quinta-feira, 28 de abril de 2016

Equação impossível

O presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro discurso que fez à nação nesta qualidade a propósito das comemorações do 25 Abril, descreveu de forma rigorosa e imparcial os factos político-constitucionais que marcaram a nossa vida política em Democracia. Quantos aos apelos que dirigiu aos partidos que constituem a representação parlamentar, tenho muitas dúvidas, que, venham ser atendidos.
Na verdade, a atual solução governativa tem fundada a sua legitimidade política em partidos que não acreditam na União Europeia, no Euro, nas regras orçamentais que decorrem dos tratados, como, também, não acreditam na economia social de mercado. Acreditam, porém, num Estado protecionista, dirigista e empresário. Esta visão do papel dos Estados, em minha opinião, está caduca e é contrária ao desenvolvimento e colocará os países e as respetivas sociedades mais distantes do progresso, do desenvolvimento e do bem-estar.
Ora, os apelos que o atual presidente fez aos partidos para que sejam criadas as condições políticas para que haja consensos em matérias como a Segurança Social e o sistema politico, mormente, a Lei eleitoral. Terão, indubitavelmente, as resistências do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. A sobrevivência destas forças politicas, passa, como de resto tem sido a estratégia adotada, pelo confronto, pelo radicalismo e pelo populismo quase primário. Neste último aspeto, o bloco destaca-se largamente.
Por isso, sou da opinião que será muito pouco provável que se consigam encontrar, no atual quadro político, as condições necessárias que permitam encontrar o espaço para que seja possível haver consensos e os respetivos acordos de regime em matérias como aquelas que acima identifiquei.
Assim, afasto-me total e conscientemente do presidente da república, porque estou convencido de que a atual situação politica só se clarificará com a devolução da decisão ao povo. Não porque defenda que devamos andar sempre em campanha eleitoral, mas porque estou plenamente convencido que de esta solução constitui um impasse e o país não pode nem deverá perder tempo.
De resto, o atual governo depende de uma solução política que não só não foi sufragada, como não tem a capacidade de gerar os consensos políticos em virtude das inultrapassáveis divergências políticas e ideológicas que separam os partidos que a suportam.
Com efeito, posso reconhecer o esforço realizado pelo presidente da república no seu aviso à navegação, mas um automóvel com rodas quadradas muito dificilmente chegará longe.

José Policarpo (crónica na radio diana)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Debate: Évora, que centro histórico?


Vozes da Cidade - Ciclo de Conversas
#3 Évora, que centro histórico?
Hoje, 27 de abril, 21:30
 
Na terceira sessão das Vozes da Cidade, João Andrade Santos (economista, 73 anos) é o anfitrião que desafia Eduardo Miranda (arquitecto, CMÉ), Gaudêncio Cabral(comerciante eborense, dirigente associativo e membro do Movimento de Defesa do Centro Histórico de Évora), José Alberto Ferreira (gestor cultural, director da Colecção B, docente da Universidade de Évora), José Silva Neves (empresário, 49 anos de idade), Marcial Rodrigues (vice-Presidente da Direcção do Grupo Pró-Évora) para debater perspectivas sobre o Centro Histórico de Évora (CHE). Um debate que se quer prospectivo e inquieto, atento e futurante. 
No ano em que se comemoram os 30 anos da classificação do CHE como Património Mundial pela UNESCO; no ano em que as políticas do governo central apontam a recuperação urbana como uma das sete prioridades do Plano de Reformas estruturais, este é um debate cuja oportunidade se impõe. E o convite é para um debate mobilizador. Contamos consigo !

terça-feira, 26 de abril de 2016

O 25 de Abril de Vergílio Ferreira

Recordarei hoje o registo que, na sua Conta Corrente, com a memória dos dias que pensava e escrevia, Vergílio Ferreira recebeu a notícia da Revolução dos Cravos.
«Às sete da manhã, um amigo telefona-me: “Ouça a rádio.” Ouço sem entender: rebentou a Revolução. A Revolução? Que Revolução? Por fim lá vou compreendendo. Toda a manhã a rádio nos vai esclarecendo com notícias. Passámos o dia à escuta. Será possível?» E no dia seguinte: «Vitória. Embrulha-se-me o pensar. Não sei o que dizer. Uma emoção violentíssima. Como é possível? Quase cinquenta anos de fascismo, a vida inteira deformada pelo medo. A Polícia. A Censura. Vai acabar a guerra. Vai acabar a PIDE. Tudo isto é fantástico. Vou serenar para reflectir. Tudo isto é excessivo para a minha capacidade de pensar e sentir.»
E como, um ano depois, num comício do Partido Socialista, onde a Sophia e o Torga também estavam, leu à multidão na praça pública ainda que sem o sistema de som ligado, porque teria sido sabotado:
DIZER NÃO

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenarmo-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fraticida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.»

Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

sábado, 23 de abril de 2016

O dia em que o Presidente Marcelo defendeu o Presidente Pinto de Sá

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acabava de sair da Universidade de Évora e tinha já à espera um banho de multidão com ruidosos aplausos. Nada de novo nem de anormal como se tem constatado por todos os locais por onde o novo Presidente da República tem passado neste seu "Portugal Próximo", primeiro périplo com que inaugurou a sua presidência.
Ora, saía o PR da Universidade em direcção ao Largo das Portas de Moura, pela rua do Conde da Serra da Tourega quando ao cimo da travessa da Amêndoa surge uma senhora, já idosa, clamando pela presença do PR. Solícito e sorridente Marcelo rapidamente beija a senhora, ouve as suas queixas, chama o presidente Pinto de Sá para as ouvir também e rapidamente se apresta a defender o autarca.
(A fotografia do PR é de Carlos Neves e foi roubada daqui https://www.facebook.com/neves.karlos?fref=ts)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Exposição de António Couvinha é hoje inaugurada na Malagueira (Évora)


A inauguração terá lugar hoje pelas 18h30 na sede da Junta de Freguesia da Malagueira. É organizada pela União das Freguesias de Malagueira e Horta das Figueiras em parceria com a Câmara Municipal de Évora e a Direção Regional de Cultura do Alentejo e estará patente até ao dia 1 de Julho.

