segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ESCULTOR JOÃO CUTILEIRO DOA ESPÓLIO A ÉVORA |


A cidade e a cultura alentejana ficam hoje mais ricas quando, na presença do Ministro da Cultura João Soares, o escultor e artista plástico João Cutileiro doar o seu espólio à cidade de Évora, mais concretamente à Direção Regional de Cultura do Alentejo, à Universidade de Évora e à Câmara Municipal.
João Cutileiro com 78 anos, nasceu em Lisboa, mas escolheu, em 1985, Évora e o Alentejo para viver e trabalhar. Évora é também a cidade onde está exposta a maior parte da sua obra.
Após ter estudado na Slade School of Art, em Londres, por indicação de Paula Rêgo, regressou a Portugal na década de 1960 e tornou-se num nome incontornável da estética da estatuária em Portugal com a sua forma inovadora e experimentalista de ver a arte. Recorrendo a temas como o “intimismo”, o “erotismo” e o “amor”, as obras do Mestre Cutileiro fazem parte de várias coleções públicas e privadas, quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Este anúncio público da doação do seu espólio será o momento mais marcante da deslocação do ministro da Cultura, João Soares, esta segunda-feira ao Alentejo, onde visitará também, em Portalegre, a Manufatura e o Museu da Tapeçaria de Portalegre.

À Deriva

A Câmara Municipal de Évora tornou público, na última quarta-feira, o aviso datado de 10 de Fevereiro que torna público o Programa de Concurso para a venda do direito de superfície para a construção de um grande empreendimento comercial em parcela de terreno municipal junto às Portas de Aviz e a poucos metros das muralhas do nosso Centro Histórico.
Tive oportunidade de, em crónicas anteriores, expor porque considero esta decisão um erro de gestão. A decisão unânime da Câmara e da maioria na Assembleia Municipal foi pouco fundamentada e claramente precipitada.
Não pode valer tudo para encaixar algum dinheiro. Exigia-se uma actualização de um estudo com quase 10 anos, e que a Câmara Municipal não se envergonha de divulgar junto à publicitação do concurso na sua página da internet. Apoiar uma decisão num estudo desactualizado é de uma irresponsabilidade sem precedentes.
Ainda que tenham ignorado os apelos à actualização do estudo do impacto real da instalação de superfícies comerciais em Évora, podiam pelo menos ler algumas das suas conclusões, e já que defendem que este está actualizado podiam seguir as suas recomendações. É verdade que este estudo fala da importância da centralidade e de uma eventual superfície comercial estar o mais próxima possível do centro histórico, mas também alerta para o facto de Évora não ter condições algumas para alojar mais do que uma grande superfície comercial.
Ora, enquanto ainda existia uma licença de construção válida para um centro comercial na zona industrial, seria prudente não permitir o avanço de um outro nesta fase. E sim, o município tinha esse poder, bastava decidir não vender os terrenos, pelo menos nesta fase.
No mesmo dia que a Câmara Municipal publicita no seu site o concurso público para a venda dos terrenos junto ao Centro Histórico, Carlos Pinto Sá, presidente da Câmara Municipal, em entrevista ao Diário do Sul afirma, em relação à construção que está parada na zona industrial, que "há uma empresa de capitais estrangeiros interessada em comprar ao antigo BES aquele activo e, porventura, pô-lo a funcionar. Já nos entregaram o pedido para a prorrogação da licença de construção”.
Ora, estamos portanto na possibilidade, de um momento para o outro, de ver surgir dois grandes empreendimentos comerciais, que calculamos não terem qualquer viabilidade sozinhos, quanto mais em conjunto, mas que entretanto secarão tudo à sua volta. Quem nos garante que num futuro próximo não teremos dois grandes edifícios abandonados, depois de terem destruído grande parte do comércio tradicional?
Na mesma entrevista, Pinto Sá afirma, ainda, que os cinemas junto ao Terminal Rodoviário vão mesmo avançar e que está empenhado em defender o património do Centro Histórico. Megalomanias? Projectos soltos? Ou alguma estratégia que à partida não se percebe? Eu estou muito preocupado com este meu Concelho que parece à deriva.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

TEMOS QUE PENSAR DE MANEIRA DIFERENTE.


ATENÇÃO ÉVORA. Estou muito preocupado com a Teresa Branquinho, a Teresa é a melhor – única – tecelã a trabalhar com teares mecânicos manuais em toda a região do Alentejo Central. Até ao fim deste mês, daqui a três dias, tem que retirar os seus teares – alguns de dimensões bastante grandes – da Mitra, um espaço cedido pela Universidade de Évora mas que terminado o contrato que tinha, apoiado pela UNESCO, não tem dinheiro para arrendar pelo bolso dela. Temos um governo de esquerda, temos uma Câmara Municipal de Évora de esquerda, uma Junta de Freguesia da Malagueira de esquerda. TEMOS QUE PENSAR DE MANEIRA DIFERENTE. Temos que nos entreajudar uns aos outros. Este problema extravasa até a questão de esquerda ou direita. TRATA-SE DE SALVAR UMA TRADIÇÃO CULTURAL MILENAR. Tudo é ecologicamente sustentável no trabalho da Teresa, desde a recolha da lã à sua lavagem, cardagem, coloração, tecelagem. Faz peças únicas e da tradição alentejana. Peço a todos que divulguem e aos que vivem em Évora que façam alguma coisa. Enquanto não há um Centro Cultural na Malagueira, onde ela tem a sua casa, que possa abrigar os teares e promover workshops para quem quiser aprender. Uma boa ideia para desempregados. Camaradas, amigos, irmãos. Isto diz respeito a nós todos. Porque não quotizar-nos todos e fazer uma colecta que permita à Junta de Freguesia da Malagueira transformar as casas emparedadas numa CASA DE CULTURA, eu serei o primeiro a contribuir – entretanto os teares podiam aguardar no espaço onde estão.

Mário Gomes (aqui)

Relatório do Tribunal de Contas revela "graves ilegalidades" financeiras cometidas na CME por José Ernesto Oliveira, Manuel Melgão e Élia Mira


Relatório do tribunal de contas diz que foram cometidas graves ilegalidades financeiras na autarquia de èvora os indiciados no processo estão em baixo. Fica o relatorio para tirarem as devidas conclusões.
Aos indiciados responsáveis, o ex-Presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Ildefonso Leão de Oliveira, à Vice-Presidente da Câmara Municipal de Évora, Élia Maria Andrade Mira, bem como ao ex-Vice Presidente e ex-Presidente da Câmara Municipal de Évora, Manuel Francisco Grilo Melgão; bem percebo porque não houve auditoria externa!

