domingo, 31 de maio de 2015

Daqui "a pouco" quantas salas de cinema comercial haverá em Évora (CC Portas de Aviz, CC Parque Industrial, estas...)?


A Câmara Municipal de Évora aprovou, [em reunião pública de 27 de Maio]com os votos favoráveis da CDU e do PSD e a abstenção do PS, duas propostas que permitem o retorno do cinema comercial à cidade. A primeira diz respeito à constituição de lote para instalação de um cinema em terrenos anexos ao Terminal Rodoviário e a segunda proposta incide na atribuição desse lote à firma Algarcine – Empresa de Cinemas.
Por forma a agilizar prazos para a fruição do equipamento pela população e atendendo à necessidade de ser garantida uma solução urbanística e arquitetónica de qualidade, tendo em conta a localização do terreno, irão os serviços municipais a elaborar o Projeto Base de Arquitetura (Ante Projeto) do edifício, naturalmente dando resposta aos requisitos técnicos e layout a definir pelo futuro adquirente.
Refira-se ainda que a cedência do lote é exclusivamente destinada à construção de cinema, sob pena de reverter para a Câmara caso a finalidade seja alterada. Será também estudada a possibilidade de se realizarem ações em conjunto com os Agrupamentos de Escolas do Concelho.
Esta é a forma da autarquia procurar responder a um problema da cidade, uma vez que não dispõe de verba para recuperação ou construção de tal equipamento, prevendo o promotor que a breve prazo o cinema, constituído por três salas, entre em funcionamento.
No âmbito do projeto “Nós Propomos/Cidadania e Inovação na Educação Geográfica 2013-2014 foi feita a apresentação aos eleitos dos trabalhos realizados pelos alunos do Agrupamento de Escolas nº 4 de Évora - Escola Secundária André de Gouveia.
Recorde-se que o projeto foi lançado a nível nacional pelo Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa para as turmas de 11º ano do ensino secundário visando a produção de propostas de intervenção no território.
O Município de Évora participou no projeto pela primeira vez no ano de 2012-2013, tendo divulgado o mesmo junto das escolas do concelho. A Escola Secundária André de Gouveia respondeu favoravelmente ao desafio, participando também neste ano letivo com 16 trabalhos, 75 alunos de três turmas e respetivos professores.
Desses trabalhos, foram apresentados três pelos alunos na reunião pública de Câmara: criação de centro de acolhimento e tratamento de animais nas antigas instalações do antigo Hospital Psiquiátrico dos Canaviais, pertencente ao Ministério da Saúde; criação de rede de fornecimento de alimentos aos mais carenciados através de comida doada por restaurantes e supermercados; e criação de conjunto de quiosques virtuais em Évora com informações úteis para os visitantes.
Foi ainda aprovada por unanimidade a proposta do Presidente da Câmara que enuncia os critérios a utilizar para a preservação e rentabilização dos imóveis devolutos para uso não habitacional que são propriedade do Município, nomeadamente escolas desativadas. Trata-se de um património cuja não utilização cria e acelera processos de degradação que urge evitar, dando-lhe assim novos usos que beneficiem a comunidade. A primeira prioridade será a instalação de projetos municipais, a segunda de projetos das Juntas/União de Freguesias ou associações locais, seguindo-se a instalação de outras associações sem fins lucrativos sedeadas no concelho, Alentejo ou fora dele. Segue-se a concessão ou arrendamento e por último virá então a alienação, caso as outras prioridades não se concretizem. (Nota de imprensa da CME)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Este sábado no Armazém 8: cantigas de intervenção para recordar Zeca Afonso


É já no sábado, dia 30 de Maio, mais uma iniciativa da Aja Évora no Armazém 8. Para comemorar Maio com o Zeca Afonso.
APBraga, Afonso Dias e Tânia Silva (o Samuel chegou a estar anunciado, mas estará num espectáculo da AJA em Almada-Seixal) vão estar em palco. Às 22 horas, sem falta!

Praça pública para (ab)usos privados?

