terça-feira, 8 de março de 2016

Dia de Mulher

Foi por pouco que deixei passar em branco a coincidência do dia da minha crónica, a única das desta rubrica com voz feminina na Rádio Diana, com o Dia Internacional da Mulher. Parece-me, apesar da desmemória apanhada a tempo, um bom sinal para mim.
Revela a minha sorte em não sentir, pelo facto de ser mulher, nenhum tipo de discriminação. Revela que me dou com pessoas que não acentuam esse facto como o meu maior traço distintivo de identidade no meio social em que me movo. Ou, pelo menos, eu não dou por isso. Mas há quem dê, e por isso vale a pena comemorar o dia.
Apesar da rotina pessoal quase fazer-me esquecê-lo, é tão mais importante esta celebração internacional quanto, também fruto da sociedade de informação em que vivemos, continuam a chegar-nos factos em notícias sobre discriminação e abuso que, não podemos ignorá-lo, em nada fazem jus à evolução civilizacional que vivemos e a que chegámos. E é aqui que também percebemos que, paralelamente às diversas etapas das conquistas técnico-científicas pela Humanidade, o relacionamento humano, na intimidade e em sociedade, corre numa linha mais lenta. O papel que muitas e muitos tiveram no passado, deve servir-nos de exemplo e requer a homenagem deste dia. É de olhos postos neles que teremos de corrigir o caminho, apressando-o, para que essas duas linhas se encontrem em etapas mais evoluídas do futuro da Humanidade.
Ao afirmar que «A mulher escolhe sempre o homem que a escolhe a ela, como é da sabedoria das nações. A verdade também.», Vergílio Ferreira, com uma piscadela de olho à expressão de Simone de Beauvoir, parece apontar uma reciprocidade que esconde tantas vezes a diferença, ou melhor, o castigo da diferença. Beauvoir, mulher de Sartre, num livro cujo título inclui esta expressão da “sabedoria das nações”, desmonta sentenças que continuamos a ouvir ainda da boca de homens e mulheres e que mostram como a consolação da mentira e da resignação, ditas com tons de sabedoria, em nada contribuem para a grandeza da Humanidade. São expressões como "O homem procura sempre o seu próprio interesse", "A natureza humana nunca mudará" ou "Ninguém dá nada a ninguém" e "Enquanto se é novo, é tudo muito bonito"… Lugares comuns como dados adquiridos, que exprimem uma visão do mundo incoerente e cínica e que devemos combater, segundo os Existencialistas.
É que a confiança no Homem não pode deixar-se derrotar pelo senso-comum, já que o rumo da Humanidade está nas suas próprias mãos. E é por isso que o que está mal nas ainda demasiadas situações de discriminação de algumas mulheres, às vezes comunidades inteiras, é assunto de mulheres e homens, é assunto da saúde da Humanidade.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

3 comentários:

  1. Ó senhora professora, universitária ainda por cima e falando de cátedra, o melhor é refugiar-se em lugar bem escondido senão ainda aparece aí o Sartre, de mão dada com a Beauvoir, dizendo em alto e bom que nunca foram marido e mulher. Que, pelo contrário, sempre tiveran uma relação aberta, abertissima...., sem necessidade de compromissos desse género
    Diz a dra. "Beauvoir, mulher de Sartre..". Logo no dia da mulher, como se Beauvoir se deixasse ser mulher de alguém.
    Dra. estude e leia mais. E se quer ser de alguém, tudo bem (a gente lembra-se como foi cachorrinho do dr. José Ernesto). Mas há gente livre, que nunca será de ninguém. Beauvoir era uma dessas.

    http://lounge.obviousmag.org/dossier/2012/06/sartre-e-simone-uma-historia-de-fidelidade-sem-compartilhar-o-banheiro.html

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  2. Esta coitadinha assentou arraiais aqui em Évora pela mão do Peiésse e quis logo dar nas vistas (reserva para preencher listas ?)
    Até parece não ser mal intencionada, mas porra, é demasiado ignorante!

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  3. Verdade. A simone nunca foi casada com o jean-paul. Davam umas de vez em quando mas isso não é ser homem nem mulher de ninguém pois claro. Dizem as más-línguas que ele chegagava-lhe como o sebastião que come tudo sem colher mas isso a piquena não sabe porque ainda não era nascida e não era de lá de Paris. Uma pacóvia!

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