terça-feira, 30 de junho de 2015

INDIGNAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! - FEIRA DE SÃO JOÃO ÉVORA

Ontem, Sábado 28 de Junho fui á feira de São João em Évora com a minha filha Lia de 4 anos.
Como já se devem ter dado conta - os que aqui residem e os que para aqui se deslocam para desfrutar do evento - o estacionamento automóvel durante os dias de feira é caótico e desordenado, pois a mesma está localizada em pleno centro da cidade.
Ora não tendo como estacionar, das duas uma: ou pura e simplesmente não se vai (a alternativa dos transportes públicos nem se coloca...) ou então indo de automóvel acaba por se encontrar um lugar (mesmo assim quando se encontra) que infringe o código da estrada. É ver então centenas de carros estacionados em cima de passeios, em 2ª e 3ªs filas, no meio de largos, em cima de passadeiras, etc, etc.
É mau, claro. Para além do desrespeito pelas regras, coloca problemas de mobilidade e outros que escuso estar aqui a enumerar. Mas é assim. A autarquia ao optar por fazer a feira mesmo no centro da cidade é inteiramente responsável por este tipo de situação e sabe que invariavelmente isto acontece todos os anos.
Deveria então haver (e sei que há) TOLERÂNCIA para com os automobilistas que não têm outra solução que estacionar nestas condições. A alternativa (desatar a passar multas), faria com que milhares de pessoas deixassem de vir. E isso a autarquia não estará certamente interessada em fazê-lo.
Ora, foi dentro deste contexto que eu, para dar uma alegria à minha pequena Lia e a levar uma noite aos carroceis, estacionei como os demais - em infração - deixando a minha viatura com as rodas da frente a pisar uma passadeira junto ao Mercado Municipal.
Olhando à volta, o meu veículo até nem era dos piores estacionados, pois ficou no corredor para estacionamento, enquanto que á minha volta havia uma boa dezena de carros completamente em cima do passeio e mais à frente outros que ocupavam praticamente a faixa de rodagem, deixando apenas um pequeno espaço para se passar.
E lá fui eu para a feira com a menina toda contente.
Quando voltamos, cerca de uma hora depois, eis que para meu espanto tinha o carro ....Bloqueado!!!! Tentando fazer avançar esta história (que dará um bom argumento), liguei para o numero que estava no autocolante (sim porque depois o teu carro fica cheio de fitas amarelas, outras fitas às riscas, com uma coisa gigante amarela numa das rodas, autocolantes nos vidros - as pessoas passam e olham-te como se fosses um criminoso, tal a atenção que aquilo provoca).
Lá veio então o polícia numa motorizada e talvez por a narrativa seguinte ser praticamente cinematográfica vou passar o resto da história com diálogo que mantive com o senhor agente. Foi mais ou menos isto (juro que não vou inventar muito, apenas não consigo reproduzir tudo, mas vai o essencial)
- Boa noite, é o senhor o proprietário da viatura?
- Sim, sou eu...
- O seu veículo foi bloqueado pois está a cobrir uma parte da passadeira e a infringir o código.
- O meu? E os outros que aqui estão mal estacionados, aqueles ali da frente por exemplo, vai multá-los, não?
- (subiu o tom): Você não me manda multar quem quer que seja...
- Então mas nesta altura da feira em que há milhares de carros por todo o lado, os senhores apenas atuam para os que estão em cima das passadeiras?
- O senhor é que arranjou o problema, não esteja a dizer isso
- (eu tb subi o tom...) Mas qual é o critério de bloquearem o meu carro e em relação aos outros nem sequer são multados? 
Se quiser pode multar-me à vontade, aliás já o fez - mas agora deveria então passar ali aos outros todos, porque não vai multá-los então?
Já lhe disse que você não me manda multar ninguém e acabou a conversa...
O texto já vai longo, por isso fico-me por aqui. O diálogo entre mim e o "Sr Agente" terminou ali. Teria que pagar em dinheiro ou cheque qualquer coisa como 60 e tal euros para me desbloquearem o carro. Não o fiz. Nem sequer tinha já dinheiro. A minha conta (e a de muitos portugueses) já tinha à data um saldo negativo...
Gostaria que divulgassem esta história e saber se alguém tem resposta para o seguinte:
1-Qual o critério para se aplicarem as multas de trânsito durante os dias da Feira de São de João em Évora? Os que estacionam em cima de passadeira são bloqueados mas todos os outros nem sequer levam multa? Existem outras situações?
2 - Se existem esses critérios porque não foram comunicados à população?
3 - E a Câmara Municipal o que tem a dizer sobre isto?
Obrigado pelo vosso tempo, mas para além da indignação que aqui deixo, é um aviso a todos os cidadãos que vêm à feira de São João.
Vitor Moreira - aqui

domingo, 28 de junho de 2015

Protestos contra a tourada na Feira de São João



O Bloco de Esquerda e o Grupo de Teatro Pim fecharam hoje os seus espaços na Feira de São João em protesto contra a Tourada que se realiza este domingo na Praça de Touros ali ao lado. Para o Grupo de Teatro Pim: "Porque acreditamos na Arte (Performativa ou outra) como forma de liberdade, de prazer, de celebração da vida ... recusamo-nos a conviver num mesmo evento (Feira de S.João) com a Tourada, claramente um espectaculo de violência, de opressão. PIM" (aqui)

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Intervenção do BE na Deliberação sobre a Petição "Fim dos Circos com Animais em Évora"



É sabido que o Bloco de Esquerda tem defendido a participação activa dos cidadãos e cidadãs na política. A participação cidadã não pode ser só um slogan, mas um mote para as mudanças que a nossa sociedade necessita.