Joaquim Palminha Silva
O “diálogo” dos autarcas da Câmara Municipal de Évora (CME) com a Praça de Giraldo, pelo menos desde há duas décadas, pode servir para levarmos em conta ou não esquecermos os resultados práticos da sua gestão, a fim de podermos dispor de alguma luz que nos ilumine sobre o que é e como se produz a direcção política (e tutela técnica) sobre o Município de Évora. Para tudo dizer: - A Praça de Giraldo pode servir como teste, ensaio de laboratório, de forma a revelar-nos que é que a CME faz ou deixa de fazer na cidade!
Em 2000, mercê de um “programa” (subsidiado pela EU, suponho) dito de «requalificação urbana» do centro histórico, a CME levou a cabo: 1) pequenas correcções na pavimentação nas zonas das Arcadas, bem como nova figuração de calçada miúda adjacente às Arcadas; 2) «anulação» dos pavimentos decorativos defronte ao Banco de Portugal e Montepio Geral (não se explicou o porquê desta “anulação”); 3) iluminação da fonte henriquina e da fachada da igreja de Stº. Antão; 4) enterramento de cabos eléctricos, telefónicos, TV, rede de gás; 5) correcções na rede de esgotos existente na Praça de Giraldo.
Quinze anos depois, podemos constatar que ficou fora do “pacote” a limpeza e pintura exterior da Igreja de Santo Antão (é ocioso relembrar o desacerto caricato do relógio municipal, entre as duas torres da igreja)… Com descaramento provocatório (não acredito que seja manifestação de anti-clericalismo), por pura inconsciência e desmazelo, verifica-se a continuação de barracas de estaleiros municipais na fachada lateral da igreja de Stº Antão o que, queiram ou não, demonstra a enxovalhada ideia de «cidade património da humanidade» destas damas e cavalheiros da “esquerda” (PCP e PS) “profissionalizada em municípios” …
Apesar dos “cabedais” gastos nas inovações, o grande fiasco de toda a “requalificação”, resultou na iluminação “cénica” (Arcadas, Igreja de Stº. Antão e Fonte Henriquina) que se faz notar pela sua “brilhante” ausência!
Quinze anos após estas “obras”, sem ter sido feita avaliação do impacto e segurança dos edifícios e suas infraestruturas, após os enterramentos da série de cabos, a actual gestão autárquica apercebe-se da existência de ameaçadoras fendas nas Arcadas! – Que faz? Produz um especializado estudo sobre a segurança das estruturas? – Não senhor! Esconde as fendas, tapando-as com massa, pintando tudo de seguida! Isto é, encontrou uma forma vistosa para ludibriar os basbaques! - O anunciado enterramento de cabos junto às infraestruras das Arcadas não evitou a adição de mais cabos dependurados nas paredes, para novas formas de fornecimento de energia aos palcos de fim-de-semana na Praça de Giraldo.
 Entretanto, verifica-se uma total incapacidade do actual executivo da CME para fazer respeitar as regras e posturas municipais, por parte de comerciantes e restauração (ocupação não autorizada de espaço público, fachas publicitárias nas fachadas dos prédios, etc.), utilização de materiais não convencionados nos exteriores dos estabelecimentos.
De resto, a ideia que o executivo da CME tem do espaço público é qualquer coisa que, na essência, o cidadão desconhece (e também a própria CME)… A Praça de Giraldo, espaço público privilegiado da urbe, tem vindo a servir para uso privado (com montagem de tendas e outro equipamento) de publicidade a marcas de automóveis, centro da “pedincha institucionalizada”, utilização aberrativa de praticantes de ginástica “empurrada” por música de discoteca, promoção de aparelhos auditivos, concentração de motoqueiros e, por fim, exibição de espectáculos musicais do agrado do executivo municipal que, não muito democraticamente, atiram com uns quantos decibéis sobre a cabeça dos transeuntes! – O espaço público, como o nome indica, serve por natureza para o uso e a conveniência da comunidade, a CME não deveria utilizá-lo ou autorizar o seu uso para fins privados de grupos ou de “associações” e empresas (de objectivos religiosos, políticos, desportivos, musicais, de promoção de vendas e exibição de mercadorias), sem autorização/licença da polícia, estabelecimento de alternativas, vigilância da autoridade, controlo do ruído, preservação da paisagem urbana que a Praça encerra, etc... Enfim, não há “sociedade recreativa” nem promoção de vendas que não se sinta no direito de ocupar a Praça de Giraldo, acabando esta excitação pelintra e barulhenta por se transformar numa “actividade cultural” da própria CME!
Em adiantado estado de descaracterização, transformada em poluente “terminal” de autocarros, de piso arruinado, com a “plantação” de tendas dia-sim-dia-não, hoje a Praça de Giraldo é o lugar público mais barbarizado da cidade. Pode, portanto, rejubilar o executivo municipal, pois com a sua gestão (modalidade tártara?) consegue dar-nos uma “bela” imagem do que seria tudo se em tudo exercesse o seu despotismo de inspiração asiática.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Que má energia é que esta cidade tem para não sair de casa?


Vou fazer um "Apelo" a estas 6.397 pessoas que fazem parte deste grupo para aderirem efectivamente às iniciativas que existem nesta cidade, muitas delas inclusive são gratuitas. 
Em Abril fui a um bailado e a um concerto no Teatro Garcia de Resende e no 1º espectáculo, estavam +/- 20 e no 2º espectáculo 12 pessoas, lá houve um outro bailado em que o teatro estava bem composto. 
Em Maio fui ao Palácio D. Manuel e os 3 actores que faziam parte da peça, fizeram o favor (sim porque foi um favor que nos fizeram gentilmente), de actuar para 6 pessoas. 
Pergunto-me onde estão as pessoas de Évora? 
Que má energia é que esta cidade tem para não sair de casa? A magia desta cidade é só para os estrangeiros? E nós o que fizemos à nossa magia? 
Qualquer outra cidade Reguengos, Montemor, Beja…, tem iniciativas e as pessoas aderem , porque é que em Évora isso não acontece, que má energia existe nesta cidade que leva as pessoas a ficarem presas à casas e a não beberem saber e cultura, é uma crença é uma questão cultural, não sei. Mas por favor é altura de saírem dos casulos e apreciarem aquilo que a vida nos dá. Tudo isto para dizer o quê?
Eu escrevi ao Director do Diário do Sul para permitir a publicação do “Apelo - Tenho Fome, Preciso de Si no Concerto”
Acredito plenamente que irá ser publicado, todavia peço permissão ao Administrador do grupo a publicação do mesmo na página “Cultura em Évora”

*
Tenho Fome, Preciso de si no concerto

Sou a pessoa mais rica do mundo, nunca tive fome.
Mas, não sei se sabe, existem pessoas na nossa cidade que recorrem todos os dias à Associação Pão e Paz para poderem ter uma refeição diária, incrível não é??!! 
Mas todos juntos, podemos unirmo-nos a esta causa e ajudar. Como???
Simples. Indo ao concerto “ O piano em Pessoa”, é um convite a descobrir a musicalidade inerente à poesia no nosso mais universal escritor português, Fernando Pessoa. (podendo ir do fado à bossa nova, do tango ao blues ou à marcha popular) 
A voz e composição é de Armando Nascimento Rosa (nascido em Évora); no Piano, co-autor e arranjos, António Neves da Silva.
Dia 30 de maio (é um sábado – não há desculpa para não ir), às 21:30 no Teatro Garcia de Resende.
Entrada, 6€ (pouco mais custa que um maço de tabaco e não faz mal à saúde), É por um bom motivo, uma vez que as receitas do concerto são destinadas à Associação Pão e Paz.
Vamos ter coragem, não dói nada. Reunimos a família, damos 75 minutos de descanso, à tv, pc’s, tablets, e telemóveis (coitados também precisam de descansar) e vamos assistir ao concerto, que nos irá acalmar o stress da semana, dos miúdos e graúdos.
Eu vou!!! E você do que está à espera? 
Lembre-se o Nosso contributo irá fazer sorrir muitas famílias.
Eu já sou rica, por nunca ter passado fome, mas serei riquíssima se conseguir ver o Teatro Garcia de Resende cheio de pessoas solidárias por aqueles que agora, mais precisam. (Amanhã podemos ser nós!)
Muito Obrigada, a todos aqueles que comigo forem ao concerto e a todos aqueles que lerem o meu apelo. 

