil, o que diz a lei e a Constituição, zelando pelos bens que cada cidadão lhe confia para gerir. Que, sem preconceitos, conta com todos os que de boa-fé sigam também esses princípios que às vezes parecem ter morrido e é necessário ressuscitar. Queria fazer uma crónica sobre a nova gestão anunciada dos contratos de associação entre o Estado e as escolas privadas que prestam serviço público, e não as escolas que não prestam a não ser para que alguns tratem das suas vidinhas à custa de todos. E fiz. Depois lembrei-me do outsider. E dei-lhe as boas-vindas ao texto da minha crónica.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Governo admite comboios de passageiros (e não só de mercadorias) entre Évora e Caia


Segundo o jornal Público o governo admite a circulação de comboios de passageiros entre Évora e Badajoz (ligando assim Lisboa a Madrid por linha férrea). Neste caso, para servir os passageiros, a linha Évora-Caia terá necessariamente que atravessar a cidade. Ou não?
"Apesar de vocacionada para o transporte de mercadorias, a linha Évora – Caia deverá ter comboios de passageiros que darão ligação em Badajoz aos comboios de alta velocidade para Madrid. Segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, Lisboa ficará a duas horas de Badajoz e Évora a apenas 30 minutos.
Esta é a resposta do governo à contestação do município de Évora ao traçado da linha, que aproveita um canal ferroviário já existente na parte oriental da cidade. Os moradores temem pelos impactos negativos que a passagem dos comboios possam provocar nos bairros junto à via férrea, mas, em resposta a perguntas do PÚBLICO, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas diz que não há razões para isso."

Começa hoje em Évora ciclo de cinema italiano

sábado, 14 de maio de 2016

Festival de Banda Desenhada de Beja de 27 de Maio a 12 de Junho


O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja realiza-se este ano entre os dias 27 de Maio e 12 de Junho, celebrando a sua 12ª edição.
Desta vez num novo formato, abraçando exclusivamente o Centro Histórico da cidade. O Festival inaugura no dia 27 de Maio, sexta-feira, às 21h00 horas, no Pax Julia – Teatro Municipal, o núcleo principal desta Festa da BD, e onde se centrarão boa parte das exposições e da programação paralela. Nessa mesma noite (e na seguinte) só encerraremos às 3h30 da manhã, já que a programação será ocupada com os Concertos Desenhados no Largo do Museu Regional (mesmo ao lado do Pax Julia).
O primeiro fim-de-semana (27, 28 e 29 de Maio) será completamente preenchido com a apresentação de projetos, sessões de autógrafos, conversas, concertos desenhados, lançamento de livros, workshops, etc.,e reunirá todos os autores representados nas 23 exposições patentes ao público.
Como não podia deixar de ser, o Festival também terá à disposição dos visitantes o Mercado do Livro (a maior livraria do país durante este período) e uma zona comercial com várias tendas instaladas (venda de action figures, arte original, jogos, posters, prints, etc.), no Largo do Museu Regional. E muitos espaços com refeições e petiscos! Em breve toda a informação estará disponível.

Para informações adicionais consultar https://www.facebook.com/festivalbdbeja

Vai ser inaugurada este sábado a exposição "Todo o Património é Poesia" no Fórum Eugénio de Almeida


Este sábado, às 17,30H

Pensada para o 30º aniversário da classificação de#ÉvoraPatrimónioMundial pela UNESCO, esta exposição abre novas perspetivas para uma reflexão aberta sobre o Património, e propõe-se ser um elo de contemporaneidade entre a memória e o futuro.
Neste sentido, e no desejo de convidar a cidade a participar nesta reflexão, o #FórumEugeniodeAlmeida desafiou a#CâmaraMunicipaldeÉvora, #DirecçãoRegionaldeCulturadoAlentejo e o Cabido da #SédeÉvora a colaborar neste projeto, propondo intervenções em espaços da sua tutela como as #TermasRomanas e a#IgrejadoSalvador.
Curadoria de Filipa Oliveira
Com: Ai Weiwei, Anri Sala, Clemens Von Wedemeyer, Danh Võ, David Maljković, E.B. Itso, Elisabetta Benassi, Francisco Tropa, Lara Almarcegui, Lida Abdul, Mariana Castillo Deball, Mariana Silva, Oswaldo Maciá, Pablo Bronstein, Pedro Cabrita Reis, Richard Wentworth, Rirkrit Tiravanija, Susana Mendes Silva, Tonico Lemos Auad, Vasco Araújo.
Integrado na exposição, apresenta-se o projeto O Museu do Vazio dos alunos finalistas do Mestrado Integrado em Arquitetura da Universidade de Évora em 2014-2015, coordenado por João Carlos e Vanessa Franco.
De 14 de maio a 28 de agosto de 2016