Este sábado em Évora encontro aberto no ArtCafé sobre a temática das deficiências


Capa do DA desta semana


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A liberdade e os seus inimigos

Na passada semana assistimos a um espectáculo degradante dado por políticos acusados de corrupção, saudosos da ditadura militar, fanáticos de seitas religiosas e imbecis que repetem os que os seus mandantes determinam, tudo isto embrulhado em discurso patriótico e em nome da liberdade, e dito em português com sotaque.
Foi o culminar de uma vil campanha iniciada por uma comunicação social paga por aqueles que construíram a possibilidade de um golpe de estado sem disparar um tiro.
Aconteceu isto no Brasil, quando ainda não passaram 40 anos sobre o fim de uma feroz ditadura militar que transformou aquele país no destino preferido dos fascistas que entretanto se puseram ao fresco quando por cá recuperámos a nossa liberdade.
Ouvir um deputado nomear elogiosamente um coronel torturador, enquanto votava a favor do golpe de estado foi talvez a coisa mais repugnante que ouvi nos últimos tempos.
O movimento democrático que varreu a américa latina está hoje debaixo do fogo império que não lhe perdoa a ousadia de optar por caminhos de independência e progresso social. Se estivéssemos nas décadas de 60 ou 70 do século passado a solução seria pagar a uns quantos criminosos fardados, para derrubar governos legítimos e impor ditaduras militares, como aconteceu no Brasil, no Chile ou na Argentina.
Mudando-se os tempos a solução passa por desestabilizar através de campanhas veiculadas por uma comunicação paga para tal, que levem ao mesmo resultado, com a conivência de povos sujeitos a essa brutal manipulação.
Assistimos a esta mesma operação, de que agora o Brasil é alvo, na Venezuela e noutros pontos do mundo, com a popularização de caminhos de retrocesso a tempos de barbárie.
São preocupantes os tempos que vivemos. Parece que uma onda de neo fascismo vai crescendo e tornando legítimas todas as possibilidades, mesmo as mais atrozes.
Basta ver o que se repete nas redes sociais, o que se passa na Ucrânia, na Polónia, na Venezuela ou no Brasil para percebermos como está este mundo perigoso para os ideais de progresso.
Chegámos a um ponto em que parece admissível que o império possa ter como dirigente máximo figuras como Donald Trump e que a alternativa possa ser Hilary Clinton.
É neste contexto que, apesar de todos os retrocessos, a nossa Revolução parece brilhar como farol de futuro, podendo nós afirmar que 42 anos depois do fim da ditadura é impensável ouvir um deputado da Assembleia da República, mesmo os da direita mais conservadora, elogiar um qualquer torcionário da polícia política do regime fascista.
É preciso lembrar que a liberdade e o direito ao sonho de uma vida colectiva melhor e mais justa, têm de ser defendidos todos os dias e de forma implacável.
Comemorar o que conquistámos em Abril é também uma forma de afirmar a nossa vigilância contra a besta fascista que usa a palavra liberdade como mobilizadora para o caminho que leva à sua supressão.
Até para a semana.

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A 33ª Ovibeja abre as portas esta quinta e termina na segunda-feira, dia 25 de Abril


A 33ª Ovibeja abre portas ao público já esta quinta-feira, 21 de Abril, a partir das 11h00. A sessão de abertura está agendada para as 16h00 na presença do Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos.
Esta edição da Ovibeja é marcada pela ausência física do seu mentor, Manuel de Castro e Brito, falecido recentemente, que vai ser evocado em dois momentos. O primeiro decorre durante a sessão inaugural, no Auditório do NERBE.
O segundo momento de homenagem a Manuel de Castro e Brito, a que se associa o Presidente da República, acontece no sábado, dia 23 de Abril, numa acção repleta de simbolismo que vai acontecer, a partir das 15h30, na Alameda Principal da Ovibeja.
Esta Ovibeja vai ter a habitual romagem de políticos. Logo na sexta-feira, dia 22, pela manhã a Feira é visitada pelo primeiro-ministro António Costa e pela lider do CDS, Assunção Cristas, os dois às 11,30h. À tarde Passos Coelho, do PSD, vai estar na feira pela 18horas e meia hora depois é a vez de Jerónimo de Sousa do PCP visitar a Ovibeja. 
No sábado, como já se disse, é a vez de Marcelo Rebelo de Sousa visitar a feira e no domingo estará na Ovibeja, pelas 17 horas, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.
Com mais de mil expositores, a 33ª Ovibeja mobiliza os mais diversos sectores de actividade, com destaque para a nova realidade do mundo agrícola. “Terra Fértil” – Mostra de Inovação Agrícola e Agribusiness” é um dos temas principais que envolve apresentação, demonstração e colóquios sobre temáticas da ordem do dia. As raízes da terra e o engenho das gentes também vão estar em destaque no Pavilhão do Cante e Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais.
Os produtos agro-alimentares, as provas e demonstrações com animais, os equipamentos e maquinaria agrícola de última geração, os restaurantes de raças certificadas, as inúmeras tasquinhas de comes e bebes são mais alguns dos muitos ingredientes de uma feira que é feita pelos seus participantes e visitantes.
A noite traz à Ovibeja milhares de jovens para os concertos de referência, com a actuação de grupos que vão desde os DAMA, a 21, Carlão, a 22, Nelson de Freitas, a 23 e David Carreira de sábado para domingo. As “ovinoites” contam-se de histórias de encontros e reencontros, de partilha e de crescimento na feira que representa “Todo o Alentejo deste Mundo!.


Évora: estreia amanhã no Teatro Garcia de Resende


"ÑAQUE, OU SOBRE PIOLHOS E ACTORES"
Estreia já amanhã dia 21 de Abril, às 21.30 H
No Teatro Garcia de Resende

terça-feira, 19 de abril de 2016

A outra face

Agora que estão apaziguados os ânimos daquelas figuras mais ou menos públicas a quem deu para prometer uns tabefes virtuais ou fazer queixinhas do chefe, online e urbi et orbi, parece-me que voltar ao tema da comunicação social em modo democrático é uma matéria que se impõe a quem se ocupa de dinâmicas sociais e educa, a vários níveis, para a cidadania.
O Facebook®, para além de um imenso negócio proporcionado por milhões e que enriquece poucos, é uma aparentemente simpática rede social que permite, na era das tecnologias ao serviço de (quase) todos, manterem-se as pessoas em contacto e comunicarem. Passámos muito depressa de uma sociedade em que se dizia que os valores individualistas também se deviam à falta de comunicação entre as pessoas, para uma sociedade em que a toda a hora podemos estar a comunicar os pormenores mais íntimos com todos, ou com aqueles com quem escolhemos criar uma rede. Não tenho dúvidas que, por exemplo, muitos de nós que a utilizamos já por lá reencontrámos amigos de infância, de juventude ou de trabalho que a vida se encarregou de afastar, e que temos podido acompanhá-los com som e imagem ou desabafos, nos momentos que queiramos partilhar uns com os outros.
O que se passa, então, é que para nessas comunidades que criamos acabarmos por ter as companhias que merecemos isso dá-nos o trabalho de termos de filtrar, sem estratégias de censura de má memória, aqueles com quem não nos apetece conviver, nem virtualmente. Isto não quer dizer que não haja quem use precisamente esses métodos, em versão caseira da espionagem, e crie os chamados perfis falsos para, simulando dar a cara, “sacar” informações sem o fazer. E “sacar” informações já é quase só uma brincadeira de meninos, porque há quem o faça para achincalhar, difamar, enfim perturbar e influenciar os ainda crédulos ou, pronto, mais preguiçosinhos (e sim, penso nos jornalistas que se dão a pouco trabalho de investigação e se limitam a ser megafones daquilo que têm disponível numa rede social, apesar de poucochinho e obviamente longe da imparcialidade da informação que uma boa notícia tem). E os mais crédulos, o chamado público em geral, tendem tantas vezes a julgar que “onde há fumo há fogo”, e muitos utilizam os sinais de fumo para levar a sua avante ou trazer a água ao seu moinho. Uma prática muito pop, para usar uma simpática abreviatura aplicada a comportamentos de grandes colectivos ou massas.
As atitudes, mais chocantes para uns do que para outros, que se têm em perfis ditos públicos, ou seja abertos a todos, são por definição alargados para fora do nosso círculo de amigos e todos os cuidados, quer connosco quer com os outros, devem ser por isso muito levados em conta. E como em tudo, há que conhecer e reconhecer as circunstâncias em que as grandes declarações escancaradas ou os innuendos mais matreiros são expostos nestas novas plataformas de comunicação por indivíduos às massas. E os indivíduos que as produzem, sem os media a tratar do assunto para o bem e para o mal, devem saber, e muitos até sabem, reconhecer-se como principal alvo de avaliação dos outros, para além da vontade que têm que os que os leiam avaliem aqueles de quem dizem coisas.
É também por isso que quando conhecemos as pessoas, porque fazemos efectivamente parte da sua rede social ou porque já lhes conseguimos tirar a pinta, muito do que vamos lendo não nos ofende, choca ou espanta. A alguns até podemos elogiar como coerentes, com ou sem ironia. Nada, no entanto, colide com o facto de que, quando se assumem diferentes cargos e ser nesses cargos que somos avaliados por outros em público, ser também assim que, em público, devemos perceber que representamos muito mais do que aquilo que somos, tornando-nos um exemplo alargado, ou seja uma parte que qualifica um todo. O nosso autor dá um conselho, não aos que sabem exactamente o que estão a fazer e querem continuar, mas aos que pensam que se pode dizer tudo, ou talvez nem pensem que aquilo que dizem é o que acaba por defini-los. Diz o Vergilio Ferreira: «Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém.» O espaço público, digo eu, seria muito mais seguro e sério, mas também muito menos divertido. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

