segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ensino do Desporto em Évora merece destaque no XVI Congresso Nacional de Gestão do Desporto




Realizado em Vilamoura a 26 e 27 de novembro, o XVI Congresso APOGESD, reuniu uma plateia com mais de três centenas de interessados, entre os quais alguns dos mais conceituados especialistas nacionais e internacionais da Gestão do Desporto...
Tendo em conta a temática geral do Congresso - Turismo e Desporto: Sinergias Estratégicas” - várias foram as entidades e personalidades convidadas a intervir, registando-se um leque muito variado e elevada qualidade nas comunicações apresentadas.
À imagem do que havia sucedido há dois anos (no XIV Congresso, realizado em Guimarães), Évora esteve representada por uma delegação de alunos e professores, sendo um dos preletores convidados o Prof. Pedro Janeirinho, ligado há quase três décadas ao ensino do desporto nessa localidade.
Refletindo precisamente essa experiência, na sua comunicação (denominada “Desporto Aventura e Turismo Ativo: Sinergias estratégicas no ensino”), apresentou uma seleção de "case studies", devidamente quantificados e ilustrados, como exemplo de boas práticas levadas a cabo nas duas instituições de ensino a que o docente tem estado ligado - Universidade de Évora e Escola Secundária André de Gouveia (ESAG).
Interligando as duas componentes abordadas (Desporto Aventura e Turismo Ativo), o orador pretendeu demonstrar a eficácia das sinergias estratégicas estabelecidas entre os dois estabelecimentos de ensino (cursos superior e secundário) e os seus parceiros institucionais e privados, beneficiando não só a comunidade estudantil como também a população local e proveniente do exterior (turistas).
Foram, assim, referenciados exemplos de eventos organizados em exclusivo por alunos mas abertos a toda a população (como o caso da “Semana Olímpica ESAG”, da “Semana Náutica”, do “U.É. Challenge” – que em 2016 conhecerá já a sua 14ª edição consecutiva) bem como a colaboração em eventos de maior impacto nacional (como o “BikÉvora”, o “Desafio pela Saúde” e a meia maratona “Running Wonders”).
Esta oportunidade de divulgação da oferta formativa da cidade foi aproveitada ao máximo, tendo em conta que se trata de uma situação pouco comum, que justifica todo o relevo possível – principalmente no caso da ESAG-Évora, que foi a única escola secundária do país a merecer a honra de tal destaque…
Alguns alunos do curso de Ciências de Desporto da U.É. e a totalidade dos alunos do 3ºano de Gestão Desporto da ESAG estiveram presentes nos dois dias do evento, assistindo a várias palestras e aproveitando para trocar experiências e contactos com colegas de outras escolas. Com resultados bem positivos, diga-se de passagem: a lista de entidades interessadas em participar na próxima edição da “Semana Olímpica ESAG” (já com data marcada, para 14 a 18 março 2016) aumentou significativamente!

Pedro Janeirinho
(por email)

SAGA DE UM HOMEM IMPORTANTE


ERA UM VULGAR FUNCIONÁRIO DE CÂMARA
aprendeu a falar, facilmente passou da fala ao discurso
interiorizou os gestos e a pose, o menear dos braços
engordou
veste razoavelmente - subiu na vida a pulso - gosta de afirmar
acaba de entrar no Restaurante onde estou à espera que me sirvam uma canja de galinha e um bitoque
passo firme, bem direito como um poste telefónico, mãos nas ilhargas sob um casaco castanho desabotoado
é grande a prole - duas filhas e um rapaz, e a mãe, aguardam todos que o patriarca tenha escolhido a sala e os lugares para o jantar
a prole aguarda com paciência a ordem do maior
conhece-me bem - de ginjeira - passa por mim 3 vezes, na azáfama de eleger lugar para o repasto
levantando a cabeça e ajeitando as mãos que mantinha nos quadris
a prole segue-o a um gesto hierárquico e solene
e eu escrevo no meu inseparável guarda-factos
não querem lá ver: ESTE GAJO ENSENHOROU

António Saias (aqui)

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Depois da Boa Fé anuncia-se prospecção de petróleo junto da Costa Alentejana


Bem sabemos que certas questões nunca estarão definitivamente resolvidas. Nem resolver um problema local garante que ao lado não se apresente imediatamente outro: o sistema é gerador duma pressão constante, poderosa, no sentido da devastação e por isso a vigilância cidadã tem que o ser também. Depois da Boa Fé (que não está resolvida, apenas em banho-maria enquanto a cotação do ouro não explodir de novo) eis que anunciam prospecção de petróleo em áreas marítimas de grande profundidade, AO LARGO DA COSTA ALENTEJANA. A catástrofe da BP no Golfo do México não bastou. O mesmo cálculo que levou a furar ali, propulsa projectos destes por aqui. O que se ganha e sobretudo quem ganha? O que se perde e sobretudo quem perde? Temo que a retórica do "emprego", da "factura energética" a curto prazo convença os portugueses que é "desenvolvimento" e portanto é bom, que cria emprego, etc. etc. E assim nos afundam num beco sem saída, cada vez mais absurdo, enquanto os recursos podiam ser investidos na transição energética, e melhor, ecológica. Tenho dificuldade em resistir a um certo desânimo!

Foi há um ano: cante alentejano património imaterial da humanidade

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Passeio este sábado organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em Évora


Este sábado venha comemorar o aniversário da SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves)  em Évora
Hora: 10:00:00
Hora de Conclusão: 18:00:00
Neste dia, propomos-lhe um programa completo: pela cidade e pelo campo. Consulte o programa em baixo. Caso não possa participar nas 3 atividades, pode escolher apenas aquelas que lhe interessam, referindo isso na ficha de inscrição (campo das notas).

- Parte 1: Évora cidade - uma visita bio-cultural (09h30-12h30)
- Parte 2: Almoço (12h30-14h30)
- Parte 3: Visita à IBA da Planície de Évora (14h30-18h00) GRATUITA


Câmara de Évora apresentou proposta sobre cedência de terrenos para centro comercial nas Portas de Aviz

(a foto com o violento contraste luz/sombra, só para que não haja dúvidas, é da autoria da CME e não do acincotons)

