segunda-feira, 8 de junho de 2015

Fragmentos…


Joaquim Palminha da Silva
Uma História da expansão do talento lusitano fora de Portugal (nas ciências, na tecnologia, nas artes), seria um atraente capítulo na História das perdas e danos nacionais ao longo de séculos. Esta mobilidade de emigração intelectual, nunca foi ditada pela curiosidade espiritual, mas sim por urgentes necessidades materiais… - Depois desta evidente conclusão, historiadores e sociólogos podem considerar (se fazem questão em insistir), que o português é o mais universal dos europeus! – Diz o ditado popular: «Presunção e água benta, cada um toma a que quer».
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            Os jornais, apesar dos seus excessos, têm ao menos a franqueza das suas páginas poderem ser lidas e discutidas por toda a gente… Assim, para os males culturais que causam há sempre algum remédio…
            Mas como seguir o rastro das conversas privadas sobre o estado da Nação, que saem dos lábios dos políticos, como sopros de segredos, espalhando por toda a parte a desconfiança?
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            Quando é que a retórica política deixará de ser apreciada, como fonte sem caudal? – Logo que o civismo do cidadão se torne suficientemente arguto para não dar crédito aos inventores de “paraísos” terrestres e aos profetas de “tragédias”…
            Na verdade, a opinião pública numa Democracia que se preze, não é a voz de um partido, de um grupo económico ou de um clã. O ódio dos autoritários à cultura democrática, não tolera que o cidadão se liberte das mentiras que lhe impingem, segundo o processo apregoado pelo “diabo” no Auto da Feira (Gil Vicente).
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            Ao pensamento e aos ouvidos sempre nos soa bela a palavra inteligência. Todavia, parece que não tem tido entre nós grande progresso, pois que surge distribuída com uma tal avareza que contrasta, misteriosamente, com a prodigalidade demonstrada pela imbecilidade. Mas muitas vezes, a inteligência corre o risco desconcertante de cair na megalomania… Neste caso concreto, a inteligência continuará a ser, sem dúvida, uma bela mansão… mas à qual sempre falta o telhado!
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            Parece que este nosso “fim-do-mundo” está marcado para amanhã, pela madrugada… Há três ou quatro séculos que vivemos assim: - A comer antes que isto se acabe!
            E os políticos profissionais fazem parte das pessoas que mais comem nesta terra, engolem vorazmente, quase não mastigam. Comem com medo que alguém, saído do mesmo grupo, lhes tire a manjedoura. Na esfera do Poder político e poder económico nacionais, vive-se à pressa, sem tempo para adquirir maneiras.
Nesta terra tudo é efémero, as fortunas angariadas no poleiro e as fortunas herdadas de outras com roubalheiras mais antigas, todos sobem e descem, num abrir e fechar de olhos…
Os governos de acaso, improvisados, rodeiam-se de uma camarilha de cascas-grossas, de licenciados sequiosos de boa vida, ansiosos por titular-se com base no dinheiro que trazem na algibeira. Tudo é improvisado e, no exercício do mando e do Poder, não conhecem as “maneiras fidalgas” da educação e da cultura, ansiosos por mandar e comer, são sôfregos e sobranceiros: - Sabem que não tardam em aparecer outros a empurrá-los para fora do poleiro e da mesa do orçamento.
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            No «Dia de Reis» de 1966, o poeta Ruy Belo (1933-1978) escreveu estas palavras no prefácio da sua tradução do livro de Antoine de Saint-Exupéry, «Um sentido para a vida».
            «A grandeza do homem não esgota integralmente no destino da espécie. Cada indivíduo é um império e não uma formiga num formigueiro ou, o que éo mesmo, uma térmita da termiteira, símile de que voltará a deitar mão mais tarde. O homem não é o que se vê, é difícil medi-lo ou delimitá-lo. O homem são as canções nos dias de festa, a sopa quente à noitinha, as ternuras e as cóleras, são parentes, amigos. Para o homem, a verdade é aquilo que faz dele um homem. O gesto de um homem é uma fonte eterna, tem repercussão através dos tempos».

            Com Ruy Belo é grato redescobrir que existe uma vida do espírito, e que só ela nos faz permanecer dentro da Humanidade… apesar de toda a desumanidade!

1 comentário:

  1. Um exemplo a seguir na fábrica tyco.
    Trabalhadores valorizados e felizes produzem muitos mais do que humilhados constantemente.Trabalha enchadão que o patrão já me dá bom vinho e bom pão
    Paga salários acima da média, ginásio e férias para ver trabalhadores felizes.
    Um empresário de Penamacor paga aos seus funcionários uma média salarial que ronda os 1400 euros que, segundo o mesmo, é para fazer as pessoas felizes.
    Armindo Borges, o ‘patrão’ da Ibersaco, uma empresa de Penamacor, distrito de Castelo Branco, que produz sacos em ráfia, gosta de ver as pessoas felizes, retribuindo-lhes esse gesto no salário e condições.

    Nesta empresa tudo funciona como uma autêntica equipa e, mesmo o patrão, Armindo Borges, também dá uma ajudinha, sempre que necessário.

    Os funcionários da Ibersaco, para além de ganharem muito acima da média nacional, podem disfrutar de um ginásio nas instalações da empresa, para além de umas férias anuais pagas pela mesma, algo exemplar em Portugal.

    Armindo Borges pode ser visto como um dos melhores patrões em Portugal, face às condições e salários oferecidos na maioria das empresas.

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