Anónimo
26 fevereiro, 2016 10:43

Câmara de Évora contesta traçado ferroviário da linha Sines-Badajoz


A Câmara Municipal de Évora contesta o traçado que a empresa Infraestruturas de Portugal (empresa pública que resulta da fusão entre a REFER e Estradas de Portugal) pretende impor a Évora na zona urbana (Sra. da Saúde) para o comboio de mercadorias Sines-Badajoz e avança com pedido de audiência ao Ministro da Tutela, a proposta do Presidente do Município eborense, Carlos Pinto de Sá, mereceu aprovação unânime na reunião pública de 24 de Fevereiro. 
Como explicou o autarca, trata-se de um traçado que, caso se viesse a concretizar, traria significativos prejuízos para a cidade e para a qualidade de vida dos seus habitantes. Salientam-se o elevado número de comboios a atravessar a zona urbana, tanto no período diurno como noturno, o isolamento de bairros, a afetação da tomada de vistas sobre a cidade e o comprometimento do crescimento da cidade para Nascente.
O Município de Évora, assegurou Carlos Pinto de Sá, não pretende por em causa a linha de mercadorias, que considera essencial ao desenvolvimento do território, mas sim encontrar uma solução que seja compatível com a cidade e a qualidade de vida dos seus habitantes.
O Presidente do Município apresentou o documento aprovado por unanimidade na reunião do Conselho Geral da Associação Nacional de Municípios Portugueses sobre a apreciação da proposta de Orçamento de Estado. Realçou os aspetos positivos desta e também alguns pontos que merecem preocupação dos autarcas, como por exemplo o não cumprimento integral da Lei das Finanças Locais. Como aspetos positivos salientou que não serão retiradas as receitas do IMT aos municípios, que haverá uma exceção ao limite de endividamento no que se refere a projetos candidatados a fundos comunitários e a reposição da salvaguarda do IMI, assumindo também o Governo os custos da ADSE em relação ao Serviço Nacional de Saúde. A eliminação das isenções de IMI e IMT para os fundos imobiliários e a contratação de algum pessoal por parte dos Municípios, em determinadas circunstâncias, são outros dos aspetos destacados.
Foi aprovado por unanimidade o edital e a planta da Feira de S. João 2016, certame a ocorrer de 23 de Junho a 3 de Julho inclusive, no Rossio de S. Brás, e na presente edição sobre a temática “Évora - 30 Anos de Património Mundial”.
A Câmara aceitou duas doações em relação às quais deixou um agradecimento: uma feita pela Galeria TEOARTIS de um conjunto de obras realizadas pelos participantes do 16º Encontro Internacional de Arte Jovem – Évora 2015; e outra, de livros infanto-juvenis à Biblioteca Itinerante “Loja dos Sonhos”, feita por Gilberto Miguel Trigueirão Castelos.
A proposta de adesão ao movimento AMALENTEJO foi aprovada com os votos favoráveis da CDU, as abstenções do PS e o voto contra do PSD. Este movimento, cuja Comissão promotora agrupa autarquias, instituições e organizações de todo o Alentejo e dos mais variados quadrantes políticos, procurará defender questões como a necessidade do desenvolvimento económico e social do Alentejo; a valorização e defesa do Poder Local Democrático; e a defesa da regionalização administrativa do continente. (Nota de imprensa da Câmara)

Este sábado no Armazém 8


Capa do Diário do Alentejo desta semana


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A passagem do tempo, crónica ao espelho

Cumpriram-se, no passado dia vinte e três, dez anos sobre a minha primeira crónica para a DIANAFM. Desde esse dia muita coisa mudou na nossa vida colectiva e muita coisa mudou na minha própria vida.
Lembro-me de chegar aos estúdios da rádio pelas dezoito horas e de ler a primeira crónica que só iria para o ar no dia seguinte. Durante alguns meses foi esse o ritual semanal até que descobri as vantagens de escrever e gravar em casa, para depois enviar por correio electrónico. 
Durante estes dez anos emiti opiniões na qualidade de mero observador do que me rodeia, com as certezas e as dúvidas do homem comum, especialista em coisa nenhuma. Foram só e apenas as minhas opiniões. Tão válidas como quaisquer outras.
Nos últimos dois anos nem sempre cumpri esta tarefa semanal e algumas vezes fi-lo quase por obrigação. Talvez me comece a faltar tempo e tranquilidade para observar o que está para além do que vejo e leio, que é o mais interessante como tema de crónica.
Nestes dez anos fiz crónicas sobre factos e nunca sobre protagonistas, ainda que, uma vez por outra, me tenha referido aos seus nomes. Nada me interessou as suas atitudes públicas, as insinuações sobre o passado de cada protagonista. Apenas me interessaram, como observador, as opções políticas e as suas consequências.
Por isso mesmo as minhas crónicas nunca foram sobre Passos Coelho ou Sócrates, Miguel Relvas ou Paulo Portas, mas sempre sobre as suas decisões e as consequências políticas das suas decisões.
O tempo que vivemos hoje é diferente do que vivíamos em 2006, desde logo pelo incremento de utilização das redes sociais no espaço virtual, que permite a divulgação da mentira e da suspeição de forma viral e cobardemente anónima.
As notícias de maior impacto e divulgação não são sobre coisas sérias, mas sobre o que pode potenciar essa nova forma de estar que é a inveja social. 
Recuso esse caminho. O caminho de falar sobre a vida dos outros utilizando os meus filtros morais como se fossem a moral aceitável para todos, alinhando naquela tão famosa atitude do cidadão sentado na esplanada a protestar contra alguém que acha que não faz nada, ignorando que trabalha doze ou dezoito horas por dia.
Sei que o que escrevo e leio aos microfones da DIANAFM é ouvido por algumas pessoas, lido por mais algumas e vasculhado nas entrelinhas por outras tantas e nem sempre tenho cuidado de arredondar o que escrevo para ninguém se picar.
Muitas vezes nem sequer revejo o que escrevo antes de gravar e enviar e lá vão erros e imprecisões.
Não mudei nada no mundo com estas trezentas e oitenta e nove crónicas, mas durante estes dez anos fiz quase tudo o que me apetecia fazer e ao fazê-lo aprendi a não me levar a sério para além do razoável e a duvidar das minhas próprias opiniões.
Um personagem de um livro juvenil, de Carlos Ruiz Zafon, afirma, no final, que a idade não nos torna mais sábios, apenas nos torna mais cobardes. Se concordar com o personagem, tenho de admitir que afinal não envelheci nestes dez anos. Continuo sem nada a perder a não ser as minhas próprias cadeias. E a bradar, proletários de todos os países, uni-vos!
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Aviso de concurso público para a venda do terreno do centro comercial foi hoje publicado



Os interessados na compra do terreno, junto às Portas d'Avis, em Évora, para a construção de um centro comercial têm 90 dias para apresentarem as suas propostas.
O aviso do concurso público (apesar de ter a data de 10/2/2016)  foi publicado hoje na página da Internet da câmara e em dois jornais.
Para alienação, em propriedade plena, o terreno tem um valor base de 4,4 milhões de euros.
O terreno municipal tem uma área de 28.500 metros quadrados.