Em reunião pública de 25 de Novembro, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, apresentou à Câmara a proposta de cedência de terrenos municipais para construção de empreendimento comercial na zona das Portas de Aviz. Prevê-se que na próxima reunião pública, agendada para 9 de Dezembro, seja tomada a decisão quanto à cedência dos terrenos, respetivo caderno de encargos e programa do concurso, os quais serão alvo de deliberação final em sessão da Assembleia Municipal.
Foi aprovada por unanimidade a proposta de normas de gestão do Monte Alentejano que visam a uniformização de critérios associados à cedência do espaço, bem como a aplicação de normas referentes à utilização do mesmo. O Monte Alentejano foi alvo de intervenções nos meses de maio/junho de 2015 ao nível da cobertura, dos acessos e da cozinha, as quais, como o investimento aplicado, se traduziram na salvaguarda das condições de segurança para os utilizadores deste equipamento municipal.
Um voto de pesar pelo recente falecimento do padre Paulo Luís Cordovil - Pároco de Nossa Senhora da Boa Esperança (Évora), Santa Sofia (Montemor-o-Novo) e Capelão da Santa Casa da Misericórdia de Évora - foi proposto pela Vereadora Cláudia Sousa Pereira e aprovado por unanimidade.
As Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2016 serão apresentadas na próxima reunião pública, seguindo depois para deliberação e aprovação final na sessão da Assembleia Municipal de Évora a realizar no dia 18 de Dezembro.
No período antes da Ordem do Dia foi ainda dado a conhecer pela Vice-Presidente, Élia Mira, a participação camarária no VI Congresso Nacional da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras, que se realizou de 11 a 13 de Novembro, em Almada.
O Vereador Eduardo Luciano deu ainda conhecimento da recente realização de três conferências e sua importância: uma sobre turismo cultural (Palmela), outra sobre turismo e desenvolvimento (Angra do Heroísmo) e uma terceira sobre turismo inclusivo, a qual foi promovida pelo INATEL de Évora. (Nota de Imprensa da CME)

"Purgatório", nova peça do CENDREV estreia esta noite no Garcia de Resende


Carvalho da Silva hoje na Universidade de Évora


Manuel Carvalho da Silva, ex-secretário geral da CGTP, vai estar esta tarde na Universidade de Évora onde proferirá uma conferência subordinada ao tema "O emprego numa era em transformação", no âmbito das Jornadas de Economia. A conferência realiza-se às 14,30H.

Ver programa aqui:

Como é viver hoje

Todo o ambiente político que temos estado a viver nestas últimas semanas - no resto do Mundo e no País e até na região - nos faz pensar, de forma “redonda”, em que pensar de tudo isto.
E de como será de agir daqui para a frente na nossa vida quotidiana, pessoal e na comunidade, muitas vezes até apenas exercendo o que continuamos a querer cumprir como dever cívico, e participar na escolha dos que se predispõem a governar-nos em vários níveis. Não me ocuparei, para já, a ensaiar pensar esses que são escolhidos pelos outros. Seguramente não me faltarão oportunidades de tentar mapear e orientar-me no que são as condicionantes e opções, que os governantes tomam, e se nos colocam para avaliarmos e fazermos as nossas próprias opiniões e consequentes ações. E é que para isso precisamos mesmo de reaprender a pensar os factos que temos à frente.
O ambiente político atual passa pelo terror, em que uma forma de guerra nova nos transforma em potenciais e inesperadas vítimas fora de um campo de batalha; e passa por reinterpretações de várias e inquestionáveis lógicas dos atos eleitorais a que nos habituámos, enquanto Povo português, nos últimos 40 anos; mas também passa por assistirmos a quase incompreensíveis reviravoltas de discurso que me fazem pensar que o poder das palavras saiu do domínio da comunicação tout-courte se barricou no discurso onde todos os equívocos são aceitáveis, onde o da ficção tem lugar central.
Tudo isto só pode, logo à partida, baralhar as pessoas. Essas mesmo em nome de quem tudo o resto se diz fazer. Quando queremos responder às perguntas mais simples, porque ingénuas, mas das mais difíceis porque sem resposta direta, teremos sempre de fazer tão longos e demorados discursos, o que é uma forma quase anacrónica de vivermos porque os tempos são de tweets, soundbites ebuzzwords. Ou então fazemos poesia, como aquele pai que ensina ao filho que nos protegemos dos “homens maus” (leia-se terroristas) com flores e velas.
Já na reta final da sua vida, Vergílio Ferreira escreveu nalguns dos seus pensamentos o que não poderemos considerar conselhos, pois a ironia sarcástica com que pensou os tempos – os dele que já visionariamente olhava bem por dentro e se prolongaram à flor da pele nos nossos – são mais desabafos do que outra coisa. Um deles diz isto: Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro. E este pessimismo é por instantes tão contagiante… Resistamos, porém!
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Évora: 29 anos de Património da Humanidade, uma data (percebe-se) comemorada de forma envergonhada


Évora assinala hoje sem pompa nem circunstância (apenas com uma pequena cerimónia simbólica) o facto do seu Centro Histórico ter sido classificado há 29 anos como Património da Humanidade pela UNESCO. Há 4 anos, num momento em que a Câmara de Évora ainda era liderada pelo PS, o movimento "A Cultura está Viva e manifesta-se na Rua" convocou uma concentração junto ao Salão Central, símbolo máximo do estado de degradação a que o património na cidade de Évora tinha chegado. Deste movimento faziam parte elementos que hoje pertencem à maioria que dirige a Câmara nos últimos dois anos. Mas a verdade é que o estado de abandono a que o Património esteve votado continua. Não existem Planos de Salvaguarda, o Património é diariamente esquecido, a Praça do Giraldo, depois da pequena "lavagem de cara" pós-eleitoral que teve, mergulha no marasmo e na degradação verificada nos últimos anos.
Percebe-se que o município, envergonhado, não comemore condignamente esta data, dado o estado de degradação do Património de que é o primeiro responsável e que continua a degradar-se (ainda pondo em risco a classificação de Património da Humanidade como a actual maioria tanto referiu em tempos de campanha eleitoral?) e num momento em se prepara para alienar 30 mil metros públicos de terreno, junto ao Centro Histórico, para um Centro Comercial, quando no Parque Industrial existe um Centro Comercial em construção há mais de quatro anos... Claro que se percebe. O que não se percebe é o silêncio da oposição e da opinião pública anestesiada por muitas doses de propaganda, silenciada pelos acordos de Governo a nível nacional (no que ao PS e BE diz respeito) e já habituada ao deixa andar. Se há quatro anos era urgente recuperar o Salão Central e cuidar do Centro Histórico, parando a degradação avassaladora e revitalizando-o com novas actividades e novos actores - hoje é mais do que urgente, deve ser prioritário.
Talvez que para o ano se volte a falar mais do Património da Humanidade - sempre se vão comemorar os 30 anos e aproxima-se a campanha eleitoral para as autárquicas. Mas o Património, esse, não pode nem deve viver no ciclo das grandes promessas eleitorais e depois no descalabro das práticas concretas. Património? Cultura? Na oposição tudo é possível, depois é o abandono a que vamos assistindo.
Mas continua actual, com novas entidades a co-responsabilizar, o manifesto aprovado há exactamente quatro anos, numa noite fria como a de hoje, pelas dezenas de pessoas que se reuniram junto ao Salão Central e em nome do Património da Humanidade e que aqui deixo: 

