quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Afinal o preconceito é outro

Finalmente o novo governo tomou posse. Quando se esperava que falassem de propostas políticas, de expectativas e de mudanças, eis que alguma comunicação se centrou na cor da pele de uma Ministra, na etnia de um Secretário de Estado e na forma diferente de percepcionar o mundo de uma Secretária de Estado.
Títulos acintosos, comentários reveladores do que pior existe debaixo da pele de algumas pessoas, tudo isso era esperado e nada surpreendente.
O que me surpreendeu foram alguns textos piedosos nas redes sociais, onde todos salvamos o planeta, todos somos solidários, ninguém é egoísta e ninguém é racista. A sociedade perfeita sentada no confortável sofá e com a tecla do “backsapace” sempre disponível para apagar qualquer palavra que tenha saído “sem querer” e que revele algum pensamento politicamente incorrecto.
Habituei-me aqui na nossa cidade a ouvir comentários depreciativos sobre os ciganos, a maior das vezes eivados de um preconceito irracional transmitido de geração em geração.
Esperei para ver como reagiriam essas almas perante a existência de um Secretário de Estado filho de pai cigano. Será que iriam fazer as mesmas afirmações que normalmente começam com a palavra “eles”?
Qual não foi o meu espanto quando algumas dessas pessoas apareceram como grandes arautos da igualdade, da não discriminação em função da origem étnica, insurgindo-se e indignando-se contra os insultos da cloaca de alguma comunicação social.
Questionei-me se teriam mudado de opinião de forma repentina, tendo em conta que, a alguns, ainda há pouco tempo ouvia frases como “eles só querem é viver de esquemas” ou ter o silêncio como resposta à pergunta “qual de vocês dava emprego como empregada doméstica a uma cigana?”
Depois fui ler melhor o que estava na base da repentina rendição aos valores da multiculturalidade, através dos argumentos de defesa do Secretário de Estado, e percebi que assentavam todos no facto do senhor ser advogado, ter sido presidente de câmara e, pasme-se, vir de uma família que produziu dois licenciados.
Se nas mesmas condições o cidadão em questão vendesse de feira em feira, vestisse de preto e usasse chapéu, teriam ficado caladinhos porque jamais assumiriam nas redes sociais qualquer preconceito que desfizesse o mito do cidadão perfeito, mas também não se atreveriam a vir em defesa do óbvio valor da igualdade.
Mas o cidadão em causa “vive como nós”, está “integrado” e como tal a sua origem não interessa nada.
Percebi que aquilo que eu considerava um preconceito baseado em diferenças étnicas ou culturais, não passava afinal de preconceito social.
O problema para essas pessoas, afinal, não é a etnia, é o viver como elas ou de forma diferente.
O que eu desejo é que o cidadão que agora tem o cargo de Secretário de Estado da Autarquias Locais seja capaz de pugnar pelo reforço da autonomia do Poder Local, que se proponha alterar a Lei das Finanças Locais e a faça cumprir, que liberte as autarquias locais da canga do princípio inconstitucional da tutela de mérito e que seja uma ponte de diálogo franco com o poder local.
Se o cidadão em causa teve um pai cigano ou ameríndio é-me absolutamente indiferente, como me é indiferente a forma como se veste, os seus gostos pessoais, as suas crenças religiosas ou a sua vida familiar.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na rádio diana)


7 comentários:

  1. Hoje inicia funções uma nova maioria,apoiada em 123 deputados eleitos pelo Povo,Urge iniciar um ciclo Novo que ponha Fim a austeridade a arrogância e a politicas desastrosas que levaram a maioria dos cidadãos a uma vida de miséria.

    Uma nova politica nos serviços publicos. Urge começar,para isso é preciso rigorosas auditorias aos serviços regionais do poder central e responsabilizar aqueles que levaram ao desmantelamento de serviços,concessões e privitazações.

    O tempo Urge.

    ResponderEliminar
  2. ARS......IEFP........Segurança Social..........direção regional de Agricultura........


    Nestes serviços cometeram-se muitas Ilegalidades é tempo de punir os responsaveis.

    ResponderEliminar
  3. depreciativos sobre os ciganos, a maior das vezes eivados de um preconceito irracional transmitido de geração em geração.
    Conhece a realidade da maioria dos ciganos da nossa cidade Évora ?Dou lhe uma pista estão em maioria na cadeia de Beja por trafico e consumo de estupefaciente por tentativas de homicídio e outros realmente...bem percebo agora acampamentos no espaço publico é operacional!

    ResponderEliminar
  4. Coitado deste vereador, é uma verdadeira nódoa. Ele que vá pro Barreiro e leve os amiga de etnia cigana e que acampam de forma permanente no espaço público e na proximidade de escolas funcionando como supermercados de droga. Tenha vergonha e cumpra com as obrigações para que foi eleito e não perca tempo a dizer asneiras ( a que aliás já nos habituou de tão recorre te que é, desapareça, mete nojo )

    ResponderEliminar
  5. Deste a entrada em getão do pcp por varios pontos da cidade surgiram acamapamentos em passeios espaços publico etc...achei estranho o seu aparecimento crescimento e a conversa da autarquia de coitadinhos minorias sem abrigos e outros,agora já percebo é uma opção politica de degradação versus criminalidade.

    ResponderEliminar
  6. Habituei-me aqui na nossa cidade a ouvir comentários depreciativos sobre os ciganos
    Porque sera senhor vereador,consulte os relatórios técnicos da habevora e depois fale e percebe a realidade.

    ResponderEliminar

  7. Este é o responsável pela permanência de acampamentos de ciganos em plenas zonas residenciais . Gostava de o ver a morar tendo como vizinhos uma comunidade acampada que enche tudo de dejectos humanos e de animais no espaço público . Sim , sr Eduardo, no espaço público ! O nosso espaço público está ocupado por lixo provocado pelos acampamentos ilegais a que o sr fecha os olhos ! Gostava de ver os seus filhos com medo de ir para a escola porque tém que conviver com acampamentos a menos de 100 metros . Não me venha com discursos sem qualquer conteúdo ! O Sr é responsável pelo que somos obrigados a viver todos os dias ! Se não fossem ciganos eu queria ver se havia este discurso pretensamente correcto, como se fossemos todos uns ignorantes e xenófobos e o Sr o paladino dos ciganos. E à minha família que paga IMI e mais não sei quantos impostos municipais quem a defende ? Precisamos de medidas concretas . Precisamos de poder viver em sossego e com condições . Temos vivido rodeados de imundície e de medo pelo constante afluxo de pessoas movidas pelo tráfico de droga . Nós, os que não nascemos ciganos , também temos direitos !

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.