domingo, 17 de maio de 2015

A Rússia!

        Durante décadas foi “moda” no Ocidente (imprensa, rádio e televisão) criticar a Rússia, por causa do seu regime totalitário, de raiz supostamente marxista… Depois, uma vez caído o totalitarismo, com vários pretextos, sendo uns mais “aceitáveis” do que outros, voltou a ser “moda” criticar a Rússia, orquestrar contra ela provocações militares (NATO), ameaçá-la, na geografia do continente europeu, com o isolamento e, novamente, imprensa, rádio e televisão apontam os holofotes da crítica na sua direcção!
Neste mesmo contexto, e sem pestanejar, venho aqui declarar que, independentemente de regimes e circunstâncias políticas da “moda”, eu faço parte da multidão de ocidentais que têm uma dívida de gratidão para com a Rússia… Explico já a seguir…
Na Rússia, o poeta e o escritor são efectivo “Estado” alternativo ao despotismo imperial do Czar (“branco” e, depois, “vermelho”), e um factor de cristianização ou humanismo militante no seio da barbárie asiática. Desde o século XVIII que os grandes autores, antes de se tornarem parte integrante da cultura multifacetada da Rússia, foram perseguidos, proibidas e censuradas as suas obras e, por fim, eles próprios humilhados e aprisionados pelos sucessivos “senhores” do Kremlin…
O isolamento e as numerosas punições sofridas pelo poeta Aleksander Puchkine (1799-1837), o contínuo desespero do escritor Nikolai Gogol (1809-1852), a prisão e deportação para a Sibéria de Dostoievski (1821-1881), a luta do grande escritor Leão Tolstoi (1828-1910) contra a censura, pela liberdade de opinião e pela emancipação do campesinato, então sujeito a uma vida mergulhada no servilismo feudal, as perseguições e humilhações sofridas por Mikail Bulgakov (1891-1940) sob o estalinismo, as censuras, proibições e perseguições sobre o escritor Boris Pasternak (1890-1960), prémio Nobel em 1958 e, entre muitos outros, tudo o que sofreu o escritor, e prémio Nobel em 1970, Soljenitzyne (1918-2008), dizem-me que a criação literária russa partilhou a universalidade da dor humana com tal intensidade que a alma, dilacerando-se numa contínua interrogação sobre o seu destino terreno, fez desta mesma criação um território de liberdade e de profunda espiritualidade… que o Kremlin odiou e perseguiu!    
Foi, pois, nesta linha de pensamento que escreveu Dostoievski, transformando a maior parte dos seus romances num diálogo interior: - O mundo da obra Crime e Castigo ou do romace Irmãos Karamazov é a alma humana…e as suas inquietações. A natureza quase desaparece em grande parte das suas obras. A alma, com as suas apoquentações, a sua desordem, visões, interrogações e crises de Fé, eis a grande e exclusiva problemática do escritor russo.
Mas também, e de forma avassaladora, são território da alma humana o mundo literário de Gogol, Puchkine, Pasternak e Soljenitzyne (nomeadamente com a obra O Pavilhão dos Cancerosos). Neste sentido, posso dizer, sem grande margem de erro, que a literatura russa partilha, através da inquietação, da interrogação e da Fé na redenção da consciência humana, o mesmo destino que a Grécia clássica.
Na verdade, sem este grande serviço prestado pela literatura russa, nós teríamos penado muito mais para apreender o imenso reportório que habita alma humana, bem como a sua universalidade… Entre muitas outras obras, não conseguiremos imaginar a “paisagem” da nossa consciência cristã, mesmo quando não somos mais religiosos, sem recorrer ao romance Guerra e Paz, de Leão Tolstoi.

A existência humana é bastante dolorosa, porque encerra obrigatoriamente muita luta, muita dor, muita decepção e, ao mesmo tempo, requer muita Fé. Por isso, do fundo da nossa consciência transbordante de memórias, boas e más, deverá erguer-se um sentimento de gratidão à grande literatura russa e seu misterioso destino no seio da alma humana, esta candeia bruxuleante, mas sempre pronta a descobrir novos caminhos da Fé e da Esperança.


