segunda-feira, 14 de março de 2016

Um Novo Ciclo

O Orçamento para 2016 foi aprovado na generalidade e, na especialidade, continua a conseguir incorporar algumas melhorias. Não é o Orçamento que quereria para o meu país, porque não é um Orçamento que permita fazer crescer a economia com o valor do trabalho, permitindo gerar emprego.
Sabemos que tal não será possível sem uma renegociação da dívida, sem conseguir transferir o peso dos juros agiotas para um verdadeiro investimento em sectores estruturais do país.
Ainda assim, este é um Orçamento que permite devolver rendimentos e quebrar com o ciclo que PSD e CDS tinham vindo a imprimir no nosso país. Houve quem lhe chamasse ciclo de empobrecimento. E foi, para uma grande maioria, mas empobrecer foi coisa que não aconteceu ao sistema financeiro nos anos em que PSD e CDS governaram.
Fico feliz por ter sido possível um acordo à esquerda que sustentasse um governo e um orçamento. Este acordo fez a diferença a vários níveis:
- Desde logo, com o aumento do salário mínimo nacional. Nem PSD/CDS, nem PS o programaram. O acordo permitiu que este subisse, desde já, para os 530€, prevendo-se o aumento para os 600€ ao longo da legislatura. É curto? Sim. Faz a diferença em relação ao passado? Faz sim;
- Permitiu, ainda, um maior ritmo na reposição dos salários na função pública. Este ano serão repostos salários num total de 447 milhões de euros, mais 90 milhões do que o PS propunha antes das eleições e mais do dobro que PSD e CDS prometiam;
- Ao nível das pensões, se com PSD/CDS o corte era certo, com o PS prometia-se o congelamento, lembram-se? O acordo à esquerda permitiu o aumento de 80 milhões de euros nas pensões. Este valor não permite um aumento significativo, mas é uma diferença positiva;
Diferenças existem, também, ao nível do Complemento Solidário para Idosos, que será aumentado já este ano;
Aliás, só neste Complemento, Rendimento Social de Inserção e Abono de Família, serão devolvidos às famílias mais de 135 milhões de euros, enquanto que o corte nas taxas moderadoras equivalerá a mais de 35 milhões. O sistema das taxas moderadoras passou a ser perfeito? Não. Mas foram introduzidas mudanças muito interessantes, das quais destaco o fim destas taxas para doentes que sejam encaminhados pelos cuidados de saúde primários ou pela linha de Saúde24;
Existem muitas mais diferenças, mas queria apenas destacar que apesar da receita com impostos indirectos subir 300 milhões de euros, as receitas fiscais do IRS descem mais de 450 milhões. Além disso, é um prazer ver que o sector financeiro e os fundos imobiliários contribuirão com mais 350 milhões de euros.
Sim, existe a inversão de um ciclo. Sim, é um prazer ver um Orçamento, ao fim de muitos anos, que não prevê qualquer privatização. E sim, fica a maioria a ganhar em detrimento de uma pequena minoria. Este é um Orçamento aceitável, mas que deve ser encarado apenas como o início. Continuemos a fazer caminho...

Bruno Martins (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. Oh camarada Bruno,
    quando o povo se começar a revoltar a sério, com o teu governo de Esquerda (se reparares bem, já começou) devias tentar renegociar a tua ideologia, que já leva pelo menos 50 anos de atraso.
    Não te parece, pois não. Nunca parece a quem está instalado no quentinho.
    Em 1988 também nada parecia correr mal aos czares russos!

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    1. Ladra a canzoada da extrema direita.
      Ladra sem racionalidade, sem sentido, só para fazer barulho.
      Cães amestrados a ladrar às ordens do capital.
      Morde que é comunista.

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    2. Quando não há argumentos, há gritos.

      A Esquerda está no Governo para se desacreditar mais depressa.

      Há 2 meses que as exportações estão a cair, nada que incomode a Esquerda. O Costa sorri e o resto da Esquerda quer lá saber disso. Se os exportadores até são capitalistas.......
      O que interessa é que já cantam as devoluções nos bolsos dos funcionários mais ricos.
      Amanhã logo se vê.

      Qual será o mês em que as poupanças do Passos Coelho se acabam?

      E depois o Passos Coelho vai fazer outra vez cortes?
      Só se fôr mesmo parvo de todo.
      Se eu fosse a ele, não havendo dinheiro nos cofres do Estado, não havia nada para ninguém.
      Vão cavá-lo! Que é o que eu faço.

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  2. O Sr Bruno fala num novo ciclo. Será que já se apercebeu que ciclo aí vem?
    O Sr foi na conversa da Esquerda, de que em Portugal tem governado a Direita e agora espera um novo ciclo, de Esquerda.
    Mas o Sr está completamente enganado. A Esquerda enganou-o a si e à maioria dos portugueses. Fique sabendo que o regime político que vigora desde o 25 de Abril é um regime de Esquerda, apesar do Sá Carneiro e do Passos Coelho, que foram os únicos governantes que ousaram tocar nos excessos do regime de Esquerda mas pouco conseguiram.
    Portanto meu caro, desiluda-se. O próximo ciclo político vai ser diferente daquilo que o senhor pensa. O Sr é um privilegiado do regime de Esquerda, tal como as suas camaradas do BE, do PS e do PCP. Vocês estão contentes por estarem agora a recuperar salários e pensões. Privilégios obtidos, muitas vezes injustamente no regime de Esquerda. Sim, injustamente porque os trabalhadores das actividades privadas, para trabalho igual, ganham muito menos que vocês nas actividades públicas. Não gosta de ler pois não, mas é verdade. Experimente a fazer uma comissão de serviço no privado e depois fale com justiça.
    Leia pois o que lhe estou a escrever, para mais tarde recordar.

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  3. Não sei se chegas a recordar mais tarde, pois já deves ser um velhinho do Restelo, mais virado para a cova do que para outro lado.
    Será que em Évora não haverá cidadãos mais bem pensantes que estes mentecaptos comentadores que usam os seus comentários para se auto satisfazerem em elocubrações sexuais...
    Devem todos comer da mesma gamela, onde todos querem meter o focinho, como porcos esfomeados...

    António Gomes

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    1. Tu que o dizes é porque o sentes!

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