Hoje na Biblioteca da Escola das Artes da UE



segunda-feira, 18 de abril de 2016

Más Ligações

Não posso deixar de me associar a um conjunto vasto de cidadãos e cidadãs eborenses que se têm vindo a manifestar contra a decisão da Infraestruturas de Portugal em reactivar a ligação ferroviária no Ramal de Estremoz.
Esta reactivação tem em vista a ligação entre a actual Estação de Comboios e a Estação Évora Norte, permitindo que dezenas de longos comboios de mercadorias, provenientes de Sines e com direção a Badajoz, passem em plena área urbana na zona nascente da nossa cidade.
Estamos a falar de mais de 50 comboios diários a passar junto a casas de dezenas de famílias, contribuindo para uma clara degradação da sua qualidade de vida.
Esta é uma péssima solução a vários níveis:
* Além de provocar o isolamento de várias habitações, através da extinção de estradas e condicionando o desenvolvimento de novas ligações viárias e a mobilidade das populações, a passagem constante destes comboios irá provocar ruído e trepidações constantes.
* Violará aquilo que é expectável para uma cidade Património Mundial da UNESCO pois poderá reduzir a tomada de vistas sobre a cidade. Tudo o que menos precisamos é de mais esta machadada, depois da previsível construção de um empreendimento comercial também junto ao Centro Histórico.
* Também a nível económico não parece uma boa solução, pois vai exigir grandes obras de reparação e manutenção da rede pública de saneamento que atravessa a zona, além de impedir, no futuro, a expansão desta via ferroviária para outros fins.
Fez bem a Câmara Municipal, por unanimidade, em se manifestar contra esta solução, a pedir audiência ao Ministro das Infraestruturas e Planeamento e à Administração da Empresa, e em mostrar que existem alternativas que não prejudiquem as populações (social e ambientalmente), mas que ainda assim garantam a ligação ferroviária.
Fez muito bem um conjunto de cidadãos e cidadãs ao criar um movimento, denominado “Movimento de Cidadãos Évora Unida”, que se encontra a sensibilizar a população para esta problemática,e ao lançar uma petição pública, a qual convido todos os ouvintes e leitores a assinar.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

Beja: Rui Garrido eleito para presidente da direcção da ACOS


A ACOS – Associação de Agricultores do Sul já escolheu o presidente da Direção que substitui, no cargo, Manuel de Castro e Brito. A escolha recaiu no nome de Rui Garrido, agricultor e sócio-gerente da empresa Ruralteam – Consultoria e Investimento Agrícola/Florestal, sedeada em Beja.
A poucos dias da abertura de mais uma Ovibeja, a 33ª, Rui Garrido, o novo presidente da Direção da ACOS – Associação de Agricultores do Sul assume a tarefa de substituir Manuel de Castro e Brito, ficando à frente dos destinos desta instituição.
Nunes Ribeiro, professor do ensino superior e um dos vice-presidentes da ACOS, sobe a presidente substituto, ficando com a missão de substituir Rui Garrido nos seus impedimentos.
O veterinário Miguel Madeira foi cooptado, para a Direção, na qualidade de vice-presidente.
Cláudino Matos passa a ser o diretor-geral, ou seja o responsável pela gestão diária da Associação.

O cante e a dança

domingo, 17 de abril de 2016

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: hoje Conferência no Grupo Pro-Évora – Desporto e Património


Em antecipação do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Grupo Pro-Évora realiza no domingo, dia 17 de Abril, na sua sede, R. do Salvador,1 pelas 17.30h uma conferência/debate este ano subordinada ao tema Desporto e Património que será proferida pelos oradores João Tiago Lima, prof. da Universidade de Évora : “O Rugby como modalidade local e global” e o Dr. Jorge Fanico dos Santos : “Três questões sobre o património desportivo de Évora”.
O Grupo Pro-Évora convida todos os sócios e interessados a participar nesta actividade.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Este sábado no Armazém 8, em Évora, espectáculo com Luis Galrito, numa co-organização da AJA/Évora


A não perder este sábado, dia 16, em Évora, num espectáculo organizado pela Associação José Afonso/Núcleo de Évora e pelo Armazém 8. Às 22 horas.
Luís Galrito vem a Évora para comemorar Abril
SEJA BEM VINDO QUEM VIER POR BEM

Luís Galrito nasceu em Reguengos de Monsaraz, viveu em Fronteira e reside hoje no Algarve.
Letrista, compositor, e intérprete das suas canções, nota-se em Luís Galrito uma genuína vertente de trovador, um saudável misto das raízes folk do Alentejo, de onde é oriundo, e das referências urbanas mais modernas.
Há uma intervenção despretensiosa e natural nos seus temas, aliada a uma visão algo romântica que renasce continuadamente nos seus textos, e se revive de uma voz, com um timbre bem peculiar, e uma guitarra mano a mano.
Trabalhou já em vários projectos, não só com temas da sua autoria, como também de outros cantores portugueses, como Zeca Afonso ou Adriano Correia de Oliveira. Nos seus registos discográficos já participaram algumas personalidades conhecidas como Kalu, dos Xutos e Pontapés, e Luís Jardim, produtor do seu mais recente disco de originais “Quero ser Humano”.
Ultimamente tem realizado vários espectáculos acompanhado do grupo Canto Livre, onde podemos assistir a uma fusão muito bem conseguida dos estilos e experiências pessoais de cada músico do grupo. Uma mistura de arranjos e sonoridades, de estilos tradicionais e também urbanos e modernos, fazendo igualmente referência e homenagem aos cantautores portugueses que marcaram e ainda marcam gerações.


