domingo, 19 de abril de 2015

Horizonte

Joaquim Palminha Silva
   O País é pequeno, as ambições dos seus “donos” desmesuradas, e o povo fez-se uma turbamulta matreira e dispendiosa, naturalmente para se salvaguardar dos habilidosos que mandam. Na prática, já não se sabe onde acaba a roupa lavada e começa a roupa suja!
 Verifiquei este fenómeno social, mas não me peçam explicações… Não pretendo dispor de conhecimentos detalhados para satisfazer a curiosidade de algum impertinente. Coleciono factos e classifico-os, pois é este o primeiro estádio da ciência sociológica… Entretanto, seguem-se as teorias e só depois, se estas forem confirmadas pela experiência, as explicações… Assim, apenas reúno facos e, por vezes, relaciono-os e tiro deles simples generalizações plausíveis… Continuando…
            Entre nós e o futuro erguem-se cristalizações de privilégios tribais poderosos. Entre a maioria esmagadora dos patuleias e o futuro perfilam-se, na acção administrativa do Poder, os partidos políticos. Ente nós e o futuro estão inúmeros calendários, com datas sempre inoportunas para as nossas urgências, tal como portas que se seguem a portas…
            Por tudo isto, obrigam-nos a ter apenas estreitos objectivos: – Nunca poderemos ter largos e vastos horizontes!
            Portugal é, pois, uma nação sem horizonte (no sentido de representação mental de todo um povo), sem projecto societário, sem qualquer forma especifica de mentalidade colectiva, de utopia capaz de tentar impor a ordem do deve ser à manutenção da ordem do é o que temos!
            Estabelecido ao “Deus dará”, o País subsiste erguendo o dia-a-dia como ideário absoluto e, assim, sobrevive doentiamente à sua própria podridão, alimentando-se das pústulas da lepra que o vai corroendo.
            Na verdade, desfizeram-se os laços que atavam esta terra minúscula à fé das origens, às aspirações ora singelas ora brutalmente engrandecidas do passado… Santuários e túmulos, muralhas e palácios, objectos e medalhas, livros e poemas, erguidos sobre escassa base de passado, que a penúria de memória abandonou, trazem à luz da actualidade a ferrugem e o bafio que preludia o desmembramento fatal… - Afinal, de que serve tudo este arrazoado, pois só temos objectivos, medíocres, besuntas, como uma antiga conta de mercearia, escarafunchada em folha de papel pardo!
            Ter objectivos é procurar preencher o vazio com expedientes de ocasião, afogando o nada em intrigas limítrofes, disfarçando a futilidade no efémero luxuoso a baixo custo (de preferência com o dinheiro do Estado), fazendo do ressentimento um programa de acção política e social: - Ressentimento contra o partido A ou B; ressentimento contra os prestamistas estrangeiros; ressentimento contra o povo; ressentimento do povo contra os que “mandam”; ressentimento contra a chuva e contra o calor “exagerado” do Estio; ressentimento de todos contra todos!
            Nesta ordem de deias, somos um povo (patrões e empregados, burgueses e proletários, pobres e ricos) com colecções preciosas de ditos, de frases-feitas, de palavras-de-ordem, de máximas e epigramas supostamente capazes de explicar tudo sem contentarem ninguém. Por fim, temos diariamente o “banho-maria” da Cultura, como xarope para a tosse… - Mas não temos horizonte!
            A História das últimas quatro décadas é a narrativa pelintra, sabuja e passa-culpas do regime democrático de vulgata, repetitivo, mentalmente deficiente, enfadonho, com medo da sua própria sombra… - Os seus objectivos são banais, ora de calendário ora de teimosia e boçalidade… Não queremos nada que se prepare para ultrapassar a capacidade do nosso estômago nem a circular estreiteza do nosso umbigo. – Somos pequeninos em tudo. A nossa felicidade é apertadinha, tal e qual uma lata de sardinhas em conserva!
            Não temos horizonte. – Temos metas! Procuramos cumprir etapas, saldar minuciosas dívidas ao estrangeiro, contraídas pelo nosso jogo democrático. Encolhemos…
Uma vez caída a ditadura, ficamos desempregados de ideal, tal como os partidos que nos “saíram na rifa” ficaram a chocalhar por dentro, despojados de ideologia…
            Pobres pensionistas do passado, vivemos da caridade estrangeira e da venda de bilhetes-postais ilustrados com «as armas e os barões assinalados», e desta forma subsistimos à conta de termos sido!
            Somos o realejo mecânico das ruas da Europa do Norte: - Uma moeda na ranhura, e a manivela roda, roda! Mexem-se então as figurinhas ocas do realejo, ao som duma música de fado!
            Aguentamos tudo! A pouca vergonha e as humilhações!
Cospem-nos no prato da sopa que nos dão, e sofremos isso com um sorriso estúpido! – Porque não temos a consciência limpa? Porque sabemos que vamos morrer? – Sobretudo, porque entre nós e o futuro erguem-se os imperativos dos penhoristas, os planos dos armazenistas, os contratos dos negreiros e dos corsários!
Sabemos tudo o que explica a nossa fala de horizonte, como sabemos quanto nada o justifica ou desculpa. – A paralisia mental toldou-nos o pensamento. Não sabemos quem nem quando nos injectaram no sangue a linfa do seguidismo, a droga envenenada do sossego, o tóxico gás da apatia…
Por tudo isto, caminhar em direcção ao horizonte assusta-nos mais que o terramoto de 1755… - Evitamo-lo, desviamo-lo para o esquecimento, para o rol das anomalias perniciosas à Europa!
            Só uma terra livre da “nação”, que subsiste a chupar o sangue ao nosso presente para nos debilitar o caminho do futuro, nos poderá descartar desta gaiola, destes objectivos mutilantes, e abrir-nos o horizonte.
O horizonte não nos envelhece, porque sobre ele não se acumula aquele peso de loucura colectiva onde germina a apatia que, com o tempo, acaba por provocar a ruína dos povos e a decadência das nações.   

