quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Évora: 29 anos de Património da Humanidade, uma data (percebe-se) comemorada de forma envergonhada


Évora assinala hoje sem pompa nem circunstância (apenas com uma pequena cerimónia simbólica) o facto do seu Centro Histórico ter sido classificado há 29 anos como Património da Humanidade pela UNESCO. Há 4 anos, num momento em que a Câmara de Évora ainda era liderada pelo PS, o movimento "A Cultura está Viva e manifesta-se na Rua" convocou uma concentração junto ao Salão Central, símbolo máximo do estado de degradação a que o património na cidade de Évora tinha chegado. Deste movimento faziam parte elementos que hoje pertencem à maioria que dirige a Câmara nos últimos dois anos. Mas a verdade é que o estado de abandono a que o Património esteve votado continua. Não existem Planos de Salvaguarda, o Património é diariamente esquecido, a Praça do Giraldo, depois da pequena "lavagem de cara" pós-eleitoral que teve, mergulha no marasmo e na degradação verificada nos últimos anos.
Percebe-se que o município, envergonhado, não comemore condignamente esta data, dado o estado de degradação do Património de que é o primeiro responsável e que continua a degradar-se (ainda pondo em risco a classificação de Património da Humanidade como a actual maioria tanto referiu em tempos de campanha eleitoral?) e num momento em se prepara para alienar 30 mil metros públicos de terreno, junto ao Centro Histórico, para um Centro Comercial, quando no Parque Industrial existe um Centro Comercial em construção há mais de quatro anos... Claro que se percebe. O que não se percebe é o silêncio da oposição e da opinião pública anestesiada por muitas doses de propaganda, silenciada pelos acordos de Governo a nível nacional (no que ao PS e BE diz respeito) e já habituada ao deixa andar. Se há quatro anos era urgente recuperar o Salão Central e cuidar do Centro Histórico, parando a degradação avassaladora e revitalizando-o com novas actividades e novos actores - hoje é mais do que urgente, deve ser prioritário.
Talvez que para o ano se volte a falar mais do Património da Humanidade - sempre se vão comemorar os 30 anos e aproxima-se a campanha eleitoral para as autárquicas. Mas o Património, esse, não pode nem deve viver no ciclo das grandes promessas eleitorais e depois no descalabro das práticas concretas. Património? Cultura? Na oposição tudo é possível, depois é o abandono a que vamos assistindo.
Mas continua actual, com novas entidades a co-responsabilizar, o manifesto aprovado há exactamente quatro anos, numa noite fria como a de hoje, pelas dezenas de pessoas que se reuniram junto ao Salão Central e em nome do Património da Humanidade e que aqui deixo: 

Moção



Hoje sexta-feira, 25 de Novembro - dia em que se assinala o 25º aniversário da classificação doCentro Histórico de Évora como Património Mundial - um grupo de cidadãos vai assinalar a data com uma concentração/vigília junto ao Salão Central Eborense, cuja degradação é o símbolo do pouco apreço que os poderes públicos têm manifestado pela cultura e pelos seus agentes na cidade de Évora e que hoje se traduz em dívidas relativas aos apoios acordados de parte do ano de 2009, ano de 2010 e já de 2011 aos agentes culturais, muitos deles com salários em atraso e colocando alguns grupos mesmo em risco de extinção.
De entre as várias actividades programadas para esta Assembleia de Rua, no Pátio do Salema, a partir das 18 horas constam pinturas, música, intervenções e a apresentação de uma moção, para ser debatida e aprovada, em que se exige:

1) Que a Câmara Municipal e as entidades oficiais (Ministério da Educação, da Cultura, etc.) tenham uma nova atenção para os agentes culturais locais, recorrendo a eles sempre que possível, e estimulando o seu trabalho a troco de compensações financeiras adequadas;
2) Que a Câmara Municipal cumpra as suas obrigações com os grupos e agentes culturais do concelho, comprometendo-se a pagar a tempo e horas os subsídios e apoios a que livremente se comprometeu e cujo não pagamento está a estrangular financeiramente muitas destas entidades;
3) Que, depois de várias promessas nunca concretizadas – desde a constituição da Évora Régis há dois anos, até a declarações posteriores do presidente de Câmara de que a obra iria avançar – seja encontrada disponibilidade financeira para a recuperação do Salão Central, um espaço único e imprescindível para a realização de espectáculos de alguma dimensão em Évora (a Arena não tem quaisquer condições para espectáculos de palco);
4) Que a Câmara e a Assembleia Municipal alterem a legislação local com vista a possibilitar e potenciar as actuações e performances de rua por parte de artistas locais e visitantes, uma vez que a actual legislação impõe regras que não se coadunam com práticas culturais espontâneas, tais como as que se assistem em qualquer centro histórico de variadíssimas cidades pela Europa e pelo mundo fora.
5) Que a Câmara Municipal de Évora cumpra a legislação em vigor e pressione os privados e instituições a recuperar os edifícios degradados do centro histórico.
6) Que já esta Primavera e Verão, a Câmara Municipal anime os espaços nobres da cidade com um Festival de Rua, juntando várias expressões artísticas, com base nos artistas e grupos locais que, de forma rotativa e segundo um calendário estabelecido, poderiam assegurar a animação de algumas das principais praças e largos de Évora, durante os meses de maior afluxo turístico, dando-lhes possibilidade de mostrarem o seu trabalho e de o rentabilizarem economicamente.