Moção



Hoje sexta-feira, 25 de Novembro - dia em que se assinala o 25º aniversário da classificação doCentro Histórico de Évora como Património Mundial - um grupo de cidadãos vai assinalar a data com uma concentração/vigília junto ao Salão Central Eborense, cuja degradação é o símbolo do pouco apreço que os poderes públicos têm manifestado pela cultura e pelos seus agentes na cidade de Évora e que hoje se traduz em dívidas relativas aos apoios acordados de parte do ano de 2009, ano de 2010 e já de 2011 aos agentes culturais, muitos deles com salários em atraso e colocando alguns grupos mesmo em risco de extinção.
De entre as várias actividades programadas para esta Assembleia de Rua, no Pátio do Salema, a partir das 18 horas constam pinturas, música, intervenções e a apresentação de uma moção, para ser debatida e aprovada, em que se exige:

1) Que a Câmara Municipal e as entidades oficiais (Ministério da Educação, da Cultura, etc.) tenham uma nova atenção para os agentes culturais locais, recorrendo a eles sempre que possível, e estimulando o seu trabalho a troco de compensações financeiras adequadas;
2) Que a Câmara Municipal cumpra as suas obrigações com os grupos e agentes culturais do concelho, comprometendo-se a pagar a tempo e horas os subsídios e apoios a que livremente se comprometeu e cujo não pagamento está a estrangular financeiramente muitas destas entidades;
3) Que, depois de várias promessas nunca concretizadas – desde a constituição da Évora Régis há dois anos, até a declarações posteriores do presidente de Câmara de que a obra iria avançar – seja encontrada disponibilidade financeira para a recuperação do Salão Central, um espaço único e imprescindível para a realização de espectáculos de alguma dimensão em Évora (a Arena não tem quaisquer condições para espectáculos de palco);
4) Que a Câmara e a Assembleia Municipal alterem a legislação local com vista a possibilitar e potenciar as actuações e performances de rua por parte de artistas locais e visitantes, uma vez que a actual legislação impõe regras que não se coadunam com práticas culturais espontâneas, tais como as que se assistem em qualquer centro histórico de variadíssimas cidades pela Europa e pelo mundo fora.
5) Que a Câmara Municipal de Évora cumpra a legislação em vigor e pressione os privados e instituições a recuperar os edifícios degradados do centro histórico.
6) Que já esta Primavera e Verão, a Câmara Municipal anime os espaços nobres da cidade com um Festival de Rua, juntando várias expressões artísticas, com base nos artistas e grupos locais que, de forma rotativa e segundo um calendário estabelecido, poderiam assegurar a animação de algumas das principais praças e largos de Évora, durante os meses de maior afluxo turístico, dando-lhes possibilidade de mostrarem o seu trabalho e de o rentabilizarem economicamente.


25/11/2011

CJ


Sobre a viabilização de um Centro Comercial às portas do Centro Histórico de Évora

Aproxima-se o fim do ano e, em breve, será discutido na Assembleia Municipal de Évora a intenção da Câmara Municipal de vender terrenos municipais situados às Portas de Avis para, desta forma, viabilizar a construção de uma Grande Superfície Comercial (vulgo Centro Comercial).
Apesar da Câmara não ter qualquer palavra sobre o licenciamento deste tipo de actividade, é ela que decide sobre a venda dos terrenos para esse fim e caso o faça estará a servir interesses privados e a comprometer, definitivamente, bens patrimoniais colectivos de enorme valor, o desenvolvimento sustentado da cidade e do seu comércio, contribuindo dessa forma para matar a vida no Centro Histórico de Évora, património da humanidade assim classificado pela Unesco há quase três décadas.
A instalação de centros comerciais, assentes no princípio da concentração, num único local, do comércio, sustentado em lojas de grandes cadeias e supermercados, decorrência da concentração financeira a que assistimos, é um modelo que tudo seca à volta, que descaracteriza e apaga a identidade das cidades e das suas populações, o que no caso de Évora constitui um verdadeiro atentado ao património e aos seus cidadãos.
O Bloco de Esquerda tem sido o único partido a manifestar-se contra a venda destes terrenos e a consequente viabilização de um centro comercial às portas do centro histórico. Considera o Bloco que:
- Não é sério sustentar a decisão da localização de um Centro Comercial às portas da Cidade em conclusões retiradas de um estudo feito em 2007, sobre a instalação de grandes superfícies comerciais em Évora, quando todas as circunstâncias e pressupostos se alteraram. Existem hoje várias grandes superfícies comerciais no Parque Industrial e à volta da cidade que à época não existiam, existe uma outra licença válida para um Centro Comercial no Parque Industrial, cuja construção se encontra a meio e que se encontra parada, e existem novos Centros Comerciais num raio de 100 km. É pena que a proposta para actualização deste estudo tenha sido chumabada na Assembleia.
- Não é sério, tão pouco, dizer que a Câmara Municipal não tem nem recursos nem competências para sequer influenciar a eventual intenção de construção de um Centro Comercial. O que está em causa é o facto de a Câmara se preparar para vender terrenos municipais para a construção de um centro comercial junto ao Centro Histórico classificado como Património da Humanidade.
Sem esses terrenos municipais não é possível instalar qualquer Centro Comercial junto às muralhas da Cidade. E é disso que, neste caso, se trata.
- Ademais, não só a Câmara Municipal tem assento na Comissão de Autorização Comercial e nesse sentido pode influenciar e influencia as decisões, como tem obrigação pugnar contra eventuais decisões que afectam negativamente o Município e os munícipes.
- A população e comerciantes presentes nas audições públicas promovidas pela Câmara Municipal não se mostraram favoráveis à venda dos terrenos municipais para instalação do Centro Comercial nas Portas de Avis.
Acresce que é consabido que a instalação de um centro comercial em terrenos municipais às Portas de Avis compromete definitivamente a adequada fixação da Zona Especial de Proteção, que, no caso de Évora, enquanto Património da Humanidade, é obrigatória e que continua, inexplicavelmente, por fixar.
O tema estará na ordem do dia, espero que o futuro do Centro Histórico não fique comprometido por uma decisão populista.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na rádiodiana)

Pro-Évora: hoje segundo debate sobre o Centro Comercial das Portas de Avis


A Câmara Municipal de Évora (CME) deu a conhecer a existência de investidores interessados em construir um centro comercial na cidade de Évora, situado junto às Portas de Avis.
O Grupo Pro-Évora (GPE) decidiu realizar um ciclo de conferências seguidas de debate sobre os problemas que a criação de um centro comercial envolve, convidando oradores conhecedores deste tipo de problemáticas. 
Próxima sessão: dia 25 de Novembro – António Melgão, Presidente da Associação Comercial do Distrito de Évora; Margarida Cancela de Abreu, Vice-Presidente da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas.
Terceira sessão: dia 2 de Dezembro.
Todas as conferências/debates terão início às 21 horas, na sede do Grupo, na Rua do Salvador, nº 1, em Évora.
A moderação dos debates será feita pela Presidente do GPE, Aurora Carapinha, arquitecta paisagista, professora da Universidade de Évora.
O GPE convida todos os interessados a participarem nesta iniciativa. 