Os diferentes partidos aqui representados, permitiu que o mecanismo de petição cidadã se tornasse mais ágil, acessível e consequente.

Chegamos hoje ao fim de um primeiro ciclo de uma primeira petição enquadrada neste novo Regimento, com a sua apreciação e votação. É com um enorme prazer que assistimos a este envolvimento cidadão numa causa tão nobre e importante. As minhas primeiras palavras são, naturalmente, de felicitação a estes munícipes empenhados.
Discutimos hoje se esta Assembleia deve ou não recomendar ao executivo para que regule a impossibilidade de instalação, em espaços municipais, de circos que utilizem animais não humanos nos seus espectáculos.
Após análise da petição apresentada e da audição promovida por esta Assembleia, o Bloco de Esquerda, apesar de já ter sido bastante claro sobre esta questão na última reunião, considera que:
  1. A arte circense ocupa um lugar imprescindível no espaço cultural do nosso concelho e do nosso país. Sabemos bem que os artistas de circo trabalham exaustivamente para proporcionarem ao público espectáculos de uma beleza única e, como tal, não podemos deixar de os valorizar, especialmente num país em que os apoios públicos para a cultura estão reduzidos a quase nada;
  2. A exibição de animais nos circos tem implicações claras sobre o seu bem-estar, seja pela forma como são treinados, condições em que são mantidos ou formas e condições de transporte;
  3. A nobreza do Circo não é compatível com um quotidiano de sofrimento animal;
  4. O Concelho de Évora deve respeitar e defender, intransigentemente, a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
  5. Esta defesa intransigente não é compatível com a escusa da necessidade da existência de decisões nacionais, sem a existência de qualquer ação local. O Bloco de Esquerda considera uma afronta para o poder local democrático varrer para um cenário nacional acções que podem ter o seu início a nível local;
  6. A decisão tida nesta Assembleia não resolverá, obviamente, o problema de todo o sofrimento animal ao nível do Concelho, nem tão pouco resolverá qualquer questão a nível nacional. Ainda assim, tapar os olhos ou delegar noutras instâncias, algo que pode ser feito localmente, é um ato de irresponsabilidade e cobardia política que o Bloco de Esquerda repudia;
  7. Este é um momento ideal para o município dar um sinal claro que a defesa dos direitos dos animais é algo mais do que uma afirmação vã;
  8. Deverão ser encorajados os circos sem utilização dos animais a instalarem-se em Évora, sendo dada visibilidade na agenda cultural do município e demais meios de comunicação ao dispor.
Tendo em conta todos os considerandos apresentados hoje e na última reunião da Assembleia Municipal, o Bloco de Esquerda votará favoravelmente ao conteúdo peticionário, recomendando que o município regulamente o bem-estar e saúde animal, permitindo a proteção dos animais, e consequentemente inviabilize a instalação no Concelho de Évora de Circos que utilizem animais não humanos.

Évora, 25 de Junho de 2015
O membro da AME eleito pelo Bloco de Esquerda
Bruno Martins


Assembleia Municipal de Évora aprova recomendação que visa proibir a exibição de circos com animais no concelho



A petição para proibir a exibição em Évora de circos com animais foi aprovada na reunião da Assembleia Municipal desta quinta-feira com 15 votos a favor, 4 abstenções e 14 contra! Cabe agora à Câmara Municipal regulamentar nesse sentido,uma vez que se trata de uma recomendação,podendo ser indeferida (uma situação rara).
A petição (e a sua aprovação) é um facto inédito na história autárquica de Évora.
A votação foi a seguinte:
15 votos a favor (BE + PS + 1PSD)
14 votos contra (CDU + 1PSD)
4 abstenções (3CDU + 1PSD)

ver aqui: https://www.facebook.com/pages/%C3%89vora-sem-Circos-com-animais/1449001578672405


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Terão todos endoidecido ao mesmo tempo?


Esta é a imagem colocada em vários outdoors, pela Câmara de Beja, a reivindicar a construção do IP-8 (?). Não se sabe o que é que os romanos (ou, pela indumentária, alguma seita religiosa pós-moderna...), terão a ver com isto, mas enfim... Na sua newsletter, a Câmara explica os porquês desta campanha: "A Câmara Municipal de Beja tem no terreno uma nova iniciativa com vista à exigência da concretização das obras, neste caso, com a colocação de outdoors ao longo do IP8, sob o lema “Há séculos que já devia estar feito”. Todas as iniciativas, de todas as instituições e da população da região são importantes até conseguirmos que esta obra fundamental para romper os estrangulamentos no plano das acessibilidades seja concretizada."
Aníbal Costa, presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo, já veio a terreiro no seu facebook, falar desta acção reivindicativa da Câmara de Beja: 
"Parece que a CM Beja, vá-se lá saber porquê (?!) acha que o IP8 (não é a A26 - Auto-Estrada do Baixo Alentejo, é o IP8, pois...) devia ter sido feito "há séculos" presumimos que, pela indumentária dos "bonecos", no tempo dos "romanos".
E numa "fúria propagandística", e ao que parece "romanizadora" (coerente, pois!) até extravasou os limites do Concelho...colocando um aqui na rotunda (essa sim do IP8) perto de outra Sede de Concelho, por sinal bem mais interventiva em todo o processo de contestação...
Porque será que assim é?...Terão os ilustres (e despesistas autarcas) medo da "Poção Mágica"? 
Pois é: Lignum tortum haud unquam rectum."


quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Romântico Jardim Público de Évora (IV)

