domingo, 2 de agosto de 2015

No tempo da «Maria da Fonte»

Joaquim Palminha da silva
1

            Corria o ano de 1846… A revolução da Maria da Fonte acabara de rasgar o País, de norte a sul, em partidos de facínoras, que todavia não abafavam os gritos de protesto popular contra os impostos que, a pretexto de “modernizarem” Portugal, o ministro da rainha D. Maria II, Costa Cabral, havia lançado.
           Nessa época, a luta política era violenta, e desconcertante…
            O ano de 1846 começou mal: - Maus resultados agrícolas, agravados pela praga que atacou a batata, seguida de intensa seca, de que resultou aumento do preço dos cereais e dos produtos de primeira necessidade, baixa dos salários camponeses, crise geral de subsistência… O mal-estar social que fermentava…
            Em Abril, despoletaram-se espontaneamente motins populares em Vieira do Minho (Fonte Arcada), contra as novas leis tributárias e de saúde pública, proibindo os enterramentos no piso das igrejas e nos terrenos circunvizinhos. – O facto é que não se havia prevenido a existência de cemitérios públicos, pelos que os mortos passavam a ser sepultados em terrenos abandonados, devassados pelos animais…
            Os motins engrossam, e transformaram-se em revolução popular! – A Revolução da Maria da Fonte!

Estátua evocativa da Maria da Fonte, em jardim público de Lisboa.

            A 6 de Outubro estava tudo consumado… A partir de Madrid, o ditador Costa Cabral, que havia sido destituído, organiza com o acordo da rainha um golpe de Estado… De 8 de Outubro até Junho de 1847, a sublevação popular, desta vez com algumas figuras da nobreza liberal a tutelarem e comandarem os populares, insurgem-se contra o golpe de Estado, o movimento é então denominado de Patuleia, termo que significava “pata ao léu”, isto é, “pé descalço”! – As estrofes do Hino da Maria da Fonte eram entoadas com ardor pelas hostes populares: «Fugi, déspotas! Fugi, / Vós algozes da Nação! / Livre a Pátria vos repulsa! / Terminou a escravidão, / …». Entretanto, do seio do movimento popular, saía um personagem romântico, justiceiro por conta própria, o José do Telhado


Ataque e cerco da cidade de Évora (que havia aderindo à Patuleia) pelas forças cabralistas, fiéis à rainha, em Março de 1847, segundo estampa existente no Arquivo Histórico e Militar (Lisboa).

            Completamente aterrorizado com a Patuleia que, entretanto, começava a tomar algumas cores republicanas, para por fim às juntas revolucionárias que se formam em muitas cidades do País (Évora fui uma destas cidades!), o Governo não olha a meios e, de todos eles, socorre-se do mais abjecto: - Ao abrigo dos acordos da Quádrupla Aliança (espécie de “frente” monárquica conservadora europeia) solicita a intervenção militar estrangeira em território português, que envolveu a Espanha, a Inglaterra e a França, decidindo-se assim a vitória da Monarquia e do Poder ditatorial de D.Maria II e seus ministros.


                                                                                                                                                        (continua)


4 comentários:

  1. Esses nossos antepassados eram corajoso, hoje os jovens nem todos claro, fazem musculação para assaltar idosos e roubar-lhes as reformas. Falo de grupos ligados a segurança nocturnos claro. Para lutar contra os poderes corruptos são uns cobardes.
    Não são politizados, só lêem a bola o jogo e o record, fazem tatuagens conspurcam o corpo todo, chego a ter vergonha desta gente, são autênticos tótos

    ResponderEliminar
  2. Jovem agredido pelos ciganos acabou por falecer quinta feira em Évora , os avisos tinha sido dados ignoraram esta ai o resultado , pode ser que abram os olhos para o abuso destes sobre os outros!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O facto é que ninguem falou disso e a esquerda de merda considera esses assuntos como tabu.

      Eliminar
  3. Èvora não tem Policia,apenas multam.

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.