'Primavera no Campo Branco' começa hoje em Castro Verde com concerto de Camané


programa aqui

Hoje no Salão Central em ruínas


15 de Abril, das 16h às 20h | "Fora de Horas" Festival CONDOMÍNIO | ÉVORA
O CINEMA tinha acabado de ser inventado quando o Salão Central Eborense foi erguido em 1916. Depois de alguns anos enquanto sala de espectáculos é a partir do período do Estado Novo e após uma intervenção do arquitecto Keil do Amaral que se torna formalmente uma Casa do Cinema. Foi esta a sua função até ser desactivado. Sabemos que foram projectados vários filmes de época, um deles Non son degno di te!, e que a casa de banho era particularmente longe da plateia para alguns. Contaram-nos também que no final da sua primeira vida foram os filmes pornográficos que lhe apaziguaram as maleitas. 
Cada pessoa viu um filme no Salão Central Eborense, cada pessoa fez o seu próprio filme no Salão Central Eborense. Porque é isso que o CINEMA faz às pessoas: deixa-as ser, deixa que se pensem, ensina-as a pensar. 
E é também pelo CINEMA e pelo que os filmes transportam que o Fernando Martins da Silva e o Letra Marco Balesteros criaram CADA UM AO SEU CINEMA: uma viagem sonora pela história do cinema e uma instalação efémera que se revelará no final da tarde desta 6ª feira. 
Um Dia Aberto para ser vivido por TODOS e por cada um.



quinta-feira, 14 de abril de 2016

Coisas que não interessam a ninguém

Os poucos que me conhecem sabem que não deve haver coisa que me irrite mais do que um moralista. Pronto… um moralista indignado consegue irritar-me mais.
E nestas coisas do moralismo ofendido parece não haver fronteiras entre os que se afirmam de esquerda e os que se afirmam de direita, lançando-se todos numa espécie de cruzada contra comportamentos que não se enquadram nos elevados padrões da sua moralidade, transformada na única moral aceitável.
Vem esta conversa a propósito do grande escândalo em torno de João Soares, que o levou a demitir-se do cargo de ministro.
Antes de mais deixem-me dizer que não nutro qualquer simpatia pessoal pela figura de Soares (pai ou filho) e que não tenho opinião particularmente positiva sobre o seu exercício do cargo de ministro.
Esta apreciação não me impede de achar que o cidadão Soares tem os mesmos direitos que são atribuídos às pessoas que supostamente ameaçou e que possa reagir da forma que entender assumindo, naturalmente, as consequências do que escreveu.
Tudo se resumiu, de facto, a uma reacção infantil a um artigo que o próprio considerou ofensivo da sua dignidade e com o qual a generalidade dos cidadãos nada têm a ver.
É razão para ser “obrigado” a deixar o cargo? Não me parece e ainda me parece menos que gente que passa a vida nas redes sociais a insultar, ameaçar, desejar a morte a cidadãos que, por qualquer razão não gostam ou defendem ideias diferentes, de repente achem particularmente gravoso que alguém ameace com umas chapadas uns cronistas que escrevem num qualquer jornal.
Dir-me-ão que o homem é ministro e que o ministro não se pode dar ao luxo de tal destempero de linguagem e atitude, o que me leva a concluir que, pelo facto de estar a exercer funções públicas, está inibido de alguns direitos básicos como, por exemplo, a liberdade de expressão. Será isto razoável? A mim não me parece.
De repente apareceram virgens ofendidas que tomaram as dores dos dois cronistas, alegando que estava em causa o direito à opinião e à liberdade de expressão, por causa de umas infantis chapadas prometidas por alguém que se irritou com o que leu a seu respeito, como se o “ameaçador” tivesse o poder de calar os ditos cronistas.
Gente que resolve as birras dos filhos à chapada, de repente acha intolerável que um adulto prometa umas chapadas a outro adulto num contexto mais literário que literal.
Ah… mas o homem é ministro. E depois?
A maior parte destes defensores da moralidade, se fossem mimoseados com metade do que Vasco Pulido Valente escreve semanalmente, estariam a dizer o que costumam dizer sobre os políticos de que não gostam, seja justo ou injusto, verdade ou mentira.
Lembram-se daquele ministro da economia que foi demitido por ter chamado cornudo a um deputado em plena Assembleia da República? Foi bem demitido… mas pelas razões erradas. Deveria ter sido demitido pelas desgraçadas opções políticas que prosseguiu e não porque se irritou e fez um gesto que os miúdos faziam na escola do meu tempo.
Bem sei que não será esta a minha crónica mais consensual, mas irritam-me tanto os moralistas indignados que não posso deixar de exprimir esta opinião. Que é apenas a minha a opinião. Longe de mim querer que passe a ser doutrina oficial e que os que defendem o contrário sejam condenados aos suplícios da “novíssima” inquisição.
Faço minhas as palavras colocadas na boca de Adriano, por Marguerite Yourcenar: “A moral é uma convenção privada; a decência é uma questão pública”.

Eduardo Luciano (crónica na radiodiana)

Carta ao ministro e petição contra traçado da linha Sines/Badajoz

MOVIMENTO DE CIDADÃOS ÉVORA UNIDA

Para: Ministro do Planeamento e das Infraestruturas


Os Eborenses foram recentemente confrontados com a decisão da empresa Infraestruturas de Portugal (IP) de usar a ligação ferroviária no Ramal de Estremoz, inativa há vários anos, como um dos troços de ligação ferroviária para transporte de mercadorias entre Sines e Badajoz, por onde circularão diariamente mais de 50 comboios com uma dimensão que pode atingir 750 metros cada.
A reativação desta antiga via entre a atual estação ferroviária de Évora e a estação Évora Norte a construir, numa extensão de 9 Km, atravessará a zona urbana nascente da cidade que se consolidou e desenvolveu ao longo dos últimos anos, o que naturalmente comprometerá a qualidade de vida e a mobilidade de centenas de cidadãos e o ordenamento territorial desta zona.
Perante tal decisão, o executivo camarário decidiu por unanimidade das forças políticas manifestar o seu repúdio por esta solução e solicitar audiências à Administração da IP e ao Ministro das Infraestruturas e Planeamento para procurar uma alternativa que preserve a integridade da cidade e não limite o seu desenvolvimento futuro. Assim, um grupo de cidadãos encetou algumas iniciativas em defesa do interesse da Cidade, em consonância com a posição tomada pela Câmara, e decidiu avançar com uma Petição Pública.
Évora, reconhecida como Património Mundial pela UNESCO que em 2016 celebra o 30º aniversário da outorga da distinção, que justamente se orgulha do seu património edificado e cultural e promove ativamente a qualidade de vida dos que aqui vivem e dos que nos visitam insurge-se civicamente contra esta decisão que de forma drástica vai condicionar o seu futuro. Num tempo em que cada vez mais as fronteiras físicas e culturais são abolidas por todo o mundo, não podem os Eborenses tolerar que uma nova barreira artificial divida a Cidade, quebre a sua harmonia e abra uma ferida profunda no seu tecido urbano.
Tendo por base o estudo do município sobre os efeitos da solução que nos querem impor, nomeamos alguns dos aspetos que sustentam a nossa firme oposição. A proposta da IP:

1. Compromete o desenvolvimento da cidade a Nascente e as infraestruturas viárias projetadas e isola populações devido à extinção de ligações rodoviárias existentes;

2. Exige avultadas obras de reparação e manutenção das redes públicas de saneamento e de outras infraestruturas que cruzam a via-férrea e obriga a introduzir sistemas falíveis e de manutenção cara, como elevadores;

3. Contribui expressivamente para a perda da qualidade de vida dos moradores nos espaços envolventes, pelo ruído, vibrações, trepidações, catenárias elétricas e, ainda, pela notória redução das condições de mobilidade das pessoas no seu quotidiano;
4. Introduz um maior risco à vida das pessoas nas zonas limítrofes, com escolas a uma distância inferior a 100m da linha, devido ao transporte de produtos potencialmente perigosos destinados e vindos dos terminais petroleiro e petroquímico de Sines;

5. Condiciona a prazo qualquer expansão da via ferroviária para outro fim, não viabiliza a eventual duplicação da linha e dificulta futuras intervenções que se venham a revelar necessárias.

6. Afeta o património material e imaterial da Cidade, ao reduzir irreversivelmente a notável tomada de vistas sobre a cidade da zona nascente e destruir parte de uma quinta patrimonial (quinta da Piedade), contrariando as opções do atual PDM;

Por estas razões, convocamos todos os que amam e vivem a Cidade de Évora e querem preservar a sua integridade territorial e o bem-estar e qualidade de vida da população a manifestar o seu apoio a esta causa, assinando esta Petição. Não nos resignamos à aparente natureza irreversível de uma decisão que afeta de forma marcante o bem-estar dos Eborenses e que condiciona o nosso futuro coletivo.
Defendemos de forma inequívoca a ligação ferroviária Sines-Badajoz, a qual esperamos vir a constituir uma mais-valia para o desenvolvimento de Évora, do Alentejo e de Portugal. Porém, como a Câmara tem vindo a demonstrar, existem alternativas viáveis no plano técnico e económico ao traçado que nos querem impor.
Apelamos, pois, à justa intervenção do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas do Governo de Portugal, no sentido de, em tempo útil, equacionar uma solução alternativa que seja viável no plano social e ambiental.

Para assinar petição: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=MOVEVORAUNIDA

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Água falta em Évora


Corte de abastecimento de Água – Centro Histórico e Zona Oeste da cidade
A Câmara Municipal de Évora informa que, durante a tarde e noite desta quarta-feira, 13 de abril, se pode verificar interrupção do abastecimento público de água nas zonas do Centro Histórico e em grande parte da freguesia da Malagueira na cidade de Évora.
Este corte temporário no abastecimento regular de água, ou diminuição na pressão normal, fica a dever-se a uma rotura na conduta de distribuição na sequência de um procedimento imprevisto no contexto de uma obra em curso na zona da Vista Alegre.
O Município informa ainda que está a desenvolver todos os esforços no sentido de regularizar o mais rapidamente possível o fornecimento de água, o que se espera que venha a acontecer ainda esta noite, ou nas primeiras horas da manhã de quinta feira 14 de abril.
Para além do Centro Histórico, está ainda atingido por este corte, grande parte do território da freguesia da Malagueira, (nomeadamente parte dos bairros da Vista Alegre e António Sérgio, bairros da Torre Alva, Srª da Glória, Malagueira, Cruz da Picada, Alto dos Cucos, Stª Maria e Fontanas).(nota informativa da CME)

Fora de rota

A minha crónica desta semana terá abordagens geográficas diferentes. Uma é de âmbito local e concelhio, a outra, é de âmbito nacional. Vou começar pelo assunto local, porque interferirá directa ou indirectamente com a vida de todos quantos residem em Évora.
Com efeito, tem sido notícia de que o traçado da ferrovia de transportes de mercadorias que ligará o porto de Sines a Espanha no âmbito de uma rede Europeia de transportes de mercadorias, passará por Évora e em principio aqui terá uma estação técnica. Os empresários defendem que esta linha ferroviária permitirá às empresas importar e exportar as mercadorias a um custo mais baixo e assim tornar a nossa economia mais competitiva. Por isso, é uma boa notícia para todos os empresários, tenham eles âmbito local, regional e/ou nacional. Todos, portanto, beneficiaremos desta infra-estrutura
Contudo, nestas coisas há sempre um lado que não é bem visto, ou mesmo, ser do desagrado de um grupo considerável de pessoas. O traçado urbano proposto pelo governo isolará vários bairros, o da comenda e do 25 de Abril, são exemplos disso. E, a mobilidade das pessoas que aí residem ficará afectada. Quanto julgo saber, não estão previstas passagens de níveis desniveladas para o acesso de automóvel a esses bairros.
Por outro lado, estão previstas 60 composições diárias e algumas delas transportando mercadorias perigosas e no caso de acidente, dado a proximidade do traçado à malha urbana da cidade de Évora, estarão em risco permanente. Por conseguinte, o Governo ainda está a tempo de emendar a mão, e rever a proposta inicial e ponderar uma solução que vá ao encontro de todos.
Relativamente, ao assunto de carácter nacional irei ser poupado nas palavras tamanha é a minha incredulidade sobre o sucedido. O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, terá acordado verbalmente com um amigo para este representar o Estado português nas negociações com a Transportadora Aérea Portuguesa a propósito da “reversão” do contrato da venda do capital da TAP a privados celebrado pelo anterior governo. Assim, o contrato verbal que o primeiro-ministro celebrou com o amigo e jurista, na minha opinião não tem cobertura legal, pelo que não existe.
Porém, o mais relevante neste assunto não é a questão jurídica, reside na falta de percepção do actual primeiro-ministro de que tudo o que decide deverá observar as regras formais de um Estado de direito. A formalidade, portanto, deverá ser a regra dos Estados democráticos e civilizados. O contrário disto é a anarquia, e, a “república das bananas”, seria o nosso modelo. É isso que pretendem? Eu não, muito obrigado.

José Policarpo (crónica na rádiodiana)

Artigo do Carlos Dias no Público sobre a passagem do comboio de mercadorias por Évora

Clique na imagem para elr

Carta aberta aos velhos companheiros do Partido Comunista Português, por Camilo Mortágua




(a propósito da rejeição pelo P.C.P. do voto de censura à condenação dos activistas angolanos.)

