quinta-feira, 9 de abril de 2015

A “alma”, o coração e o show

Joaquim Palminha Silva
            A partir de 8 de Abril e durante quatro dias, a cidade de Fafe é palco do I Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade. Esta 1ª edição do evento, segundo o Diário do Minho (4/4/2015), tem como objectivo homenagear personalidades e organizações internacionais, acrescente-se que também tem como finalidade «alertar, provocar e envolver os cidadãos na importância das causas e valores da humanidade», diz o citado jornal diário.
            Neste espaço de tempo, a cidade de Fafe é inundada com exposições de arte pública, tertúlias de café, representações com actores profissionais, exposições de rua ou em espaços próprios, música, etc..
            E lá vamos nós!… - Assiste-se, portanto, a uma explosão humanitarista e socorrista (Amnistia Internacional, Médicos do Mundo, etc.) onde pontific o exibicionismo dos bons sentimentos, entrando todos em cena no “circo” mediático, tanto as personalidades galardoadas (na verdade autênticos empresários da caridade e do humanitarismo) como as organizações… Enfim, quanto mais o sentimento cristão do dever de ajuda ao próximo ou a solidariedade cívica parece enfraquecer, mais a generosidade se transforma num produto de exibição; quanto maior é o progresso dos valores individualistas, mais as encenações mediáticas das boas causas se multiplicam em busca de audiências.
            A época da globalização capitalista, da difusão internacional dos mercados e do consumo a preço popular não significa obrigatoriamente a expulsão do referencial ético. Assistimos à sua sujeita exposição mediática, de acordo com as necessidades de protagonismo cultural, político, social e, inclusive, religioso deste(a) e daquele(a), e seus supostos e respectivos valores morais, reciclados de acordo com as leis do espectáculo, da comunicação de massas. Em vez do dever humanitário rigorista, respeitador da fragilidade e ignorância dos humilhados e ofendidos, pratica-se a combinação da “generosidade” com o marketing, utilizando a eventual sedução da personalidade tal qual no “show-biz”.
            Neste acontecimento de Fafe, são homenageados o Cardeal hondurenho Óscar Maradiaga (presidente da Cáritas Internacionalis) e Maria de Jesus Barroso Soares (presidente da Fundação Pro-Dignitate). Depois, durante quatro dias, entre decibés, felicidade consumista, espectáculos vários e entertainment avulso (sem o aborrecimento das lengalengas e sermões de outrora) o público espectador de Fafe e os forasteiros assistem ao desfile das “estrelas” destas e de outas causas “nobres”: José Lamego (da OIKOS), Graça Morais (artista plástica), Augusto Santos Silva (ex-ministro da Educação e Cultura), Sampaio da Nóvoa (Prof. da Universidade de Lisboa), Rui Nabeiro (Café Delta), Carvalho da Silva (ex-dirigente da Intersindical) Pe. Vítor Melícias, Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral…
            Acabaram, assim, as sóbrias e discretas campanhas de outrora, começou desde há algum tempo a caridade hedonista, que usa os pobres e os deserdados da terra para reabilitar personalidades, fabricar currículos e, claro, angariar fundos. Variedades diversas e exposições de fotografias de pobres e esfarrapados, de campos de refugiados, valas comum de matanças horríveis por esse mundo fora, parecem desejar reconciliar o impossível: idealismo e boas intenções com o horror e a miséria; avalanches de tristeza sentidas algures com a alegria do show e a felicidade da beneficência festiva…
            No fim de tudo ficamos perplexos…Porquê esta cidade portuguesa para tal evento? - Será que Fafe se pode identificar com um centro financeiro e bolsista onde a angariação de fundos se torna apetecida e desejável? Será que há algo de semelhante em Fafe a Wall Street (Nova Iorque) ou à City de Londres?

            O tempo da ética humanitária foi substituído pelo tempo da moda, e da teatralidade do “bem” – Vanitas vanitatum, et omnis vanitas (vaidade das vaidades, tudo é vaidade)!