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Maria Filomena Mendes volta à presidência do Hospital de Évora

Maria Filomena Mendes é a nova presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE).
A professora da Universidade de Évora regressa ao cargo três anos depois para substituir Manuel Carvalho, que a tinha substituído.
O anúncio foi feito hoje pelo Governo através do comunicado do Conselho de Ministro.
"O Conselho de Ministros nomeou os membros do novo conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora, sob proposta dos Ministros das Finanças e da Saúde e mediante parecer favorável da CRESAP", pode ler-se no documento.
Assim, para o cargo de presidente do conselho de administração, foi escolhida Maria Filomena Mendes, até agora vice-reitora da Universidade de Évora.
Isabel Pita (diretora clínica), Francisco Chalaça, Luís Cavaco e José Chora (enfermeiro diretor) são os novo vogais executivos.

Évora: marcação de iniciativas à mesma hora não acontece só ao nível dos espectáculos


Não é muito habitual, dada a tão propalada capacidade organizativa do PCP e das organizações e personalidades que gravitam à sua volta, mas para este sábado estão programadas duas actividades coincidentes e provenientes desta área política em Évora, tal como os cartazes confirmam. Falhas na organização ou vitalidade acrescida desta área política?

O silêncio dos bons

A presença de um ex primeiro-ministro na inauguração de uma infra-estrutura pública seja qual for a sua natureza, não deverá ser noticia. Mas, a presença de um qualquer ex dignitário do Estado suspeito por ter cometido crimes durante o exercício de funções públicas, na minha opinião, deverá ser noticia e pelas piores razões.
O túnel do Marão vem trazer à região de Trás-os-Montes soluções de acessibilidade que até então não existiam. Bragança e Vila Real, só para enumerar as capitais de distrito, ficam indiscutivelmente mais perto do litoral, com tudo o que isto possa significar de oportunidades para o desenvolvimento da região e, consequentemente, para a criação de emprego e fixação de população.
Relativamente, à presença do Eng.º Sócrates na inauguração do túnel do Marão, a mesma não é só inusitada como é um atentado à democracia. A minha asserção não se prende com questões de culpabilidade. O senhor em questão tem as normas constitucionais para o efeito, que consagram as defesas e as garantias dos arguidos. A questão, porém, não é jurídica, e, muito menos judicial. A questão é eminentemente política, e deverá ser tratada neste campo.
Por conseguinte, o convite que o senhor Primeiro-ministro endereçou aos Senhores José Sócrates, Paulo Campos e Mário Lino, por razões diferentes, estes dois últimos por má gestão dos dinheiros públicos, para estarem presentes a inauguração do túnel do Marão, está eivado pelo desrespeito completo pelas instituições públicas. Sobretudo, é contrário à coisa pública, à ética republicana tão cara aos socialistas. Quem não perceber isto, que é o mínimo dos mínimos, poderá conduzir os desígnios do país? Penso que não deverá.
Mas o que mais me interpela, não foi o convite e a aceitação do mesmo. O que mais me importuna são os silêncios de muita “boa” gente sobre esta enormidade política. Alguém um dia afirmou; o que me incomoda não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Glifosato sem surpresas

