sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O futuro constrói-se no presente

A construção ou não de um centro comercial em Évora, é uma questão eminentemente da esfera do interesse privado. Se é ou não rentável, deverão ser os promotores da iniciativa a fazer essa avaliação.
O poder político só deverá intervir quando o interesse privado colide com o interesse público. Isto é, quando as intenções dos privados colocam em perigo questões ambientais, de preservação do património cultural e outros direitos atinentes ao bem-estar das populações.
Porém, se estivermos a falar da construção de um centro comercial nas imediações do centro histórico de Évora e junto ao aqueduto da água de prata, não me parece que seja uma questão eminentemente, da esfera do interesse dos particulares. É, com o devido respeito por opinião em contrário, irrefutavelmente, do interesse público e deverá ser seguida com a maior das cautelas e dos cuidados.
Dito isto, na entrevista dada esta semana pelo Dr. Pinto Sá ao Diário do Sul, não obstante ser dito que a discussão sobre a possibilidade da construção de um centro comercial às Portas de Avis, fora pública e envolveu muitos representantes do associativismo eborense e das forças politicas, pareceu-me, no entanto, muito pouco esclarecedora. Por isso, deverá a Câmara municipal informar a população, com o detalhe possível o projecto que sustenta o aludido centro comercial.
Na verdade, reconduzir esta questão, unicamente, à venda ou não dos terrenos de que Câmara é proprietária, é muito pouco para a dimensão do impacte que uma construção de uma infra-estrutura com esta natureza poderá representar para o património existente e para a mobilidade das pessoas que residem na cidade.
Em suma, caberá ao executivo camarário a decisão politica de vender ou não vender os terrenos de que é proprietária às Portas de Avis. Mas, como cidadão e como dirigente politico tenho o dever e o direito de exigir aos representantes do Município de Évora que esclareçam os seus munícipes e de lhes dizer qual a verdadeira dimensão do projecto no seu detalhe, e, a existirem, quais as contra-partidas a disponibilizar pelos interessados nos terrenos a beneficio da cidade e dos eborenses. Deste modo, passar um “cheque em branco” à Câmara Municipal de Évora e não condicionar esta matéria aos pressupostos anteriormente referidos, seria um erro com consequências porventura irremediáveis para o futuro da nossa cidade.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

3 comentários:

  1. Não estará na altura de Évora avançar no tempo? De acompanhar a modernidade já existente até nos concelhos contíguos?
    Esta paragem no tempo já prejudicou em muito os eborenses. E com custos para o futuro. E sem que tenham sido apontados os responsáveis.
    Veja-se o exemplo do cinema. Tanta discussão e... Évora sem cinema há anos. E espaços como o Salão Central praticamente no chão. Ou o Rossio. Tanta discussão, tanto projeto do Siza e... Évora sem biblioteca municipal, sem auditório municipal e aquele terreiro feio e miserável há anos. Veja-se as "Docas Secas". Tanta discussão e aquela muralha à porta de Aviz miserável tal como o parque de estacionamento. E os bares dentro do CH há anos. Veja-se o Campus Universitario. Tanta discussão e... Évora será provavelmente a unica universidade sem um campus condigno. Veja-se a tristeza em que se encontra a Mata do Jardim Publico. Tanta discussão e... Poderia continuar.

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    1. E Évora deixada falida, e com uma dívida insustentável.

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  2. É muito fácil ter ideias, coisas "modernas", que qualquer cidade deveria ter para poder ser considerada cidade.
    O difícil é ter meios para as levar a efeito.
    Mais difícil é fazê-las sustentáveis.
    Mais difícil ainda é pagar as dívidas.

    Uma cidade que preferiu investir numa praça de touros.
    Uma cidade com um estádio que serve de pasto para a carneirada.
    Uma cidade com um centro comercial para sempre inacabado.
    Uma cidade que investe na urbanização de muitos hectares nos Leões, quilómetros de infraestruturas, sem uma única casa.
    Uma cidade património mundial, com um Centro Histórico cheio de hotéis e de turistas, a morrer de desertificação.

    Uma cidade de hoteleiros e especuladores, anafados.

    Uma cidade de cidadãos que, no virar do milénio, preferiram votar nos charlatães.

    Na verdade os cidadãos têm a cidade que merecem, e o autor do post é um dos responsáveis.

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