segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Viva o José do Telhado! (III)

Joaquim Palminha Silva












III

Com alguns assaltos efectuados de forma desusada o Poder tomou conhecimento da aventura do chefe bandoleiro e, precisamente pelo perigo que a sua acção social representava, “levantou-lhe um processo”…
            A mulher, ao conhecer-lhe a actividade e a sua perigosidade, quis suicidar-se e ele “chorou” a sua sorte, dizem que então jurou tornar-se “honrado”. Como muitos outros pequenos agricultores arruinados pela política agrária liberal, seguiu o caminho da emigração, na mira de angariar pecúlio que lhe evitasse a brutal proletarização. Embarcou para o Brasil numa dessas miseráveis embarcações de acrga que, ao mesmo tempo, para obter máximo lucro, fingiam ser navios de passageiros, amontoando pessoas na coberta da proa como gado. O veleiro (barca?) que levou José do Telhado à América do Sul chamou-se Oliveira.
            Supõe-se que vagueou pelo continente sul-americano, “sem eira nem beira”, em demanda de situação vantajosa… A sua estadia no Brasil é ignorada pelos biógrafos, o seu registo escasso. Por fim, retornou a Portugal, desalentado, mais desgraçado. Terá então verificado quanto lhe era difícil uma saída de subsistência económica digna, com os administradores políticos da Comarca saídos do partido vencedor, partidários da Rainha e seu ministro ditador (Costa Cabral), que não se cansavam de perseguir nele o antigo combatente patuleia, o soldado valente da Revolução da Maria da Fonte… Experimentador dorido de insolvências e hipotecas, ganhou ódio aos enriquecidos proprietários, aos situacionistas do regime, aos politiqueiros locais, engordados à sombra de um liberalismo de circunstância e compadrio.

Embarcação de transporte de emigrantes, 2ª metade do século XIX.

Surge então, por forças das circunstâncias, o José do Telhado de que a “sociedade” do Poder Político e do Capital de fresca aquisição, na sua prática tradicional da injustiça social, acabara de forjar. Porém, no seio da população rural empobrecida e sem protecção, o personagem, segundo quer o mito mil vezes repetido e retocado, foi intitulado de «repartidor público» e não salteador das serras e dos caminhos. Estamos, pois, face a um “ladrão” à Shiller, “filósofo” da acção directa, precursor dos vingadores da «Mão Negra» …
Assaltou os ricos lavradores do Marão e suas cercanias, fartou-se de dinheiro e, ao topar no seu caminho pobres jornaleiros ou lavradores a beira da ruína, como ele já o fora, deu-lhes moedas de oiro para os aliviar, e estes aceitavam a oferta de bom grado e sobejamente agradecidos ao “salvador” de ocasião. Roubou juntas de bois aos ricos e levou-as aos casais de pobres lavradores que delas necessitavam. De uma vez pagou as custas do baptismo ao filho de uma pobre mulher, que o avarento do Pároco exigia, para tornar o inocente alma cristã!
No terreno da revolta social, José do Telhado tornou-se rebelde singular, sem projecto político, é verdade, mas um efectivo justiceiro dos caminhos, com traços de personagem romântico a pedir um romance ou, já no século XX, peça de teatro, e um filme que, apesar da veracidade histórica ter sido distorcida por razões que se percebem muito bem, chegou a ter algum êxito.

                  
 Filme de 1945, com Vergílio Teixeira e Adelina Campos.


                                                                                                           (continua)

Viva o José do Telhado (I)
Viva o José do Telhado (II)