Confesso que a conversa contestatária sobre as ervas que crescem nos passeios em espaço urbano é, para mim, um dos mais recônditos mistérios sobre a prática popular de cidadania activa.
Entendo-a perfeitamente quando a oiço a quem vive do que a terra dá e as ervas daninhas representam, por isso, uma ameaça à boa, ou melhor, colheita. Também reconheço que o lixo mais facilmente aterra num espaço em que fica preso nas ervas do que num terreiro livre delas, mas o problema aí é o lixo e quem o faz, e não as ervas que naturalmente procuram entre as pedras da calçada ou dos passeios um espaço para crescerem. E é ver o Rossio em Évora - terreiro de mercado livre de ervas, mensalmente invadido pelo lixo que quem ali negoceia, vendendo e comprando, deixa como recibo à cidade - para perceber-se no espaço urbano a diferença entre ervas e lixo.
Se o meio urbano vive muito do comércio, pelos vistos o país vive também muito do comércio do glifosato que mata depressa e barato as ervas no campo e na cidade. Só que a cidade não é o campo e o que pode servir a um pode não servir a outra. Parece-me que a questão do glifosato aplicado na agricultura ou nos passeios urbanos ou suburbanos é, por isso, diferente. E a argumentação que justificaria medidas diferenciadas deveria servir mesmo era para explicar opções, e contrariar o disparate motivado pela ignorância, e não para servir ora de megafone, ora de rolha. As pressões são mesmo assim e reagir-lhes requer aos políticos, não só o tino comum aos seres pensantes, mas uma enorme resistência ao desejo de alguns quererem agradar a todos e a qualquer preço.
As pressões em torno das ervas espontâneas nos passeios são, então, um assunto de enorme importância para os Eborenses. Sabiam-no os actuais governantes quando estavam na oposição e cavalgando a contestação se juntavam ao coro, ideologicamente polifónico, das vozes que punham o assunto no rol do que está muito mal na cidade. Sabem-no agora quando, confrontados com a falta de mão-de-obra que já antes impedia que fossem mais eficientes e eficazes os trabalhadores a arrancar as ervas, vá de usarem o glifosato em doses que coloca Évora bem posicionada no topo da lista das autarquias que, dentro de uma legalidade que me confirmaram, mais usam este tipo de herbicida muito pouco saudável para o cidadão e para os animais domésticos que circulam em espaço urbano. Afinal de contas, a solução para as ervas não revela ignorância mas uma escolha muito consciente para tratar um assunto que, em meu entender, se preocupa muito mais com a opinião pública do que com a saúde pública.
«Que importa que já o saibas? Só se sabe o que já nos não surpreende.» pensava o Vergílio Ferreira em contexto de pensar o Homem e a Vida. E eu, que já vou sabendo algumas coisitas, fico é mesmo à espera de ser surpreendida no próximo dia 18, quando a Comissão Europeia votar a reautorização da licença de uso deste herbicida na Europa. Até agora houve uma proposta para a revalidação por 15 anos, mas a Itália, a França, a Holanda e a Suécia parece que se opuseram, o que fez com que não se realizasse a votação por não estar garantida a maioria qualificada. Entretanto, parece também que o Parlamento Europeu terá feito uma recomendação, ainda que não vinculativa: que a revalidação da licença se faça apenas por sete anos e se decrete a proibição do seu uso em espaço urbano. Depois? Depois é cumprir. O que nem sempre é óbvio, e vai deixar alguma gente continuar muito incomodada com as ervas no passeio. Tenham dó!
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Grupo Parlamentar do BE reunido em Évora


Grupo Parlamentar
JORNADAS PARLAMENTARES DO BLOCO DE ESQUERDA
9 e 10 de Maio – Évora, Portalegre, Beja

Tema: Valorização do território, proteção do ambiente e combate às desigualdades

Segunda, dia 9 de Maio


- 12h, Évora: Abertura das Jornadas Parlamentares em Évora pela porta-voz do partido, Catarina Martins Local: Teatro Garcia de Resende

Várias visitas durante a tarde nos distritos de Évora, Beja e Portalegre.
14h, Évora: Reunião com a CIMAC (Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central)
15h, Beja: Visita ao Alqueva com a presença do líder parlamentar, Pedro Filipe Soares.
15h, Elvas (Portalegre): Visita ao Hospital de Elvas e reunião com a administração
17h, Mértola (Beja) : Visita as Minas de São Domingos
17h, Portalegre: Visita ao Instituto Politécnico de Portalegre e reunião com a administração.
17h, Évora: Reunião com o Movimento de Cidadãos Évora Unida na sede do Bloco de Évora
18h30, Évora: Reunião com o Presidente da Câmara Municipal
20h, Évora: Jantar distrital em Évora, no Restaurante Monte Alentejano.
Com intervenções políticas de Maria Helena Figueiredo (Évora), Antonio Ricardo (Portalegre), Alberto Matos (Beja), Mariana Mortágua e Catarina Martins.

Terça, dia 10 de Maio

10h, Évora: Reunião de trabalho fechada do Grupo Parlamentar
14h, Évora: Encerramento das Jornadas Parlamentares e apresentação de propostas legislativas, pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares. Local: Teatro Garcia de Resende

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Capa do DA desta semana


Hoje, em Évora, debate organizado pelo BE

Carta aberta ao presidente da Câmara de Beja (por Lopes Guerreiro)