Ana Paula do Carmo

Esclarecendo...


Relativamente à informação publicada recentemente no acincotons, e que reproduzia uma publicação do DIAP de Évora, na sua página web, onde se referia ter sido deduzida acusação contra um ex-presidente da Câmara Municipal de Évora, uma ex-Diretora do Departamento Jurídico e um ex-Diretor do Departamento de Gestão e Administração da Câmara Municipal de Évora, o acincotons sabe agora que:
- a acusação tem a ver com a gestão do ex-presidente José Ernesto de Oliveira;
- o processo prende-se com o pagamento de obras efectuadas numa estrada em Nossa Senhora de Machede antes do visto do Tribunal de Contas;
- relativamente ao crime de peculato será proferido despacho de não pronúncia;
- que sobre o outro crime de violação das normas de execução orçamental, o Tribunal propõe que José Ernesto de Oliveira faça um donativo de 800 euros a uma IPSS.

BIME adiada para o ano por falta de apoios


Como o acincotons já havia informado há alguns dias, vem agora o CENDREV confirmar que, ao contrário do que estava previsto, este ano não haverá a Bienal Internacional de Marionetas de Évora, marcada já para o início do próximo mês de Junho. Promete o CENDREV que haverá BIME em 2016 e 2017. Vamos a ver.

Comunicado do CENDREV:

Ouvirem mandar que mandava o meu xinhor qu’este ano não xe torna aqui a dar advertimentojinho nesta caja e neste pobo.
Qu’há muntos xervixinhos p‘ra xe fajere qu’inda qui xe non fijeram.

Quando afirmamos que os cortes na cultura não destroem só o que existe, destroem o que fica impedido de existir, é disto mesmo que estamos a falar.
Para que Évora possa assumir o papel de cidade de cultura, com dimensão no espaço regional, nacional e internacional, será necessário uma estratégia de intervenção cultural que deverá passar, entre outros eixos, por um calendário de eventos que a cidade já acolheu como seus, como é notoriamente o caso da BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Évora.
Qualificar a vida cultural da cidade pressupõe apostar nas dinâmicas criadas pelos agentes e incentivar as práticas dos artistas locais e de outros que se possam cá instalar. A imagem de Évora como cidade de cultura resulta fundamentalmente das iniciativas dos programadores e criadores locais – nas artes do espectáculo (música, teatro, dança), nas artes plásticas, no cinema, na valorização do património – o mesmo se diga da própria vivência quotidiana da sociedade eborense, não negligenciando o impacto económico e turístico decorrente destas actividades.
Trabalhámos, empenhadamente, desde Outubro de 2014 no sentido de descortinar a forma de garantir as condições necessárias à concretização de mais uma edição da BIME, todavia, quando nos transmitiram que a opção seria os financiamentos do novo quadro comunitário e posteriormente conhecemos os calendários para a apresentação das candidaturas, percebemos logo que esta edição da Bienal de Évora estaria em perigo. Ainda se concretizaram mais um conjunto de contactos institucionais sem, no entanto, se conseguir encontrar uma solução.
Estranho é que, passados todos estes anos, a sua organização continue suspensa de decisões pontuais, determinadas por avaliações arbitrárias de um número infinito de interlocutores com quem recorrentemente conversamos, desde a sua primeira edição em 1987. Não nos revemos, naturalmente, numa visão da Cultura e da Arte em que se distingue agentes de público, onde se separa em compartimentos diferentes criadores e espectadores, em que a uns cabe a produção, a outros o consumo. Estamos convictos de que a experiência directa da criação cultural e da expressão estética é a garantia mais segura e rica de uma fruição profunda e plena.
Os Bonecos de Santo Aleixo são os dignos anfitriões da festa das marionetas que a cidade Património Mundial já se habituou a viver, daí que não seria esta a notícia que gostaríamos de dar, mas os caminhos tortuosos porque passa a cultura no nosso país, determinados seguramente pela malfadada crise, empurraram-nos para esta decisão: não haverá BIME este ano, mas queremos anunciar simultaneamente a concretização da sua 13ª edição em 2016, de 31 de Maio a 5 de Junho e o acerto do calendário da BIME com a 14ª edição, de 30 de Maio a 4 de Junho de 2017. Este compromisso é possível devido ao acordo firmado entre o Cendrev, a Câmara Municipal de Évora, a Entidade Regional de Turismo e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo.
Ao tornar pública esta situação, fazemo-lo na convicção de que a vida cultural da cidade é também uma preocupação do público que dela participa, bem como de toda a sociedade eborense.

Cendrev

terça-feira, 26 de maio de 2015

E a pergunta é: provisório ou definitivo?





As imagens foram hoje publicadas em várias páginas do facebook e dão bem conta do estado provisório (ou definitivo?) das "sapatas" que sustentam a escadaria de acesso entre o recinto da Feira de São João e o Jardim Público, em Évora. Será para ficar assim "atamancado", pondo em risco a segurança pública ou as "tabuinhas" irão ser substituídas por algo mais seguro - e definitivo? Ou já vale tudo o que antes se criticou?

