quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sobre a viabilização de um Centro Comercial às portas do Centro Histórico de Évora

Aproxima-se o fim do ano e, em breve, será discutido na Assembleia Municipal de Évora a intenção da Câmara Municipal de vender terrenos municipais situados às Portas de Avis para, desta forma, viabilizar a construção de uma Grande Superfície Comercial (vulgo Centro Comercial).
Apesar da Câmara não ter qualquer palavra sobre o licenciamento deste tipo de actividade, é ela que decide sobre a venda dos terrenos para esse fim e caso o faça estará a servir interesses privados e a comprometer, definitivamente, bens patrimoniais colectivos de enorme valor, o desenvolvimento sustentado da cidade e do seu comércio, contribuindo dessa forma para matar a vida no Centro Histórico de Évora, património da humanidade assim classificado pela Unesco há quase três décadas.
A instalação de centros comerciais, assentes no princípio da concentração, num único local, do comércio, sustentado em lojas de grandes cadeias e supermercados, decorrência da concentração financeira a que assistimos, é um modelo que tudo seca à volta, que descaracteriza e apaga a identidade das cidades e das suas populações, o que no caso de Évora constitui um verdadeiro atentado ao património e aos seus cidadãos.
O Bloco de Esquerda tem sido o único partido a manifestar-se contra a venda destes terrenos e a consequente viabilização de um centro comercial às portas do centro histórico. Considera o Bloco que:
- Não é sério sustentar a decisão da localização de um Centro Comercial às portas da Cidade em conclusões retiradas de um estudo feito em 2007, sobre a instalação de grandes superfícies comerciais em Évora, quando todas as circunstâncias e pressupostos se alteraram. Existem hoje várias grandes superfícies comerciais no Parque Industrial e à volta da cidade que à época não existiam, existe uma outra licença válida para um Centro Comercial no Parque Industrial, cuja construção se encontra a meio e que se encontra parada, e existem novos Centros Comerciais num raio de 100 km. É pena que a proposta para actualização deste estudo tenha sido chumabada na Assembleia.
- Não é sério, tão pouco, dizer que a Câmara Municipal não tem nem recursos nem competências para sequer influenciar a eventual intenção de construção de um Centro Comercial. O que está em causa é o facto de a Câmara se preparar para vender terrenos municipais para a construção de um centro comercial junto ao Centro Histórico classificado como Património da Humanidade.
Sem esses terrenos municipais não é possível instalar qualquer Centro Comercial junto às muralhas da Cidade. E é disso que, neste caso, se trata.
- Ademais, não só a Câmara Municipal tem assento na Comissão de Autorização Comercial e nesse sentido pode influenciar e influencia as decisões, como tem obrigação pugnar contra eventuais decisões que afectam negativamente o Município e os munícipes.
- A população e comerciantes presentes nas audições públicas promovidas pela Câmara Municipal não se mostraram favoráveis à venda dos terrenos municipais para instalação do Centro Comercial nas Portas de Avis.
Acresce que é consabido que a instalação de um centro comercial em terrenos municipais às Portas de Avis compromete definitivamente a adequada fixação da Zona Especial de Proteção, que, no caso de Évora, enquanto Património da Humanidade, é obrigatória e que continua, inexplicavelmente, por fixar.
O tema estará na ordem do dia, espero que o futuro do Centro Histórico não fique comprometido por uma decisão populista.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádiodiana)

6 comentários:

  1. oh pá, vai-te encher de moscas....

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  2. 1
    Se de facto o cidade e a regiāo possuem consumidores em numero e posses suficientes para suportar um centró comercial.
    2
    Se existem empresários sérios e competentes dispostos a investir num CM em Évora.
    3
    Se o municipio, os cidadãos de Évora, já investiram num centro comercial meio construido, que não chegou a abrir.
    4
    Porque não decide a câmara que
    - já basta de ruínas de centros comerciais
    - o novo empresário se for pessoa séria e honrada e não um especulador à caça do lucro fácil à custa do municipio deverá encetar negociações com io empresário do CC inacabado para o adquirir ou para constituir sociedade e terminar a obra.

    (pqp a especulacao e a bolha do imobiliário, e os chicos espertos, e a pt da banca que os suporta a todos, e nós que suportamos a banca)

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  3. Concordo consigo Bruno. So na necessidade de dinheiro vejo eesta posiçao da gestao CDU. E a morte do centro historico em beneficio das multinacionais que o pc tanto diz abominar. Os que ainda resistem comerciantes do centro historico vao claudicar

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  4. 15.30 È claro como agua temos um centro comercial em fase final de acabamentos com acessos já construídos, o promotor se é sério negoceia com os donos e acaba a obra.Mas cheira a esturro esta insistência naquela localização propriedade da autarquia!

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  5. Concordo em absoluto com o comentário das 15:30
    Basta de monstros inacabados...
    MdM

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  6. Estive em duas sessões públicas promovidas pela câmara para debater a questão da venda, ou não, do terreno para a construção de um centro comercial. Não me lembro de ter ouvido o Bruno Martins intervir nessas sessões, nem tão pouco a Maria Helena Figueiredo, que é tão conhecida pelo bota abaixo. Afinal, onde debatem vocês com a população estes assuntos? Como têm ouvido o que as pessoas querem ? Ou só debatem entre os 5 ou 6 que compõem o BE em Évora? É uma pena Évora parou no tempo ( em 1970 havia mais lojas no centro histórico do que hoje . Hoje é bancos , companhias de seguro e chineses ).
    Toda a gente sabe que quem pode vai fazer compras ao Montijo, a Lisboa , Badajoz, até a Beja. Então nós não temos direito a ter um espaço comercial com lojas diversificadas, com marcas acessíveis e que não fechem ao sábado às 13 horas? Eu para comprar roupa para os meus miúdos , e até para mim, tenho que sair de Évora. Sabe quanto custa uma deslocação a um centro comercial numa das cidades que referi ? O centro histórico de Évora pode ser muito lindo mas só dá de comer a alguns , que atendem mal e aos hotéís que exploram os empregados . Para a população em geral não chega. É o que dá apostar tudo no turismo, para os residentes resta-nos ser servos dos turistas endinheirados. Façam lá o centro comercial, tanto se me dá que seja do tipo do continente ou do pingo doce mas tirem-nos deste marasmo. Alguém que oiça o que a população quer e não apenas meia dúzia de pseudo-intelectuais que passam a vida a caminho de Lisboa para comprar livros, ir ao cinema , fazer compras ,etc. Isso é para quem pode ! E se esse centro for às portas d`Aviz tanto melhor porque sempre há vida perto do centro histórico, ao invés do marasmo em que se transforma após as 19 h e aos fins de semana com tudo fechado desde lojas a restaurantes, livrarias etc etc. Restam-nos os chineses, para quem gosta do estilo. Eu passo !

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