sexta-feira, 14 de agosto de 2015

«Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia…»

          
Joaquim Palminha Silva











  «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia…»



      Gaspar Frutuoso, na sua obra Saudades da Terra (último quartel do séc. XVI), escreveu que a Província do Alentejo é a mãe do bom pão. Sabemos que a cultura do trigo, cereal por excelência produtor do pão nas terras do sul, requer grande extensão de terreno, sendo por isso o Alentejo o seu campo natural desde tempos recuados, centrando-se os principais centros produtores há pouco mais de meio século, em Beja, Elvas, Estremoz, Évora e Portalegre.


            Cultura extensiva durante muitos séculos em toda a área que abrange o actual Distrito de Évora, o percurso “mítico” do pão está ainda hoje, apesar de tanta idiotia ”turística” de importação, está bastante enraizado em vários e multifacetados aspectos da Cultura nacional e, de forma extrema e clara, nos fundamentos específicos do que podermos chamar, simplificando, traços sui generis da cultura alentejana.
            Do tradicional «cante», aos objectos de uso decorativo ou utilitário, do rifoneiro popular à prática da religiosidade cristã, o trigo e o pão fazem parte da policroma galeria de símbolos e figuras que na memória colectiva têm uma acção directa e permanente. Évora, isto é, o seu actual Distrito, teve um papel importante na produção cerealífera alentejana, de quem já Duarte Nunes de Lião (in Descrição de Portugal, cap. 34º, 1610) dizia ser o «celeiro do grande povo de Lisboa».



            Mercê do esgotamento das terras, de um redimensionamento da agricultura nacional, com origem nos imperativos dos grandes grupos económicos que lideram as estruturas políticas da União Europeia, do gradual (e talvez propositado) despovoamento do Alentejo, bem como de uma sucessiva direcção governativa que, por vezes, roçou o descarado abandono da região transtagana, a que acresce séculos de prática dum regime de propriedade (latifúndio), o “caminho” do trigo e do pão na região sul é hoje apenas referência histórica e antropológica de um saudoso passado cultural.
            As gerações mais novas pouco ou nada sabem do trigo e seus vários processos de transformação que levam ao fabrico do pão e, por inelutável influência, à formação de uma acção social específica, alimentando formas de luta de classes e implicações culturais com hierarquias distintas do contexto nacional. De resto, a Universidade de Évora nunca foi capaz de iniciar, no âmbito dos mestrados, cursos que fossem efectivos embriões de estudos consequentes e continuados. Tudo o que se consegue apurar da produção desta Academia, são umas minguadas “teses” de mestrado (mais parecidas com péssimas reportagens de jornal, escritas num português de arrepiar…) que, em boa verdade, não nos “oferecem “tese” alguma!
            Não me parece que exista, portanto, organizada e materializada, uma memória do conjunto de “saberes” milenares que envolvem a produção do pão, deste da espiga sobre a terra arável até ao pão sobre mesa. Escola de vida e de arte, de luta social, incluindo “concepções” do destino humano (religiosas e profanas), a História retrospectiva do pão alentejano está por contar! *
            Como conseguir este objectivo? Como conseguir por em prática uma solução que nos garanta a possibilidade de testar capacidades, recursos, meios técnicos e humanos sobre a História do Pão? – Fundando de raiz, e com criteriosa eficácia científica, o Museu do Pão!
            A memória histórica dos povos tem consequências inevitáveis: - As gerações dos novos que participam perante o futuro da responsabilidade dos poderes públicos, desde que o queiram, tem sempre força e meios para defender a Cultura nacional, como dever patriótico, quando esta anda esquecida ou é marginalizada.
            Porém, se o Alentejo, e com ele a cidade de Évora, não têm memória história do seu ancestral pão (nem consideram grave que tal não seja objecto de estudo sério), então nada nos garante no futuro… «o nosso pão de cada dia»!
            Alerto, pois, as instituições e os especialistas (recolhidos em Universidades ou não) para que salvem da dolorosa e horrível morte lenta parte importante da memória transtagana, fundando um digno e atraente Museu do Pão!
           
