sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pós-presidenciais: "e agora, PCP?", de Paulo Barriga, no Diário do Alentejo


Beja
E agora, PCP? 

Os candidatos presidenciais apoiados pelo PCP costumam ter alguma saída no distrito de Beja. Mesmo quando são inventados em exclusividade para preencher os tempos de antena que a Lei Eleitoral faculta, como acontece de forma ininterrupta desde 1986. Altura em que, pela última e também talvez pela primeira vez, o PCP acreditou verdadeiramente na eleição de uma figura do seu campo político: Salgado Zenha, em segunda opção após a desistência do candidato oficial comunista, Ângelo Veloso. 
A coisa, na altura, correu mal, mas menos mal. Os portugueses não escolheram Zenha para ir à segunda volta com Freitas. Escolheram Soares. Engolido o sapo, desde então, o caminho do PCP rumo a Belém tem sido sempre trilhado por conta própria. De forma autónoma mas sem grande entrega. Com apoios declarados de forma oficial a figuras proeminentes da estrutura interna ou, como foi agora o caso, a personalidades emergentes no interior do aparelho. 
Por conseguinte, há 30 anos que as Presidenciais se transformaram num caso sério e bicudo para o PCP. Como vai invariavelmente a votos e como nunca está, de facto, interessado neste tipo de eleições, as Presidenciais para o PCP são sempre uma de duas coisas e qualquer delas bastante arriscadas: um referendo à sua liderança ou uma sondagem à sua base tradicional de apoio. 
O resultado eleitoral de Edgar Silva, como quem não quer a coisa, fez soar o alarme nos dois campos, ao mesmo tempo. Ao nível da liderança, o PCP está a braços com o pior escrutínio eleitoral da sua história. E ao nível das bases, junto do tão clamado “fiel eleitorado “, nunca o atrevimento foi tão grande. Mesmo no distrito de Beja, onde os candidatos presidenciais do PCP costumam ter alguma saída, o resultado de Edgar Silva foi penoso. 
Pela primeira vez um candidato comunista não venceu em nenhum dos 14 concelhos. Ficou atrás de Marisa Matias em Odemira, Almodôvar e, imagine-se, em Castro Verde, onde a câmara é e sempre foi CDU. Perdeu para Marcelo no grande bastião de Serpa. E, no conjunto do distrito, ficou para lá de Marcelo e de Sampaio da Nóvoa, tendo perdido mais de 10 por cento dos votos que Francisco Lopes havia conseguido em 2011, ano em que a abstenção até foi mais elevada. 
A realidade dos votos trouxe a esta eleição distrital de Edgar Silva e do PCP uma dureza tal que nem nos mais criativos assaltos de ficção seria possível conceber. É natural que os analistas concentrem a sua atenção na hecatombe do PCP a nível nacional. Nas consequências nefastas que a assinatura dos acordos de regime com o PS poderá ter infligido aos militantes mais empedernidos. Na deslocação útil do voto comunista para Sampaio da Nóvoa ou até para as meninas do Bloco. Não é fácil contornar tamanha evidência quando a fasquia do PCP (e de algum PS) desceu ao nível de Tino de Rans. Sim, o resultado que o candidato apoiado pelo PCP alcançou no todo nacional é preocupante, muito preocupante, aliás. Tão preocupante que nem deu para o Estado comparticipar os autocolantes da campanha. 
Mas é no distrito de Beja, onde o PCP continua a ter se não a maior, pelo menos uma das suas grandes bases de apoio, que o resultado comunista é mais penoso, para não dizer inquietante. É que este é o distrito onde oito das 14 câmaras são lideradas pelo partido. Onde mais de metade das freguesias são vermelhas. Onde há e sempre houve fidelidade histórica em relação ao voto no PCP, algo que vai e sempre foi muito para lá da simples militância partidária e da própria ideologia. O que aconteceu então a este património histórico e cultural cuja chama o PCP alimentava no distrito de Beja e que agora parece ter deixado apagar? É uma pergunta tramada, mas é a ela que os líderes comunistas, locais e nacionais, têm de dar resposta. Rapidamente e em força. PB

15 comentários:

  1. Ou o PCP se renova, e quando digo renovar, não quero dizer que apenas tem de mudar de liderança, mas e principalmente tem de mudar de ideologia. A velha ideologia marxista está gasta e balofa, a rapaziada nova quer lá saber da luta do proletariado, quer antes sabe é se tem guita para adquirir o último modelo de iphone, ou se tem dinheiro para ir ao concerto dos Dama. O PCP tem de deixar de apoiar os regimes ditatoriais da Coreia do Norte, Angola e até Cuba, tem de olhar para a Europa como uma nova oportunidade e não como uma força de bloqueio (ainda que esta tudo tenha feitos para que assim seja). O tempo dos velhotes camponeses votarem na CDU já era, pois infelizmente a grande, grande maioria, já partiu para outras lutas. Com um dirigente que continua com a velha cassete de Álvaro Cunhal já não dá frutos. É pois altura do velho PCP se renovar, caso contrário será engolido pelo pessoal do BE, ou então ainda pior, desaparecerá do âmbito da politica Portuguesa.
    Como diria o meu tio Jakim, cuidem-se.
    Du Campo

    ResponderEliminar
  2. António Costa protagonizou na manhã desta sexta-feira um momento caricato no Parlamento, ao tratar por duas vezes o deputado Pedro Passos Coelho, do PSD, como "senhor primeiro-ministro". Aconteceu durante o debate quinzenal,este António Costa é um verdadeiro CROMO com sede de poder para alimentar a sua alcateia d de boys e girls que o já chegam 550 nomeações,brutal!

    ResponderEliminar
  3. O PCP tal como o BE ou o próprio PS têm em comum um grande problema.
    Não têm projeto para Portugal.
    Enquanto a Direita arrepiou caminho após a derrota sofrida com o 25 de Abril, modernizou-se, atualizou-se, democratizou-se; a Esquerda ficou-se na reivindicação, na contestação, na exigência de tudo ao Estado, sem nunca ser capaz de se emancipar e criar projeto para o futuro de Portugal.
    A Esquerda, mesmo quando esteve no poder como agora está, nunca foi capaz de se libertar de uma política do contra.
    E deu nisto.
    Em Portugal, hoje, assiste-se a uma mudança protagonizada pela Direita. O Regime da Esquerda está a dar as últimas. O golpe do Costa é a prova de que a Esquerda está velha, esgotada. O Costa limita-se a ser mais um Manuel Alegre, um Mário Soares ou um Vasco Lourenço. Velhos com arrufos próprios da senilidade. "Mas eu sou de Esquerda!"
    A vida é mesmo assim. É feita de mudança. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
    Habituem-se velhos da Esquerda.
    A mudança apenas começou! E ninguém a vai parar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mais nada!!!

      Eliminar
    2. Nem mais! Excelente post!

      Eliminar
    3. Depois de dividirem os votos da esquerda com o apoio da direita, só falta acusarem o PCP de ser o responsável pela vitória do candidato da extrema direita.

      Eliminar
  4. Desapareceram muitas crianças refugiadas chegadas à Europa, 5000 só em Itália.
    Foram os comunistas que as comeram ao pequeno almoço?

    ResponderEliminar
  5. Partido Comunista? Só já existe alguma coisa é no 3º mundo, como Portugal, Coreia do Norte, Cuba...

    ResponderEliminar
  6. Espero que sim amigos. E que a vossa democracia de direita não nos leve onde sempre nos tem levado. de outra forma estamos mal, e muito mal mesmo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, para ti o futuro não é promissor porque vives da mama do Estado. Se és valente, sai do Estado e faz-te à vida.

      Eliminar
    2. Não vivo da mama do estado mas julgo que não encontre o meu caminho nesse futuro de que tu falas.
      Eu faço-me à minha vida, podes ficar descansado...

      Eliminar
  7. A candidatura da ala direita do PS(Maria de Belem) teve uma votação residual 4&,os partidos tradicionais tem vindo a desiludir os cidadãos.

    ResponderEliminar
  8. Angola,China e Coreia do Norte não são Democracias nem socialistas,Angola faz parte hoje da internacional socialista (familia politica do PS),no parlamento o unico partido que toma posição sobre a corrupção em Angola é o Bloco,PSD/CDS/PS/PCP omitem sempre este caso sobre a situação em Angola.

    ResponderEliminar
  9. O PCP realiza o seu congresso em finais de 2016,espero que saiba ao longo do ano abrir a Todos os militantes um amplo debate,saber renovar não é renegar os seus principios de Esquerda,é saber ser ousado,Mais plural,estar disponivel para fazer coligações Mais alargadas nas Autárquicas,debater a eleição de um novo secretário geral(João Ferreira,deputado Europeu seria uma boa escolha).
    Debater a sua politica internacional e cortar de vez com os partidos de Angola,China e Coreia do Norte,países que não são socialistas nem democráticos.
    Abrir o jornal Avante aos seus leitores possibilitando assim um amplo debate nesse espaço.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.