25/11/2011

CJ


17 comentários:

  1. Carlos Júlio por muita amizade que me mereças são absolutamente inaceitáveis - por não verdadeiras - as afirmações que fazes relativamente a um silêncio do Bloco de Esquerda quanto à construção do centro Comercial.
    Basta o post abaixo para desmentir tal mistificação.
    E tu sabes que já nas Autárquicas o Diário do Sul questionou todos os candidatos sobre tal projecto e já nessa ocasião só o Bloco de Esquerda se manifestou contra.
    Como sabes que nas reuniões públicas estivemos presentes e nos manifestámos contra
    Como nos manifestámos contra nas reuniões havidas com o Presidente da Camara
    E nos manifestámos contra em carta dirigida ao executivo municipal
    Dizeres que o Bloco de Esquerda está calado?
    Francamente gostava de perceber... tu sabes melhor do que isso.
    E já agora, interessante a fotografia que escolheste para ilustrar a luta que mantivemos ao longo de meses na rua em defesa da cultura...falta muita gente
    Maria Helena Figueiredo


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    1. Cara Maria Helena Figueiredo

      Peço que releias o post. Em momento algum se refere que o BE não tomou posição sobre o Centro Comercial (claro, bastava para isso a crónica do Bruno). O que o texto refere é algo muito diferente: o silêncio que tem existido nos últimos dois anos em Évora sobre o estado do Património, que foi um dos temas relevantes da última campanha eleitoral como te lembrarás. Dizia-se na altura que era insuportável o estado do Património classificado de Évora, que estava a cair e a degradar-se, pondo mesmo em causa a classificação de Património da Humanidade atribuida pela UNESCO ao Centro Histórico de Évora. Passados estes dois anos nada foi feito nesse sentido e o que o post reflecte é a estranheza generalizada sobre um tema que foi tão debatida na campanha eleitoral e que teve certamente o seu peso nos resultados finais que conduziram à vitória da CDU.
      Por isso, mais uma vez, nesta altura em que se celebram os 29 anos da classificação de Évora, convido-te a reler o post e a confirmares que o que está em causa é o Estado do Património ( e o silêncio à sua volta, que fez que a data quase não fosse assinalada pelo municipio e muito menos pela oposição) e não o nóvel projecto de Centro Comercial contra o qual, é público!, o BE está contra.Com amizade

      Um abraço
      Carlos Júlio

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    2. Gostava de saber qual foi a posição do BE quando, em 2010, foi aprovado o Plano de Urbanização de Évora, que contempla um Centro Comercial de dimensão regional naquele local.

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    3. "num momento em se prepara para alienar 30 mil metros públicos de terreno, junto ao Centro Histórico, para um Centro Comercial, quando no Parque Industrial existe um Centro Comercial em construção há mais de quatro anos... Claro que se percebe. O que não se percebe é o silêncio da oposição e da opinião pública anestesiada por muitas doses de propaganda, silenciada pelos acordos de Governo a nível nacional (no que ao PS e BE diz respeito) e já habituada ao deixa andar"
      Se não é o Centro...
      MHF

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    4. Claro que não é o Centro Comercial o que está em causa. Basta ler o post e não um excerto propositadamente truncado. O que a meu ver teria tido sentido, no mínimo, era uma posição do BE sobre o património eborense por ocasião do 29º aniversário de Évora Património da Humanidade. Mas cada qual sabe de si .Com a consideração de sempre. CJ

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  2. Também fizeram manifestação contra a Embraer e agora veneram os brasileiros, parecem cães atrás do dono

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  3. Évora é Património da Humanidade pelo que foi feito até ao 25 de Abril.
    Salazar foi o último a mandar edificar obras de categoria como a estação dos caminhos de ferro.
    Do 25 de Abril para cá é só conversa, comícios e manifestações.
    Obras?
    NADA!

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    1. Estás a esquecer-te dos 30 bairros clandestinos que existiam à volta de Évora, sem ruas pavimentadas, sem água canalizada e sem esgotos.
      Obra, sem dúvida, reveladoras da grande qualidade do Salazar

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  4. O Presidente da Republica
    e os gatunos que foram chamados a aconselhá-lo,
    e todos os seus arautos de extrema direita,
    e todos os comentadores, parasitas e jornalistas com direito de antena nas televisões,
    todos se enganaram de forma rotunda, escandalosa, incompetente e suspeita.

    A indigitação/indicação do António Costa
    para formar governo com maioria parlamentar de esquerda
    cumprindo a constituição e a democracia portuguesas
    afinal
    não provocou o fim do mundo
    nem a instabilidade ou queda dos "mercados" nacionais e internacionais.

    Afinal toda a crise, envolta em falácias, mentiras e papões, propagada e alimentada pela extrema direita, com ampla cobertura televisiva, foi obra da mulher a dias do Palácio de Belém.