UE: conferência universitária sobre tauromaquia


(conferência integrada nas Jornadas pedagógicas do departamento de Sociologia da Universidade de Évora)

14:45 | Saberes, discursos e críticas

Conferência plenária

"Tauromaquias: património, ou maldição? Abordagem crítica a uma controvérsia civilizacional“

Professor Doutor José Rodrigues dos Santos

Professor Associado com Agregação (Jubilado),Academia Militar, Lisboa
Investigador integrado, CIDEHUS, Universidade de Évora

terça-feira, 24 de novembro de 2015

"Que diremos da longa tenebrosa e perita/Degradação das coisas que a direita pratica?"


Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?

Que diremos do lixo do seu luxo — de seu
Viscoso gozo da nata da vida — que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?

Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso dos seus ócios?

Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?

Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?

(Sophia de Mello Breyner, "Nestes últimos tempos")

Segundo a SIC, Capoulas Santos é o ministro da Agricultura do novo governo do PS, apoiado pelo BE e pelo PCP


Segundo as informações que circulam nos meios de comunicação social, o alentejano Capoulas Santos, antigo líder do PS no distrito de Évora, actual deputado à Assembleia da República e membro da bancada PS na Assembleia Municipal de Évora irá ser, de novo, Ministro da Agricultura, cargo que ocupou entre 1998 e 2002. Norberto Patinho, antigo presidente da Câmara Muncipal de Portel, vai-lhe suceder no cargo de deputado à Assembleia da República.

Cargos no novo governo, segundo a SIC:

Ministro das Finanças - Mário Centeno
Ministro da Economia - Manuel Caldeira Cabral
Ministro dos Negócios Estrangeiros - Augusto Santos Silva
Ministro do Planeamento e Infraestruturas - Pedro Marques
Ministro da Presidência e da Modernização Administrativa - Maria Manuel Leitão Marques
Ministro da Segurança Social - Vieira da Silva
Ministro da Saúde - Adalberto Fernandes
Ministro da Educação - Tiago Brandão Rodrigues
Ministro da Inovação, Ciência e Ensino Superior - Manuel Heitor
Ministro da Agricultura - Capoulas Santos
Ministro do Mar e Pescas - Ana Paula Vitorino
Ministro da Justiça - Francisca Van Dunem
Ministro da Cultura - João Soares
Ministro da Defesa - Azeredo Lopes
Ministro da Administração Interna - Constança Urbano de Sousa
Ministro do Ambiente - João Matos Fernandes
Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares - Pedro Nuno Santos
Secretária de Estado Adjunta do Primeiro-ministro - Mariana Vieira da Silva
Secretária de Estado dos Assuntos Europeus - Margarida Marques

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Cavaco pede garantias a Costa para formar governo


A múmia paralítica pede uma explicação, ou um comprovativo, ou um compromisso, ou o raio que o parta, à maioria que resultou do voto nacional, e que se constituiu no parlamento.

Temos um presidente da republica que, das duas uma:

1
Ou ficou maluco de todo.

2
Ou é um canalha que está a dar um golpe fascista.

Já cá faltava o terrorismo fascista.

Anónimo

23 novembro, 2015 15:13

sábado, 21 de novembro de 2015

Évora: este sábado na "é neste país"


21 de Novembro de 2015, pelas 11:30

Com quantos pontos se conta um conto?

Neste País Há Bonecos

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Carlos Pinto Sá elogia José Ernesto Oliveira por ter trazido Embraer para Évora

foto da cerimónia de lançamento da primeira pedra da Embraer

O presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, reconheceu que o executivo anterior do PS tomou uma "excelente decisão" ao trazer para a cidade a construtora aeronáutica Embraer.
“Foi possível trazer, no mandato anterior, a Embraer para Évora. Foi uma excelente decisão. Eu gosto de salientar as coisas quando são bem feitas”, afirmou.
Em entrevista à DianaFM, o autarca realçou a aposta da câmara na criação do cluster da aeronáutica, espaço e defesa e revelou a possibilidade de instalação de mais duas empresas.
“Já temos mais duas empresas, mais pequenas, que já têm acordo com a câmara para se instalarem no Parque da Indústria Aeronáutica”, adiantou.
Em Évora, já funcionam as duas fábricas da Embraer, estão em fase de instalação as unidades da Mecachrome e da Air Olesa e a francesa Lauak já reservou um lote de 20 mil metros quadrados.
“Se se concretizarem as intenções de investimento, praticamente toda a área do parque estará esgotada, o que significa que vamos precisar mais área e estamos já a procurar mais área para expandir o parque”, disse.
A entrevista ao presidente da Câmara de Évora pode ser ouvida na íntegra aqui

Estreia hoje na Biblioteca Pública de Évora


Um projecto de Álvaro Côrte-Real, Rosário Gonzaga, Victor Zambujo (actores) e Luís Varela (guião e encenação)

Entrada livre (lotação limitada)
Reservas: 266 731 500

Partindo de um conjunto de documentos autênticos (entrevistas, depoimentos, discursos, textos programáticos de partidos políticos... mas também excertos de espectáculos em que participaram), uma actriz e dois actores propõem-se partilhar com uma pequena assembleia de espectadores as suas memórias de jovens artistas de teatro no Centro Cultural de Évora durante os anos da Reforma Agrária. Chamam para essa evocação Álvaro Cunhal, Dinis Miranda, Manuel Vicente, Rogério Arraiolos e tantos outros... mas também Luis Valdez, Brecht, Tankred Dorst.
Primeiro como alunos do grupo I da Escola de Formação Teatral, depois como actores permanentes da companhia, Álvaro Côrte-Real, Rosário Gonzaga e Victor Zambujo foram testemunhas dessa grande transformação social e política que se produziu no Alentejo logo depois da Revolução de Abril. A digressão permanente com espectáculos de pequeno formato pelas freguesias rurais do Alentejo confrontou-os mais do que uma vez com momentos cruciais da Reforma Agrária: ocupações, manifestações de rua (com alegres bandeiras vermelhas umas, com graves bandeiras negras outras), entregas de reservas, o assassinato de Casquinha e “Caravela”, conferências da Reforma Agrária. As dezenas de peças em que participaram nesse período foram muitas vezes catalisador de debates e de trocas de ideias sobre a relação do trabalho teatral e do trabalho cultural em geral, o seu trabalho, com a outra realidade vivida nos campos do Alentejo, a das UCP/Cooperativas.
Se se entender o público como um dos elementos estruturantes do fenómeno teatral, então o fim da Reforma Agrária foi também o fim do tempo de um certo modo de fazer teatro: houve um público da Reforma Agrária e houve um teatro na Reforma Agrária. Chamar ao palco vozes desse público, fazedores da História, e alguns momentos desse teatro de há quarenta anos é mais do que uma homenagem ou uma evocação: é a reafirmação do sentido do encontro do
Teatro com o Mundo.

