quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vamos falar claro! (Câmara Municipal de Évora)

            Pouco me importa, do ponto de vista a que agora vou obedecer, a orientação política e o conteúdo ideológico do presente executivo Autárquico de Évora. Importa-me muito mais a natureza essencial dos métodos adoptados (ou ausência deles) no trabalho de gestão urbana da cidade, se assim posso dizer.
            Passaram 13 anos desde que findou (2002) o ÉVORACOM (Projecto Especial de Urbanismo Comercial-Revitalização do Centro Histórico de Évora), pelo que é mais que tempo de concluir alguma coisa…
            Com uma área (centro histórico) total de 9 hectares a ser intervencionada, após «diagnosticadas» as carências supostamente mais urgentes de solucionar, os técnicos da época, necessariamente com a concordância dos autarcas, chegaram à conclusão de que as acções a levar a cabo implicavam (entre outras medidas): implantar um sistema de enterramento do vasilhame com o lixo urbano e sua recolha; melhoria da iluminação geral e cénica (monumentos); renovação do mobiliário urbano; enterramento de infraestruturas (tubagem do gás, etc.); regulamentação da publicidade; alteração dos horários de abertura do comércio; melhoria do atendimento ao público.
            Autarcas, técnicos superiores e especialistas em serviço na Câmara Municipal de Évora, acreditariam seguramente na época que a situação da cidade não era ainda desesperada, embora fosse crítica… (Hoje, além de crítica é desesperada!)
            A forma como trabalharam deixou ver claramente quanto acreditavam na existência duma «dinâmica permanente» dos centros urbanos. Todavia, ignoraram que essa dita «dinâmica» pode ser a da acelerada decadência… Vejamos…
            As suas decisões resumem-se desta forma, alinhando-se a seguir os resultados práticos, passada mais de uma década:
            1) Promessa do ÉVORACOM: Diminuição de utilização da Praça de Giraldo para actividades públicas, por forma a restitui-lhe a sua função primordial de «sala de visitas» por excelência da cidade. Actualidade: descaracterização da Praça, uso e abuso do seu espaço, tabuleiro central incluído, para promoções publicitárias avulso, , com sons acima dos decibéis aceitáveis, desrespeitando a Lei; degradação dos edifícios circundantes (nalguns casos com risco para integridade física dos transeuntes); inqualificável desleixo na conservação da calçada; abandono da preservação do exterior da igreja de Santo Antão; serviços de cafetaria e esplanadas excessivamente caros, de má qualidade e a requerem inspecções dos agentes da especialidade;
            2) Promessa do ÉVORACOM: Revitalização da Praça Joaquim António de Aguiar, regressando ao conceito do jardim, etc.. Actualidade: Completa negação do conceito de jardim; em vez disso um espaço armadilhado com escadas e desníveis de terreno sem protecção, demasiado perigoso para a frequência de crianças, idosos e pessoas com deficiência física; suplementarmente, sob um relvado exorbitante (apenas usado para dejecção de fezes caninas), construção de um parque automóvel subterrâneo, com uma única entrada que… é também a única saída do espaço!
            3) Promessa do ÉVORACOM: Revitalização da Praça 1º de Maio e requalificação do Mercado Municipal. Actualidade: Completo fiasco da dita revalidação da Praça 1º de Maio, com a paulatina desistência dos agentes nas “feirinhas” propostas; Completo assassínio do Mercado Municipal, desde a construção, com uso estapafúrdio de alumínios desajustados no espaço envolvente, ao desinteresse dos comerciantes de banca, que debandaram face aos preços de aluguer de espaço e falta de clientes…
            E poderia continuar… Porém, o mais trágico, foram as profundas escavações efectuadas junto às Arcadas e suas colunas de suporte, de forma a proceder ao enterramento de cabos e condutas de gás. Na altura, escrevi no Diário do Sul algo sobre isso, chamando atenção para o risco de mexer na base das colunas, assente sobre um piso compactado há séculos… Mas é claro, especialistas e autarcas devem ter rido do que então disse … As fendas que se foram rasgando no decurso dos últimos anos, nos tetos das arcadas, são o resultado dessas escavações… De resto, é visível “a olho nu” o desnível que representam as Arcadas, neste momento, em relação ao conjunto dos imóveis a que pertencem…
            Nesta ordem de ideias, as limpezas das Arcadas, a que a CME procede neste momento, pobres obras de cosmética, não resolvem o grave problema da segurança dos edifícios que, como é de esperar, necessitam de estudos na especialidade com muita urgência…
Não vale a pena escrever mais… A insensibilidade para tratar das graves “doenças” da cidade, é notória e escandalosa! Veja-se: - Neste momento, em que estão em curso profundas obras de restauro e preservação da Igreja de S. Francisco, é indispensável desviar o trânsito automóvel da via que passa atrás do templo, dado os malefícios que este mesmo trânsito provoca ao corpo do templo… Mas nada foi feito no passado, tal e qual como nada é feito hoje…
            Na verdade, o que se passa é que a CME tem vindo a efectuar obras de fachada desde há umas décadas. Nada que envolva estudos sérios, na especialidade. Pior: nem sequer informa os cidadãos do que sabe (sabe?) sobre real “estado de saúde” da cidade…