Sessão do Bloco de Esquerda amanhã em Évora


Évora: inaugura hoje na Igreja de São Vicente


Micro-nouvelles | 13 histórias trágicas + 2 breves
Exposição de desenhos de Patrícia Ferreira
A partir de Notícias em três linhas, de Félix Fénéon
Igreja de São Vicente
24 fevereiro - 31 de março
2ª - 6ª | 9:00-12:00 | 13:00-17:00
Inaugura dia 24, às 18h 

aqui: https://www.facebook.com/events/981959985212131/

A lição da América

Do longo processo que é a escolha do Presidente dos EUA, sobretudo numa eleição e não numa reeleição, e a que estamos a assistir este ano, podemos aprender muito sobre o mundo da cultura política em Democracia, a vários níveis e escalas.
Para além do facto de o sistema ser presidencialista e, portanto, o Presidente ter uma função governativa mais vincada do que o Presidente da República em Portugal, o modo de eleição de um ou uma candidata diz muito dos candidatos e dos eleitores, mesmo num caso em que são complexas etapas em que se vota em quem vai escolher, no final, os que vão decidir quem será a ou o Presidente. No fundo, nos EUA toda uma máquina de lobbying, redes e conexões surge mais sistematizada e escrutinável, quando todos sabemos que em qualquer processo em que se reúnem apoios há este tipo de movimentações, com maior ou menor uso de valores pelos quais se distingue o caráter da verticalidade que se espera que quem mande tenha. Por se tratar dos EUA, uma potência mundial (económica, militar, cultural) até o Papa, outro Chefe de um Estado, veio fazer o gostinho ao dedo na avaliação de um dos candidatos e em matéria onde é autoridade como poucos: o que é ser-se um bom cristão.
A maior parte das vezes, o Colégio Eleitoral norte-americano segue a tendência dos votos populares, no entanto por quatro vezes ao longo da História os delegados escolheram um candidato não escolhido pelo voto popular. A mais recente, no ano 2000, o candidato democrata Al Gore teve mais votos populares que o republicano George W. Bush, porém Bush teve mais votos no Colégio Eleitoral e acabou por ser eleito Presidente dos Estados Unidos. É complicado? É. Talvez por isso sejam relativamente poucos os cidadãos americanos que se envolvem neste processo, não sendo de participação obrigatória, o que dá que quem não se mexe para eleger quem lhe parece melhor preparado para o assunto, acaba por ser governado por quem não quer, de forma algo conivente. E pode dar, de facto, a sensação de que o que cada cidadão faz pelo assunto conta menos. Mas não. E é isso que é interessante neste processo da mais antiga Democracia do mundo, quase simbólico: é que o que qualquer cidadão de um sistema democrático, onde quem manda nesse país é quem os cidadãos escolhem para mandar, faz, diz da saúde política desse país.
Escolher o cidadão mais popular, ou que se diz capaz de ser mais popular, em vez do que é melhor político e que tem melhores condições para fazer um trabalho sério em benefício do coletivo a que concorre para presidir, não me parece dizer também muito sobre quem faz a escolha. Sobretudo se se utiliza a desculpa de que os políticos experientes são uma espécie de cidadão a evitar, como se não os houvesse, desses a evitar e com quem nós nos cruzamos às vezes, em todas as ocupações, funções, profissões.
Fazer uma escolha assim, com base num discurso de paraíso perdido a recuperar, porque há quem o utilize e promova quando mais nada tem a acrescentar até pela sua conduta, é próximo de um pensamento ingénuo escondido numa aura de inocência imaculada. Quanto a isto mesmo, a esta confusão, o Vergílio Ferreira dizia: «Ingenuidade é um modo de se ser inocente. Infantilismo é um modo de se ser idiota. Faz a sua diferença.» E era bom que a idiotia se desmascarasse bem cedo quando, em passes de oportunismo, se candidata a ser poder. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

34ª Volta ao Alentejo de 16 a 20 de Março



Um pelotão de 175 ciclistas vai disputar a 34.ª Volta ao Alentejo em bicicleta, entre 16 e 20 de março, com início em Portalegre e chegada a Évora, num total de mais de 900 quilómetros.
A edição deste ano da 'Alentejana', cuja apresentação decorreu hoje no Palácio de D. Manuel, em Évora, é organizada pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) e pela Podium Events.
Entre as equipas participantes estão 12 portuguesas e 10 estrangeiras, em representação de oito países (Portugal, Suécia, Estados Unidos, Holanda, Noruega, Espanha, República Checa e Rússia), num total de 175 corredores.
O pelotão luso conta com as equipas profissionais do Sporting-Tavira e W52-FC Porto, que regressaram recentemente à estrada, bem como com a LA -Antarte, Rádio Popular-Boavista, Louletano-Hospital de Loulé e Efapel, às quais se vão juntar seis equipas sub-23.
Do estrangeiro, vêm as equipas da Bliz-Merida (Suécia), Rally Cycling, USA Cycling e Axeon-Hagens Berman (Estados Unidos), Euskadi Basque-Murias (Espanha), Lokosphinx (Rússia), Metec TKH Continental (Holanda), Team COOP-Oster HUS (Noruega), TeamFixit. No (Noruega) e Klein Constantia (República Checa).
Com um total de cinco etapas e 907 quilómetros, a 'Alentejana' arranca a 16 de março, com a ligação entre Portalegre e Castelo de Vide, num total 158 quilómetros, nos quais estão previstos quatro prémios de montanha.
A segunda etapa, a mais longa da prova, parte de Monforte para 206 quilómetros até Montemor-o-Novo, seguindo-se, no terceiro dia de competição, a ligação entre Portel e Beja, num percurso de 186 quilómetros.
No quarto e penúltimo dia de prova, os ciclistas vão começar em Aljustrel e ter como 'pano de fundo' o litoral alentejano, com a chegada a acontecer em Grândola, ao fim de 184 quilómetros.
A derradeira etapa da Volta ao Alentejo em bicicleta, num percurso de 172 quilómetros, parte de Santiago do Cacém e termina em Évora, onde a meta vai estar instalada na Praça do Giraldo, considerada a sala de visitas da cidade.
Nas 33 edições da 'Alentejana', nunca nenhum ciclista conseguiu vencer a prova por duas vezes.