Media training

Aproximando-se momentos eleitorais, uma das peças tornadas obrigatórias na comunicação social é, tentando manter alguma isenção partidária, apreciar os candidatos e candidatos a candidatos mais pelo “embrulho” do que pelo conteúdo.
Aprecia melhor esse embrulho quem, profissionalmente, os ensina a fazer bem. E a actividade tem nome, profissionais a sério, e chama-se media training.
Já no século IV a.C., o filósofo Aristóteles se preocupava com este assunto de usar uma linguagem para comunicar de forma eficaz e persuasiva e que, não tendo sido o único com a preocupação à época, deixou uma obra com o nome que, afinal, define este saber que é a retórica. Nessa obra, o filósofo sistematiza os três géneros retóricos: o que procura persuadir ou dissuadir quem ouve; o que acusa ou defende uma causa; e o que elogia ou censura alguém ou algo, e que normalmente usa de um tom mais espalhafatoso. Confesso que entendendo a pertinência e cuidado de Aristóteles, e sem desmerecer os seus actuais seguidores, tendo a alinhar com o Platão de Fedro, um dos seus diálogos em que defende, e assim à pressa se poderia resumir, que a retórica propicia a subalternização do conteúdo em relação à expressão. O que me lembra o pavão que, de cauda em leque faz aquilo que em francês se diz “épater le bourgeois” ou seja, o que eu muito livremente traduziria com alguma caricatura à mistura por, “pôr o patêgo a olhar para o balão”.
Se o acesso a este treino profissional se tornou, no nosso tempo, coisa de quem aparece nos media, isto é na comunicação para as massas, e se inclui o cuidado da imagem a par do do próprio discurso, parece-me que não tardará muito a que quem tem funções de liderança se sinta na obrigação de ter umas liçõezinhas sobre o assunto. Assim como quem aprende a etiqueta que nunca teve de usar na vida. Ou mesmo para que quem tem um certo traquejo na coisa não lhe perca o jeito e, portanto, o media training se transforme em long life learning, que é como quem diz, formação contínua, ao longo da vida. É que o media training é mesmo uma questão de técnica, para quando não se tem jeito, e jeitosa, para quando se quer pôr a brilhar o lado do parecer para além do lado do ser. E quando se tem jeito e se trabalha esse jeito, então o resultado deve poder vir a ser brilhante. Nos outros casos, muito no extremo oposto, não deve haver media training que resista. No fundo qualquer cidadão que interaja com outros devia poder investir assim em competências de comunicação. Às vezes isso chama-se ser educado e gentil. E ainda mais às vezes, isso é tão inato, de tão essencialmente boas que as boas pessoas são, que ultrapassa a educação.
Diz quem sabe que quem precisa desse treino, ou porque é a dar para o “atado”, ou porque por vezes pensa mais depressa do que fala e isso o atrapalha, ou pára de pensar porque tem de falar em voz alta e para mais do que dez pessoas juntas e isso também o atrapalha; diz quem sabe que o objectivo é passar com eficácia a mensagem que queremos a quem queremos. A pergunta é: e quando desconfiamos do valor da mensagem? Vão dizer-nos que temos de ter confiança nesse valor. Ora quer-me a mim parecer que não basta dizer muitas vezes o que queremos que seja real para que a realidade aconteça. É que se fazemos isso, na comunicação com os outros, estamos a pôr de lado o essencial da comunicação – informação, opinião, decisão – e a cair no show off que se chama propaganda e que muitos confundem com comunicação. A não ser que o conceito de comunicação esteja a mudar com o uso e a deixar de ser o das diferentes informações que as pessoas partilham entre si, numa atividade essencial para a vida em sociedade e se passe a confundir com promoção. O que me faz temer pela identificação com os saldos e o “despachar” de stocks prestes a transformar-se em refugo.

Cláudia Sousa Pereira (crónica na radio diana)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Évora: deduzida acusação contra um ex-presidente, uma ex-Diretora do Departamento Jurídico e um ex-Diretor de Departamento da Câmara Municipal

CRIMES DE PECULATO DE TITULAR DE CARGO POLÍTICO, ABUSO DE PODER E VIOLAÇÃO DE NORMAS DE EXECUÇÃO ORÇAMENTAL: DEDUÇÃO DE ACUSAÇÃO

25 maio 2015
Em inquérito da 2.ª Secção do DIAP de Évora, com investigação a cargo deste Departamento, no dia 04.02.2015, foi deduzida acusação contra um ex-presidente da Câmara Municipal de Évora, uma ex-Diretora do Departamento Jurídico e um ex-Diretor do Departamento de Gestão e Administração da Câmara Municipal de Évora, respetivamente pelos seguintes crimes:
— em autoria material, um crime de violação de normas de execução orçamental e em coautoria, um crime de peculato de titular de cargo político;
— em autoria material, um crime de peculato de titular de cargo político.
— em autoria material, um crime de abuso de poder.
Os factos em causa são relativos a contratação pública.

Évora: PS prossegue hoje Ciclo de Conferências na Biblioteca Pública


(clique na imagem)

domingo, 24 de maio de 2015

"O Pão na Cultura Popular" - Poesia Popular, vídeos, canções, etc., na Dramática Eborense a partir das 16 H



                             (clique na imagem para ler o programa que se inicia às 16H)