Joaquim Palminha da Silva
*

        
            Escrevendo uma prosa laudatória sobre o cenógrafo-arquitecto italiano, o jornal O Manuelinho d’Évora (nº382, 20/5/1888), entrega-nos uma mão cheia de informações sobre o artista Giuseppe Luigi Cinati e o seu intrínseco idealismo na edificação do «passeio público» de Évora:
            «Em 1863, vindo a Évora o sr. José Cinati ddirigir a obra do palácio sr. José Ramalho, prestou-se a instâncias d’este cavalheiro para dirigir a construção do passeio. Aceitou a camara tão va oferta, e no mez de março d’aquelle mesmo anno se deu princípio obra do passeio, […]. Por muitas vezes veio de propósito a Évora, demorando-se dias para dirigir e activar trabalhos, além de remeter de Lisboa os desenhos necessários. Além de muitas árvores e arbustos para se plantarem, e tudo desinteressadamente.».
            O facto é que a velha linha de fortificação militar e a sua “irmandade” com a atmosfera envolvente do «passeio público», para quem acaba de entrar na cidade, inspiravam harmoniosas evocações do século XVI… Jardim Público romântico e, talvez ainda, um dos poucos exemplares mais completos existentes no País, de um património nacional que a “modernidade” está a fazer desaparecer…
            Sobre este esplendido “espaço verde”, nos finais do século XIX, escreveu o escritor Fialho de Almeida (in Estâncias de Arte e de Saudade):
O «jardim fica no topo do grande terreiro das feiras, à entrada da cidade […].
            É vasto e plantado pelo sistema do jardim da Estrela, maciços entremeados de ruazinhas […] que vão e vêm sob as ramadas do arvoredo. Dentro do arco dos muros ficam umas ruínas de palácio gótico, fingidas por Cinatti, […] duma imponência a encher de assombro o mais romanesco peito de “touriste”. […].
            A tarde morre e eu demoro-me um instante junto à grade que delimita o jardim por cima da antiga muralha, a olhar o horizonte imenso, luminoso, ondulado, que para aquela banda se perspectiva, […].».
            Seguindo o traço vulgarizado pelo arquitecto francês Violet-Le-Duc, para o castelo de Carcassonne (sul da França), Cinatti de facto aproveitou um recanto da muralha Medieval para aí instalar as ruínas fingidas (1866). Todavia, entraram na composição destas cinco janelas geminadas de arcos em ferradura e capitéis exóticos de mármore branco, de “fábrica” autêntica, provenientes do então arruinado palácio do Bispo D. Afonso de Portugal. Do conjunto faz parte a torre de grossa alvenaria, rematada por cordão torso, dito manuelino, e cordão de merlões dentados.



            Ao desenho dos espaços verdes e selecção de árvores, traçado de lagos (com donairosos cisnes!), incluindo a integração da Galeria das Damas, vulgarmente denominadas “Palácio de D. Manuel”, na verdade derradeiro espécime do desaparecido Paço Real de Évora, bem como a frondosa mata do Jardim, veio acrescentar-se um gracioso coreto em 1888, formado por um prisma reto hexagonal.
            Foi este Jardim Público, de que hoje (2015) infelizmente temos uma pálida e desvirtuada imagem, que mereceu desde logo ao lisboeta Carlos Bastos, autor de folhetos de propaganda de viagens, na publicação do livrinho «Viagem a Beja e Évora em 20 de Junho de 1867», a afirmação de que o «passeio público» de Évora, era «Muito melhor que o nosso Passeio no Rocio. Obra de Cinatti, está em princípio mas deverá vir a ser muito melhor e mesmo mais curioso que o da Estrela».
            Além do busto de Giuseppe Cinatti (que sofreu tentativa de vandalização em 2013, que acabou em tragédia), uma vez concluída a mata em 1881, o Jardim Público recebeu uma única obra de estatuária digna desse nome: o busto da poetisa Florbela Espanca, inaugurado a 18 de Junho de 1949!
            Com a sua oliveira da paz, plantada pela vereação democrática da Municipalidade em 1919, durante pouco mais de um século, o Jardim Público foi centro fundamental da sociabilidade urbana e espaço de projecção cultural a vários títulos, como dizia o periódico Manuelinho d’Évora (1888): «recinto pitoresco e aprazível» de «arvoredo frondente», e «vegetação ubérrima e luxuriante».

 
Amarga conclusão

            Nas últimas décadas, a seguir ao estabelecimento do regime democrático (1974), este Jardim Público que foi sempre por excelência um espaço de sociabilidade democratizante, veio a sofrer a injustiça de autênticas vandalizações, graves sobretudo porque promovidas por executivos políticos da Câmara Municipal de Évora, naturalmente servidos por técnicos especialistas de espaços verdes de forma subserviente…
            Primeiro, foi a instalação de parte da Universidade de Évora num antigo aquartelamento (Artilharia nº3) que, subtraindo escusadamente espaço ao Jardim, concluiu a sua localização com a colocação de chaminés de alumínio sobre os telhados do seu casario, numa clara afronta ao espaço monumental ímpar!
            Depois, aos poucos, a própria Câmara Municipal de Évora, foi despojando de arvoredo a entrada da mata, em ordem a imperativos “populares” efémeros, para instalação de equipamentos de feira. Aos poucos, o aparecimento de flores nas placas do Jardim acabaram por ser um “fenómeno”, tão raras se tornaram… Por fim, vandalizado com a intromissão de uma “escadaria” manhosa, partindo do cimo da sua muralha para o recinto na altura da Feira de S. João, o Jardim Público é também conspurcado com a instalação de mini-tabernas no seu espaço, proporcionando-se assim a exibição bárbara de tudo o que é a negação do Jardim, como espaço de harmonia, tranquilidade e sociabilidade (não alcoolizada!) dos habitantes da urbe.
            Com instalações sanitárias que são um autêntico atentado à saúde pública, troços de calçada a desfazerem-se, apresentando enormes sulcos nas suas ruas de terra batida, bem como vários desníveis, naturalmente acontecidos pela acção das águas e negligência dos especialistas, com o busto de Florbela Espanca “castigado” com um redondel de arbustos, como que “emparedando” a poetisa, este não é mais o «passeio público» que o final do século XIX festejou, pela pena de escritores e jornalistas, e que as Filarmónicas abrilhantaram com composições de Verdi! …

