segunda-feira, 3 de agosto de 2015

No tempo da «Maria da Fonte»

Joaquim Palminha Silva







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            Derrotada a revolta popular, após a intervenção militar estrangeira, são renovados os ingredientes dos impostos a tentarem disfarçar a dívida externa (a mesma de sempre!), tal como os excrementos dos animais “criam” moscas, os alpinistas do Poder, os espalha-brasas, os fala-barato e os prestidigitadores (quem não sabe trapaceia?) começaram a subir na vida à custa do maior número de portugueses… por atalhos aldrabados!
            Foi este tempo que inspirou a sátira de Almeida Garrett contra a nobiliarquia nova, com a composição paradigmática: «Foge, cão, / Que te fazem barão. / Mas para onde, / Se me fazem visconde?». Foi esta a época que inspirou a Camilo Castelo Branco os romances, novelas e contos sobre ricaços obtusos, que ía espalmando em páginas de caricato, de troça, ao mesmo tempo que nos revela a índole de toda esta gente: Os Mistérios de Lisboa (1854), Romance dum Homem Rico (1861), A Queda dum Anjo (1866), Memórias do Cárcere (1862), Os Brilhantes do Brasileiro (1869), Maria da Fonte (1884) …
            Foi, pois, no contexto de vitória das forças conservadoras, que o Dr. Manuel Pedro Henriques de Carvalho, ex-cirurgião da Escola Médica de Lisboa, cristão convicto, sobretudo democrata muito para além do comum, talvez pioneiro do que poderíamos chamar a utopia dos Evangelhos, resolveu vir a público com um folheto para lembrar o que a muitos havia esquecido. Para lembrar pensamentos como o que segue, na ortografia de 1846, para que se possa “saborear”, de alguma forma, a surpresa que deve ter sido no seu tempo:
            «Em todas as cidades, mesmo nas villas, tem-se construído theatros, passeios públicos; mas esquecendo melhorar as fontes, os hospitais, as prisões, os asylos de caridade, e muitos outros estabelecimentos de utilidade publica. Nunca se falou tanto em ser livre, como hoje; mas em época nenhuma se pozerão em prática tantas baixezas e servilismo, a fim der se obter um emprego, uma distincção, um título.».


            O folheto do ex-cirurgião alçava-se de reprovação contra as carapuças do liberalismo (conservador), contra os agentes da “nova” agiotagem capitalista e, por tal razão, tinha por título «A EPOCA, ou A Illusão e o Engano destruídos…». Uma das suas “teimas” era a denúncia da injusta afronta feitas aos vencidos da Maria da Fonte. Entre outras conclusões, dizia o médico panfletário: «Fica pois demonstrada a existência de uma aristocracia formidável da posse da riqueza material, no materialismo dominante, ou olygarchia compacta, começando nos que tem muito, e rematando nos que possuem menos. Os que não tem riqueza ficam excluídos das garantias politicas, reduzidos á mais completa nulidade, e desprezo dos outros.».
            Súbito, num tom desassombrado, o folheto concluí: «Quando conhecerão os que dispõem da sorte da maioria dos cidadãos, que a humanidade he collectiva, que fracciona-la ou dividi-la he infringir as leis da sua fortuna, assim como as condições da boa ordem e da boa paz, da fraternidade e da concórdia?».
            O ex-cirurgião, cristão e, talvez, efectivo libertário “antes de tempo”, ao publicar este folheto (finais de 1846) num contexto de vitória do conservadorismo monárquico, pode considerar-se um personagem exemplar, na estreita galeria das figuras portuguesas de coragem cívica!
            Actual a diversos títulos, o texto do panfleto (1) só nos prova, entre outras coisas, que a História não é tem conteúdo progressivo, pois muitas vezes é repetitiva, absurda, ocasional…

(1) – Este folheto, pode ser consultado (suponho!) na Biblioteca Pública de Évora. Existe também um exemplar no Centro de Documentação da C.M.E., integrado no espólio bibliográfico que o autor destas linhas doou à própria Câmara Municipal.


