terça-feira, 16 de junho de 2015

Os Velhos e os Meninos


«É cousa tão natural o responder, que até os penhascos duros respondem, e para as vozes têm ecos. Pelo contrário é tão grande violência não responder, que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem responder, rebentariam de dor.»  - Padre António Vieira, Circular à nobreza de Portugal, Julho de 1694. In Cartas…, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1928.          
*
A velhice, que tradicionalmente significou previsão, reserva de experiência, melhoria no relacionamento humano e na qualidade de vida, em Portugal deslizou para a marginalidade, produz acelerada indigência e inspira cada dia maior indiferença e, institucionalmente, serve para o Estado praticar sobre ela, chamando-lhe sarcasticamente “3ª idade”, vário de tipo de violências físicas e psicológicas, como por exemplo extorquindo-lhe, arbitrariamente, percentagens substanciais às suas reformas e pensões, desprezando assim todo o princípio ético de um «Estado de Direito», de um regime Democrático!  
Ao contrário do que seria necessário para subsistir na União Europeia com um mínimo de dignidade, fazendo-se respeitar e respeitando-se a si mesmo, as “classes” dirigentes de Portugal entraram por todos os vestíbulos do atraso económico, da regressão social, da subserviência ao estrangeiro, do medo (administrativo e financeiro), de mistura com a parvoíce partidária e a estupidificação generalizada da população, intoxicada pelos media
Há mais de 50 anos que não cresce de forma significativa a população portuguesa….
 Ainda há pouco (jornal Público, 12/6/2015) a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência explicava que a quebra de natalidade fez com que o ensino básico perdesse 97.752 anos, durante os últimos sete anos!
Em síntese, a população portuguesa diminui e envelhece com grande rapidez. Entretanto, emigra alguma da que resta com capacidade empreendedora e audácia, tendo atingido o quantitativo de mais de 53 mil emigrantes por ano (2013)!
Falemos claro e a doer: - Os partidos políticos e o capitalismo seu associado, da esquerda tradicional à direita clássica, passando pelo centro incaracterístico, revelam-se incapazes de agasalhar um tão escasso e pacífico número de habitantes (casa, pão, trabalho…), de forma organizada, minimamente aceitável, civilizada… No “mundo” laboral há salários tão magros que são um insulto a quem trabalha, e um convite para que a pobreza se transforme em crime e delinquência sistemática, já que os movimentos de rebelião estão fechados à chave no armário dos “esqueletos revolucionários”, propriedade de “comunistas” e tutti quanti
Há reformas e pensões pagas aos idosos que, com as reduções impostas pelo Fundo Monetário Internacional, o encarecimento dos cuidados de saúde ou sua ausência parcial se revelam a expressão viva, naturalmente modernizada, da eutanásia, da exterminação calculada e posta em prática pelos nazis até 1945, mas que hoje já não comove ninguém (vá lá saber-se porquê!), nem os enfatuados burocratas da ONU!
Às vezes, o Poder político e económico dá uns trocos à turbamulta, distribui uns subsídios à plebe devoradora de bisbilhotices e coscuvilheira de intimidades, porque em determinadas épocas lhes convém dar uns “cêntimos para pevides”… Então, lá vêm, os militantes dos “partidos do povo” dizer que foram eles e só eles, com a sua gritaria e o medo que inspiram à burguesia, quem forçou os de cima a dar qualquer “coisinha” aos de baixo! – Como se houvesse no Poder político e económico, alguma vergonha ou medo desta gente da pedincha, aos gritos e em grupo, rua abaixo, rua acima!
Há quanto tempo vivemos esta mentira? Quanto tempo mais temos de aturar estes jogos patéticos?
Entretanto o país envelhece: - A vida dos idosos é encurtada a marchas aceleradas, através da orquestração institucional de mil carências. A população jovem que ainda vegeta pelo território não encontra “meios de vida”, com ou sem as minimalistas licenciaturas universitárias de hoje; os mais audazes vão-se embora para o estrangeiro e os meninos deixam de aparecer nos jardins-de-infância…
Deixem-se de tretas! Não venham com solidariedades sociais hipócritas! Acabem com a “histórica” bazófia dos benefícios do turismo, das exportações de vinho & etc., …
O país está a morrer a olhos vistos! – Não haverá quem chame uma equipa médica de urgência para salvar o que resta de vida colectiva?