domingo, 30 de agosto de 2015

A comunicação social não está interessada no esclarecimento das pessoas


A situação actual na comunicação social (CS), começa a dar ares de algo surreal, controlada toda ou pelo menos a grande maioria por pessoas ligadas às instâncias do poder instituído, tudo fazem para que as eleições legislativas se tornem em algo sem qualquer interesse. Para eles, CS, o esclarecimento das pessoas não tem qualquer interesse, antes pelo contrário, interessa que tudo continue na mesma, e que as pessoas continuem adormecidas, para esta CS o que interessa são as eleições presidenciais, ele é a candidatura da Maria de Belém, ele é candidatura do Marcelo, ou mesmo a não candidatura de Santana Lopes (como se isso tivesse algum interesse para o país), que só à sua custa já deu mais tempo de antena que a dada ao PS, para não dizer mais do dobro do PCP ou do BE.
Porquê este desinteresse? Certamente porque o que interessa não é relembrar as politicas que nos foram impostas pelos dois partidos que se encontram no governo hà quatro anos e que todos os dias nos vêm dizer que afinal estamos muito melhor do que há quatro anos, quando todos nós sabemos que tal não corresponde à verdade.
(Até tem o descaramento de nos vir dizer o aumento da cobrança de impostos não tem a ver com o aumento dos mesmos, como se não tivessem aumentado o IVA, o IRS, para além de terem criado uma sobretaxa, coisa nunca vista nos 40 anos de democracia). 
O que eu gostaria é a que CS desse a palavra aos portugueses e deixasse de nos hipnotizar com fait divers, das presidenciais e outras questões como sejam o (in)rigor da justiça, dessem menos noticias sobre as “universidades” dos futuros boys em que cada orador é pior do que outro, ou seja numa universidade a sério deve-se ser objectivo e não demagógico.
Basta de tanto desinformar, vamos lá a ver se no próximo mês que falta para a realização das eleições começam, a ser mais sérios e a preocupar-se menos com as presidências e mais com aquilo que nos interessa, e que passa por se saber quais são ideias que cada um dos candidatos a primeiro-ministro tem para os próximos quatro anos de governação, como seja por exemplo quais as suas politicas de impostos, de saúde, de emprego, que pretendem para o nosso país em termos de investimento, de divida pública, de crescimento etc, etc.
Até porque para as presidenciais ainda vamos ter muito tempo para discutir as mesmas. Sejam sérios e objectivos e deixem de apoiar determinadas tendências ideológicas, pois para isso já existem os respectivos meios de propaganda politica que cada uma das forças concorrentes tem a sua disposição.

A impunidade da EMEL


Eu, Constantino Piçarra, ontem, dia 28/8/2015, vi o meu automóvel bloqueado e multado pela EMEL (96,00€), em Lisboa, por falta de pagamento de estacionamento quando dentro do veículo, de forma bem visível, se encontrava o talão do parquímetro mostrando que o estacionamento estava pago. Chamada por mim a PSP ao local, a fim de pôr fim a este arbítrio da EMEL, os agentes da força policial referem que nada podem fazer. A EMEL pode fazer tudo. Confrontado, no mesmo dia, um jurista de apoio à administração da EMEL com esta situação e com o talão do pagamento do estacionamento, ainda me acusa de desonesto, insinuando que o dito talão deveria ter sido tirado por outra pessoa, reportando-se, assim a outro automóvel.
A EMEL é impune? Pode abusar do poder e as forças policiais têm que ficar de braços cruzados assistindo à ilegalidade? Que se passa para que isto aconteça? A explicação está nos objectivos que a empresa tem de alcançar traduzidos numa determinada quantidade de dinheiro que mensalmente têm de entrar nos seus cofres? Quem zela pelos direitos dos cidadãos?

Constantino
(recebido por email)

sábado, 29 de agosto de 2015

Évora: os "placards" ambulantes...


Parece que na Praça do Geraldo não há nada a fazer perante a permanência fixa de ''placards'' ambulantes, estoicamente agarrados ao candeeiro fronteiro ao Banco de Portugal. São eternos ! Estão lá há décadas, como muito bem sabem os eborenses. Devem constar de milhares de fotos turísticas por esse mundo fora...
Na Praça Joaquim António de Aguiar deparei no dia 29 de Agosto com este, ali deitado, retardado, esquecido e fora de prazo. O encontro nele mencionado foi há mais de um mês. Será esquecimento ou passará o jardim das Canas a ser o novo depósito de 'placards' ambulantes?
Cumprimentos

LB (por email)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Évora: hoje e amanhã no "Cenas ao Sul"


Hoje, às 22 horas, adaptação teatral do "Sermão de Quarta-feira de cinzas" do Padre António Vieira.
Com Álvaro Velez e Álvaro Corte Real
Uma iniciativa da Sociedade Recreativa e Dramática Eborense
Org.: Câmara Municipal de Évora | União de Freguesias de Évora, União de Freguesias de Bacelo e Sra. da Saúde, União de Freguesias de Malagueira e Horta das Figueiras
Nota: Espetáculo integrado festival Cenas ao Sul.

Achado Arqueológico & insensibilidade humana (Tribunal do Santo Ofício de Évora)