Hino da Maria da Fonte
(tal qual apareceu em 1846)


33 comentários:

  1. VERGONHA

    União Europeia vai reccorrer a segurança e meios Privados,para REPREMIR os Refugiados.

    É esta a Europa de Angel,Hollande,Rajoy,Passos e Portas.

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  2. Os Muros da Vergonha estão de volta........Hungria,França,Inglaterra...........

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  3. ... México, Palestina...

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  4. A atenção do Pingo-Doce e Lidl.

    Não Sujem a Cidade,por Favor coloquem a publicidade dentro da caixa do correio,penduradas na caixa vai para o chão.

    O Centro Histórico e os Bairros está Cheio de Lixo do Pingo-Doce e Lidl.

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  5. A culpa é da cãmara e da ASAE,entidades responsáveis pela Saúde e higiene.

    O Pingo-Doce e o Lidl consporcam as ruas com publicidade por falta de fiscalização.

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    1. E de quem é a culpa pelas asneiras que escreves?

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  6. Alguns porcos consporcam.
    Mas a maioria conspurca.

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  7. Um homem de 26 anos foi detido, na sexta-feira à noite, em Évora, por tráfico de droga, tendo a GNR apreendido haxixe
    Segundo a Guarda, o indivíduo foi detido, durante uma operação de fiscalização rodoviária, na posse de cerca de oito gramas de haxixe, quantidade superior à permitida por lei para consumo.
    Na sequência de outras diligências, a GNR apreendeu ainda 700 gramas de haxixe, correspondentes a cerca de 1.400 doses, uma balança de precisão, cerca de 7.000 euros em notas e um veículo ligeiro de passageiros.
    O homem foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva.
    Com a GNR não brincam as tendas nem a droga nem as danças , levam logo no pelo, deviam entregar a cidade a esta força de autoridade o fim do ano estava limpa de drogas tendas e outros crimes.

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  8. Grécia e a crise dos Migrantes,são dois exemplos que demonstram a Inutilidade desta União Europeia.

    Esta é a Europa dos mercados,das Mafias,da corrupção.

    Os partidos ditos democratas-cristãos e sociais-democratas(ou socialistas),não passam de organizações ao serviço desta união ,Urge refundar a Esquerda Social-Democrata /Socialista,mas isso não passa pelos actuais partidos(incluindo o PS).

    Uma Nova Esquerda,Solidária,Fraterna e Anti-austeridade.

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    1. Uma nova esquerda: Os estarolas

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  9. Apelo a Federação Regional do Partido Socialista do Alentejo.

    Em caso de vitória nas eleições o PS deve mandar fazer uma rigorosa auditoria a ARS,por todas as negociatas cometidas nos ultimos 4 anos,nomeadamente a privatização do Hospital de Serpa.

    Será tempo de acabar de vez com os "robalos" que Destruiram o SNS no Alentejo.

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  10. Militantes e apoiantes do Partido Socialista na ARS executaram e apoiaram as medidas deste governo,em caso de vitória estes rapazes vão continuar na ARS?

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  11. Esta é a nossa justiça. 8 gramas ficou em prisão preventiva, podia ir para casa com polícia à porta. Juízes e Procuradoria que confiança de imparcialidade nos merece ZERO. Ainda outro dia vi um advogado, nos Estados Unidos das amplas liberdades discursar que um juíz condena mais facilmente um inocente pobre, do que culpabiliza um rico culpado. Este mundo é uma enorme pocilga

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  12. Perder a democracia em nome das boas maneiras?
    JOSÉ VÍTOR MALHEIROS 04/08/2015 - 05:06
    Preocupar-se com a veracidade dos factos é "ter uma agenda". "Ter a agenda" do governo não é ter uma agenda, é citar fontes institucionais.
    O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho dá uma entrevista e, ostentando o olhar mais cândido que consegue, mente sobre uma questão fundamental - os dados do desemprego - para tentar convencer os portugueses de que as coisas estão no bom caminho, de que a economia está a recuperar, de que a austeridade funcionou e de que o seu governo merece ser reeleito em Outubro.