17 comentários:

  1. Com a meia verdade nos enganas.

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    1. O facto é que o Palminha não usa nenhuma cabresto partidário o que lhe permite ver livremente com olhos de ver. Não sei se me faço entender

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  2. O que me preocupa é ver reportagens como a passada na TVI sobre o sistema de saúde nas urgências e não só , depois vendo por Évora até para Igrejas dão a fundo perdido pela autoria do QREN/INALENTEJO milhões de euros , outros milhões de euros para fazerem e remodelarem hotéis e pensões por Évora e não vi nenhum projeto de lar de 3ª idade público ou hospital público por Évora .

    A quantidade de tabuletas espalhadas nos últimos 12 anos pelo QREN/INALENTEJO por Évora com fundos de milhões atribuídos a empresas simuladas em outras falidas e mafiosas da fuga de impostos , dava tudo junto para organizar melhor o serviço público em Évora . Não vejo como seja possível quase tropeçarem tantos hotéis e pensões uns nos outros , quando Évora utiliza umas piscinas municipais do tempo de Salazar e tem um Salão Central a cair , com um centro comercial por acabar onde já querem abrir outro .

    Tem de relevo mais uma academia de voo fantasma onde foram enterrados milhares de euros para o edifício e iluminação noturna da pista ... para ?

    Milhares de euros dados para uma organização de mini golfe fechar a que havia pública no jardim e hoje temos o quê ?

    O que tem Évora ?

    Uma quantidade de tascas , casas de prostitutas , casas de alterne e ruído no centro histórico pelas tantas da noite , onde antigamente mesmo fechando pelas 02h eram encerradas pela lei do ruído e hoje onde está a lei do ruído ?

    Uma CME que se dá ao luxo de não faturar a TOS para depois vir com pés de lã dizer que faz tudo ...

    ... tudo o quê ?

    Para lerem :

    http://www.erse.pt/pt/gasnatural/regulamentos/relacoescomerciais/Documents/Esclarecimento_TOS%20.pdf

    Onde está o dinheiro que foi pago em 2013 e 2014 ?


    Jorge

    ( ciclista

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  3. Concordo absolutamente com a visão lúcida que o Sr. Palminha tem da cidade.
    A distância que tem dos partidos, permite-lhe enxergar muito para além do cabresto partidário-partidário-ideológico que os Autarcas tem da cidade.

    Observação
    As obras das arcadas estão entregues ao vereador da Cultura que foi candidato a presidente de câmara noutros carnavais?
    Se é verdade, não preciso de saber mais nada para compreender tudo...

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    1. Que mal têm as obras das arcadas?...
      Seria melhor as arcadas estarem ao abandono, como estiveram nos últimos anos?
      ...

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    2. O problema é que não há obras nas arcadas absolutamente nenhuma.
      Show off há muito isso sim.

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    3. As arcadas são onde ou onde está descriminado serem domínio público ????

      Onde está a certidão do registo predial que atesta as arcadas como bem público dos Eborenses ?

      O que encontro são as arcadas como suportes dos edifícios por cima existentes e esses tem ou sempre tiveram donos privados ao longo do tempo .