Joaquim Palminha Silva
Um “achado arqueológico” acontecido em Évora nos anos 2007 e 2008 (?), durante escavações em propriedade da Fundação Eugénio de Almeida (FEA) situada na “acrópole” da cidade, depois estudado em pormenor no ano de 2013, só agora (Agosto de 2015!) veio a conhecimento público, aparentemente através de artigo na revista da especialidade em língua inglesa, Journal of Anthropological Archaeology, com a “assinatura” de três investigadores portugueses do «Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra», que contaram com a colaboração do Departamento de Biologia da Universidade de Évora.
O dito “achado” é constituído pelos restos mortais de 12 adultos, lançados na lixeira do extinto palácio da Inquisição de Évora, hoje Fórum da Fundação Eugénio de Almeida. Segundo os investigadores, trata-se das ossadas de pessoas de origem judaica, referentes aos anos de 1568 a 1634, que nem sequer foram “julgadas” pelo então Tribunal do Santo Ofício. A estes restos mortais somam-se perto de mil ossadas de mais de 16 pessoas.
A existência da prisão por simples denúncia, seguida de torturas físicas, sofrimentos incalculáveis e morte em fogueira ateada em espaço público na cidade, no período compreendido entre 1542 e 1781, de inúmeras vítimas da intolerância religiosa levada a cabo pelo Tribunal do Santo Ofício de Évora, bem como a eventual existência de soterrados restos mortais destes desgraçados penitentes, não são um “assunto” privado de uns quantos investigadores, provavelmente em busca de percursos curriculares, nem tão pouco uma questão que apenas diz respeito à FEA, seus imóveis e espaços a céu aberto. Os restos mortais destes seres humanos, onde quer que sejam encontrados, são “propriedade” da História de Évora e, tragicamente, da História de Portugal!
O espírito cristão e humanista em que fui educado, a minha formação cívica e democrática, bem como a opinião pública avisada que ainda deve existir em Évora (laica ou religiosa), obrigam-me a colocar as questões que a seguir se expõem.
 1) - Nesta ordem de ideias, e partindo do princípio de que as escavações arqueológicas em espaço privado da FEA, só devem ter sido possíveis com o consentimento da prestigiada instituição, não se percebe porque existiu um silêncio de cerca de sete anos sobre o “achado”? Que se pretendeu acautelar?
2) – Os investigadores de Coimbra entendem que, publicações da sua especialidade e cientificamente fiáveis, só as estrangeiras, isto é, as anglo-saxónicas, pois as nacionais parecem-lhes talvez patuscas, sonolentas, incapazes de servir as grandes relevações arqueológicas de que o seu talento é capaz?
3) – Naturalmente acompanhado por uma discrição inusitada da FEA, a que se fica a dever também o silêncio conivente sobre o “achado” arqueológico, por parte da Universidade de Évora?
4) – A que tipo de ignorância cultural e humanista se fica a dever o silêncio e, portanto, a ausência de opinião da Câmara Municipal de Évora (CME), instituição do poder local democrático, sobre este macabro “achado”? Sobretudo, no que se refere ao respeito e dignidade que devemos aos restos mortais de pessoas que foram vítimas da intolerância anti-cristã da Inquisição de Évora? Que tipo de desmemória é esta, precisamente quando a CME é gerida por membros de um partido político que, historicamente, conheceu as perseguições, a prisão, a tortura física e a morte, apenas por ter opinião política contrária ao regime da ditadura salazarista?
Que haverá de indiscutíveis novidades históricas,que não sejam já conhecidas, a sacar aos restos mortais dos “justiçados” da Inquisição de Évora que, pela documentação existente e o resultado de várias investigações já publicadas (entre as quais sublinho a do Prof. António Borges Coelho)?
Para que submeter a novos «tratos de polé» os restos mortais de pessoas martirizadas há uns quantos séculos? Não têm elas o direito de descansar em paz?
Porquê? – Porque eram supostamente judeus e, por isso, a “ciência” histórica deve ignorar o humaníssimo respeito pelos mortos, capitulando face às exigências da arqueologia, da antropologia e não sei mais quantas habilidades académicas? - Mas os nazis alemães não justificaram de diferente maneira as suas experiências “científicas”, sobre os martirizados judeus nos campos de concentração!
Não pode a CME garantir o abrigo e repouso dos restos mortais destes eborenses e alentejanos, avós dos nossos avós, em talhão próprio no cemitério municipal, requisitando para isso as ossadas à FEA?
No passado, a existência das comunidades judaicas entre nós, deram ocasião à nobreza, a parte numerosa de eclesiásticos e à ignara populaça de Évora para acender uma fogueira por semana na Praça Grande, após espoliar os bens dos queimados… Hoje, os restos mortais dos mártires da Inquisição, servem para arredondar currículos e municiar noticiários…
Não creio que a FEA aceite este horrível e escusado estado de coisas materialista, por isso apelo para a sua originária inspiração cristã e humanista, crente de que se mais “ninguém” reservar espaço condigno para o «descanso em paz» destas ossadas, a Fundação o fará com a dignidade exigida!

Planta (nível térreo) do Tribunal do Santo Ofício de Évora, levantada pelo arquitecto Mateus do Couto, em 1636.

Pendão do Tribunal do Santo Ofício de Évora (séc. XVII), dado como existente no Museu de Évora, segundo a revista Cidade de Évora, nº47, de 1964.

A coligação alargada?

