quinta-feira, 23 de abril de 2015

O regresso da barrasquice?


Joaquim Palminha Silva
  Não quisemos agredir a gestão política da Câmara Municipal de Évora (CME), dando-lhe a camaradagem das tabernas… Antes pelo contrário. - Na quadra festiva que se avizinha (Santos populares e Feira de S. João), gostaríamos de lhe sugerir a convivência das festividades salutares e do renovado carinho pelo património construído, “coisas” que podem alimentar princípios cívicos no seio da alegria colectiva, deixando espaço para o desfrute de novas e originais ideias… Porém, torna-se-nos inútil insistir…
        Publicado na imprensa local, entre outras informações, diz o comunicado da reunião da CME de 15/4/2015, referindo-se às tabernas que chama de “tasquinhas”, talvez para as tornar mais aceitáveis e menos besuntas face ao público: «O Espaço das Tasquinhas funcionará na Horta das Laranjeiras, no Jardim Público e no Espaço Muralhas […]», e adiante informa-nos que a CME criou um «grupo de trabalho que reúne técnicos de vários serviços» … com o objectivo de «aumentar o número de tasquinhas» … Por isso, quem procura a camaradagem das tabernas é a CME, cujo número promete aumentar, não somos nós que empurramos a Autarquia para os braços de Baco… nem promovemos o retorno da anedótica boutade, tão usada pela “direita” nos tempos “gloriosos” do PREC que, gracejando para denegrir, falava da “esquerda” e da sua “via alcoólica para o socialismo”!
                A decisão da CME de acamaradar com um “auspicioso” aumento do número de tabernas é de uma desmesurada insignificância… - Podem dizer-me…
Mas eu pergunto: não são desventurosas as provas que o executivo da CME dá da sua ilustração, promovendo a invasão do Jardim Público por hordas de ébrios, proporcionando a rega das plantas com o vomitado dos trogloditas; numa palavra, reduzir o pobre Jardim, já de si tão abandonado e de empedrado destruído aqui e ali, a um vazadouro de lixo e dejectos humanos?
Não pode ser sina desta cidade ver-se publicamente ultrajada por todo o político de profissão, mais ou menos desatinado e sem “maneiras” que, encontrando uma maioria favorável ao desvario, desata a maltratar o património construído, a pretexto de que as “tasquinhas” servem para «apoio do movimento associativo»!
Prodigalizada a venda abundante de álcool, “tasquinha” a “tasquinha”, com maior ou menor petisco, está garantida a “salutar” vida associativa, sem obscenidades e com abundância de civismo por uma pá velha: - E quem disser o contrário é mentiroso!
E entramos nos finalmente, como dizem os nossos irmãos brasileiros… Para rematar o conjunto festivo de S. João, a jovialidade autárquica irá providenciar, de certeza absoluta, à dependura da parede granítica do Jardim Público, a monumental e escusada escadaria… Enfim, se tudo isto não é o retorno da barrasquice, para nos conservarmos no campo das exagerações e dos desarrazoamentos, só falta pedir emprestada a Valverde a estátua terrífica do Giraldo e, numa decisão “histórica”, voltar a coloca-la à entrada da Feira, onde já esteve nos anos 40/50 do séc. XX! Alea jacta est !


9 comentários:

  1. Detido o administrador do grupo Lena,o cerco ao Socratismo aperta.

    ResponderEliminar
  2. Pensões congeladas nos próximos quatro anos,PSD e PS excelentes alunos da senhora Angela.

    ResponderEliminar
  3. Se fizessemos isso não era o que eles estão a fazer às cabeças de quem não ás cabeças dos não islâmicos. Todavia agora há uma mania de enaltecer esses trogloditas por parte da esquerda e avacalhar as suas raízes judaico-cristãs. Ora sendo assim o califado do estado islâmico ia ter de certeza o apoio de certa esquerda da CME sei lá candidatando Èvora a sede do califado

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estou particularmente à vontade até porque me sido muito mais próximo da cultura Celta e posteriormente Judaico-Cristã do que da Islâmica.
      Mas, meu caro, não deixa de ter alguma razão. Foi sempre apanágio de alguma Esquerda e nomeadamente o Partido Comunista, fazer a ponte da nossa cultura com a Islâmica. E insistem vezes sem conta. Por vontade deles, o Cante Alentejano deriva das remanescências dos Árabes e não do Cantochão que saiu dos mosteiros cá para fora.

      O facto é que a Esquerda estrema e Elitista, tenta sempre sempre escamotear a nossa raiz Europeia - Celta ou Germânica - e dar muito mais enfase à raiz Árabe.
      Este até seria um bom tema para o Sr. Palminha escrever alguma.

      Eliminar
    2. O Sr. Palmnha acaba de ser eleito porta voz da direita barrasca.
      Bem merecido.

      Eliminar
    3. Ó pateta, «o califado do estado islâmico» só chegou aonde chegou graças ao apoio que tiveram (e continuam a ter!) dos americanos (via Arábia Saudita!) e de muitos que se dizem "próximos da cultura Celta"...

      Eliminar
    4. 16:47

      O EI chegou onde chegou porque a erva ruim acaba por minar a erva boa se não for mondada. Deu-se liberdade aos extremistas e aconteceu.

      Eliminar
  4. Sr Palminha uma vez mais com muito acerto e lucidez. Os governantes da camara PCP, acham e com todo o direito, que bastam mais umas tabernas para que o povo se sinta feliz na 'nova' e mais 'qualificada' a de S João

    ResponderEliminar
  5. Sempre quero ver quem vai fiscalizar a venda de álcool a menores , caso aconteça , será como nas finanças ?

    Vamos todos bufar na bófia a entidade que vende ?

    Vejam lá se transforma a Feira de São João com tascas de sumo de fruta ... a ver se tem depois votantes , já que a CME aposta no desporto ... mas enfia euros voláteis nas mãos de mafiosos da cidade de Évora , pois é !

    E , vejam lá a Queima das Fitas a sumo de laranja espremida na altura ...

    ... boa aposta para a CME começar em redor de Évora a plantar árvores de fruto !
    Jorge

    ( ciclista )

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.