    O irrevogável vice-primeiro-ministro Paulo Portas repete a mesma mentira em todos os púlpitos da pré-campanha que encontra pela frente, mas com um dedo esticado de autoridade e a voz pausada que Portas sabe que se podem fazer passar por gravitas e com os fatos de bom corte que Portas sabe que se podem fazer passar por seriedade.

    Escândalo, porque os chefes do governo mentem? Escândalo porque não se trata apenas de uma declaração que não corresponde à realidade, mas de uma operação de manipulação da opinião pública, com estágios inventados para fingir que milhares de pessoas não estão no desemprego, com milhares de desempregados transformados em não-pessoas para os apagar das listas do desemprego, com os emigrantes varridos para debaixo do tapete? Sim, um pequenino escândalo. Vinte vozes indignadas. Os partidos da oposição, uns quantos investigadores não suspeitos de simpatia pelo governo, umas organizações de esquerda, uns blogs que salvam a honra do convento, um ou outro artigo nos media. Passos Coelho calou-se, envergonhado? Portas desculpou-se? O PSD vem embaraçado corrigir os dados com o argumento de que um súbito golpe de vento baralhou as notas do seu líder? Um frisson no meio político? Não. A mentira será repetida tantas vezes quantas câmaras e quantos microfones forem apontados a Passos Coelho e Portas. A oposição cansa-se. Afinal, já todos sabem que os membros do governo são uns aldrabões, para quê insistir? Os telespectadores não reparam, a mentira fica. Parece que o desemprego está a diminuir. Talvez eu afinal tenha emprego e ainda não tenha dado por isso. Não iam mentir na TV pois não? O governo não ia mentir, ia?

    O FMI diz que, a este ritmo, só daqui a vinte anos a emprego atingirá os níveis de 2008? Que vamos precisar de 27 anos para ficarmos de novo na casa da partida? O saltitante Mota Soares explicará, sem pudor, que não se pode dar demasiada importância ao FMI porque está farto de se enganar. O mesmo FMI cuja receita de austeridade o governo seguiu com a obediência de um poodle amestrado, jurando que as suas mezinhas eram bafejadas pelo Espírito Santo? Sim. Mas ninguém perguntou isso ao ministro ou, se perguntou, não apareceu nas televisões, que é o mesmo que não perguntar.

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  13. Continuação

    A mentira tornou-se não uma parte integrante do discurso político (sempre o foi), mas o cerne do discurso do poder. Todo o discurso do poder é uma mentira porque se articula em torno de mentiras nunca denunciadas pelo que são. Nunca ninguém dirá em público a Passos Coelho ou a Portas, como alguém disse a Joseph McCarthy, "Será que você não tem um mínimo de decência?" E nunca ninguém o dirá porque a força capturou a política. O medo capturou a dignidade.

    Achamos que é falta de educação dizer a alguém que mentiu mesmo quando essa pessoa mente descaradamente e há milhões que sofrem por isso. E os jornalistas vivem no pavor de ser considerados "parciais", de "ter uma agenda". Não tem importância mostrar Passos Coelho três vezes num telejornal a debitar propaganda, mais dois ministros e dois secretários de Estado, como numa típica ditadura sul-americana (para usar o cliché). Isso não é parcialidade. Preocupar-se com a veracidade dos factos é "ter uma agenda". "Ter a agenda" do governo não é ter uma agenda, é citar fontes institucionais. Denunciar falsidades no discurso do poder passou a ser considerado militância de esquerda. Pode fazer-se às vezes, uma vez. Mas não se pode fazer de cada vez que uma mentira sai da boca de Passos Coelho. Seria impensável, inaceitável, uma perseguição. Por isso, a propaganda ganha sempre. Por isso a democracia perde sempre.

    O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, foi responsável pelo maior esquema de fuga ao fisco na história da Europa, roubando milhares de milhões de euros aos contribuintes europeus? O presidente do EuroGrupo, Jeroen Dijsselbloem, inclui no seu CV um mestrado inexistente que apagou quando foi descoberto? O FMI sofre de esquizofrenia financeira, impondo à força aos países medidas que condena nos seus documentos internos? Que importa. Pode falar-se nisso uma vez nos jornais, mas insistir seria falta de educação, "ter uma agenda". Dizemo-nos indignados mas não queremos ser considerados indelicados.