Foto arquivo/Nuno Veiga - Lusa

Pois é. Tudo isto agora quase dá vontade de rir. O Portas que tanto lutou para que a Embraer fosse para Alverca (onde estava o pólo aeronáutico, no dizer dele, das OGMA,) de braço dado com Pinto Sá, cujo partido nem se fez representar na inauguração da Embraer e de que o PCP eborense disse cobras e lagartos (só por ter sido feito no tempo do PS)....
José Ernesto Oliveira, sempre tão caluniado e a quem se deve a vinda da Embraer para Évora (lembram-se dos terrenos comprados pela Câmara e postos à disposição da empresa, como último argumento para ela se fixar na cidade?...) terá pelo menos sido convidado para estar na apresentação deste novo investimento para a região ou só a coligação alargada PSD/CDS/PCP esteve representada?

Anónimo


Este tipo de conversa de Pinto de Sá, blá,bla, etc até já chateia. Então a função de um autarca não é a defesa da sua cidade, não deve ser "obrigação" de um autarca zelar para que a sua cidade se desenvolva? Então qual é a duvida de ter agora conseguido que uma empresa da aeronáutica se instale em Évora. Pois ainda bem que assim seja, seja ele o Pinto de Sá seja ele o Zé Ernesto ou mesmo o Zé dos Anzóis. É pena é que certa e determinada gentinha tudo faça e tudo critique para quando há alguém a zelar pela nossa cidade, foi assim no tempo do Zé Ernesto, e é agora no tempo do Pinto de Sá. Não se esqueçam que foi o próprio Pinto de Sá e o seu partido que mais criticaram a instalação da Embraer em Évora, e agora já consideram que foi um bom investimento, é pena que os nossos políticos passem o tempo com este tipo de gincana política. Penso que desde que se trate de algo importante para a nossa cidade todos, mas mesmo todos, devem dar o seu contributo e o seu apoio e não passar o tempo a desfazerem as obras de uns e outros.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

UMA BOA NOTÍCIA para Évora!


Mais uma indústria que se instala na cidade.
«O fabricante francês Mecachrome assina hoje o contrato para instalação no parque de Industria Aeronáutica de Évora. 
Especializada na produção de peças de alta precisão para as indústrias aeronáutica, espacial e automóvel. Segundo a informação disponibilizada no site da empresa, esta será a segunda unidade europeia da Mecachrome, instalada fora de França.
O contrato para a construção das infra-estruturas vai ser assinado esta tarde, na Câmara de Évora com a presença do Vice Primeiro Ministro Paulo Portas e do presidente da autarquia, Carlos Pinto de Sá.»

Anónimo

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Viva o José do Telhado! (II)

Joaquim Palminha Silva












II 



            Em 1846 armou-se a si próprio e a alguns mais, na sequência da popular Revolução da Maria da Fonte, oferecendo os seus préstimos à Junta Governativa que se formou no Porto. Os seus conterrâneos (diz a História ou “reza” a lenda?) quiseram elevá-lo ao posto de comandante, de chefe guerrilha, mas recusou. Data desta época o seu primeiro acto paradigmático: - Repartiu o dinheiro que possuía com os seus companheiros de luta!        
A 15 de Novembro de 1846, no recontro de Valpaços, entre as tropas governamentais e os populares da Maria da Fonte, salvou a vida ao general Sá da Bandeira, o heroico “maneta”, como o vulgo o denominava. De uma moita cerrada faziam rijo fogo sobre o general; então, o José do Telhado, apercebendo-se do lance e vendo as armas apontadas prestes à descarga, empuxou fortemente as rédeas do cavalo que o seu comandante montava, obrigando-o a saltar súbito um valado, ao mesmo tempo que a descarga levou os projectéis a crivarem-se na parede, onde antes se acolhera o general. Depois, ferrou as esporas na sua montada, correu para os soldados inimigos e, desmontando um, ferindo de morte outro, acutilando um terceiro, obrigou o grupo barricado na moita a debandar, espavorido. Quando voltou, arquejando e com a lança tinta de sangue, viu Sá da Bandeira estender-lhe a mão. Após este lance, foi-lhe dependurado ao peito da farda de soldado da Maria da Fonte a comenda de cavaleiro da Torre e Espada pelo próprio general e visconde: - Foi considerado então um herói!
            Este foi o “Zé-Ninguém”, aproveitado pela sociedade como José Teixeira da Silva…

Torre e Espada

            Em Julho de 1847, a Convenção de Gramido põe ponto final à Revolução da Maria da Fonte (com o Governo da Rainha D. Maria II apoiado por forças militares estrangeiras). Todavia, a «Convenção…» não põe termo às contradições políticas, as quais vão ensanguentar uma vez mais a terra portuguesa. Enfim, a faceta militar e patuleia de José Teixeira da Silva tinha terminado, e o herói “medalhado” regressou a casa definitivamente… Definitivamente? A ver vamos…
             A guerra civil tinham-no empobrecido, arruinado a sua pequena lavoura… Diz que pediu um emprego compatível, que solicitou auxílio… Mas as inimizades políticas granjeadas nos anos de luta fizeram-se notar, e devem ter exercido as suas tradicionais prepotências e represálias. A retaliação dos vencedores de «Gramido…» tomou o caminho da acção directa… O herói de Valpaços, o patuleia generoso tinha inimigos impiedosos… Os filhos estavem sem pão, a sua «Aninhas», por quem (“reza” a lenda) acalentava um amor acima da vulgaridade, sofria as injustiças dos senhores do lugar.
            Compulsando as suas forças, deitando contas à vida, José Teixeira da Silva, a braços com hipotecas de bens imóveis que não podia mais satisfazer a tempo e horas, venda inglória de pequenas propriedades ao desbarato, etc., decidiu juntar-se ao irmão, Joaquim do Telhado, já então notório quadrilheiro que assolava o Douro…

