quinta-feira, 14 de abril de 2016

Carta ao ministro e petição contra traçado da linha Sines/Badajoz

MOVIMENTO DE CIDADÃOS ÉVORA UNIDA

Para: Ministro do Planeamento e das Infraestruturas


Os Eborenses foram recentemente confrontados com a decisão da empresa Infraestruturas de Portugal (IP) de usar a ligação ferroviária no Ramal de Estremoz, inativa há vários anos, como um dos troços de ligação ferroviária para transporte de mercadorias entre Sines e Badajoz, por onde circularão diariamente mais de 50 comboios com uma dimensão que pode atingir 750 metros cada.
A reativação desta antiga via entre a atual estação ferroviária de Évora e a estação Évora Norte a construir, numa extensão de 9 Km, atravessará a zona urbana nascente da cidade que se consolidou e desenvolveu ao longo dos últimos anos, o que naturalmente comprometerá a qualidade de vida e a mobilidade de centenas de cidadãos e o ordenamento territorial desta zona.
Perante tal decisão, o executivo camarário decidiu por unanimidade das forças políticas manifestar o seu repúdio por esta solução e solicitar audiências à Administração da IP e ao Ministro das Infraestruturas e Planeamento para procurar uma alternativa que preserve a integridade da cidade e não limite o seu desenvolvimento futuro. Assim, um grupo de cidadãos encetou algumas iniciativas em defesa do interesse da Cidade, em consonância com a posição tomada pela Câmara, e decidiu avançar com uma Petição Pública.
Évora, reconhecida como Património Mundial pela UNESCO que em 2016 celebra o 30º aniversário da outorga da distinção, que justamente se orgulha do seu património edificado e cultural e promove ativamente a qualidade de vida dos que aqui vivem e dos que nos visitam insurge-se civicamente contra esta decisão que de forma drástica vai condicionar o seu futuro. Num tempo em que cada vez mais as fronteiras físicas e culturais são abolidas por todo o mundo, não podem os Eborenses tolerar que uma nova barreira artificial divida a Cidade, quebre a sua harmonia e abra uma ferida profunda no seu tecido urbano.
Tendo por base o estudo do município sobre os efeitos da solução que nos querem impor, nomeamos alguns dos aspetos que sustentam a nossa firme oposição. A proposta da IP:

1. Compromete o desenvolvimento da cidade a Nascente e as infraestruturas viárias projetadas e isola populações devido à extinção de ligações rodoviárias existentes;

2. Exige avultadas obras de reparação e manutenção das redes públicas de saneamento e de outras infraestruturas que cruzam a via-férrea e obriga a introduzir sistemas falíveis e de manutenção cara, como elevadores;

3. Contribui expressivamente para a perda da qualidade de vida dos moradores nos espaços envolventes, pelo ruído, vibrações, trepidações, catenárias elétricas e, ainda, pela notória redução das condições de mobilidade das pessoas no seu quotidiano;
4. Introduz um maior risco à vida das pessoas nas zonas limítrofes, com escolas a uma distância inferior a 100m da linha, devido ao transporte de produtos potencialmente perigosos destinados e vindos dos terminais petroleiro e petroquímico de Sines;

5. Condiciona a prazo qualquer expansão da via ferroviária para outro fim, não viabiliza a eventual duplicação da linha e dificulta futuras intervenções que se venham a revelar necessárias.

6. Afeta o património material e imaterial da Cidade, ao reduzir irreversivelmente a notável tomada de vistas sobre a cidade da zona nascente e destruir parte de uma quinta patrimonial (quinta da Piedade), contrariando as opções do atual PDM;

Por estas razões, convocamos todos os que amam e vivem a Cidade de Évora e querem preservar a sua integridade territorial e o bem-estar e qualidade de vida da população a manifestar o seu apoio a esta causa, assinando esta Petição. Não nos resignamos à aparente natureza irreversível de uma decisão que afeta de forma marcante o bem-estar dos Eborenses e que condiciona o nosso futuro coletivo.
Defendemos de forma inequívoca a ligação ferroviária Sines-Badajoz, a qual esperamos vir a constituir uma mais-valia para o desenvolvimento de Évora, do Alentejo e de Portugal. Porém, como a Câmara tem vindo a demonstrar, existem alternativas viáveis no plano técnico e económico ao traçado que nos querem impor.
Apelamos, pois, à justa intervenção do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas do Governo de Portugal, no sentido de, em tempo útil, equacionar uma solução alternativa que seja viável no plano social e ambiental.

Para assinar petição: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=MOVEVORAUNIDA

9 comentários:

  1. "O traçado foi estabelecido, em 2007 pelas entidades responsáveis da altura apòs a realização dos obrigatórios estudos,nomeadamente de Impacto Ambiental",foi a resposta do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas ao jornal "Público"

    a ser verdade estas declarações é a Prova que a gestão socialista concordou com o traçado,com a entrada do governo de Passos o projeto esteve parado,na altura alguns Cidadãos e os eleitos(CDU) na Assembleia de Freguesia da Senhora da Saúde tomaram posição ,as restantes forças ignoraram o caso.

