sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pós-presidenciais: "e agora, PCP?", de Paulo Barriga, no Diário do Alentejo


Beja
E agora, PCP? 

Os candidatos presidenciais apoiados pelo PCP costumam ter alguma saída no distrito de Beja. Mesmo quando são inventados em exclusividade para preencher os tempos de antena que a Lei Eleitoral faculta, como acontece de forma ininterrupta desde 1986. Altura em que, pela última e também talvez pela primeira vez, o PCP acreditou verdadeiramente na eleição de uma figura do seu campo político: Salgado Zenha, em segunda opção após a desistência do candidato oficial comunista, Ângelo Veloso. 
A coisa, na altura, correu mal, mas menos mal. Os portugueses não escolheram Zenha para ir à segunda volta com Freitas. Escolheram Soares. Engolido o sapo, desde então, o caminho do PCP rumo a Belém tem sido sempre trilhado por conta própria. De forma autónoma mas sem grande entrega. Com apoios declarados de forma oficial a figuras proeminentes da estrutura interna ou, como foi agora o caso, a personalidades emergentes no interior do aparelho. 
Por conseguinte, há 30 anos que as Presidenciais se transformaram num caso sério e bicudo para o PCP. Como vai invariavelmente a votos e como nunca está, de facto, interessado neste tipo de eleições, as Presidenciais para o PCP são sempre uma de duas coisas e qualquer delas bastante arriscadas: um referendo à sua liderança ou uma sondagem à sua base tradicional de apoio. 
O resultado eleitoral de Edgar Silva, como quem não quer a coisa, fez soar o alarme nos dois campos, ao mesmo tempo. Ao nível da liderança, o PCP está a braços com o pior escrutínio eleitoral da sua história. E ao nível das bases, junto do tão clamado “fiel eleitorado “, nunca o atrevimento foi tão grande. Mesmo no distrito de Beja, onde os candidatos presidenciais do PCP costumam ter alguma saída, o resultado de Edgar Silva foi penoso. 
Pela primeira vez um candidato comunista não venceu em nenhum dos 14 concelhos. Ficou atrás de Marisa Matias em Odemira, Almodôvar e, imagine-se, em Castro Verde, onde a câmara é e sempre foi CDU. Perdeu para Marcelo no grande bastião de Serpa. E, no conjunto do distrito, ficou para lá de Marcelo e de Sampaio da Nóvoa, tendo perdido mais de 10 por cento dos votos que Francisco Lopes havia conseguido em 2011, ano em que a abstenção até foi mais elevada. 
A realidade dos votos trouxe a esta eleição distrital de Edgar Silva e do PCP uma dureza tal que nem nos mais criativos assaltos de ficção seria possível conceber. É natural que os analistas concentrem a sua atenção na hecatombe do PCP a nível nacional. Nas consequências nefastas que a assinatura dos acordos de regime com o PS poderá ter infligido aos militantes mais empedernidos. Na deslocação útil do voto comunista para Sampaio da Nóvoa ou até para as meninas do Bloco. Não é fácil contornar tamanha evidência quando a fasquia do PCP (e de algum PS) desceu ao nível de Tino de Rans. Sim, o resultado que o candidato apoiado pelo PCP alcançou no todo nacional é preocupante, muito preocupante, aliás. Tão preocupante que nem deu para o Estado comparticipar os autocolantes da campanha. 
Mas é no distrito de Beja, onde o PCP continua a ter se não a maior, pelo menos uma das suas grandes bases de apoio, que o resultado comunista é mais penoso, para não dizer inquietante. É que este é o distrito onde oito das 14 câmaras são lideradas pelo partido. Onde mais de metade das freguesias são vermelhas. Onde há e sempre houve fidelidade histórica em relação ao voto no PCP, algo que vai e sempre foi muito para lá da simples militância partidária e da própria ideologia. O que aconteceu então a este património histórico e cultural cuja chama o PCP alimentava no distrito de Beja e que agora parece ter deixado apagar? É uma pergunta tramada, mas é a ela que os líderes comunistas, locais e nacionais, têm de dar resposta. Rapidamente e em força. PB

Capa do Diário do Alentejo de hoje


Na morte de Laureano Carreira


Hoje, de madrugada, deixou-nos Laureano Carreira, antigo professor da Universidade de Évora, sempre entre França e Portugal. Homem de Cultura, apaixonado pelo Teatro e pela música de João Domingos Bomtempo. Homem Livre e de Bons Costumes. Fica o seu exemplo, a sua irreverência, o seu empenho, a sua coerência e a sua lealdade. Como escreveu o grande poeta espanhol Jorge Manrique a propósito da morte do seu pai,

aunque la vida perdió
dejónos harto consuelo
su memoria.


António Ventura (aqui)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Nos 100 anos do nascimento de Vergílio Ferreira


Se eu soubesse a palavra

Se eu soubesse a palavra,
a que subjaz aos milhões das que já disse,
a que às vezes se me anuncia num súbito silêncio interior,
a que se inscreve entre as estrelas contempladas pela noite,
a que estremece no fundo de uma angústia sem razão,
a que sinto na presença oblíqua de alguém que não está,
a que assoma ao olhar de uma criança que pela primeira vez interrogou,
a que inaudível se entreouve numa praia deserta no começo do Outono,
a que está antes de uma grande Lua nascer,
a que está atrás de uma porta entreaberta onde não há ninguém,
a que está no olhar de um cão que nos fita a compreender,
a que está numa erva de um caminho onde ninguém passa,
a que está num astro morto onde ninguém foi,
a que está numa pedra quando a olho a sós,
a que está numa cisterna quando me debruço à sua borda,
a que está numa manhã quando ainda nem as aves acordaram,
a que está entre as palavras e não foi nunca uma palavra,
a que está no último olhar de um moribundo, e a vida e o que nela foi fica a uma distância infinita,
a que está no olhar de um cego quando nos fita e resvala por nós,

– se eu soubesse a palavra,
a única, a última,
e pudesse depois ficar em silêncio para sempre…

Vergílio Ferreira

in Uma Esplanada sobre o mar (Difel, 1986)

Noberto Patinho e Florbela Fernandes explicam porque querem presidir à Federação Distrital de Évora do PS


clique na imagem para aumentar

As eleições para a Federação Distrital do Partido Socialista de Évora são a quatro de Março. Até lá as acções de campanha prosseguem em todo o distrito.  Na cidade de Évora: Florbela Fernandes: 29 de janeiro (sexta-feira) | 21h00 | sede do PS em Évora; Norberto Patinho: 2 de fevereiro (terça-feira) | 21h00 | sede do PS em Évora

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Novo Hospital de Évora: há anos que é "arma de arremesso" político e há anos que não avança.