Apoios: CME, União de Freguesias de Évora e BPE

A bruxa Teatro estreia hoje uma nova peça


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“A banha socialista”

A entrevista dada na segunda-feira pelo candidato a primeiro-ministro António Costa ao Canal 1, televisão do estado, reforçou a minha opinião sobre as motivações que o impelem para tomar o poder da forma como o tem feito. Não houve uma resposta dada que fosse clara e inequívoca, sobre as questões fundamentais das finanças públicas.
Às perguntas feitas se os cenários ditos macroeconómicos defendidos pelos economistas socialistas, permitem um aumento da despesa em virtude da reposição de salários dos funcionários públicos e das pensões, e, se são compagináveis com um abaixamento das taxas de alguns impostos. Respondeu de forma inconclusiva, mesmo evasiva. Em circunstância alguma se comprometeu com alguma medida que evite procedimentos por défices excessivos.
No que diz respeito ao termos dos acordos estabelecidos com os outros três partidos, manteve a argumentação absolutamente inacreditável de que o partido não vai governar como o programa dos outros partidos. Só resta saber se precisar do apoio parlamentar das outras forças que integram a coligação negativa, qual dos programas irá prevalecer. Se o do partido socialista, ou, o do comité central. Isto não faz sentido algum. De que estabilidade politica estamos a falar. As pessoas não são todas distraídas.
Espera-nos, por tudo isto, um futuro político indefinido e de grande imprevisibilidade económica. Por isso, não antevejo boas notícias para o emprego. Quer estejam empregados, quer estejam desempregados. E, tudo leva a crer que as contas públicas saiam da trajetória da consolidação, para passarem para valores muito preocupantes à semelhança do que sucedera em 2011. Ora, o abaixamento tão desejável da carga fiscal, não passará de uma verdadeira e grande miragem. Oxalá esteja eu equivocado.

José Policarpo (crónica na rádio Diana)

Raquel Varela hoje na Universidade de Évora (15H)



Ciclo do Pensamento Crítico


Professora Doutora Raquel Varela

da Universidade Nova de Lisboa

Conferência:  sociedade portuguesa hoje: um olhar crítico a partir das relações laborais
18 de novembro | 15:00h

Sala dos Docentes da Universidade de Évora

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A morte que nos separa

A chacina voltou ao lugar que lhe é estranho: a cidade contemporânea da civilização ocidental. E foi também isso, naturalmente, que consternou talvez mais de meio mundo. Não quero com isto dizer que haja outros lugares onde a chacina não seja condenável.
Ou outros tempos em que, por serem Passado, se tentam (e como tentam) que se perdoe. Quero hoje apenas sublinhar um facto que facilmente comprovo na minha condição de cidadã portuguesa, a viver na Europa, ligada por interesses próprios e profissionais a outras culturas tão ocidentais como a minha. É daqui o meu posto de vigia. É daqui que consigo sentir melhor os que estão em condições semelhantes à minha. Em Paris podia ter sido eu. Em Beirute, nem por isso. E a mão que matou foi a mesma, o que acontece é que não está nos meus planos, de momento, ter Beirute como destino.
Os que nasceram em civilizações que parecem ter no seu ADN um gene beligerante também têm direito a, um dia, um ano, um século destes, a fartar-se. Cansados da guerra que, como cidadãos comuns que ali nasceram, não conseguem interromper porque a guerra se institucionalizou. Porque ainda não houve força suficiente por parte de alguns que arrastam muitos para se mudar o rumo. Talvez porque os métodos são os mesmos e, naturalmente, se declarar guerra à guerra. Talvez. E partem para outros lugares, os mais próximos daquele que considero o meu lugar.
O sentido inverso também acontece. E há os que nasceram no mesmo cenário que eu e que partem para lá. Vão aprender a matar e a morrer em nome de algo que lhes é apresentado como maior do que o que tiveram à nascença. O que falha nisto tudo? O ser humano, bem entendido. E aqueles que tão seres humanos como os outros se disponibilizam e entregam a governar em nome dos outros. Solução difícil e não à-vista.
Se a dor da morte dos que estão mais perto de nós se imagina igual à dor dos outros mais longe o que falta é que o acesso a esse valor da Vida também se globalize. Como no campo do dinheiro e dos negócios, a Coca-Cola ou a Pepsi, a Nike ou a Adidas, a Apple ou a Microsoft. Palpita-me que seja o Amor, a resposta. Mas o Ódio anda-lhe tão próximo…
O Beatle John Lennon pediu-nos para imaginar, cantando a Esperança. O meu Autor, protagonista desta série de crónicas , escreveu-o assim com um pensamento que partilho (e que por vezes, tantas e demais, descamba para o pessimismo cínico):Imaginemos que toda a gente tinha a mesma política, religião, etc. Nem por isso se viveria mais em paz. Porque logo se descobririam diferenças naquilo que a todos unia. E paralelamente surgiriam as discordâncias, invejas e ódios subsequentes. Porque não é a ideologia que no fim de contas divide. A ideologia é apenas um bom pretexto. O que nos divide é a importância da nossa pessoa e o grupo extensivo a que nos recolhemos. O que nos divide é a individualidade que não tem misturas ou só as tem com quem prolongar a pessoa que somos. (Vergilio Ferreira)
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na rádio diana)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Não queremos ser manipulados