20 comentários:

  1. E porque tem vergonha de dizer o resto sr. Palminha?
    Escuda-se nos escritores para fazer o elogio do povo russo mas faltou-lhe dizer que sem a vitória da Russia marxista-leninista-estalinista, (assim tal e qual com todos esses nomes feios) ter-se-ia acabado a Europa das nações e seriamos agora subditos alemães, falaríamos alemão e já teria-mos entusiasticamente exterminado os judeus que restam entre nós e, quem sabe, todos os alentejanos, raça dita preguiçosa.
    Acha que sem a vitória e o sacrifício de milhões de russos sobre a Alemanha nazi o resto da Europa teria saído vencedora? Acha mesmo?
    Acha bem ou acha mal sr. envergonhado que seja graças à Rússia que continuemos a ser nação, que continuemos portugueses e alentejanos e que ainda falemos português!
    Ou preferia outra coisa? - Diga, é só dizer! Não tenha vergonha!

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    1. Os Aliados foram sim os verdadeiros amigos da Europa, que impediram o avanço da ditadura Comunista que acabou por subjugar todo o Leste Europeu. Este sim o verdadeiro Cancro pós II Guerra: Ditadura Comunista

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  2. "sentimento de gratidão à grande literatura russa"
    de facto o homem está a passar-se

    Gratidão sim, à obra COLECTIVA da Rússia, que salvou a Europa e o mundo do nazi fascismo, à custa de um sacrifício incomensurável.
    E gratidão outra vez, hoje, que a Rússia está a fazer frente aos nazis fascistas da Ucrânia, os quais, mais uma vez, estão a ser acirrados e apoiados pela Europa.

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    1. O Desembarque na Normandia foi muitíssimo mais importante, não só porque libertou toda a Europa Ocidental, como impediu o avanço da ditadura Comunista que acabou por subjugar toda a Europa de Leste.

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    2. Os Russos??????

      Só salvaram os seu umbigo. De resto, foi a ditadura canina Soviética que se assistiu

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    3. Não fossem os russos e estaríamos hoje, muito provavelmente, sob o jugo dos nazis e fascistas.

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    4. Comunismo e fascismo, são uma e outra face da ditadura

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    5. "hoje, que a Rússia está a fazer frente aos nazis fascistas da Ucrânia" : os delírios da propaganda russa... eleições legislativas de 2014 na Ucrânia: Partidos de extrema-direita (com ideologias fascizantes): "Partido radical", 7,44% ; "Svoboda", 4,72 %; "Sector de direita" (Pravy Sektor - neo-nazis): 0,2%. Total dos votos na extrema-direita ucraniana: 12,18%. Menos que na Suécia (13%), na Áustria (26,4% - 2013), na França (25%), na Finlândia (2015: 17,6%). Os planos de anexação da Ucrânia ou de partes do país (Crimeia, Odessa, Mariupol...) precisam deste tipo de mentiras repetidas a exaustão.

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  3. Só se aceitam criticas de quem fizer melhor.
    APiteira

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  4. e tão amigos que eles eram, o joseph e o adolfo, que ate tinham um tratado conjunto assinado de não agressão para poderem invadir a polonia e dividi-la pelos dois... zangam-se as comadres...

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    1. Antes desse tratado de não agressão entre Rússia e Alemanha, tinha havido o 'Acordo de Munique', entre Hitler e Daladier/Chamberlain, que passava uma esponja sobre a anexação da Áustria e ocupação da Checoslováquia pelos nazis.

      Mas isso não te convém recordar. Pois tinhas de reconhecer a passividade/conivência entre as potências ocidentais e a tomada de poder dos nazis. Potencias que sempre toleraram Hitler e, no fundo, desejavam que os nazis ocupassem e destruíssem a Rússia. Felizmente que os russo não estiveram pelos ajustes e contribuíram decisivamente para a derrota da barbárie nazi.


