segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

À Deriva

A Câmara Municipal de Évora tornou público, na última quarta-feira, o aviso datado de 10 de Fevereiro que torna público o Programa de Concurso para a venda do direito de superfície para a construção de um grande empreendimento comercial em parcela de terreno municipal junto às Portas de Aviz e a poucos metros das muralhas do nosso Centro Histórico.
Tive oportunidade de, em crónicas anteriores, expor porque considero esta decisão um erro de gestão. A decisão unânime da Câmara e da maioria na Assembleia Municipal foi pouco fundamentada e claramente precipitada.
Não pode valer tudo para encaixar algum dinheiro. Exigia-se uma actualização de um estudo com quase 10 anos, e que a Câmara Municipal não se envergonha de divulgar junto à publicitação do concurso na sua página da internet. Apoiar uma decisão num estudo desactualizado é de uma irresponsabilidade sem precedentes.
Ainda que tenham ignorado os apelos à actualização do estudo do impacto real da instalação de superfícies comerciais em Évora, podiam pelo menos ler algumas das suas conclusões, e já que defendem que este está actualizado podiam seguir as suas recomendações. É verdade que este estudo fala da importância da centralidade e de uma eventual superfície comercial estar o mais próxima possível do centro histórico, mas também alerta para o facto de Évora não ter condições algumas para alojar mais do que uma grande superfície comercial.
Ora, enquanto ainda existia uma licença de construção válida para um centro comercial na zona industrial, seria prudente não permitir o avanço de um outro nesta fase. E sim, o município tinha esse poder, bastava decidir não vender os terrenos, pelo menos nesta fase.
No mesmo dia que a Câmara Municipal publicita no seu site o concurso público para a venda dos terrenos junto ao Centro Histórico, Carlos Pinto Sá, presidente da Câmara Municipal, em entrevista ao Diário do Sul afirma, em relação à construção que está parada na zona industrial, que "há uma empresa de capitais estrangeiros interessada em comprar ao antigo BES aquele activo e, porventura, pô-lo a funcionar. Já nos entregaram o pedido para a prorrogação da licença de construção”.
Ora, estamos portanto na possibilidade, de um momento para o outro, de ver surgir dois grandes empreendimentos comerciais, que calculamos não terem qualquer viabilidade sozinhos, quanto mais em conjunto, mas que entretanto secarão tudo à sua volta. Quem nos garante que num futuro próximo não teremos dois grandes edifícios abandonados, depois de terem destruído grande parte do comércio tradicional?
Na mesma entrevista, Pinto Sá afirma, ainda, que os cinemas junto ao Terminal Rodoviário vão mesmo avançar e que está empenhado em defender o património do Centro Histórico. Megalomanias? Projectos soltos? Ou alguma estratégia que à partida não se percebe? Eu estou muito preocupado com este meu Concelho que parece à deriva.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

17 comentários:

  1. Qualquer dia, até para se ir ao WC, é preciso um estudo de impacto qualquer... Gasta-se quase tanto dinheiro em pseudo-empresas de estudos, como em obras propriamente ditas. Cambada de mentecaptos...

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  2. O PS e o BE sufocam sob uma "nata" de gente bem instalada na vida, que se diz de esquerda, que alegadamente luta pela liberdade, pelos direitos das minorias, dos homos, dos drogados, da violência doméstica, da eutanásia, dos refugiados. etc., mas que de facto mais não fazem do que lutar por manter o seu status social e os seus privilégios, privilégios que lhes caíram no colo graças à longa luta de outros, que manifestamente desprezam.
    É esta gente que, para dar sinal de vida, levanta questões sem prioridade, fora de tempo, absolutamente gratuitas, sem qualquer resultado, pura provocação. Que em cada momento desvia a atenção social do que é estrutural, para o assessório. Que entra em discussões de preconceitos e de dogmas, numa discussão de gente louca com argumentos falaciosos e de fantasia.
    E a direita toda contente com o bom serviço desta gente dita de esquerda, que desvia a atenção do país dos crimes cometidos pela direita.
    E a comunicação social toda contente por poder prestar tão bom serviço à direita.
    E o país alienado com as macacadas desta gente dita de esquerda.

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  3. À deriva continua a andar o BE. Desde a demagogia que usou e abusou durante a campanha eleitoral para as autárquicas, até às posições inconsequentes que tem tomado sobre esta questão do CC (falando em estudos e pretensas ZEP's, mas ignorando olimpicamente o único instrumento de ordenamento que, para aquele local, vincula a administração pública e os particulares: o Plano de Urbanização de Evora).