José do Telhado, à direita, de longas barbas, fotografado com seu irmão, Joaquim
 (anos 50 do século XIX).

            Segundo uns quantos biógrafos, avantajados no romantismo de capa e espada, José do Telhado ter-se-á juntado ao Custódio, conhecido pelo Boca Negra, “capitão” de um grupo de aventureiros que infestavam a região.
            Fosso como fosse, o primeiro assalto à mão armada terá sido efectuado à casa de um tal Maciel da Costa ou então à casa de Cadeade. A controvérsia entre biógrafos de José do Telhado torna-se habitual, quando uns querem quantificar uns assaltos e outros, por razões não menos válidas, querem enumerar outros. De qualquer modo, o assalto à propriedade do Dr. António Fabrício Lopes Monteiro, na Freguesia de Santa Maria do Zêzere, gorou-se (admitindo esta versão), mas entrou para a narrativa épica do rebelde, marcando uma data para a acção de bandoleiro social que foi José do Telhado: 27 de Novembro de 1851!
                                                                                                                       (continua)



Eleições Legislativas: BE Évora promove Debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural


No âmbito da pré-campanha eleitoral, a distrital de Évora do Bloco de Esquerda promove, hoje, quarta-feira, dia 26 de Agosto, pelas 21h, na sua sede em Évora (rua da Alcárcova de Baixo, 45) uma sessão de debate sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural no contexto de uma política de esquerda. A animar este debate, contaremos com a presença de Pedro Soares e Camilo Mortágua. Contamos também com a vossa presença e colaboração na divulgação deste evento com o qual pretendemos contribuir para a reflexão e acção democráticas neste domínio vital para o desenvolvimento da nossa região. (nota de imprensa do BE)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A.M. Matias: um novo poeta (poetisa) do Alentejo?


Identidade com outro

Sou em ti
Pulverizo-me em ti outro
como volúpia de água
em madrugada inesperada
Pertenço-te e habito-te
sem permissão
nem agradecimento
sem tempo
nem refúgio
Cumpro-me em ti
sem saberes de mim
E juntos
estaremos
na origem de manhãs desconhecidas
de gerações outras
que serão
também elas
pólen
nevoeiro
ou fragrância
 
Alentejo, 2015,
A.M.Matias

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Balanço de 4 anos de governo PSD/CDS: mais de 1200 refeições sociais por dia só no distrito de Évora


A Segurança Social de Évora vai manter em funcionamento as cantinas sociais, até ao final do ano e aumentar o financiamento de 10 creches para que estas estejam abertas mais de 11 horas por dia.
São mais 500 euros mensais de comparticipação para que cada uma destas instituições contrate um funcionário, disse à DianaFm a Diretora do Centro Distrital de Évora da Segurança Social.
O acordo agora assinado prevê um pagamento retroativo desde maio de 2015. Já as cantinas sociais têm novos acordos válidos por seis meses. Em declarações à margem da cerimónia de assinatura dos acordos, Sónia Ramos revelou que este programa de apoio social já deveria ter terminado. No entanto as necessidades verificadas no terreno levaram o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social a prolongar o funcionamento das cantinas sociais até ao final do ano.
Ao todo estão previstas 1205 refeições diárias em 23 cantinas do distrito. Este programa social no distrito de Évora representa um encargo de 70 mil euros mensais.

Viva o José do Telhado!

Joaquim Palminha Silva






(Durante as próximas semanas iremos publicar diversos textos de Joaquim Palminha Silva  sobre Zé do Telhado, que a história e a lenda consagraram como aquele que "roubava aos ricos para dar aos pobres". Este é o primeiro desses textos que, no final, constituirão um pequeno opúsculo)



 I


«O Zé do Telhado morava, ali perto:
A triste Viúva
A nossa casa ia pedir, era certo,
Em noites de chuva…».

- António Nobre, in .

