segunda-feira, 23 de março de 2015

Porque falta a bandeira nacional…

Joaquim Palminha Silva
Desventuroso domingo (22 de Março de 2015), com estouvadas nuvens negras, logo pela manhã, a despejarem bátegas de água sobre uma Primavera envergonhada, com a sua “roupa” florida esfarrapada… Mas nada pode pesar tanto neste vale de lágrimas como a melancólica e enfadonha certeza de que vivo no País da dívida externa galopante, acrescida de infindáveis e individuais léguas de impostos directos e indirectos…
Assim, manhã cedo, através de velhas ruas e travessas pouco frequentadas, chego à Praça de Sertório, ao largo onde tem sede a “fabriqueta” da argumentação regionalista; isto é, a Câmara Municipal de Évora. Entretanto, levanto o olhar para a fachada do imóvel. Com efeito, a minha laboriosa conclusão inicial é confirmada. Quatro bandeiras sacodem-se ao vento: - A do Município, a bandeira nacional e o pano estrelado, de conveniência simbólica, da União Europeia, além de outra representando, avulsamente, não sei o quê.
Portanto, posso estabelecer a certeza: - Estou em Portugal, país paralelo à lombada do Oceano Atlântico… Nação pusilânime face à coligação “imperial” do norte europeu, mas com governo desapiedado, fanfarrão e implacável com seu próprio indigenato…
No meio da Praça de Sertório, movido não sei porque pressentimento, volto o olhar para o edifício renascença onde está sediado o Serviço de Finanças de Évora. Sobre o gracioso alpendre, lá estão, erguidos ao alto, os três mastros sabidos, todavia nenhum deles ostenta a respectiva bandeira! – Desembaraçados do pano tradicional, e apesar da seriedade que a sua função reclama, os esguios mastros mais parecem três palitos gigantes, como se fossem publicidade de alguma marca de “esgravata-dentes” para gastrónomos aflitos!
Ocorrem-me vários argumentos críticos. No entanto, espero um pouco… Recolho informações: - Há vários fins-de-semana que a bandeira nacional não se “deixa ver” hasteada nos mastros do Serviço de Finanças de Évora!
Negligência da direcção do Serviço, esquecimento do funcionário indigitado para a tarefa, generalizada indiferença, ausência de verba para aquisição de bandeiras?
Nada disto… Esqueçamos os ornatos e floreados de linguagem. Na verdade, amigo leitor, estou em crer que a ausência da bandeira nacional no respectivo mastro, fica a dever-se, talvez, a escrupulosa abstenção dos funcionários do Serviço de Finanças que, num gesto de desvelo e respeito pelos contribuintes, através da ausência da bandeira nacional, nos querem poupar a indignação de vermos o símbolo da Pátria hasteado onde, anti-patrioticamente e ao serviço de uma coligação de prestamistas estrangeiros, dia após dia nos são extorquidos os euros que temos para sobreviver, a pretexto de pagamentos de dívidas que não contraímos…
A bandeira nacional não é hasteada no mastro do Serviço de Finanças de Évora, domingo após domingo, para não insultar a inteligência do cidadão contribuinte, não lhe provocar a comoção, o sobressalto, pois é sabido que essa repartição de cobranças cumpre ordens de Lisboa que, por sua vez, cumpre ordens de Bruxelas!
Há muita gente que não percebe isto: - A direcção e funcionários deste Serviço têm uma grande consideração pelos contribuintes, por isso nos poupam o sacrilégio da bandeira das quinas aos domingos, sobre um balcão cor de rato onde nos subtraem dinheiro!

Bem hajam, pois, pelo nobre e caritativo gesto!


7 comentários:

  1. Na imagem esta o quito e um cliente a procura do produto,tudo normal num dia de Domingo onde a psp foi de fim de semana.

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  2. O Palminha só olhou para cima,em baixo algo habitual nesta cidade,a impunidade no negocio estupefaciente.
    Bela foto!

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  3. Onde fazem trafico de droga á noite e domingo e assaltam os contribuintes durante a semana seria um insulto ter a bandeira nacional, que eu saiba os ladrões ainda não tem a sua bandeira, só se fosse uma bandeira preta, já que ei diz que vai invadir e governar Portugal e Espanha daqui a 5 anos e com esta corja de inépcios que nos desgovernam começo a acerditar

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  4. Deviam pôr a bandeira da alemanha.

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  5. Colocarem bandeiras com os rostos de Angel e holland,os donos disto tudo.

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  6. Um lúcido postal de Évora, Portugal, Europa.

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  7. Não está a bandeira mas não falta a choraminguice nacional que, essa sim, está sempre hasteada!
    Imagine-se: as finanças de Évora, capital da pasmaceira, sem a bandeira nacional ! Isso exige muito mais do que uma crónica - exige um levantamento!
    (nacional , claro!)

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