    Enfim, é isto o BE de Évora.

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    1. O unico instrumento de ordenamento contra o qual a CDU voutou.
      Coerencia!

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    2. Votar contra uma lei, não dá a ninguém o direito de não a cumprir. A única forma de proceder é pugnar pela alteração da lei.

      O Plano de Urbanização depois de aprovado e publicado funciona como uma lei. Infelizmente, até agora, ainda não ouvi o BE a falar na necessidade de revisão/alteração do PU. Limitam-se à conversa demagógica e inconsequente de falar em ZEP's ou em estudos consultivos, ignorando o essencial: as regras estabelecidas em PU.

      Porque será?

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    3. @22:14
      Mesmo que tenha votado contra, a CDU é obrigada a cumprir o PU em vigor, o qual foi cozinhado e aprovado pela canalha que governou Évora durante 14 anos.
      Chama-se cumprir a lei.

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  4. Tás enganado. Esta crónica podia ir mais além tal é a deriva da Câmara. Na oposição, o PCP eram só promessas: apoiavam a cultura, conservavam o Centro Histórico, impediam os desmandos arquitectónicos, acabavam com os compadrios, eram transparentes. Não era uma questão de dinheiro, mas sim de competência. A realidade tem sido muito diferente: nunca a cultura foi tão tratada
    com os pés (tirando os projectos apaniguados da Câmara), o Centro histórico continua a cair, cada vez em pior estado, os desmandos arquitectónicos continuam por toda a cidade, a população continua a diminuir e o comércio a fechar. Do comnpadrio é melhor nem falar. A deriva é total, sem nenhum projecto coerente, só com medidas avulsas, com o presidente e os vereadores a gastarem os dias em operações mediáticas profusamente divulgadas pelo único sector que na Câmara parece funcionar bem - o da propaganda.
    Enfim, é a Câmara a que temos direito.

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    1. @14:38
      Andar à deriva é o barco andar desgovernado, ao sabor do vento e das correntes.
      Andar à deriva pode ser o resultado da ignorância e da incapacidade dos marinheiros (PS/PSD).
      Andar à deriva pode ser o resultado de avultados estragos na embarcação que impossibilitam manter um rumo rectilíneo (CDU).
      Andar à deriva pode ser o resultado de uma mente perdida que navega ao sabor no preconceito e na fantasia.

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    2. "Esta crónica podia ir mais além..."
      Para quê se ela foi até um ponto em que se percebe perfeitamente a ignorância do cronista sobre as questões que tenta abordar.

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    3. Começam a precisar-se desculpas novas para o desvarioPCP da câmara! A apologia da pesada herança ou da azia começa a perder validade. Quando a gente não sabe cavar, até a enxada atrapalha!

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  5. Já que a Câmara assinala este ano os 30 anos de Património Mundial deixo uma sugestão ao 5 tons, porque é que não publicam 30 fotografias do estado miserável a que chegou o património classificado, entre muralhas?

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  6. Bloco de Esquerda, PCP e agora PS, é tudo farinha do mesmo saco.
    A Esquerda aburguesou-se, não quer trabalhar. Quer é tachos da política da treta.

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  7. Isto do AcincoTons é mais um lavar roupa suja.
    Serve para certos indivíduos que não fazem nada na vida, virem para aqui mandar umas bocas.
    Aqui é só perder tempo.
    Levem lá a bicicleta que eu não tenho vagar para tretas.

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  8. Ó anónimo anterior, vez como também aproveitas o "A cinco tons", nem que seja para dizeres nada...
    Ao que a demagogia chega.
    Não percebo a azia que vai por aí por causa do Bloco.
    Será porque lhe está o espaço a que nunca tiveram direito?...

    António Gomes

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    1. Pede aos bloquistas que governem a tua casa e vais ver onde vais parar.

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    2. Sabes que eu e a minha mulher somos bloquistas e pelo que julgo, temos administrado bem a nossa casa.
      Toma e embrulha...

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  9. Isto do AcincoTons é mais um lavar roupa suja,o relatorio do tribunal de contas demonstra bem a lavagem finaceira da nossa autarquia,na anterior gestão Ernesto tinhamos um quintal para um cão hoje na gestão Sá temos varios cães sem quintal que se tornam um perigo!É a realidade corremos o risco de ter dois grandes centro comerciais que se vão levar a falecia e arrastar o pouco comercio do ch,grande iresponsavél este presidente de Montemor.

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