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O novo Hospital de Évora há anos que anda a ser agitado como bandeira eleitoral. Sempre presente quando há eleições, ou nos meses que se lhes seguem, esmorece e perde fôlego. Sabe-se que poderá ser construído na zona do Évora Hotel (se houver dinheiro para tal...). A obra chegou a ser anunciada no governo de José Sócrates e o novo ministro da Saúde já disse que o governo tem o Hospital de Évora como "projecto" para esta legislatura:  "os compromissos assumidos para esta legislatura estão ditos e firmados. Temos como prioridade o Hospital de Lisboa Oriental, temos como projeto o Hospital do Seixal e temos como projeto o Hospital Central de Évora”., no seguimento duma pergunta nesse sentido do grupo parlamentar do PCP.
Agora é o PSD, na oposição e que não deu qualquer passo para a construção do hospital quando esteve no governo, que vem colocar questões, sobre se e quando avança a obra.
Eis o teor do pedido de esclarecimento dos deputados do PSD:

Assunto: Esclarecimentos sobre o anúncio da construção do Hospital Central de Évora.
Destinatário: Ministro da Saúde

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,

Na Audição com o Sr. Ministro da Saúde que ocorreu no dia 20 de janeiro de 2016, foi anunciada a construção do Hospital Central de Évora. É nessa perspetiva que um conjunto de deputados do PSD entenderam procurar esclarecer algumas questões ao Governo sobre esta matéria.
O PSD sempre foi a favor da construção de um novo hospital que substitua os actuais edifícios do Patrocínio e do Espírito Santo, separados por uma estrada nacional. São edifícios obsoletos para a função, com espaços inadequados e que tornam difícil a prestação de serviços de qualidade. Para além destas razões, pela actual duplicação de serviços, meios e estruturas, a construção de uma nova unidade pouparia muitos milhões de euros ao Estado, por ano.
Em Agosto de 2002, o Conselho de Administração nomeado pelo Ministro social-democrata Filipe Pereira, de imediato colocou a construção do novo hospital como uma prioridade. Seria uma unidade de 420 camas, central, construído na Quinta da Latoeira e não na Quinta dos Canaviais, como se admitia até então. Obedeceria à seguinte calendarização: a) lançamento do concurso no primeiro trimestre de 2005; b) adjudicação do contrato no 3º trimestre de 2007; c) entrada em funcionamento no 4º trimestre de 2009.
Após as eleições de 2005, já com o Governo do PS e com um novo Conselho de Administração, liderado por António Serrano, optou-se por um novo modelo. Com esta decisão a construção e abertura de novo hospital foi adiada, com prejuízo para os eborenses e para os alentejanos em geral. 
Em Outubro de 2008, ao Governo do PS, anunciava a construção do novo hospital, no valor de 94 milhões de euros, com as obras a iniciar em 2010 e a sua abertura em 2013 (vide boletim Notícias do HESE, nº9). No boletim nº10, de Dezembro de 2008, os prazos eram confirmados, em notícia sobre o tema.
A Senhora Ministra da Saúde, Ana Jorge, foi a Évora no dia 21 de Abril de 2010, pelas 19 horas, no auditório do Fórum Eugénio de Almeida, para presidir à cerimónia de celebração do contrato para a elaboração do projecto técnico do Novo Hospital Central de Évora, com o Consórcio vencedor do respectivo Concurso Internacional, representado pelo arquitecto Souto Moura.
A presidente do conselho de administração do HESE, Maria Filomena Mendes, apresentou em 2010 os cálculos finais do projecto. O projecto passou a ter uma estimativa de investimento de 167 milhões de euros. Quase que duplicou o investimento inicial.
Em agosto de 2011, o titular da pasta da saúde, Paulo Macedo, tinha dito à Lusa que a construção do novo hospital, para substituir o atual ia ser reavaliada pelo Governo, tendo em conta "a realidade do país".
No início do mês de maio de 2015, em Évora, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou que o Governo estava a considerar avançar com a construção do novo hospital.
Na campanha das legislativas de 2015, o novo Hospital Central de Évora reúne consenso, enquanto grande prioridade para o Distrito, entre os diferentes candidatos.
Recentemente foi anunciado pelo Sr. Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, em Audição na Comissão de Saúde, que o Hospital Central de Évora vai ser prioridade para o Governo.
Assim, ao abrigo, das normas constitucionais e regimentais, solicita-se a V. Exa., que se digne a obter junto do Sr. Ministro da Saúde resposta às seguintes questões:
1 – Visto estarem reunidas as condições técnicas para construção do Hospital Central de Évora, para quando está previsto o arranque da presente obra?
2 – Qual o montante de investimento previsto e quais as fontes de financiamento?
3 – Qual o modelo de gestão previsto para a governação do novo hospital?