*Há paradoxos eloquentes, que dizem muito sobre a mentalidade dos dirigentes alentejanos, políticos e outros. Um organismo público de turismo, em conivência com um presidente de Câmara, encerraram um esboço de museu do artesanato, para em seu lugar abrir um absurdo “museu” do “designer” industrial… Um colecionador privado de relógios encontrou um espaço público disponível, de forma a exibir a sua colecção a que, pretensiosamente, chama “museu do relógio”! Absurdos acontecidos em Évora na última década…


Campos nas vizinhanças de Montemor-o-Novo, lavrando a terra (anos 50 do séc. XX).

9 comentários:

  1. Um artigo imbuído do já conhecido espírito comuno-fascista anti-União Europeia.
    Os tontos (não conhecem estatísticas, não querem conhecer e têm ódio a quem as conhece) insistem na mentira de que a União Europeia "desmantelou" agricultura e pescas, quando nunca como em 2015 a agricultura produziu tanto e com uma taxa de cobertura tão grande da balança alimentar.

    Aqui como no Facebook descarregam-se as frustrações dos fracassos pessoais, sendo que a culpa nunca é dos que fizeram as asneiras, mas do Governo, da União Europeia ou da Senhora Merkel.

    Por que razão fascistas e comunistas são contra a UE?

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    1. Porque razão um cretino usa uma argumentação tonta e estafúrdia?

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  2. @12:12
    Dizes bem: o país está melhor, mas os portugueses estão pior.

    O Hitler era a favor da União Europeia.
    E meteu mãos à obra.
    Arrasou a Europa, a industria, a produção; a maior mortandade de que há memória; chacinou 30 milhões, só entre Polacos e Russos, sem contar com o resto das vítimas em todo o mundo.
    Os alemães nunca pagaram nem hão de pagar os prejuízos que causaram aos europeus, nomeadamente aos gregos.

    Temos uma União Europeia, anti democrática, comandada pelos banqueiros, inimiga dos povos Europeus e da humanidade.
    É essa União Europeia, inimiga da Europa, que tomou o poder e se instalou em Bruxelas.
    Foi essa União Europeia que nos levou à falência, e nos arrasta para a guerra.
    É contra essa União, desumana, antidemocrática, exploradora, esclavagista, fora da lei, que a esquerda tem que lutar.

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  3. A terra Alentejana pode desenrascar o cultivo do cereal de sequeiro mas nunca será excelente e eficiente para o seu cultivo. O fato é que a universidade de Évora ou o politecnico de Beja, passados 40 anos de democracia se interessaram verdadeiramente por este tema investigando quiçá sub espécies mais adequadas a secas prolongadas.

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  4. Nos anos 50 usavam burros em Portugal...no início do séc 20 os tratores ja tinham invadido a Inglaterra, Alemanha ou Franca. Questoes ligada à inteligencia e Espírito de iniciativa e invenção, explicam muita coisa.

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  5. Isto é que é um artigo como deve ser.
    14.8.15
    11:45 (JPP)
    PARA QUEM AINDA NÃO PERCEBEU NO QUE ESTÁ METIDO
    Há uma parte da oposição a este Governo e à coligação que ainda não percebeu no que está metida. Nessa parte avulta o PS, que acha que isto é um filme para 6 anos, ou, vá lá, 12 e está num filme para adultos, ou como se dizia antes, "para adultos com sérias reservas". Não, não é o Bambi, é o Exorcista ou o Saw.

    Tenho um bom lugar de observação da linha da frente no combate político com a actual "situação". Sei disso porque há muito tempo que conheço o vale-tudo, de artigos caluniosos a comentários encomendados em massa, até ao célebre cartaz anónimo, que não se sabe quem fez, nem quem pagou. Mas a mensagem é clara: não o ouçam porque é um radical violento. Tenho um processo instaurado pela "massa falida da Tecnoforma". Não digo "tenho sido vítima", porque não sou vítima coisa nenhuma, estou onde quero e faço o que entendo dever fazer. Se chovem paus e pedras, são para mim como elogios.

    Mas vejo as coisas porque percebo do que, do lado da coligação, se é capaz de fazer quando se lhes toca nos interesses vitais, e estas eleições tocam em demasiadas coisas vitais para não serem travadas com todas as armas, e algumas são bem feias de se ver. Agressivos de um lado, frouxos do outro.

    E vejo os exércitos juntarem-se, com armas e bagagens, muito ódio social, porque é um combate social e político que se vai travar e o ódio mobiliza as hostes, e muita agressividade. Do outro lado, salamaleques, um medo pânico de falar de "mudança", a quase total ausência de críticas ao Governo, o emaranhar-se em explicações e desculpas. Sempre na defensiva, sempre ao lado, sempre a perder.

