segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sentir

“Olhos que não vêem, coração que não sente”. Tantas vezes ouvi a minha mãe a repetir esta frase ao longo da minha vida, e tanto me tenho lembrado dela nestes últimos dias.
Graças à comunicação social portuguesa tivemos uma visão em directo e detalhada do ataque terrorista em Paris na passada sexta-feira. Todos nos emocionámos com as imagens e não é caso para menos. Sentimos perto o terror de centenas de inocentes, vimos vidas humanas a ser dizimadas injustamente. O terror bateu-nos à porta, os nossos olhos viram, o nosso coração sentiu.
Mas um coração pleno não se contenta com uma visão selectiva. Bem sei que é difícil abrir o coração e sentir dor todos os dias a olhar para as mortes inocentes na Síria, no Afeganistão, no Quénia, na Nigéria, na Líbia, no Iraque, mas sem esta dor não podemos ser verdadeiramente solidários, compreensivos e promovermos a paz.
Compreendo que a proximidade tenha levado a esta onda de solidariedade, mas a solidariedade é um valor demasiado nobre para ser exclusivo de uma raça, de uma etnia, de um continente ou nacionalidade.
Os atentados de sexta-feira permitiram-nos conhecer números exactos, foram contadas histórias sobre as vítimas mortais e sobreviventes, foram partilhadas fotografias com rostos. Ficam tantos outros números por apurar (desde logo, por exemplo, do ataque francês que ocorreu sobre a Síria no domingo), tantas outras histórias por contar, tantos rostos desconhecidos. Cidadãos e cidadãs deste nosso mundo, tão inocentes como quaisquer outros, cujas vidas têm tanta dignidade e importância como as nossas. Os nossos corações não podem deixar de sentir por não nos ser dada a visão clara.
A resposta ao extremismo não se encontra na raiva ou no preconceito fácil. A resposta ao extremismo não se encontra na pseudo segurança de muros e barreiras... Teremos mesmo de responder ao extremismo com políticas de justiça e solidariedade e saber perceber o que está em causa por trás de todos estes actos.
A cara do terrorismo é conhecida e amplamente divulgada, mas os cérebros destas acções deverão ser a fonte da nossa preocupação, investigação e denuncia.
A bandeira da França percorre o mundo, e tudo o que precisamos é que os valores que ela representam se espalhem: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. A resposta está nestes valores e que tão pouco ocidentais têm sido...
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

4 comentários:

  1. Na boca dos dirigentes europeus, as palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade, são meras palavras, sem conteúdo nem sentido.
    São palavras de um anuncio, propaganda da "marca" Europa, enganadora (tal como os sistemas anti poluição dos carros alemães), para o resto do mundo consumir.
    São a pele de cordeiro onde se acoita o predador do mundo.

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  2. O Daes ou estado islamico e filho de J. W. Buch, e afilhado do cherne, Blair e Asnar podemos agradecer a estes bandidos a terceira guerra mundial e o fim da nossa civilizaçao

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    1. Mas você tem civilização?
      Não se nota.

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  3. Muito em breve ver-se-á a verdade que François Hollande mais teme revelar: os oito jiadistas que puseram Paris a ferro e fogo eram todos ou quase todos cidadãos franceses da primeira, da segunda e da terceira gerações de imigrantes em França, ou seja: eram cidadãos franceses de pleno direito. Muçulmanos, é certo, mas franceses.

    Com efeito, não haverá ninguém de bom senso que julgue que o Estado Islâmico conseguiria infiltrar oito jiadistas da Síria, do Iraque ou do Magrebe em França, para atacar Paris com a limpeza com que Paris foi atacada.

    Quando se souber que os oito jiadistas eram todos ou quase todos cidadãos franceses todo o povo francês, irá perguntar a Hollande: Mas o que é isto?

    Entendamo-nos: o que se viu sexta-feira em Paris não é verdadeiramente um ataque do Estado Islâmico, mas o começo de uma guerra civil que ronda as entranhas da França.

    Ao atacar com as suas tropas e aviões as populações muçulmanas do Mali, da Nigéria, do Chade, da Líbia e da Síria, para já não falar do Iraque e do Afeganistão, Hollande está a lançar as sementes de uma guerra civil na própria França.
    (…)
    Quanto custa em homens, material, apoios e dinheiro a operação militar desencadeada sexta-feira em Paris? Quanto custa a logística de uma tal operação?

    Em dinheiro, custará à volta de cinquenta milhões de euros, e esse dinheiro poderá ter vindo, todo e exclusivamente, do Estado Islâmico. Mas o resto – e o resto é muito, é quase tudo! – em casas de apoio, em locais de retirada, em meios de locomoção, em armas, em explosivos e em homens, não vieram da Síria, ou do Iraque, ou da Líbia, ou do norte do Mali. Todo o resto estava e está em França; em Paris, nos subúrbios e em toda a França.

    Para apoiar a secção dos oito jovens jiadistas que morreram, é preciso uma unidade militar de 50 homens só para a logística. Esses 50 homens são franceses; não vieram da Síria, da Líbia ou do Iraque. As armas e os explosivos, as munições também estavam em França. Nada disso, nem homens de apoio, nem dinheiro, nem armas, nem casas de cobertura vieram nos insufláveis dos refugiados sírios ou magrebinos. Estava tudo lá, in loco, em Paris e na França.

    Claro, Hollande sabe isso tudo, mas oculta-o.

    A prova de que sabe tudo é que, em vez dos 12 dias da lei para prazo normal do estado de emergência, Hollande já decretou três meses. Três meses de estado de sítio em França. E um contingente de 3 000 homens do exército de terra chamado a ocupar Paris imediatamente.

    Em França, a guerra civil começou. Aguardemos os próximos acontecimentos.
    E não façam batota: não acusem o Estado Islâmico pelo facto de o espectro da guerra civil rondar, cada dia mais sinistro, a França.

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