Confiança

Joaquim Palminha Silva
            O que é hoje a confiança?
Será mais uma fantasia no meio de muitas outras, pelo que escrever sobre ela é um trabalho quase imaginativo, idêntico a uma história infantil com fadas, gnomos e castelos no ar, onde repousa adormecida a “bela” confiança, tal princesa encantada?…
            Sobre a dificuldade em encontrar, guardar e conservar a confiança de que todos precisamos para viver neste vale de lágrimas, está repleta a nossa História contemporânea. A raridade com que ela se apresenta é tal que o tradicional rifoneiro popular não guardou muitas memórias directamente, relacionadas com a confiança de que, por exemplo, recordamos o ditado: «Confiar no futuro, mas pôr a casa no seguro.».
            Confiantes, entregamos a nossa saúde nas mãos dos médicos e demais especialistas dos Hospitais públicos. Os nossos filhos são confiadamente entregues às escolas públicas. Os nossos salários, a reforma, as poupanças (quando as temos), confiadamente as depositamos nos Bancos. Após eleições legislativas, nós confiamos que do partido mais votado será formado um governo preenchido por cidadãos idóneos, isto é, pessoas comprovadamente honestas, sejam elas da “direita”, do “centro” ou da “esquerda”… - Porém, nos últimos anos, a verdade é que temos visto a nossa confiança ser traída por muitas destas entidades, serviços e pessoas.…  
É, pois, imenso o rol para o que nos é solicitada confiança que, entretanto, resulta num crescimento da nossa desconfiança, todos dias e a toda a hora.
Mesmo assim é forçoso que pensemos que seria a nossa vida numa sociedade sem a prática da confiança? Como será possível viver numa sociedade donde se pode ausentar a confiança, ainda que seja por determinado tempo e apenas nalguns sectores da vida política, social e cultural? – Posso responder já! Será como viver em Portugal, onde o “sistema” de confiança tem sido atacado em várias frentes, e corroídos os seus alicerces seculares!
            Prevenindo a ausência de confiança que deve ter existido no passado mais remoto, o rifoneiro popular apresenta-nos esta curta lista de ditados ou anexins:
            «Não te deves fiar senão daquele com quem já comeste um moio de sal»;
            «Não te fies em água que não corra nem em gato que não mie.»;
            «Não te fies em cantigas»;
            «Não te fies em céu estrelado nem amigo reconciliado»;
            «Não te fies em mulher que não fala nem em cão que não ladra»;
            «Não te fies em quem uma vez te enganou»;
            «Não te fies em vilão nem bebas água de charqueirão»;
            «Não te fies se não queres ser enganado».
            Entretanto, pela doentia convergência do estado mental da maioria dos cidadãos, a sociedade actual fez da confiança uma prática a evitar, um tanto pelo seu cheiro a pia outro tanto pelo hálito que transporta, denunciando a cebola do péssimo refogado democrático nacional. Porém, acontece que, traçando a perna numa intimidade canalha, o cidadão comum ainda gosta que a confiança se venha sentar sobre os seus joelhos e lhe peça, entre caricias de demagogia, um pouco da sua benevolência para esta ou aquela questão e, dependendo das ocasiões, apesar de tudo o cidadão não sabe como se lhe negar, deixando-a tomar conta da sua vontade com uma simplicidade trágica… - E vota em partidos que não lhe deveriam merecer confiança, pela soma de dirigentes políticos que habitualmente “abastecem” os tribunais e, depois, as cadeias, enquanto “especialistas” na prática dos mais variados crimes!
            A confiança não se decreta nem acontece como fruto do acaso, pelo contrário, obedece a um projecto de construção, e uma instala-se na sociedade a um ritmo vertiginoso («clima de confiança»; «confiança em si próprio»; «confiança na condução»; «confiança no investimento»; «confiança dos accionistas»; «confiança na qualidade da água da rede pública»; confiança nas instituições», etc.). Nesta ordem de ideias, alicerce da segurança social num país civilizado, a perda paulatina de confiança do cidadão nas instituições e nos políticos, acaba arrastando consigo as estruturas fundamentais do regime democrático e, ao criar um ambiente de desconfiança continuado, faculta a germinação de todo o tipo de “miasmas pantanosos” que levam ao autoritarismo, à ditadura, mesmo até ao golpe de Estado de coloração fascista!
            Dir-se-á que a confiança, ao desparecer da sociedade, deixa o português nu, sem nenhuma ilusão! – Todavia, à medida que as condições sociais e políticas se degradam, que as aparências de honestidade de Bancos, Empresas e chefes políticos deslizam comprovadamente para a fraude e, portanto, para o crime, perdendo-se assim a confiança nas suas raízes institucionais, somos levados a constatar com surpresa que o português tem horror à nudez (da verdade) social e política, preferindo entregar o seu voto, confiadamente (?) aos mesmos focos de infecção que o desiludiram anteriormente!
            Por tudo isto, mas também por uma gritante carência de educação cívica e evidente ausência de cultura democrática do cidadão eleitor, com a soma de casos provados de corrupção ao mais alto nível político (com o suplemento de provado nepotismo, abuso de poder, fraude fiscal e mentira sistemática, bem como outros crimes), Portugal não conhece um clima generalizado de desconfiança, apesar de todos os indicadores nos assegurarem que tal deveria acontecer desde há algum tempo a esta parte!
            Com Governos, que têm como uma das suas actividades principais mentir aos cidadãos, seria de encarar a limitação do domínio da confiança por parte de uma população que está sendo abandonada…
            Consequentemente, a permanência da estabilidade política tem sido muito fácil de assegurar, pese embora o descalabro geral, não por mérito dos partidos e seus quadros profissionais, mas sim graças à preguiça mental do cidadão anónimo, e à deficiente condição em que se encontra a cultura democrática de grande parte da população. Há códigos muito resistentes para exprimir ou assimilar uma influência ou situação de facto: - A palavra confiança, apesar de já não estar muito ligada à experiência vivida no Portugal dos nossos dias, representa uma referência de tranquilidade demasiado forte, nas mentalidades correntes, para ser abandonada pela sua contrária (desconfiança), que todos associamos a um mecanismo social de insegurança… Que é afinal de contas àquele que se vive, mas que poucos aceitam olhar bem de frente!   


                        

sábado, 23 de maio de 2015

Esta noite no Armazém8


Miguel Martins, Carlos Barretto e José Salgueiro são 3 dos maiores músicos portugueses. Dividem a sua vida entre Portugal e o Mundo e estarão no Armazém 8 juntos num espectáculo único que será memorável, ou não fossem eles três grandes instrumentistas.

Évora: na "BruxaTeatro" este sábado


Este sábado na "é neste país"


     Teatro Del Passilo com Fernanda Gomez & Erika, às 11,30 horas

Duas contadoras argentinas vindas da VI Festa dos Contos de Montemor-o-Novo

sexta-feira, 22 de maio de 2015

FESTAE - Festival de Teatro de Amadores de Évora começa hoje


É já hoje que se inicia mais uma edição do FESTAE – Festival de Teatro de amadores de Évora. O FESTAE comemora o seu 50.º aniversário e de 22 a 30 de maio o Festival está de volta ao Centro Histórico de Évora e terá presente também em Beja e Portalegre.
Hoje pelas 18h na Praça do Giraldo em estreia absoluta na cidade de Évora a companhia Rei sem Roupa traz-nos, ARRE - Peça para Dois Burros e Dois Actores
Ainda no dia de hoje pelas 22h na Praça do Giraldo a magia e o fantástico invadem a praça, porta aberta da cidade de Évora, com a companhia Cal y Canto Teatro e o espetáculo A-TA-KA!
Programa completo aqui.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Universidade de Évora: simpósio sobre conflitos ambientais discute Mina da Boa Fé


No decorrer do simpósio internacional a decorrer na Universidade de Évora esta quinta-feira, dia 21, na parte da manhã estarão em debate as questões relacionadas com a Mina da Boa Fé.
Assim, no painel que se inicia às 9,15H estarão em debate as intervenções :

- Minas e conflitos ambientais: uma filosofia do risco futuro e do risco invisível