Palácio de São Bento, quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Deputado(a)s
António Costa da Silva
Miguel Santos


A válvula do sistema político

O resultado das eleições presidências expressa mais certezas do que dúvidas. O prof. Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições porque era o melhor candidato e aquele que melhor compreendeu o eleitorado.
A estratégia adoptada mostrou-se a mais inteligente e a mais lúcida. Os afectos e o contacto com as portuguesas e os portugueses, funcionaram na perfeição.
Por outro lado, a vitória do Prof. Rebelo de Sousa, nas circunstâncias em que ocorreu, conferem-lhe uma grande legitimidade politica. Apresentou-se ao eleitorado sem as “máquinas” partidárias e sem os habituais outdoors, cartazes e autocolantes. Foi, por isso, uma campanha frugal e adequada aos tempos em que vivemos. Os problemas do país são muitos e complexos.
Contudo, as competências do presidente da república não lhe permitem governar, nem executar um programa de governo. Neste sentido, Marcelo Rebelo de Sousa, fica vinculado à constituição. Unicamente, a esta. Por isso, no caso da atual maioria não se entender, o presidente não pode, nem deve permitir que a governação se torne numa agonia politica. Deve, portanto, garantir o regular funcionamento das instituições e devolver a voz ao povo. É assim que um país democrático deve funcionar.
Pelo que, sendo o presidente eleito um bom e consciente conhecedor do sistema político português, estou certo que irá usar as suas competências de forma independente e sempre atento o superior interesse nacional. De resto, nem os mercados financeiros, os nossos credores, seriam complacentes com tacticismos bacocos. Venham eles donde vierem. Como, também, a possibilidade de uma nova intervenção externa, é uma miragem, nem está afastada de todo.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Papagaios Sem Penas 1

Esta crónica, que terá três partes, resultou da leitura de vários artigos de opinião, que nas duas silenciosas semanas de campanha para as presidenciais me entretiveram, e que versaram sobre medidas tomadas pelo Ministro da Educação na sequência do fim do exame da 4ª classe deliberado na AR.
Sendo um assunto que conheço relativamente bem, de várias perspectivas, fiquei sobretudo interessada pelo pouco que esses artigos que fui lendo disseram sobre Educação e o muito que dizem sobre o posicionamento no mundo e no jogo políticos e que, até certo ponto, ainda tenho esperança que uma nova geração de cidadãos eleitores e eleitos, ao fim de 40 anos de Democracia, vá mudando. É claro que esta espécie de foco mais no embrulho do que no conteúdo não deixou de me levar à habitual citação de Vergílio Ferreira, que eleva a máxima popular que diz que uma mentira muitas vezes repetida se pode transformar numa verdade. Escreveu o autor português o seguinte conselho a transbordar de ironia: «Afirma com energia o disparate que quiseres, e acabarás por encontrar quem acredite em ti.»
A referência ao papagaio, e que foi feita por António Barreto para desancar no próprio Ministro, metaforizou, de forma óbvia para além do insulto, aquele que fala sem saber o que diz e sob as ordens de alguém. Mas não foi o único a desancar, este ex-ministro socialista de duas pastas do I Governo Constitucional, que pôs termo à Reforma Agrária (não sei se com as cautelas de interromper a meio colheitas ou sementeiras, mas com pouco cuidado a precaver que antes de o fazer se pagassem todas as indemnizações aos lesados que nunca as viram), que tinha sido militante comunista entre 1963 e 70, mas também ex-apoiante da Aliança Democrática de partidos da direita nos anos de 79 a 83. Foram outros, também, que do alto do seu estatuto etário vieram à liça. Destaco só mais dois. Vasco Pulido Valente, de quem inadvertidamente conheci sórdidos detalhes da vida íntima já que a Maria Filomena Mónica, por sinal actual mulher do António Barreto, quis fazer o favor de contar num romance autobiográfico intitulado Bilhete de Identidade; o mesmo opinador de quem um seu colega de debates numa rádio nacional uma vez disse, que eu ouvi, que a ele só lhe importavam três pessoas e três opiniões neste país – as do Vasco, do Pulido e do Valente. E veio também um perito encartado em pedagogia, como tantos outros que há em qualquer instituição acreditada de formação de professores, de nome Santana Castilho e que zurziu e zurzirá sempre em qualquer Ministro da Educação que…não seja ele próprio.
Todos os outros comentários, que fomos ouvindo por aí depois destes artigos, resultaram muito mais de terem encostado o ouvido a estes, do que da leitura da proposta do Ministério. Os comentários anteriores, algo atrasados relativamente ao anúncio pela AR da proposta do fim do dito exame, revelam, na minha opinião claro, essa relação entre governo e oposição e as reacções que desencadeia aos que fazem pelos que querem que nada se faça porque eles é que já tinham feito. Parece difícil de perceber, mas não. É que não vá a coisa correr bem e melhorar, pelo que mais vale ir minando logo à partida a coragem dos que se atrevem. Crato teve as costas quentes por uma ideologia inequívoca para recuperar o velho exame da 4ª classe. Tiago Brandão Rodrigues tem nas mãos posicionar-se entre o lado revolucionário dos Partidos que apoiam o seu governo e a estabilidade que não se mede por “achismos”, mas em longos e complexos estudos, disponíveis apenas para quem tenha mesmo de os trabalhar para melhorar a Educação no nosso país, como noutros.
Estou em crer que esta atitude que pretende continuar a vigorar entre os opinion makers, e que de certa forma veio ser ridicularizada pelos comentadores em estilo destandup comedy, tenderá a enfraquecer os seus efeitos nos cidadãos realmente interessados nos assuntos dos destinos do país (vejam-se os resultados das eleições). A honestidade intelectual, particularmente escrutinada no mundo da investigação científica, uma atitude que significa, de modo geral, a honestidade na aquisição, na análise e na transmissão de ideias é um comportamento novo que se exige na política portuguesa e que assusta os have been e desarma os wanna be.
Até para a semana, com a segunda parte da crónica, que continuará a tratar do papaguear, ou vá lá do palrar, no mundo da política.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

"ÉVORA, VERGÍLIO FERREIRA E O TURISMO LITERÁRIO", por José Frota



Há quase três anos, em Abril de 2013, o jornalista José Frota (entretanto já falecido) escrevia aqui no “acincotons” que era necessário que a Câmara valorizasse a figura e a obra do escritor Vergílio Ferreira, que foi professor em Évora e aqui escreveu, entre outros textos, o romance “Aparição”, muito ligado à vida da cidade. Assinala-se este ano o centésimo aniversário do nascimento do escritor (a 28 de Janeiro, no concelho de Gouveia) e neste “ano do centenário” muitos são os pretextos para que Évora evoque a sua passagem pela cidade e pelo Alentejo. Nesse sentido republicamos o texto de José Frota, fazendo votos para que ele sensibilize alguns dos responsáveis pela vida cultural eborense, que tão distraídos parecem andar para esta figura maior da cultura portuguesa. 