Recordados companheiros de luta: 

Sei que a minha idade deveria ser suficiente para me evitar surpresas amargas devidas ao comportamento dos Humanos,( sobretudo quando colectivas).
Normalmente aceito com relativa mas forçada compreensão que as gerações que nos sucederam e nunca sofreram na pele e na alma a frustrante raiva da impotência, face ao aviltamento imposto pelos usurpadores dos poderes dos Povos, adoptem atitudes branqueadoras, de comportamentos anti - democráticos quase sempre justificados com “legítimos interesses” a defender, sejam eles individuais ou de grupo.
Em essência, é a aplicação prática da velha e dizem que “sábia”regra de :- ser forte com os fracos e subserviente com os fortes.
Compreender, compreendo, mas não posso concordar, nem aceitar, nem sequer justificar com pretensas consequências maléficas das crises dos tempos.
Companheiros e camaradas de luta. Mais de luta que de ideologia. Que têm feito vocês? Que têm ensinado aos novos dirigentes do vosso partido, outrora internacionalista e solidário com as lutas dos oprimidos de todo o Mundo?
Sim Camaradas, porquê se apagaram tão depressa as vossas memórias ?
Porquê negaram os relatos das vossas experiências, aos jovens ou menos jovens que hoje falam em vosso nome?
Porquê deixam calados , os milhares de exemplos de homens e mulheres das mais diferentes nacionalidades, que estiveram ao nosso lado na luta pela nossa LIBERDADE, oferecendo tudo e até, em alguns casos, a sua própria liberdade e vida.
Estão de acordo em renegar esse passado? Estão de acordo em apagar da História das lutas pela dignidade Humana, os milhares de exemplos, de companheiros e camaradas, Comunistas, Socialistas, Democratas ou simplesmente Humanos, que a todos nós nos acolheram e por nós se manifestaram nas ruas das capitais da Europa e do Mundo?
Que moral é essa, que continua a ser manipulada para justificar o injustificável.
Será por uma questão de hábito?
As relações de absoluta dependência orgânica , material e estratégica, que caracterizaram o passado, não existindo no presente, não podem ser aceites como bodes expiatórios de comportamentos que denigrem e ofendem a memória dos companheiros internacionalistas(de todos os grupos) que tanto nos apoiaram. Hoje, quem vos condiciona, companheiros? - possivelmente… quem querem defender?!
Quando em vosso nome se proclama:- 
“- O P.C.P. reitera a sua consideração de que cabe às autoridades judiciais angolanas o tratamento deste ou de outros processos que recaiam no seu âmbito. A rejeição do presente voto por parte do P.C.P. emana da defesa da soberania da República de Angola. e da objecção da tentativa de retirar do foro judicial uma questão que a ele compete esclarecer…"
- Então camaradas, é verdade ou mentira, que: para serem coerentes com a vossa posição de hoje, em linguagem dos tempos áureos da vossa gloriosa luta contra a ditadura pró–fascista, vocês, em situação parecida com a actual, diriam, qualquer coisa do género ? :
- “O P. C: P: apela a todos os governos e povos democráticos de todo o Mundo para que em defesa da soberania da república Portuguesa não nos apoiem, nem interfiram na nossa luta pela liberdade e democracia."
Favor não interferir com os métodos e decisões do sistema judicial português, nem denunciar internacionalmente a tortura e absoluto desrespeito pelos direitos fundamentais dos democratas portugueses que se opõem há ditadura.
É companheiros…justificar os nossos compromissos, com os maus exemplos de outros, é coisa antiga, não pode fazer parte dos princípios orientadores duma nova maneira de fazer política.
Saudações.
Solidárias

Camilo Mortágua
Alvito, Abril de 2016
(enviado por email)

terça-feira, 12 de abril de 2016

O Panama Papers e a Mulher de César

Impossível não falar do caso mundial que vai servir para, daqui a muito tempo, se explicar como era o mundo no tempo em que havia um deus-dinheiro de pelo menos duas caras, como numa moeda, o bom e o mau, e que o fazia girar.
Como era quando quem mandava no nosso dinheiro, aquele que dávamos para um bem-comum que servia a priori para todos, eram os políticos que elegíamos, na melhor das hipóteses; como eram os interesses privados que ditavam o valor desse dinheiro, num mercado dependente de várias energias para o nosso próprio conforto e de armas para que os que mandavam no nosso dinheiro pudessem ser ainda mais poderosos; mas também como havia os que não tinham poder nenhum sobre os nossos destinos, mas até os usavam, e viviam era mesmo empenhados em tratar dos seus; e, finalmente, como era com quem não aproveitasse para fazer, à escala do mundo em que vivia, o seu negociozinho tantas vezes disfarçado de se tratar do melhor negócio para todos os outros. (Chama-se a isso burla, parece-me.)
Digo-vos que não tenho pena nenhuma de não estar cá para ver. Mas tenho uma espécie de vergonha alheia futura. Isto não é herança que se apresente a ninguém, mesmo não sendo, ó crédulos, nenhuma novidade. É porque parece mesmo que voltámos atrás no caminho do jovem sistema democrático, que vigora apenas ainda numa parte considerável do Mundo mas não em todo, em que a luta de classes que acompanhou a evolução civilizacional trazida, com boas intenções e resultados, pela evolução técnica, se transformou numa festança de copos entre todas as classes que, inebriadas por tanta coisinha boa, gozam à tripa-forra. Ou é como se todos se armassem em peritos e desatassem a abrir e a desfazer a máquina de que mais dependem para viver melhor em sociedade e a quisessem remontar à sua exacta medida, borrifando-se na medida de outros a que também serve.
«Toda a explicação pressupõe o conhecimento do inexplicável, ou seja, do que seria mais interessante explicar» diz o Vergílio Ferreira, e é também por isso que as explicações já não me servem de nada. Sento-me em frente às notícias, como no cabeleireiro com as revistas, a saber o Who’s Who desta história toda e a fazer os julgamentos morais que outros já fazem do escândalo do jetset, a partir de outros valores como os da família, do pudor, da intimidade. Já não me interessa como é o esquema, já só me interessam as pessoas e, por isso, começo a perceber que estou no limite de continuar a acreditar tanto como tenho acreditado neste Homem (com maiúscula) feito à imagem e semelhança de um ou mais Deus(es).
E perceber que os comportamentos de quem devia ter em conta a sua exposição pública e ser sério, para generalizar aquela expressão, até um pouco machista, de comparar quem o devia ser à mulher de César, replicam a de quem vive na lama e faz de tudo, literalmente, para sobreviver, ou seja por necessidade, deixa-me assim. É como a má moeda que dá cabo da boa moeda. Ou a necessidade que aguça o engenho e, pelos vistos, a “chicoespertice”, para não dizer pior.
Já agora, como as explicações também já não me interessam, sabem a mais do mesmo e sabem mal, aproveito para partilhar convosco esta história da mulher de César, que tem um nome, Pompeia, e não devemos confundi-la com as outras duas que também foram mulheres de César. Numa história em que, está bom de ver, o importante era o todo-poderoso não passar por marido-enganado, uma história que ficou para a História mesmo não sendo seguro de ter mesmo acontecido, conta-se que Pompeia vivia muito sozinha, enquanto o poderoso marido passava meses fora e que nesse cenário perfeito surge um nobre admirador de Pompeia que, numa noite, para conseguir aproximar-se dela, entrou no palácio disfarçado mas acabou por se perder pelos corredores e ser descoberto e preso. Levado a tribunal, e sendo o próprio César convocado para prestar esclarecimentos, este declarou ignorar o que se dizia sobre a sua mulher e julgou-a inocente. O penetra foi absolvido (pois a ocasião é que faz o ladrão, não é verdade?) mas Pompeia não se livrou da fama e, dizem, do repúdio do marido. Para quem o acusava de ser contraditório, ao defender a mulher no tribunal e a condená-la em casa, ele teria usado a dita expressão de que não bastava que a mulher de César fosse séria, era preciso que parecesse séria. Enfim, as aparências contam há já muito tempo e com elas a arte de as forjar. Não precisamos de mais explicações.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Conselheiro de Estado?