José Rodrigues dos Santos (Cidehus / Universidade de Évora)

- Mineração de ouro em Boa-Fé, Alentejo: implicações e conflitos ambientais 

Teresa Meira (Universidade Federal Fluminense);Francisco Fernandes (Centro de Tecnologia Mineral, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Brasil)


O asseio e a cidade

Hoje vou falar-vos de um assunto que diz diretamente respeito a todos quantos vivem na cidade de Évora.
Refiro-me à limpeza e higienização da nossa cidade. Há quem ache que a cidade melhorou significativamente no que a este aspecto diz respeito com o regresso da CDU ao executivo da Câmara Municipal. Pois eu afirmo; não era necessário levar a cabo grandes medidas, para melhorar o estado das “coisas”. Porque os últimos anos da governação socialista na câmara municipal de Évora foram maus de mais, para poderem ser lembrados.
O certo é que Évora sempre fora tida e vista como uma das cidades mais asseadas do país. Recordo-me a este propósito de o meu avô paterno falar desta qualidade com vaidade e orgulho, e, defender que todos tínhamos o dever de preservar esta qualidade. Estou convencido de que a esmagadora maioria dos eborenses referem-se sempre com grande preocupação quando a cidade não prima pelo asseio que lhe é devido.
Não descuro o facto de que hoje em dia, com a inclusão dos movimentos pendulares, as pessoas que aqui se deslocam de manhã e que daqui saem ao final da tarde, a cidade de Évora alberga, todos os dias, mais de 70 000 pessoas. Esta realidade traz novas exigências à governação autárquica. São, portanto, mais pessoas a sujar e a produzir lixo.
No entanto, nas últimas semanas tenho constado que, nalgumas ruas e travessas do centro histórico, papeleiras e o chão, no início da manhã ainda se encontram por limpar. Esta situação não condiz com as exigências de qualquer cidade, muito menos com uma cidade que ostenta a qualidade de património da humanidade. Por isso, urge alterar rapidamente esta situação por óbvias e fundadas razões.
Com efeito, o executivo camarário tem o dever de persuadir os funcionários no sentido de se organizarem para que a limpeza e a recolha do lixo, até às 8H00 da manhã, possa ser realizada, pelo menos no centro histórico. Se isto for conseguido, estou certo que todos beneficiaremos com isso. Os que cá habitam e os que cá exercem as suas atividades económicas. Por outro lado, aqueles que nos vistam trariam mais gente à cidade de Évora, em virtude da boa imagem que daqui levariam.

José Policarpo (crónica na rádio diana)

"Decisão do Tribunal Arbitral no processo Município de Évora vs Águas do Centro Alentejo foi desfavorável para a autarquia"


A Câmara Municipal de Évora aprovou [na reunião pública de 13 de Maio] por maioria, com as abstenções dos Vereadores do PS e do PSD, a proposta do Presidente Carlos Pinto de Sá que visa sair das Águas do Centro Alentejo e recusa a participação no Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e Saneamento de Lisboa e Vale do Tejo (SMAAS de LVT) que o Governo impõe à autarquia.
Esta proposta explica que, em comunicado de 9 de Abril de 2015, o Conselho de Ministros anunciou a criação do referido Sistema Multimunicipal que resulta da agregação de 8 sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento e fusão de 8 entidades gestoras, o que inclui o das Águas do Centro Alentejo, onde está Évora. Uma decisão impositiva governamental que tem merecido a posição desfavorável da Associação Nacional de Municípios Portugueses e de muitos municípios afetados, entre eles Évora, uma vez que, quer a Câmara Municipal, quer a Assembleia Municipal, em devido tempo, emitiram parecer desfavorável quanto aquela agregação e criação de sistema megalómano, cujo objetivo é a privatização da água pública, tornando-a num negócio privado chorudo.
Face a tal situação, a Câmara Municipal de Évora deliberou agora “reafirmar a posição de sair do Sistema Multimunicipal da Águas do Centro Alentejo e, enquanto tal não se verificar contra a sua vontade, exigir a concretização das medidas adequadas e insistentemente reclamadas pelos municípios de redução dos insustentáveis custos tarifários que incluem, por exemplo, débito das águas da chuva nas ETAR’s;
Recorda também que este processo, dito de agregação e que cria o SMAAS de LVT foi desenvolvido no desrespeito e à revelia das atribuições e competências do Poder Local;
Afirma também que, tendo o Governo desrespeitado o parecer negativo aprovado nos órgãos municipais, a Câmara Municipal de Évora irá desenvolver as ações ao seu alcance, incluindo a judicial, para garantir o respeito pelas decisões do Município de Évora na defesa das populações de Évora e do Alentejo, do serviço público de água e saneamento e da autonomia do Poder Local”.

Outros assuntos tratados

O Presidente Carlos Pinto de Sá deu conta, nesta reunião, da decisão do Tribunal Arbitral no processo Município de Évora vs Águas do Centro Alentejo que foi desfavorável para a autarquia. Explicou que apesar de terem procurado dar o melhor tratamento possível a este processo - que já vinha da anterior gestão camarária - o Tribunal Arbitral confirmou aquilo que sabiam, que tal instância não era a mais adequada para resolver um processo destes e que custou mais de 300 mil euros ao Município.
Foram ainda aprovados por unanimidade um voto de pesar e um voto de congratulação. O voto de pesar foi apresentado pelo Vereador Paulo Jaleco (PSD) pelo falecimento de Hélder Neves, médico que foi seu mestre e também mandatário da sua campanha. O voto de congratulação foi proposto pela Vice-Presidente, Élia Mira, e incidiu na passagem do aniversário da vitória dos Aliados sobre o nazismo, que pôs fim à II Guerra Mundial.
A Direção-Geral de Saúde propôs à Câmara que a realização do projeto “Saúde Mental e Arte 2015” decorresse nas cidades de Portalegre, Évora e Beja, tendo convidado a Câmara de Évora a receber um conjunto de iniciativas. A proposta desta parceria foi aprovada por unanimidade. O projeto visa a promoção da saúde mental e o combate ao estigma da doença mental. (nota de imprensa da CME)

Nova companhia teatral eborense estreia-se hoje no "Garcia de Resende"


Quebra Muros
Nova Companhia Teatral! 
Estreia dia 20 de Maio às 21,30h 
Teatro Garcia de Resende!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Hoje e amanhã em Évora, a não perder, uma das grandes vozes alternativas do Estado Espanhol. (5ª feira em Lisboa)


ÉVORA
# Terça-feira, 19 de Maio, às 15 h.     
Sala 131 do Colégio do Espírito Santo,    
Universidade de Évora, Évora:
* Conferência: “Em defesa do decrescimento”
A convite do director da Escola de Ciências Sociais da Universidade
de Évora, Intervenção no contexto do “Ciclo do Pensamento Crítico:
Democracia, Humanismo e Transições (para novas) Políticas”.