6 comentários:

  1. Caro Palminha
    Não poderei estar mais de acordo com a analise, mas não poderei estar mais em desacordo com a conclusão.
    A velha e relha ideia do D. Sebastião agora travestido de "equipa médica".
    Aquando da apresentação do livro sobre o movimento popular que se seguiu ao 25A e nos tempos imediatos que o antecederam, a autora perante uma plateia em que se encontravam alguns dos intervenientes nesses momentos (entre os quais me incluía) levantou uma questão. "Se fosse hoje que se desse o 25A, qual seria o seu desfecho" (mais ou menos assim). Respondi que existiria exatamente a mesma captura (com nuances) do movimento pelas mesmas forças que na data tinham abafado o impulso revolucionário. Um PC sistémico, um PS mais robusto e refinado e uma esquerda retalhada (a chamada extrema-esquerda na altura) e com menos verve revolucionária. Acrescentei que com uma enorme diferença o chamado Povo não era o mesmo. Está mais velho, está com medo não do fascismo mas de perder o ganha pão e descrente dos políticos. E com enorme medo com o pontapé no rabo que a Europa nos possa dar. Vem aí a miséria pior do que no tempo do Salazar.
    Só vejo uma forma de ultrapassar este ciclo vicioso, lutar, lutar, lutar sempre, quer de uma forma individual quer coletiva, com forças que queiram de uma forma consequente virar a página. É aqui que não estou de acordo consigo, esperar pelo D. Sebastião médico cirurgião não resolve antes agrava o problema endémico que é esperar que outros resolvam por nós. (Á espera do Godinho).
    Cumprimentos. José Dias.

    ResponderEliminar
  2. joaquim palminha silva17 junho, 2015 02:41

    Falo em equipa média, não num médico! - Reparou?! E "médicos", neste caso, são especialistas vocacionados para a cirurgia que o País necessita com urgência! Mas já existem tais especialistas? Tenho dúvidas... que tal elite tenha entretanto surgido... Só se está na clandestinidade! À esquerda do PCP (mas isso existe?) os agrupamentos são sacos cheios de gatos assanhados uns contra os outros! E a sua ideologia? Bem, vou ali já venho! Sejamos claros: - Lutar? Mas isso todos podem fazer melhor ou pior... Porém, é preciso combater e... combater para ganhar! Todavia, para ganhar no sentido da transformação sócio-económica do País só com um movimento revolucionário! E onde é que ele está?
    O problema é que um dia destes, queiram ou não, os que sobrarem vão acordar num País sem habitantes... moribundo! - E não haverá revolução que lhe valha!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade mas para haver equipa médica é preciso haver médicos que efetuem a tal cirurgia. Se os mesmos se ficam só pela teoria, ficamos duplamente mal. Primeiro porque não nos operam e em segundo ficamos doentes duplamente. Ficamos a saber que há cura, mas quem pode contribuir para a mesma fica-se por paternalmente dar a receita.
      A continuar assim vamos ficar velhinhos, pobrezinhos e desta vez já não honrados.
      José Dias

      Eliminar
  3. uauuuuuuuuuuu não entrava aqui há meses e olha quem eu encontrei logo na primeira tacada... " O zé do quico".
    Pensei, ao não o encontrar no Mais Évora, que tinha desistido de nos torturar.
    Puro engano, mudou de casa.
    Agora a tortura é no A CINCO TONS

    ResponderEliminar
  4. Estupido ! Podes voltar a desaparecer que ninguem nota a falta

    ResponderEliminar
  5. Um inteligente é estúpido, e um ignorante é uma sumidade em coisa nenhuma, a isto chama-se inveja

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.