sábado, 13 de junho de 2015

Neo-colonialismo imperialista (no país do sono)

Joaquim Palminha Silva
Portugal, país de arqueologia política e social, de intermitente prática cívica, com enraizados hábitos de subserviência que a ignorância geral confunde com cortesia, de grande percentagem de população vivendo com doses de superstição à mistura com uma religiosidade primária, mas tendencialmente conservadora, tem sido apresentado pelos governos destes últimos tempos como uma terra de esplêndido triunfo, por considerarem o país óptimo “aluno”, obediente às directivas da UE (União Europeia) e, portanto, sofrivelmente “europeu”…
Contra os advérbios governamentais desfraldados sob a tutela da dívida externa, deveriam pelo menos envergonhar-se os portugueses… Mas não! – Basta estar atento, ver os títulos dos jornais para satisfação da populaça, ligar a televisão pública ou privada, escutar as conversas de rua e café, tomar nota das “praxis” académicas e da palhaçada da “queima das fitas” dos supostos estudantes, para ter uma noção do estado de indigência mental (e moral!) a que Portugal chegou!
Foram, pois, e em consequência, considerados exagerados, talvez ”perigosos” e “subversivos”, os poucos cidadãos que lucidamente avisaram a “turbamulta” de que a UE era um logro, pois se tratava apenas de “sociedade” de difusão e controle neo-colonial, cuja face visível é a prática de efectivo imperialismo dos países mais ricos (do norte) sobre os mais pobres (do sul)!
Entretanto, eis que um dia destes (jornal Público, 20/2/2015) aconteceu inédita revelação, e ao mais alto nível. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa sessão em Bruxelas do «Comité Económico e Social Europeu», declarou: - «Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia, em Portugal e também na Irlanda. Eu era presidente do Eurogrupo e pareço estúpido ao dizer isto, mas há que retirar lições da história e não repetir os erros.».
É a confissão de um “diabo” que sabe poder pecar sem castigo algum e, em suplemento, cometer a obscenidade cínica de vir a público dizer ter pena dos “coitadinhos”!
Sem desculpar os governos nacionais e a sua péssima gestão dos fundos públicos, Portugal e Grécia sofrem, pois, o neocolonialismo da UE, que os chantageia com os empréstimos (nunca é demais lembrar!) se os seus governos não abdicarem de fatias importantes do tecido empresarial público em favor de grupos privados, liquidarem as pequenas e médias empresas nacionais com uma carga fiscal suicidária, nivelarem os salários por critérios que apontam para o século XIX e, por último, extorquirem parte das reformas aos velhos, etc..
Em poucas palavras: - Se querem receber a esmola de uns trocos para pagamentos urgentes, estes países tem de aceitar o controlo político e financeiro de Bruxelas que, revelando um grande desprezo por Parlamentos, Deputados e governos “indígenas”, todos os dias esmaga e humilha as instituições democráticas autóctones… e pratica uma tremenda malignidade anti-cristã!
A exibição do poder imperial já não é feita com os tanques a atravessar a fronteira (por enquanto), mas com “linhas” de crédito, com dinheiro… Todavia, o conteúdo ideológico destas ameaças é bafiento, antigo e, como sempre, pinga sangue, suor e lágrimas…
O Egipto de 1879 e a Venezuela de 1901, por exemplo, viveram acontecimentos que nos devem fazer reflectir… No primeiro caso, por ausência de uma “resposta conveniente” sobre a dívida, os franco-bristânicos passaram a tutelar o país. Uma acção nacional (1882) sem sucesso levou os ingleses a assumirem o controlo total do Egipto… No segundo caso, os navios militares alemães ameaçaram o país, entretanto endividado e incapaz de saldar as suas dívidas para com a Alemanha…
Apesar de ainda não serem ameaçados militarmente, os países do sul europeu, fragilizados económica e socialmente, assistem à contínua desnacionalização das suas economias, à desvalorização da sua independência política e à situação de territórios sob vigilância, sendo realmente tratados hoje como ontem o colonizador tratava os povos indígenas! – Melhor!…Há agora a vantagem da “sociedade” neo-colonialista e imperialista ter conseguido que os “indígenas” se martirizem uns aos outros, poupando assim recursos militares e técnicos na ocupação do território…
Por vontade governamental, e não por referendo popular, Portugal aderiu à UE ontem, convencido (ingenuidade ou imprevidência?) que entrava na “modernidade”, para acordar hoje como país neo-colonizado, tutelado e sob vigilância imperial liderada pela Alemanha!
Foi para chegar a isto, à situação de humildes vassalos, que os capitães de Abril de 1974 nos libertaram da ditadura salazarista?! Foi para vivermos sob a influência dissolvente dos cofres da finança estrangeira, sofrendo a imundice dos políticos nacionais curvados na idolatria do Kapital, embrulhados em corrupção, entalados em aldrabices?!
Foi para chegar a isto, não nos dizem?!
            Mas mais absurdo que tudo é esta questão: - Contaminados pelo desemprego prolongado dos trabalhadores portugueses, a dignidade e a cidadania tornaram-se improdutivas e, da virilidade do pensamento e acção de outrora, passaram a viver sonolentas e, bocejando, ganharam agora uma enorme preguiça mental!