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  6. Continuação
    Há uma parte da oposição a este Governo e à coligação que ainda não percebeu no que está metida. Nessa parte avulta o PS, que acha que isto é um filme para 6 anos, ou, vá lá, 12 e está num filme para adultos, ou como se dizia antes, "para adultos com sérias reservas". Não, não é o Bambi, é o Exorcista ou o Saw.

    Tenho um bom lugar de observação da linha da frente no combate político com a actual "situação". Sei disso porque há muito tempo que conheço o vale-tudo, de artigos caluniosos a comentários encomendados em massa, até ao célebre cartaz anónimo, que não se sabe quem fez, nem quem pagou. Mas a mensagem é clara: não o ouçam porque é um radical violento. Tenho um processo instaurado pela "massa falida da Tecnoforma". Não digo "tenho sido vítima", porque não sou vítima coisa nenhuma, estou onde quero e faço o que entendo dever fazer. Se chovem paus e pedras, são para mim como elogios.

    Mas vejo as coisas porque percebo do que, do lado da coligação, se é capaz de fazer quando se lhes toca nos interesses vitais, e estas eleições tocam em demasiadas coisas vitais para não serem travadas com todas as armas, e algumas são bem feias de se ver. Agressivos de um lado, frouxos do outro.

    E vejo os exércitos juntarem-se, com armas e bagagens, muito ódio social, porque é um combate social e político que se vai travar e o ódio mobiliza as hostes, e muita agressividade. Do outro lado, salamaleques, um medo pânico de falar de "mudança", a quase total ausência de críticas ao Governo, o emaranhar-se em explicações e desculpas. Sempre na defensiva, sempre ao lado, sempre a perder.

    Uma parte da oposição prefere objectivamente que tudo continue na mesma para manter o bastião da identidade, outra passa o tempo em actividades burocráticas e escolásticas, para o interior das suas contínuas divisões, enquanto o "maior partido da oposição" se entretém a mendigar "confiança" certamente porque não consegue lidar com os rabos de palha que vieram de 2011.

    O caso do PS é parecido com aqueles generais franceses de luvas de pelica a almoçar foie gras e champanhe, bem longe da frente, num castelo qualquer, com todo o tempo do mundo, enquanto os seus poilus morriam que nem tordos, ou fugiam para a retaguarda misturando-se com os civis, dependendo de que guerra se tratava. O modo como está o PS é devastador para toda a oposição, afecta as candidaturas presidenciais, permite o ascenso de candidaturas patrocinadas no seio do PS pela coligação, tem o duplo efeito de esmorecer e radicalizar, ambos processos de isolamento que abrem caminho para a assertividade e o espírito ofensivo da coligação.

    A propaganda da coligação, assente num castelo de cartas que ruirá ao mais pequeno vento, como aliás o ex-amigo próximo, o FMI, diz, não é desmontada com clareza e frontalidade, porque os compromissos nacionais e europeus do PS são demasiados. A maioria muito expressiva dos portugueses que recusam este Governo, um dado sempre constante nas sondagens, não encontra no sistema político uma resposta. E, mesmo que existissem novos partidos que dessem corpo a esse descontentamento, a maioria dos partidos representados no parlamento, não quer competição e encarrega-se de os calar na comunicação social, com a colaboração da comunicação social.

    Por seu lado, os portugueses que sofreram, sofrem e sofrerão a crise estão cada vez mais invisíveis. Não desapareceram, o seu sofrimento social aumenta com a passagem do tempo, mas não conseguem ultrapassar o ecrã do "sucesso" que 10 mil ministros e secretários de Estado fazem todos os dias. Num dia são as mulheres, noutro dia são as crianças, no terceiro dia são os velhinhos. É só caridade e bondade a rodos. Com a cumplicidade acrítica de muitos que na comunicação social andaram a louvar as virtudes do "ajustamento" e por isso selam o seu destino também com o destino da coligação. O PS, por sua vez, como andou estes anos todos a fugir da contestação social, continua a preferir os salões

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  7. Para escrever m.........como o comentário acima é preferível ir á casa de banho e lmpar o c....... aos dedos

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  8. A pães bons outros maus esta fornada de políticos da esquerda a direita nem para fazerem o lume do forno servem!

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