            Regista a História que a sociedade o viu nascer um “Zé-Ninguém”, aproveitou-o como José Teixeira (durante a guerra civil) e, paulatinamente, empurrou-o para a marginalidade, donde ele se veio a “libertar” como José do Telhado!
            José Teixeira da Silva, nasceu em 1816 na Freguesia de Castelões de Recezinhos, a cerca de 12 km de Penafiel, sede do Concelho. Estou em crer que “Zé-Ninguém” não seria, pois a alcunha que veio a tomar, José do Telhado, atesta que a situação económica dos seus progenitores se diferenciava do comum dos pequenos proprietários e jornaleiros do lugar. Na verdade, a sua casa era coberta com telha, o que a diferenciava das demais cobertas com colmo, demonstrando-se assim uma pequena “soberania” económica que, no dizer dos rurais, deu origem a expressão «a casa do telhado», daí a alcunha José do Telhado.
            Aos 14 anos de idade, José foi morar com um tio em Sobreira, no vizinho Concelho de Lousada, de forma a aprender o então lucrativo ofício de castrador. Até aos 19 anos aí se manteve, acabando por se prender de amores por sua prima, Ana Lentina de Campos. O tio parece que entendeu quanto o sobrinho não era bom partido para a filha. Contrariado no amor, o jovem resolveu «assentar praça» em Lisboa, no Quartel de Cavalaria 2 (Calçada da Ajuda), denominado Lanceiros da Rainha.
Camilo Castelo Branco, que o conheceu e com ele conviveu de perto, diz-nos que José do Telhado era espécie humano filho de uma genealogia de bandoleiros da serra. Seu pai, Joaquim do Telhado, fora salteador de estrada, e um tio de nome Sodiano, praticara mais de um roubo e alguns assassinatos, nas bravas asperezas da Serra do Marão. De acordo com a História (que o mito acrescenta!), José do Telhado era mancebo esbelto, alto, sempre loução no trajar, a jaqueta alamarada de prata, as botas de polimento bem apresilhadas nas pernas musculosas que, com facilidade inaudita, domavam a galgadeira dos cavalos mais bravos. Enfim, dava nas vistas este José do Telhado, pelo garbo e pela valentia de que portador, tudo com um ar tão natural como o ar que se respira.


         Em Julho de 1837 deflagra a Revolta dos Marechais, com o objectivo de restaurar a Carta Constitucional, opondo-se portanto aos partidários da Revolução de Setembro, mais radicais. Os cartistas sofrem vários reveses e retitam as suas forças militares para o norte do País. Porém, desbaratados em Ruivães, procuram o exílio, internando-se em Espanha.
            O regimento de Lanceiros da Rainha tomou partido pelos “marechais”, e José do Telhado teve oportunidade de exibir a sua bravura em combate. Lutando às ordens do general Schwalbach, barão de Setúbal, ordenança deste oficial na difícil retirada que as tropas empreenderam em direcção à Galiza, fizera-se notar no recontro de Chão da Feira, à vista do barão de Setúbal e do marechal Saldanha. Aconteceu que, entretanto, num dos ataques que sofriam os revoltosos em retirada, o general Schwalbach disse-lhe no mais aceso do tiroteio: « - Chovem balas, meu rapaz!», e ele, com galhardia, terá respondido: «- Deixe chover, meu general!… Cá vou abrir o guarda-chuva!», retorquiu José do Telhado, alteando a lança e empinando o cavalo. Lançando-se à carga destemido, sorrido à morte, acabou assustando os atiradores furtivos…
            Seguiu emigrado para Espanha e, à volta, casou com a prima, que lhe levou em dote umas jeiras de terra e umas moedas de ouro. Aconteceu isto após a Convenção de Chaves, a 20 de Setembro de 1837, que pôs oficialmente fim à guerra civil.

José do Telhado (segundo desenho da época)

            Construiu o seu lar em Castelões de Recezinhos, e criou fama de justiceiro, pronto a defender os fracos e desamparados. Ia às Feiras e Romarias dos lugares vizinhos escanchado em bons e vistosos cavalos. Às vezes sentia-se obrigado a desmontar, quando as conversas e atitudes dos fanfarrões azedavam, varria então a Feira à paulada, exímio batalhador no jogo do pau!


(continua)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

"Sujidade nauseabunda"


É realmente muito grave esta situação. É um problema de higiene pública.
O que se passa é apenas isto: Além do lixo que se acumula junto dos contentores, estes quando são esvaziados, deixam uma sujidade nauseabunda, sobretudo líquida, junto a cada um destes depósitos de lixo.
Isto acontece no centro histórico e por todos os bairros do concelho.
A solução passa por apetrechar os carros que fazem esse esvaziamento,com depósitos de água e detergente, que possam aplicar logo após os despejos desses contentores.
Ou estão à espera que chova?? 