            Portugal hiberna…

9 comentários:

  1. A Inglaterra, Portugal e mesmo Espanha tratavam melhor as suas colónias do que os mercados(Banca Alemã) trata os países periféricos.
    O Nazismo alemão de hoje está ser mais eficaz do que Hitler

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  2. Caminhamos para o futuro em marcha atrás.
    Ninguém para o progresso, não é necessário ele vai para sózinho.
    O liberalismo ultrapassa o teor econômico, transcendendo seu campo de atuação e passando a atuar diretamente no social. A visão do lucro acima de tudo esmaga o humanitário, oprime o social e aniquila o coletivo. O afastamento da proteção do estado deixa a mercê seus membros, para empresas que não mais possuem nacionalidade, são multinacionais, não tem identidade, não ajudam a lugar algum, somente exploram por onde passam.

    Quando não se têm raiz não existe nada a temer, não há pelo que lutar. Torna indefeso e suscetível de qualquer humilhação, não há leis que o parem. Sob a bandeira da liberdade é justifica a escravidão de um sistema econômico que não possuem face, nem corpo, nem sentimento, somente conta bancária, números frios e desumanos. Tudo é calculado, uma falta de humanitarismo intencional para que em hipótese alguma a perfeita engrenagem dos lucros possa ser afetada por esse sentimento fraco de igualdade entre os homens. Eles não se reconhecem como iguais, sua vida, sua história parece estar em um universo a parte do resto da massa desfavorecida.
    E como se não fosse suficiente, a pouca oferta de trabalho , a derradeira condição de trabalhador, ainda compete com a eficiência imbatível de máquinas que não reclamam, não cansam, não gastam, não tem família nem ideais.
    Ainda sujeitam o individuo a concorrência desleal dessas que são a obra prima e a criação mais querida do capital: a mecanização. É com muito sarcasmo que é abordada essa temática dentro da problematização


    Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/o-horror-economico/21577/#ixzz3cwWmHNaP

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  3. Ana Costa Freitas vai fazer parte da comissão politica da coligação de direita nas eleições de 4 de outubro.

    Reitora da Universidade,esta senhora passado quase quatro meses da tragédia na instituição ,um funcionário morreu ,outro encontra-se em estado vegetativo no hospital,ainda não teve Coragem de assumir as suas Responsabilidades,como prémio, Passos convidou-a.

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  4. Vivemos num regime neo-fascista,por isso os Crimes da tragédia na Universidade os responsaveis não vão ser responsabilizados,a prova é o convite de Passos Coelho a Ana Costa Freitas para a comissão politica da coligação.

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  5. Essa senhora trabalhou com Barroso, só pode ser um cherne no feminino

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  6. seria...comunismo ou isto que existe.
    O Problema
    e que não havia nada melhor do que isto que existe. E as pessoas escolheram istro.

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  7. Pelo andar da carruagem e tomando em consideração a opinião dos feirantes (o aluguer do espaço é um preço feito por gente alucinada) esta será provavelmente a pior de todas as feiras de S. João.
    Nem os espetáculos BEM pagos aos amigos da esquerda que vêm abrilhantar a coisa, vão chegar para enganar papalvos.

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    1. Cada ano que passa é sempre a pior a Feira de S. João...
      Isso é o que diz qualquer palerma. O problema está em encontrar a solução para resolver o problema. Mas aí, a coisa pia mais fino.

      É que dificilmente aquilo pode melhorar, se continuarem a gastar TODOS os anos centenas de milhares de euros no 'monta-desmonta'. Ou seja é um gasto desmesurado de dinheiro sem aproveitamento nos anos seguintes. É uma Feira que está a começar sempre do ZERO. E assim dificilmente haverá evolução...

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    2. 9:27

      Particularmente, que se lixe a feira de S. João.
      Desde há 40 anos que perde importância ano após ano.

      Prefiro que trabalhem para que não falte trabalho em Évora e condições para que se montem cada vez mais empresas aqui.

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