Abalados pelo choque do horror, pela pena e pela compaixão pelos mortos e feridos – podíamos ser nós, podia ser eu, podiam ser os nossos amigos próximos – assistimos ao cortejo habitual das vociferações, das gesticulações, das grandes ameaças no vazio.
Todos sentimos que as polícias têm que fazer o seu trabalho, que a justiça deve poder julgar os crimes. E é porque todos o sentimos que é tão fácil gesticular – enviar a tropa, milhares de soldados que nada sabem de terrorismo urbano, bombardear meia-dúzia de posições do Estado Islâmico (EI), decretar estados de emergência – cujo efeito é, como se costuma dizer “psicológico”. Ou seja, manipulatório, porque o que falta é agir de verdade e não manipular as nossas “psicologias”. Sabemos, pelo contrário, que coisas essenciais nos escapam: praticamente todos os terroristas que cometeram os últimos atentados em França (Merah em Toulouse, Coulibaly and Co. em Janeiro contra o charlie Hebdo, e agora os de Novembro), todos, dissemos, estavam referenciados como a) terroristas, b) formados nos campos do Médio Oriente e Afeganistão para matar, e c) capazes de agir em qualquer momento. Muitos deles com fichas “S” (especiais Segurança do Estado) bem preenchidas. Faziam parte dum “viveiro” letal, onde cada morto ou preso ou desaparecido é susbstituido por dois outros. No exterior, um país como a França expõe-se a estas represálias (que é o que são os atentados) pla sua actuação no Mali (intervenção contra as milícias islamistas do Sahel, o que parece correcto, mas para salvar um governo corrupto, um exército formado e armado pela França e pelos EUA, que fugiu perante os assaltantes ou se juntou a eles). Na República Centro-Africana, intervém para “separar” as milícias “cristãs” das milícias islamistas, melhor, para apoiar as primeiras contra as segundas. No Médio Oriente, combate na Síria (com uma moleza que denuncia a falta de visão estratégica) contra um Assad que apoiam as milícias Chiitas do Hezbollah libanês e os Chiitas do Irão, os quais combatem os Sunitas do EI na Síria e no Iraque. Neste país, a França apoia o “Governo Iraquiano” Chiita, contra o EI Sunita. Ao mesmo tempo, vende (de concerto com a Alemanha) o armamento mais sofisticado do momento à Jordânia (Sunita), e sobretudo, em volumes escandalosos, à Arábia Saudita, Sunita. Esta exporta um Sunismo extremista,Wahabita, e sustenta o EI (Sunita, wahabita), com financiamento e armas. O mesmo fazem o Quatar e os Emirados A.U., governados por Sunitas extremistas. Quando a Rússia intervém, bombardeia os rebeldes anti-Assad e poupa o EI.
O EI não está portanto sozinho e abandonado. A sua barbárie sem limites, exibida com a precisa intenção de horrorizar e amedrontar, decapitações, genocídio dos Yazidis, e atentados como os de Paris, é instrumental. Mas enquanto o horror se exibe, os negócios continuam, “as usual”. O EI apoderou-se de campos e de refinarias de petróleo que continuam a produzir. Avaliam-se os rendimentos retirados desse negócio em cerca de 500 milhões de dólares por ano. Estes fundos, a par com os que foram capturados nos cerca de trinta bancos de que o EI se apoderou nas zonas conquistadas, são movimentados com toda a normalidade: pagamentos e transferências internacionais a correr “as usual”. Não foram decretadas quaisquer sanções internacionais contra esses bancos, nem quaisquer controlos sobre esses fundos. Mas quem compra o petróleo do EI? Somos nós, ele circula nos depósitos dos carros europeus, depois de ter atravessado a Síria, entrado na Turquia em contrabando (milhões de barris de… contrabando), branqueado nessa nossa querida aliada da NATO que é a “democrática” se bem que islamo-conservadora … e sunita – a Turquia, e, dizem os especialistas do mercado dos petróleos, a preços equivalentes ao terço dos preços mundiais: é só benefício.
Assim, quando jornais, televisões, rádios nos “informam” que os aviões franceses bombardearam Raca, a “capital” do EI na Síria, onde largaram umas bombas em “retaliação” – uma “resposta vigorosa”, temos o direito de desconfiar do que nos estão a fazer: manipulação intolerável. Não queremos que se utilize a mnossa emoção para acentuar a degradação dos direitos cívicos, desde a liberdade de circulação e de associação, à liberdade de expressão, e à liberdade de consciência, que a propaganda insidiosamente destrói. Temos o dever de exigir responsabilidades aos governantes europeus: vendas de armas (milhares de milhões de euros) a ditaduras terroristas, cumplicidade comercial e financeira com os circuitos do EI, intervenções desastradas para salvar regimes corruptos, jogos com os amigos dos nossos inimigos e com os inimigos dos nossos amigos, sendo os inimigos verdadeiros e os amigos todos falsos, tudo isso e o resto explica, sem justificar, o ódio ao “Ocidente” por parte dos extremistas islâmicos. Quanto ao lugar e à influência específica do Islão enquanto ideologi religiosa e política em tudo isto, e ao seu lugar no Ocidente, são questões que, por serem tão complexas, terão que ficar para mais tarde.

José Rodrigues dos Santos 
Évora, 16 de Novembro de 2015.

Sentir

“Olhos que não vêem, coração que não sente”. Tantas vezes ouvi a minha mãe a repetir esta frase ao longo da minha vida, e tanto me tenho lembrado dela nestes últimos dias.
Graças à comunicação social portuguesa tivemos uma visão em directo e detalhada do ataque terrorista em Paris na passada sexta-feira. Todos nos emocionámos com as imagens e não é caso para menos. Sentimos perto o terror de centenas de inocentes, vimos vidas humanas a ser dizimadas injustamente. O terror bateu-nos à porta, os nossos olhos viram, o nosso coração sentiu.
Mas um coração pleno não se contenta com uma visão selectiva. Bem sei que é difícil abrir o coração e sentir dor todos os dias a olhar para as mortes inocentes na Síria, no Afeganistão, no Quénia, na Nigéria, na Líbia, no Iraque, mas sem esta dor não podemos ser verdadeiramente solidários, compreensivos e promovermos a paz.
Compreendo que a proximidade tenha levado a esta onda de solidariedade, mas a solidariedade é um valor demasiado nobre para ser exclusivo de uma raça, de uma etnia, de um continente ou nacionalidade.
Os atentados de sexta-feira permitiram-nos conhecer números exactos, foram contadas histórias sobre as vítimas mortais e sobreviventes, foram partilhadas fotografias com rostos. Ficam tantos outros números por apurar (desde logo, por exemplo, do ataque francês que ocorreu sobre a Síria no domingo), tantas outras histórias por contar, tantos rostos desconhecidos. Cidadãos e cidadãs deste nosso mundo, tão inocentes como quaisquer outros, cujas vidas têm tanta dignidade e importância como as nossas. Os nossos corações não podem deixar de sentir por não nos ser dada a visão clara.
A resposta ao extremismo não se encontra na raiva ou no preconceito fácil. A resposta ao extremismo não se encontra na pseudo segurança de muros e barreiras... Teremos mesmo de responder ao extremismo com políticas de justiça e solidariedade e saber perceber o que está em causa por trás de todos estes actos.
A cara do terrorismo é conhecida e amplamente divulgada, mas os cérebros destas acções deverão ser a fonte da nossa preocupação, investigação e denuncia.
A bandeira da França percorre o mundo, e tudo o que precisamos é que os valores que ela representam se espalhem: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. A resposta está nestes valores e que tão pouco ocidentais têm sido...
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)

domingo, 15 de novembro de 2015

Morreu Palminha da Silva




O investigador eborense Joaquim Palminha Silva faleceu esta manhã vítima de doença prolongada. O seu corpo encontra-se em câmara ardente na Igreja de São Tiago em Évora, onde será rezada missa amanhã às 15 horas.
Em sua homenagem recorde-se um trabalho que a TSF com ele realizou em 2011 onde Joaquim Palminha Silva falava sobre Fialho de Almeida (http://www.tsf.pt/…/aos-domingos-com-fialho-joaquim-palminh…), uma nota biográfica redigida pelo site “A viagem dos argonautas” (http://aviagemdosargonautas.net/apresentacao-do-argonauta-…/) e a sua última Carta de Évora – Fragmentos, ali publicada a 26 de Setembro, intitulada “Sobre o Amor” (http://aviagemdosargonautas.net/…/carta-de-evora-fragmento…/).

Maria Luisa Silva (aqui)

Palminha da Silva foi também colaborador dedicado do "acincotons" onde publicou várias dezenas de textos. O último foi uma série sobre o José do Telhado (http://www.cincotons.com/2015/09/viva-o-jose-do-telhado-vii.html). À familía enlutada os nossos mais sentidos pêsames.