Precisamos de horizonte, como o céu precisa do arco-íris após a tempestade!

6 comentários:

  1. Percebe-se que o mundo à sua volta não lhe agrada sr. Palminha mas não culpe o mundo nem espere que ele mude só para lhe agradar a si! Porque não tenta você mudar e fruir?
    Só vê sinais do fim do "seu mundo" e nisso tem razão sr. Palminha: é realmente o "seu mundo" que acaba sem querer saber da sua opinião!
    Entretanto à sua volta esse mesmo mundo continua frenético e esperançado como sempre sem que você dê por isso! - Nem imagina o que perde!
    Mas se isso o consola vá escrevendo artigos rancorosos que na verdade não falam do mundo como julga mas apenas de si mesmo.
    Não são um bonito espectáculo, é certo, mas nós compreendemos!

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  2. Sondagens , o PS ganha no geral e entre professores !

    http://www.arlindovsky.net/2015/04/sondagem-do-blog-para-as-legislativas/

    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/eurosondagem_psd_e_o_partido_que_mais_sobe_e_ps_o_que_mais_desce.html


    O Passos está morto !

    Jorge

    ( ciclista )

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  3. O anónimo das 17.13 deve ser um cão de fila do governo para falar assim.
    Deve ser um daqueles esbirros do psd que utilizam a viatura do estado com motorista para ir a Lisboa fazer compras , ir ás reuniões do partido estes crápulas não gostam que o povo pense. Odeiam JPS porque tem a ousadia de pensar não ser néscio como tu
    À atenção dos consumidores de gasolina.

    É um atentado á inteligência dos portugueses em conivência com o governo. As bombas deixaram de ter gasolina aditivada e Substituíram por suposto low cost só que o preço é menos 2 cêntimos do que o anterior.
    Devia haver união e irmos todos abastecer os depósitos ao verdadeiro low cost do intermarche que é a 1.39 e boicotarmos a BP; Galp e Repsol que vendem a gasolina a 1,53 e o governo permite este roubo é tudo farinha do mesmo saco.Todavia os consumidores ainda têm poder basta exerce-lo.
    Todas as bombas do país passam a ser obrigadas a vender combustíveis simples a partir de sexta-feira. Se a ideia era aproximar as principais marcas dos preços low cost, isso estará muito longe de acontecer. José Gomes Ferreira diz: “vamos continuar a ser enganados, como já estávamos desde 2004”. Na análise feita no Primeiro Jornal, considerou ainda que “a lei permite, o mercado é liberalizado, as companhias fazem o preço que querem".

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  4. Olha ,

    Tens a GALP aqui em Badajoz a vender a Gforce 95 por 1,299 euros e tens a low cost em Badajoz a 1,288 euros .

    Então o que se passa em Portugal pois o barril de petróleo está em mínimos históricos e estabilizado faz tempo ?

    Eu , explico :

    Tens na Galp acionistas privados que compram acções e querem ter lucro e distribuição de lucros , por isso mesmo que o petróleo seja dado , a gasolina em Portugal tem sempre o mesmo custo !

    O mesmo custo para encher as mesas de lagosta a meia dúzia de capangas em Portugal sem mexerem o rabinho do sofá !

    Jorge

    ( ciclista )

    http://elpreciodelagasolina.com/gasolineras/badajoz:36195

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  5. "a ruína dos povos e a decadência das nações"... aqui copia-se Antero de Quental e outros desiludidos do sec XIX !
    Estamos no sec XXI e nem ao menos aparece uma choraminguice original?

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  6. Anónimo Abril, 2015 17:13-meu amigo, na vida somos o que somos, valemos o que valemos,deste modo, permita que lhe diga que você não é nada, você não vale nada, anda ao sabor do vento. Por aquilo que já vi, o meu amigo deve ter parte no caixote, como se costuma dizer, ou então deve comer no mesmo tacho. Aconselho-o a ir ao médico !

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