quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A encruzilhada financeira da Câmara Municipal de Évora

Escrevo esta crónica no dia em que é dado à estampa o anuário financeiro dos municípios portugueses. Para além dos aspectos positivos relevados neste trabalho, sobretudo, de que as dívidas dos municípios, em geral, têm vindo a baixar.
Sucede, porém, que, trinta dos municípios portugueses, precisam de ajuda financeira para poderem continuar a cumprir com as suas obrigações. Sem esta ajuda não conseguirão cumprir com as atribuições e as competências que lhes estão afetas. Isto porque não têm o dinheiro suficiente para pagarem os vencimentos dos trabalhadores, aos fornecedores e aos bancos. Gastam, portanto, entre duas a três vezes mais do que aquilo que conseguem obter em receita arrecadada.
Acontece porém, que, os habitantes de Évora não devem estar descansados. Diria mesmo que a preocupação deverá ser o seu estado de ânimo geral. A Câmara Municipal de Évora encontra-se no grupo dos municípios que necessita de uma intervenção financeira e a isso está obrigada nos termos da Lei. E, esta situação surge porque a Câmara de Évora, pelo menos, nos três últimos exercícios financeiros, gastou duas vezes mais do que a receita conseguida.
Com efeito, faço a seguinte e singela pergunta. O que sucederia na vida da maioria dos portugueses, se ganhassem 10, e, se gastassem quase 25. Nem preciso de obter a resposta. Todavia, foi esta a gestão levada a cabo pelo município de Évora, em 2012, 2013 e 2014.
Por isso, tenho fundadas e sérias dúvidas de que o saneamento financeiro possa solucionar o problema financeiro da Câmara de Évora, sendo este estrutural. Para tanto, teria a despesa de comportar-se adequadamente face à receita executada. Significa isto que, se nada for feito através de reformas estruturais levadas a cabo no lado da despesa, apenas seria contrair dívida para pagar dívida. E, para aquilo que, efetivamente, as Câmara Municipais foram pensadas e concebidas, que é tratar e cuidar da qualidade de vida dos seus munícipes, isso, dificilmente será conseguido
E, no caso da cidade de Évora, preocupadamente, os exemplos não são poucos. Veja-se a limpeza e o estado das nossas ruas e das travessas. Veja-se o estado degrado de uma parte considerável do edificado e do casario do centro histórico. Veja-se a qualidade da iluminação da nossa cidade. E, não ficaria por aqui na enumeração dos casos.
Por último. Referir que não tenho por hábito fazer comentários a frases que considero menos conseguidas ou totalmente desprovidas de qualquer sentido, mas na qualidade de alentejano e Eborense não posso, nem devo deixar de repudiar a frase inserta na crónica publicada pelo Eurodeputado Carlos Zorrinho no diário do sul, na parte que afirma que o PS é o partido dos Alentejanos. Talvez o cronista ignore, mas só um eleitor em cada três votou no partido socialista, pelo menos no distrito de Évora. O Alentejo não tem partido. Precisam, no entanto, os alentejanos é de terem voz e de quem os saiba valorizar, quer seja no contexto nacional, quer seja e sobretudo no contexto internacional.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

7 comentários:

  1. Gastou no que?Não temos circulares parques desportivos económicos etc...é urgente uma auditoria os últimos 10 anos,onde as contas divida dispararam de forma pornográfica!

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  2. O descaramento desta gente não tem limites.
    Fazem o mal e a caramunha.

    Quando foi para gastar o nosso dinheiro desbragadamente, em apoio do desgoverno e da irresponsabilidade do Dr. Ernesto, o PSD votava a favor ou abstinha-se, que era o mesmo que votar a favor.
    Agora que passaram a câmara endividada até às orelhas, anda para aqui a pregar moralidade.

    Já agora este cronista, especialista na omissão da verdade, devia nomear quais os municípios mais endividados, a começar pelo de Gaia. Sen está tão preocupado com o interesse publico, devia começar por esclarecer-nos quais as forças políticas que mais deixam as autarquias falidas.

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    1. Não incomodem muito este cronista; é bom que o PSD/CDS o mantenha aqui, pois que ele é tão fraquinho que ninguém o leva a sério...
      JC

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  3. O que o psd tinha haver com Ernesto?Assembleia municipal liderarada por Capoulas Santos e outras cores politicas deviam ter feito isso,ignoraram,todos mamaram na teta municipal.Pinto de Sá entrou e não teve tomates para pedir uma auditoria externa,comprometido com rabos de palha,agora a meio do mandato fala em saneamento finaceiro?Não me lixe!Espero que a justiça acorde e que leve esta esquerda festeira e corrupta a tribunal.

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  4. Contrair um empréstimo 32 milhões para pagar divida a credores relacionadas com festas não é normal!Autarquia de Évora esta um pântano!

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  5. E assim se começa a ver a incompetência da CDU na gestão DA Câmara, dos anos de mandato à gastar mais do que recebem, também com um Presidente que não manda nada, é só retórica, e um diretor financeiro sociólogo o que se pode esperar?

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  6. Ai se o Carlos Pinto de Sá mandasse alguma coisa. Mas não manda nada e está rodeado de incmpetentes. O Abílio, velha raposa, já está em campo.

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