Etapas:
16 de março, 1.ª etapa: Portalegre - Castelo de Vide, 158 km
17 de março, 2.ª etapa: Monforte - Montemor-o-Novo, 206,2 km.
18 de março, 3.ª etapa: Portel - Beja, 186,6 km.
19 de março, 4.ª etapa: Aljustrel - Grândola, 184,7 km.
20 de março, 5.ª etapa: Santiago do Cacém - Évora, 172,3 km.

Universidade de Évora organiza Congresso Internacional sobre Vergilio Ferreira no ano do seu centenário




Comemora-se, em 2016, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, insigne e plurifacetado escritor, reconhecidamente marcante no panorama intelectual do Século XX e cuja obra urge reler. A Universidade de Évora, que tem honrado a sua memória, através da atribuição anual, desde 1997, do prestigiado Prémio Vergílio Ferreira, realiza no ano do centenário, de 29 de Fevereiro a 2 de Março, numa cidade tão indelevelmente associada à obra do autor de Aparição, um Congresso Internacional de cariz interdisciplinar.
Em organização conjunta do Departamento de Linguística e Literaturas e do Departamento de Filosofia, o evento “Vergílio Ferreira: entre o silêncio e a palavra total” pretende ser uma grande oportunidade de congregar investigadores de várias áreas do saber em torno de Vergílio Ferreira, para (re)evocar as coordenadas que pautam a sua escrita e promover novas hipóteses interpretativas do seu legado ficcional e ensaístico.
Org: Universidade de Évora
Apoios: FCT | DRCA | Smart Moove Hotel - Évora
Nota: a entrada é livre para os interessados em assistir, estando condicionada à lotação das salas.

A decorrer a homenagem a Manuel Ferreira Patrício

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Câmara de Évora quer aprovar empréstimo de 32.500.000 euros para sair do PAEL


Em reunião pública de 18 de fevereiro foi aprovado o relatório de avaliação de propostas para a contração de empréstimo para saneamento financeiro do Município de Évora, bem como o seu envio à Assembleia Municipal. O ponto mereceu os votos favoráveis da CDU e do PS e a abstenção do PSD.
Esta proposta segue agora para deliberação em Assembleia Municipal e, se obtiver votação favorável (maioria dos eleitos em efectividade de funções), será depois encaminhada para apreciação pelo Tribunal de Contas.
As entidades financiadoras são o Banco BPI, a Caixa Geral de Depósitos e a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, sendo o empréstimo global no montante de até 32.500.000 euros, com um prazo de 14 anos e um ano de carência de um ano.
Na apresentação da proposta, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, explicou a necessidade da autarquia recorrer a esta medida e as opções de que dispunha: o Fundo de Apoio Municipal e o Saneamento Financeiro. Neste caso, foi mais vantajoso para o Município recorrer a esta última opção por que os juros são menores e não interfere na autonomia de gestão do Município. Além disso, possibilitará também à Câmara dispor de algumas verbas para se poder candidatar a fundos comunitários, bem como uma ligeira folga para contratação de pessoal.(nota de imprensa da CME)

Sobre a Morte Assistida

Acabo de assinar uma petição pública para a despenalização e regulamentação da Morte Assistida. O assunto tem merecido um amplo debate nas últimas semanas, tendo-se notado uma enorme hipocrisia daqueles que são contra. Como os argumentos são fracos e desumanos têm-se defendido na ideia da necessidade de haver um referendo sobre a matéria.
Querem, mais uma vez, referendar um direito, para tentar que ele seja negado. Curioso, como aqueles que são contra a despenalização da Morte Assistida, contra a hipótese de poder escolher morrer com dignidade quando já nada há fazer, sejam os mesmos que são contra que a maioria de nós possa viver a sua vida com dignidade. Não posso negar a coerência: negar a dignididade na vida e na morte.
Como podemos negar a morte assistida após um pedido informado, consciente e reiterado de uma pessoa que sabe que não tem qualquer esperança de cura? Como podemos negar a antecipação da morte a doentes em grande sofrimento? Como podemos negar que a afirmação da liberdade e da dignidade seja a última escolha que muitos querem ter nesta vida?
A Morte Assistida não entra em conflito nem exclui o acesso aos cuidados paliativos, estes continuam a ter a sua importância, mas é por demais evidente que em muitos casos não eliminam o sofrimento nem impedem a degradação e a agonia física e psicológica de tantas e tantas pessoas.
Como diz, e bem, o texto da petição: “Um Estado laico deve libertar a lei de normas alicerçadas em fundamentos confessionais. Em contrapartida, deve promover direitos que não obrigam ninguém, mas permitem escolhas pessoais razoáveis. A despenalização da Morte Assistida não a torna obrigatória para ninguém, apenas a disponibiliza como uma escolha legítima.”
Que a nossa grande convicção e dogma seja a da defesa da dignidade em todos os momentos da nossa história de vida. Não queiramos fazer do último capítulo algo que nos envergonha, mas algo que nos orgulha.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Esta quinta-feira: reunião aberta sobre a construção do centro comercial nas Portas de Avis


Vai-se realizar esta quinta-feira à tarde, a partir das 19H, uma reunião aberta no "Bar Oficina" a todos os que queiram participar, convocada por um grupos de cidadãos que estão contra a decisão de construção de um Centro Comercial junto às portas de Avis, em Évora. 
Os terrenos da Câmara situados nesse local, e que possibilitarão a construção do centro comercial, estão a ser objecto de um processo de venda, conforme foi decidido em reunião de Câmara e na Assembleia Municipal do Alentejo. 
Recusando estar frente a um facto consumado, os organizadores desta reunião julgam que ainda é possível inverter o processo, dado que existem outros locais possíveis de construção de um Centro Comercial e não numa zona que devia ser de protecção especial, junto às muralhas e ao lado do Centro Histórico, classificado como Património da Humanidade.

