segunda-feira, 16 de março de 2015

Alentejo extravagante!

Joaquim Palminha Silva
            Aqui mesmo ao pé da porta, podemos ver como tudo se conjuga para continuar a série, em folhetins pitorescos, do título Alentejo extravagante!
Por isso… Isto vai agora em tom de ironia prazenteira, porque nos parece melhor não azedar muito as susceptibilidades (não vá o diabo tecê-las!) de quem manda alguma coisa e têm a seu cargo a gestão de uma “máquina” melindrosa, chamada «Segurança Social do Centro Distrital de Évora» …
 Dantes até o chão, lavrado de pedras, nos recordava a tortura de um “povo” de “forçados”… Agora, Reguengos de Monsaraz (que já é cidade!), com as terras circunvizinhas transformadas em autêntico «País das Uvas», foi galardoada capital europeia do vinho! – Depois… há essa grande “engrenagem” que fez o cante ser património imaterial da Humanidade… Entretanto, as visitas de estrangeiros à “reserva” turística para ricos, perdão, ao Alentejo, aumentaram de número, dizem as estatísticas. Resumindo, as palavras das minhas crónicas têm cheiro a velharia e, quem sabe, pensarão os leitores mais desconfiados, possuem ressaibos de um pessimismo inconfessável, de quem não sabe nem quer ver a transferência de tanta “coisa óptima”, para o imediato aumento da qualidade de vida dos habitantes da terra transtagana. Vejamos…
*
Quando as “extravagâncias” parecem finalmente adormecidas, surge num mensário regional (Folha de Montemor, Março/2015) a entrevista duma senhora de maquilhagem simpática (reproduz-se a capa do jornal), dirigente da administração pública, com uma declarada vocação de vidente! – Este raro atributo humano é algo “novo” na administração pública do País e, mais uma vez, cabe ao Alentejo o papel de “vanguarda” na prática da “adivinhação”.


Numa linguagem de tapume e cartomancia, a senhora directora da Segurança Social do Centro Distrital de Évora, a determinado passo da entrevista, confessa-nos: «não tenho uma varinha mágica»; porém, logo adiante, não resiste e, deslumbrada, confidencia-nos que é «[…] capaz de vislumbrar um futuro risonho para o Alentejo, região com muitas potencialidades…»!
Depois, dando asas ao seu entusiasmo, numa grandiosa síntese “esotérica”, própria para ser entendida só pelos “iniciados” (sublinhamos as misteriosas palavras!), a senhora directora, sagaz e penetrante, explica-nos o seu vaticínio: «Os números do turismo mostram que este pode ser um grande pilar de alavancamento em termos de desenvolvimento e de economia local. Apostar na atracção de serviços e na possibilidade de termos algumas empresas que podem ser uma fileira de captação de investimento, e reforço dos clusters existentes. […] Pela primeira vez vamos ter um eixo de inclusão social que permitirá implementar respostas sociais inovadoras.».
Eu não sei, muito infelizmente para mim, o que seja «um grande pilar de alavancamento»; imprudente, ignoro como se pode tentar a sorte e «Apostar na atracção de serviços»; não faço a menor ideia do que seja «uma fileira de captação de investimento»; de entendimento enevoado e comezinho (deve ser da idade!), não entendo o que seja o sábio detalhe “esotérico” do «reforço dos clusters existentes»; com minha grande mágoa e desproveito não consigo imaginar um «eixo de inclusão social» e, por conseguinte, mesmo que me puxem as orelhas, como antigamente os professores faziam aos meninos cábulas, não atino com o que seja «implementar respostas sociais».
Basta!… Creio que já tagarelei demasiado sobre a minha ignorância. Mas eis que a senhora directora, como que “adivinhando” a minha desditosa pouquidão de entendimento, no derradeiro parágrafo da entrevista, tem a caridade de explicar, com exemplos ad hoc, parte do «futuro risonho» que diz «vislumbrar»: - «Évora é património mundial. Vendas Novas certificou a bifana. Arraiolos o tapete, temos o triângulo da pedra, a doçaria de Viana.»…
Caso surpreendente! Sobretudo surpreendente para mim, porque acabo de descobrir, como é patuscamente importante a bifana de Vendas Novas se parceira do patrimómio monumental de Évora; como é sublime o tradicional e artístico tapete de Arraiolos se acompanhado pelo extravagante «triângulo da pedra» (não confundir com o célebre «triângulo das Bermudas») e, para terminar tudo com a sensação dum doce sonho, fiquemo-nos, pois, pelo oportuno desvairamento da «doçaria de Viana».
Todavia… Ah! Os números do Instituto Nacional de Estatísticas (INE)…
Segundo dados de 2012, a população residente no Alentejo foi estimada em 501.747 almas, com o suplemento de ser a população mais escassa e mais envelhecida de Portugal continental, com 25% de pessoas com 65 e mais anos, assinalando-se um decréscimo populacional entre 1999 e 2012, enquanto nas restantes regiões se manifestou um aumento populacional.
Um «futuro risonho» para o Alentejo?! Ah!, senhora directora, pelo feitio rotundo do seu verbo, pelo afinco casuístico da sua “visão”, tem V. Exa. seguramente um lugar entre os “imortais”, que a sabedoria popular há muito pôs em versos, medíocres mas justiceiros: 
                               «Pilriteiro, que dás pilritos…
                                Porque não dás coisa boa?
                                Cada um dá o que tem,
                                Conforme a sua pessoa.».