Este é o «jardim público» do relaxamento de maneiras, da “falta de educação” de uma espécie de gente que julga que ser de “esquerda” é ser grosseiro, dizer “palavrões”, cuspir para o chão e pisar as flores!

PS, Câmara e Assembleia Municipal pedem esclarecimentos sobre funcionamento da oncologia no Hospital de Évora. A ARS nega qualquer "falha".


Na sequência de notícias vindas a público relativas à saída de alguns profissionais do Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HEDE), o Deputado Bravo Nico apresentou, na Assembleia da República, uma pergunta formal ao Ministro da Saúde, no sentido de esclarecer a situação.
Bravo Nico colocou ao governante a seguinte questão:

«Nos últimos dias, tem circulado a notícia da saída de alguns profissionais do Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), nomeadamente do seu Diretor de Serviço, que coordenava aquela unidade desde a sua fundação, em 2002.
Esta situação, pela quantidade e qualidade dos profissionais envolvidos, poderá, eventualmente, colocar em causa a manutenção daquele serviço, que é uma referência de qualidade nos cuidados diferenciados que presta à totalidade da população alentejana (mais de 430 000 pessoas). Por outro lado, poderá comprometer a formação médica nesta especialidade, atendendo ao facto de a saída dos profissionais mais qualificados fragilizar esta dimensão formativa.
Atendendo a que a informação que circula é dispersa, tem provocado natural receio na população e necessita de ser esclarecida, por fonte oficial, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, venho requerer, através de V.Exa., ao Senhor Ministro da Saúde, resposta às seguintes perguntas:
- Confirma-se a saída de profissionais do Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora? Em caso afirmativo, quais os profissionais que deixaram de exercer funções nesse serviço? 
- Qual a atual situação do Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora, no que se refere aos profissionais que, aí, prestam serviço; 
- O Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo corre risco de encerrar? 
- Que medidas vão/estão a ser tomadas, no sentido de repor o nível quantitativo e qualitativo do serviço prestado pelo Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora à população do Alentejo e, em particular, do distrito de Évora?» (nota de imprensa do grupo parlamentar do PS)

*

Também recentemente, devido a esta situação, os presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal de Évora tinham pedido esclarecimentos à ARS Alentejo:

Os recentes acontecimentos tornados públicos nos Serviços de Oncologia e Radiologia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) têm vindo a causar preocupação geral pela sensibilidade da matéria e pela possibilidade de a situação comprometer a manutenção de cuidados de saúde diferenciados a toda a população do Alentejo, tendo em conta a centralidade do HESE na Rede de Referenciação Hospitalar.
Por conseguinte, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, e o Presidente da Assembleia Municipal de Évora, António Jara, tomaram a iniciativa de solicitar audiência ao Presidente da Administração Regional de Saúde do Alentejo com o intuito de conhecer a situação em detalhe e obter esclarecimentos sobre a atual capacidade de resposta dos serviços de saúde públicos nestas especialidades e se a mesma põe em causa o direito à saúde dos utentes. (nota de imprensa da CME)
*

A ARS, contactada pela agência LUSA, confirmou a saída do director do serviço de oncologia e de outro médico, mas garantiu não ter havido "nenhuma falha" nos cuidados prestados. aqui

Hospital de Évora sem oncologistas?