*



ÉVORA, VERGÍLIO FERREIRA E O TURISMO LITERÁRIO

Pelas nove da manhã desse dia de Setembro cheguei enfim à estação de Évora. Nos meus membros espessos, no crâneo embrutecido, trago ainda o peso de uma noite de viagem. Um moço de fretes abeirou-se de mim, ergue a pala do boné:
– É preciso alguma coisa, senhor engenheiro?
Dou-lhe as malas, digo-lhe que há ainda um caixote de livros a desembarcar.
– Então é dar-me a senhazinha, senhor engenheiro.
– Mas não me trate por engenheiro. Sou professor do Liceu.
Com passinhos curtos, anda dobrado, como se tivesse dores de bexiga. A cara e os olhos, são vermelhos, ensopados em sangue. Carrega tudo aos ombros com uma complicação de cordéis, promete-me uma pensão muito boa, mesmo na Praça, "que é já ali", e convida-me a segui-lo com os seus olhos lastimosos de aguardente. Está uma manhã bonita, com um sol íntimo dourando o ar, um vento leve da planície, fresco de orvalhos. À minha frente, o moço de fretes, agachado sobre si, vai dançando um estranho ritmo de arame, com os seus passos saltitados. Mal o olho. Trago em mim um pesadelo de ideias, um cansaço profundo que me halaga, me submerge. A Praça ainda é longe, e não "já ali", como me garantira o moço. Mas a angústia que me habita, a violenta redescoberta da morte, que eu acabo de fazer, tornam-me estranho nesta cidade branca, separaram-ma dos meus olhos vazios. Venho de luto. O meu pai morreu. Que têm que fazer, em face da minha dor, da minha alucinação, estas árvores matinais da avenida que percorro, a branca aparição desta cidade-ermida?
– Estamos quase, senhor engenheiro.
Vergílio Ferreira (Assim começa o capítulo I do romance "Aparição",1959)

Por todo o mundo, mais particularmente por toda a Europa, começa a ganhar importância o turismo literário enquanto segmento do turismo cultural. Por definição  o turismo literário consiste em visitar os lugares reais relacionados com acontecimentos de ficção e com as vidas dos seus autores. Este poderá incluir a rota específica de uma personagem de ficção numa novela, visitar os cenários onde decorre uma história ou mesmo recorrer a locais ligados à biografia dos seus autores numa viagem aos ambientes que inspiraram a criação de um livro e onde eles o pensaram e congeminaram.
Este fenómeno começou a ganhar expressão em finais do século passado e o seu crescente interesse literário e turístico já levou a UNESCO a criar, em 2004, uma lista de “Cidades de Literatura” que integra Dublin, Edimburgo, Melboune, Norwich, Reykjavik e Iowa. Em Portugal a adesão a este tipo de turismo ainda é praticamente inexistente embora se venham fazendo estudos nesse sentido e apareçam já algumas sugestões para a sua implantação como formas de valorização do património e cultura locais. Neste trabalho tem-se distinguido sobremaneira a jovem directora da Escola Superior de Hotelaria do Instituto Politécnico da Guarda, Anabela Naia Sardo.
De um modo genérico, os estudiosos apontam cinco obras de grande relevo na literatura portuguesa como potenciais destinos a explorar na área do turismo literário: “Viagens na Minha Terra”, 1846, de Almeida Garrett, com especial incidência na zona de Lisboa e Santarém; “Amor de Perdição”, 1862, de Camilo Castelo Branco, destacando as cidades de Viseu, Vila Real e Viseu; “ Os Maias”, 1888, de Eça de Queiroz, valorizando as menções a Lisboa, Sintra e Coimbra; “ Aparição”, 1959, de Vergílio Ferreira, totalmente localizado em Évora e “Vale Abraão”, 1991, de Agustina Bessa Luís, com o Douro vinhateiro como pano de fundo.
Pois é... “Aparição”, obra maior do escritor, prémio Camilo Castelo Branco da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1960, primeiro romance existencialista em Portugal, polémico, com a acção passada em Évora, talvez mais aplaudido de início no estrangeiro que cá dentro e que levou a notícia da existência desta cidade «fantástica e misteriosa, aberta de quarteirões, de  praças, de sonhos» ao mundo, dada a quantidade de traduções que a pouco foi conhecendo. Acontece que a trama do romance foi construída a partir de um cenário real e envolvendo personagens reais, ainda que sob designação diferente.
Vergílio Ferreira deu-o por concluído em 30 de Junho de 1959, ano em que viria a sair de Évora depois de aqui ter vivido e leccionado durante catorze anos consecutivos. Para a sua construção utilizou 22 fotografias que serviram de material de trabalho para a elaboração do romance. E sobretudo amou-a como poucos, conheceu-lhe os ambientes, sentiu-lhe alma e o também o pulsar do Alentejo. Vergílio saiu de Évora a 30 de Setembro desse mesmo ano. O livro só apareceu nas bancas em Outubro o que levou a  o autor a já não sentir a reacção da população que nas suas gentes oficiais foi aliás muito mal recebido. Pelos grandes da terra, pelos fascistas e pelos padres, conforme teria ocasião de vir a referir mais tarde. E mais tarde também pelos comunistas que não lhe perdoaram o afastamento do neo-realismo.
Em Lisboa foi tecendo o resto da sua obra literária. Mas “Aparição“ continuou a impor-se e a suscitar o interesse de muita gente. Nos anos 90 a obra passou a fazer  partes dos livros de leitura da disciplina de Português de 11º. Ano. Um interesse renovado sobre a obra e a cidade surgiu. Em 1994 no auge desta demanda estudantil pela cidade, a Escola Secundária André de Gouveia resolveu publicar um número especial de “Corvo” dedicado à vida e obra de Vergílio Ferreira no período da sua estadia em Évora no qual se incluiu um bem elaborado roteiro do romance, da autoria de João Monarca Pinheiro e desenhos de António Couvinha, constando de 15 locais a visitar.
Este era na realidade um excelente guia de abordagem ao conhecimento da cidade e constituía uma alternativa ao livro “Encontros com a Cidade “ de Túlio Espanca que mais não era de que um inventário muito pormenorizado e valioso dos principais monumentos da cidade, tratados cada um de per si mas desenquadrados do ambiente que os envolve e no qual aparecem como meras peças de museu de tempos muito antigos.
Este itinerário permaneceu entre professores e estudantes e não mereceu a atenção das entidades. A autarquia porém viria a ressarcir-se quando em 1999 promoveu uma homenagem da cidade ao autor aquando do 40º. Aniversário da publicação de “Aparição”. Por iniciativa do vereador Manuel Calhau Branco e da socióloga e estudiosa eborense Carmen de Almeida, a Câmara organizou uma grande exposição sobre o autor e a obra e mandou colocar uma lápide comemorativa do acontecimento no nº. 28 da Rua da Mesquita onde Vergílio Ferreira morou entre 1949-1959 ( nos quatro anos anteriores residiu na Travessa do Sabugueiro) e onde para além de “Aparição” escreveu “ Manhã Submersa” (Prédio Femina, 2002), “Apelo da Noite” e “Cântico Final” e os ensaios “ Carta ao Futuro” e do “Do Mundo Original”.
Vergílio Ferreira foi um dos maiores romancistas e pensadores de língua portuguesa do século passado e figura conhecida da cultura europeia. No nascimento do turismo literário em Portugal Évora pode e deve ter um papel pioneiro. À Câmara cabe o papel de imprimir e divulgar um roteiro do romance, fazer conhecer que a cidade guarda dele a memória no sítio em que deu expressão ao seu talento criativo, por à venda no Posto de Turismo (agora rebaptizado de Departamento  de Promoção Turística) exemplares de “Aparição” (em espanhol ou em francês também, que as há) porque existe sempre quem goste de (re)ler os livros enquanto viaja pelos locais onde decorrem as narrativas.
Isto não envolve grande dispêndio de verbas sobretudo se não esquecermos que um estudo da Universidade de Évora realizado em 2012 define o perfil do turista visitante como estando entre 41 e os 60 anos, possuir maioritariamente o ensino superior, dispor de assinalável poder de compra  e ter como principais motivações o Património Construído e Monumental, o Lazer e Conhecer e Viver uma Experiência Cultural Diferente. E conhecer Évora através de “Aparição” é sem dúvida uma excelente opção.

