terça-feira, 5 de maio de 2015

Fragmentos & Desilusões

Joaquim Palminha Silva
    Em Portugal, a esquerda tradicional e a esquerda “moderna”, ensandeceram de todo! O caminho que acabam de apresentar ao eleitorado é profundamente irrealista! – O PCP não apadrinha nenhum programa de unidade com os outros agrupamentos de “esquerda” como, de resto, nunca tal desejou no passado. Por sua vez, os agrupamentos de “esquerda”, incluindo o BE, são formações políticas de acaso, sem ideologia definida, mais parecidos com sindicatos do que com partidos políticos… No conjunto, um saco de gatos assanhados, esgatanhando-se uns aos outros em demanda do pequeno protagonismo… de que nem sempre são capazes!
Neste momento, a “venda de bilhetes” para o espectáculo do” leilão” de Portugal já vai muito adiantada, e próxima da “lotação esgotada”, pelo que é completamente ingénuo ou descarada hipocrisia, pretender convencer o eleitorado de que toda esta “esquerda”, uma vez “unida”, poderia mudar a gestão do nosso “Hotel da Barafunda”…
Nem o PS, com as suas habilidades, parecidas com o jogo «Rapa, Tira, Põe, Deixa», trocando as voltas às contas para chegar à mesma conclusão que a direita, nem o PSD-CDS se afastam dos miasmas do “beco sem saída” para onde nos empurraram!
Num País profunda e dolorosamente endividado, absolutamente dependente de financiamento exterior para garantir a subsistência das “coisas” mais elementares, nas mãos de impiedosos credores estrangeiros, que não se comovem com fados e guitarradas, são impossíveis as possibilidades de manobra para lutar contra as “reformas” que nos são impostas pelos prestamistas estrangeiros.
Seguindo a linha de pensamento “financista” do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, não existe nenhuma possibilidade de sairmos da UE (e da crise), portanto, do círculo vicioso onde somos exprimidos dia após dia, enquanto ainda tivermos pedaços do País a necessitarem de “reforma”, em favor deste ou aquele grande grupo europeu…ou chinês!
Não adianta a pedincha de mais tempo para pagar as dividas; não adianta nada neste momento, face à “fuga” da mão-de-obra qualificada em direcção ao estrangeiro, atascados até ao pescoço na corrupção galopante em todos os sectores da Administração Pública ou, em alternativa, emoldurados pelos absurdos da burocracia, da negligência e da falta de seriedade profissional na administração pública local, regional e central. Não adianta o acomodar reformista da “esquerda” tradicional nem as piruetas falaciosas da “esquerda juvenil”…
A EU (União Europeia) preconiza apenas o desmontar da Nação (das nações!), “peça a peça”… Mas se por acaso a Nação votar maioritariamente num agrupamento regateador, pouco “polido” (caso do partido Syriza na Grécia!), logo a linguagem da UE se apropria do paleio dos mafiosos dos filmes negros (série B) americanos: - Se não “reformares” não ganhas o empréstimo, se não fizeres isto não te damos aquilo!
Enfim, a Democracia é boa… Desde que as regras garantam a vitória continuada do centro-direita… Mas se por exemplo ganham eleições nacionais os comunistas (mesmo os mais reformistas, folclóricos e “sossegados”, tal os portugueses!) logo a UE grita («Aqui d’el Rei! Que vão aos ovos de oiro das nossas galinhas!) que assim “não vale”, que é preciso mudar as regras do jogo”, etc., etc..
Para sair deste martírio é preciso mais do que palavras: - É preciso uma ruptura radical, necessariamente complexa, assumida por uma inexistente elite revolucionária!
Entretanto, façamos a nós mesmos o favor da verdade: - Neste momento histórico, não há alternativa… Temos de bater com a cabeça de encontro à realidade!…

Temos de aceitar, embora regateando aqui e ali, o que ainda não podemos mudar, esperando que algum dia seremos capazes de cumprir o “nosso próprio destino”!  