Évora: mais uma associação que fecha

terça-feira, 23 de junho de 2015

Évora: esta noite de novo na Feira de São João


Parade

Eis-nos mais uma vez em plenas Festas da Cidade de Évora, a Feira de São João. Mais ou menos ansiosos por que chegue mais uma edição, mais ou menos distraídos sobre o que acontece de novo no rossio, os que vivem, nasceram, passam ou passaram frequentemente por Évora não deixam de reparar nela. Nem que seja, no caso dos declarada e convictamente anti- feiras e quejandos, para a contornar e evitar.
Tratando-se de uma iniciativa municipal, os sucessivos executivos no poder acabam sempre por ser julgados, de ano para ano, pelo impacto que cada ano e nesse mesmo ano a Feira tem nos seus frequentadores. Sim, porque deixemos passar um par de anos e lá nos esquecemos nós do que de bom ou mau lhe encontrámos e achámos. Não sendo possível, nunca, agradar a todos, quando esses todos formam uma sociedade plural e livre para o também livre-arbítrio, os políticos em posição de governo tratam, por estas alturas também e sobretudo em períodos pré-eleitorais, de agradar ao maior número possível e cativar os cidadãos, potenciais eleitores. Abrem-se os cordões à bolsa que antes se dizia vazia, furada no fundo - por outros, claro!, sempre por outros, nunca por quem exigia, mesmo na oposição, que se gastasse mais aqui e ali, e não se gastasse nem nestes, nem noutros, afinal já em tempos em que se “faziam oitos com pernas de noves”, o que significa faltar alguma coisa nalgum lado. Uma bolsa sempre a perder recheio que, alinhavada por argumentos que outrora pareciam não servir, miraculosamente em ano de eleições, estancam e arrecadam aqui e ali alguns cobres, para que os cordões se abram e que, mesmo lembrando aos cidadãos que, se em casa continuam sem pão – culpa dos outros, claro! sempre dos outros, e que jeito dá aqui e ali meter essa bucha de relembrar esses outros que são os que nos tiram o pão e nos obrigam a dar-vos bolos – na rua há circo para esquecer.
Desfila-se diligentemente entre os cidadãos, atrás, à frente, no meio ou de lado – conforme dê mais jeito e onde se seja melhor visto pelos que assistem quanto mais deslumbrados melhor - aos cortejos que também se chamam, por vezes, paradas, versão das modernas e internacionais e históricas parades. Desfile, marcha, cortejo, procissão ou parada são eventos comemorativos onde pessoas e objetos móveis percorrem um determinado caminho, sucedendo-se uns aos outros de forma coordenada. Se o desfile é o termo mais neutro, o cortejo é o mais alegórico e carregado de simbologias e a procissão o de carácter religioso. Já marcha se usa mais para a manifestação política e a parada, em português, se associa aos movimentos militares quotidianos. Mas a parade, ah! a parade mistura tudo, numa explosão de festa e de cores que celebra alegrias, num alarido sonoro que chama as atenções, com disfarces que realizam sonhos no tempo, curto, do desfilar, desejos negados pela realidade do dia-a-dia.
Este ano a Feira de São João celebra o Palácio, o nosso o do Dom Manuel, que cresceu pedra sobre pedra na mesma época em que tantos outros palácios se erguiam no que é este espaço chamado Portugal, para albergar os poderosos, os que se sucediam dinasticamente, os filhos ou sobrinhos aos pais e aos avós, numa linhagem sempre desejavelmente pura, mas só no sangue Os que governavam os outros, longe, muito longe ainda do tempo desta Democracia que dá o poder, também do voto e do veto, ao Povo.
E por mais voltas que se dê quando se celebra alguma coisa faz-se-lhe um lugar na memória. Para uns com nostalgias, para outros com repúdio. E para outros, ainda, dando uma no cravo e outra na ferradura. Uma boa Feira e até para a semana.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na Rádio Diana)

O Romântico Jardim Público de Évora


Joaquim Palminha da Silva
III


Gravura do Rossio de São Brás cerca de 1846, antes da edificação do Jardim Público e do palacete do lavrador «Ramalho». Pode-se observar a porta de entrada para a cidade, então ainda existente no Rossio.

O mecenas do «Passeio Público» de Évora, hoje denominado Jardim Público, tem vindo a ser esquecido pela moderna historiografia da cidade o que, não sendo justo, dá a tudo o que se escreveu sobre este espaço um recorte de negligência ou má-fé dos “investigadores” locais, licenciados ou “mestres” da tesoura e cola. Não entra nesta “galeria” Túlio Espanca, o único que em breve parágrafo de um seu escrito menciona a paternidade do Passeio Público, se assim posso dizer.
            Foi mecenas do Jardim Público o abastado lavrador José Maria Ramalho Dinis Perdigão (falecido em 1884).

            O «Livro nº 66 das Actas da Câmara Municipal de Évora , 1854-1856», dá-nos conta de troca de terrenos entre o citado lavrador e o Município, nas imediações do Rossio de São Brás. De facto, na acta da sessão de Câmara de 12 de Maio de 1856, registou-se que essa troca tinha por objectivo possibilitar a edificação de residência (um palacete neo-romântico) do lavrador no perímetro do Rossio, para cujo projecto e sua execução prática fora contratado um cenógrafo de origem italiana, com vocação de arquitecto, comissionado na Ópera de Lisboa (S. Carlos), então muito solicitado pela aristocracia do tempo.
            Após esta troca de terrenos, o lavrador José Maria Ramalho Dinis Perdigão entendeu doar à Câmara Municipal de Évora terrenos localizados face à fachada do palacete em construção, para aí ser construído um «passeio público», cuja edificação e desenho era do mesmo autor da sua moradia, o artista Giuseppe Luigi Cinatti. Palacete e «passeio público» ficaram assim “tablados”, e com tal acinte, que passaram a marcar de forma original, e monumental, a entrada da cidade pelo Rossio que era, na época, a entrada da urbe na “modernidade” na viragem do século XIX para o XX.
            O facto é que «passeio público» de Évora, no dizer dos contemporâneos, desenhado-edificado-plantado pelo artista italiano, chegou a ultrapassar em imaginosas e ultra-românticas evocações, o «passeio público» junto à basílica da Estrela (Lisboa), então a última aquisição da nova urbanidade, que se plantava na capital do Reino!
            