16 comentários:

  1. Esta jovem cheia de experiência de vida deve ter ingressado da JSD aí pelos 10 anos, onde se aprende tudo o que é intriga, joguinhos de poder desenrascanço e um curso superior comprado da Lusíada.Como ela deve saber das dificuldades da vida, com a bifana de Vendas Novas, os charoleses o tapete das Silveiras.
    Não há pachorra

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  2. Na segurança social são CDS-PP.

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  3. Essa senhora doutora, vinda da legião dos garimpeiros que nos governam, teve e está a ter, todas as oportunidades para vir a ser ministra da Segurança Social. E o seu perfil parece adaptar-se a todos os seus apaniguados partidários que nos governam ...Ela lá tem vindo a subir...
    Apesar de ser da legião dos garimpeiros, esqueceu-se do garimpo das pepitas de ouro do Escoural, a salvação do Alentejo.
    Essa é imperdoável senhora doutora.
    DEMITA-SE JÁ, DO LUGAR QUE OCUPA. Fique sabendo que os alentejanos e o pessoal de Montemor, o seu concelho, nunca lhe perdoarão tal lapso.

    António Gomes

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    1. Pessoal de montemor ??? Nao representam de todo os alentejanos nem os alentejanos se reveem nessa gente,que apenas não passam dos servos do pcp. Montemor é o bastiao do pcp, e isso não é novidade para ninguém. Eu como alentejano, abomino o pcp, e acho-o o responsável pelo atrazo na região. E montemor està pejado de gente atrazada com alta taxa de analfabetismo,e de homens que ainda acham normal bater nas mulheres,isto,em pleno seculo 21. Agora reparem que estamos dominados por gente de montemor. Tirem as devidas conclusoes....

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  4. Esqueci-me de perguntar a quem pertence esse pasquim. Deve ser lá da área da senhora doutora...
    António Gomes

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  5. O pasquim é subsidiado pelo Pedro trotineta Soares, cambada de bandidos vão trabalhar para variar, vão andar de submarino

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    1. Anónimo, qual é o teu problema com o jornal?! Por acaso quem escreveu a crónica fez algum comentário ao jornal? Porque é que achas que o jornal recebe subsídios? Por acaso leste a entrevista e o resto do jornal?
      António Nabo

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    2. Olha o NABO. Toda a gente o conhece . Até em Lisboa na rotunda do Marques de Pombal eheheh

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  6. Como se a senhora fosse a culpada dos partidos todos "moldarem" e "educarem" os politicos à sua imagem.
    Onde é que o João Olveira, a não sei quê Rato trabalharam um milímetro sequer na vida?? Quem diz comunistas diz outros do PS ao CDS.

    Os politicos são tudo a mesma corja forjada dentros dos comités, comitões e outros ões..

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  7. Não se preocupem mais a esquadrinhar: a senhora directora da Segurança Social do Centro Distrital de Évora, Sónia Ramos Ferro, é vice-presidente no PSD distrital de Évora. Alguma novidade?

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  8. Esta gaja vai longe deve pertencer aos terratenentes de Montemor-O-Novo e cujos pais ganharam muito com a reforma agrária foram indemnizados e por uma herdade ocupada ficaram com o valor de duas.
    Há um Agrário em Èvora em 1973 tentou vender a herdade por contos, não conseguiu, em 1975 a herdade foi ocupada, foi-lhe devolvida em 1982 com 25000 contos de indemnização, o maior amigo que os agrários tiveram foram as ocupações até porque os agrários tinham as terras quase todas hipotecadas. Essa hipoteca devida à ocupação foi-lhes perdoada

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  9. e já agora o que quererá significar "linguagem de tapume e cartomancia", no texto aqui acima?
    Prosa por prosa...

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  10. Caro Palminha Silva, pergunto eu: o que o faz crer diferente da pessoa que satiriza ao longo desta sua crónica, no que ao "pilrito" diz respeito? Sem dúvida que o que tem, mais concretamente o "tudo" que vive dentro de si, surge dado em cada texto que escreve [para uns será suficiente, para outros nem tanto...]. Mas a verdade é que nestas sátiras que escreve, todas elas assentes em juízos de valor vazios e numa certa maledicência gratuita, posiciona-se como mais um "pilriteiro" igual a tantos outros...

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    1. António Afonso22 março, 2015 21:04

      Já cá faltava o "obrigatório" comentário a maldizer o cronista, no fundo a cometer a mesma imprudência que condena. Pilriteiro!

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  11. Então a senhora doutora, demite-se por ter esquecido o garimpo do Escoural?
    E quem é o Pedro trotineta Soares?

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  12. Mas que bela sátira.
    Nem sequer foi necessário maldizer ou fazer juízos de valor.
    Basta transcrever os pilritos, em cachos, coloridos e vistosos.

    (ainda há quem se admire, o estado a que isto chegou?)
    (que é que se pode esperar das associações de criminosos que nos governam?)
    (quando a gente pensa que já bateu no fundo, descobre que afinal isto não tem fundo)

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