# Terça-feira, 19 de Maio, às 19 h.     
Colégio do Espírito Santo - Biblioteca Geral - Universidade de Évora
*A Biblioteca ConVida -
O Meu Mundo nos Livros, com Carlos Taibo.

# Quarta-feira, 20 de Maio, às 18 h.  
Livraria ‘Fonte de Letras’, Évora:
* Palestra e debate:  “Repensar a Anarquia”

LISBOA
# Quinta-feira, 21 de Maio, às 18,30 h.
BOESG, Rua das Janelas Verdes, 13-1º Esq., Lisboa (seguido de  jantar):
* Palestra e debate: “Decrescimento e Anarquia”

Debates públicos e abertos!

O escritor e professor universitário espanhol Carlos Taibo (http://www.carlostaibo.com/) vai estar em Portugal nos próximos dias 19, 20 e 21 de Maio para um ciclo de conferências e palestras nas cidades de Lisboa e Évora.
Carlos Taibo é professor de Ciência Política na Universidade Autónoma de Madrid e autor de vários livros sobre geopolítica e de reflexão sobre a economia e os movimentos sociais contemporâneos. Crítico da globalização e do neoliberalismo, propõe uma renovação do pensamento libertário e uma nova economia assente no decrescimento e na autogestão. Um dos seus livros mais recentes tem o título “Repensar a Anarquia”. Esteve profundamente ligado aos movimentos assemblearios de rua, como o 15M, e considera que organizações como o “Podemos” não representam uma alternativa credível ao actual modelo político vigente no Estado Espanhol. 
Especialista na obra de Fernando Pessoa, editou também recentemente um ensaio sobre Portugal - “Comprender Portugal”. (http://www.catarata.org/libro/mostrar/id/1004
Em geral afastado dos grandes órgãos de comunicação social, Carlos Taibo é, no entanto, uma voz influente que se faz ouvir no circuito alternativo dos sindicatos revolucionários, dos Ateneus e dos Centros Sociais Autogestionados espalhados pelas diversas regiões do país vizinho.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Dia dos Museus e os Museus de todos os dias…

Joaquim Palminha Silva
    Parece que o Homem tem imperiosa necessidade de saber de onde nasceu, para onde se dirigiu ao longo do tempo e como chegou até aqui, talvez para decidir do seu caminho no próximo futuro… - Daí nasceram os lugares de conservação da memória histórico-cultural dos povos.

    Essa necessidade levou-nos, por conseguinte, a conservar os testemunhos da vida, da arte, da cultura e da tecnologia que vindos do passado chegaram até aos nossos dias e, segundo critérios científicos e pedagógicos, constituem a matéria-prima dos Museus, lugares de memória histórica da sociedade contemporânea ocidental, encarados como forma de combater o crescente desenraizamento que a ”modernidade” do consumismo, bem como a proclamada “globalização” pretendem uniformizar, sujeitando povos e nações, culturas e línguas a simples anexos pitorescos do lucro imediato…
                Será que a memória, a dignidade de um povo e sua cultura se podem rentabilizar? O que rende a sombra de um sobreiro centenário num dia quente de verão, ou um velho depois de ter perdido a sua força de trabalho?- Nem tudo se pode quantificar desta forma e, no entanto, tudo isto é tão necessário como o pão para a boca!
                Por isso, neste dia dos museus escrevemos do centro de uma urbe que não tem um Museu da Cidade de Évora nem um Museu Etnográfico (vocacionado para a memória do pão, por exemplo), mas que conserva um conjunto de unidades museológicas (algumas nem se podem chamar museus), organizadas a esmo, mantidas desordenadamente e assistidas por técnicos sem qualificações nas respectivas áreas que, portanto, fazem o que podem… e a mais não são obrigados…
                 Entre museus institucionais e de entidades privadas, veja-se a disparidade de critérios de preço de bilhetes de entrada e de horários (tipo repartição de finanças!):
                O Museu de Évora tem um horário de escritório, e a entrada/ bilhete normal é de 3 €;o Museu da Catedral encerra uma hora mais cedo que o Museu de Évora (não se sabe porquê) e apresenta a entrada a 3,50 € (critério eclesiástico?); existe um denominado “museu do relógio” instalado no edifício do INATEL, que na prática é apenas mostra de algumas colecções de relógios de várias origens, organizadas a esmo, sem pedagogia alguma, com a entrada a 2 €; a Igreja dos Lóios e o “museu” do Paço dos Duques de Cadaval acreditam que valem 3 € de entrada, todavia as colecções do dito “museu” são medíocres e evidenciam a ausência de qualquer critério descritivo, apresentando o conjunto para mostra um horário de repartição pública; a «Capela dos Ossos», na igreja de S. Francisco, pede 2 € para entrada e, com o característico horário de repartição, apresenta a exigência absurda de 1 € ao visitante que queira fotografar (não sabíamos que a luz das máquinas fotográficas “fazia mal” aos “olhos” das caveiras); a Galeria das Damas (vulgo Palácio D. Manuel/Jardim Público) pode ser visitada gratuitamente, embora nada tenha no seu interior, apenas exposições temporárias (e sem relação umas com as outras); o Museu do Artesanato e do Design, unidade absurda que sobrou depois do anterior executivo autárquico (PS) associado à entidade denominada «Turismo do Alentejo» ter destruído o que restava de um antigo museu do artesanato, apresenta-se mais como mostra de colecções de design de um privado do que efectivo museu, mas tem o descaramento de pedir 2 € de entrada; a igreja de S. Brás (Rossio) pode ser vista gratuitamente, das 8h às 11h e das 13h às 18h, bem como a igreja da Misericórdia; a igreja do Salvador, sob a tutela da Delegação local da Secretaria de Estado da Cultura, pode ser visitada gratuitamente e, às vezes, alguma exposição que habite o seu interior pode ser apreciada, embora algumas das mostras apresentadas sejam “pobres” de conteúdo descritivo, entretanto o seu horário nem oferece dúvidas, é de repartição de Estado; as Termas Romanas (edifício dos Paços do Concelho) oferecem visita gratuita, mas o horário é o dos serviços municipais; no Convento dos Remédios pode ser visitado gratuitamente um centro interpretativo do megalitismo, dentro do horário das repartições.
                A “prima-dona” destas unidades museológicas é o «Forum Eugénio de Almeida» (propriedade da Fundação do mesmo nome), espaço mais de exposições do que “museu”, e que pode ser visitado das 10h às 19h sem interrupções, apresentando a exigência de 4 € de entrada por visitante… “Gente fina é outra coisa”!
Por fim, vem a anedota: a Universidade de Évora é de visita gratuita… Excepto de 30 de Março a 6 de Abril, período em que o visitante tem de pagar 3 € para entrar… Porquê? Os folhetos não explicam… Eu também não pedi explicações, pois nada justifica um disparate destes!
                No dia mundial dos museus, numa urbe a que já Fialho de Almeida (finais do século XIX) chamava “cidade museu”, os museus ou aparentados parecem repartições e os funcionários, na sonolência dos dias, tristes anfitriões… Mas apesar de tudo Évora merece que a visitem!