A França que amo - a da Liberdade, Igualdade, Fraternidade - está em perigo.


Luto pelas vítimas, compaixão pelas famílias e amigos dos mortos e dos feridos. E ansiedade quanto ao que aí vem. Gostaríamos de poder acreditar que a população francesa em geral, e a população de origem europeia em particular seja capaz de evitar a generalização: por causa dos extremistas Árabes e Muçulmanos, uma minoria, castigar todas as comunidades árabo-islâmicas. Agravar a discriminação no quotidiano; agravar a pressão policial "au faciès", ou seja, pelo aspecto físico das pessoas; agravar a hostilidade surda e dar uma espécie de justificação "moral" aos ataques físicos contra essas comunidades, contra as pessoas; justificar os atropelos aos direitos fundamentais em nome da luta contra os fundamentalismos; agravar irremediavelmente o fosso entre europeus e magrebinos. Impedir a inserção pacífica dos Muçulmanos em nome da "segurança": proibir-lhes lugares de culto, mesquitas... se bem que sejam cidadãos franceses... A histeria da extrema-direita, à beira de eleições, ganha ainda mais força: a França que amo, - a da Liberdade, Igualdade, Fraternidade - está em perigo. JRdS

José Rodrigues dos Santos

14 novembro, 2015 09:40

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O normal funcionamento das instituições

A 10 de Novembro, uma maioria de deputados com assento na Assembleia da República rejeitou o programa do governo empossado pelo Presidente da República e os partidos que representam assinaram um conjunto de acordos bilaterais que permitem ao PS constituir Governo.
A coligação de direita falou de golpe e de usurpação de poder, ameaçou com o caos, abriu o livro das desgraças e rogou pragas ao futuro.
Para quem andou, desde sempre, a afirmar que as eleições legislativas tinham como fim eleger uma assembleia plural de deputados e não um governo ou um primeiro-ministro, como plasmado na Constituição, teve no passado dia 10 o reconhecimento prático de um facto sempre sonegado por aqueles que defendiam a existência de um arco que excluía uma parte significativa dos portugueses representados.
A 10 de Novembro quebrou-se um tabu. Afinal é possível que, forças políticas com diferenças programáticas significativas, acordem entre si um programa mínimo que permita suportar um governo comprometido em parar a barbárie e devolver ao povo a esperança de um outro caminho.
Todos sabemos que tal possibilidade resulta de uma conjugação de factores que até este momento não se tinham verificado e “obrigaram” os actores políticos a esta decisão histórica.
Todos, os que nos reclamamos de esquerda, depositamos uma enorme esperança neste caminho, mesmo sabendo que está no início, que as curvas são apertadas, que a solução encontrada terá que governar com a oposição feroz da maioria dos infestam a comunicação social e que a intriga política irá apostar no aprofundar das legítimas diferenças entre os partidos que suportam a solução encontrada.
Os tempos que se aproximam serão muito exigentes e exigirão de quem procura uma ruptura com o caminho da austeridade, o discernimento que apenas a inteligência pode suportar e a coragem que a apenas as firmes convicções podem garantir.
A esta data não sabemos ainda o que irá decidir o actual Presidente da República e tendo em conta o que se conhece do personagem todas as cautelas serão poucas, embora a sua margem de manobra tenha ficado muito reduzida e provavelmente não lhe restará outra opção que indigitar o secretário-geral do PS como primeiro-ministro.
Se acontecer o que desejamos, vamos precisar em Belém de alguém que seja um garante do cumprimento da Constituição e não um chefe de seita que monte uma guerra de guerrilha contra o governo e a maioria que garante o seu funcionamento, e é neste contexto que a batalha das presidenciais assume um carácter decisivo.
São muitas batalhas em simultâneo, sempre foram, mas o capital de esperança que se viu reforçado a 10 de Novembro irá seguramente municiar os que todos os dias lutam contra as inevitabilidades e os caminhos únicos.
Que ninguém se atreva a desistir. Os nossos filhos não nos perdoariam.
Até para a semana

Eduardo Luciano (crónica na radiodiana)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Será isto democrático?!?

Sou militante do Partido Social Democrata, acredito na ideologia social democrata para o governo do meu país e para os destinos das pessoas.
No personalismo, na capacidade individual de cada um escolher o seu próprio caminho, na igualdade de oportunidades, numa economia de mercado livre, na solidariedade social. E, num Estado cujas funções estejam ligadas à regulação, à fiscalização e à proteção dos excluídos. São, portanto, estas premissas e fundamentos da Democracia ocidental.
Acredito em eleições livres. Acredito em quem é vencedor, deva governar.
Aquilo que hoje pudemos assistir no parlamento português, revelou-se absolutamente preocupante e enquadrador da natureza e intenção daqueles que agora estão preparados para assumir o destino do nosso país. Para os substancialmente democratas, o caminho que António Costa e os seus novos aliados, encontraram para poderem aceder ao poder é ao arrepio de tudo o que até agora conhecíamos. Os perdedores das eleições do passado dia 4 de outubro querem governar o país. Formalmente podem-no fazer. Resta, porém, saber se a maioria dos portugueses está de acordo com esta nova realidade.
A coligação negativa que hoje rejeitou o programa do governo, legitimamente, empossado não tem a legitimidade de fundo para o ter feito, mas tem a legitimidade formal. Contudo, para que serve só ter a legitimidade formal política, se substancialmente, como julgo ser a realidade, não tem a concordância da maioria dos portugueses?! O futuro e não daqui a muito tempo, encarregar-se-á de clarificar a confusão lançada na vida pública por estas pessoas. Para mim, são todos responsáveis, os líderes dos partidos que a constituem, como, os respectivos órgãos que ratificaram o “assalto” ao poder.
Por último, repudiar veemente e totalmente a autorização que determinou a utilização dos autocarros de algumas câmaras municipais para o transporte de pessoas para participarem na manifestação organizada pela CGTP no dia de ontem junto ao parlamento. O direito à manifestação está constitucionalmente consagrado. Todavia, qual é o fundamento legal, que, as Câmara de Évora e de Montemor, invocam para justificarem as respetivas decisões? Porventura, os munícipes destas cidades gostariam de ser devidamente esclarecidos. Ou estarei eu enganado?! É que a transparência é um direito que o cidadão deve ter…

José Policarpo (crónica na rádio diana)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A grande confusão entre dinheiro público e interesses partidários