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    1. Não vai tardar pela demora.

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  5. Blá, blá, blá , Carlos Júlio ....Toda a gente sabe que a Câmara não tem dinheiro e você quer o quê ? Que nestes dois anos tivessem edificado o Salão Central, acabado o forum, recuperado todo o património privado, incluindo a Igreja de Santo Antão, e mais uns solares que por aí andam a cair aos bocados enquanto os herdeiros se digladiam? Ora faça-me o favor você tem a obrigação , já que usa o estatuto de jornalista, de ser mais fiel à realidade que hoje se vive em Évora. Você acredita em milagres ? Pois eu não ...sem dinheiro, sem incentivos à recuperação, sem fundos para o património e com tanta restrição que é colocada a quem quer intervir no Centro Histórico, bem pode o Carlos Júlio mandar vir com a Câmara até à exaustão (ou até que os seus amigos do BE ganhem a Câmara, aí acredito que você comece a olhar com outros olhos ,mais complacentes ou mais realistas, para a miséria a que chegou a autarquia e o país )

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  6. É preciso pachorra para engolir as provocações, aturar o vazio de ideias, as meias verdades, a desinformação, e o dolo do CJ.
    Só para recordar aos esquecidos, ou aos que se deixam ir na conversa:
    1
    Nos anos 90 a câmara CDU fez os projectos técnico e financeiro para recuperar o Salão Central
    2
    No novo milénio a câmara PS decidiu que a prioridade era reconstruir a Praça de Touros da família Torres, e assim fez, com o apoio do PSD e não sei se do BE, estafando uma data de dinheiro público municipal, em vez de reconstruir o Salão Central como estava planeado.
    3
    Depois de inúmeros negócios ruinosos, como o da Praça de Touros, o PS entregou o município falido, sem dinheiro sequer para pavimentar as ruas e remodelar infraestruturas básicas e essenciais.
    Mas aqui, parece que tudo isso não interessa, e que convém esquecer.
    4
    Portanto, expliquem lá onde é que esta câmara vai arranjar dinheiro para manter a cidade a funcionar, e para reconstruir o Salão Central?

    Vender os dedos (porque os anéis já se foram)?
    Oferecer a ruína aos amigos, livre de custos e prejuízos (que foi o que o PS fez com as águas de Évora)?
    Jogar no Euromilhões?
    Pedir ajuda à Fundação (João) Mário Soares?
    Ao Granadeiro da FEA (carrasco da PT e fugido para o Brasil)?
    Ao BES?
    Colocar uma velinha na Capela das Aparições?

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    1. Ou apresentar queixa contra os gatunos, eleitos e corruptos, que andaram a roubar o estado e os eleitores, em negócios ilícitos e danosos, para se enriquecerem e aos amigos, e a guardar o roubo em offshores livres de Impostos e de Justiça.

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  7. 14.38. É exactamente o que o camarada José Ernesto dizia: eu até gostava, mas "expliquem lá onde é que esta câmara vai arranjar dinheiro para manter a cidade a funcionar, e para reconstruir o Salão Central?". Vê-se que estamos todos, os que prezamos o bem público, em sintonia...

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    1. @15:21
      Se, como o comentador alega, o Dr Ernesto se queixava da má herança,
      1 ou não sabia o que estava a receber,
      2 ou o que estava a receber não chegava para os desmandos que tinha projectados,
      3 ou queria dinheiro no banco para poder passar cheques aos amigos.
      Hoje podemos dizer que, foi pena ter recebido tanto património e tanto dinheiro.

      Mas temos que aturar a cegueira e a surdez dos dogmáticos, em particular dos estúpidos anti comunistas.

      Na verdade, o Dr. Ernesto recebeu uma câmara com muitos terrenos, com muitos projectos sustentáveis, financiáveis e com manifesto interesse publico, e livre de contratos ruinosos.
      O Dr. Ernesto encarregou-se de vender os terrenos ao desbarato, gastou o dinheiro em infraestruturas e obras inúteis, assinou contratos ruinosos, e deixou a câmara pendurada no PAEL.

      Que não se comparem as afirmações de gente incompetente, ignorante, e dedicada à causa privada, com as afirmações de gente honrada, que sabe o que diz, dedicada à causa publica, e que tem provas dadas da honradez, da competência, e dos factos que alega.

      Quem quiser, que coma a conversa dos aldrabões e que lhe faça bom proveito, mas que não atire a merda ao ar para caluniar e sujar os inocentes.

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    2. Se o José Ernesto dizia isso, dizia mal. Pois foi durante os mandatos dele que:
      - se gastaram 10 milhões de euros a recuperar e equipar uma Praça de Touros privada;
      - se gastaram outros 10 milhões de euros em infraestruturas nos Leões, sem garantir que estas seriam rentabilizadas;
      - se fez um negócio ruinoso nas águas municipais, dadas às AdP pelo preço da uva mijona, que dá um prejuízo anual de 5 milhões de euros;
      - etc., etc., etc.

      Ou seja: dinheiro para reconstruir o Salão Central teve, aplicou-o foi muito mal...

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  8. A fotografia de família à porta da câmara é família de quem?

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