José Frota
mais sobre Vergílio Ferreira e Évora aqui
artigo original aqui

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Norberto Patinho e Florbela Fernandes candidatos à Federação Distrital do PS de Évora


Florbela Fernandes anunciou hoje a sua candidatura. Norberto Patinho, que assegura a liderança da Federação depois da ida de Capoulas Santos para o governo,  já o tinha feito há alguns dias atrás. O Congresso Federativo vai ter lugar no próximo dia 4 de Março. Os dois candidatos falam em renovação.

“Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar”


cadê o gajo da azia?

Anónimo
25 janeiro, 2016 11:28

A nossa República

Marcelo Rebelo de Sousa é o novo Presidente da República. Ganhou à 1ª volta com 52% dos votos expressos pelos eleitores.
O candidato que baseou a sua campanha numa não campanha, com declarações populistas, nunca se comprometendo com nenhuma ideia e fugindo ao debate político, beneficiou da imagem que a TVI o ajudou a construir ao longo de anos.
Não era o meu candidato porque não o considero um homem de palavra, nem tão pouco considero que esteja ao serviço do povo. Nos seus comentários colocou-se sempre do lado dos interesses de uma minoria elitista, demonstrou não saber lidar com a conquista de direitos civilizacionais no nosso país e nunca defendeu intransigentemente a Constituição da República Portuguesa.
Os resultados acabam de sair e não terei tempo útil para fazer uma análise minunciosa. Certo e sabido é que a vitória de Marcelo constitui uma derrota pesada para toda a esquerda, mas neste campo quem decidiu falar sobre política saiu beneficiado e os resultados demonstram quem fez bem o seu papel na tentativa de derrotar o candidatado da direita.
E assim será: Marcelo será o presidente da república nos próximos 5 anos, mas o que ele ainda não sabe é que esta República ainda vai dar muito que falar nestes anos. O medo e a cultura pop na política estão a ser combatidas por um bichinho preparado para uma maratona. Esse bichinho chama-se Esperança! Não desisto da utopia que tem todas as razões e mais algumas para ser realidade e de derrotar a realidade que dizem ser inevitável, mas que de tão injusta que é não deveria passar de um pesadelo.
Os ouvintes da DianaFm sabem que apoiei desde a primeira hora a Marisa Matias. Poderia dizer muita coisa sobre a magnífica campanha que ela fez, mas prefiro resumir a um simples, sincero e emocionado: Obrigado!
Que bom foi votar pela primeira vez numa mulher para a presidência e que orgulho sinto!
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radiodiana)

"Diário do Alentejo": a "regionalização" que aí vem


Notas sobre as presidenciais

Resultados a nível Nacional

Resultados distrito Portalegre

Resultados distrito Beja

Resultados distrito Évora

Resultados concelho Évora

Resultados freguesia Malagueira-Horta das Figueira

Resultados freguesia Bacelo-Senhora da Saúde

Resultados freguesia Centro Histórico

Resultados freguesia Canaviais

(clique nas imagens para ler)