Ex.mo Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Beja

Caro João Rocha
Escrevo-te esta carta aberta, neste Feriado Municipal, na tentativa de te sensibilizar para que não cometas um acto, que, para além de poder-te custar a reeleição, te colocará na História da Cidade de Beja pelas piores razões.
Demolir o Depósito de Água da Praça da República, sem promover um sério debate público, sem dares a cara em defesa da iniciativa que é tua e divulgando em sua defesa opiniões de especialistas que, do seu ponto de vista técnico, não poderiam dizer o contrário, poderá sair - a ti e, principalmente, à Cidade -, bastante caro.
Porque não promoveste um debate público sobre um assunto que sabes polémico e que divide a população, quando a CDU defende a gestão participada nas autarquias? 
Porque não foste tu e foi o teu vice-presidente a assumir o ónus da defesa dessa decisão? 
O que poderiam dizer os arqueólogos senão que preferem que o Depósito de Água seja retirado da área da estação arqueológica? Porque não lhes perguntaste se eles gostavam que as casas em volta também fossem demolidas? Se a respostas fossem positivas, como é normal que fossem, também as mandavas demolir?
Para quando é que prevês que as escavações arqueológicas estejam concluídas e o sítio visitável, constituindo uma atração turística da Cidade? Daqui a três ou quatro anos ou daqui a 30 ou 40 anos?

Caro João Rocha
Ainda estás a tempo de ponderar melhor a decisão e arrepiar caminho. Ouve as pessoas, principalmente as que são, por nascimento ou opção, de Beja. A opção não é meramente técnica, é também e principalmente política e mexe com os sentimentos das pessoas. Mesmo muitas que poderiam concordar com a demolição do Depósito de Água se tivessem tido oportunidade de participar num debate público alargado, ouvindo os prós e contras, não aceitarão a sua demolição. Estou convicto de que serão muitas mais as pessoas que se manifestarão contra a demolição, se ela for por diante, do que as que agora o fazem.

Caro João Rocha
Decidi escrever-te esta carta aberta hoje, porque, não sendo o Feriado Municipal comemorado como tem sido, talvez tenhas oportunidade de dedicar algum tempo a reflectir sobre a tua polémica decisão e as consequências que terá. E também porque fui instigado a usar este espaço de liberdade e intervenção cívica, que é o Alvitrando, para tentar evitar que vá por diante uma decisão de que os bejenses se virão a lamentar. E ainda porque não me parece correcto que em nome do património se destrua património. Sim, porque o património da Cidade não é apenas o arqueológico e de uma determinada época histórica. E, finalmente, porque as pessoas têm o direito de se pronunciar sobre decisões de consequências irreversíveis para o futuro da Cidade.
Espero que acolhas melhor esta minha sugestão, do que tens acolhido outras apresentadas com espírito de participação e colaboração pelo movimento independente e plural Por Beja com Todos. Beja merece!

Um abraço
Lopes Guerreiro

quinta-feira, 5 de maio de 2016

JSD Évora critica "sucessivos atrasos" na inauguração do Campo Desportivo


Com inauguração prevista para Novembro de 2015, estamos em Maio de 2016 e apesar da estrutura estar aparentemente pronta para ser utilizada ainda não tem data de inauguração marcada.
Relembramos que Évora era a única capital de Distrito sem esta infraestrutura desportiva que é realmente necessária, por vezes os atletas eborenses têm que treinar fora da sua cidade.
Neste momento não existem esclarecimentos oficiais por parte da Câmara Municipal de Évora ou da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto do Governo Socialista, por isso:
A JSD Évora, ao lado dos jovens eborenses, deixa uma mensagem: "Despachem-se! Évora quer Desporto!"


Marcelo no seu melhor.

Hoje na Universidade de Évora

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Infelizmente, está em causa!

No primeiro dia de Maio celebra-se e evoca-se o dia dos trabalhadores. Esta data comemora-se pelo facto de no ano de 1886 mais de 500 mil trabalhadores, em Chicago, nos Estados Unidos, fizeram a primeira greve geral da história laboral.
Até então, os trabalhadores apenas trabalhavam e jamais reivindicaram os seus direitos. Por isso, as sociedades e os países democráticos deverão assegurar que esta data possa ser comemorada em total liberdade.
Com efeito, analisando o facto politico do primeiro de Maio e sem pretender e/ou arrogar-me no interprete de serviço das palavras proferidas pelo presidente do partido social-democrata, Dr. Passos Coelho. Não posso, todavia, aceitar que se deixe passar a mensagem, que, Passos Coelho, desvaloriza a importância dos trabalhadores, ou, sequer tenha alguma posição de princípio contra a comemoração deste dia. Por isso, quem pensa assim, ou, insinue tal facto, é no mínimo, intelectualmente desonesto.
Na verdade, o Dr. Passos Coelho no discurso que proferiu no encerramento do congresso da Juventude Social-Democrata, que ocorreu este fim-de-semana na Batalha, fez alusão à comemoração do 1 de Maio, dizendo mais ou menos isto; não há razões para a comemoração deste dia. Concedo, porém, que podia ter escolhido outras palavras e até ter sido mais claro naquilo que pretendia comunicar. Outra coisa bem diferente é associar esta afirmação a quem é contra os trabalhadores e contra os seus direitos.
Ora, o que está em cima da mesa, refiro-me, e, estou absolutamente certo de que Passos Coelho, também, é saber se o futuro dos trabalhadores e por consequência o futuro do nosso país, está em causa. Pelo que, o relevante, no presente momento, é perceber e compreender a actual governação do país. Se as politicais levadas a cabo, são ou não “amigas” dos trabalhadores e de Portugal. Tem fundadas dúvidas disso o Dr. Passos Coelho. E, eu próprio, menos, não tenho. Infelizmente está em causa!