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    2. a esponja que tu falas do chamberlain foi para evitar uma 2 guerra mundial, o acordo entre Hitler e Stalin foi para invadir e dividir a polonia entre os dois, e fizeram-no, vê bem a diferença; se não fosse o dia D esta descansado que a Russia tb tinha perdido a guerra

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    3. 17:46
      Estuda e lê antes de escreveres asneiras.
      O Acordo de Munique não evitou a Segunda Guerra, mas passou uma esponja sobre a ocupação da Checoslováquia.

      Quanto ao Dia D este só aconteceu 2 anos depois dos nazis terem sido derrotados em Estalinegrado e quando a maior parte de União Soviética já tinha sido libertada dos exércitos nazis. Durante 2 anos, apesar dos sucessivos apelos para a criação de uma segunda frente de guerra na Europa, os russos lutaram sozinhos... e venceram os nazis.Quando se deu o Dia D os nazis estavam próximos da derrota.

      Estes são factos facilmente verificáveis. O resto é propaganda.

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    4. Durante a Guerra Fria, com a Alemanha Oriental Ocupada, a União Soviética manteve os Alemães em respeito e à distancia.
      Com a queda da União Soviética aí está o nazi fascismo, o imperialismo europeu, a avançar pela Ucrânia, contra a Rússia, e contra o Irão e os países da região.
      Estes loucos, senhores da guerra r do capital, não vão descansar enquanto não lançarem a Europa em mais uma guerra mundial.
      Não querem saber da carnificina. Para eles só conta a captura de territórios, recursos, e riquezas alheias.
      Somos carne para canhão.

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    5. Essa é a propaganda estalinista para esconder a vergonha dos acordos com os nazis. Por mais que tentem não conseguem reescrever a história. O pacto nazi-soviético foi uma das maiores vergonhas da história. Mas, pelos vistos, ainda hoje há quem, além de não ter vergonha ainda sente orgulho por aquele acordo miserável. São uns tristes. Felizmente em extinção.

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  5. Quando se preocupam com terceiros vejam antes o que tem na vossa casa , eu explico :

    Hoje , passados uns anitos depois do 25 Abril de 1974 , continuam a ter Polícias , GNR e Justiça Portuguesa , ao serviço de ideais NAZIS e ensinamentos da GESTAPO .

    Contudo , hoje existem actos mais bárbaros de fazer inveja a ex-inspetores da PIDE/DGS !

    Tenham vergonha no rabinho !


    http://www.cmjornal.xl.pt/multimedia/videos/detalhe/adepto_do_benfica_detido.html

    Jorge

    ( ciclista )

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  6. Visita de Carlos Taibo a Évora e Lisboa de 19 a 21 de Maio

    Em defesa do decrescimento e do pensamento libertário

    O escritor e professor universitário espanhol Carlos Taibo (http://www.carlostaibo.com) vai estar em Portugal nos próximos dias 19, 20 e 21 de Maio para um ciclo de conferências e palestras nas cidades de Lisboa e Évora.

    Carlos Taibo é professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid e autor de vários livros sobre geopolítica e de reflexão sobre a economia e os movimentos sociais contemporâneos. Crítico da globalização e do neoliberalismo, propõe uma renovação do pensamento libertário e uma nova economia assente no decrescimento e na autogestão. Um dos seus livros mais recentes tem o título “Repensar a Anarquia”. Esteve profundamente ligado aos movimentos assemblearios de rua, como o 15M, e considera que organizações como o “Podemos” não representam uma alternativa credível ao actual modelo político vigente no Estado Espanhol.