A mentira da verdade

Em consciência não posso deixar de tratar mais uma vez da questão orçamental do país. O actual primeiro-ministro continua a dizer-nos que austeridade tem os seus dias contados, porque irá devolver rendimento aos funcionários públicos e pensionistas. Acontece que esta realidade é uma meia verdade, porque a mentira reside no aumento real dos impostos e das taxas inscrito no orçamento para o ano em curso.
Não sou especialista na matéria, e, a minha competência não passa do que aprendi no manual de Finanças Públicas do Professor Teixeira Ribeiro. Por isso, não sei muito mais do que as definições de imposto e de taxa. Sendo que o imposto tem a dimensão de obrigatoriedade independentemente da vontade dos administrados, ou seja, o povo terá que pagar os impostos para além da sua concordância. As taxas são pagas tendo como contrapartida um serviço do Estado. Exemplo disto, é uma qualquer licença que o cidadão necessite de requerer ou, um serviço, que o Estado possa prestar.
Na verdade, o presente orçamento prevê um aumento dos impostos face ao ano transato. A fonte desta afirmação resulta de um artigo de opinião publicado pelo professor João Duque, nas redes sociais. Mas, não está sozinho nesta afirmação, há muitos e insignes economistas que o acompanham ou que ele os acompanha. E, a conclusão de que há um efetivo aumento de impostos, resulta, s.m.o, da relação entre o produto interno bruto previsto e a carga fiscal prevista, que, nas contas do referido professor, significa um aumento de 0,2 por cento do PIB.
Ora, se esta conclusão é factual e não uma questão de convicção não demonstrável, o que é que têm para nos dizer os partidos que sustentam o atual governo? Apresentaram-se ao eleitorado contra austeridade, não percebendo que a austeridade é um meio e não um fim. E, agora, aparentemente, concordam com a austeridade do governo. A chamada austeridade boa. Boa, porque é de defendida pela esquerda..
Pelo que, este governo está “ferido de morte” e só não sabemos quando se tornará defunto. Para o bem de todos, é urgente que esta agonia acabe quanto antes. Não só andam a laborar num equívoco, como, pretende que todos se distraiam. Acontece que, há pelo menos uns, que não se deixam ludibriar. E, esses, chamam-se credores. É assim. É a vida…

José Policarpo (crónica na rádiodiana)

Apresentação em Évora de livro sobre o Bairro da Malagueira

25 de Fevereiro, às 18 horas
na Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Casa de Burgos, 5 - Évora

Caros amigos e amigas é com muita alegria que vos convido para a apresentação da publicação da minha tese de doutoramento. Especialmente os que vivem em Évora e me acompanharam nesta caminhada de mais de 15 anos. Esta tese sobre o bairro emblemático de Siza Vieira em Évora é uma abordagem à satisfação residencial, numa perspectiva antropológica de construção identitária. Teve a orientação do Professor José Gabriel Pereira Bastos e vai ser publicada pela Editora Caleidoscópio, pelo Jorge Ferreira. É comum dizer-se que todas as teses não podem exceder um certo prazo e que se o ultrapassarem nunca mais são concluídas, tive que viver com esse fantasma. Era impossível concluí-la sem uma estada no terreno prolongada, o que só aconteceu entre 2010 e 2011 sendo financiada pela FCT. Era impossível dar aulas e viver em Évora, por isso arrisquei a bolsa e não estou arrependido. É uma tese inovadora em muitos sentidos, a dedicação ao bairro e aos seus habitantes foi testemunhada por muita gente. Espero que gostem e que os de Évora estejam presentes, estou muito agradecido e quero testemunhá-lo… vão lá e oiçam…

Mário Gomes (aqui)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sabermos da nossa Vida

A discussão sobre a eutanásia ou o suicídio assistido é um assunto fracturante, tanto na esfera pública da sociedade como no lugar mais íntimo da consciência do indivíduo.
E como acontece com todos os temas fracturantes, quer-me parecer que requer, mais ainda do que nos outros, que se pesem os prós e os contras nas implicações de legislar sobre o assunto. Apesar de já ter a minha opinião formada e segura, pareceu-me bem reflectir com os que me ouvem e lêem sobre algumas hipóteses para argumentar sem alimentar ódios nem acusações de parte a parte, que é o que as campanhas para os referendos acabam por acicatar na guerra das audiências e dos shares.
Para começar a reflexão precisamos de perceber que não se está a avaliar entre uma coisa boa e outra má, mas entre duas coisas más. Tratar-se-á por isso de uma escolha da qual se pode, eventualmente e sem ânimo leve, permitir a menos má. Depois é preciso percebermos que se trata de lidar com a Vida e de como a pensamos do princípio ao fim, passando pelo meio. Perceber como pensamos a Vida na relação da nossa com a dos outros, para além do seu valor absoluto que ideologias ou crenças nos ensinam e constroem enquanto pessoas. Trata-se ainda de permitir, sem promover, que se escolha fazer um dos caminhos para chegar a um mau sítio, de uma maneira ou de outra. Um sítio inevitável, de que temos consciência desde quando começamos a usá-la para nos pensarmos, o que não acontece com mais nenhum animal. E como os há, aos animais, que reagem instintivamente, ora lutando contra o fim quando pressentem o perigo, ora em situação idêntica, por exemplo matando as suas próprias crias. Padrões de comportamentos naturais.
Depois, teremos de perceber que só estamos a colocar esta opção porque é a mesma ciência que nos permite prolongar a Vida que nos permitirá interrompê-la, de forma apesar de tudo mais civilizada do que levar um velho às costas até às montanhas (uma lenda retratada num filme japonês de culto intitulado A Balada de Narayma). O mesmo gesto contra a natureza que nos empurra do início ao fim. Não será, no entanto, de estranhar que quem se dedicou, pela ciência, a salvar vidas objecte a pôr-lhes fim. Não o fará pela ciência mas pela fé, que é outra maneira de usar a consciência e ficar de bem com ela.
Finalmente, e ponto que me parece ser o mais importante para uma decisão a aplicar em assunto fracturante no âmbito da sociedade, o facto de se legislar despenalizando e dando condições, neste como noutros casos em que a ética porque se trata da Vida está implicada, não obriga ninguém a optar pela situação despenalizada.
Vergílio Ferreira, quando iniciou a escrita do romance Para Sempre, escreveu no seu diário: «Salvar a vida, até onde é possível, mesmo à custa da morte. É o acto do suicida.» E é em nome de uma dignidade que se encontre em determinada situação ao não prolongar uma inevitabilidade para além dos limites que se deseje, porque o sofrimento não é um hino à Vida, que eu concordo em que pôr-lhe fim conscientemente será, para alguns, esse único acto de dignidade que se conquista e que, graças à evolução da civilização, se lhes pode permitir. Por muito que me custe e doa lembrar os que, antes do Tempo, foram arrancados à Vida.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radiodiana)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Prometido é Devido?