                                                                                                                  (continua)


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Eu sou Grego

Decorre hoje em Lisboa uma Manifestação de Solidariedade com o Povo Grego. Como não estar solidário com o povo grego perante a enorme chantagem exercida pelas instituições europeias? Como não estar solidário com um governo que governa tendo em conta os interesses do povo e respeitando o programa eleitoral que foi sufragado?
O governo grego tem sido chantageado, ameaçado e caluniado, numa ofensiva sem precedentes do conjunto das instituições europeias e dos governos dos países europeus dominados pelo liberalismo radical. Dizem que a esquerda radical não cede. Que a esquerda radical é irresponsável. Uma esquerda, sim porque não sei a que radicalismo se referem, que defende as pessoas, a justiça social, o emprego, que as coloca como prioridade, que considera que quem criou a crise a deve pagar, é a verdadeira esquerda. Bem sei que constituem uma ameaça para a banca, para os interesses capitalistas. Bem sei… E por isso mesmo tem o meu total apoio.
Sabemos bem que dos 254 biliões de euros “europeus” supostamente injetados na Grécia para a retirar da crise, apenas pouco mais de 10% foram para o Estado Grego. 90% destes 254 biliões (!) ou foram direitos para o sistema financeiro (especialmente para a banca alemã e francesa) ou foram perdidos em medidas austeritárias para controlo do défice, medidas essas que falharam em toda a linha.
Sabemos bem de quem é a culpa da crise na Grécia, em Portugal, na Irlanda, em Espanha ou na Itália. Sabemos bem! E quem sabe, não pode deixar de estar de uma forma solidária e fraterna ao lado dos nossos.
Que não restem dúvidas: O problema dos gregos é também o meu problema. Um governo que está ao lado do seu povo é também o meu governo!
Que a democracia vença a chantagem. Que a coragem vença o medo.
Tenho a certeza que o vento democrático soprará o medo para o outro lado!
Até para a semana!

Bruno Martins (crónica na Radio Diana)

domingo, 21 de junho de 2015

O Romântico Jardim Público de Évora (*) - I/II

Joaquim Palminha Silva
(Introdução)

Pelo lugar material e cultural que desempenha no tecido urbano da cidade, o Jardim Público, talvez com mais acerto intitulado na segunda metade do século XIX «Passeio Público», merece um destaque muito especial como património vivo da urbe e, nesse sentido, aqui lhe registamos a breve história e a interpretação que nos inspira.
*

A génese do Jardim é complexa. As referências históricas apontam sempre o Jardim como o lugar privilegiado para a meditação religiosa e filosófica. Por conseguinte, desde a mais remeta antiguidade clássica, o Jardim é considerado, depois do Templo, como um dos lugares sagrados da Humanidade. O Rei Salomão no «Cântico dos Cânticos» faz a apologia dos jardins que plantou e de onde se exalavam os perfumes do sândalo e da mirra. Na língua hebraica, a palavra jardim contém a ideia de Éden, isto é, do bíblico «Paraíso Perdido» pelo Homem…


Na Grécia clássica, como refere Xenofonte, o Jardim era um lugar aprazível onde se podia filosofar tranquilamente. Por sua vez, os romanos tinham do Jardim a ideia de local agradável e útil, onde se deveria ligar, de forma harmoniosa, a arquitectura à vegetação natural. Nasceram então as pérgolas, os terraços, os muros de vegetação, as fontes e lagos, pelo que os romanos devem ser responsabilizados pelo nascimento do modelo de jardim que ainda hoje perdutra no ocidente latinizado. No Oriente (China e Japão), o Jardim é obra suprema para servir a velhice no repouso e na meditação que proporciona.
Estes exemplos servem para esclarecer, apesar das diferentes estruturas e formas que o Jardim tomou ao longo do tempo e em diferentes espaços geográficos, que ele assenta num ideal comum: a sua sacralidade e o seu serviço em favor da paz e da meditação.
Em Portugal, desde os séculos X e XII, a Ordem Beneditina, a Ordem de Cister, assim como os monges Agostinhos e os Franciscanos, estabeleceram nos terrenos anexos às suas “casas“ vários tipos de Jardim, às vezes sob a forma de pomares, como foi o caso dos franciscanos de Évora, no seu Convento vizinho do Paço Real.
Com o século (XVII) do barroco, o Jardim português atingiu a sua maioridade, adaptando-se melhor à terra evidenciando uma escala mais humanizada. Há mesmo exemplos de aquisições de carácter intimista. Entretanto, a matriz clássica romana ganha entre nós uma nova dimensão, nomeadamente com a introdução do azulejo, dos canteiros com geometrias, sendo introduzida a plantação de flores e arbusto da época, que se passam a “esculpir” e “desenhar”, de forma a ganharem formas ao gosto do tempo.


Jardim do Palácio de Queluz (pormenor)

O nosso século XIX adopta o Jardim-paisagem (Parque da Pena e Parque de Monserrate), isto é, estamos pois na presença dos Jardins sem tempo, no dizer deslumbrado de Lorde Byron, ao referir-se a Sintra!
As lutas civis e militares pelo estabelecimento da monarquia liberal em toda a Europa, com o seu democratismo romântico e defensor das independências nacionais, após a queda do império napoleónico, tiveram um impacto muito especial nas formas de existência do Jardim. Começou-se então a desenhar em todas as grandes capitais europeias o Jardim-Passeio Público, ganhando a sua existência um espaço nunca imaginado.
Da privacidade e recato das mansões de aristocratas e alta burguesia nascente, acompanhando a “revolução” cultural que se ia alastrando por toda a Europa, e a mudança de mentalidades, no encalço das vitórias do liberalismo democrático, o Jardim surgiu como espaço privilegiado da nova urbanidade.
O Jardim transformou-se, pois, em centro colectivo de animação cultural, social e cívica da cidade democrática, gerido pelo Município para usufruto dos cidadãos. Com espaço próprio (coreto) para concertos de bandas filarmónicas locais, cultivo e venda de flores da época, observatórios com telescópios, espaço de leitura “ao ar livre” (serviço proporcionado pela Biblioteca Pública e/ou Municipal), o Jardim ganhou uma nova personalidade, mas diga-se que, entretanto, não tendo perdido a “sacralidade” da época clássica, adquiriu características colectivas, implicando a instalação de mobiliário urbano nos seus espaços verdes e, através de jardinagem e vigilância atenta, foi paulatinamente instalando nas mentalidades correntes das populações princípios de estima e civismo pela conservação do espaço público.