    Era bom ouvir os responsáveis autárquicos da altura sobre estas declarações do Ministério ,a ser verdade, os autarcas que dirigiam a cãmara em 2007 não defenderam a Cidade.

    Resta saber que interesses podem existir,será que as alternativas que existem atravessam propriedades das elites Eborenses?

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    1. 1. É verdade que o traçado de 2007 foi feito com a conivência do presidente da CME, José Ernesto, e com o parecer favorável dos serviços dirigidos pelo arq. Pereira.
      2. Também é verdade que, em 2007, este traçado urbano destinado exclusivamente a mercadorias (completamente absurdo que se mantivesse a atravessar bairros habitacionais!), fazia parte de uma "pacote" maior que incluía o famigerado TGV, que passaria a norte da cidade próximo da A6.
      3. Não é menos verdade que o anterior governo deixou cair o TGV e o que agora se quer fazer é uma NOVA linha de velocidade elevada dedicada simultaneamente a mercadorias e passageiros.
      4. Ora, sendo uma única linha mista, os anteriores estudos de impacto ambiental (que incluíam linhas separadas para passageiros e mercadorias), não servem.
      5. Além disso passaram 9 anos e muita coisa mudou de lá para cá, incluindo a crise económica mundial. Esta é uma proposta nova com uma nova filosofia de intervenção no transporte ferroviário. Justifica-se, pois, que, no troço urbano pelo menos (cerca de 5 Km de um total de quase 100km DE LINHA NOVA), seja aberta a discussão sobre a melhor solução, sob os diversos pontos de vista: o dos eborenses e o dos transporte ferroviário. Na conciliação dos dois pontos vista estará a boa solução.

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  2. Mas que protectores do colectivo que eles estão.Qualquer obra os assusta.E como não lhes agrada,vá de agarrar no colectivo que é para isso que ele serve.Para servir de cobaia, mais nada.
    Mexam mas é com esta pasmaceira que já cheira mal de estagnada que está.

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  3. 1. Saúdo mais um movimento de cidadãos. Espero que tenham a mesma energia e sucesso que teve o movimento de cidadãos do CH.
    2. Embora os termos da petição não estejam totalmente correctos, designadamente o ponto 6., apoio a petição.
    3.O que está em execução nas imediações de Évora, se for levado a efeito, comprometerá os acessos à cidade, a mobilidade dos cidadãos e, sobretudo, o futuro desenvolvimento da cidade para nascente.
    4.Bastaria que aproveitassem parte da linha de Reguengos (até ao futuro IP2), para que a maior parte dos problemas e inconvenientes desta solução deixasse de existir. Se houver equilíbrio e bom-senso, acredito que será essa a solução a ser escolhida.

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  4. Acho piada é o atrevimento da câmara municipal, quando refere querer acautelar os interesses do futuro desenvolvimento da cidade a nascente.
    Será que se estão a referir ao rio Xarrama e aos canaviais que por dentro dele proliferam?
    Será que se estão a referir ao esquecimento da variante nascente que serviu de bandeira para derrubar o o Ernesto e de que hoje nem querem ouvir falar? (da variante claro)
    Será que se estão a referir à utilização do ramal de Reguengos que passa mesmo encostadinho ao bairro da Caeira, não importando esses moradores no que concerne à passagem alternativa do comboio por aquele local?
    Será que se estão a referir ao incomodo que a passagem do comboio provocará,num local onde já outros comboios passavam a caminho de Estremoz, mas que hoje, porque alguns notáveis vivem para os lados dos Alamos,tal não poderá acontecer?
    Será porque, mantendo a linha o seu troço, tal como está planeado, a câmara sabendo que tem que construir um aqueduto e um viaduto para permitir a passagem de moradores do bairro Senhora da Saúde, Stª Luzia, Stº António, Caeira,Comenda,etc, se está uma vez mais a furtar das suas responsabilidades barimbando-se para os moradores,falando em nome deles, quando a eles deve prestar um serviço que realmente dê vida a nascente da cidade?
    Será que a câmara quer mesmo proteger a zona nascente da cidade, ou impedir o seu crescimento e progresso?

    Abram os olhos e vão ao local constactar a realidade.

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    1. Um comentário demasiado mesquinho e pequenino para que mereça resposta. É afinal, a mentalidade de quem conduziu a CME durante 12 longos anos e deixou a cidade comprometida com soluções ruinosas (como é caso deste traçado da linha de comboio, da localização errada do novo Hospital, etc.), a autarquia falida e os eborenses a pagar a dívida com taxas e impostos no máximo durante 20 anos.

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    2. «atrevimento da câmara municipal, quando refere querer acautelar os interesses do futuro desenvolvimento da cidade a nascente...»

      Atrevimento porquê? Não é para Nascente, o crescimento natural da Cidade?
      É preciso algum cuidado quando se escrevem coisas sem sentido ou sem pensar, pois corre-se o risco de descredibilizar todo o discurso. Como é o seu caso.

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  5. 00:51,em pleno séc.xxi não faz sentido que o comboio de mercadorias (transportando produtos tóxicos) atravesse parte da cidade.

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  6. ...Mas que produtos tóxicos?

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