quinta-feira, 14 de abril de 2016

Coisas que não interessam a ninguém

Os poucos que me conhecem sabem que não deve haver coisa que me irrite mais do que um moralista. Pronto… um moralista indignado consegue irritar-me mais.
E nestas coisas do moralismo ofendido parece não haver fronteiras entre os que se afirmam de esquerda e os que se afirmam de direita, lançando-se todos numa espécie de cruzada contra comportamentos que não se enquadram nos elevados padrões da sua moralidade, transformada na única moral aceitável.
Vem esta conversa a propósito do grande escândalo em torno de João Soares, que o levou a demitir-se do cargo de ministro.
Antes de mais deixem-me dizer que não nutro qualquer simpatia pessoal pela figura de Soares (pai ou filho) e que não tenho opinião particularmente positiva sobre o seu exercício do cargo de ministro.
Esta apreciação não me impede de achar que o cidadão Soares tem os mesmos direitos que são atribuídos às pessoas que supostamente ameaçou e que possa reagir da forma que entender assumindo, naturalmente, as consequências do que escreveu.
Tudo se resumiu, de facto, a uma reacção infantil a um artigo que o próprio considerou ofensivo da sua dignidade e com o qual a generalidade dos cidadãos nada têm a ver.
É razão para ser “obrigado” a deixar o cargo? Não me parece e ainda me parece menos que gente que passa a vida nas redes sociais a insultar, ameaçar, desejar a morte a cidadãos que, por qualquer razão não gostam ou defendem ideias diferentes, de repente achem particularmente gravoso que alguém ameace com umas chapadas uns cronistas que escrevem num qualquer jornal.
Dir-me-ão que o homem é ministro e que o ministro não se pode dar ao luxo de tal destempero de linguagem e atitude, o que me leva a concluir que, pelo facto de estar a exercer funções públicas, está inibido de alguns direitos básicos como, por exemplo, a liberdade de expressão. Será isto razoável? A mim não me parece.
De repente apareceram virgens ofendidas que tomaram as dores dos dois cronistas, alegando que estava em causa o direito à opinião e à liberdade de expressão, por causa de umas infantis chapadas prometidas por alguém que se irritou com o que leu a seu respeito, como se o “ameaçador” tivesse o poder de calar os ditos cronistas.
Gente que resolve as birras dos filhos à chapada, de repente acha intolerável que um adulto prometa umas chapadas a outro adulto num contexto mais literário que literal.
Ah… mas o homem é ministro. E depois?
A maior parte destes defensores da moralidade, se fossem mimoseados com metade do que Vasco Pulido Valente escreve semanalmente, estariam a dizer o que costumam dizer sobre os políticos de que não gostam, seja justo ou injusto, verdade ou mentira.
Lembram-se daquele ministro da economia que foi demitido por ter chamado cornudo a um deputado em plena Assembleia da República? Foi bem demitido… mas pelas razões erradas. Deveria ter sido demitido pelas desgraçadas opções políticas que prosseguiu e não porque se irritou e fez um gesto que os miúdos faziam na escola do meu tempo.
Bem sei que não será esta a minha crónica mais consensual, mas irritam-me tanto os moralistas indignados que não posso deixar de exprimir esta opinião. Que é apenas a minha a opinião. Longe de mim querer que passe a ser doutrina oficial e que os que defendem o contrário sejam condenados aos suplícios da “novíssima” inquisição.
Faço minhas as palavras colocadas na boca de Adriano, por Marguerite Yourcenar: “A moral é uma convenção privada; a decência é uma questão pública”.

Eduardo Luciano (crónica na radiodiana)

6 comentários:

  1. Este vereador viajante não dá uma para a caixa,na Malagueira procedeu-se a limpeza de barracas e lixo na lateral da Rua das 2 Árvores depois de realojadas as famílias,bom trabalho.
    Mas por incompetência do serviço de fiscalização chegou outra família e começou a descarregar mobília e numa semana já montou a tenda e os anexos ocupando novamente toda a Rua do Rochedo.
    Senhor vereador demita-se basta!o senhor só serve para cronicas e viagens!

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  2. Parabéns. Estou completamente de acordo com o seu texto, pois acho que o País tem assuntos muito mais importantes para resolver e que passam à margem deste gigantesco e quotidiano "jornal de caserna"

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  3. De acordo, os jornalistas dizem (e escrevem) o que querem e sobra-lhes tempo, se alguém os contraria, é supressão de liberdade de expressão, se se lhes diz alguma coisa, são umas pudicas, umas virgens ofendidas, umas peças de porcelana, enfim...

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  4. Atenção da CME

    Urge repavimentar vários troços de faixas de rodagem na zona urbana,os buracos podem causar acidentes.

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  5. Foi o palerma do João Soares.
    Foram os homos no Colégio Militar.
    Foi o amigo e conselheiro do Primeiro Ministro.
    Tudo coisas importantíssimas, muito piores do que os milhões que os bancos nos vão roubando, muito piores do que os milhões de evasão fiscal pelos offshores do capitalismo.

    Desde que perderam as eleições legislativas que a extrema direita, com o apoio da (des)informação social, lá vai aldrabando factos políticos, a torto e a direito; inventando, julgando e condenando processos de intenções à esquerda; atribuindo crimes e ilegalidades que eles próprios cometeram, de forma agravada, com o maior descaramento, impunidade, e aplauso da (des)informação social, durante o mandato de Passos Coelho e Paulo Portas.

    Atribui-se a mera intenção, e imediatamente se condena e se exige a demissão. Mas os crimes que foram de facto cometidos pela extrema direita continuam impunes e esquecidos.

    É esta a "primavera" propagada pelas forças fascistas, nos países onde o estado de direito foi destruído, e a guerra prolifera.
    É este o golpe de estado que está a decorrer no Brasil, para impugnar uma Presidente da Republica inocente dos crimes que os criminosos-de-facto da extrema direita a acusam.
    É a (des)informação social a servir de porta voz ao serviço da besta fascista.

    (quando é que os jornalistas portugueses acordam?)

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  6. Um vereador deve no mínimo ter experiência de trabalho numa autarquia,este vereador e o outro vereador Rodrigues não tem a mínima experiência versus capacidade,tem sido um molho de brocas para o presidente,o que parece foram empurrados por o comité central e a Dorev para as funções,brincam com o fogo camaradas!

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