Decorreu a semana passada o primeiro Conselho de Estado do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo decidiu convidar para esta primeira reunião o presidente do Banco Central Europeu - Mário Draghi. Admito que poderão haver várias leituras possíveis sobre este convite. Permitam-me que lhes partilhe a minha.
Marcelo fez uma campanha inteligente. Sabendo que seria o único candidato da direita, era ao centro-esquerda que teria de ir seduzir votos. Com certeza que lhe custou dizer continuamente que confiava na solução governativa resultante de um acordo histórico à esquerda, mas foi esta estratégia que o fez conquistar simpatia num campo político que não é o seu. Esta estratégia teve ainda outro objectivo – o de mostrar claramente que não confia na liderança de Pedro Passos Coelho num partido, que não nos esqueçamos, é o seu.
Ainda que diga que confia na solução governativa, Marcelo ao convidar Mário Draghi, para o seu primeiro Conselho de Estado, quis demonstrar quem considera o seu Conselheiro-Mor – A Política de Austeridade. No primeiro Conselho de Estado mais plural de que há memória, Marcelo quis mostrar que, apesar do parlamento pela primeira vez ter indicado conselheiros claramente de esquerda, é de outros conselhos que se quer rodear.
Mário Draghi, por sua vez, decidiu vir, depois de anos sentado a receber os governantes portugueses a ir ao “beija-mão”, para mostrar que está ao lado do Presidente na receita que querem aplicar.
Fez muito mal Marcelo em convidar Draghi, mas percebe-se porque o fez. Fez mal porque convidou um dos membros da Troika, aquela que nos impôs em conjunto com um governo ultraliberal, austeridade e mais austeridade, traduzida em perda do valor do trabalho, perda de direitos e destruição do Estado Social. Convidou um senhor que não foi eleito para o cargo que exerce, uma nódoa para a cultura democrática que a Europa devia ter. Convidou um senhor que dirige a instituição que não quer permitir que os Bancos Portugueses depois de verem injectados milhões de euros do dinheiro dos contribuintes fiquem na posse do Estado, mas que dá luz verde a qualquer negócio de meia dúzia de tostões que leve a que estes bancos, depois de “limpos”, sejam entregues a privados, criando uma concentração bancária privada perigosíssima. Convidou um senhor que já se sabia que não teria a menor vergonha na cara e que veio a um Conselho de Estado elogiar um Governo que aplicou uma receita que não funcionou e que saiu pela força da Democracia, elogiando as suas grandes reformas. Sabemos bem que reformas foram essas e o que provocaram.
Marcelo convidará quem quiser para o aconselhar. Está no seu direito. Claro que poderemos sempre dizer: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és e o que queres”. Espero que no próximo Conselho de Estado possa convidar – para tomar o pulso do país que Draghi, Coelho, Portas & Afins nos deixaram – um precário, um desempregado, um pensionista, um trabalhador da função pública ou do sector privado, ..., enfim, ... um de nós...
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radiodiana)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Factos, notícias e opiniões

É normalmente quando os assuntos nos tocam de mais perto que procuramos conhecê-los melhor. Ora é precisamente também nesses momentos e nessas circunstâncias que é mais fácil deixarmo-nos toldar pela subjectividade na análise e a, por vezes, ajustarmos os argumentos mais ao que nos interessa do que à chamada “verdade dos factos”.
E isto é natural no indivíduo da espécie humana que vive desde sempre a interpretar tudo o que lhe acontece ou, não sem alguma inércia intelectual, a acreditar em interpretações que lhe vão apresentando mais ou menos à força.
Este tema não podia escapar ao autor, pensador e escritor, que me inspira esta série de crónicas e que chegou a afirmá-lo da seguinte forma: «Toda a cultura assenta na interpretação dos factos. Os factos em si permanecem, sujeitos embora a emendas como factos que são. Mas não a sua leitura.» O interessante nesta afirmação de Vergílio Ferreira é, não apenas ela opor-se à vulgar sentença que diz que «contra factos não há argumentos», como sugerir que os factos se podem emendar. Vamos pois, por partes, ver se nos entendemos.
Utilizar-se o argumento da não argumentação de factos é renunciar à possibilidade de qualquer tipo de discussão tratando os factos como fatalidades. Como se todos os factos fossem actos isolados. Sê-lo-ão os factos ilícitos, que são os que quebram as leis, ou os factos consumados, que são os que não se podem reverter. Mas se os primeiros são julgados e a repreensão depende da avaliação da sua gravidade, os segundos servem-nos para estarmos mais alerta, da vez seguinte em que essa irreversibilidade indesejada se possa dar. Na vida em sociedade, que é a que em princípio temos de viver, existem os factos sociais. São aqueles em que se deve ter em conta as relações entre os indivíduos e o ambiente colectivo em que decorrem, sendo impossível analisá-los sem se observar a totalidade do seu desenvolvimento na sociedade. Os factores tempo e espaço são, por isso, indissociáveis desta noção de factos. E são também eles que nos permitem contarmos a nossa história e, consequentemente, sugerir outras e mais leituras.
Que toda esta conversa vos faça pensar nos perigosos rebeldes (sublinho a ironia) recentemente condenados em Angola como uma associação de criminosos. Os jovens foram detidos durante um encontro em junho do ano passado no qual partilhavam a leitura do livro "Da ditadura à democracia". Rejeitaram sempre as acusações que lhes foram imputadas e declararam em tribunal que os encontros semanais que promoviam visavam discutir política e não promover qualquer acção violenta para derrubar o regime.
E já agora, também espero que a conversa vos faça avaliar a reacção de membros de uma associação ideológica que, tantas vezes parecendo reclamar para si o monopólio da liberdade e o discurso da justiça social, se escudam em factos que arrumam como inevitabilidades. E todos sabemos do que estou a falar.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

Parque de skate da Horta das Figueiras vedado depois de denúncia da JSD



O parque de skate da Horta das Figueiras em Évora apresenta um elevado estado de degradação, tornando perigosa a sua utilização, pelo que foi vedado. A denúncia partiu da JSD que emitiu mesmo um comunicado a propósito desta situação. A notícia e as fotos são do "Diário do Sul":

"JSD Évora denuncia estado degradado do Skate Parque e CME aponta solução
Jovens não têm equipamento para prática de desportos radicais
Numa ação de avaliação das condições estruturais dos equipamentos desportivos da cidade, a Comissão Politica Concelhia da Juventude Social Democrata de Évora deparou-se com uma situação que considera prejudicial e danosa, respeitante ao Skate Parque, situado no Bairro de Nossa Senhora do Carmo (Horta das Figueiras), adequado às modalidades como o skate, patins ou manobras de bmx. Face à situação emitiu um comunicado no dia 24 de fevereiro e o espaço já foi vedado pela Câmara Municipal. Contudo, o presidente, Carlos Pinto Sá fez questão de lembrar que esta é uma situação que vem do mandato anterior socialista, garantindo que o executivo está a equacionar fazer um novo parque assim que houver disponibilidade financeira para tal."

segunda-feira, 4 de abril de 2016

AMA o Alentejo?