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito à primeira volta, como se esperava e como todas as sondagens indicavam. Sampaio da Nóvoa teve um resultado digno, depois de alguma hesitação no arranque da campanha; Marisa Matias teve sensivelmente o mesmo resultado do BE nas eleições legislativas, de Outubro de 2015, mas quase menos 100 mil votos (BE: 10,19% - 550.892 votos; Marisa Matias: 10,13% - 469.307 votos); Maria de Belém, a quem as sondagens chegaram a colocar à frente de Sampaio da Nóvoa, e que era apoiada por uma parte do PS, teve uma derrota estrondosa. com 4,2% dos votos (não atingido os 200 mil votos) tal como Edgar Silva, o candidato do PCP, que relativamente ao score eleitoral do seu partido em Outubro do ano passado perdeu mais de 250 mil votos (passando de 446 mil votos para 180 mil votos), depois da campanha mais cara de todos os candidatos e de uma evidente mobilização partidária para apoiar a sua candidatura por todo o país. O resultado de Vitorino Silva, o Tino de Rans, com mais de 150 mil votos também foi excelente para o candidato, sobretudo quando em distritos como o Porto conseguiu ficar na quarta posição, à frente de Maria de Belém ou de Edgar Silva.
Ao nível do Alentejo, os resultados são em tudo idêntico ao panorama nacional, com a excepção de Edgar Silva obter nos distritos de Évora e Beja a terceira posição e os melhores resultados a nível nacional (exceptuando a Madeira), dada a maior implantação do PCP nestes distritos, mas sempre seguido de muito perto pela Marisa Matias.
No entanto, analisando os dados em pormenor das freguesias urbanas de Évora, Marisa Matias fica em todas elas (Malagueira, Bacelo, Centro Histórico e Canaviais) à frente do candidato do PCP.
Quanto à abstenção ultrapassou a nível nacional os 50 por cento, ficando nos 51,16 por cento. No Alentejo, à excepção do distrito de Évora onde se situou nos 49 por cento, foi superior também aos 50 por cento, com Beja com 52,63 por cento e Portalegre com 50,54 por cento

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Esta noite na Igreja de São Vicente (Évora)


HOJE :: 20 de janeiro ::
Eduardo Esperança (Universidade de Évora)
apresenta
Georg Simmel, «As grandes cidades e a vida do espírito» (1903).

Prémio Vergilio Ferreira, da Universidade de Évora, atribuído ao escritor João de Melo


O escritor açoriano João de Melo venceu hoje o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2016, atribuído pela Universidade de Évora (UÉ), revelou à agência Lusa fonte da academia alentejana.
Instituído pela Universidade de Évora (UÉ) em 1997, o Prémio Vergílio Ferreira destina-se a galardoar, anualmente, o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e/ou ensaio.
A academia revelou que, na edição deste ano do galardão, a que teve "mais candidatos" desde sempre, "oriundos de três países", o júri escolheu o vencedor "por maioria".
"O júri congratulou-se pela alta qualidade das candidaturas apresentadas" e deliberou atribuir o prémio a João de Melo por considerar que a obra ficcional deste escritor é "reveladora de um imaginário transfigurador poderoso".
O que faz da obra de João de Melo, segundo o júri, "uma das mais relevantes da sua geração".

Centro Comercial junto às muralhas em Évora: movimento de opinião pretende a realização de um referendo local


A construção de um Centro Comercial nas Portas de Avis, em Évora, na zona circundante às muralhas que delimitam a zona classificada como Património da Humanidade, continua a suscitar polémica. A Câmara Municipal e a Assembleia Municipal aprovaram a venda do terreno municipal, onde este empreendimento futuramente se poderá localizar, de 2,85 hectares pelo valor base de  4.421.920,00 €. A Câmara divulgou recentemente na sua página na internet o Caderno de Encargos para a alienação deste terreno (ainda que sem a planta de localização). Já anteriormente, o Grupo Pro-Évora tinha vindo a terreiro, em comunicado, dizer que este "Caderno de Encargos" não contemplava a totalidade das afirmações e condicionalismos referidos pelo presidente da Câmara de Évora no debate que aquela entidade promoveu sobre o dito "empreendimento comercial".
Entretanto está em marcha um movimento de opinião que pretende a realização de um referendo local sobre esta matéria, posição que tem sido defendida, nomeadamente através de uma página criada na Internet: TENHO OPINIÃO.
Tudo indica, pois, que este não seja um assunto, "morto e encerrado", como muitos pretenderiam.

Morreu o arquitecto Nuno Teotónio Pereira (1922-2016)


Morreu Nuno Teotónio Pereira. Recordo-o com saudade e emoção.

Conheci-o em Portalegre, em 1969, quando eu tinha 16 anos e frequentava o Liceu local. Nuno Teotónio Pereira integrou então a lista da Oposição Democrática que acabou por não se apresentar nas urnas. Vi-o pela primeira vez na sessão do 5 de Outubro daquele ano, no Cine Teatro Crisfal. Em 1970, promovemos uma sessão sobre o 1º de Maio, na Sociedade Musical Euterpe, onde Francisco Fanhais cantou. A partir de então, durante alguns anos, mantivemos contacto. Foii ele, em boa verdade, que me fez dar os primeiros passos na luta política. Através dele colaborei com a Comissão de Socorro aos Presos Políticos, já em Lisboa, antes de eu ir para a Força Aérea em 1971. Periodicamente passava por minha casa, em Portalegre, e deixava um envelope com documentos diversos da Oposição. En 1973, quando era Alferes da Força Aérea, participei numa reunião em sua casa, em Marvão, com o jornalista do República, Fernando Cascais, e outros democratas da região - muito poucos, por sinal - onde expusemos a decisão de não participar nas eleições desse ano. Nuno Teotónio Pereira foi um dos accionistas do semanário a Rabeca, de Portalegre, no período de Janeiro a Abril de 1974. Estava preso em Caxias quando se deu o 25 de Abril, e aquele semanário foi o único órgão de imprensa que noticiou a sua detenção.... Reecontrámo-nos depois da Revolução, na grande assembleia realizada em Portalegre no pavilhão Gimno-desportivo, no início de Maio de 1974. A última vez que estivemos juntos foi no Grémio Lusitano, na apresentação do meu livro A Maçonaria no Distrito de Portalegre. A sua morte é uma grande perda para Portugal. Recordo comovido este Homem com H grande a quem muito devo e que tanta falta nos faz nestes tempos conturbados.

António Ventura (aqui)

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Entrudanças 2016: A Chocalhar o Entrudo!