Se a moda pega, preparem-se ò "trabalhadoras" da Câmara de Évora para darem ao dedo e ao dedal


Separação entre Estado e Igreja? Qual quê!!! O que interessa é engalanar as janelas do edifício dos Paços do Concelho com "colchas" para a procissão de Nossa Senhora do Carmo. Câmara CDS? Não senhor: Câmara CDU. E o "desafio foi lançado pelo presidente da autarquia". E esta hein?

domingo, 17 de maio de 2015

A Rússia!

        Durante décadas foi “moda” no Ocidente (imprensa, rádio e televisão) criticar a Rússia, por causa do seu regime totalitário, de raiz supostamente marxista… Depois, uma vez caído o totalitarismo, com vários pretextos, sendo uns mais “aceitáveis” do que outros, voltou a ser “moda” criticar a Rússia, orquestrar contra ela provocações militares (NATO), ameaçá-la, na geografia do continente europeu, com o isolamento e, novamente, imprensa, rádio e televisão apontam os holofotes da crítica na sua direcção!
Neste mesmo contexto, e sem pestanejar, venho aqui declarar que, independentemente de regimes e circunstâncias políticas da “moda”, eu faço parte da multidão de ocidentais que têm uma dívida de gratidão para com a Rússia… Explico já a seguir…
Na Rússia, o poeta e o escritor são efectivo “Estado” alternativo ao despotismo imperial do Czar (“branco” e, depois, “vermelho”), e um factor de cristianização ou humanismo militante no seio da barbárie asiática. Desde o século XVIII que os grandes autores, antes de se tornarem parte integrante da cultura multifacetada da Rússia, foram perseguidos, proibidas e censuradas as suas obras e, por fim, eles próprios humilhados e aprisionados pelos sucessivos “senhores” do Kremlin…
O isolamento e as numerosas punições sofridas pelo poeta Aleksander Puchkine (1799-1837), o contínuo desespero do escritor Nikolai Gogol (1809-1852), a prisão e deportação para a Sibéria de Dostoievski (1821-1881), a luta do grande escritor Leão Tolstoi (1828-1910) contra a censura, pela liberdade de opinião e pela emancipação do campesinato, então sujeito a uma vida mergulhada no servilismo feudal, as perseguições e humilhações sofridas por Mikail Bulgakov (1891-1940) sob o estalinismo, as censuras, proibições e perseguições sobre o escritor Boris Pasternak (1890-1960), prémio Nobel em 1958 e, entre muitos outros, tudo o que sofreu o escritor, e prémio Nobel em 1970, Soljenitzyne (1918-2008), dizem-me que a criação literária russa partilhou a universalidade da dor humana com tal intensidade que a alma, dilacerando-se numa contínua interrogação sobre o seu destino terreno, fez desta mesma criação um território de liberdade e de profunda espiritualidade… que o Kremlin odiou e perseguiu!    
Foi, pois, nesta linha de pensamento que escreveu Dostoievski, transformando a maior parte dos seus romances num diálogo interior: - O mundo da obra Crime e Castigo ou do romace Irmãos Karamazov é a alma humana…e as suas inquietações. A natureza quase desaparece em grande parte das suas obras. A alma, com as suas apoquentações, a sua desordem, visões, interrogações e crises de Fé, eis a grande e exclusiva problemática do escritor russo.
Mas também, e de forma avassaladora, são território da alma humana o mundo literário de Gogol, Puchkine, Pasternak e Soljenitzyne (nomeadamente com a obra O Pavilhão dos Cancerosos). Neste sentido, posso dizer, sem grande margem de erro, que a literatura russa partilha, através da inquietação, da interrogação e da Fé na redenção da consciência humana, o mesmo destino que a Grécia clássica.
Na verdade, sem este grande serviço prestado pela literatura russa, nós teríamos penado muito mais para apreender o imenso reportório que habita alma humana, bem como a sua universalidade… Entre muitas outras obras, não conseguiremos imaginar a “paisagem” da nossa consciência cristã, mesmo quando não somos mais religiosos, sem recorrer ao romance Guerra e Paz, de Leão Tolstoi.

A existência humana é bastante dolorosa, porque encerra obrigatoriamente muita luta, muita dor, muita decepção e, ao mesmo tempo, requer muita Fé. Por isso, do fundo da nossa consciência transbordante de memórias, boas e más, deverá erguer-se um sentimento de gratidão à grande literatura russa e seu misterioso destino no seio da alma humana, esta candeia bruxuleante, mas sempre pronta a descobrir novos caminhos da Fé e da Esperança.