    Especialista na obra de Fernando Pessoa, editou também recentemente um ensaio sobre Portugal – “Comprender Portugal”. (http://www.catarata.org/libro/mostrar/id/1004)

    Em geral afastado dos grandes órgãos de comunicação social, Carlos Taibo é, no entanto, uma voz influente que se faz ouvir no circuito alternativo dos sindicatos revolucionários, dos Ateneus e dos Centros Sociais Autogestionados espalhados pelas diversas regiões do país vizinho.

    Falando um português fluente, Carlos Taibo fará no dia 19 de Maio, pelas 15 horas, uma conferência na Universidade de Évora, com o tema “Em defesa do Decrescimento”, a convite do director da Escola de Ciências Sociais desta Universidade, professor Silvério Rocha-Cunha.

    No dia 20 de Maio, ainda em Évora, Carlos Taibo estará na Livraria “Fonte de Letras”, pelas 18 horas, onde terá lugar uma palestra-debate sobre o tema “Repensar a Anarquia”.

    No dia 21 de Maio, na BOESG, em Lisboa (Rua das Janelas Verdes, 13-1º Esq.), às 18,30H, o tema da palestra/debate de Carlos Taibo centrar-se-á no “Decrescimento e Anarquia”.

    Todas estas conferências e debates são abertos a todos os que queiram participar e são de inegável importância para se perceber a situação que se vive no Estado Espanhol e no resto da Península Ibérica, depois dos movimentos assemblearios de rua terem trazido um novo fôlego para os movimentos libertários e autogestionários um pouco por todo o mundo.

    Esperamos pela tua presença e pela tua participação nos debates. Obrigado.

    [A visita de Carlos Taibo a Portugal foi organizada pelo Portal Anarquista, pela Revista A Ideia e pelo projecto MOSCA, com a colaboração do jornal MAPA, livraria ‘Fonte de Letras’, BOESG e Colégio de Estudos Sociais da Universidade de Évora]

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  7. Muito bem! É isso mesmo. Não é que o povo nao perceba que estes não prestam...mas entre votar nestes e votar nos fascistas dos comunistas, o povo preferer votar nestes. É que o problema de Portugal é ter cà o partido comunista,que se colocou à esquerda e ocupa um lugar indevidamente, impossibilitando assim que um partido verdadeiramente de esquerda tivesse aparecido e se tornado uma esquerda forte e credivel. Com o PCP a ocupar a esquerda, o resultado é o que se vê: NÃO TEMOS ESQUERDA EM PORTUGAL! O PCP devia ser colocado na extrema direita, muito além do CDS, que embora eles nas palavras pareçam esquerda, nas atitudes comportam-se piores que os fascistas que eles tanto dizem "combater"! Mas isto faz parte do truque dos comunistas. Agora que o PCP tem prejudicado muito Portugal com a sua existência, isso é uma realidade. Bastava desaparecer o PCP e certamente surgiria uma Esquerda Verdadeira no nosso paìs. E aí sim, teriamos uma alternativa a estes governos. PCP é o maior entrave ao desenvolvimento de Portugal. Minam tudo e destroiem tudo onde tocam e afastam as pessoas da politica! Abaixo o PCP e lutemos pelo seu desaparecimento desmascarando a sua mentirosa politica. Viva o 25 de Abril !!!

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    1. Concordo a 100%

      Olha as greves dos transportes públicos, são manipuladas pelos agentes comunistas infiltrados no sindicalismo.
      Fazem greves desde 1974 sem nunca terem resolvido aparentemente nenhum dos problemas dos trabalhadores.
      Ou será que os problemas estão resolvidos mas o gosto por fazer politica de terra queimada é maior que tudo e todos?

      Os comunistas escavacaram tudo o que meteram a mão: reforma agraria, industria pesada e química, transportes públicos.
      Não há absolutamente nada de positivo em Portugal que se possa apontar, onde tenha tido a mão do PCP

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  8. Concordo com o comentário acima
    Eles fazem o jogo do neoliberalismo, para nunca haver uma alternativa e conterem a raiva e o protesto deste povo escravizado. PCP são uns lacaios do pensamento único

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