    Rimbaud perdia a vida por delicadeza. Estaremos dispostos a perder a democracia em nome das boas maneiras?

    jvmalheiros@gmail.com

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  14. A cãmara está a proceder a lavagem dos contentores e zona envolvente do centro Histórico.

    Se não for feita uma campanha junto dos empresários da restauração dentro de poucas semanas a zona dos contentores volta a estar envolta em porcaria,é preciso sensibilizar os responsaveis que o transporte dos lixos não é arrastando os sacos pelas calçadas.

    O mesmo se passa com as esplanadas, muitas envoltas em lixo por falta de Civismo de quem as frequenta e de Brio Profissional dos proprietários.

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  15. No meu tempo1 kg de arroz custava 10 tostoes...
    É por isso que a esquerda perde sempre em portugal. Andam 100 anos atrasados no tempo. Ou melhor: pararam na revolucao bolchevique da Russia.

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    1. No meu tempo 1 kg de arroz custava menos de 10 tostoes... Mas passava-se uma fome de cão.
      Grande parte dos dias nem 10 tostoes havia para comprar um Kg de arroz. O dinheiro e a boa comida estava por conta dos fascistas e latifundiários.

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  16. @15:32
    Ficaste parado no tempo, pá.
    Tens as ideias cheias de teias de aranha.
    Continuas com medo dos comunistas, os tais que "comem criancinhas ao pequeno almoço" como dizem os fascistas.
    Deita fora esse lixo, abre os olhos, olha a realidade:
    Quem te rouba há 30 anos e em todas as oportunidades, é o alterne da direita, PS/PSD/CDS.

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    1. Medo nenhum. É uma questão de liberdade de escolha. Se os comunistas chegassem eu pulava fora e barco, levantava o pouco guito que tenho e metia- me a milhas. Comunismo é coisa que nao me apetece fazer ou tentar.

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    2. @06:47
      Tens razão pá.
      Os criminosos sócretinos, deviam ser metidos na cadeia.
      Os só cretinos deviam por-se a milhas.
      Uma questão de "liberdade de escolha" dos que estão fartos de ser roubados.

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  17. A cassete comunoide devora-vos a mente

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  18. 6:47,meu caro continuas com a cassete:Fátima.......Futebol.........Fado........sopa dos pobres............caridadezinha........................

    Ès o Zè ninguém pensas que tens Liberdade de escolha,pura ilusão..................


    Não passas de um escravo do sistema.................Acorda.........

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    1. Obrigado por me dares razão pá. Se o comunismo nao me interessa , pirava me daqui pra fora no dia seguinte. Sei trabalhar em qualquer oarte do mundo e foi o maldito estado social do capitalismo que me deu formação e que permite a minha liberdade internacional. Nao tenho duvida nenhuma: morte ao comunismo. Lisboa pelos olhos a dentro, areia pros olhos e propaganda é com os irmaos castro, maduro e a tralha comunoide do parlamento português

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    2. Deixa mas é de fumsar merda. Acorda mas é tu e trabalha

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  19. O candidato a ministro das finanças num governo PS,deixou hoje bem claro.

    Vão cumprir as regras de Bruxelas/Berlim,na prática vão seguir a politica de empobrecimento,privatizações,aumento da idade de reforma,trabalho precário...........

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    1. Prefiro esta pobreza do a da venezuela comunista

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    2. Cada cretino tem as suas preferências...

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    3. Morte ao comunismo e ao fascismo

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  20. um comunista é um fascista sem dinheiro, segundo a equação:
    comunista = fascista - €'s
    se existir um aumento abrupto da fracção €'s, eles transformam-se e desaparecem do circulo social anterior (ver carlos carvalhas + herança das tias)

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    1. Um vintém é um vintém e um cretino é um cretino!...
      As ideias de um cretino não valem um vintém.

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    2. Aumento abrupto de €, da comunismo negativo: elites especiais que dominam o povo cego que os segue

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  21. ah bom, estava a ver que os olheiros do comité central não estavam alerta no mês de agosto!!

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