Coreto do Jardim Público de Évora, segundo projecto de Manoel de oliveira e Silva, inaugurado em 20 de Maio de 1888, com concerto pela «Banda da Real Casa Pia de Évora».

Na nova fisionomia do Jardim democrático, abundam as cascatas, os rochedos fingidos, os lagos com cisnes, as cenografias românticas, teatrais, inspiradas no teatro ou nas “lendas e narrativas”, as ravinas, árvores simbólicas (oliveira/árvore da paz), engalanados miradouros sobre os campos vizinhos ou sobre a cidade, plantas exóticas, recantos discretos para os apaixonados, bem como instalação de mobiliário mais resistente ao tempo.

Ruinas fingidas do Jardim Público de Évora

Enfim, este derradeiro modelo de Jardim, parte integrante da nova ideia de cidade. Nascido nos meados do século XIX, conserva um romântico exemplar em Évora: - O Jardim Público, aberto a toda a população num verdejante abraço fraternal, democrático, a partir de 1863!


Entrada principal do «Passeio Público» de Évora nos finais do século XIX ou início do século XX (de uma carta-postal).

(continua)

*Este trabalho foi publicado na sua 1ª versão na «Monografia da Freguesia da Sé e S. Pedro». O texto agora presente apresenta algumas alterações.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Évora: partidos num frenesim com eleições legislativas à vista


ANTÓNIO COSTA PRESIDE A CONVENÇÃO SOCIALISTA DE ÉVORA
Os socialistas do distrito de Évora, filiados ou simpatizantes do PS reúnem em Convenção, para discutir e aprovar o seu Programa Eleitoral Distrital, na próxima Sexta-feira, dia 19 de Junho, no Hotel Vila Galé, e que será presidida pelo Secretário Geral do PS, António Costa.
A Convenção pretende manter vivo o espírito das "Primárias", que designaram António Costa como candidato a Primeiro-ministro, e contará com cerca de 400 Delegados oriundos de todos os municípios do Distrito, cerca de metade dos quais não filiados no partido.
Estará em discussão e aprovação o documento "20 PRIORIDADES PARA A PRÓXIMA LEGISLATURA", que tem vindo a ser preparado no último semestre por uma equipa presidida por Henrique Troncho e que realizou cerca de dezena e meia de audições, vários debates sectoriais e diversas visitas e entrevistas, nas quais participaram muitos especialistas em diversas áreas, grande parte dos quais independentes.
O documento foi igualmente discutido pelo Secretariado da Federação de Évora do PS, pelo Conselho Consultivo Independente, composto exclusivamente por cidadãos sem filiação partidária, que propôs vários aditamentos e correções, e também pela Comissão Política Distrital que mandatou a Convenção para proceder à sua aprovação final.
As intervenções de fundo da Convenção estarão a cargo, para além do Secretário Geral do PS e candidato à Primeiro ministro, do Deputado Vieira da Silva, que integrou o grupo de economistas que elaborou o Relatório Macro-Económico que enquadrou o programa eleitoral nacional do PS, do Coordenador da Elaboração do Programa Distrital, Henrique Troncho, e do Presidente do Conselho Consultivo Independente, João Mateus, Director do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo.
A Convenção será aberta pela Presidente da sua Comissão Organizadora, Florbela Fernandes e o encerramento estará a cargo do Presidente da Federação Distrital Socialista, Capoulas Santos.

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Este sábado, dia 20 Junho, pelas 17h00 no restaurante O Páteo, na Rua 5 de Outubro, apresentação da Equipa da Coligação PSD/CDS-PP, "Portugal à Frente" para o Distrito de Évora. 
Participa !

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A Coligação Democrática Unitária (CDU), no âmbito das Eleições Legislativas de 2015, convida-o (a) a estar presente no acto público, no dia 23 de Junho, às 18h00, no hotel M’AR de AR Muralhas, Travessa da Palmeira, em Évora, com intervenções de:

· Carlos Pinto de Sá – membro da Direcção da Organização Regional de Évora do PCP
· João Oliveira – deputado e membro da Comissão Politica do Comité Central do PCP
· Jerónimo de Sousa – Secretário Geral do PCP

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Uma única palavra: prevenção

Escrevo esta crónica, terça-feira, após ter participado no conselho municipal de segurança que ocorreu hoje nos paços do concelho da nossa cidade, na qualidade de conselheiro municipal indicado pela assembleia. Com efeito, saí da reunião com as algumas preocupações que pretendo partilhar com os ouvintes e leitores da Rádio Diana.
A primeira prende-se com o programa municipal de emergência do concelho de Évora. Interpelei a este propósito o senhor Presidente da Câmara Municipal no sentido de saber se o plano de emergência estava totalmente operacional e se observa a lei. O que me foi dito que o programa municipal de emergência não só está operacional, como observa todos os diplomas legais que regulam esta matéria. Porém, o responsável pelo serviço municipal pela proteção civil referiu que o centro histórico, pela sua especificidade, exige um plano de emergência especial que preveja as inúmeras particularidades que um centro histórico, como o da cidade de Évora o revela.
Não sou especialista na matéria, mas o bom senso dita a exigência de um plano de emergência para o centro histórico em plena articulação com todas as forças que integram a proteção civil. O incêndio que ocorrera no centro histórico de Viseu na semana passada trouxe à saciedade as lacunas e as debilidades aí vividas. Só por um mero acaso não houve maiores danos patrimoniais, quiçá até perdas de vidas. Por isso, não quero que a minha cidade esteja vulnerável às incúrias das pessoas e dos políticos. Porque em relação às vulnerabilidades naturais, ninguém as poderá remediar. Donde, o sucesso no combate às catástrofes reside na prevenção e na educação das populações. Do que é que estão à espera?
A outra preocupação reside no Hospital do Espirito Santo, no quinto piso, onde está sedeado o serviço de cardiologia. Segundo informação prestada pelo atual presidente da assembleia municipal de Évora, Dr. Jara, não há aí pontos de fuga, ou seja, as pessoas e pior os doentes, têm que sair pelas janelas ou ficam encurralados em caso de incêndio. Estão bem a ver o que seria a dificuldade de retirar não sei quantas pessoas, de um quinto andar, pelas janelas.
Mas isto não acaba aqui. Aquando do último simulacro realizado pelos Bombeiros Voluntários de Évora no hospital, demoram mais de uma hora para tirar a primeira pessoa devido aos inúmeros carros indevidamente estacionados. Só resta uma pergunta. O que é que o conselho de administração do Hospital poderá fazer para mitigar esta inusitada situação?