Passados mais de dois anos sobre a actual gestão do executivo municipal em Évora, importa fazer um balanço. Porque é importante que os executivos cumpram o programa pelo qual são eleitos, revisitei este fim-de-semana o programa de governo municipal para o Concelho de Évora da CDU.
Ao fim de metade do mandato verifica-se que muitas promessas estão por cumprir:
- Diziam querer “envolver as populações e as instituições na construção dos orçamentos municipais”, mas nenhum dos Orçamentos aprovados teve uma verdadeira participação popular. Alías, basta ver como o executivo CDU negou sempre a possibilidade da existência de um Orçamento Participativo.
- Comprometiam-se a “respeitar as oposições, garantir-lhes condições de trabalho para além do Estatuto do Direito de Oposição”. Sobre este compromisso, posso dizer-vos que pedi na Assembleia Municipal vários documentos, de que são exemplo o relatório final da Feira de São João, o Relatório Final do Cenas ao Sul, o número de trabalhadores com contrato emprego-inserção, as suas funções e data de celebração do protocolo, etc, etc... Até hoje continuo sem ter acesso a tais documentos. Chamam a isto respeitar as oposições.
- Prometiam um “Programa Integrado de Revalorização e Animação do Centro Histórico”. Sobre esta promessa está à vista a falta de estratégia para o Centro Histórico. Não há revalorização, não há animação, não há plano de gestão, não há definição da Zona Especial de Proteção. A única coisa que houve foi uma pressa enorme para alienar terrenos junto ao Centro Histórico para a construção de um Centro Comercial, exactamente numa zona que integraria, obviamente, a tal Zona Especial de Proteção.
- No programa escreviam que se comprometiam a revitalizar o Mercado 1º de Maio, a elaborar uma carta arqueológica e até a criar um museu virtual. Até agora nada.
- Fizeram da Cultura uma bandeira, prometendo um grande “plano estratégico para a cultura”. Passados mais de dois anos, não há qualquer plano e o investimento na cultura está à vista.
- No papel, a Feira de São João iria ser transformada a partir de um grande debate público, haveria um plano concelhio de preservação e promoção ambiental, seria retomada a Agenda XXI Local, haveria um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Desportivo e seria criado um programa de apoio ao arrendamento para a fixação de jovens no Centro Histórico. Até agora destas promessas nada se sabe.
Nestes poucos minutos de crónica não poderei percorrer todo o programa, mas convido todos os ouvintes e leitores a reler e, já agora, a exigir que se cumpra aquilo que se prometeu. As maiorias, depois de serem motivo de festa, deverão ser motivo de responsabilidade acrescida.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Rádio Diana)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Vê, Tomé!... (vê, Einstein!)



Entretecendo mil ideias,
tecendo o espaço e o tempo,
o tolo tudo concebendo...

Bastas ideias muito loucas,
postulados e outras coisas mais
como de gradientes e rotacionais,
orelhas um pouco moucas,

viajando de Newton para umas ondas gravitacionais
como as de uma criança atirando pedras a um lago
deslocando umas plumas leves dum pato sossegado,

mas em outras dimensões
e a coisa com outra dimensão,
buracos negros, buracões,

onde a luz se perto passasse
se dobrasse,
caísse
e adormecesse...,

só vendo, como Tomé
(Como?... A luz ali anoitecia?...),
eis a humana conclusão...

Antenas no espaço e no tempo
orientadas como dedos espetados
e eis as plumas em movimento!

Vê, Tomé!...

José Rodrigues Dias, 106-02-12

aqui:  http://joserodriguesdias.blogspot.com/#ixzz403hcUpSD

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Tudo parece do avesso

Eleito à primeira volta o candidato que nos foi imposto pelos patrões da comunicação social dominante, a luta diária dos comentadores voltou-se para a demonstração de que não é possível um país soberano aprovar um orçamento livre da chantagem da comissão europeia.
Bem sei que este não é o governo da esquerda. Também sei que este não é o orçamento da esquerda. Bem sei que o governo é do PS e que o orçamento é do governo do PS, mas ainda assim não posso deixar de me espantar com a atitude da maioria dos comentadores que alinham invariavelmente com a visão mais seguidista das teorias da inevitabilidade austeritária.
Tudo estava mal na proposta de orçamento. A comissão europeia iria recusar a proposta de orçamento e cada Miguel de Vasconcelos de serviço fez questão de ir envenenar a potência ocupante com as suas profecias da desgraça proferidas por um qualquer desgraçado.
Afinal a coisa não correu tão bem para os que anunciaram o dilúvio divino sobre a soberania nacional e o orçamento parece ter sido tolerado pelos guardiães das portas do paraíso neo liberal.
Para que tal acontecesse o governo teve de o piorar, de o tornar aqui e ali incongruente, de recuar nalgumas propostas socialmente mais justas e de avançar com incompreensíveis cedências à chantagem dos euroburocratas a mando da visão mais reaccionária do conceito de integração europeia.
Todo este processo vem lembrar aos mais distraídos que o caminho da libertação passa por equacionar a nossa presença nesta União Europeia que faz da integração uma espécie de colonização dos tempos modernos, umas vezes simpática outra vezes de rosto fechado,
Não sabemos o que vai acontecer no debate sobre o orçamento na Assembleia e se o governo irá aceitar propostas que tenderão a melhorá-lo ainda que constituam um desafio a uma União Europeia que aposta tudo no reforço da austeridade tendo como alvo os rendimentos do trabalho.
Mas uma coisa é certa. Os comentadores continuarão a fustigar todas as opções que não se enquadrem na visão tosca e alinhada pelas perspectivas de um governo que já não é e continuarão a criar a artificialidade com que pretendem convencer os mais incautos de que piorou… o que se pretende melhorar.
E tudo isto por causa de um governo do PS com um orçamento de um governo do PS. Imagine-se o que seria se se tratasse de um governo de esquerda, com uma política patriótica e de esquerda e um orçamento de ruptura com os ditames dos donos europeus disto tudo.
Veremos que tempos se seguem a estes tempos estranhos. Uma coisa é certa, podem torcer os números, inventar propostas e contrapropostas e até espalhar o veneno da intriga palaciana, que dificilmente conseguirão matar a centelha de esperança que nasceu da derrota que sofreram em 4 de Outubro.
Assim todos cumpram os compromissos assumidos.