Anónimo

Aldeia da Terra: com Declaração de Interesse Cultural, mas sem autorização de colocar cartaz indicativo junto à estrada de Arraiolos


Depois de quatro anos e meio de portas abertas ao público e quarenta mil novos visitantes à vila de Arraiolos, a ALDEIA DA TERRA viu, pela terceira vez consecutiva, renovada a declaração de projecto de interesse cultural, pela Secretaria de Estado da Cultura. 
Não esperamos um telefonema - que em quatro anos não existiu - da câmara municipal de Arraiolos (CDU há 40 anos) a perguntar se podem ajudar nalguma coisa, nem tão pouco a "chave da Vila". Mas, finalmente, a autorização de colocar um cartaz junto à estrada e mostrar a quem passa que aqui estamos e existimos (que já pedimos há cinco anos) auxiliaria bastante.
Bem hajam os de boa vontade.
Obrigado pelas mensagens de apoio.

Tiago Cabeça (responsável pela Aldeia da Terra, Arraiolos)

O "insólito" em Elvas: será do calor?



Três mulheres e uma criança “invadiram”, ao final da tarde de ontem, terça-feira dia 18, a fonte que se encontra na rotunda, junto ao Tribunal de Elvas, para tomar banho nus.
Ao que conseguimos apurar, as pessoas terão chegado numa viatura, que estacionaram ao pé do jardim municipal e, durante pelo menos cinco minutos, estiveram dentro da fonte da rotunda sem roupa, como documenta a fotografia ao lado.
A situação despertou a curiosidade de quem por ali passava. Terminado o banho, as mulheres e a criança saíram da fonte e seguiram viagem.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Saudades do Pão…

Joaquim Palminha Silva

«Da nossa casa o Alentejo é verde.
É atirar os olhos: são searas,
são olivais, são hortas… E pensaras
que haviam nossos olhos de ter sede!

E o pão da nossa mesa! E o pucarinho
que nos dá de beber!... E os mil desenhos
da nossa loiça: flores, peixes castanhos,
dois pássaros cantando sobre um ninho…»

- Sebastião da Gama, in Pelo Sonho é que Vamos, 1953.



            O pão para ser bom deve ser medrado ou crescido em volume, fofo e esponjoso no miolo, enxuto, leve, bem cozido sem muita côdea, branco, de sabor macio e aromático, de massa ligada e homogénea… - Assim se definia o bom pão há um século atrás!…
            Entretanto, como nada garante que esta definição esteja ultrapassada, continuamos a descrição… Sobretudo tendo em vista o que se fabrica hoje por aí, com massas congeladas durante semanas, sem critério de cozedura (mini-forno eléctrico). Vendido em estabelecimentos que, nem vagamente, são imitações das tradicionais padarias… Enfim…
            Segundo a qualidade das farinhas o pão podia então ser mais ou menos homogéneo. Distinguia-se geralmente o pão em três principais espécies: pão fino, pão de família e pão de munição.
            No pão fino não entrava senão a flor da farinha e alguma porção de farinha de 1ª qualidade, ao todo cerca de 30% a 35% do peso do trigo farinado. No pão de família entrava a flor da farinha de 1ª e a farinha de 2ª qualidade, ao todo 70% do peso do trigo. No pão de munição entrava a flor, a farinha de 1ª e 2ª qualidade e os rolões, no total de 80% a 82% do peso do trigo.
            Regra geral, quanto mais fino era o pão menor era também a espessura da côdea. No pão dito fino a quantidade de côdea era geralmente de 15% a 25%. No pão de família aumentava para 35% da côdea, e no pão de munição chegava a 42% ou 45.
            O pão com grossa côdea, secava e endurecia mais depressa e era menos lisonjeiro à vista e ao paladar, mas já então era o mais higiénico e nutritivo, porque a côdea não só continha mais substancia solúvel, mas era também o mais azotado.
            Finalmente, eis uma instrução geral com mais de um século de idade: - As farinhas de trigos rijos, porque são os mais ricos em glúten (mistura de proteínas existente nas sementes dos cereais, especialmente o trigo), porque este absorve a maior parte da água da amassadura, tornando o pão mais carregado de água. Este excesso de água fica no pão, não só pela avidez do glúten, mas pelo maior trabalho de sova que tais massas exigem, e ainda porque ao calor do forno tem mais dificuldade em evaporar a água das massas glutinosas. A grande quantidade de côdea, significa na maioria dos casos que o pão foi bem cozido e que é enxuto.
            Em síntese, o pão dividia-se em “classes” como a sociedade humana e, como é de calcular, o pão de munição era o mais adquirido pelo mundo do trabalho… Dele se faziam as soberbas açordas de cada dia, que o azeite aloirava … “Mística” alimentação de pobres trabalhadores rurais, a que as ervas emprestavam um sabor de exotismo… a enganar a fome!