José Policarpo (crónica na Rádio Diana)

terça-feira, 16 de junho de 2015

Os Velhos e os Meninos


«É cousa tão natural o responder, que até os penhascos duros respondem, e para as vozes têm ecos. Pelo contrário é tão grande violência não responder, que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem responder, rebentariam de dor.»  - Padre António Vieira, Circular à nobreza de Portugal, Julho de 1694. In Cartas…, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1928.          
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A velhice, que tradicionalmente significou previsão, reserva de experiência, melhoria no relacionamento humano e na qualidade de vida, em Portugal deslizou para a marginalidade, produz acelerada indigência e inspira cada dia maior indiferença e, institucionalmente, serve para o Estado praticar sobre ela, chamando-lhe sarcasticamente “3ª idade”, vário de tipo de violências físicas e psicológicas, como por exemplo extorquindo-lhe, arbitrariamente, percentagens substanciais às suas reformas e pensões, desprezando assim todo o princípio ético de um «Estado de Direito», de um regime Democrático!  
Ao contrário do que seria necessário para subsistir na União Europeia com um mínimo de dignidade, fazendo-se respeitar e respeitando-se a si mesmo, as “classes” dirigentes de Portugal entraram por todos os vestíbulos do atraso económico, da regressão social, da subserviência ao estrangeiro, do medo (administrativo e financeiro), de mistura com a parvoíce partidária e a estupidificação generalizada da população, intoxicada pelos media
Há mais de 50 anos que não cresce de forma significativa a população portuguesa….
 Ainda há pouco (jornal Público, 12/6/2015) a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência explicava que a quebra de natalidade fez com que o ensino básico perdesse 97.752 anos, durante os últimos sete anos!
Em síntese, a população portuguesa diminui e envelhece com grande rapidez. Entretanto, emigra alguma da que resta com capacidade empreendedora e audácia, tendo atingido o quantitativo de mais de 53 mil emigrantes por ano (2013)!
Falemos claro e a doer: - Os partidos políticos e o capitalismo seu associado, da esquerda tradicional à direita clássica, passando pelo centro incaracterístico, revelam-se incapazes de agasalhar um tão escasso e pacífico número de habitantes (casa, pão, trabalho…), de forma organizada, minimamente aceitável, civilizada… No “mundo” laboral há salários tão magros que são um insulto a quem trabalha, e um convite para que a pobreza se transforme em crime e delinquência sistemática, já que os movimentos de rebelião estão fechados à chave no armário dos “esqueletos revolucionários”, propriedade de “comunistas” e tutti quanti
Há reformas e pensões pagas aos idosos que, com as reduções impostas pelo Fundo Monetário Internacional, o encarecimento dos cuidados de saúde ou sua ausência parcial se revelam a expressão viva, naturalmente modernizada, da eutanásia, da exterminação calculada e posta em prática pelos nazis até 1945, mas que hoje já não comove ninguém (vá lá saber-se porquê!), nem os enfatuados burocratas da ONU!
Às vezes, o Poder político e económico dá uns trocos à turbamulta, distribui uns subsídios à plebe devoradora de bisbilhotices e coscuvilheira de intimidades, porque em determinadas épocas lhes convém dar uns “cêntimos para pevides”… Então, lá vêm, os militantes dos “partidos do povo” dizer que foram eles e só eles, com a sua gritaria e o medo que inspiram à burguesia, quem forçou os de cima a dar qualquer “coisinha” aos de baixo! – Como se houvesse no Poder político e económico, alguma vergonha ou medo desta gente da pedincha, aos gritos e em grupo, rua abaixo, rua acima!
Há quanto tempo vivemos esta mentira? Quanto tempo mais temos de aturar estes jogos patéticos?
Entretanto o país envelhece: - A vida dos idosos é encurtada a marchas aceleradas, através da orquestração institucional de mil carências. A população jovem que ainda vegeta pelo território não encontra “meios de vida”, com ou sem as minimalistas licenciaturas universitárias de hoje; os mais audazes vão-se embora para o estrangeiro e os meninos deixam de aparecer nos jardins-de-infância…
Deixem-se de tretas! Não venham com solidariedades sociais hipócritas! Acabem com a “histórica” bazófia dos benefícios do turismo, das exportações de vinho & etc., …
O país está a morrer a olhos vistos! – Não haverá quem chame uma equipa médica de urgência para salvar o que resta de vida colectiva?