Aí está um debate importante a fazer: para que servem os dinheiros públicos?
A Câmara de Montemor-o-Novo decidiu "desviar" para a concentração da CGTP hoje em Lisboa de apoio à demissão do Governo alguns dos seus meios de transporte, a exemplo do que tem feito em situações anteriores (seja em manifestações e concentrações partidárias em Évora ou em Lisboa) e do mesmo modo que acontece em muitas outras Câmaras, sobretudo as afectas à CDU (Arraiolos, Vila Viçosa, Évora, Cuba...), onde se manifesta sempre esta enorme confusão entre o que são os interesses públicos e os partidários. Só que este "desvio" tem custos, para além dos de combustível e motorista: desta vez os afectados não são apenas os bolsos dos contribuintes, mas também os alunos habitualmente transportados em viaturas municipais ou das Juntas de Freguesia. Em causa (informa a Câmara) estará também o "fornecimento de refeições e os prolongamentos de horários nos estabelecimento de ensino do concelho", segundo mensagem enviada pela autarquia ao Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo.
Segundo esta nota:
"Para vosso conhecimento, passo a destacar mensagem enviada pela Autarquia, relativamente ao dia de amanhã, 10!11/2015, terça-feira.
Na sequência da Concentração agendada para o próximo dia 10 de novembro de 2015 (terça-feira) vimos por este meio informar que a partir das 11h30 poderá não ser garantida a realização do transporte escolar, para os alunos transportados pelas viaturas municipais e pelas viaturas das Juntas de Freguesia. Igualmente poderá não ser garantido o fornecimento de refeições e os prolongamentos de horário nos estabelecimento de ensino do concelho".
Por muito que se queira ver o actual governo no olho da rua, este "desvio" de viaturas autárquicas para uma manifestação de cariz partidário, pondo em causa o serviço prestado aos estudantes do concelho, é, no mínimo, uma vergonha. Como também seria, aliás, se fossem utilizados para transportar manifestantes para a concentração que, no mesmo local, está a acontecer de apoio ao governo do PSD/CDS.

Esquerda, Direita, Volver

O ambiente político anda no mínimo interessante em Portugal. Há uma espécie de comemoração de acontecimentos de há pouco mais de uma geração atrás, com alguns protagonistas que não sendo propriamente novos não poderão, à exceção talvez de Jerónimo de Sousa, argumentar, como há 40 anos, estarem ainda a sentir na pele o quase meio-século de um regime totalitário fascista.
De facto, os principais atores políticos do momento queixar-se-ão ou dos últimos austeros 4, ou dos democráticos 40 em que não estiveram no governo. Aparentemente, o que resultou das eleições de 4 de outubro poderia dar oportunidade a partidos que nunca estiveram no poder central para exercer ministérios e assumir essa outra responsabilidade na Política que é governar. Parece que assim não será e, num remix inédito, muito se discutiu, acordou, concordou para se manter a alternância que tantos dos que a permitem agora vilipendiaram.
Parece também que este governo de um partido, que alguns considerariam há 4 anos atrás tão de direita como o que será derrubado no Parlamento, volveu à esquerda. Se não o fez já ou fará logo que empossado, terá então de inaugurar-se em Portugal todo um novo léxico para designar os lugares ideológicos. É que ficam, os mais distraídos destes assuntos e que é bom de ver serão a maioria dos Portugueses, um pouco baralhados e com falta de uma mediana como termo de referência. A alguém servirá, num futuro que me atrevo a palpitar não muito distante, esta mudança para parte incerta dos jeitosos conceitos da esquerda e da direita no mundo dos Partidos.
O “meu” autor que viveu com 60 anos o 25 de abril teve à época alguns dissabores por não se ter querido encaixar militando em partidos que, pasme-se, detinham efetivamente por aqueles anos o monopólio da edição de livros e da instituição cultural que é a crítica literária. Talvez por isso, num dos seus últimos livros que intitulou Pensar, ouvimos Vergílio Ferreira a refletir sobre estes lugares medidos a partir de um eixo que nos querem fazer imaginar, dizendo: Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio de se ser político, estão sempre a afirmar que são de esquerda, não vá a gente esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso. Mas dito isso, não é preciso ter de explicar de que sítio são os actos que a necessidade política os vai obrigando a praticar. Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso. O que importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que dá a realidade às coisas. E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser de esquerda ou de direita? Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio político funciona à mesma com os cheques sem cobertura.
Ser-se de esquerda ou de direita não é o mesmo que se ser canhoto ou destro. Nem mesmo já numa época em que não se contraria esse jeito de segurar as coisas com as mãos. Mais do que nunca, e apesar da dificuldade que é definir outros nomes abstratos mas que nos tocam o dia-a-dia, é preciso saber-se como se atua não à direita, nem à esquerda, mas norteados pelo sentido de justiça, com coragem, sabedoria e moderação. Soa a virtudes cardinais a uma distância platónica? Pois soa, mas ninguém disse que era fácil.
Até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Crónica de 09 de novembro

Será apresentado hoje e amanhã o programa de governo PSD/CDS. Felizmente, e ao que parece, assistiremos à discussão do programa da futura oposição. E ainda bem que assim é...
Portugal e os portugueses não aguentam mais austeridade e mais transferências pornográficas da força de trabalho para o capital. PSD e CDS gostariam de continuar a atacar trabalhadores, pensionistas e desempregados, mas a democracia pregou-lhes uma partida.
As eleições permitiram que uma nova maioria surgisse. Uma maioria que soube interpretar a vontade dos portugueses e com muita responsabilidade, e percebendo a situação de emergência que o país vive, soube dialogar e criar consensos, abandonando posições sectárias e colocando os interesses das pessoas em primeiro lugar.
PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes estiveram à altura do desafio, pelo que não posso deixar de elogiar a atitude de todos os intervenientes no processo de construção de uma alternativa política. Não foi fácil, e os próximos tempos não o serão com toda a certeza, mas este pedaço de história já ninguém nos tira.
Quanto ao meu partido, o orgulho não podia ser maior. Sim, teria sido tão fácil e traria resultados partidários tão imediatos ter ficado à margem da solução. Teria sido tão fácil obrigar o PS a viabilizar um governo de direita e tentar em seguida retirar dividendos dessa acção. Mas cada um dos activistas do Bloco disse a cada cidadão na campanha que o voto no Bloco faria a diferença. Cada um de nós disse que o Bloco nunca vira a cara a acordos de esquerda, que se empenha no estabelecimento de pontes. Cá estamos, a cumprir o que foi prometido. Não, não haverá um governo do Bloco de Esquerda. Não temos, ainda, essa legitimidade democrática. Não, não será feita a “luta toda”, mas mostramos recusar ficar na margem confortável e sectária da luta.
Sabemos que estamos prestes a ter em Portugal um governo com apoio maioritário da casa da democracia, que procurará defender salários e pensões, devolver o que foi roubado e inverter o ciclo de empobrecimento.
Tivemos ontem conhecimento das mais de 50 medidas acordadas entre os 4 partidos. Tantas delas tão importantes para o Estado Social, para os trabalhadores, para os precários, para os pensionistas, para os desempregados. Seria, mesmo, imperdoável deixar de contribuir para a mudança.
A pressão sobre este acordo político será grande, mas a força da esperança é enorme, e que medo têm os abutres da esperança. Gosto de ver o medo a mudar de lado.
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na radio diana)