Músicas e danças tradicionais do Baixo Alentejo e as de outras origens, gastronomia local, passeios temáticos e atividades para crianças e famílias fazem o Entrudanças.2016.
De 5 a 7 de Fevereiro, a vila de Entradas, em Castro Verde, recebe mais uma edição do Entrudanças, o Festival que junta numa vila do coração do Alentejo artistas de várias disciplinas e participantes de todo o país, para um fim-de-semana de convívio e diversão a descobrir as tradições. Este ano, o mote é "A Chocalhar o Entrudo": 3 dias a escutar a musicalidade dos chocalhos na Planície e a aproveitar um fim-de-semana preenchido por atividades, em que a programação sugere a transumância, transportando-nos numa dança entre identidade local, nacional e internacional, cruzando gentes, tradições e saber-fazer de vários locais.
Entre as atividades programadas contam-se os concertos-bailes com Moços de uma Cana, Grupo Coral Vozes do Casével, Os Cardadores da Sete, Os Ganhões de Castro Verde, As Atabuas de São Marcos da Atabueira, Ana Valadas, mas também Duo Milleret Mignotte, Samba Sem Fronteiras, Orquestra de Foles, Paulo Bastos, Parapente700, entre muitos outros. Serão bailes, concertos e oficinas de dança, animações de rua, oficinas de instrumentos e gastronomia local. As ruas e as praças de Entradas, o Centro Recreativo, a Biblioteca, o Museu, as Tabernas e até Carpintarias irão transformam-se em palcos, onde confluem tradições do Baixo-Alentejo com as de outras paragens.
O Entrudanças é organizado pela Associação PédeXumbo, Câmara Municipal de Castro Verde e Junta de Freguesia de Entradas.
O programa completo pode ser descarregado aqui

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ramos Horta em conferência na Universidade de Évora com moderação de Adelino Gomes


José Ramos Horta, Prémio Nobel da Paz (1996), vai estar na Universidade de Évora (UE) no dia 20 de janeiro para falar sobre “Cooperação: Liberdade, Justiça e Paz no Mundo”, uma conferência que decorre no âmbito de um ciclo dedicado ao tema “Desenvolvimento, Direitos Humanos e Segurança”.
A 1.ª conferência, proferida pelo ex-Presidente da República Timorense, tem lugar no auditório da UE, a partir das 09h00, cabendo a moderação ao jornalista Adelino Gomes.
Este ciclo de conferências, organizado pelo Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais – CICS.NOVA.UÉvora, que comemora agora um ano de existência, é motivado pelo facto de 2016 ser o Ano Internacional do Entendimento Global.
Após a conferência inaugural segue-se uma Mesa Redonda, moderada por Maria da Saudade Baltazar, docente da Universidade de Évora, sobre “Agenda 2030 – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: novos e emergentes”, que conta com as seguintes apresentações de investigadores do CICS.NOVA.UÉvora:
· Desigualdades Sociais e Pobreza – Fernando Diogo | Universidade dos Açores;
· Igualdade de Género – Manuel Lisboa | FCSH-Universidade Nova de Lisboa;
· Cidades e Comunidades Sustentáveis – Teresa Mora | Universidade do Minho;
· Trabalho Digno, Crescimento Económico e Migrações – José C. Marques | Instituto Politécnico de Leiria.
O Ano Internacional do Entendimento Global (IYGU) é uma iniciativa conjunta do Conselho Internacional de Ciências Naturais (ICSU), do Conselho Internacional das Ciências Sociais (ISSC) e do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas (CIPSH), que visa promover a integração dos conhecimentos científicos nos estilos de vida, que se pretende que sejam mais sustentáveis, e num reforço das prioridades estabelecidas pela ONU.
A participação na conferência é gratuita, sendo contudo necessário proceder a inscrição.

Irmãs Franciscanas abandonam Santa Casa da Misericórdia de Évora


COMUNICADO DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ÉVORA
Com a participação da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, e com base na sua comunicação oral e escrita, a Santa Casa da Misericórdia de Évora lamenta com surpresa, e após insistências desta para alteração da sua posição, informar os Irmãos da Misericórdia e a população de Évora em geral, da saída por sua iniciativa, das Irmãs Franciscanas que têm estado ao serviço do Lar Ramalho Barahona em Évora.
Este fato deve-se, segundo a própria Congregação,... "à falta de Irmãs que possam assumir a missão associada à presença das Irmãs neste Lar. Nos tempos que correm, isso é praticamente impossível, devido à dimensão do número de Irmãs em atividade, quer por falta de vocações quer por existirem cada vez mais Irmãs limitadas pela idade ou pela doença."
A Santa Casa da Misericórdia de Évora, apreciada a situação pela sua Mesa Administrativa, lamenta e não se conforma, em ser confrontada com esta realidade, fazendo votos para que a mesma evolua em sentido mais favorável para a Igreja e para a Sociedade Portuguesa, reconhecendo a obra ímpar de enorme riqueza humana e cristã que as Irmãs têm despenhado desde a sua abertura, até ao momento, no Lar Ramalho Barahona às quais agradecerá sempre.
A Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição reafirmou... "agradecer, muito reconhecida, a colaboração prestada a todas e a cada uma das Irmãs que passaram pela Fraternidade, durante os muitos anos de serviço conjunto, em favor dos idosos."
Deus nos acompanhe e Nossa Senhora das Misericórdias nos proteja.

Provedor,
Francisco Lopes Figueira.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Vitorino já decidiu - Não vota Marcelo

Centro comercial das portas de aviz: comunicado do Grupo Pro-Évora e resposta do presidente da Câmara

(Comunicado do Grupo Pro-Évora) Centro Comercial - Sobre o Caderno de Encargos
Clique na imagem para ler
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(Comunicado da CME) Sobre o Comunicado do Grupo Pro-Évora relativo ao Empreendimento Comercial
Tendo tomado conhecimento do Comunicado do Grupo Pro-Évora, datado de 16/12/15, intitulado “Centro Comercial – Sobre o Caderno de Encargos”, somos a esclarecer:
1. No sentido de aprofundar o esclarecimento público sobre a questão da venda de terrenos municipais para a eventual construção de um Centro Comercial junto às Portas de Avis, o Presidente da Câmara participou, em 11/11/15, num debate público promovido pelo Grupo Pro-Évora, tendo saudado a iniciativa e o empenhamento do Grupo em discutir aquela matéria.
2. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos para o concurso público foram configurados, obviamente, no integral respeito pelo normativo legal em vigor e, nessa medida, acautelam e garantem as condições que, publicamente, o Presidente da Câmara defendeu e divulgou.
Sublinha-se que aquele concurso público define um processo de apresentação de propostas que se prolongará por 90 dias úteis, sendo as propostas objeto de esclarecimento e negociação. A decisão final recairá sobre a proposta que melhor responder às condições definidas pelo Município, admitindo-se a hipótese de não vender o terreno caso tais condições não tenham sido contempladas.
3. Na sessão de esclarecimento, o Presidente da Câmara dedicou a primeira parte da sua intervenção ao enquadramento e ao programa de revitalização do Centro Histórico, já em curso. Uma das principais componentes desse programa foi candidatada a financiamento do Alentejo 2020, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Sustentável. A seu tempo, e após a necessária negociação, a Câmara Municipal fará divulgação pública detalhada daquela candidatura.
O Presidente da CM Évora,
Carlos Pinto de Sá
17/12/2015

Évora: ainda o cinema que haveria até ao final do ano...