            Tenho, pois, saudades do pão alentejano de quando era menino…


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Évora: página do PSD no facebook critica "acumulação de lixo" no Centro Histórico




Todos os dias é este o aspecto das principais ruas do Centro Histórico da cidade, com lixo que se acumula por vários pontos, além dos pavimentos estarem num lastimoso estado de sujidade, bem como os caixotes de lixo subterrâneo que estão imundos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Capa do DA desta semana


P´RA PULAR


por roubar uma galinha
lá vai preso o salafrário
livre que nem uma andorinha
só roubando um AVIÁRIO
António Saias (aqui)

«Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia…»

          
Joaquim Palminha Silva











  «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia…»



      Gaspar Frutuoso, na sua obra Saudades da Terra (último quartel do séc. XVI), escreveu que a Província do Alentejo é a mãe do bom pão. Sabemos que a cultura do trigo, cereal por excelência produtor do pão nas terras do sul, requer grande extensão de terreno, sendo por isso o Alentejo o seu campo natural desde tempos recuados, centrando-se os principais centros produtores há pouco mais de meio século, em Beja, Elvas, Estremoz, Évora e Portalegre.


            Cultura extensiva durante muitos séculos em toda a área que abrange o actual Distrito de Évora, o percurso “mítico” do pão está ainda hoje, apesar de tanta idiotia ”turística” de importação, está bastante enraizado em vários e multifacetados aspectos da Cultura nacional e, de forma extrema e clara, nos fundamentos específicos do que podermos chamar, simplificando, traços sui generis da cultura alentejana.
            Do tradicional «cante», aos objectos de uso decorativo ou utilitário, do rifoneiro popular à prática da religiosidade cristã, o trigo e o pão fazem parte da policroma galeria de símbolos e figuras que na memória colectiva têm uma acção directa e permanente. Évora, isto é, o seu actual Distrito, teve um papel importante na produção cerealífera alentejana, de quem já Duarte Nunes de Lião (in Descrição de Portugal, cap. 34º, 1610) dizia ser o «celeiro do grande povo de Lisboa».



            Mercê do esgotamento das terras, de um redimensionamento da agricultura nacional, com origem nos imperativos dos grandes grupos económicos que lideram as estruturas políticas da União Europeia, do gradual (e talvez propositado) despovoamento do Alentejo, bem como de uma sucessiva direcção governativa que, por vezes, roçou o descarado abandono da região transtagana, a que acresce séculos de prática dum regime de propriedade (latifúndio), o “caminho” do trigo e do pão na região sul é hoje apenas referência histórica e antropológica de um saudoso passado cultural.
            As gerações mais novas pouco ou nada sabem do trigo e seus vários processos de transformação que levam ao fabrico do pão e, por inelutável influência, à formação de uma acção social específica, alimentando formas de luta de classes e implicações culturais com hierarquias distintas do contexto nacional. De resto, a Universidade de Évora nunca foi capaz de iniciar, no âmbito dos mestrados, cursos que fossem efectivos embriões de estudos consequentes e continuados. Tudo o que se consegue apurar da produção desta Academia, são umas minguadas “teses” de mestrado (mais parecidas com péssimas reportagens de jornal, escritas num português de arrepiar…) que, em boa verdade, não nos “oferecem “tese” alguma!
            Não me parece que exista, portanto, organizada e materializada, uma memória do conjunto de “saberes” milenares que envolvem a produção do pão, deste da espiga sobre a terra arável até ao pão sobre mesa. Escola de vida e de arte, de luta social, incluindo “concepções” do destino humano (religiosas e profanas), a História retrospectiva do pão alentejano está por contar! *
            Como conseguir este objectivo? Como conseguir por em prática uma solução que nos garanta a possibilidade de testar capacidades, recursos, meios técnicos e humanos sobre a História do Pão? – Fundando de raiz, e com criteriosa eficácia científica, o Museu do Pão!
            A memória histórica dos povos tem consequências inevitáveis: - As gerações dos novos que participam perante o futuro da responsabilidade dos poderes públicos, desde que o queiram, tem sempre força e meios para defender a Cultura nacional, como dever patriótico, quando esta anda esquecida ou é marginalizada.
            Porém, se o Alentejo, e com ele a cidade de Évora, não têm memória história do seu ancestral pão (nem consideram grave que tal não seja objecto de estudo sério), então nada nos garante no futuro… «o nosso pão de cada dia»!
            Alerto, pois, as instituições e os especialistas (recolhidos em Universidades ou não) para que salvem da dolorosa e horrível morte lenta parte importante da memória transtagana, fundando um digno e atraente Museu do Pão!
           
*Há paradoxos eloquentes, que dizem muito sobre a mentalidade dos dirigentes alentejanos, políticos e outros. Um organismo público de turismo, em conivência com um presidente de Câmara, encerraram um esboço de museu do artesanato, para em seu lugar abrir um absurdo “museu” do “designer” industrial… Um colecionador privado de relógios encontrou um espaço público disponível, de forma a exibir a sua colecção a que, pretensiosamente, chama “museu do relógio”! Absurdos acontecidos em Évora na última década…


Campos nas vizinhanças de Montemor-o-Novo, lavrando a terra (anos 50 do séc. XX).