Eduardo Luciano (crónica na radio diana)

6º aniversário da "é neste país" comemora-se este sábado


6º Aniversário . É Neste País
Sábado . 13 de Fevereiro de 2016


11:30 . Com Quantos Pontos Se Conta Um Conto?
com António Fontinha


20:00 . No prato da cozinha… Alentejana
Mestre cozinheiro Pisco Martins
Inscrições até dia 12 de Fevereiro

22:00 . O que se passa neste país!
Apresentação de projectos
.
Para inscrições e mais informações:
É Neste País - Associação Cultural
Rua da Corredoura 8 . Évora
e-mail: nestepais@gmail.com

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A incerteza é má conselheira!

A comissão europeia ao fim de negociações aturadas com o governo português, deu assentimento ao projeto de orçamento apresentado. Porém, o primeiro-ministro e o ministro das finanças informaram o país que o primeiro esboço de orçamento era mais condizente com o seu programa de governo.
Por seu lado, a comissão apesar do “parecer” favorável, levanta muitas dúvidas quanto à execução da receita. Ou seja, os impostos e taxas a cobrar no presente ano, serão, muito, provavelmente, insuficientes para assegurarem o défice previsto.
Na verdade, a esquerda democrática e não democrática, partido socialista e os demais partidos que constituem a atual maioria parlamentar, numa coisa são o mesmo lado da moeda. Se existe uma reivindicação e a mesma tem origem no eleitorado que os possam legitimar em quanto poder, tudo, mesmo tudo, deverá ser feito para satisfazer essas pretensões. Mesmo que essas pretensões possam conduzir o país para o descrédito internacional.
De resto, por muito legítimas que sejam as reivindicações, no caso, os vencimentos dos funcionários públicos e as pensões dos reformados e dos pensionistas, as mesmas para serem satisfeitas necessitam de dinheiro, de muito dinheiro.
Ora, o dinheiro resulta dos impostos, que por sua vez têm origem no rendimento dos trabalhadores e no lucro das empresas. E, para que esta condição se verifique é necessário, que, ao mesmo tempo, a economia do país cresça sustentadamente. Com efeito, se se descurar o equilíbrio adequado entre os impostos cobrados e a criação de riqueza, o governo estará metido numa grande e complexa encruzilhada política-financeira.
Assim, o governo para levar a cabo a política que defende, como tentei demonstrar atrás, precisa de dinheiro. Deste modo, não deverá aumentar a carga fiscal, mas criar as condições politicas para que o investimento tenha lugar. Porém, não é com o aumento dos impostos e com as alterações da legislação previstos em sede da proposta de orçamento, que criará a confiança necessária para que os investidores invistam no país.
Pelo que, a prudência a isso recomenda, só resta uma solução ao atual governo para que as contas públicas não tenham o mesmo desfecho que tiveram no ano de 2011. Para tanto, deverão convencer os seus amigos de coligação, que, a realidade, não é compaginável com ideários políticos, por mais nobre que eles possam aparentar ser. É imperioso, por isso, que o governo faça uma execução do orçamento observando as regras básicas de uma gestão equilibrada e saudável e não entrar em populismos demagogos. Dar tudo e a todos. É uma má experiência, que, todos bem conhecemos, e, não foi há muito tempo.
E, por último, só para os mais distraídos, nunca é de mais relevar, em maio 2011 não havia liquidez para pagar as remunerações aos funcionários públicos e as pensões aos pensionistas. É isto que, defendem!?!

José Policarpo (crónica na rádio diana)

Papagaios Sem Penas 3

Como vos propus, vamos concluir esta tríade de crónicas sobre o mundo da política e de como ele depende muito da comunicação e do uso das palavras no discurso, com todos os riscos de poder tornar-se uma crónica com efeito boomerang, risco de quem se predispõe ao escrutínio em espaço público.
Quem vive da comunicação como profissão vive, naturalmente, com a preocupação de tratar os assuntos para que sejam consumidos da forma mais eficaz e não olhando, vezes demais, aos recursos utilizados e descurando o impacto que a qualidade da informação possa ter na qualidade da vida cívica. Discursos inflamados, engraçadinhos ou com chavões até à náusea fazem-nos certos políticos em campanhas eleitorais, tornando-as tantas vezes risíveis; discursos elípticos, ambíguos, com equívocos, a comunicação social trata de os fazer com maior ou menor habilidade; os discursos muito pormenorizados, em geral, os governantes evitam-nos, primeiro porque têm mais que fazer, depois porque sabem do perigo de um deslize; já as oposições refinam métodos e meios para que nunca se deixe de fazer os vários tipos de discurso: o uso dos detalhes e das insinuações numa mistura com as generalizações apocalípticas que oscilam entre o fait-divers e a boutade. Resta, então, aos muitos mais que não são nem uma coisa nem outras, escolher estar atentos ou estarem-se nas tintas quanto ao teor da informação que lhes chega.
Por muito que os actos e as medidas de quem governa é que, de facto, interfiram com a vida dos cidadãos, estes actos e medidas vêm acompanhados, como numa máquina que é usada por quem não a fabricou, de uma espécie de manual de instruções em forma de declarações ou discursos. Ora, como tantas vezes acontece nesse mundo industrial e dos negócios, e com a péssima qualidade das traduções desses manuais de instruções, há muitas notícias que dificilmente nos ajudam a funcionar com a realidade de forma a compreendermos bem como usá-la. É assim que tantas notícias que estão na secção da informação podiam era estar na de opinião ou propaganda. Mas é também assim que muitos se põem a jeito, porque lhes dá jeito, para serem lidos desta forma.
Se nas duas últimas semanas o teor – conteúdo e tom – do discurso político pelos comentadores foram o alvo das minhas reflexões, esta semana centro-me na dos próprios actores principais da política, e da local, não sem antes colocar algumas perguntas. Quando os cidadãos votam, será que o fazem depois de avaliarem as propostas governativas ou porque avaliam as práticas já exercidas? E quando avaliam o passado, será que se lembram de tudo e relacionam todas as condicionantes para o avaliarem ou só se lembram do que lhes diz directamente respeito ou do que acabou de acontecer, que lhes agradou ou não? E quantos de nós nos lembramos dos discursos – não a prometer mas a acusar - disto ou daquilo aqueles de quem nos queremos distinguir? Às vezes põem-se a voar papagaios que, mais do que ganharem altura e voarem controlados pelos fios que lhes demos, voam à solta. Os fios, transparentes e resistentes, nunca parecem lá ter estado e por isso dá para fazerem de conta que lá continuam…
Recordo-me de um episódio que vivi, em torno da piada que se diz a propósito do assunto que se quer menosprezar, para ilustrar como certas palavras ou uso delas, mesmo tão influentes, se perdem ou apagam quando a responsabilidade do fazer se sobrepõe à do dizer: se achei graça quando em 2010 tinha responsabilidades executivas e aconteceu um festival de música pop que a oposição baptizou com humor “festival da rotunda”, não posso deixar de seguir a mesma onda de bonomia e ser a minha vez de falar do “cinema do canteiro” que promete nascer em Évora em 2016 pela mão da então mesma oposição e agora executivo. E é bom de ver como este tipo de conversa, por mais divertida que seja, não explica nada às pessoas sobre as circunstâncias em que surgem propostas e problemas.
Recordo-vos o que disse o escritor e pensador: «Afirma com energia o disparate que quiseres, e acabarás por encontrar quem acredite em ti.» E é disto que vamos ter de nos ir livrando, ok? Como? O ambiente comunicacional das redes sociais pode ser o princípio, mas a solução parece-me que está só num lugar: na Educação. Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radiodiana)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Pela liberdade dos marionetistas presos em Madrid