Ainda que não tenha a ver com o tema, gostaria de perguntar a alguém que saiba:
Para quando a sala de cinema que iam fazer perto da rodoviária?
E o tal Centro comercial? Vão mandar ao ar o que começaram a construir?
Vão construir outro junto à rotunda de Avis? ...

Anónimo
16 janeiro, 2016 21:25



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Câmara de Évora não vai dar "seguimento" à recomendação da Assembleia Municipal para a proibição de circos com animais no concelho


A Câmara Municipal de Évora aprovou por unanimidade (em reunião pública realizada ontem, 13 de Janeiro) a prorrogação do período de liquidação do NIA- Núcleo de Loteamento e Infraestruturação Industrial da Azaruja, Lda., até 31 de Março de 2016, com recondução dos gestores liquidatários, conferindo-lhes autorização para o desenvolvimento de procedimentos de venda do património da sociedade.

Uma fábrica de descasque de amêndoa poderá vir a ocupar o espaço do NIA na Zona Industrial da Azaruja, criando quase duas dezenas de postos de trabalho, sendo que, a confirmar-se a venda do terreno, a situação do NIA será resolvida e os sócios, entre os quais a Câmara Municipal, receberão uma verba que decorre da venda do tereno e encerramento da empresa.
Foi aprovado por unanimidade o parecer favorável ao pedido de informação prévia/Tapada do Matias, sobre a possibilidade de instalação de novo estabelecimento (Decathlon) em Évora.
Aprovação unânime mereceu igualmente a proposta dos serviços jurídicos camarários acerca da recomendação da Assembleia Municipal de Évora à Câmara sobre a petição “Fim dos circos com animais em Évora”.
A Câmara Municipal constatou com base em três pareceres jurídicos (dos gabinetes jurídicos do Município, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo/CCDRA, e da Associação Nacional de Municípios Portugueses/ANMP) que não existe norma que permita às autarquias locais aprovar regulação que interdite, sem mais, no seu território, a utilização de animais em atividades circenses. Face a tal, a autarquia não pode dar seguimento à recomendação da Assembleia Municipal, à qual irá dar conta de tal situação em próxima sessão deste órgão. (nota de imprensa da Câmara de Évora)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Este sábado em Évora



Évora Sketchers é um colectivo de autores, naturais ou residentes no Alentejo, em particular na região de Évora.
Desenham em diários gráficos o seu dia-a-dia no Alentejo ou nas suas viagens, respeitando o manifesto Urban Sketchers.
Também desenham em conjunto em encontros organizados a fim de partilharem experiências e saberes. Partilha também feita através de blogues e de outras redes sociais.
Fica aqui o convite a todos os que quiserem juntar-se a nós, independentemente do nível de experiência, basta aparecer com um caderno e uma caneta (ou lápis, ou aguarela...)
16 de Janeiro - 14h30 - rotunda dos bombeiros.
Sejam bem vindos!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

David Bowie em Évora: realidade? ficção? (no fundo uma boa história...)


Conheci o Bowie cerca de 1990 ou 91, acho. Eu tinha acabado o serviço militar obrigatório na Marinha de Guerra, e andava numa vida meio boémia depois de um contrato de seis meses com a Câmara de Évora e, à noite o poiso obrigatório era sempre o café Alentejo, (hoje restaurante mais ou menos fino com fado discutível ) com a Dona Isabel e seu marido Senhor Luciano. Bebiamos cerveja e abafadinhos a 50 escudos. Ele lá estava, muito loiro de cabelo comprido com uma namorada meio hippie (não era ainda aquela de côr, a Nayma ) descontraido na cadeira, quando a Dona Isabel começou a desatinar com ele: _"Oh loirinho tira lá os pés da travessa da cadeira, que ainda há pouco as mandei amanhar. " . Foi então que intercedi por ele, pondo água na fervura e explicando à Dona isabel que ele era um músico conhecido... Bem , sentei-me com ele e a branquelas hippie, e passámos a noite na conversa - percebi que ele andava à procura de um grupo de Cante Alentejano para um projecto seu intitulado "Songs from the Desert " - e ficou combinado almoçarmos juntos na minha casa no dia seguinte, algo típico e regional. No dia seguinte lá estava ele com a outra, todos contentes e eu claro está tinha pensado numa boa açorda de bacalhau com ovos. Eu tinha-a feita logo com tudo junto num grande barranhão de barro, e o David ao ver aquilo com as fatias de pão na água, arregalou muito os olhos camaleónicos e disse-me num sotaque arrastado: "My frend Luis , iar in Alentejo you eat strange things, eu nunca ver pieces of bread boiling in to the uóta ( water). Ao que eu retorqui: "_Mai diar Davide , thats iu in britani who eat like shit, only xips and fixes, in gastronomy, my frénde you are an absolute beginners." O Bovie fez uma cara circunspecta, sorriu e disse-me: " _You know Louis, issu dava o name de uma beautiful music " . Good ideia" . E foi assim que conheci o Bowie.

Arnaldo Frade é o novo delegado regional do IEFP no Alentejo


Arnaldo Frade é o novo delegado regional do Alentejo do IEFP, substituindo no cargo Palma Rita, demitido daquelas funções no final do ano, foi ontem anunciado (aqui). Arnaldo Frade é licenciado em direito e ocupou o cargo de subdelegado do IEFP do Alentejo durante o governo de José Sócrates. Nas eleições autárquicas de 2009 foi candidato pelo PS à Câmara Municipal de Santiago do Cacém.