Decorreu este Sábado o Congresso AMAlentejo com o lema “Mais Poder Local, Mais Democracia, Melhor Alentejo”. Pretendia-se trazer ao debate o Poder Local e a Regionalização.
O grande objectivo dos promotores era fazer sair uma Declaração que apoiasse a criação de uma Comunidade Regional do Alentejo, como solução transitória até à instituição das Regiões Administrativas em Portugal. Este aspecto foi aprovado no Congresso, tendo sido apoiada a sua criação e a eleição directa e democrática dos seus orgãos. Propõe-se que esta Comunidade assuma as competências da actual CCDRA e de outras estruturas desconcentradas, assumindo os meios e recursos destas, funcionando com total autonomia administrativa e financeira.
Ficou, ainda, declarado que a Comissão Promotora do AMAlentejo preparará um Projecto de Lei, de iniciativa popular, que proponha à Assembleia da República a criação desta Comunidade Regional do Alentejo.
Num país, em que depois do nível nacional (governo) apenas encontramos o nível concelhio de gestão (autarquias) urge, de facto, à semelhança da esmagadora dos países europeus, haver um nível de gestão regional que procure encontrar as melhores estratégias para o desenvolvimento de cada região em Portugal.
Sou totalmente a favor da criação destas estruturas regionais desde que a sua eleição e a sua auditoria esteja nas mãos do povo. São sempre os cidadãos e cidadãs que devem escolher as melhores formas de gestão do seu território e quais as opções estratégicas para o futuro.
Apesar de concordar com a generalidade da Declaração de Tróia que saiu do Congresso AMAlentejo, não posso de deixar de vos partilhar uma análise crítica sobre o mesmo:
1. Um Congresso que pretende legitimar a criação de uma Comunidade Regional e que pretende afirmar que o Alentejo está a favor desta, deveria ter sido muito mais aberto e publicitado junto dos alentejanos, porque devem ser estes a decidir sobre o seu futuro. A verdade é que este foi um Congresso essencialmente de autarcas. Da mesma forma, a constituição da Comissão Promotora deste Congresso foi muito pouco transparente e a indicação de alguns nomes em detrimento de outros deverá merecer a nossa maior atenção. Lembro que é esta Comissão que irá redigir o Projecto de Lei.
2. Por outro lado, em todo o Congresso foi dado a entender, talvez pelos congressistas presentes, que os modelos de gestão autárquicos actuais e vigentes são perfeitos e que estes modelos devem ser transpostos para a Comunidade Regional. Espero que o que esteja por trás deste sentimento não seja o de aproveitar quaisquer geometrias de votações putativas para perpetuar pequenos poderes. Na mesma linha, julgo que seria muito interessante debater o poder local actual, quais as suas virtudes, mas principalmente quais os seus vícios, que muitas vezes são aqueles que têm afastado o povo da democracia e do centro das decisões. Transpor vícios para outras estruturas não contará com o meu apoio.
3. Aliás, propor esta Comunidade, sabendo que a criação de Regiões Administrativas só avançará por referendo e simultaneamente em todo o país, pois foi assim que a última revisão constitucional, acordada por Guterres e Rebelo de Sousa, instituiu, pode querer fazer parecer que é urgente que no Alentejo seja criado algo provisório e transitivo sem haver qualquer perspectiva futura. Criar este Projecto de Lei sem ao mesmo tempo exigir a Revisão Constitucional ou Referendar novamente a matéria poderá parecer pouco sério. Todo este processo deverá ser muito claro e transparente, a bem de todos nós.
O Congresso de Sábado só pode ter legitimado o início de um debate com todos os alentejanos e nada mais.
Regionalização? Sim! Como? Que não sejam os autarcas ou outras “mentes brilhantes” a decidir, mas sim os alentejanos – todos e todas – a decidir sobre o Alentejo que todos e todas amamos.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

domingo, 3 de abril de 2016

Movimento defende regionalização para o Alentejo e quer recolher 35 mil assinaturas


Um movimento em defesa do Alentejo decidiu este sábado lançar uma campanha de recolha de 35 mil assinaturas para avançar com um projeto-lei na Assembleia da República sobre a criação de uma comunidade regional até à regionalização.
“O mais importante foi colocar este ponto na agenda e o que se segue é conseguirmos entregar um projeto-lei”, revelou António Ceia da Silva, membro da comissão promotora do AMAlentejo, no final de um congresso do movimento, realizado em Tróia, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal.
O também presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo explicou que o movimento vai tentar recolher as 35 mil assinaturas necessárias para avançar com o projeto-lei na Assembleia da República, apresentado como iniciativa legislativa de cidadãos.
“É um processo que vai ter que ter elaboração jurídica constitucional e estamos a falar de um processo que não é imediato para amanhã, vai demorar o tempo que for necessário”, afirmou o responsável.
Ceia da Silva adiantou que as conclusões do congresso, inscritas na chamada “Declaração de Tróia”, vão ser enviadas para o Governo, Presidente da República, Assembleia da República e grupos parlamentares.
Nesta declaração, o AMAlentejo propõe a criação de uma Comunidade Regional do Alentejo como “solução transitória” até à regionalização e alternativa ao “falhado e ilegítimo” modelo de governação regional existente.
Realçando que a existência de regiões administrativas “já se verifica em toda a Europa”, Ceia da Silva defendeu a criação em Portugal de “um poder regional efetivo para que seja possível à região decidir as suas dinâmicas de desenvolvimento, os fundos estruturais e a execução dos planos de ordenamento”.
O responsável fez um balanço positivo do congresso, que contou com a participação de quase 500 pessoas, incluindo autarcas e sindicalistas, considerando que o movimento AMAlentejo deu “um contributo para que a questão da regionalização, sempre falada, mas sempre adiada, possa estar no topo da agenda da discussão política a nível nacional”.
“O formato, para nós, é o menos importante”, acrescentou.
Além de Ceia da Silva, estiveram presentes, entre outros, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, a reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, e a diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira.
O AMAlentejo foi criado em abril de 2015 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento económico e social do Alentejo, desenvolver ações conducentes à regionalização e apoiar, valorizar e defender o poder local, e conta com adesões de mais de 80 instituições e cerca de 300 personalidades. (LUSA)