José Policarpo (crónica na rádio diana)

Marcha Lenta Com Muitas Perguntas

A contestação da classe profissional dos taxistas às condições de funcionamento de uma actividade muito similar que lhes faz concorrência foi sentida nas grandes cidades do nosso país na última sexta-feira. Em defesa dos seus interesses corporativos, tenta esta classe sensibilizar o legislador para que essa concorrência passe a ter as mesmas obrigações que ela.
Confesso que muita da argumentação contestatária utilizada me ultrapassa (em alta velocidade, como alguns destes profissionais, no seu exercício, cruzam as cidades ao serviço dos seus estimados clientes, a chocalhá-los bem e a buzinar a quem se lhes atravesse naquele rumo tão certo) e me faz parar (como quando, lá está, mais uma vez estes profissionais, no seu exercício, tantas vezes obrigam os outros automobilistas a parar atrás de si e a “aguentarem” porque estão a trabalhar, e os outros não?, e especam onde tem que ser…para eles). Mas dizia eu que, certa argumentação, me faz parar para pensar, pois parecia-me que será pela diferença que, em qualquer ramo de actividade, se faz a concorrência, oferecendo a quem a escolhe poder fazer isso mesmo: escolher. Pausa para dizer que sempre achei e acho muito hollywoodesco e divertido gritar na cidade “Táxi!”, mas que também me tenho adaptado muito bem aos gadgets electrónicos da comunicação sem fios que nos cabem no bolso e, não sem algum esforço, vamos tentando que caibam na bolsa.
Em frente ao microfone fomos ouvindo, ao longo do dia, diversas declarações de profissionais ao volante de táxis com conteúdo e tom diferentes umas das outras, a dar-nos mais um exemplo de como o ser humano se revela, enquanto indivíduo, diferente do outro seu semelhante em circunstâncias semelhantes e, mais curioso e fascinante ainda, se revela diferente de si próprio noutras circunstâncias. O que confirma que, de facto e como dizia pouco mais ou menos assim o Ortega y Gasset, o homem é ele próprio e a sua circunstância. A que eu acrescento, com outro nível mais coloquial pois, que a coerência é uma coisa tramada. E estou cada vez mais em crer que é, até, a coerência a nova virtude que a sociedade e cultura contemporâneas vão exigindo, ou pelo menos vão ponderando, já que são estas sociedade e cultura contemporâneas o onde e o quando todos vamos, felizmente, podendo ir dizendo quase tudo a quase toda a gente, submetendo-nos, consequentemente, a um muito maior escrutínio.
Mas voltando, para terminar, às contestações por uma legislação exigida por quem se sente ameaçado, presumo que mais pelos direitos que obtém do que pelos deveres a que é obrigado, ou não é assim? Eu cá quando me sinto ameaçada é porque acho que vou ser prejudicada nos meus benefícios e não nos meus malefícios, certo? Parece-me até que se há quem consiga ultrapassar situações incómodas sem ilegalidades, ou imoralidades (que é, ou devia ser, uma espécie de caminho coincidente do comportamento de cada um face ao legislado para todos), então é porque são um bom exemplo para melhorarmos as nossas próprias condições. Ou também não?
Bom, mas o Vergílio Ferreira também tem uma tirada muito interessante a propósito disto das leis e de quem elas servem. Diz então que: «As leis criam-se, como sabemos, segundo aquilo que nos interessa. Mas aquilo que nos interessa, como sabemos também, adianta-se sobre as leis. E então é preciso criar outras.» É só interesses, pelos vistos. De todos? Talvez. De alguns? Seguramente.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)