‪#‎LibertadTitiriteros‬

Na sexta-feira passada, no decurso de um espectáculo em Madrid, dois marionetistas da companhia "Tititeres desde Abajo" foram presos por alegada "apologia do terrorismo", quando levavam à cena uma peça baseada em Lorca: "La bruja  y Don Cristóbal". Os dois marionetistas continuam detidos ao abrigo da chamada Lei Mordaça. Em Portugal, e em Évora, terra de marionetistas, o grupo "Era uma Vez" e a Unima (União Internacional de Marionetistas - Portugal) já manifestaram a sua solidariedade activa. Está a circular um abaixo assinado que pode ser subscrito aqui.

Pela liberdade de expressão…. Toma,Toma,Toma!!!
No Teatro Dom Roberto em Portugal nos anos passados sob uma ditadura fascista, várias vezes foram proibidos de actuar os bonecos da cachaporrada. Bonecreiros chegaram a ser presos e seus bonecos queimados. Se formos ainda mais para trás no tempo, basta pensarmos que o grande escritor de óperas para marionetas António José da Silva morreu na fogueira. No teatro Dom Roberto o padre leva porrada, o polícia é morto, o diabo é morto e no final o nosso herói mata a própria morte. Tudo isto para dizer que estamos solidários com os titeriteiros presos em Madrid acusados de incentivo ao terrorismo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A polémica sobre o Centro Comercial junto às Portas de Avis também no "Diário do Alentejo"


Projeto de Centro comercial levanta dúvidas 

Ainda antes do fim do ano, a Câmara Municipal de Évora deu a conhecer a existência de investidores interessados em construir um centro comercial de “influência regional” junto às Portas de Avis, num terreno que lhe pertence e que se situa na periferia do centro histórico. O Grupo Pro-Évora promoveu três sessões, convidando vários especialistas para debater o tema e ajudar a formar uma opinião. E a conclusão a que chegou, diz a sua presidente, Aurora Carapinha, é a de que “temos dúvidas”. “Esta estrutura melhora, revitaliza e regenera o centro histórico? A experiência de casos semelhantes diz-nos que não”. 
O município, pela voz do vereador Eduardo Luciano, esclarece que “não é promotor da construção de centros comerciais”. Acontece que, da última revisão do Plano de Urbanização, resultou a classificação dos terrenos de propriedade municipal junto à Porta de Avis como “destinados a comércio e serviços”, entendendo a câmara, por unanimidade, colocar à venda esses terrenos, por concurso público, cujo caderno de encargos “contém um conjunto de exigências que pretende defender o centro histó- rico da competição de uma centralidade alternativa”. O autarca fundamenta-se, inclusivamente, num estudo, dirigido pela geógrafa Teresa Barata Salgueiro, que apontava “como localização menos gravosa, para a existência de um centro comercial de dimensão regional, qualquer uma que ficasse a menos de 15 minutos a pé do centro histórico”. 
Ora, o estudo data de 2007 e, segundo o Grupo Pro- -Évora, está “manifestamente desatualizado”. “Hoje o mundo muda a uma velocidade louca. E o que o estudo diz é que o impacto seria menor ali, o que não quer dizer que não haja”, acrescenta Aurora Carapinha. 

CF 

"Diário do Alentejo" desta semana dedica tema de capa ao Centro Histórico de Évora


Com vários depoimentos de comerciantes e residentes, o "Diário do Alentejo" assinala nesta edição os 30 anos de Évora como Património da Humanidade que se assinalam este ano. A reportagem de Carla Ferreira, com fotografias de José Ferrolho, ouve também a arquitecta Aurora Carapinha, antiga directora Regional de Cultura e actual presidente da direcção do Grupo Pró-Évora, assim como Eduardo Luciano, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Évora, responsável pelo Centro Histórico.

Para ler a reportagem: http://da.ambaal.pt/noticias/?id=8946

Exposição do fotógrafo António Carrapato sobre o Palácio D. Manuel é hoje inaugurada


O visitante de uma exposição, o funcionário que dispõe e compõe mesas e cadeiras para uma conferência, o actor que se maquilha para entrar em cena ou o músico que afina o instrumento para iniciar um concerto, são alguns dos protagonistas de actividades que decorrem no Palácio de D. Manuel que o fotógrafo António Carrapato seguiu durante o ano de 2015.
O resultado deste trabalho de doze meses é uma exposição de fotografia, intitulada “Palácio de D. Manuel, 500 Anos – Diário de Um Edifício”, que vai ser inaugurada amanhã, dia 4, pelas 18h00, e ficará patente ao público até 27 de Fevereiro.
Ao celebrar, em 2015, cinco séculos de existência do Palácio de D. Manuel, a Câmara Municipal de Évora desenvolveu um vasto programa de comemorações. Nesse âmbito, foi feito um convite àquele fotógrafo para que registasse a vida do edifício. Aceite o desafio, António Carrapato acompanhou as iniciativas que se realizaram no Palácio, e nas suas imediações, de Janeiro a Dezembro do passado ano.

Repórter fotográfico há mais de 25 anos e com um também extenso currículo em fotografia documental e de autor, António Carrapato cunha o seu trabalho com uma invulgar marca de caricatura e humor. Característica que não omitiu na produção que agora apresenta sobre o Palácio de D. Manuel. No conjunto de imagens que mostra ao público, sobre o que decorre neste histórico edifício, revela o que ocorre por detrás do pano, num espectáculo de teatro; o que antecede, e precede, as várias actividades que se realizam nas suas salas; o que se passa na montagem, e na desmontagem, de uma exposição; e também o modo como os turistas, e outras pessoas que frequentam as proximidades do Palácio, o jardim e a zona do coreto, por exemplo, desfrutam desses espaços. (Nota de imprensa da CME)