11 comentários:

  1. Um evento para animar o turismo, a restauração e a hotelaria?
    Eis como, num deserto de ideias, a "solidariedade" e o "humanismo" são pretexto para um negócio de fim de semana.

    Que vícios privados se escondem por trás das "publicas virtudes".?
    Quanto é que o município paga a esses VIPs?

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  2. É Verdade Palminha! Show OFF e puro marketing. Propaganda à conta da desgraça.

    Aqui em Évora...ainda não há muito tempo a câmara do PCP fez um alarido espampanante, comunicados e etc e tal, sobre uns telefones tipo via aberta, que foram colocados na casa de velhotes carenciados e com problemas de saúde, etc.
    Sabe-se que a coisa envolveu também a PT e a Fundação Eugénio de Almeida. Provavelmente outros também. Tirando a Câmara do PCP, não li notícia nenhuma da PT á Fundação EA que tinham comparticipado com X para o projeto. Não precisaram de fazer publicidade e servirem-se desse marketing.
    Já os camaradas do PCP da câmara...quem lê aquela noticia vina da CME, e não saiba o que se passa, fica até a pensar que esta malta dá tudo o que tem no corpo aos pobrezinhos. E ainda fazem questão de fazer comunicados acerca disso!

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  3. Quando o bloco central PS/PSD roubava o concelho de Évora, pela calada, em obras de fachada, em compadrios ruinosos, na alienação do património municipal, sem comunicados, sem ouvir os munícipes, até levar o concelho à falência, aí estava tudo bem.
    Quando esta câmara informa os munícipes sobre as suas actividades, por pouco que sejam, está tudo mal.
    Por aqui se vê a desonestidade desta canalha.

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    1. O BLOCO Central????????????????
      O Partido Comunista manda nisto quase 30 anos. O PS esteve 12...a culpa é do bloco central?????
      Ainda se fosse o Bloco de Leste...que eu saiba o PCP nunca se redimiu dos crimes Estalinistas

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  4. Percebe-se que não sabe do que se trata nem qual é a finalidade do assunto que aborda mas toca de dizer mal que o que interessa é por a foto e escrever o nome e além disso para tudo há uma regra simples: nós somos os bons e virtuosos e todos os outros façam o que fizerem são gente mal intencionada e perigosa. Simples!

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  5. Andam animadissimos, com fotografias a eito nas redes sociais promovidas pelo canal de propaganda da Câmara, os eleitos do PCP nas festas autárquicas iniciadas em tempo do PS, desde a Feira Medieval até ao Desafio pela Saúde. Tal tá a moenga da pesada herança!

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    1. São parvos e atrasados.
      Podiam fazer como fez o PS quando acabou com a "Feira de S. João" e passou a fazer as "Festas da Cidade" para não se confundir com a "pesada herança". Isso é que eram mudanças a sério.

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    2. A porra da pesada herança....

      Na semana passada, até se via o Pinto de Sá a pousar para uma foto de uma empresa que se vem instalar no parque Aeronáutico.
      É preciso ter lata para embarcar numa máquina de propaganda como esta na tentativa de somar pontos.
      Nunca mais me esqueço daquela "brilhante" manifestação do PCP à porta da EMBRAER no dia da inauguração, sob o pretexto de vaiar Cavaco, vaiaram o capital, etc. Absolutamente ridículos.
      Por ser Eborense, senti vergonha desta gente.

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    3. E eu, por ser eborense, senti vergonha das mentiras com que me bombardearam durante uma década.
      Durante uma década anunciaram insistentemente que íamos a caminho da excelência. Afinal, estávamos a caminho da falência!

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    4. Pcp vive de fantoxadas e mentiras. Eles querem é estar no poder para nao terem de trabalhar.

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  6. Que cambada de comentadores que nada acrescentam...

    A. Gomes

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