      Ora , porque razão a CME faz obra em bem alheio ?

      Tomou posse administrativa ?

      Ou , estará a cobrar receita da intervenção , quantos euros ?

      Jorge

      ( ciclista )

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    4. Afinal há obras, ou não há obras nas arcadas?
      Organizem-se porra!...

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  4. Está certo Palminha da Silva.

    Atalho de foice, que dizer da câmara comunista que agora convidam O POVO para discutir um novo elefante branco às Portas de Avis.
    Vê-se que nesta gestão não há nada de mais importante para solucionar e não enxergam as prioridades para o povo.

    Não discutem o essencial - avançar/não avançar ou impulsionar o fórum no Parque Industrial - e aquilo vai ser uma feira de vaidades e show off, em que o Eborense não vai aparecer. Quem vai? especuladores e os PC's do costume que falam falam falam, mas nunca resolvem decentemente porra nenhuma.

    O Eborense quer os buracos miseráveis das ruas tapados, a poia das mulas limpas das vias, as ruas asseadas e limpas, as arcadas e monumentos devidamente reparados com pés e cabeça (sem pinceladas de empurrar o lixo pra debaixo do tapete) CINEMA e oferta de lojas a preços mais convidativos que não obrigue a ir á Margem Sul ou Badajoz. Querem oferta de trabalho e por isso desejam que a CME se esforce para encontrar soluções - e menos eternas discussões sem soluções realistas e pragmáticas.

    Esta gente nunca vai entender o que vai na cabeça das pessoas, as suas verdadeiras necessidades. Despois admiram-se se serem varridos quando há eleições.

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  5. Nisto concordo com o Jorge (Ciclista)
    Andamos a construir hotéis e centros comerciai com fundos comunitários sem aquilatar da viabilidade económica das mesmas, por porcarias destas há um ex-primeiro ministro preso em Évora . Acho que a CMTV vai ter muito trabalho com novos presos corruptos

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    1. Só não há dinheiro para aquilo que faz falta!
      Mas isto não é de agora. Há 20 anos que é assim...

      E quem gere os fundos?
      Não serão aqueles que recolhem a maioria dos votos dos eleitores?
      E não há 20 anos que escolhem sempre os mesmos?
      Então queixam-se do quê e de quem?

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    2. Só não há dinheiro para aquilo que faz falta!
      Mas isto não é de agora. Há 20 anos que é assim...

      E quem gere os fundos?
      Não serão aqueles que recolhem a maioria dos votos dos eleitores?
      E não há 20 anos que escolhem sempre os mesmos?
      Então queixam-se do quê e de quem?

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    3. Isto não é de agora não. O forrobodó começou no dia 26 de Abril de 1974. Livraram-se do ditador mas não se livraram de viver à fartazana com o dinheiro que não tinham. Por alguma razão o FMI entrou cá logo assim que os comunistas começaram a "desabocanhar"...

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    4. Mas o ditador não tinha já morrido (sem ajuda!) em 1969?

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    5. Quem viveu à fartazana com o dinheiro que não tinha foram os Salgados, os Loureiros, os Oliveiras e os Sócrates desta vida.
      Quem viveu à fartazana foram os vigaristas e corruptos que se encostaram e controlam o centrão PS/PSD, que nos esmifra há 40 anos.
      O povo, esse tem vivido sempre a contar os tostões.

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  6. O tempo desses projectos era o tempo das vacas gordas, não era? Mas se em todas as regiões do país tudo ficou para trás porque é que em Évora haveria de ser diferente? Aqui só restam velhos rezingões que reclamam direitos e nada fazem a não ser dizer mal de tudo. Até era mal empregado estar a gastar dinheiro e recursos com estes emproados e inúteis! Vá, gastem lá a reformazinha e contentem-se que os mais novos nem a isso terão direito!

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  7. Eu queria ver Évora como uma cidade dinâmica e onde as pessoas tivessem prazer em viver. Não o é e não me parece que para lá caminhe. Se calhar o melhor era vender isto aos espanhois e irmos todos morar para Massamá, ou para a Brandoa, ou para o Montijo. O Dinheiro era pó Pedro, claro.

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