7 comentários:

  1. Sr. Presidente
    E a reunião extraordinária sobre o assunto da TOS( o roubo ilícito aos consumidores) convém a CME embora fuja explique como aumentou a receita em 358% . Essa reunião da Assembleia municipal, Erse e galp essa vai para as calendas gregas

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  2. "Neste momento histórico" ...dizes tu! - Olha que o melhor é que te prepares para a eternidade histórica porque não há outra diferente desta!
    Começaste agora a perceber que não há anarca nem esquerdalho que te console! - Nunca houve, era só literatura!

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  3. Sem quebrar as amarras da UE, que ditam os destinos do país, só nos resta escolher os capatazes que irão satisfazer os desejos e aplicar as políticas dos patrões de Bruxelas.

    Sem quebrar as amarras, não há renegociação da DÍVIDA (nem sequer o reconhecimento óbvio, de que esta é impagável...), não há preparação para a inevitável saída do EURO (mesmo sabendo que a adoção desta moeda está na origem do declínio e do afundamento da nossa economia produtiva...), não haverá recuperação da soberania nacional, sem a qual não é possível desenvolver uma política alternativa.

    Nem PS, nem PSD/CDS, tem energia ou vontade de recuperar a soberania perdida. Uns e outros não passam de feitores dos latifundiários alemães. Uns e outros são as faces da mesma moeda.
    Mas, enquanto os portugueses não tiverem consciência disto, não há maneira de sairmos do pântano.

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    1. O Problema é que não há alternativa em Portugal porque quem defende a ilusão da saída do Euro (como se Portugal não tivesse ido à bancarrota 2 vezes e com o escudo como moeda) pertence à casta da politica de terra queimada como PCP ou são da esquerda extrema que defende para o país uma pobreza generalizada como na Venezuela. A soberania Portuguesa é igual à dos 28 países que fazem parte do Euro: há regras universais de deverão ter que ser cumpridas por todos

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  4. "...Entretanto, façamos a nós mesmos o favor da verdade: - Neste momento histórico, não há alternativa… Temos de bater com a cabeça de encontro à realidade!… "

    Para sair do pântano há que criar uma nova ideologia/partido: Pragmatismo.
    Todos os partidos e "Ismos" já existentes, deitam bolor, são inadequados aos tempos em que vivemos ou estão podres de corrupção.
    Depois há que criar uma Constituição da República completamente NOVA e de raiz, adequado aos tempos de hoje; de 10 em 10 anos cada geração irá rever a Constituição que mais se adequará ao seu tempo.
    Há que LIMPAR o país dos corruptos, dos corrompidos, do facilitismo, do compadrio, da cunha e do esquema para enganar o Estado.

    Provavelmente poderemos começar a ser felizes daqui a uns 30 anos...

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  5. Sobre Dias Loureiro não há muito mais a dizer, mas as palavras escolhidas por Passos Coelho, na verdade, dizem-nos mais sobre a forma como o primeiro-ministro vê o Mundo, e a relação entre política e negócios, do que sobre um dos responsáveis pelo caso de polícia que foi o BPN. Esperava-se que um empresário com as características elencadas por Passos fosse alguém que tivesse criado empregos bem pagos e desenvolvido a economia do país, não alguém que, à sombra de Oliveira e Costa, ajudou a montar uma espécie de Tecnoforma gigante. Ou então é isso, é mesmo este modelo de vida, negócio e "vencer na vida" que Passos conhece e admira.
    Mariana Mortágua

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  6. Identificado: foi Paulo Portas quem abandonou um saco com a roupa suja da coligação na ponte 25 de Abril
    Por Mário Botequilha

    A PSP já identificou o condutor que ontem esteve na origem do bloqueio da ponte 25 de Abril, em Lisboa. Trata-se de Paulo Portas, que estava a caminho da base do Alfeite para ir mudar o óleo aos submarinos. O Vice aproveitou para largar um saco que continha o resultado de 4 anos de roupa suja da coligação. “Fiz pontaria a um navio de cruzeiro que ia a passar na altura mas aquela bodega ficou no parapeito”, explicou Portas a rir. MB

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